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Revista Portuguesa de Cirurgia

versão impressa ISSN 1646-6918

Rev. Port. Cir.  no.29 Lisboa jun. 2014

 

HISTÓRIA E CARREIRAS

 

Sobre o início da cirurgia no mundo e em Portugal*

On the beginning of surgery in the world and in Portugal*

 

Carlos Fiolhais

Professor Catedrático de Física – Departamento de Física da Universidade de Coimbra

Correspondência

 

 

No ano de 2014 passam exactamente cinco séculos após o nascimento do médico belga de nome latino Andreas Vesalius (Bruxelas 1514 – Zakynthos 1564), ou, aportuguesando o nome, André Vesálio, figura maior do Renascimento por ser considerado o pai da medicina moderna [1]. De facto, Vesálio pode ser visto não apenas como o pai da medicina, mas também da cirurgia, uma vez que a Medicina se afirmou como ciência através do corte e observação de cadáveres humanos. Com efeito, foi o exame directo e cuidadoso da anatomia humana que permitiu, no século XVI, colocar em causa ensinamentos transmitidos por autores clássicos greco-latinos, como Hipócrates (Cós c. 460 – Tessália c. 370 a.C.) e Galeno (Pérgamo 129 – Sicília c. 217), e os árabes, como Averróis (Córdoba 1126 – Marraquexe 1198) e Avicena (Bucara c. 980 – Hamadan 1037), que, na Idade Média, proporcionaram uma proveitosa ponte com a Antiguidade.

Contudo, um contemporâneo de Vesálio, o francês Ambroise Paré (Laval 1510 – Paris 1590) rivaliza com ele na paternidade da cirurgia [2]. Paré pertenceu não à classe privilegiada dos médicos letrados que nas universidades liam os textos antigos, ilustrando as suas palavras na melhor das hipóteses com uma ou outra observação anatómica, muitas vezes em animais, ou os médicos que, na vida corrente, examinavam os doentes sem praticamente lhes tocarem (as regras de Hipócrates proibiam-no, excepto para tomar o pulso), mas sim à classe bem mais modesta dos cirurgiões-barbeiros, que nas universidades não passavam de ajudantes na episódica dissecação de cadáveres ou na vida prática executavam sangrias cujos benefícios eram mais supostos do que reais para já não falar das amputações realizadas, muito antes de haver anestesia, nos sangrentos campos de batalha. Em 1552 tornou-se cirurgião do rei Henrique II, que foi apenas o primeiro dos vários monarcas franceses a quem providenciou assistência.

No século de Vesálio e Paré ocorreu uma aproximação entre médicos e barbeiros, apesar de a rivalidade entre as duas classes ter perdurado depois durante muito tempo (em Paris no século XVII o deão da Faculdade de Medicina disse sobre os cirurgiões-barbeiros que “os audaciosos desígnios desses canalhas sem vergonha serão refreados e regulamentados” [3]). Paré foi conselheiro e primeiro cirurgião real mas nunca foi bem aceite pelos médicos seus contemporâneos.

Vesálio realizou várias autópsias pelas suas próprias mãos, tendo publicado estampas do interior do corpo humano extremamente realistas no seu célebre livro De Humani Corporis Fabrica (1543) (Fig. 1), ao passo que Paré praticou diversos atos médico-cirúrgicos durante as batalhas em que participou. Nestas ocorreu o acontecimento, que o tornou famoso: o episódio em que, à falta de azeite, Paré recorreu a uma nova mistura que se revelou um tratamento mais eficaz para as feridas provocadas pela pólvora. Ainda como cirurgião de guerra, aperfeiçoou as técnicas de amputação, de laqueação de vasos, de suturas, de incisões em tecido e ainda através da construção de próteses, de uma forma que se aproximava da moderna experimentação científica (tentou extrair conclusões de eficácia de novos tratamentos como faz hoje a medicina baseada na evidência), tendo, além disso, traduzido para francês, para benefício dos seus colegas barbeiros, a referida obra de Vesálio: Anatomie Universele du Corps Humain (1561). Os dois homens chegaram a encontrar-se, embora já perto do fim da vida de Vesálio, que morreu aos 50 anos num naufrágio perto da ilha de Chipre quando regressava de uma algo misteriosa peregrinação à Terra Santa. O encontro foi proporcionado pela assistência ao rei francês Henrique II (Saint-Germain-en-Laye 1519-Paris 1559), que, tendo sofrido uma perfuração craniana durante um torneio festivo, veio a falecer dos ferimentos. O prognóstico de Vesálio, que para o efeito foi expressamente enviado a Paris por Filipe II de Espanha, I de Portugal (Valladolid 1527-Madrid 1598), inimigo declarado do rei francês, apontava inequivocamente para a fatalidade que veio a acontecer. Acrescente-se que nessa junta médica junto do rei moribundo esteve presente um médico português, de seu nome Fernão Lopes, acerca do qual se sabe muito pouco.

