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Revista Lusófona de Educação

versão impressa ISSN 1645-7250

Rev. Lusófona de Educação  no.27 Lisboa set. 2014

 

ARTIGOS

 

O papel da Educação em Português na promoção e difusão da língua – um estudo com um grupo de estagiárias

The role played by Education in Portuguese in language promotion and dissemination: a study with a groups of newly qualified teachers

Le rôle de l’Éducation en Portuguais dans la promotion et diffusion de la langue - une étude développée autour d’un groupe de stagiaires

El papel de la Educación en Portugués en la promoción y difusión de la lengua - un estudio con un grupo de estudiantes en prácticas

 

Maria Helena Ançã*, Maria João Macário**, Tatiana Guzeva*** & Belinda Gomes****

 

* Professora Associada com Agregação do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro. Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores/CIDTFF. Cocoordenadora do Laboratório de Investigação em Educação em Português/LEIP. (Responsável pela linha Português Língua Não Materna) Email: mariahelena@ua.pt

** Doutoranda do Programa Doutoral Didática e Formação, bolseira da FCT da Universidade de Aveiro CIDTFF/LEIP Email: mjoaomacario@ua.pt

*** Doutorandas do Programa Doutoral Didática e Formação, bolseiras da FCT da Universidade de Aveiro CIDTFF/LEIP Email:tatiana.guzeva@ua.pt

**** Bolseira Técnica de Investigação no LEIP de 21 de novembro 2011 a 31 março 2013 Colaboradora do LEIP Email: bgomes@ua.pt

 

RESUMO

As questões sobre o poder das línguas, sobre o seu peso e valor económicos têm preenchido, atualmente, agendas políticas e académicas, embora o interesse pela economia das línguas remonte à segunda metade do século XX. Relativamente ao português, assistimos a uma preocupação com a sua internacionalização, quer por via das relações comerciais e negócios, quer no âmbito das políticas da língua. De ambas as perspetivas, o ensino do português é incontornável. Sob o prisma da Educação, introduzir na formação de professores de português uma abordagem da língua mais dinâmica, como língua de comunicação internacional, direcionada para a sua difusão, é essencial num mundo globalizado, onde outras línguas também se cruzam e se jogam. Neste quadro, disponibilizámos um questionário a mestrandas/estagiárias de português, numa universidade em Portugal. Pretendíamos que identificassem o lugar atribuído à língua portuguesa no mundo, valores e potencialidades, e ainda formas de promoção e de difusão. Os resultados deste estudo piloto apontam para algum desconhecimento sobre as línguas e sobre o português e o mundo lusófono em particular. No entanto, a reação geral foi de abertura a este tipo de abordagem.

Palavras-chave: educação em português; comunicação internacional; difusão; valores da língua portuguesa.

 

ABSTRACT

The questions on the power of languages, on their weight and economic value have fulfilled, currently, political and academic agendas, although the interest in the economy of languages dates back to the second half of the twentieth century. Concerning Portuguese, its internationalization is a concern, either by trade and business relations, or within the language policies. From both perspectives, the teaching of Portuguese is inevitable. Under the standpoint of Education, introducing a more dynamic language approach in teacher training of Portuguese, as a language of international communication, directed to its diffusion, is essential in a globalized world, where other languages meet and connect. In this framework, a pilot study with students from the Masters in teacher training in basic education (2nd cycle of Bologne) has been developed. These students are attending the supervised teaching practice in four subjects, one of which is Portuguese, at a university in Portugal. We wanted them to identify the importance of Portuguese in the world, its values and potentialities, and even ways to promote its diffusion. As methodology for data collection, a questionnaire survey was conceived, and subsequently provided to 14 students attending a semiannual curricular unit. The questionnaire had open and closed questions and was divided into four stages: i) Identification of the respondents, ii) Languages and the Portuguese Language (PL), iii) Internationalization of the PL and iv) the values of the PL. To process the collected data, NVivo 10 software was used, where the answers were encoded and categories and subcategories of analysis were created, in order to proceed with a content analysis. Regarding the participants characterization, they were all female, the mother tongue of the majority was Portuguese, there was one Venezuelan who dominated Spanish and they were mostly from the north and center of the country. The results pointed at a lack of knowledge about the position of the most spoken languages in the world, the countries and organizations where Portuguese was the official language, as well as the fact that all varieties of Portuguese are correct. Some responses also showed some lack of knowledge concerning the concept of lusophony and the Portuguese-speaking world in general. However, we noticed i) a recognition of the importance of disseminating the PL in the world, ii) some openness to a teaching approach of Portuguese towards the demands of contemporary society and ii) a reflection, even if not very deep and reasoned, on the position of the Portuguese language in the world. Faced with the increasing prominent position of Portuguese and the need to train teachers sensitive to this recent reality, the development of projects of this nature would have all the opportunity.

