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Revista :Estúdio

versão impressa ISSN 1647-6158

Estúdio vol.8 no.20 Lisboa dez. 2017

 

DOSSIER EDITORIAL

EDITORIAL SECTION

Rapunzel: a arte contemporânea como tratamento cosmético/estético a partir das performances de Juliana dos Santos e de Priscila Rezende

Rapunzel: contemporary art as a cosmetic / aesthetic treatment from the performances of Juliana dos Santos and Priscila Rezende

 

Renata Aparecida Felinto dos Santos*

*Brasil, artista visual, pesquisadora e professora universitária. Bacharelado em Artes Plásticas — Instituto de Artes Universidade Estadual Paulista (UNESP). Mestrado em Artes Visuais pela mesma Instituição. Licenciatura em Artes Plásticas pelo UNICENTRO Belas Artes de São Paulo. Especialista em Curadoria e Educação em Museus de Artes — Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP). Doutora em Artes Visuais, UNESP.

AFILIAÇÃO: Universidade Regional do Cariri, Centro de Artes — Ceará. Av. Castelo Branco, 1056 — Pirajá, Juazeiro do Norte — CE, 63030-200 Brasil.

 

Endereço para correspondência

 

RESUMO:

O presente artigo reflete sobre o padrão de beleza feminino normativo branco e ocidental imposto a todas as mulheres a partir das obras de Juliana dos Santos e de Priscila Rezende. O diálogo acerca do modelo de beleza vigente centra-se no questionamento das representações de feminilidade e harmonia estéticas forjadas a partir da enorme valorização dos cabelos lisos. Também consideramos o impacto decisivo da publicidade e da indústria cultural no processo de negação de si e de seus cabelos crespos por parte das mulheres negras. Assim, o modelo hegemônico excludente se desdobra como ativador de um processo de contínua violência contra essas mulheres com conseqüências em suas vidas social, profissional, afetiva e sexual. As duas artistas tratam de cabelos em suas performances e, revertemos a dor que elas apresentam por meio de artifícios de alteração de textura e de negação, para um tratamento cosmético/estético de aceitação e de cura.

Palavras-chave: performance/ mulher negra / cabelos / arte contemporânea / estética.

 

ABSTRACT:

This article reflects on the standard of white and western normative feminine beauty imposed on all women from the works of Juliana dos Santos and Priscila Rezende. The dialogue about the current model of beauty focuses on the questioning of representations of femininity and aesthetic harmony forged from the enormous value of straight hair. We also consider the decisive impact of advertising and cultural industry on black women's denial of self and their frizzy hair. Thus, the exclusionary hegemonic model unfolds as an activator of aprocess of continuous violence against these women with consequences in their social, professional, affective and sexual lives. The two artists treat hair in their performances and reverse the pain they present through artifice of altered texture and negation for a cosmetic / aesthetic treatment of acceptance and healing.

Keywords: performance / black woman / hair / contemporary art / aesthetics.

 

Introdução

Juliana dos Santos e Priscila Rezende são duas artistas visuais afro-brasileiras que criticam, por meio de suas obras, o padrão de beleza hegemônico branco imposto "universalmente" às mulheres.

O estabelecimento do modelo único de beleza se fortalece a partir do fundamento capitalista das sociedades contemporâneas que usam meios de profusão do mesmo, como a publicidade e a indústria cultural. Mulheres que compõem diversos grupos humanos nas sociedades ocidentais ou ocidentalizadas atuais, buscam alcançá-lo de forma inconseqüente.

Um dos elementos que impactam neste contexto são os cabelos lisos como marcadores de beleza. Processos de dor, sofrimento e negação são inerentes recursos usados para que cabelos crespos aproximem-se dos fios lisos, e as seqüelas nessas mulheres extrapolam os limites do corpo físico.

Enquadrar-se é um objetivo, pois, afastar-se dele também pode significar excluir-se dos mercados, como o de trabalho e de relacionamentos, provando que as implicações às que não se adéquam são muitas.

As duas artistas realizaram obras de arte na linguagem da performance e suas experiências pessoais são balizadoras do processo de criação. Ao introduzi-las tentamos alargar mentalidades no que à diversidade do Belo.

Compreendemos que suas obras traduzem o sentimento de impotência e de subordinação incutidos em mulheres negras para que se justaponham ao que naturalmente é distante de suas aparências. Propomos a fruição sobre esses trabalhos como tratamentos cosmético/estético de cura de sentimentos de não aceitação e de inadequação cultivados por negras fundamentados no desconhecimento de processos históricos de opressão e de dominação dos quais são vítimas.

A maior parte dos corpos femininos negros e seus predicados como formato do corpo, volume das nádegas ou textura dos cabelos, não atendem ao conceito de Belo universal da Grécia Antiga que incorporamos, com pequenas transformações, na atualidade.

