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Media & Jornalismo

versão impressa ISSN 1645-5681versão On-line ISSN 2183-5462

Media & Jornalismo vol.19 no.35 Lisboa dez. 2019

http://dx.doi.org/10.14195/2183-5462_35_10 

ARTIGO

A evolução da imprensa sobre cinema em Portugal: Da ditadura aos primeiros anos da democracia

The evolution of Portuguese cinema press: From dictatorship to the first years of democracy

La evolución de la prensa sobre cine en Portugal: Desde la dictadura hasta los primeros años de la democracia

Jaime Lourenço*
https://orcid.org/0000-0002-9774-4967

Maria João Centeno**

*ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. Centro de Investigação e Estudos de Sociologia Universidade Autónoma de Lisboa

**Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Comunicação Social. Instituto de Comunicação da NOVA - ICNOVA


 

RESUMO

A investigação sobre Jornalismo de Cinema (aqui entendido como um subgénero do Jornalismo Cultural) é praticamente inexistente em Portugal e sendo o cinema uma das manifestações artísticas com maior presença na imprensa portuguesa, importa aprofundar a investigação sobre este subgénero do Jornalismo Cultural. Neste sentido, e numa perspectiva histórica, a relação entre o cinema e o jornalismo é quase tão antiga como a própria sétima arte. Os artigos e as várias publicações dedicadas ao cinema foram essenciais para o estabelecimento progressivo de uma cultura cinematográfica no país. Em Portugal, a primeira publicação dedicada em exclusivo ao cinema surge na década de 1910 e, a partir daí, proliferam as publicações sobre cinema que têm acompanhado a implementação do cinema na vida dos portugueses e a edificação do cinema português. É a partir da segunda metade do séc. XX que se começa a constatar um maior interesse no cinema, por parte do público e uma consolidação das publicações sobre cinema em Portugal.

Neste artigo focamos o nosso olhar nas décadas de 1950 a 1980 e, através da revisão de literatura e análise de conteúdo às principais publicações sobre cinema, procuramos traçar a evolução da imprensa sobre cinema em Portugal atendendo à história do cinema português e ao contexto em que essas publicações surgiram e circularam.

Palavras chave: imprensa portuguesa; jornalismo de cinema; cinema português


 

ABSTRACT

Studies about film journalism (a sub-genre of Cultural Journalism) are practically nonexistent in Portugal and with cinema being one of the most felt artistic manifestations in Portuguese press, it is important to deepen the study of this sub-genre of Cultural Journalism.

From a historical perspective, the relation between cinema and journalism is almost as ancient as the seventh art. The articles and several publications dedicated to Cinema were essential to the country’s progressive establishment of a cinematographic culture. In Portugal, the first magazine devoted exclusively to cinema emerged in the decade of 1910 and, from that point on, cinema magazines have accompanied the implementation of cinema in the Portuguese people’s lives and the edification of Portuguese cinema thrived. It’s after the second half of the 20th century that you began to find a bigger interest in cinema, by the readers and a consolidation of cinema magazines in Portugal.

In this article, we focus in the timeframe from the 50s to the 80s and, through the reviewing of literature and content analysis of the main cinema magazines, we look to outline the evolution of the press concerning cinema in Portugal complying with the history of Portuguese cinema and the context from where magazines came from and where they circulated.

Keywords: Portuguese press; film journalism; Portuguese cinema


 

RESUMEN

La investigación sobre periodismo de cine (que se define aquí como un subgénero del periodismo cultural) es casi inexistente en Portugal y siendo la película una de las manifestaciones artísticas con mayor presencia en la prensa portuguesa, es importante profundizar la investigación sobre este subgénero del Periodismo Cultural. Así, y desde una perspectiva histórica, la relación entre el cine y el periodismo es casi tan antigua como el séptimo arte. Los artículos y diversas publicaciones dedicadas al cine fueron esenciales para el establecimiento progresivo de una cultura cinematográfica en el país. En Portugal, la primera publicación dedicada exclusivamente a la película surge en la década de 1910 y, a partir de ahí, la proliferación de publicaciones sobre cine que han acompañado la implementación del cine en la vida de los portugueses y la edificación del cine portugués. Es a partir de la segunda mitad del siglo XX que se empieza a darse cuenta de un mayor interés en el cine por parte del público y una consolidación de las publicaciones sobre cine en Portugal. En este artículo, nos centramos en las décadas 1950-1980, y con una revisión de la literatura y una análisis del contenido de las publicaciones más importantes en el cine la literatura, vamos a intentar escribir sobre la evolución de la prensa en la película en Portugal considerando la historia del cine portugués y el contexto en el que estas publicaciones surgieron y circularon.

Palabras clave: prensa portuguesa; periodismo de cine; cine portugués


 

Introdução

Na primeira década do séc. XXI, o Cinema era uma das três manifestações culturais e artísticas com maior presença nos jornais generalistas portugueses (acompanhado da música e da literatura) (Baptista, 2017a). Apesar do interesse editorial dedicado ao Cinema pela imprensa generalista, desde 2014 que não existe uma publicação especializada em Cinema no mercado português[1]. No entanto, nem sempre foi assim. Durante o séc. XX, a implementação do Cinema foi acompanhada por publicações especializadas que, tal como Barroso (2008) afirma, foram essenciais para a construção de uma cultura cinematográfica em Portugal.