 

 

Vesálio, que provinha de uma família de médicos e farmacêuticos (o pai era boticário do imperador Carlos V, Gent 1500 – Yuste 1558, que foi também Carlos I de Espanha) realizou estudos de Medicina em Lovaina e em Paris. Consta que realizou algumas autópsias após, com vigor e coragem física, ter obtido corpos de enforcados pela justiça régia, que pairavam em patíbulos fora das muralhas de Paris. No ano de 1537 ficou professor de Anatomia e Cirurgia na Universidade de Pádua, uma das mais antigas do mundo, onde ainda hoje se pode admirar um belo teatro anatómico, iniciado em 1594. A sua obra principal é o já mencionado De humani corporis fabrica libri septem, em português Sobre a constituição do corpo humano em sete livros, um atlas do corpo humano ricamente ilustrado, dividido em capítulos dedicados a ossos, músculos, sistema circulatório, sistema nervoso, abdómen coração e pulmões e cérebro [5-7]. O livro, que abreviaremos para Fabrica, publicado quando o autor tinha apenas 29 anos, era dedicado ao imperador Carlos V.

Já antes, em 1538, Vesálio tinha publicado o seu primeiro trabalho, as Tabulae Sex, um conjunto de seis gravuras de anatomia feitos por ele próprio (a sua mão cirúrgica era também dotada para arte) para uso dos seus estudantes, e, praticamente na mesma altura da Fabrica, fez sair um resumo desta obra, De humani corporis fabrica librorum epitome, conhecida por Epitome, dedicada a Filipe II, filho de Carlos V (o médico belga haveria de ser médico na corte dos dois). O ano de 1543, em que veio a lume a Fabrica, marca o início não apenas da medicina moderna, mas também da ciência moderna, uma vez que nesse mesmo ano também saiu o não menos extraordinário livro De revolutionibus orbium coelestium, em português Sobre as Revoluções dos Orbes Celestes, do astrónomo polaco Nicolau Copérnico (Thorn 1473 – Frauenburg 1543). Tal como a Fabrica, esta é uma daquelas obras verdadeiramente singulares na história das ciências que bastam para guindar o respectivo autor aos píncaros da fama mundial. Nela Copérnico enquadrou observações astronómicas realizadas em tempos anteriores à utilização do telescópio servindo-se do modelo heliocêntrico, que se veio a revelar mais apropriado do que o velho modelo geocêntrico de Aristóteles (Estagira, 384 a.C. – Atenas 322 a.C.) e Ptolomeu (Ptolemais Hermiou? c. 100 – Alexandria? c. 168). Do mesmo modo, Vesálio, baseado nas suas observações anatómicas, colocou em causa muitos dos antigos ensinamentos de Galeno, que estavam em boa parte baseados em observações de animais e não de seres humanos. Três anos após a publicação da Fabrica, e decerto com o impulso proporcionado pelo sucesso do livro, Vesálio ficou médico de Carlos V, o Imperador do Sacro Império que foi senhor de um vasto território europeu e americano, tendo abandonado a vida académica. Ainda publicou em 1561 a Epistola rationem modumque propinandi radicis Chynae decocti, conhecida em português por Tratado da Raiz da China, mas a sua obra estava feita e a sua glória basicamente construída. Postumamente, embora a apenas dois meses da morte do autor, saiu ainda a sua Anatomicarum Gabrielis Fallopii observationum examen, conhecido por Exame, basicamente um louvor e agradecimento a uma extensão da Fabrica que o médico italiano da escola de Padua Gabrielle Falópio (Modena 1523 – Pádua 1562) tinha publicado e lhe tinha oferecido.

As tão belas quanto instrutivas ilustrações que aparecem ao longo das mais de 600 páginas da Fabrica pontificam tanto na arte como a ciência (Fig. 2). Embora não haja a certeza, o autor dessas figuras foi provavelmente Jan Stephan van Calcar (Kleve 1500 – Nápoles 1546), um discípulo holandês do pintor italiano Ticiano Vecellio (Belluno c. 1488 – Veneza 1576). Vesálio colocou um grande cuidado na publicação do livro, tendo atravessado montanhas e vales carregado com as xilografias executadas em, Pádua para chegar a Basileia a fim de supervisionar pessoalmente a impressão na oficina de Johannes Oporinus (Basileia 1507 – Basileia 1568) um renomado editor, também ele médico, que chegou a ser assistente de Paracelso, o pseudónio do famoso médico e alquimista alemão Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (Einsiedeln 1493 – Salzburgo 1541), que viveu e trabalhou em Basileia. Na cidade suiça banhada pelo Reno, Vesálio realizou uma anatomia pública do cadáver de Jakob Karrer von Gebweiler, um criminoso decapitado, que ainda hoje se pode admirar no Museu de Anatomia da Universidade de Basileia (trata-se possivelmente da preparação anatómica de esqueleto humano mais antiga em exibição). Na Fabrica, os cadáveres dissecados, mostrando os vários sistemas da “máquina” humana, aparecem encenados num fundo paisagístico onde se reconhecem as colinas das cercanias de Pádua, em poses melancólicas, como que fazendo luto de si próprios. Estão mortos, mas mostram ainda qualquer coisa de vivo. Nunca o corpo humano tinha sido representado com semelhante precisão e também nunca as representações de cadáveres tinham causado semelhante impressão artística, mostrando que arte e ciência podem ser as duas faces da mesma moeda. Não é por acaso que a Revolução Científica chegou pouco depois do Renascimento artístico.