 

1. Beleza como mercadoria de negociação: da Rapunzel à Bündchen

A civilização grega foi sedimentada como o arcabouço mais significativo das sociedades ocidentais contemporâneas. Exemplificando, tratemos da democracia e da cidadania como práticas sociais e políticas que, teoricamente, garantiriam mudanças objetivando a igualdade entre todos/as os/as indivíduos/as. Na contemporaneidade, elas são exercidas como na Grécia antiga, e numa atualização, delas estão excluídos os escravos, que identificamos como o proletariado, que sustenta oligarquias e o corporativismo mundial; os estrangeiros que são os povos não brancos, de origem não européia e não ocidentais; e, por fim, as mulheres.

Somando o capitalismo enquanto sistema econômico ao paradigma grego de sociedade, privilegiam-se peças fundamentais ao funcionamento do modus operandi: oferta, demanda, preço, investimento e lucro. Dessa situação, elas são transferidas às relações sociais no capitalismo que estão engendradas no que oferecemos, em como pagamos e como lucramos. Portanto, nossas imagens apresentadas ao mundo passam ao status de mercadoria negociável, especialmente se inseridas no padrão de beleza dominante.

Logo, o modelo grego de Belo fundamenta esse padrão ainda hoje. Policleto (c. 460 e c. 410 a.C.), estabeleceu que as proporções perfeitas são a de um corpo que possui sete cabeças. De corpos levemente roliços, antiguidade clássica, para os esbeltos, atualidade, o padrão de beleza incorporou ser branco/a e ter cabelos lisos.

Reforçando o ideal de Belo arrolado na branquitude, há ainda ampla literatura enaltecendo peles alvas e longos cabelos dourados. Desde cedo, meninas negras educadas nos países ocidentais/ocidentalizados ouvem contos infantis de origem européia que focam nestes atributos como indispensáveis à beleza.

Por serem narrativas européias não existe problema no fato das personagens terem essas características. A questão é que elas perpassam gerações como se fossem as únicas alternativas de literatura infantil e, portanto, de Belo. Inegavelmente, os contos possuem valores positivos para vida em coletividade a serem transmitidos, contanto, não tem havido predisposição para os contos tecidas por culturas não brancas e não ocidentais e/ou européias.

Assim, excetuando as virtudes humanas presentes nos mesmos, a recorrência dessas narrativas também afirma e firma que nem todas são belas, uma vez que não assemelham-se fisicamente às princesas brancas, magras e loiras. Fora dos contos, do cinema à moda, às mulheres foram estendidos esses valores estéticos. De uma Rapunzel a uma Bündchen (1980-), não temos conseguido incorporar a diversidade humana e alterar esse imaginário.

 

2. Da beleza que agride às belas que transgridem

O impacto dessa situação nas vidas das mulheres do mundo é extremamente agressivo, visto que submetem-se a diversos tipos de tratamentos caseiros, químicos e cirúrgicos para aproximarem-se do padrão vigente. Logo, impulsiona-se também a indústria dos cosméticos, que etimologicamente, organiza, ordena e limpa as aparências que não correspondem ao Belo.

Na "limpeza" dos corpos às mulheres negras pesam de forma determinante a cor da pele e a textura dos cabelos. Em ambos os casos há "soluções, como os embranquecedores de peles, e ainda, as extensões de madeixas lisas naturais e uma amplidão de relaxantes e alisantes de fios. Segundo Luciane Ramos da Silva:

Nigéria, Quênia, Senegal, Congo e Camarões são alguns exemplos de países onde o comércio poderoso desses produtos existe há décadas e se fortalece anualmente (…) No discurso dos usuários destes produtos, em sua maioria mulheres, a pele escura é um obstáculo para oportunidades sociais, trabalho e principalmente para o "mercado amoroso", pois seus maridos e pretendentes preferem mulheres de pele clara. (Silva, 2014).

Nesse todo, beleza é artigo de valor variável conforme suas características compositivas, e ainda, tendo os cabelos como fator determinante. As artistas visuais há tempos vêm questionando esse padrão alinhadas ao discurso feminista que visa desconstruir a objetificação de nossos corpos.

No Brasil, destacamos duas delas que focam nos cabelos crespos e que tratam do ser negra num pais racista. Ao contrário de uma Rapunzel, cujos extensos cabelos lisos crescem em direção ao chão e são o acesso à figura do príncipe, os cabelos crespos têm afastado pretendentes apesar de crescerem para os céus. Juliana dos Santos (1987-) e Priscila Rezende (1985-) argúem esse padrão, a partir do preterimento e violência a qual submetem-nos ao convivermos com uma constante exposição à beleza normativa branca e seus cabelos esvoaçantes exibidos exaustivamente em propagandas de cosméticos capilares.