Neste artigo traçamos a evolução da imprensa sobre cinema em Portugal, desde as suas origens até aos primeiros anos da democracia, com especial destaque para as últimas décadas da ditadura, atendendo ao contexto em que essas publicações surgiram e circularam.

A imprensa sobre cinema em Portugal: origens

Foi em finais do séc. XIX, mais precisamente em Março de 1895, que as primeiras imagens em movimento terão sido vistas em Portugal, mais concretamente em Lisboa[2], no mesmo ano em que os irmãos Lumière apresentaram o cinematógrafo[3] em Paris. Mas só em Junho de 1896 decorreu a projecção de filmes para o público no Real Coliseu, em Lisboa (a primeira sala a projectar filmes em Portugal) (Pina, 1986, pp. 13-16). A partir daí, pequenos teatros abraçaram a projecção de filmes, como é o caso do Teatro Príncipe Real (actual Teatro Sá da Bandeira), no Porto. Foi aí que a 12 de Novembro de 1896 foi projectado o primeiro filme português, Saída dos Operários da Fábrica Confiança (filme que imitava a Saída dos Operários da Fábrica Lumière, dos irmãos franceses) de Aurélio da Paz dos Reis, o primeiro realizador português (Costa, 1954, p. 5).

Mas eram os filmes estrangeiros que dominavam em Portugal durante os primeiros anos do séc. XX. Até 1918 são fundadas várias distribuidoras de cinema em Portugal que actuavam sobretudo em Lisboa e no Porto. O público era cativado pela emoção do espectáculo que os actores proporcionavam. Tal como refere Luís de Pina (1986), a cinefilia era a ‘doença do tempo’ e o cinema tinha presença garantida na imprensa.

A nível internacional, as primeiras publicações dedicadas ao cinema surgiram em Itália, Inglaterra, Espanha, EUA (Motion Picture, fundada em 1911 por E. W. Brewester) e França (Ciné Pour Tous, dirigida por Pierre Henry). Portugal, à semelhança do que ocorria nestes países, também passou a dispor, a partir de 15 de Março de 1917, da primeira publicação portuguesa exclusivamente dedicada ao cinema, Cine Revista (Costa, 1954, p. 5; 1978, p. 51) que devido a uma gralha tipográfica no primeiro número, surge com a data de 1916.

Na transição para a década de 1920, o Porto era considerado a capital do cinema em Portugal (em grande medida devido ao pioneirismo de Aurélio da Paz dos Reis) e foi aí que surgiram duas publicações que marcam o início dos anos 20. Em Agosto de 1919 surge a revista Porto Cinematográfico e em Março de 1923, a Invicta Cine. A primeira publicação tinha como director, editor e proprietário Alberto Armando Pereira, o pioneiro do jornalismo de cinema em Portugal. Henrique Alves Costa, responsável pela criação do Cineclube do Porto, considera-a como “uma das melhores revistas cinematográficas que se editaram em Portugal” (1954, p. 9). Já a Invicta Cine (que surgiu no Porto a 25 de Março de 1923) viria a ser uma das publicações especializadas em cinema com maior duração em Portugal.

Ao longo da década de 1920, a distribuição de cinema prospera, várias produtoras foram fundadas; em 1929 aparecem as primeiras distribuidoras portuguesas; e o cinema português continua a ser residual quando comparado com o cinema estrangeiro que domina o mercado interno. Este período também se caracteriza por um aumento no número de salas de cinema, destacando-se o aparecimento do Tivoli em 1924, na Avenida da Liberdade em Lisboa e a remodelação de várias salas de teatro como os teatros São João e Rivoli, no Porto (Barroso, 2008, p. 24), mas também um aumento da consciencialização da necessidade de um cinema nacional.

Foi em Outubro de 1927 que, na imprensa generalista portuguesa, mais especificamente no Diário de Lisboa, surge a primeira página exclusivamente dedicada ao cinema. Inicialmente, esta página tinha como título Arte Cinematográfica/O claro-escuro animado e era da responsabilidade de António Lopes Ribeiro, um dos primeiros críticos de cinema em Portugal (assinava os textos sob o pseudónimo de Retardador). Mais tarde, a página seria rebaptizada de A Semana Cinematográfica (Cunha, 2008, p. 9; 2014, p. 241). Mas as publicações especializadas em cinema proliferavam, tendo surgido, na década de 1920, mais de 20 títulos. A 2 de Junho de 1928, o jornal O Século lança aquela que é considerada, até hoje, a mais popular publicação especializada em cinema e que teve a maior longevidade, a Cinéfilo (Borges, 2018; Costa, 1954, p. 18; 1978, p. 52). Esta revista inspirava-se (a nível do formato, páginas, etc.) no modelo da primeira fase da revista francesa Mon Ciné. A Cinéfilo começou por ter periodicidade quinzenal, mas rapidamente (a partir do número 13) passou a semanal. A 15 de Setembro de 1939, no número 578, a publicação é suspensa de forma temporária durante o período da 2ª Guerra Mundial. No entanto, a revista continuou a ser publicada num novo formato, enquanto suplemento do jornal O Século.