 

 

As figuras da obra de Vesálio contrastam fortemente com as imagens anatómicas medievais [8]. Comparem-se por exemplo as figuras do livro Fasciculus Medicinae, de Johannes de Ketam (colecção de manuscritos medievais em latim impressos em Veneza em 1491, sendo Ketam não o autor mas um médico alemão, activo em Itália, que era proprietário deles e sobre o qual se sabe muito pouco), com a figura no frontispício do livro de Vesálio. No Fasciculus, um professor de Medicina lê um livro, enquanto um barbeiro disseca e um ajudante aponta para o cadáver (Fig. 3). Um pequeno grupo de estudantes ouvem o mestre, não parecendo dar grande atenção às observações. Noutras páginas do livro de textos medievais, as figuras anatómicas são bastante pobres tanto sob o aspecto científico como artístico (Fig. 4). Em contraste, logo no centro da gravura que abre a obra de Vesálio, vemos o próprio autor que executa uma dissecação, com o cadáver no ponto focal da imagem, rodeado de muitas pessoas. Está patente na representação a técnica da perspetiva, segundo alguns autores introduzida em 1410 pelo arquiteto italiano Filippo Brunelleschi (Florença 1377 – Florença 1446). À assistência é não só numerosa como se revela extremamente interessada. Em posição saliente, mas num plano inferior, encontram-se um barbeiro e um apontador (agora tornados inúteis por o seu papel ter sido tomado pelo próprio médico). Há ainda duas figuras vestidas com indumentárias antigas, que devem representar grandes mestres da Antiguidade, como Hipócrates e Galeno, o que deve significar uma homenagem a eles por parte do autor. E vêem-se um macaco, um cão e um carneiro, os animais que serviram para exemplificações médicas antes da realização de anatomais humanas, durante muito tempo proibidas por tabus religiosos e sociais. Essa gravura da Fabrica de um teatro anatómico haveria de inspirar várias outras. Só para dar dois exemplos de séculos diferentes refiram-se a gravura do artista holandês Jan Cornelis van’t Woudt (Leiden 1570-1615), também conhecido por Woudanus, O Teatro Anatómico de Leiden, de 1609 (Fig. 5), e a do inglês William Hogarth (Londres 1697 – Londres 1754), a última da série The Four Stages of Cruelty, de 1751 (Fig. 6), que mostra, numa representação que pretendia servir para edificação moral, a anatomia de um enforcado (o criminoso tinha começado as suas malfeitorias ainda rapaz, batendo selvaticamente num cão e, na referida gravura é o cão que lhe come as entranhas subtraídas pelo bisturi).

 

 

 

 

 

Rivalizando com Vesálio como “pai da cirurgia” é referido o nome do francês Ambroise Paré. Paré não era, como foi dito, um médico, mas sim um cirurgião-barbeiro. Aprendeu o seu ofício em Paris, tendo começado como barbeiro-enfermeiro no velho hospital de Hôtel-Dieu. Paré tinha 23 quando se tornou ajudante de cirurgião no hospital Hôtel-Dieu. Não se sabe por que motivo Paré abandonou o Hôtel-Dieu, nem o que o fez acompanhar os exércitos de Francisco I, nas guerras que opunham a França à Itália, Alemanha e Inglaterra. Foi adoptado e protegido pelo marechal Montejean, que o tornou cirurgião dos exércitos. Saiu, desta forma, do anonimato, e passou a servir outros quatro reis franceses, já na qualidade de conselheiro e cirurgião-mor do rei Nos campos de batalha, onde serviu longos anos em várias campanhas militares, inovou no tratamento de feridas feitas por armas de fogo e na prática de técnicas de amputação. Por estranho que possa parecer, por não se tratar de um académico mas de um homem prático, a sua lista bibliográfica é bastante mais extensa do que a de Vesálio, que ficou na história basicamente como autor de um só livro. Mas, em contraste com Vesálio, as obras de Paré foram todas escritas em francês e não em latim, a língua franca das Universidades (Paré nem sequer sabia suficiente latim). Em 1545, ano do início do Concílio de Trento, Paré publicou a Méthod de traicter les playes faites par les arquebuses et aultres bastons à feu, que o celebrizou. Em 1564 publicou Dix livres de la Chirurgie avec le magasin des instrumens necessaires à icelle (Fig. 7) e, em 1575, reuniu todos os seus trabalhos sob o título Les Oeuvres de M. Ambroise Paré, avec les figures et les portraits de l'Anatomie que des instruments de chirurgie et de plusieurs monstres.