 

3. Cabelo oprimido: uma venda para o espelho

Juliana dos Santos, paulistana nascida no tradicional bairro negro onde surgiu a escola de samba Peruche, desde criança tem em seus cabelos um símbolo de resistência e de disputa familiar. Por parte da mãe foi incentivado que mantivesse os fios naturais. Por parte da vó materna, ouviu insistentemente que deveria alisá-los. A partir dessa vivência a artista graduada e mestranda pelo Instituto de Artes/UNESP, desenvolveu a performance Qual é opente? (2014) que exibe um dos processos violentos vividos por mulheres negras ao alisarem os fios com o pente de ferro aquecido no fogão a gás.

Na performance é Dona Benedita, sua vó, quem realiza o procedimento em seu potente cabelo em corte black power (Figura 1, Figura 2). Lentamente, separa madeixas para serem queimadas em pequenas porções. Na vida adulta, a artista compreendeu que a vó não negava os seus cabelos a partir do alisamento, mas sim que tentava evitar que a neta vivesse algumas situações de racismo que seriam determinadas pelo aspecto eles teriam ao apresentar-se socialmente:

Demorou um tempo para eu perceber que a preocupação de minha avó estava para além do cabelo, com ele vinha a aceitação na escola, a inserção no mercado de trabalho, o racismo, o racismo à brasileira. (Juliana dos Santos, comunicação pessoal, 2017).

 

 

 

 

Em sua família é tradição o chá de carqueja nos cuidados com os cabelos, um tratamento natural feito com o líquido de sabor acre, que nos revela também um amargor que pode ser relacionado a um processo de cura:

(…) o banho de chá de Carqueja como metáfora do retorno. Do retorno às raízes para desfazer o processo de alteração do cabelo. Esse amargor do chá (…) como quebra no ciclo de práticas violentas com o cabelo/corpo de mulheres negras em busca de retomar nossos afetos. Nesta ação Benedita fala de sua história com o cabelo, revela as insatisfações, retoma nossa história e por fim se nega alisar o meu cabelo "de verdade". (Juliana dos Santos, comunicação pessoal, 2017).

Assim, Juliana apropria-se desse fazer estético marcado por profunda negação de um dos atributos característicos das mulheres negras. O apagamento dessas qualidades próprias são pequenas violências infligidas a essas mulheres. Tal supressão implica em alisamentos químicos ou a ferro quente, curtos cortes como alternativa ao lento crescimento dos fios e, até extensões com cabelos lisos de outras mulheres. Um arsenal contra os capilares crespos naturais. A performance finda com recusa da vó em finalizar o procedimento-tortura, como numa redenção.

Já Priscila Rezende, graduada em Artes Plásticas pela Escola Guignard/ UEMG, traz como detonadores do processo criativo da performance Bombril, (2010), a experiência traumática vivida por meninas negras durante o período de formação escolar.

Corpos e cabelos são alvos de expressões de racismo já acionadas por crianças brancas, e, às vezes negras, num ambiente que deveria ser de ensino e aprendizagem. De fato, depois do seio familiar, seja ele qual for, a escola é a nossa segunda experiência profunda com a sociedade na qual nos inserimos. Nela, os cabelos crespos recebem muitos nomes depreciativos, sendo um deles "Bombril", que refere-se a uma famosa marca de espoja de aço para polir panelas de alumínio:

"Pixaim", cabelo "duro", cabelo "ruim", "vassoura", "sarará". "Bombril", além de uma conhecida marca de produtos para limpeza e de uso doméstico, faz parte de uma extensa lista de apelidos pejorativos, utilizados em nossa sociedade para se referir à uma característica do indivíduo negro, o cabelo. (Priscila Rezende, comunicação pessoal, 2017).

Os cabelos crespos, assim, são conexos à aspereza e subalternidade que a sociedade brasileira reservou às negras como numa continuidade perversa dos afazeres do lar durante o extenso período de escravidão. Também se metaforiza a escravidão, que na performance passa a ser estética, mas que ainda trata de corpos presos. O figurino trajado pela artista durante a apresentação cita os panos com os quais vestiam as escravizadas no passado.

Durante a performance com duração de 01 hora (Figura 3), Priscila esfrega sofregamente suas madeixas contra panelas e outros utensílios. A tensão que se apresenta nesta ação repetitiva equivale à vivida por negras durante a infância na qual a beleza de seus cabelos, e por extensão de seus corpos, é colocada em dúvida constantemente:

Em "Bombril" o corpo se apropria da posição pejorativa a ele atribuída, transformando-se em uma imagem de confronto. A imagem presenciada durante a ação "Bombril" é propositadamente desconfortável, não existe comodismo em sua visão. Nesse contexto o espectador se defronta com sua própria fala discriminatória e é obrigado a encará-la, sem que haja opções para evasivas, subterfúgios ou digressões. (Priscila Rezende, comunicação pessoal, 2017).