Nas décadas de 1930 e 1940, com a proliferação pelo país de salas de cinema, assistiu-se a um maior enraizamento do cinema em Portugal. Surgiram mais de 30 publicações especializadas em cinema, entre asquais se destacam títulos como Kino (1930), Cinema (1932), Animatógrafo (1933), Movimento (1933) ou Cine-Jornal (1935). Estas publicações pretendiam conciliar várias necessidades e interesses, dar resposta aos objectivos de distribuidoras, o que implicava depender da publicidade que estas proporcionavam, bem como responder à curiosidade dos leitores (Barroso, 2008, pp. 25-26). Deste conjunto de publicações sobressaiu um grupo de responsáveis e colaboradores que dominou a produção cinematográfica em Portugal nas décadas de 1930 e 1940.

A imprensa sobre cinema entre as décadas de 1950 e 1980

O presente estudo propõe analisar as publicações sobre cinema que se destacaram no período compreendido entre 1950 e 1989, o que corresponde a quatro décadas que se traduziram em mutações significativas quanto aos temas abordados, aos géneros jornalísticos utilizados e ainda à cobertura do cinema português. O corpus do estudo foi composto por 21 números: revista Cinéfilo, números 598 (1950), 608 (1955), 618 (1960), 624 (1965), 632 (1970), 38 da nova série (1975), 44 da nova série (1980) e 1 e 2 da 2ª série (1973); revista Imagem, números 1 (1950), 14 (1955), 35 (1960) e 36 (1961); revista Filme, números 1 (1959), 7 (1959) e 63 (1964); revista Cinema Novo, números 1 (1978), 13 (1980) e 41 (1985); e os números 1 e 2 (1980) da revista Cinematógrafo[4]. Neste sentido, para traçar a evolução da imprensa sobre cinema em Portugal procedeu-se a uma análise de conteúdo das edições de cinco em cinco anos (1950, 1955, 1960, 1965...), tendo como referência o mês de Outubro[5] e o primeiro e último número das publicações com maior relevo durante estas décadas.

Analisaram-se os temas que estas publicações tratam, os géneros jornalísticos dos artigos, os protagonistas destacados, a origem geográfica dos assuntos tratados bem como dos filmes em destaque.

Os anos de 1950, a década da crise do cinema português e da mudança de paradigma na imprensa sobre cinema

Numa década marcada pela primeira Lei de Protecção do Cinema Nacional (Lei nº2027 de Fevereiro de 1948) e pelo aparecimento de quase o dobro do número de salas de cinema no país, o cinema nacional, ao contrário do apogeu que viveu na década de 1940, atravessou uma crise irreversível. De tal forma que o ano de 1955 ficou conhecido como o ano zero do cinema português (uma vez que não foi produzida nenhuma longa-metragem), enquanto o cinema norte-americano de Hollywood prevalece nas salas portuguesas ao longo dos anos 1950 (Reia-Baptista & Moeda, 2010, p. 11).

Atendendo à imprensa nacional dedicada ao cinema, comparativamente com a francesa ou italiana, o panorama é relativamente pobre (Henry, 2006, p. 233). No entanto, a 28 de Outubro de 1950 surge, em Lisboa, a revista Imagem, a mais importante neste período a nível cultural, de divulgação cinematográfica e de repercussão do movimento cineclubista (Costa, 1954, p. 33; Henry, 2006, p. 233). Composta por 24 páginas, com o preço de 3$ e uma periodicidade mensal, a Imagem (1ª série) define-se como uma “revista popular de cinema” e pretendia ser “uma revista séria que aspira a uma certa intelectualidade”. Após completar dois anos de existência, a Imagem suspende a sua publicação com o nº 31 em Novembro de 1952, mas um ano e um mês depois, a 1 de Janeiro de 1954, surge a 2ª série. Foi alvo de uma reestruturação de modo a apresentar-se como mais intelectual e séria (perdendo a designação de “revista popular de cinema”) e a ocupar um lugar de destaque no mercado português das revistas com sentido intelectual e abertura cultural. A revista continuou a ser dirigida por Baptista-Rosa, passou a ser composta por 40 páginas, tinha o preço de 5$ e periodicidade mensal (Costa, 1954, pp. 34-35; Henry, 2006, pp. 244-245).

Por sua vez, a Cinéfilo continuou a ser publicada em formato de suplemento do jornal O Século, composta apenas por 8 páginas e com uma periodicidade semanal, configuração que duraria até 1973. Já no final da década, em 1959, surge a revista Filme, que vai dominar o mercado português durante a primeira metade da década de 1960. Era composta por 50 páginas, tinha o preço de 6$ e periodicidade mensal. Foi dirigida por Luís de Pina e teve como colaboradores Nuno de Bragança, João Bénard da Costa, Domingos Mascarenhas, entre outros. A revista Filme afirmava-se como um “lugar de combate pela cultura cinematográfica e pela existência de um cinema português” (Henry, 2006, p. 299).

Relativamente aos temas com maior frequência nestas publicações (Figura 1), podemos verificar que as celebridades (24,52%) são o tema mais recorrente ao longo da década, seguido pelas estreias (23,87%) e pela antevisão de filmes (10,97%). Recorde-se que nos EUA já estava implementado um star system fortificado e em Portugal tentava-se criar um, pelo que as revistas especializadas em cinema não ficavam indiferentes aos actores, actrizes e realizadores. Por exemplo, o número 14 da revista Imagem (Outubro de 1955) é, todo ele, dedicado ao realizador John Ford e à sua obra.