 

 

E, em Portugal, o que se passava nessa altura nesta área da ciência médica e da arte da cirurgia? Como foram recebidos os trabalhos de Vesálio e de Paré?

Pode dizer-se que século XVI português é uma “época de ouro” da ciência, onde houve cientistas muito atentos a Vesálio e, embora menos, a Paré [9-10]. Mas, como veremos, a prática da dissecação e o ensino da anatomia humana demoraram algum tempo a chegar. Tendo sido concluídas no século anterior as grandes viagens marítimas de descoberta, foi a época da criação e consolidação de um vasto império que se extendeu, para além da Europa, por três continentes: a África, a América e a Ásia. Na ciência nacional pontificaram nesse século os nomes de três médicos [11-13]. O físico mais notável foi Pedro Nunes (Alcácer do Sal 1502 – Tentúgal 1578), que, apesar de se ter formado em Medicina nas Universidades de Salamanca e Lisboa (terminou o curso em 1525), nunca exerceu Medicina nem sequer realizou pesquisas nessa área. Pelo contrário, os outros dois médicos praticaram a profissão que aprenderam, mas curiosamente ambos longe da sua terra pátria: Amato Lusitano, de seu nome original João Rodrigues (Castelo Branco 1511 – Tessalónica 1568), que se exilou em 1534 na cidade de Antuérpia e Garcia da Orta (Castelo de Vide c. 1500 – Goa 1568) que, nesse mesmo ano, partiu de Lisboa na carreira da Índia, os dois para nunca mais regressarem à sua terra natal [14]. A saída de Amato e Orta antecedeu por pouco o estabelecimento da Inquisição em Portugal que, após vários pedidos expressos ao papa por parte de D. João III (Lisboa 1502 – Lisboa 1557), ocorreu no ano de 1536, vindo a ter influência nefasta no progresso da ciência em Portugal. Um ano depois, a Universidade portuguesa foi transferida, por ordem do monarca, da capital para Coimbra, vindo a instalar-se no paço real. Amato publicou em Antuérpia o seu o primeiro livro Index Dioscoridis (1536), um comentário à obra do médico e farmacêutico grego Dioscórides (Anazarbus c. 40-90), no qual adoptou o nome de Amato Lusitano, que jamais deixou de usar. Em 1541, Amato mudou-se para Itália, aceitando um lugar de ensino da Anatomia na Universidade de Ferrara, perto de Pádua, onde permaneceu cerca de sete anos. Em Ferrara foi percursor na descoberta da veia ázigos e das suas válvulas, num trabalho realizado em 1547 em colaboração com o médico italiano Giambattista Canano (Ferrara 1515 – Ferrara 1579), que poderia ter sido relevante para a identificação do papel do coração no sistema de circulação do sangue efectuado em 1628 pelo médico inglês William Harvey (Folkestone 1578 – Hampstead 1657), que estudou na Universidade de Pádua, não fora o caso de a descoberta de Amato e Canano ter sido primeiro criticada e depois esquecida para mais tarde voltar a ser efectuada, quase três décadas volvidas, em 1574 por Girolamo Fabrizio ou Fabricus Aquapendente (Aquapendente 1537 – Pádua 1619), a quem ainda hoje é atribuída. Em Ferrara Amato conheceu decerto Francisco Vesálio, um irmão de André, que também era médico e que ensinava nessa Universidade (o português pode também, por isso, ter conhecido pessoalmente Vesálio, se acaso este visitou o seu irmão). Deambulou depois, qual “judeu errante”, por várias cidades do centro de Itália como Ancona e Pesaro, para depois se mudar no outro lado do Adriático, primeiro em Ragusa (hoje Dubrovnik, na Croácia) e depois Salónica (actualmente Tessalónica, hoje na Grécia e então no Império Turco). Amato voltaria em 1553 ao tema da farmacopeia de Dioscórides ao publicar em Veneza In Dioscorides de Medica materia Librum quinque enarrationis. A sua obra principal são, porém, as Curationium Centuriae Septem, em português Sete Centúrias de Curas Medicinais [15], notáveis colectâneas de casos clínicos (alguns dos quais envolvendo cirurgias). Foi em 1549 que foi publicada a sua primeira Centúria, em Ancona, tendo a última saído em 1561 em Veneza (um volume conjunto foi publicado postumamente a primeira vez em 1580 em Léon, seguindo-se numerosas edições, como a de Bordéus de 1620 (Fig. 8), e traduções em várias línguas). A afirmação da modernidade científica está bem patente nesta frase de Amato, onde ele nota a necessidade de atenção ao pormenor:

 

 

«Nesta nossa profissão, como muito bem sabem quantos a exercem, podem acontecer milagres e até se diz que a Medicina tem muito de Divino, mas temos que estar sempre atentos a todos os pormenores e aos mais pequenos sinais».