Keywords: education in Portuguese; international communication; diffusion, values of the Portuguese Language

 

RÉSUMÉ

Que ce soit sur le plan politique ou académique, le thème du pouvoir des langues, leur poids et leur valeur économiques est à l´orde du jour; ceci, même si l’économie des langues suscite un certain intérêt depuis la deuxième moitié du XXe siècle. Quant au portugais, on cherche à l’internationaliser, à travers les relations commerciales et des affaires, où au sein des politiques linguistiques. Du point de vue de ces deux perspectives, l’enseignement du portugais est inévitable. Sous le prisme de l’éducation, l’introduction d’une approche de la langue plus dynamique, dirigée à sa diffusion, est essentielle pour la formation d’enseignants de Portugais, comme langue de communication internationale, dans un monde globalisé, où d’autres langues se croisent et s’élancent. Dans ce cadre, nous avons fourni un questionnaire à des étudiantes/stagiaires en maîtrise en portugais, dans une université au Portugal. Nous voulions qu’elles identifient la place attribuée à la langue portugaise dans le monde, ses valeurs et ses potentialités, et encore, qu’elles identifient des formes de promotion et de diffusion. Les résultats de cette étude pilote révèlent un certain manque de connaissances sur les langues et le portugais et le monde lusophone en particulier. Cependant, la réaction globale montre une certaine ouverture à ce type d’approche.

Mots-clés: éducation en portugais; communication internationale; diffusion; valeurs de la langue portugaise.

 

RESUMEN

Preguntas sobre el poder de las lenguas, sobre su peso y valor económicos han rellenado, en la actualidad, agendas políticas y académicas, aunque el interés en la economía de las lenguas se remonta a la segunda mitad del siglo XX. Con relación al portugués, se asiste a una preocupación con su internacionalización, ya sea por vía de relaciones comerciales y empresariales, ya sea en el contexto de política de lenguas. Desde ambas perspectivas, la enseñanza del portugués es inevitable. Bajo el prisma de la Educación, es esencial introducir un abordaje más dinámico de la lengua en la formación de profesores de portugués, un abordaje orientado para su difusión, como lengua para la comunicación internacional, en un mundo globalizado, donde otros idiomas también se entrecruzan y se lanzan. En ese marco, se ha proporcionado un cuestionario a alumnas/estudiantes en prácticas del máster en portugués, en una universidad en Portugal. Queríamos que identificasen el lugar asignado a la lengua portuguesa en el mundo, los valores y potencialidades, e incluso las formas de su promoción y difusión. Los resultados de este estudio piloto apuntan a cierta falta de conocimiento sobre las lenguas y sobre el portugués y el mundo lusófono en particular. Sin embargo, la reacción general fue de apertura a este tipo de enfoque.

Palabras clave: educación en portugués; comunicación internacional; difusión; valores de la lengua portuguesa.

 

 

Introdução

Num mundo globalizado e competitivo, as línguas como outros produtos, são objeto de avaliação. Os seus valores, porém, não são estáveis e vão oscilando em função de determinações económicas e políticas, e não tanto pelas suas dimensões sociais e culturais. Nas instituições de ensino, duma forma geral, são sobretudo focalizadas estas últimas dimensões, em detrimento de uma visão mais abrangente. O papel da universidade pode ser decisivo, no contexto da mudança e da inovação1.

A universidade, ao preparar cientificamente os seus estudantes, procura ainda dotá-los de instrumentos que lhes permitam entrar no mercado de trabalho. No que diz respeito à formação de professores de português, seria importante uma abordagem mais ampla, inovadora e atual, – no sentido das necessidades das sociedades contemporâneas –, que para além da vertente social e cultural, incluísse também uma vertente mais funcional e instrumental, com algumas preocupações também de caráter ‘economicista’, “na rota dos nossos interesses económicos”(Laborinho, 2012, p. 20).

