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Da Investigação às Práticas

versão On-line ISSN 2182-1372

Invest. Práticas vol.4 no.1 Lisboa mar. 2014

 

EDITORIAL

Editorial

 

Catarina Tomás, Carolina Gonçalves, Margarida Rodrigues, Marina Fuertes, Otília Sousa
Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa

 

O presente número da revista Da Investigação às Práticas apresenta um conjunto de contribuições oriundas de vários campos do saber, enfoques, tempo e espaços, sobre questões que vão desde as brincadeiras dos adultos e das crianças, aos desafios educativos e pedagógicos que se colocam aos docentes, quando se consideram as competências e ações das crianças, às orientações pedagógicas e doutrinação política dos professores do ensino primário nas décadas de 30 e 40 do século XX em Portugal, até às questões que se põem aos animadores socioculturais quando se discute o fenómeno da imigração.

O roteiro que fazemos neste número leva-nos a uma reflexão que se pode caraterizar pela sua abrangência, pela multidisciplinaridade e pela atenção prestada aos problemas epistemológicos, teóricos, pedagógicos, históricos e sociais colocados aos profissionais ou futuros profissionais da educação, considerada neste número na sua vastidão e heterogeneidade, ou seja, na assunção das experiências de cariz formal, não-formal e informal, em Portugal, no Brasil ou na Polónia.

Abrem o número os artigos de Alberto Nídio Silva e Angela Scalabrin Coutinho, respetivamente, que se centram no ato de brincar, focando, no primeiro caso, a análise sociológica da brincadeira como expressão das culturas lúdicas da infância, como parte de um processo da herança cultural lúdica que trespassa quatro gerações. O autor defende a centralidade que a ludicidade assume para as crianças mesmo quando os seus mundos são pautados por adversidades. No segundo caso, a autora investiga as relações sociais dos bebés a partir da brincadeira. Com base num estudo de natureza etnográfica, ancorado no diálogo entre a Pedagogia da Infância e da Sociologia da Infância, apresenta um conjunto de orientações para a docência no quadro da educação de infância, nomeadamente o papel importante que o adulto assume nas brincadeiras das crianças.

Ainda na linha dos desafios com que se confrontam os docentes, Malgorzata Zytko coloca-nos perante os desafios que os resultados ao nível da matemática na Polónia apresentam à prática docente. A investigação com crianças de 9 anos, a partir de uma análise psicológica e didática, aponta para os baixos níveis de compreensão das crianças relativamente ao sentido das operações aritméticas bem como baixos níveis da capacidade de utilização de estratégias pessoais na resolução de problemas. Nas conclusões, a autora refere o paradoxo da situação educacional atual, nomeadamente o facto de muitas vezes as crianças terem competências que a escola não trabalha e terem baixos níveis de competência na área curricular da aritmética que é trabalhada de forma intensiva na escola, o que compromete o seu pensamento criativo. Defende a criação e o apoio a grupos de professores que trabalham com as crianças, a partir das teorias construtivistas, como possibilidade de ultrapassar as dificuldades a longo prazo.

O artigo da autoria de Maria Paula Pereira procede a uma análise socio histórica dos artigos publicados, entre os anos letivos de 1934-1935 e de 1945-1946, no Boletim da Direção Geral do Ensino Primário - Escola Portuguesa - possibilitando a compreensão da intencionalidade pedagógica e política definidas pelo Salazarismo para o sistema educativo, concretamente nos domínios da orientação pedagógica e doutrinação política dos professores do ensino primário.

Fecha o número o artigo de Dulce Rodrigues, Tânia Correia, Inês Pinto, Ricardo Pinto e Cristina Cruz, que propõe a discussão sobre a necessidade de reconhecimento das comunidades imigrantes em Portugal de forma a potenciar a compreensão e a minimização das dificuldades do convívio pluricultural, destacando o papel do animador sociocultural nesse processo. Os autores fazem uma reflexão em torno da construção da identidade e profissionalidade dos animadores socioculturais a partir de uma perspetiva interdisciplinar, defendendo que esta deve ser promovida na formação inicial do percurso formativo dos animadores socioculturais.

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