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Revista Portuguesa de Cirurgia

Print version ISSN 1646-6918

Rev. Port. Cir.  no.44 Lisboa Mar. 2018

 

ARTIGO DE REVISÃO

Carcinoma da Paratiróide

Parathyroid Carcinoma

Ana Barbosa*, João Capela Costa†

* Aluna do 6º ano da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

† MD MSc, Assistente Hospitalar Graduado da Unidade de Cirurgia Endócrina e Cervical do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital São João, Porto, Portugal; Mestre em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina do Porto

Correspondência

 

 

RESUMO

O carcinoma da paratiroide (CP) é um tumor endócrino muito raro, correspondendo a menos de 1% dos casos de hiperparatiroidismo primário (HPT-P). Tal como em muitos outros tumores, a sua etiologia é desconhecida, contudo foram descobertas recentemente mutações no gene HRPT2/CDC73 que desempenham um papel fundamental na patogénese desta neoplasia. O CP é habitualmente uma doença esporádica mas pode ocorrer no contexto de síndromes genéticos e em doentes com hiperparatiroidismo secundário. O seu diagnóstico é um desafio, tanto clinica como histologicamente devido à ausência de características que permitam distinguir precocemente doença benigna de maligna. O tratamento com melhor potencial curativo é a resseção cirúrgica em bloco do tumor primário, com margens livres de doença pelo que o seu sucesso depende da suspeição pré ou intra-operatória do carcinoma. O CP tem um curso clínico prolongado com múltiplas recorrências, a maioria das quais ocorrem localmente, pelo que os doentes devem ser monitorizados para o resto da vida. Dado o valor limitado das terapias adjuvantes, o tratamento recomendado nos casos de recorrência e metástases é sempre que possível a resseção cirúrgica.

Palavras-chave: Carcinoma da Paratiróide; Hiperparatiroidismo Primário; Gene HRPT2/CDC73; Parafibromina; Paratiroidectomia.

 

ABSTRACT

Parathyroid carcinoma (PC) is a very rare endocrine tumor, accounting for less than 1% of cases of primary hyperparathyroidism (P-HPT). As in many other tumors, its etiology is unknown, however, mutations in gene HRPT2/CDC73 have recently been found to play a key role in the pathogenesis of this neoplasm. PC is usually a sporadic disease but may occur in the context of genetic syndromes and is reported in patients with secondary hyperparathyroidism. Its diagnosis is a challenge, both clinically and histologically due to the absence of pathognomonic characteristics that allow early distinction between benign and malignant disease. The treatment with the best curative potential is the en bloc resection of the primary tumor with clear margins, so its success depends on the preoperative or intraoperative suspicion of carcinoma. PC has an extended clinical course with multiple recurrences, most of which occur locally, so patients should be monitored for the rest of their lives. Given the limited value of adjuvant therapies, the recommended treatment in cases of recurrence and metastasis is, a surgical resection, whenever possible.

Keywords: Parathyroid Carcinoma; Primary Hyperparathyroidism; Gene HRPT2/CDC73; Parafibromin; Parathyroidectomy.

 

 

 

LISTA DE ABREVIATURAS

CP – Carcinoma da Paratiroide

HPT-P – Hiperparatiroidismo Primário

PTH – Hormona paratiroideia

N-PTH – N-terminal PTH form

ADN – Ácido desoxirribonucleico

MEN 1 – Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1

MEN 2A – Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2A

HPT-JT – Hyperparathyroidism-jaw tumor

miRNA – micro ácido ribonucleico

BAF – Biópsia de agulha fina

HCG – Gonadotrofina coriónica humana

WHO – Organização Mundial de Saúde

TNM – tumor/node/metastasis classification

 

 

INTRODUÇÃO

O carcinoma da paratiroide (CP) é um tumor endócrino extremamente raro e uma causa incomum de hiperpa rat iroid ismo primá rio (HP T-P). A maioria dos carcinomas das paratiroides secreta hormona paratiroideia (PTH) e causa hipercalcemia, no entanto, uma pequena fração é não funcional. As manifestações clínicas resultam do aumento marcado dos níveis de PTH e da hipercalcemia consequente e não do crescimento da massa tumoral1. O fenótipo clínico é caracterizado pelos sinais e sintomas da hipercalcemia e da lesão de órgãos alvo, incluindo falência renal, doença óssea, arritmia cardíaca e disfunção neurocognitiva.

O diagnóstico de CP constitui um desafio tanto clinica como histologicamente dada a ausência de características patognomónicas que permitam distinguir precocemente malignidade de benignidade.