Formar para a língua portuguesa (LP), como objeto dinâmico e multifacetado, a nosso ver, é perspetivar esta língua, nela própria (valor absoluto), mas para além dela (valor relativo). Esta última premissa, assente numa dimensão translinguística, enquadra as línguas e os seus locutores no mundo de hoje, de um modo competitivo, é certo, mas também com o propósito do reconhecimento e da valorização de cada uma das línguas.

Uma outra premissa, numa dimensão intralinguística da LP, considera na Educação em Português, o alargamento de uma visão (eurocêntrica) da língua, tendo em conta a própria maleabilidade das línguas. Por esse facto, é possível a coabitação de diferentes variedades de português e diferentes locutores, em diferentes geografias. A esta extensão de vozes, de sujeitos e de lugares chamamos Lusofonia.

Nesta linha, a LP tem expressão a nível planetário, dado ser falada nos cinco continentes: i) como língua materna/LM, em Portugal e no Brasil; ii) como língua segunda/L2, língua oficial, em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe; iii) como língua cooficial, em Timor Leste2, a par do tétum, e ainda em Macau, a par do chinês. Foi ainda transportada, na qualidade de língua das raízes (Ançã, 2005), ou língua de herança (na terminologia anglo-saxónica), por falantes que, por razões diversas, se deslocaram para outros espaços. Nesses espaços e ainda noutros, é também aprendida como língua estrangeira (LE), sendo, pelos argumentos enunciados, uma língua de comunicação internacional. A Educação em geral, e o ensino da LP em particular, contribuem para a difusão da língua, constituindo-se como loci privilegiados.

Neste âmbito, é objetivo do presente texto analisar o lugar atribuído por mestrandas/estagiárias de português à LP no mundo, à identificação dos valores e potencialidades desta língua, e ainda formas de promover a sua difusão. Selecionámos este público, dado tratar-se de estudantes universitárias, cuja prática pedagógica está em curso.

O texto a apresentar estrutura-se em dois blocos, sendo o primeiro um breve enquadramento teórico, e o segundo destinado ao estudo empírico, seguido de uma reflexão final.

 

1. Enquadramento teórico

1.1. Línguas, poderes e valores

O interesse pelo poder das línguas e pelos seus valores surgem no âmbito da economia das línguas, na segunda metade do século passado.

Grin e Vaillancourt (1997) consideram os conhecimentos linguísticos como uma das formas de capital humano, passível de ser analisada do ponto de vista económico. Estes autores recuperaram as diferentes conceções de língua como atributo económico, nas tradições canadiana e americana: língua como i) atributo étnico; ii) moeda de troca; iii) capital humano (aproximação ao conceito de efeito de rede); iv) atributo étnico e capital humano em simultâneo. Estas perspetivas têm repercussões nas políticas linguísticas, pois permitem compreender certos fenómenos, nomeadamente as razões pelas quais um grupo utiliza os seus recursos para proteger e promover a LM, o que traz algum efeito rentável para o próprio grupo. Permitem ainda compreender o que subjaz a determinadas políticas linguísticas, como a (im)possibilidade de utilização de uma língua num contexto profissional, situação que pode criar ou diminuir rendimentos para os grupos em causa. Também realçam a importância da aprendizagem de LEs em meio escolar, pelas oportunidades proporcionadas.

Calvet (2002), no âmbito da mundialização/globalização linguística, simbolizada pela dominação internacional do inglês, “qui est à la fois une réalité mesurable et l’objet de discours critiques ou laudateurs.” (p. 1) apresenta o modelo gravitacional das línguas. Baseia-se na ecolinguística, entendendo ‘ecologia’ (ciência do habitat) no seu sentido literal.

A ecolinguística supõe, como a ecologia, diferentes níveis de análise, sendo o superior o da organização mundial das relações entre as línguas. As línguas estão ligadas pelos bilingues que as falam, e o sistema dos bilingues permite traçar as relações em termos gravitacionais. Em torno de uma língua hipercentral (o inglês) gravitam umas dezenas de línguas supercentrais (o francês,o espanhol, árabe, chinês, português…), em volta das quais gravitam cem ou duzentas línguas que, por sua vez, são o pivot da gravitação de quatro ou cinco mil línguas periféricas.