Lendo uma tradução das Centúrias e usando os nossos conhecimentos actuais de medicina podemos verificar o enorme atraso no diagnóstico e posologia de muitas doenças, mas ao mesmo tempo reconhecer a maior parte das enfermidades graças ao rigor na descrição dos sintomas relatados por Amato.

Encontramos, nas Centúrias, uma passagem, onde Amato afirma que, nos territórios a que se chama Espanha, era proibida a dissecação de cadáveres ([15] VI Centúria, Cura LI). Ao arrepio do espírito inovador renascentista, Amato está disposto a admitir que um médico não deveria, por regra, sujar as mãos a praticá-la. No entanto, defende que é importante que o médico a domine (e este domínio não pode estabelecer-se sem uma certa prática!) para que possa exercê-la quando necessário. Usando uma das suas habituais analogias, explica que este médico capaz de executar o ofício do cirurgião «será tido como um rei ou general que por vezes tem de fazer o ofício de soldado» ([15] IV Centúria, Cura LXIX)

Amato conta que, desde que houvesse condições, se entregava seriamente aos estudos anatómicos, em particular a prática das autópsias. Em Ancona, tendo um arquiteto de Paulo III sucumbido a um ferimento da região epigástrica, Amato observou, abrindo o cadáver, que a parte inferior do estômago estava rasgada ([15] I Centúria, Cura LXVII). Noutras ocasiões dissecou cadáveres humanos, com o fim de validar as descrições conhecidas dos órgãos e para investigar a distribuição dos vasos sanguíneos e determinar a sua função precisa ([15] IV Centúria, Cura C). Na área da clínica cirúrgica encontram-se um grande número de observações nas Centúrias, das quais destacamos as mais inovadoras: uma ferida no abdómen, que Amato cura por laqueação e excisão da parte herniada (II Centúria, Cura LXXXIV); um caso de verrugas nas mãos, curado pela ação do calor produzido por sarmentos acesos ([15] II Centúria, Cura XXXVIII); um tumor mamário, curado pela extirpação, seguida da aplicação do ferro em brasa (III Centúria, Cura XXXII); e um quisto volumoso da região epigástrica que um charlatão abriu e insuflou, causando a morte da paciente (VII Centúria, Cura XXIII).

Do outro lado do mundo, trabalhava Garcia de Orta, que tinha sido colega de Pedro Nunes tanto de estudos em Salamanca como de docência em Lisboa. Foi médico no hospital de Goa, talvez o mais notável hospital em todo o mundo na altura fora da Europa. Deixou como única obra, saída em Goa em 1563, o Colóquios dos simples e drogas he cousas medicinais da Índia e assi dalgas frutas achadas nella onde se tratam algu~as cousas tocantes a medicina, pratica, e outras cousas boas pera saber [16], um tratado científico escrito não em latim como era norma mas em português, onde examinava um conjunto de espécies vegetais autóctones, discutindo a sua utilidade médica (faz uma referência a Amato, quando fala da canela). É curioso referir que o poeta Luís de Camões (Lisboa? c. 1524 – Lisboa 1580), na época a viver em Goa, fez uns versos de apresentação do autor que foram publicados à guisa de prefácio. Em 1568, no mesmo ano em que Amato morria em Salónica, Orta também terminava os seus dias em Goa. Passada uma dúzia de anos Orta viria a ser condenado post-mortem pela Inquisição, cujo longo braço chegava a Goa, tendo os seus ossos sido exumados a fim de serem queimados em auto-de-fé.

As Centúrias e os Colóquios dos dois médicos portugueses mais eminentes falam de Vesálio, o que, se não admira no caso de Amato, que estava no coração de um continente onde a fama do médico belga se estabeleceu rapidamente (embora rodeada da controvérsia que é própria do surgimento de ciência nova), já pode causar alguma estranheza no caso de Orta. Mostra, porém, que as notícias científicas se expandiram rapidamente da Europa para o Oriente através dos portugueses. Os dois têm também em comum o facto de terem sido cristãos-novos, tal como aliás Pedro Nunes. Nos dois livros, as Centúrias surgem discussões do livro Tratado da Raiz dos Chinas, de Vesálio (esta planta, de nome científico Smilax China, é uma esmilácea e foi trazida do Oriente pelos portugueses, sendo-lhe atribuída virtudes no tratamento da sífilis). Nenhuma dessas referências é simpática para com o médico belga. Diz Amato na I Centúria ([15] Cura XC):

“Sobre ela me agrada falar aqui, visto que até agora, que eu saiba, pouco ou nada foi dito e tanto mais que André Vesálio, há poucos dias, publicou um livrinho a que pôs o título “Da raiz dos Chinas", no qual (poderia dizê-lo sem hostilidade pessoal) nada se encontra, além do título, que diga respeito à raiz dos Chinas(...) É Vesálio um insigne anatómico, muito sabedor e bastante versado na língua latina...”