O elevado índice de suspeição clínica em casos de HPT-P grave é crucial para o correto diagnóstico deste tumor maligno e assim oferecer ao doente o melhor tratamento. O tratamento de eleição é a resseção em bloco do tumor, dado que permite obter uma taxa de sobrevivência superior2,3.

O CP tem um percurso indolente mas muitas vezes progressivo com recorrências locais após tratamento cirúrgico e mais tarde metástases à distância.

A grande ma ioria dos c a sos de CP ocorre esporadicamente, no entanto, uma fração significativa (20%) pode apresentar mutações germinativas do gene HRPT2/CDC732-4. Desta forma, devem ser realizados testes genéticos a todos os doentes com CP, dadas as implicações para os doentes afetados e para os seus familiares.

Esta revisão tem como objetivo abordar de forma sistemática o atual conhecimento sobre CP, sublinhando as suas correlações clinicopatológicas, assim como os recentes avanços no diagnóstico e tratamento deste tumor raro mas potencialmente devastador.

MÉTODOS

A pesquisa dos artigos foi realizada na base de dados eletrónica PubMed. Os termos de pesquisa utilizados foram (parathyroid carcinoma OR parathyroid neoplasm OR parathyroid cancer OR parathyroid tumor) AND etiology AND diagnosis AND treatment. Foram considerados apenas artigos publicados nos últimos dez anos em inglês e português. Posto isto, foram identificados 831 artigos, dos quais 668 foram desde logo excluídos após leitura do título e 44 foram excluídos após leitura do abstract. Dos restantes artigos analisados, procedeu-se à inclusão de 45 por se tratarem dos artigos mais relevantes para a revisão em questão. Com o objetivo de complementar alguns aspetos relacionados com o diagnóstico e tratamento do carcinoma da paratiroide, foi necessário recorrer à pesquisa de artigos não abrangidos pela query inicial. Foram obtidos, assim, 5 artigos adicionais, perfazendo, no final, um total de 50 artigos incluídos.

EPIDEMIOLOGIA

O carcinoma da paratiroide tem uma incidência inferior a 1% nos EUA e na Europa, representando de acordo com o National Cancer Database desde 1985-1995, 0,005% de todos os tumores malignos2,5-7. No entanto, existem estudos que referem alguma variabilidade geográfica, nomeadamente no Japão com uma incidência superior a 5%. Esta variação expressiva de incidência relatada por estudos prévios pode ser devida a influências genéticas ou ambientais, à prática clínica local ou pode representar sobrediagnóstico8-10.

Ocorre com igual frequência em ambos os sexos, contudo, existem estudos que atribuem uma ligeira predominância ao sexo masculino, em contraste com o hiperparatiroidismo primário benigno que predomina no sexo feminino11-13.

Classicamente o CP é descrito como ocorrendo uma década mais cedo que o HPT-P benigno, no entanto, a maioria dos estudos não confirma este dado, com a idade média de diagnóstico descrita entre os 54 e os 56 anos2,6.

ETIOLOGIA E PATOFISIOLOGIA

A etiologia do carcinoma da paratiroide é desconhecida, porém tal como outros tumores malignos, envolve uma provável interação de fatores ambientais e genéticos. A exposição a radiação especialmente durante a infância, aumenta o risco de doença paratiroideia benigna, assim como neoplasia tiroideia e paratiroideia, no entanto, se esta exposição constitui um fator etiológico para CP é controverso2, 3, 5-7,10,14,15. Têm sido também reportados casos de CP em pacientes com hiperparatiroidismo secundário associado a doença renal crónica avançada, contudo dada a escassez de casos, esta causalidade ainda não está claramente estabelecida3,6,10.

Um estudo retrospetivo recente realizado pela Swedish Family-Cancer Database verificou uma associação de CP em pacientes com história de carcinoma da tiroide e adenoma da paratiroide1,7. Apesar desta associação ter sido reportada, não foi proposta ainda qualquer explicação que a justifique7.

O CP é comummente uma doença esporádica, mas também pode ocorrer no contexto de síndromes genéticas. Estas síndromes incluem o Hiperparatiroidismo Familiar Isolado, assim como a Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1 (MEN 1) e a tipo 2A (MEN 2A). Os recentes avanços no conhecimento da genética do CP têm resultado essencialmente do estudo clínico e genético de doentes com síndrome de hiperparatiroidismo-tumor da mandíbula (HPT-JT)2. O HPT-JT é uma doença rara, autossómica dominante com penetrância incompleta e expressão variável, caracterizada por entre outras patologias, HPT-P (incluindo CP em 10-15% dos casos)1-3. O gene responsável por esta síndrome é o HRPT2 (também conhecido mais recentemente como CDC73), localizado no cromossoma 1q25-q32 que codifica a proteína nuclear denominada parafibromina, proteína com presumível papel supressor tumoral no tecido paratiroideu. O papel de supressor tumoral da parafibromina advém da observação de tumores da paratiroide com mutação do gene HRPT2/CDC73 frequentemente associados a perda de expressão da parafibromina. Mutações germinativas no gene CDC73 foram encontradas em cerca de 20% de casos com aparente CP esporádico. Isto implica que a análise genética do ADN para mutações germinativas no gene CDC73 seja recomendada a todos os doentes com CP, dado o seu potencial benefício para os familiares com posterior vigilância dos mesmos2,3. A a ná lise imunohistoquímica dos tumores da paratiroide para a perda de expressão da parafibromina é, portanto, essencial para o diagnóstico histológico de CP.