Para calcular com rigor a importância de qualquer destas línguas, evitando ‘avaliações menos científicas’ e situações emotivas, como, por exemplo, a exaltação da francofonia3, “chez quelques ayatollahs de la francophonie” (Calvet, 2010, p. 42), ou os discursos acesos contra o inglês, vários autores (Weber, 19974; Calvet, 2010; Calvet e Calvet, 2012) consideram que é necessário fazer um cálculo a partir de múltiplos parâmetros, como: número de locutores, entropia5, taxa de veicularidade6, número de países em que é língua oficial, número de traduções quer para a língua fonte quer para a língua alvo, número de prémios literários, número de artigos na Wikipédia, índice de desenvolvimento humano, taxa de fecundidade, índice de penetração na internet (Calvet & Calvet, 2012). Encontramos o desenvolvimento destes parâmetros no Baromètre Calvet des Langues du Monde (Calvet e Calvet, 2012).

Nesta sequência, Reto, Esperança, Gulahussen, Machado e Costa (2012), na senda de trabalhos elaborados para o espanhol (García-Delgado, 2007; Nadal, 2010), apresentam um estudo pioneiro para a LP, por solicitação do então Instituto Camões. Os autores, entre vários outros aspetos, comparam a posição relativa da LP com cada idioma classificado em 1º lugar nos diferentes fatores. Assim, a título de exemplificação, para o número de falantes, o mandarim encontra-se em 1º lugar, com um valor de quase 846 milhões relativamente ao português, em 7º lugar, com perto de 178 milhões de falantes7. Para o índice de entropia é o espanhol que surge em 1º lugar e a LP em 56º. Quanto aos índices de penetração na internet, artigos na Wikipédia e número de países com língua oficial, o inglês encabeça as listas, ficando a LP, respetivamente em 32º, 8º e 5º lugares. Verificamos, por conseguinte, que a LP apresenta posições interessantes, quer a nível do número de falantes e de países oficiais, quer em termos de ciberespaço.

1.2. Língua Portuguesa – Internacionalização e difusão

A LP é atualmente falada por 250 milhões de pessoas, como LM e L2, ocupando 10,8 milhões de quilómetros quadrados da superfície da Terra que representam 3,7 da população mundial e 4% da riqueza total (Reto, 2012).

O conjunto destes indicadores constituirá um forte ‘motor’ de promoção e de difusão da língua, com vista a uma consolidação da sua internacionalização.

A LP apresenta-se já como língua internacional, entendendo ‘internacionalização’ como o resultado de processos, pelos quais uma língua nacional se transforma em língua de vários países, como L2 ou LE (Castro, 2009).

Contudo, o reconhecimento mundial, relativamente à LP, não é o desejado, não obstante esta ser uma língua “com trunfos geopolíticos, económicos e culturais relevantes” (Laborinho, 2012, p. 17) e com potencialidades à escala global (Galito, 2006).São necessários ainda esforços e ações (IILP, 2010) e o aproveitamento de todas essas potencialidades, considerando ainda a própria atitude dos falantes. O desinteresse e ceticismo destes pode constituir um obstáculo, como testemunha Galito (2006, p. 99):“Resta saber se os seus falantes já tomaram consciência do impacto económico que esse instrumento [LP], tão à sua disposição, lhes pode oferecer”.

Esta falta de “autoestima crônica” é levantada também por Castilho (2013), a propósito ainda da internacionalização do português. Os desafios propostos por este autor centram-se à volta do papel das universidades (brasileiras) e do conhecimento sólido sobre a língua a ser difundido. Todavia, é necessário que as políticas linguísticas sejam mais focalizadas, “deixando de lado a sua atual falta de rumo” (p.1).

No que se refere ainda a estratégias de internacionalização, devemos mencionar também o papel da LP como língua oficial, de trabalho ou de documentação, em vários organismos internacionais e regionais, sendo, presentemente, a sua utilização, por vezes, mais teórica do que real. O reforço e consolidação da presença da LP neste domínio seria, por conseguinte, um contributo para a afirmação desta língua (IILP, 2010).

Efetivamente, a preocupação e o investimento com a internacionalização da LP constituem grandes finalidades do Instituto Camões/Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa/CPLP, ambos com sede em Lisboa, e do Instituto Internacional de Língua Portuguesa/ IILP, com sede na Praia, em Cabo Verde. O Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa (IILP, 2010) poderá ser lido como uma ação conjunta, onde os três organismos estão fortemente implicados.