 

 

Na década de 1950, verifica-se uma mudança no paradigma do jornalismo de cinema. A primeira metade da década é marcada por artigos de reduzida dimensão (ao longo da década são as breves que têm maior presença com 36,13%), com destaque às estrelas internacionais (Ingrid Bergman marca a primeira página do número 1 de Imagem) e por um estilo discursivo maioritariamente descritivo. Já a segunda metade da década é caracterizada por uma mudança no jornalismo de cinema. Apesar de as breves continuarem a ser dominantes, a crítica, enquanto género de promoção da reflexão e interpretação, começa a ganhar força (é o segundo género jornalístico com maior presença ao longo da década com 15,48%). Foi nos anos de 1950 que se quebrou com o modelo centralizado na opinião do crítico, progredindo para uma crítica orientada por critérios que analisavam os filmes do ponto de vista técnico e artístico. Além da crítica começaram também a surgir os artigos de fundo que ocupam normalmente mais de uma página. A acompanhar estas tendências, verificou-se um aumento do número de páginas destas publicações (à excepção de Cinéfilo). Assumimos que tal mudança se deve à influência das revistas francesas, em grande medida da Cahiers du Cinéma, que surge em 1951.

Nestas publicações surgem temáticas, ainda que de forma residual, como a cobertura de festivais internacionais (como o Festival de Veneza), da actividade dos cineclubes[6] ou do cinema de amadores, sendo que é nesta década que estes começam a manifestar-se (Barroso, 2008, p. 26).

A maioria dos artigos publicados nestas revistas dá atenção aos assuntos internacionais, maioritariamente de origem norte-americana, uma vez que a produção nacional estava, como já referido, a atravessar uma crise. No final da década é notória uma aposta das revistas na revitalização do cinema português, com, por exemplo, a promoção de debates.

Além da imprensa especializada em cinema, foi nos anos 1950 que o cinema começou a marcar presença nas antenas da Emissora Nacional.

Os anos de 1960, o novo cinema português e a afirmação da crítica de cinema

Marcada pelo aparecimento de grandes manifestações artísticas, a década de 1960 assistiu a um novo fôlego na cinematografia nacional. De um contexto sociopolítico de repressão, resistência e contestação política e de uma crise na produção cinematográfica, surge uma oposição socialmente mais diversificada que se preocupa em “defender novos e futuros caminhos para o cinema português, com estéticas enquadradas nas correntes oriundas do neo-realismo italiano e sobretudo da ‘nouvelle vague’ francesa que defendia o ‘cinema de autor’ como caminho a seguir” (Reia-Baptista & Moeda, 2010, p. 12). Essa oposição dá lugar a uma nova geração de cineastas, oriundos do cineclubismo, da crítica das revistas especializadas em cinema, do Estúdio Universitário de Cinema e das escolas estrangeiras, ou ainda da produção nacional promovida pela Rádio Televisão Portuguesa (Pina, 1986, p. 134). Os anos de 1960 ficaram assim marcados por uma sucessão de inovações estilísticas e ideológicas; pelo regresso de Manoel de Oliveira a Portugal, que será adoptado como referência tutelar pelos novos realizadores (Baptista T. , 2009, p. 314); pelo aparecimento da televisão, que, se por um lado, era um concorrente directo ao cinema, por outro permitiu formar técnicos e novos realizadores (Barroso, 2002, p. 102); e pelos apoios financeiros aos novos cineastas, concedidos pela Fundação Calouste Gulbenkian, através do Centro Português de Cinema criado em 1969 (Reia-Baptista & Moeda, 2010, p. 12).

A imprensa sobre cinema acompanhou esses tempos de mudança e foi um elemento fundamental na evolução da cultura cinematográfica em Portugal.

As estreias (27,63%), as celebridades (15,79%) e a antevisão de filmes (9,21%) continuaram a ser os três temas dominantes na década de 1960, sendo que as estreias se sobrepõem às celebridades (Figura 2). A actualidade do sector cinematográfico passou assim a estar presente nas publicações especializadas em cinema, exemplo disso é a cobertura das estreias e da actualidade das salas de cinema por todo o país. Também os Festivais de Cinema, nomeadamente o de Cannes e Veneza, passaram a ter uma cobertura frequente.

 

 

Relativamente aos géneros jornalísticos, a crítica afirmou-se como o género com maior presença nas publicações dedicadas ao cinema com 30,26%. Os outros dois géneros com maior presença foram a reportagem (14,47%) e a breve (13,16%). Neste sentido, os anos de 1960 caracterizam-se pela produção de textos e peças críticas que desenvolvem o pensamento discursivo, estético e narrativo através de conceitos sociais, políticos, estéticos ou filosóficos. Foi uma década de afirmação de um género determinante para iniciar a compreensão e interpretação dos filmes na sociedade portuguesa (Barroso, 2002, pp. 92-108), quer nas revistas especializadas, quer na imprensa generalista. Nesta última, em 1968, o Diário de Lisboa passou a publicar diariamente críticas assinadas por Lauro António e Eduardo Prado Coelho, algo que viria a revolucionar a história da crítica na imprensa em Portugal e a alterar o panorama da crítica de cinema portuguesa (Cunha, 2014, p. 250; 2008, p. 13).