Outras mutações somáticas têm sido associadas ao desenvolvimento de CP, com perda de expressão/função de genes supressores tumorais envolvidos na regulação do ciclo celular, tais como o Rb1, BRCA2, p53, CCND1 e APC2-4,7,16,17.

A expressão aberrante de miRNAs é descrita em vários estudos como desempenhando um papel importante na patogénese do CP1,4,18.

Recentemente, alterações nos genes mTOR, MLL2, CDKN2C, THR AP3, PIK3CA e EZH2 também têm sido reportadas no CP1,4. A sobrexpressão da proteína PGP9.5 (codificada pelo gene UCHL1), da galectina-3 e da TERT (telomerase reverse transcriptase gene) também têm sido descritas em alguns casos de CP6,13,14,19.

Zhao et al (2014), identificaram quatro genes cruciais no CP nomeadamente o VCAM1, CD24, HMOX1 e o KCNA3. Referem inclusive a possibilidade destes genes estarem envolvidos na invasão local, recorrência ou metastização do CP20.

APRESENTAÇÃO CLÍNICA

Na avaliação de um doente com HPT-P, um aspeto muito importante a considerar é diferenciar se estamos perante uma doença maligna ou benigna. Esta diferenciação clínica na grande maioria das vezes é difícil, dado que não existe qualquer característica específica que permita estabelecer inequivocamente o diagnóstico de malignidade. Como a maioria dos CP são tumores funcionantes, muitos sintomas clínicos são similares aos apresentados pelo HPT-P benigno.

A apresentação clínica do CP está usualmente relacionada com os sintomas causados pelo aumento marcado dos níveis de PTH e pela hipercalcemia consequente, e não pelo efeito de massa causado pela infiltração local ou pelas metástases à distância. Os sintomas sistémicos da hipercalcemia incluem fadiga, fraqueza muscular, perda ponderal, anorexia, vómitos, poliúria, polidipsia e depressão.

A presença concomitante de complicações renais (nefrocalcinose, nefrolitíase e insuficiência renal) e envolvimento ósseo (osteíte fibrosa cística, reabsorção subperiosteal, crânio com padrão em “sal e pimenta”) é altamente sugestivo de CP dado que no HPT-P benigno só aparece em casos com evolução prolongada. Outros sinais clínicos de HPT também podem ser observados na doença maligna, incluindo anemia, úlcera péptica e pancreatite. É importante salientar que uma pequena percentagem de doentes (2-7%) apresenta-se assintomática6,21.

Alguns pacientes podem apresentar-se com uma crise hipercalcémica, também denominada paratiroxicose. Trata-se de uma condição que coloca a vida do doente em risco e que é caraterizada por azotemia, oligúria e anúria, assim como manifestações neurológicas nomeadamente fraqueza, sonolência e coma. Esta emergência está usualmente associada a hipercalcemia grave (> 16 mg/dl) e requer tratamento médico urgente. A crise hipercalcémica é reportada em 8-12% dos doentes com CP, contudo esta condição pode também ser causada por HPT-P benigno22.

Relativamente ao exame físico, uma massa palpável no pescoço é observada em 30-76% dos doentes com CP e é rara em condições benignas7,23,24. A presença de rouquidão pode ser um sinal de paralisia do nervo laríngeo recorrente devido a invasão local, altamente sugestivo de malignidade2,3,6.

TESTES LABORATORIASE ESTUDO IMAGIOLÓGICO

Nenhum achado laboratorial isolado é diagnóstico de CP, no entanto, existem alguns achados importantes que indiciam malignidade e devem ser incluídos no diagnóstico diferencial de um doente que apresenta HPT-P. Os pacientes com CP tipicamente apresentam níveis marcadamente elevados de cálcio (> 14-15 mg/dl) e PTH (3-10 vezes superior ao limite normal). Contrariamente, os pacientes com adenoma da paratiroide apresentam normalmente uma hipercalcemia leve e uma elevação leve a moderada de PTH.