E, noutro passo, a propósito de um problema de músculos ([15] III Centúria, Cura XL):

"É isto que nós e os médicos profissionais muitas vezes percebemos. Eis porque Vesálio melhor teria feito neste assunto se recolhesse a sua língua virulenta, do que aplicá-la cheia de argumentos balofos de Averróis contra Galeno.”

Por sua vez escreve Orta nos Colóquios ([16], n.º 47):

“E destouta raiz da China dizem Vesálio e Laguna muitos males dizendo que é podre e sem virtude esta raiz da China e que custa muito dinheirto, e não tenho que ver com que custe muito ou que custe pouco, nem que seja cara ou barata, amtes me parece bem o que diz Mateolo Senense, que basta para esta raiz ser boa mesinha, tomá-la o Imperador Carlos V e aproveitar-lhe."

Se Amato e Orta, revelando-se bem atualizados, citam Vesálio, Vesálio também refere o trabalho do primeiro, embora para criticar o seu trabalho sobre a veia ázigos (na edição de 1555 da Fabrica não refere o nome do português, embora discuta o que ele fez), não tendo podido citar o segundo, uma vez que a tradução latina (resumo) dos Colóquios, Aromatum et Simplicium aliquot medicamentorum apud Indios nascentium historia, devida ao médico belga Charles l’Écluse ou Carolus Clusius (Arras 1526 – Leiden 1609), só saiu em 1567, quando Vesálio já tinha falecido. Por sua vez Paré citou tanto Amato como Orta, tendo conhecido a obra deste último decerto pela tradução latina que l’Écluse empreendeu. No seu livro de 1573 Traité des Monstres et des Prodiges, Paré refere entre os autores contemporâneos o nome de Amato Lusitano. Pode deduzir-se que Amato, nessa data, era suficientemente conhecido pelos leitores, um público generalista, para dispensar quaisquer apresentações.

A primeira referência impressa a Paré em Portugal surgiu em 1592 nos renomados Conimbricenses (Commentarii Colegii Conimbricensis S. J. In Octo Libros Physicorum Aristotelis Stagiritae, publicados na oficina de António Mariz, em Coimbra), livro servia de manual ao curso filosófico dado pelos jesuítas em Coimbra e em vários colégios jesuítas no mundo, sem autor mas provavelmente devida a Manuel de Góis (Portel 1543 – Coimbra 1597) [17]. Outras referências só aparecem no século XVII.

Passando agora para o ambiente universitário português no século XVI, não se pode dizer que, em Coimbra, a Medicina, apesar da natural evolução, estivesse nessa época muito avançada em comparação com padrões europeus [18-21]. Foi necessário, em certas ocasiões, chamar médicos do país vizinho para ocupar cátedras de Medicina na única universidade portuguesa onde essa ciência se ensinava. Em 1503, quando a Universidade portuguesa ainda estava em Lisboa, ficaram estabelecidas com a Reforma de D. Manuel I (Alcochete 1469 – Lisboa 1521), duas cadeiras de Medicina, a de Prima e a de Véspera. Em 1537 dá-se a Reforma de D. João III, que foi contemporânea da transferência dos estudos superiores para Coimbra, ficando quatro cátedras e duas catedrilhas (cátedras menores). Nesse mesmo ano o espanhol Enrique de Cuellar (Cuellar 1480-1544), lente de Prima, proferiu a lição inaugural de Medicina para apenas seis alunos. Ele é o autor do livro Ad libros tres predictionum Hippocrates (1543), saído no mesmo ano do livro maior de Vesálio, no qual, ignorando as novas tendências da ciência médica, expõe a velha doutrina de Hipócrates. Em 1539 o médico português Tomás Rodrigues da Veiga (Évora 1513 – Coimbra 1579), mais um cristão novo, foi nomeado para professor da cadeira de Véspera, iniciando a sua carreira académica, que terminaria com a posse da cadeira de Prima e a jubilação em 1558. Ele é o autor de Opera omnia in Galeni libros edita et commentariis in partes novem distintis (1587), comentários publicados postumamente à obra de Galeno publicados em Lyon.