 

 

O incômodo causado nos/as espectadores/as de Bombril converte-se num disparador reflexivo acerca de como corpos negros tem sido pouco afagados, elogiados e amados. Respectivamente, dela emerge uma sensação de inadequação e não-lugar com a qual convivem negras/as num mundo pensando por e para brancos/as. Uma violência que pode ser desfrutada durante uma hora por não negros/as. Lembrando que no caso de negros/as essa agressão é condição existencial.

A forma como cabelos crespos são tratados no nosso mundo é inegavelmente agressiva, seja por via da exotização, seja pela da sua negação e rejeição quando m mulheres negras. O cabelo como metonímia do corpo, logo, de um/a ser humano, neste caso, oprimido/a.

A afro-estadunidense Alice Walker (1944), após décadas ocultando seus crespos, sem nenhuma intimidade com os mesmos, compartilhou a experiência de reconhecimento de si a partir do contato do feitio de seus verdadeiros fios:

Finalmente descobri exatamente o que o cabelo queria: queria crescer, ser ele mesmo, atrair poeira, se esse era seu destino, mas queria ser deixado em paz por todos, incluindo eu mesma, os que não o amavam como ele era. O que acham que aconteceu? (…). Otetonoaltodomeucérebroabriu-se; maisumavezminhamente(emeuespírito) podia sair de dentro de mim. Eu não estaria mais presa à imobilidade inquieta, eu continuaria a crescer. A planta estava acima do solo. (Walker, 2011).

 

4. Sobre as Referências

No primeiro capítulo Beleza como mercadoria de negociação: da Rapunzel à Bündchen, a reflexão é produzida tendo como referência indireta Usos da memória (2014), texto de Elvira Dyangani Ose. Incluímos também conclusões de conversas com mulheres negras travadas ao longo dos anos.

No segundo, Da beleza que agride às belas que transgridem, o texto Yellow Ferver: notas sobre a despigmentação artificial de pele entre mulheres negras (2014), de Luciane Ramos da Silva, traz a relação com o colonialismo que atinge a percepção dos corpos.

No terceiro, Cabelo oprimido: uma venda para o espelho, as entrevistas que realizamos com Juliana dos Santos e Priscila Rezende, por terem pouco bibliografia sobre suas obras. Pautamo-nos e parafraseamos o título texto de Alice Walker, Cabelo oprimido: um teto para o cérebro (2011), pois ele trata da experiência com seus cabelos.

 

Conclusão

Na arte contemporânea a linguagem da performance autoriza as duas artistas a repensarem o olhar social que recai sobre seus corpos negros e a carga negativa que os acompanha. A partir dessas representações-reflexões são articulados pensares que explicam e explicitam as implicações do ser mulher negra em sociedades ocidentais, colonizadoras e colonizadas.

As performances, portanto, seriam o tratamento cosmético/estético por meio do qual se regenera o olhar sobre os cabelos crespos e, por conseguinte, sobre os corpos negros. Do mesmo modo, se gera um olhar generoso à diversidade e ao questionamento das narrativas únicas, inclusive no que se refere ao conceito de Belo.

Os trabalhos, por fim, urdidos a partir da experiência da dor, permitem que se retome os cuidados dos capilares crespos a partir da suavidade de sua textura. Suavidade com a qual se pretende tratar também esses corpos femininos.

 

Referencias

Ose, Elvira Dyangani. (2014), Usos da memória. Caderno SESC_Videobrasil: usos da memória. São Paulo: Edições SESC São Paulo, pp. 3-10.         [ Links ]

Silva, Luciane Ramos da (2014) Yellow Fever: Yellow Ferver: notas sobre a despigmentação artificial de pele entre mulheres negras. Em: Revista O Menelick 2ºAto. Outubro de 2014. Disponível em: http://omenelick2ato.com/especial/YELLOW-FEVER/, acesso em 25 de janeiro de 2017.         [ Links ]

Walker, Alice. (2011) Cabelo oprimido: um teto para as idéias. Geledés. 12/11/2011. Disponível em: http://www.geledes.org.br/cabelo-oprimido-e-um-teto-para-o-cerebro/, acesso 25 de janeiro de 2017.         [ Links ]

 

 

Enviado a 26 de janeiro de 2017 e aprovado a 15 de fevereiro de 2017

 

Endereço para correspondência

 

Correio eletrónico: renata.santos@urca.br (Renata Aparecida Felinto dos Santos)

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