A sobreprodução do fragmento N-PTH tem sido reconhecida nos doentes com CP, detetada pela medição do rácio de PTH de 3ª geração pela de 2ª geração. Em indivíduos saudáveis este rácio não é superior a 1, no entanto, nos doentes com CP este rácio pode estar invertido (>1). Vários estudos publicados demonstram que o rácio de PTH de 3ª geração pela de 2ª geração invertido é um marcador tumoral de CP com uma sensibilidade e especificidade diagnóstica de 83,3 e 100%, respetivamente1,2,25.

Outros achados laboratoriais, nomeadamente a HCG sérica e urinária (particularmente da isoforma hiperglicosilada) encontram-se anormalmente elevados em pacientes com CP comparativamente aos pacientes com adenoma1,3,21,22.

Em alguns doentes ocorre elevação da fosfatase a lc a lina, hipofosfatemia e acidose metabólic a hiperclorémica6,8.

O estudo imagiológico pré-operatório é frequentemente útil na localização do tumor, apesar de não permitir distinguir inequivocamente doença paratiroideia benigna de maligna. O estudo inicial deve incluir uma ecografia cervical e uma cintilografia das paratiroides com sestamibi-99mTc. Na ecografia, um tamanho superior a 3 cm, um padrão não homogéneo lobulado, uma hipoecogenicidade marcada, alterações degenerativas, calcificações e bordos mal definidos são caraterísticas sugestivas de CP. A infiltração dos tecidos circundantes com aumento dos gânglios cervicais, uma vascularização suspeita e a presença de uma cápsula espessa são também fatores preditivos de malignidade1,2,6,21,22.

A biópsia por agulha fina (BAF) não é recomendada dado que a citologia obtida com esta técnica é largamente insuficiente para distinguir tumores benignos de malignos. Além disso, a BAF pode causar rutura com disseminação do tumor e eventual paratiromatose ou recorrência, comprometendo a possibilidade de cura2,7,12,22. Contudo, a BAF pode ser útil no diagnóstico de recorrência ou metastatização do CP, sendo que nestes casos o risco de disseminação é menos preponderante dada a presumível progressão da doença7.

A cintilografia das paratiroides com sestamibi-99mTc é usada essencialmente para a localização do tumor, dado que não fornece informações quanto à natureza benigna ou maligna do tumor2,3,12,26. É importante o cirurgião estar alerta quanto à possibilidade de falsos positivos com o uso desta técnica devido à presença de nódulos tiroideus27.

Outras técnicas imagiológicas como a tomografia computorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são importantes na localização de recorrência ou metástases, que ocorrem com maior frequência nos pulmões, fígado e ossos2,12,28. A documentação de metástases à distância deve ser baseada na TC toraco- abdominal, na tomografia por emissão de positrão 18F-fluorodeoxiglicose e na RM óssea ou cintigrama ósseo a todo o esqueleto1,3.

ACHADOS INTRA-OPERATÓRIOS

A identificação intra-operatória de uma massa grande, sólida, firme, de cor branca-acinzentada, aderindo e infiltrando as estruturas adjacentes é altamente sugestivo de CP6,21. No entanto, em algumas situações é difícil diferenciar carcinoma de adenoma que usualmente apresenta uma consistência mole, forma oval ou arredondada e cor castanha-avermelhada. O exame extemporâneo tem também valor limitado nesta distinção2.

Os locais mais comuns de invasão local são a glândula tiroide ipsilateral (89%), os músculos cervicais (71%), o nervo laríngeo recorrente ipsilateral (26%), o esófago (18%) e a traqueia (17%)6,22.

A maioria dos tumores são únicos e surgem de uma só glândula, contudo existem relatos de envolvimento multiglandular. As glândulas inferiores foram descritas como a localização mais comum29.

Dado que o CP pode coexistir com adenomas e hiperplasia ou afetar múltiplas glândulas (embora, extremamente raro), nos pacientes com suspeita de CP poderá ser considerada a exploração das 4 glândulas durante a cirurgia inicial30,31.

DIAGNÓSTICO

A conf irmação de carcinoma da paratiroide é histopatológica. As principais caraterísticas de qualquer cancro assentam na presença de invasão local e mestastização. Contudo, estas caraterísticas não são frequentemente encontradas na apresentação inicial do CP2. Têm sido propostos inúmeros critérios patológicos que auxiliem na distinção de lesão benigna de maligna, dado que nenhuma caraterística histopatológica é patognomónica de CP.

Schantz e Castleman, em 1973, estabeleceram um critério para o diagnóstico microscópico de CP: presença de atividade mitótica, parênquima trabeculado incluindo bandas fibrosas espessas e invasão capsular ou vascular. Nenhuma destas caraterísticas é sensível ou especifica o suficiente para confirmar ou refutar o diagnóstico, dado que algumas também são encontradas nas lesões benignas.