Ao longo desta década, foi o cinema internacional, nomeadamente o norte-americano, que ocupou mais espaço nestas publicações. No entanto, há uma tentativa de colocar o cinema português nas páginas destas revistas, sendo a imprensa um importante agente na tentativa de revitalização do cinema português. A título de exemplo, o número 20 da revista Filme (Novembro de 1960) dedicou um dossier ao que já se chamava “Novo Cinema Português”, afirmando a necessidade de “sangue novo” no cinema nacional (Bénard da Costa, 1991, p. 115).

Foi nesta década que duas das principais publicações especializadas em Cinema em Portugal, as revistas Imagem e Filme, aqui analisadas, terminaram a sua edição, respectivamente em 1961 e 1964. No final dos anos 1960, apesar dos esforços desencadeados para revitalizar o cinema português, o público não mostrava interesse nos filmes nacionais, as principais produtoras tinham falido, os novos cineastas tiveram que recorrer à publicidade ou à televisão para sobreviver, o “velho” cinema esgotou-se com a morte de Leitão de Barros e o fim da carreira de Lopes Ribeiro, Perdigão Queiroga, Fernando Garcia, entre outros (Pina, 1986, p. 160). Contudo, foi também nesta década que surgiu na televisão portuguesa a primeira rubrica sobre cinema, 7ª Arte, exibida entre 1961 e 1968 e que investiu a televisão pública com uma programação cinematográfica.

Os anos de 1970, a revolução, as novas publicações e um novo olhar para a actualidade cinematográfica

A entrada de Marcelo Caetano na presidência do Governo, em 1968, marcou um novo período na política cultural em Portugal com a criação da Secretaria de Estado da Informação e do Turismo (anterior Secretariado Nacional de Informação) e a promulgação da nova Lei do Cinema Nacional em Dezembro de 1971 (Reia-Baptista & Moeda, 2010, p. 12). Esta Lei determinava o aumento do financiamento para a produção de filmes portugueses (através da implementação de um imposto sobre os lucros de bilheteira), uma vez que se passou areconhecer o cinema português não só enquanto arte, mas também enquanto património cultural que precisava de ser salvaguardado (Baptista, 2009, p. 315).

Em 1974 ocorre a Revolução de Abril, que implicou a cessação de financiamentos do Instituto Português de Cinema (criado em 1971 pelo governo de Marcelo Caetano) e a reavaliação das políticas do Estado para o sector cinematográfico. Os dois anos seguintes, durante o período revolucionário (também conhecido por PREC), traduzem-se numa fase de experimentação em que os cineastas registam aatualidade. Segundo Reia-Baptista & Moeda (2010), “o cinema desceu à rua, até ‘ao povo’, num ‘happening’ constante que durou sensivelmente até ao 25 de Novembro de 1975” (p.12), tendo-se produzido inúmeros documentários para cinema e televisão neste “interlúdio revolucionário”. O cinema nacional no pós-25 de Abril pode ser dividido em três movimentos: Paulo Rocha, António-Pedro Vasconcelos, Alberto Seixas Santos e João César Monteiro seguem a linha do Cahiers du Cinéma com um cinema personalista; José Fonseca e Costa e Artur Ramos assumem um cinema realista; enquanto Artur Semedo segue um caminho muito próprio, através do humor e da crítica mordaz (Pina, 1986, pp. 168-173).

A nível da imprensa internacional, esta foi uma década marcada pela proliferação de várias publicações sobre cinema, enquanto em Portugal o sistema de comunicação social transforma-se radicalmente. “Confrontada com novas opções em plena instabilidade política, a população portuguesa com possibilidade de acesso aos órgãos de informação procurou neles pontos de referência e rumos de orientação” (Mesquita, 1996, p. 361). No quadro da imprensa cultural, a década é marcada pelo reaparecimento da revista Cinéfilo em 1973 (desde 1939 que o suplemento com o mesmo título era publicado em conjunto com o jornal O Século), momento marcante na história da imprensa cinematográfica portuguesa (Cunha, 2014, p. 259). Apesar do curto regresso (terminou em Maio de 1974), foi considerada a publicação que mais espaço reservava à cultura e aos espectáculos neste período em Portugal (Carmo, 2006), abrangendo áreas como o cinema, a música, o teatro, a televisão ou o bailado. Com periodicidade semanal, um preço de 7$50 e uma média de 50 páginas, a segunda série da Cinéfilo foi dirigida por Fernando Lopes, António-Pedro Vasconcelos era o chefe de redacção, João César Monteiro o redactor principal e entre os colaboradores estavam nomes como Eduardo Prado Coelho, Vasco Pulido Valente, Alberto Seixas Santos, Eduardo Geada, Henrique Alves Costa, entre outros. Esta publicação marcou o debate cultural nos últimos momentos da ditadura, tendo contribuído para muitas das discussões que se colocaram no pós-25 de Abril (Cunha, 2014, p. 259). Após a curta circulação de Cinéfilo, continuou a ser publicado o suplemento com o mesmo título no jornal O Século, um número por ano até 1982.