2. O estudo

2.1. Contexto educativo e de investigação

No âmbito de uma sessão, em março de 2013, de uma unidade curricular, de um mestrado em formação de professores do ensino básico (2º Ciclo de Bolonha), de uma universidade portuguesa8, foi solicitada a colaboração das 14 alunas/estagiárias presentes nessa sessão a fim de se obterem respostas a um inquérito por questionário.

Trata-se de uma primeira abordagem empírica a um estudo a desenvolver por um grupo de investigadores em Educação em Português, na mesma Universidade.

O questionário tinha como objetivo identificar o papel que as mestrandas atribuíam à LP no mundo, os seus valores e potencialidades, assim como formas de promover e difundir a língua, numa perspetiva didática.

Este questionário, constituído por quatro blocos, sendo o primeiro destinado à identificação do inquirido, assenta nos três temas: Línguas e LP, Internacionalização da LP e Valores da LP. As perguntas utilizadas são maioritariamente de escolha múltipla, quer em leque fechado quer em leque aberto (Pardal & Lopes, 2011), admitindo ainda perguntas abertas, como nas duas questões do último bloco.

Recorremos ao programa NVIVO10 para o tratamento dos dados.

2.2. Identificação das participantes

Apenas uma mestranda tem nacionalidade venezuelana. As restantes alunas são portuguesas, com origem maioritariamente na zona centro e, também, na zona norte do país, havendo ainda uma mestranda que nasceu/viveu nos Açores. O português é LM destas 13 alunas e o espanhol/castelhano da aluna estrangeira. Regista-se apenas um caso de mobilidade estudantil, no Luxemburgo, durante um semestre, no âmbito do programa Erasmus.

As mestrandas encontravam-se em grande número (71,4%) na faixa etária dos 20-25 anos, havendo, no entanto, três alunas mais velhas e uma outra que não referiu a idade.

2.3. Línguas e língua portuguesa

As perguntas deste grupo implicavam respostas de dois tipos: i) objetivas, para testar conhecimentos sobre as línguas mais faladas, número de falantes de LP como LM, países com a LP como oficial; ii) subjetivas, para conduzir a julgamentos linguísticos sobre a(s) variedade(s) de LP mais correta(s) e a sua justificação.

Quando lemos os resultados sobre as línguas mais faladas no mundo, e nos detemos sobre a primeira escolhida, verificamos que há duas línguas em confronto: o inglês e o chinês. O inglês, entendido genericamente como língua ‘franca’, língua da tecnologia e da ciência, com um peso considerável nas ‘indústrias da língua’9. O chinês é encarado na sua extensão demográfica e pelo seu poder económico, tornando-se, no presente, uma língua atrativa para a aprendizagem. A posição do inglês e do chinês/mandarim como primeira opção neste item é bem evidente: chinês/mandarim (50%), inglês (42,85%). O peso destas duas línguas é confirmado por Lewis, Simons e Fennig (2013)10, com a primeira posição para o chinês (nas suas 13 variedades) e a segunda para o inglês.

Como segunda língua mais falada, aparece de novo o inglês (50% das respostas), provavelmente pelas alunas que não o fizeram na primeira opção. Seguem-se, nesta segunda posição, o francês, o espanhol e o chinês/mandarim e, por fim, a LP. Serão estas línguas as que vão prevalecer no elenco das cinco línguas mais escolhidas por estas participantes, classificadas, por Calvet (2010), como línguas supercentrais.

O espanhol começa a ganhar contornos mais nítidos como terceira língua mais falada, seguem-se o francês e o alemão, depois o chinês/mandarim e, por fim, a LP. A importância do espanhol é reconhecida por este público, em termos culturais e demográficos, quer em Espanha quer na América Latina, de onde são originários vários estudantes. A oferta desta língua nos sistemas de ensino e institutos, nos vários países, incluindo Portugal, tem sido intensificada, com uma ação de política linguística concertada e apoiada pelo Instituto Cervantes. Há 14 milhões de estudantes de espanhol como LE no mundo, sendo o espanhol a segunda LE a seguir ao inglês (Troyano e Asencio, 2007).

No que diz respeito à quarta língua mais falada, destaca-se o francês seguido do português, do espanhol e, em último, do chinês. Este destaque dado ao francês é curioso, uma vez que estas jovens são de uma geração em que o inglês se ‘impõe’ como ‘língua franca’, ofuscando o papel que desempenhou o francês, para as gerações anteriores, a nível literário, artístico ou político. Tendo aprendido o inglês, como primeira LE no currículo escolar, estas estudantes estarão mais próximas das ‘indústrias da língua’ (inglesa), do que das do mundo francófono, sem, no entanto, esquecer o valor do francês.