Mais recentemente, a WHO definiu os seguintes critérios histopatológicos para o diagnóstico de CP: a presença de um critério minor como invasão capsular e dos tecidos moles ou um critério major como invasão vascular com ou sem invasão dos órgãos, ou presença de metástases locais/à distância2. Dado que na prática é pouco comum encontrar invasão capsular e vascular, é importante ter em consideração o espetro clínico global ao invés de cada uma destas caraterísticas individualmente.

Dada a dificuldade na distinção de tumor paratiroide benigno de maligno baseado apenas nos critérios morfológicos, tem sido desenvolvidos outros métodos como a imunohistoquímica e a análise de ADN para auxiliar o diagnóstico. A forte associação demonstrada entre a inativação do gene HRPT2/CDC73 e o CP, torna a parafibromina o marcador tumoral mais promissor.

A combinação de diferentes marcadores, nomeada- mente a perda de expressão da parafibromina juntamente com a expressão de Rb e sobrexpressão da galectina-3 e o índice de marcação Ki-67 pode ser relevante na diferenciação de CP de adenoma atípico e outras lesões não malignas2,5,6,12. O adenoma atípico é uma entidade controversa, dado que apresenta algumas características dos carcinomas (aderência às estruturas adjacentes, atividade mitótica, fibrose, crescimento trabecular e células tumorais dentro da cápsula) embora não apresente evidência clara de invasão capsular, vascular ou do espaço perineural3,10.

CARCINOMA DA PARATIROIDE NÃO FUNCIONANTE

O CP não funcionante é extremamente raro, representando menos de 10% dos casos4,7.

Os pacientes apresentam níveis normais de cálcio e PTH e não apresentam sintomas de hipercalcemia e portanto, o CP não funcionante é usualmente clinicamente silencioso até se apresentar com doença avançada. Aproximadamente 80% dos doentes apresentam uma massa no pescoço e outros achados como disfagia, rouquidão ou paralisia das cordas vocais e dispneia6.

A imunohistoquímica do tumor demonstra a presença de PTH e ausência de tiroglobulina, fator de transcrição da tiroide 1 e calcitonina que ajudam a corroborar o diagnóstico.

CLASSIFICAÇÃO

Atualmente não existe um sistema de classificação universalmente aceite, dada a raridade deste tumor Shaha et al e Talat et al propuseram sistemas de classificação e estadio, contudo o seu uso ainda não é consensual.

O sistema de Shaha et al é baseado no tamanho do tumor, na extensão da invasão local, na presença de gânglios linfáticos e de metástases à distância2,21.

O sistema de classificação proposto por Talat and Schulte acrescenta à classificação a divisão do tumor em baixo e alto risco. Na recente classificação publicada por este mesmo grupo de investigadores, os tumores de baixo risco (definidos pela invasão capsular ou dos tecidos moles circundantes) correspondem à classe I, enquanto os tumores de alto risco são subdivididos em invasão vascular apenas (classe II), metastização ganglionar ou invasão de órgão (classe III) e metástases à distância (classe IV). Existe uma diferença na sobrevida global estatisticamente significativa entre as diferentes classes (98, 6%, 72%, 71,4%, 40% respetivamente), o que confirma a validade deste sistema de classificação no CP2,21.

 

TRATAMENTO

1.1. Tratamento cirúrgico

O tratamento de eleição é a resseção cirúrgica completa, a única técnica que é potencialmente curativa. O principal objetivo da cirurgia é remover todo o tumor, de forma a prevenir a recorrência local e eliminar o risco de metástases à distância decorrente da persistência local da doença. O sucesso da resseção cirúrgica depende da suspeição pré-operatória ou do reconhecimento intra-operatório do carcinoma, sendo fundamental a experiência do cirurgião7.

O tratamento cirúrgico está indicado em duas situações: sempre que exequível no momento do diagnóstico de HPT, quando ainda tem potencial curativo e nos ca sos de doença recorrente ou metastática.

A completa resseção em bloco com eventual hemitiroidectomia e linfadenectomia centrocervical ipsilateral deve representar a abordagem oncológica mínima em todos os doentes com suspeita de CP1,2,25. Durante a abordagem cirúrgica é importante obter margens livres de doença e evitar a rutura da cápsula, prevenindo assim a disseminação do tumor e recorrência local. Caso o nervo laríngeo recorrente esteja envolvido por tumor, este deve ser sacrificado sobretudo se não estiver funcional2,7. Alguns investigadores recomendam uma resseção cirúrgica mais extensa, no entanto, dada a elevada morbilidade desta abordagem associada à inexistência de estudos que comprovem o benefício para a sobrevivência do doente, esta abordagem não é usualmente recomendada2.