As primeiras anatomias na universidade portuguesa devem ter sido realizadas por volta de 1546 quando D. João III autorizou o corregedor da Comarca de Coimbra a entregar cadáveres a Rodrigo Reinoso (1494 – c. 1557), um outro médico espanhol lente de Prima na Universidade coimbrã sucedendo em 1545 a Cuellar. Em 1556 foi criada, finalmente, a cadeira de Anatomia, tendo sido seu primeiro titular ainda outro médico espanhol, Alfonso Rodríguez de Guevara (Granada c. 1520 – Lisboa 1587). Ele é o autor do livro In pluribus ex iis quibus Galenus impugnatur ab Andrea Vesalio Bruxelensi in constructione et usu partium corporis humani, defensio (1559), onde, apesar de terem passado 16 anos após a obra de Vesálio, ainda defende Galeno contra Vesálio (Fig. 9). É referido o trabalho de Amato sobre a veia ázigos, sendo recusada a existência das válvulas venosas. Mas não aparecem quaisquer representações anatómicas humanas ou outras. Algumas iniciais de capítulos sugerem quadrumanos, que poderiam ter sido utilizados na mesa anatómica em vez de humanos, conforme a tradução clássica. No ano seguinte, 1560, foi criada em Coimbra a cadeira de Cirurgia, também entregue a Guevara: a medicina e a cirurgia ficaram, portanto, unificadas na docência. Em 1561, sucede-lhe um seu discípulo, o português João Bravo, dito o Chamisso (Serpa 15? – Coimbra 1636), que é o primeiro barbeiro a ascender à cátedra de Medicina, podendo portanto considerar-se um “Paré nacional”. Ele é o autor de De medendis corporis malis per manualem operationem (1605), uma obra publicada em Coimbra com uma forte componente alquímica (o autor associava a cirurgia e a alquimia acreditando, por exemplo, que certas curas se faziam através da palavra), mas que tem a virtude de citar Vesálio (Fig. 10) e de referir um teatro anatómico em Coimbra que nunca se localizou ao certo. Chamisso foi perseguido pela Inquisição, tendo sido reformado compulsivamente em 1624.

 

 

 

No século XVI existia em Lisboa ensino da Anatomia no Hospital Real de Todos os Santos, fundado em 1492, onde desde cedo foram praticados actos cirúrgicos e o teve lugar um ensino informal [22-23] (Fig. 11). No Regulamento de 1498, publicado por D. Manuel I, dizia-se já que “o cirurgião interno do Hospital é obrigado a ler cada dia uma lição de anatomia aos seus ajudantes”. Em 1556, portanto no mesmo ano que inaugurava a cátedra de Anatomia em Coimbra, foi criada oficialmente a Aula de Anatomia em Lisboa. Foi para esse hospital que Guevara se transferiu em 1561, deixando o lugar a Chamisso (parece que se queixou da dificudade de realizar actos anatómicos em Coimbra). Lisboa, uma cidade cosmopolita, tinha muito mais doentes e mais doenças do que Coimbra, sendo muito nítida nessa época a bipolarização entre um ensino teórico em Coimbra e um ensino prático na capital. O desastre de Alcácer Quibir no qual Guevara participou haveria de precipitar, nas duas cidades, o declínio da medicina em Portugal, que os processos inquisitivos tinham irremediavelmente acelerado.

 

 

Muitas das obras atrás referidas podem ser vistas, em texto integral, através da Internet no Alma Mater, Repositório de Livro Antigo da Universidade de Coimbra (http://almamater.uc.pt), que mostra cerca de sete mil itens do rico espólio bibliográfico e documental existente nas várias bibliotecas da Universidade de Coimbra, a começar pela maior, a Biblioteca Geral, disponibilizando assim gratuita e universalmente um conjunto assaz relevantes obras do património da Universidade. O exemplar da Fabrica, embora não possua a gravura do rosto, é um dos dois únicos exemplares dessa obra existentes em Portugal, encontrando-se o outro na Biblioteca Pública Municipal do Porto [24]. Quanto à obra de Paré a Biblioteca Geral possui na Biblioteca Joanina uma primeira edição da Opera, uma tradução latina de obras de Paré publicada em Paris em 1582, que deve ter permitido o acesso de Manuel de Góis a Paré.

 

AGRADECIMENTOS

Aos Doutores Júlio Leite e Jorge Penedo pelo amável convite para proferir a palestra e escrever o artigo. E à Doutora Isilda Rodrigues por algumas informações que me enviou sobre Paré e Amato.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(excluem-se aqui as obras mais antigas, que em geral podem ser encontradas on-line).