Mas, ainda na década de 1970 é criada uma nova publicação, mais concretamente em 1979. Cinema Novo assume-se, no editorial do primeiro número, como um “espaço para dizer palavras. Para uma outra forma de (vi)ver o cinema, no ‘cruzamento de todas as linguagens’... Palavras novas para um cinema novo”. Dirigida por Mário Dorminsky, a revista Cinema Novo tinha periodicidade bimensal, um preço de 30$ e era composta por uma média de 32 páginas.

Nas publicações analisadas nesta década, Cinéfilo e Cinema Novo, os três temas directamente relacionados com a actividade cinematográfica[7] com maior presença na imprensa sobre cinema nos anos 1970 (Figura 3) são os Festivais e Ciclos de Cinema (12,37%), as Celebridades (11,34%) e as Estreias (11,34%). É a partir desta década que a cobertura a Festivais e Ciclos de Cinema ganha maior destaque nas publicações, além da cobertura a eventos como o Festival de Cannes, também o crescente aparecimento de Ciclos de Cinema, nomeadamente retrospectivas promovidas pela Cinemateca Portuguesa e pela Fundação Gulbenkian são divulgados. Este foi um período em que o enquadramento dos conteúdos destas publicações passou a estar, em grande medida, centrado nos acontecimentos, tendo aparecido os espaços de agenda com as estreias da semana e os filmes em cartaz.

 

 

Quanto aos géneros jornalísticos, a notícia é a mais presente, com 45,36%, seguida dos géneros de opinião: crítica (10,31%) e crónica (9,28%). Podemos então afirmar que a década de 1970 é marcada pelos acontecimentos e pela actualidade do universo cinematográfico com textos maioritariamente descritivos, sem um protagonista assumido e acompanhados de imagem. Ao contrário do que acontecia com a imprensa generalista de então, caracterizada pela falta de artigos de análise e reflexão - “não parece muito boa (...) ela nunca procura explicar” (Sartre in Mesquita, 1996, p. 363) -, a imprensa dedicada ao cinema promove géneros como a crítica e a crónica que enalteciam a reflexão. É um período em que surgem novos títulos na imprensa sobre cinema e se passa a olhar para a actualidade cinematográfica portuguesa com outros olhos, abrindo o debate a diversas questões, nomeadamente se o cinema português se deveria orientar por uma linha mais próxima do ‘cinema de autor’ ou por um registo comercial. Esta é uma discussão que se prolongou na década seguinte. Foram anos em que se passou a olhar para outras cinematografias, como a alemã ou a chinesa e se elaboraram retrospectivas de carreiras de vários realizadores internacionais.

Os anos de 1980, os blockbusters americanos e a afirmação do cinema comercial em Portugal

Os primeiros anos da década ficam marcados pela afirmação de um cinema português mais “comercial”, ou seja, direccionado para o público. Ganham destaque os nomes de Luís Filipe Rocha, Lauro António, António Vitorino de Almeida e António-Pedro Vasconcelos (Pina, 1986, pp. 193-194). Foram também estes os anos em que se deram a conhecer os primeiros resultados da Escola Superior de Cinema e anos que contribuíram para a mudança na percepção que os portugueses tinham do cinema nacional. João Botelho é um dos exemplos que, com Conversa Acabada (1981), conquista prémios nacionais e internacionais. Em 1981, Kilas, O Mau da Fita de José Fonseca e Costa, atinge os 120 mil espectadores e três anos mais tarde, em 1984, O Lugar do Morto de António-Pedro Vasconcelos torna-se o filme português mais visto de sempre até então, ultrapassando os 270 mil espectadores (Baptista, 2009, p. 317).

Duas orientações distintas são perceptíveis no cinema português. Por um lado, defende-se um cinema fácil, de entretenimento, que oferece um “espectáculo” ao público e que o fidelize. Por outro, propõe-se a continuidade do “cinema de autor”, com uma exigência estética vincada e com referências distantes do grande público (Cunha, 2013, p. 216). Os sucessos de bilheteira que se verificaram no início da década trouxeram alguma esperança aos defensores da indústria cinematográfica comercial em Portugal. Contudo, os filmes portugueses de tradição mais autoral eram amplamente recebidos pela crítica internacional nos festivais de prestígio e colocavam o nome de vários cineastas portugueses nos principais circuitos internacionais de cinema. A denominada ‘escola portuguesa’ “foi louvada como a expressão moderna de uma cinematografia nacional que tinha sido poupada à ameaça equalizador do cinema de entretenimento” (Baptista, 2009, p. 317).

É durante os anos de 1980 que se assiste ao fim do cineclubismo, enquanto força de dinamismo e influência cultural, surgem novos programas na RTP, como Museu do Cinema (que estreia em 1986), têm início os ciclos retrospectivos na Cinemateca e na Fundação Gulbenkian e surgem festivais de cinema por todo o país, como é o caso do Caminhos do Cinema Português em 1988, do Fantasporto (Festival Internacional de Cinema do Porto) em 1981, ou o Festival Internacional de Cinema de Tróia em 1985 (Fino, 2013, pp. 237-238).