O envolvimento dos gânglios cervicais está presente em 15-30% dos doentes aquando da apresentação2,12. A disseção ganglionar cervical ipsilateral está indicada se houver indícios de envolvimento ganglionar no período pré e intra-operatório. O esvaziamento profilático do pescoço não está indicado em doentes sem evidência de metastização, dado que não apresenta benefícios para o outcome do doente, além do risco de complicações cirúrgicas que pode acarretar2,32.

Os principais determinantes do outcome do doente são as caraterísticas do tumor e a abordagem cirúrgica. Os carcinomas diagnosticados antes ou durante a cirurgia e que beneficiaram da completa resseção em bloco têm uma taxa de recorrência de 33%, enquanto os que são diagnosticados após a cirurgia inicial, e cuja abordagem consistiu apenas na excisão local, apresentam uma taxa de recorrência superior a 50%2.

Muitos centros hospitalares usam a medição intra- operatória de PTH imediatamente antes e 5-15 minutos após a resseção cirúrgica, que é um método extremamente útil para avaliar a completa resseção de tecido paratiroideu hiperfuncionante. Caso ocorra diminuição significativa dos níveis de PTH, indica que grande parte do tumor foi ressecado. Se os níveis de PTH pós operatórios não diminuírem para os valores normais e o doente se mantiver hipercalcémico, deve suspeitar-se de resseção incompleta do tumor. Assim sendo, devem ser realizados estudos para localização da doença e equacionada uma reintervenção caso haja concordância de um exame topográfico e de um funcional.

A s complicações que podem ocorrer após a cirurgia incluem a lesão do nervo laríngeo recorrente, do esófago ou da traqueia, hematoma cer vical, infeção cirúrgica e complicações metabólicas como hipocalcemia e hiperfosfatemia. Normalmente a hipocalcemia é transitória, no entanto, em alguns casos é grave e prolongada, apesar dos níveis normais/ elevados de PTH. Este fenómeno ocorre em 13-30% dos doentes e denomina-se síndrome do osso faminto. Requer tratamento intensivo com cálcio, vitamina D e magnésio7,33,34.

1.2. Radioterapia

Acredita-se que o CP não é radiossensível e não há evidência da eficácia da radioterapia como terapêutica primária na doença local ou metastática. Contudo, alguns estudos têm sugerido que a radioterapia adjuvante após tratamento cirúrgico pode diminuir a recorrência local e aumentar o intervalo de tempo livre de doença2,4,6,9,22,25,28. Diversos autores recomendam radioterapia adjuvante com 40 a 70 Gy2,7,22. Estes resultados de radioterapia pós-operatória devem ser interpretados com precaução, dado que os estudos são retrospetivos e com um número muito pequeno de doentes.

1.3. Outras modalidades

Nos casos de doença metastática com lesões disseminadas e irressecáveis, têm sido utilizados métodos alternativos como a ablação por radiofrequência no tratamento de metástases pulmonares. A combinação de ablação por radiofrequência e embolização arterial transcateter tem sido igualmente usada no tratamento de múltiplas lesões metastáticas no fígado2,6,7,35.

A injeção percutânea de etanol guiada por ecografia dentro do tecido paratiroideu pode reduzir diretamente os níveis de PTH e melhorar a hipercalcemia intratável. Esta terapia aparenta ter poucos efeitos laterais e pode ser usada para atingir os resultados terapêuticos desejáveis. No entanto, deve ser reservada apenas para casos paliativos dado a potencial disseminação do tumor pelo uso da agulha e também devido às complicações associadas à toxicidade de grandes volumes de etanol, assim como às lesões de nervos e de tecidos locais6,7.

Não existe evidência suportando a ef icácia da quimioterapia no CP. Alguns estudos atribuem alguns benefícios (contudo, não em termos de sobrevida) ao uso de dacarbazina isolada ou combinada com flurouracil e ciclofosfamida em doentes com doença metastática2,25,28.

1.4. Tratamento Médico

A hipercalcemia grave é a principal causa de morbilidade e mortalidade dos doentes com CP. O tratamento médico é essencial nos casos de doença local irressecável ou disseminada, nas crises hipercalcémicas e nos pacientes que aguardam tratamento cirúrgico. O tratamento da hipercalcemia aguda inclui a rehidratação intravenosa com solução salina e uso de diuréticos de ansa como a furosemida para aumentar a excreção de cálcio. No entanto, o uso de diuréticos em altas doses deve ser feito com precaução dado poder despoletar alterações eletrolíticas graves e causar depleção de volume36, 37. A ingestão de cálcio deve ser minimizada, assim como fármacos que diminuem a excreção de cálcio como os diuréticos tiazídicos. Também podem ser usados fármacos que diminuem a reabsorção óssea (ou seja, diminuem os níveis séricos de cálcio) como os bisfosfonatos, os calcimiméticos e a calcitonina.