 

 

Na quinta língua mais falada encontramos a LP (35,7%) e o árabe, aliás, a única referência a esta língua ao longo destas respostas. No que diz respeito à 5ª posição para a LP, esta aproxima-se das posições difundidas pela comunicação social e ciberespaço, cujas fontes se baseiam geralmente em Lewis (2013).

Quanto aos falantes de português língua materna (PLM), as formandas não estão seguras da resposta, mas 50% opta pelo valor mais próximo (230 milhões). As restantes respostas incidem sobre ‘1 bilião’, ‘140 milhões’ (14,3%), havendo uma resposta reportando-se a ‘10 milhões’, – provavelmente porque só foi considerado Portugal, esquecendo o Brasil, com perto de 190 milhões de falantes nativos (Guerreiro e Junior, 2013).

Relativamente aos países com língua oficial portuguesa, o Brasil é o único país referido por todas. Seguem-se Angola (78,5%), Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau (57,1% cada), Timor-Leste (50%) e Macau (14,2%), sendo este último território identificado como país e não como Região Administrativa Especial da China. São de referir ainda as respostas: ‘Luxemburgo’, talvez por ser o país cuja comunidade estrangeira mais numerosa é a portuguesa, e ‘Ásia e África’, assinalados como se fossem países.

No estudo de Reto (2012) sobre o uso e perceção dos utilizadores da LP, do ponto de vista dos valores pessoais dos estudantes universitários de português no estrangeiro, os resultados referentes aos países com língua oficial portuguesa foram os seguintes: Brasil (77,8%), Angola (76,3%), Moçambique (73,8%) e Cabo Verde (62,7%); São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau situaram-se abaixo dos 50%; Timor obteve 29,3%. Os autores do estudo ficaram surpreendidos com o baixo nível de conhecimentos dos alunos, “uma vez que se trata de estudantes de língua portuguesa com escolaridade de nível universitário” (p. 165).

No nosso estudo, os resultados são ainda mais surpreendentes, dado tratar-se de um assunto da especialidade, na ordem do dia, e de um público lusófono que, no quadro da prática pedagógica, leciona a LP. De facto, só o Brasil é referenciado pelas 14 participantes, ficando o conhecimento dos outros países muito aquém do expectável.

Reportando-nos às Organizações Internacionais onde a LP é oficial, as respostas denotam um grande desconhecimento. Encontramos a União Europeia (21,4%) e a CPLP, União Latina e União Africana, referidas apenas por uma aluna. Este desconhecimento manifestou-se ainda em 71,4 % das respostas inválidas, entre elas, a ONU, – será este, sem dúvida, o grande desígnio para um futuro próximo da LP (IILP, 2010).

Analisemos, por fim, as duas questões de natureza subjetiva, que solicitavam a variedade ou variedades mais corretas de português e a sua justificação.

Verificamos que Portugal (50% das respostas), Brasil (35,7%) e Angola (14,2%) surgem como países onde se fala corretamente a LP. Justificando a razão da escolha, 42,6% das alunas consideram todas as variedades corretas, de acordo com a situação e norma geográfica. As respostas que incidem sobre o Português Europeu (PE) baseiam-se nos seguintes argumentos: i) dimensão afetiva, entre egocentrismo/eu e eurocentrismo/aqui (“porque é a única que falo”), com alguns laivos de ‘desacordos ortográficos’, pouco assimilados (“A minha LM com o acordo ortográfico é estranha, não me revejo nela”)11; ii) dimensão da origem (“ a LP nasceu em Portugal”) e o sema da pertença/posse (é minha/nossa), cujas marcas são decorrentes da anterior (ego/eurocentrismo); iii) dimensão formal, prevalência (e poder) da língua oficial (“por ser língua oficial”), recorrendo também ao argumento da origem (“foi a variedade original…”). Quando são consideradas corretas as variedades do PE e do Brasil (PB), foca-se a primazia destas (7,1%): sendo Portugal e Brasil os países onde o português é LM, os seus locutores supostamente terão um melhor domínio da LP.