À época, o mercado era dominado por filmes de produção norte-americana que aumentam exponencialmente. De 1980 a 1989, a produção norte-americana passa de uma ocupação de 37% das estreias comerciais nas salas portuguesas para 67% (Cunha, 2013, p. 221). O desenvolvimento económico do país, a adesão à CEE na segunda metade dos anos 1980 e o consumismo que daí resultou ditam o distanciamento do público em relação ao cinema da ‘escola portuguesa’ (Baptista, 2009, p. 319).

No campo da imprensa, a década é marcada pelo eclodir das indústrias culturais em Portugal, tendo os anos de 1980 sido palco de uma crescente especialização nos media, resultando no aparecimento de jornais e revistas dedicados à cultura e também ao cinema (Santos Silva, 2009, p. 94), mas também no reaparecimento das páginas e secções culturais na imprensa generalista, que haviam sido menosprezadas na década anterior (Mesquita, 1996, pp. 388-389). É neste período que é publicado o último número do suplemento Cinéfilo no jornal O Século, em 1982, terminando assim aquela que havia sido a publicação sobre cinema com maior longevidade em Portugal, apesar dos diferentes formatos em que se apresentou. Contudo, este período é também marcado pelo aparecimento da revista Cinematógrafo em 1981; revista com uma duração muito curta, apenas foram publicados dois números no final de 1981. Com uma periodicidade mensal, um preço de 50$ e uma média de 56 páginas, a Cinematógrafo tinha João Antunes como director e proprietário, Rui Duarte Gonçalves como chefe de redacção e como colaboradores Eduardo Prado Coelho, João Bénard da Costa, João Lopes, José de Matos-Cruz, entre outros. Durante os anos de 1980 continua a circular a revista Cinema Novo que a partir de 1983 é alvo de uma reformulação, recusando os moldes tradicionais de revista, passando então a dedicar cada número à figura e obra de um realizador, como Fellini (nº29), Hitchcock (nº30), Scorcese (nº31) ou Bergman (nº41). A primeira série desta revista termina em 1985, apesar da tentativa de a ressuscitar numa segunda série em 1988, mas que acabaria por terminar definitivamente em 1989.

Na década de 1980[8], a perspectiva histórica sobre o cinema tornou-se dominante (Figura 4), através do predomínio do tema Filmes em Retrospectiva (39,02%), onde se destacam os títulos essenciais e os cineastas cuja obra marca a história do cinema, como é exemplo o número da Cinema Novo dedicado à figura e à obra de Ingmar Bergman. Mas também a actualidade do universo cinematográfico marca presença nas publicações dedicadas ao cinema dos anos de 1980 através das Estreias (15,85%) e dos Festivais e Ciclos de Cinema (12,20%). Relativamente a novos temas, destaca-se o Cinema Infantil, que começa a ter expressão nestas publicações e a abordagem de temas que até então não eram usuais neste tipo de publicações, como é exemplo o artigo de fundo e central sobre Homossexualidade no Cinema no número 13 (Set-Out, 1980) da revista Cinema Novo. Nesta década regista-se o desinvestimento em celebridades, que estiveram sempre entre os três principais temas das décadas anteriores.

 

 

A crítica é o género jornalístico mais presente nesta década (47,56%), seguido da notícia (26,83%). Deste modo, a crítica continua a assumir-se como o género mais comum no jornalismo de cinema, destacando o olhar crítico sobre os filmes em estreia, bem como em retrospectiva.

A imprensa sobre cinema desta década é marcada por artigos de grande dimensão, seja sobre o cinema português, a cobertura ao Festival de Cinema da Figueira da Foz ou uma entrevista exclusiva a Ingmar Bergman.

Neste período são raros os artigos acompanhados por imagens e quando tal ocorre são imagens sempre a preto e branco, numa altura em que a imprensa a cores já é frequente em Portugal.

Apesar de o cinema português ter vivido um período de expansão nesta década, é o cinema internacional que continua a estar mais presente, com destaque para os EUA. A título de exemplo, quase metade (49,7%) das 3426 longas-metragens estreadas em Portugal ao longo da década são de origem norte-americana e apenas 1,6% são produções ou co-produções portuguesas (Cunha, 2013).

Os anos de 1980 foram, assim, um momento de transformação e mudança no cinema internacional, bem como no português. Contudo, a imprensa sobre cinema demorou a conseguir acompanhar a velocidade galopante daquela que é uma das manifestações artísticas mais importantes e só no final da década de 1990 é que viriam a aparecer publicações totalmente direccionadas para a actualidade internacional e nacional do cinema como a Estreia (1998) e Premiere (1999).

Conclusões

Ao longo destes 40 anos analisados o valor-notícia que dominou na imprensa portuguesa sobre cinema foi o da actualidade, uma vez que as Estreias, os filmes que estavam em sala naquele mês, estiveram sempre entre os três temas com maior presença nas publicações analisadas.

Se no início dos anos 1950 se verificava um jornalismo de cinema marcado por artigos de reduzida dimensão, descritivos e onde o principal tema eram as celebridades, a partir da segunda metade da década esse panorama começou a alterar-se. É a partir da década de 1960 que a crítica enquanto género de promoção da reflexão e interpretação começa a dominar as páginas destas publicações e chegando mesmo à imprensa diária generalista. Tal alteração deveu-se, em grande medida, à influência das publicações internacionais, como a francesa Cahiers du Cinéma, que contribuiu, de forma significativa, com novas formas de ver e analisar os filmes.