Os bisfosfonatos são inibidores da reabsorção óssea mediada pelos osteoclastos, com ação importante na redução do cálcio sérico em doentes com CP. Fármacos potentes como o pamidronato e o zolendronato podem ser administrados intravenosamente, no entanto, o controlo da hipercalcemia é apenas temporário (dias a vários meses)2,22. Os estudos referem que o zolendronato é superior ao pamidronato no que diz respeito às taxas de resposta, ao tempo de normalização do cálcio e à duração da resposta. Desta forma, muitos investigadores consideram o zolendronato o bisfosfonato de eleição31,36-39. Relativamente às desvantagens dos bisfosfonatos, estas incluem a toxicidade renal (pode ser minimizada com o ajuste da dose) e o risco de osteonecrose da mandíbula, especialmente em pacientes que recebem múltiplas doses e com má dentição. A monitorização da função renal é recomendada nos pacientes que realizam tratamento prolongado com estes fármacos31,36 -38. Antes de se administrarem bisfosfonatos devem ser medidos os níveis séricos de PTH, visto que os podem alterar e fornecer resultados imprecisos40.

Os calcimiméticos (cinacalcet) são moduladores alostéricos dos recetores sensitivos do cálcio, com efeitos demonstrados na redução dos níveis de calcemia. Os pacientes toleram doses totais diárias até 360 mg, sendo que os efeitos laterais mais comuns são as náuseas e vómitos.

O denosumab é um anticorpo monoclonal que se une ao ligando do recetor ativador do fator kB (R ANKL) e cuja utilização tem demonstrado resultados promissores no tratamento da hipercalcemia grave em casos de doença metastática. No entanto, são necessários mais estudos antes de serem amplamente recomendados a doentes com hipercalcemia2,37,38,41,42.

Outros fármacos como a mitramicina, a plicamicina e o nitrato de gálio oferecem vários benefícios, ainda que transitórios, no tratamento da hipercalcemia grave. Contudo, o seu uso é limitado dada a toxicidade que apresentam, principalmente renal4,5,22,38.

A calcitonina, o octreotideo e os corticoides também podem ser administrados, mas o benefício é apenas temporário31. A calcitonina pode ter um efeito sinergista quando utilizada com os corticoides, contudo existem estudos que reportam anafilaxia e taquifilaxia associada ao uso de calcitonina7,21,38.

Mais recentemente, surgiu a imunoterapia como modalidade de tratamento promissora no CP. Apesar dos resultados auspiciosos em termos de sobrevivência e qualidade de vida e dos poucos efeitos laterais apresentados quando usada como terapia adjuvante, mais estudos são necessários para aprovar esta modalidade de tratamento2,4,7,25,43.

 

RECORRÊNCIA

O carcinoma da paratiroide usualmente recorre 2 a 5 anos após a cirurgia inicial. As taxas de recorrência local aos 5 anos variam entre 33 e 82% e devem-se em grande parte à resseção incompleta do tumor2,22.

O CP apresenta um crescimento lento com recorrência principalmente local, no entanto, pode metastizar via linfática ou hematogénea44,45. Os locais mais comuns de metástases são os pulmões (40%), os gânglios linfáticos (30%), o fígado (10%) e os ossos2,22,34,45-47. As metástases ganglionares estão presentes em 3-19% dos doentes aquando da cirurgia inicial e as metástases à distância estão presentes em 3-4%6.

A recorrência quando presente manifesta-se por um aumento lento dos níveis de PTH e de cálcio sérico. Para a localização das metástases podem ser usadas as mesmas técnicas de imagem utilizadas aquando do diagnóstico inicial. A ecografia é útil na localização de metástases ganglionares no pescoço. A cintilografia com sestamibi-99mTc pode localizar metástases locais e à distância. Caso seja equacionada uma intervenção cirúrgica deve ser realizada uma TC ou uma R M. O tratamento cirúrgico para resseção das metástases demonstra ser efetivo na redução dos níveis de PTH e de cálcio, promovendo um alívio sintomático e uma eventual normalização bioquímica, razão pela qual está recomendado sempre que possível. Os estudos demonstram que a resseção das metástases aumenta a sobrevida dos doentes, dado que a mortalidade no caso de CP avançado deve-se essencialmente à hipercalcemia grave11. No entanto, é importante salientar que embora a resseção das metástases seja efetiva no alívio dos sintomas, raramente é curativa2,46. Nos pacientes com repetidas recorrências, o tratamento cirúrgico pode ser combinado com outras modalidades terapêuticas, nomeadamente a embolização e a ablação por radiofrequência.