[1] O’Malley, Charles D. Andreas Vesalius of Brussels, 1514-1564. Berkeley: University of California Press, 1964.         [ Links ]

[2] Poirier, Jean-Pierre Poirier. Ambroise Paré : Un urgentiste au XVIe siècle, Paris: Pygmalion, 2005.         [ Links ]

[3] Barradas, Joaquim. A Arte de Sangrar. De cirurgiões e barbeiros, Lisboa: Livros Horizonte, 1999.         [ Links ]

[5] Malley, Charles D. and Saunders, J. B. de, The Illustrations from the Works of Andreas Vesalius of Brussels, New York: Dover, 1973.         [ Links ]

[6] Ameisen, Jean Claude, Berche, Patrick et Brohard, Yvan Brohard. Une histoire de la medicine ou le souffre d’Hippocrate. Paris: Editions de la Martinière. 2011.         [ Links ]

[7] Rifkin, Benjamin A., Ackerman, Michael J. and Folkenberg, Human Anatomy. Depicting the Body from the Renaissance to Today, Londres: Thames and Hudson, 2006.         [ Links ]

[8] Gregory, Andrew. Harvey’s Heart. The Discovery of Blood Cuirculation, Cambridge: Icon Books, 2001.         [ Links ]

[9] Fiolhais, Carlos e Martins, Carlos. Breve História da Ciência em Portugal, Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra e Lisboa: Gradiva, 2010.         [ Links ]

[10] Fiolhais, Carlos. História da Ciência em Portugal, Lisbon: Arranha Céus, 2013.         [ Links ]

[11] Lemos, Maximiano. História da medicina em Portugal: Doutrinas e instituições. 2 vols. Lisboa: Dom Quixote; Ordem dos Médicos. 1.ª ed., 1899. Lisboa: Fundação Gulbenkian 1991 e 1997.         [ Links ]

[12] Ventura, Manuel de Sousa. A Vida e Obra de Pedro Nunes, Lisboa: breve, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1985.         [ Links ]

[13] Gouveia, António Jorge Andrade de Gouveia. Garcia d'Orta e Amato Lusitano na ciência do seu tempo, Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1985.         [ Links ]

[14] Correia, Maximino. Alguns passos da vida de Amato Lusitano, Academia das Ciências de Lisboa, Lisboa, 1968, separata de Memórias da Classe de Ciências, Tomo XII pp .117-134.

[15] Amato Lusitano. Centúrias de Curas Medicinais. Tradução de Firmino Crespo. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 1980.         [ Links ]

[16] Orta, Garcia de. Colóquios dos Simples e Drogas da India [Goa, 1563], dirrecção e notas por Conde de Ficalho, 2 vols.. Lisboa: Academia Real das Ciências de Lisboa / Imprensa Nacional, 1891-1895. http://archive.org/stream/coloquiosdossimp02ortauoft/coloquiosdossimp02ortauoft_djvu.txt [Consulta em 15 de maio de 2014]        [ Links ]

[17] Baudry, Hervé. La réception d'Ambroise Paré au Portugal aux XVIe et XVII et siècles. In: Ambroise Paré (1510-1590): pratique et écriture de la science à la Renaissance. Actes du Colloque de Pau (6-7 mai 1999) réunis par Evelyne Berriot-Salvadore avec la collaboration de Paul Mironneau Paris : Honoré Champion, 2003, pp. 355-378        [ Links ]

[18] Carvalho, Joaquim de. A anatomia em Coimbra no século XVI. Revista da Universidade de Coimbra, Coimbra, vol. 4, pp. 213-235. 1915.         [ Links ]

[19] FONSECA, Fernando Taveira. A medicina. In: Universidade de Coimbra. História da universidade em Portugal. Coimbra: Universidade de Coimbra; Fundação Calouste Gulbenkian, 1997.         [ Links ]

[20] Rasteiro, Alfredo. O Ensino Médico em Coimbra, 1131-200, Coimbra: Quarteto, 1999.         [ Links ]

[21] Rodrigues, Isilda e Fiolhais, Carlos. O Ensino da Medicina na Universidade de Coimbra no século XVI / Medicine at the University of Coimbra in the 16th century, Manguinhos, vol. 20, nº. 2, Abr.-Jun. 2013, pp.435-456.         [ Links ]

[22] Serrano, José António. O ensino da anatomia na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Coimbra: Universidade de Coimbra. 1892.         [ Links ]

[23] Sacadura, S. da Costa e Machado, J. T Moltalvão, Andanças do ensino médico na Capital (do Hospital de todos os Santos ao Hospital de Santa Maria), Separata de O Médico, n.º 697, 1965.         [ Links ]

[24] Costa, Júlio M. R.. Arte médica: Breve olhar sobre alguns impressos quinhentistas e siscentistas da Biblioteca Pública Municipal do Porto, in Humanismo, Diáspora e Ciência. Séculos XVI e XVII, Porto: Universidade de Aveiro e Biblioteca Pública Municipal do Porto, 2013.

 

 

Correspondência

CARLOS FIOLHAIS

e-mail: tcarlos@teor.fis.uc.pt

 

NOTA

* Palestra realizada o XXXIV Congresso Nacional de Cirurgia, Praia da Falésia, Albufeira, 6-8 de Março de 2014.

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