A partir da década de 1970, com a revolução de Abril, a imprensa portuguesa sobre cinema traça um novo olhar focado nos acontecimentos relacionados com o universo do cinema que surgiam por todo o país como os Festivais e Ciclos de Cinema e começou-se a olhar para cinematografias mais distantes, como a alemã ou a chinesa. Já os anos 1980 foram marcados pelo debate dos caminhos do cinema português, mas também por uma percepção histórica em que surgem as retrospectivas e os artigos sobre vários cineastas e autores, ou até números inteiros dedicados a uma figura. Também nesta década começam a ter espaço temáticas que até então não eram abordadas por estas publicações, como o Cinema Infantil ou a Homossexualidade no Cinema. No fundo, estas publicações acompanharam o cinema enquanto actividade, através das suas dinâmicas e da sua amplitude.

Regra geral, as publicações dedicadas ao cinema duraram poucos anos, tentando moldar-se às várias circunstâncias do mercado da imprensa, bem como do cinema português. Daí haver publicações com várias séries e mesmo com períodos de interrupção. Relativamente à composição das redacções destas revistas é notória a presença constante de vários realizadores portugueses como António Lopes Ribeiro, Fernando Lopes ou António-Pedro Vasconcelos em papéis de direcção ou chefia de redacção. Tendo destacado-se também nomes que percorrem as várias décadas e várias publicações como é o caso de Henrique Alves Costa.

Concluindo, entendemos que, ao longo do séc. XX, a imprensa sobre cinema andou de mãos dadas com os cineastas, tendo, muitos deles, um papel activo na vitalidade desta imprensa. Algo que actualmente é totalmente inexistente num país em que, desde 2014, não há nenhuma publicação sobre cinema e em que o próprio sector do jornalismo e o do cinema parecem não mostrar interesse (salvo raras excepções na rádio e televisão) em revitalizar essa convivência.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Submetido: 2018.11.30

Aceite: 2019.08.04

 

[1] A última publicação especializada em cinema em Portugal foi a edição portuguesa da revista Empire (dirigida por Sara Afonso), que circulou no mercado português entre 2011 e 2014 ao longo de 39 números.

[2] “As imagens animadas propriamente ditas estavam disponíveis, em 1895, num aparelho semelhante ao Kinetoscópio de Edison, na Tabacaria Neves, Lisboa” (Penafria, 2013, p. 10).

[3] Aparelho que permite registar uma série de fotogramas instantâneos, criando a ilusão de movimento. O aparelho reproduz também essas imagens em projecção.

[4] As várias publicações foram consultadas na Hemeroteca Municipal de Lisboa, na Biblioteca da Cinemateca Portuguesa e na Biblioteca Nacional Portuguesa.

[5] Tendo como excepção os números 1 e 2 da segunda série da revista Cinéfilo (Outubro de 1973) que também foram alvo de análise, uma vez que a Cinéfilo (segunda série 1973-1974) era considerada a publicação que mais espaço dedicava à cultura e espectáculos neste período em Portugal (Carmo, 2006).

[6] No caso dos cineclubes curiosamente algumas publicações mantinham uma relação directa com o movimento cineclubista: a revista Imagem criou um cineclube homónimo e as revistas Visor e Celulóide eram propriedade do cineclube de Rio Maior (Cunha & Penafria, 2017, p.105).

[7] Nesta década, devido ao facto de a análise contemplar dois números da 2ª série da revista Cinéfilo que, apesar de se dedicar ao cinema, também aborda outras manifestações artísticas como o teatro ou a música, o tema com maior presença registado foram os Assuntos fora do âmbito do cinema, relacionados com outras manifestações artísticas.

[8] Não foi analisado o último número da revista Cinema Novo, de 1989, por não estar disponível nos arquivos consultados: Hemeroteca Municipal de Lisboa, Cinemateca Portuguesa e Biblioteca Nacional Portuguesa.

Notas biográficas

Jaime Lourenço é doutorando em Ciências da Comunicação no ISCTE-IUL e mestre em Jornalismo pela ESCS-IPL. Tem uma bolsa de doutoramento financiada e apoiada pela FCT com a referência SFRH/BD/143752/2019. O estudo do jornalismo de cinema é o mote da sua actual investigação. É, ainda, editor executivo do UALMedia da Universidade Autónoma de Lisboa.

Email: jaimelourenco@me.com

Morada: Universidade Autónoma de Lisboa (UALMedia), Rua de Santa Marta 56, 1169-023 Lisboa.

Maria João Centeno é doutorada e mestre em Ciências da Comunicação pela FCSH-UNL e licenciada em Comunicação Social pela UBI. Professora coordenadora e investigadora da ESCS-IPL, onde coordena a secção de Ciências da Comunicação e preside ao Conselho Pedagógico. Investigadora doutorada integrada do ICNOVA-FCSH.

Ciência ID: B217-89A5-0F6F

Email: mcenteno@escs.ipl.pt

Morada: Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Comunicação Social, Campus de Benfica do IPL, 1549-014 Lisboa, Portugal

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