PROGNÓSTICO

O prognóstico do CP é variável, dependendo do diagnóstico precoce e do sucesso da cirurgia inicial. Os estudos indicam que as taxas de sobrevivência a 5 e 10 anos são respetivamente cerca de 85% e 49%3,7,48. Após um seguimento médio de 6 anos, cerca de dois terços dos doentes experimentam recorrência da doença, enquanto um terço acaba por morrer da progressão do tumor ou da hipercalcemia refratária3.

Os fatores de pior prognóstico incluem as caraterísticas clínicas, a abordagem cirúrgica, a invasão vascular e o estadiamento TNM3. Outros fatores independentes de prognóstico têm sido reportados com vários graus de impacto negativo na sobrevivência incluindo a idade jovem, o género masculino, a presença de metástases à distância, o tempo da primeira recorrência, os níveis elevados de cálcio aquando da recorrência, o número de recidivas, a resseção incompleta e a presença de aneuploidia no tumor3,7,49. Diversos estudos referem que o tamanho da neoplasia não tem impacto no prognóstico e que os gânglios linfáticos apresentam um impacto questionável7,22,25,28.

Os CP com perda de expressão da parafibromina, comparativamente àqueles com a expressão da parafibromina intata, revelam maior risco de recorrência e diminuição da taxa de sobrevivência a 5 e 10 anos de 59% e 23% respetivamente. No contexto destes achados, alguns autores recomendam a avaliação do marcador da parafibromina em todos os casos de CP confirmado patologicamente2,4.

Relat iva mente ao prognóst ico dos CP não funcionantes, alguns estudos referem ser pior dado que a invasão local e as metástases à distância são mais frequentes aquando do diagnóstico6.

FOLLOW-UP

Devido ao fato de os doentes com CP apresentarem um risco relativa mente elevado de recorrência durante um período de tempo prolongado, devem ser monitorizados para o resto da vida, usando os níveis séricos de cálcio e PTH5,7,49.

Os CP de baixo risco, apesar de o risco de recidiva ser menor, devem ter um follow-up escrupuloso com doseamentos bianuais de PTH e cálcio corrigido para a albumina durante 5 anos, e posteriormente anualmente. Os pacientes com alto risco de doença requerem uma vigilância mais apertada, de 3 em 3 meses durante os primeiros 10 anos. Posteriormente devem ser seguidos de 6 em 6 meses, para permitir uma deteção precoce de recorrência local ou à distância. O doseamento bioquímico isolado é suficiente nestes doentes25,50.

Os doentes com CP não funcionante necessitam de um follow-up intensivo usando estudos de imagem (incluindo cintigrama, ecografia, TC e RM) a intervalos determinados pela sua resseção (R0 ou R1) e pelo atingimento ganglionar. A monitorização do rácio de PTH também pode ser útil na deteção precoce de recorrência neste grupo de doentes25.

CONCLUSÃO

O carcinoma da paratiroide é um tumor endócrino ma ligno ex t rema mente ra ro, apre sent a ndo -se usualmente com sinais clínicos de hipercalcemia grave, contudo frequentemente aparenta tratar-se de uma lesão benigna.

O tratamento cirúrgico num estadio precoce da doença é um fator importante para o outcome do doente. Por esta razão, tanto a suspeição pré-cirúrgica como o reconhecimento intra-operatório do carcinoma são fundamentais. A completa resseção em bloco com eventual hemitiroidectomia e linfadenectomia centrocervical ipsilateral deve representar a abordagem oncológica mínima em todos os doentes com suspeita de CP, aumentando significativamente a sobrevivência livre de doença. Não existe evidência de efetividade da radio e da quimioterapia como terapêutica primária, no entanto, alguns estudos referem a sua utilidade em determinados doentes2.

O CP está tipicamente associado a um curso clínico prolongado com múltiplas recorrências, a maioria das quais localmente. No caso de doença metastática e quando a cirurgia não está indicada, múltiplas terapêuticas como os bisfosfonatos, os agentes anti- reabsortivos recentes, os calcimiméticos, a ablação por radiofrequência e a imunoterapia são importantes no controlo da hipercalcemia grave.

Atualmente não estão disponíveis recomendações para orientação dos doentes com carcinoma da paratiroide, sendo necessários estudos multicêntricos para melhorar o conhecimento e tratamento deste tumor.

 

 

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Correspondência:

ANA LUÍSA CASTRO BARBOSA

e-mail: anabarbosa.med@gmail.com

 

Data de recepção do artigo:

14/03/2017

Data de aceitação do artigo:

06/07/2018

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