2.4. Internacionalização da LP

O primeiro conceito a definir, Lusofonia, revela nas respostas obtidas o recurso aos seguintes semas: ‘espaço geográfico da LP’ (“espaço onde se fala a LP”); ‘falantes’ (“A lusofonia relacionada com o conjunto de pessoas (no mundo) que falam o português, ‘língua oficial’ (“os países que têm o português como língua oficial”). Trata-se de definições parcelares, que privilegiam três aspetos importantes que concorrem para a definição de Lusofonia: os falantes, os países e o espaço geográfico da LP (71,4%). Registamos contudo, algum desconhecimento, manifestado em não respostas/respostas inválidas (28,6%).

Sobre a CPLP, sigla comummente conhecida, e supostamente fazendo parte da bagagem cultural de estagiárias de português, o panorama é ligeiramente inferior ao anterior: 64,2%. É de referir que, na Universidade onde estudam estas participantes, tem havido várias manifestações culturais, amplamente divulgadas, de estudantes da CPLP.

Quanto à questão “O que é o valor económico de uma língua (da LP)?”, a maior parte das alunas (78,6%), iniciando-se nesta temática, foi ao encontro de alguns aspetos importantes a analisar para o valor das línguas, embora de uma forma sucinta (Calvet, 2010; Calvet & Calvet, 2012;Esperança, s/d; Reto, 2012). A resposta com maior incidência foi a sua ‘importância mundial’ (28,6%), seguida do ‘mundo do trabalho’, das ‘relações comerciais’, do ‘número de falantes’ e em último lugar a ‘atuação transversal’. Todas as alunas reconhecem a importância da difusão da LP no mundo. Os seus argumentos prendem-se com valores culturais e económicos da língua (42,8%). O número de falantes tem também algum impacto (“É uma língua bastante falada estando entre as 5 mais faladas, a sua difusão ajuda ao seu conhecimento e ao crescimento dos países de língua portuguesa”), sendo a difusão um meio para impulsionar a sua aprendizagem (28,6%). A aprendizagem seria um fim e um meio para difundir a LP, mas a Educação desempenha um papel considerável (50%), com a integração da disciplina de LP, em vários sistemas de ensino, supostamente não universitários e a sensibilização à diversidade linguística (7,1%). Este realce dado ao papel da Educação e da aprendizagem inscreve-se no perfil profissional das participantes.

Outras formas de difusão da língua mencionadas são a comunicação social, as redes sociais e os eventos que ocupam o segundo lugar nas formas consideradas prioritárias para a difusão, a par dos movimentos migratórios. Seguem-se o mercado económico e a divulgação de conhecimento. Apenas uma mestranda referiu as políticas de internacionalização da LP (“Através do estabelecimento dessa difusão como uma prioridade pelas entidades governamentais da CPLP”), como estratégia de difusão.

As razões que estas jovens alegam para a procura da aprendizagem da LP são de natureza muito variada: i) de ordem cultural e científica (42,9%) – atrás de uma língua está necessariamente uma cultura, e a língua é ainda o veículo de acesso à ciência; ii) de ordem económica – o mercado de trabalho (35,7%) facilita a deslocação para outros países de LP. Esta razão enquadra-se na situação atual de Portugal, em crise, pelo que saídas para países de LP, como o Brasil e Angola, ambos com uma economia em ascensão, têm surgido como solução para os jovens portugueses licenciados e no desemprego; iii) ligadas ao desenvolvimento económico de certos países da CPLP – o valor económico que a língua ‘ganha’ nesses mesmos países; iv) de ordem educacional – “aprender uma língua nova” é uma mais-valia; v) de ordem geográfica – expansão da LP, turismo e a internacionalização.

Recuperando o estudo de Reto (2012), no que diz respeito às motivações para a aprendizagem da LP, por parte de estudantes no estrangeiro, as respostas mais frequentes prendem-se com aspetos ligados à comunicação (importância de saber línguas, facilitação da comunicação com pessoas de outros países). Só depois surgem razões de caráter cultural (conhecimento das culturas lusófonas e aumento da cultura geral). O valor económico aparece em último lugar na tipologia encontrada pelos autores, embora no nosso estudo tenha tido um peso ligeiramente maior.

2.5. Valores da LP

As duas perguntas deste grupo direcionam-se para os valores da LP, quer de âmbito pessoal, quer de âmbito profissional.

Para o enunciado de caráter pessoal, “Para mim, a LP é…”, metade das estudantes destaca, em primeiro plano: os valores identitários, – com recurso sistemático aos possessivos ‘meu’ e ‘minha’, e de comunicação, referindo respetivamente que se trata da LM da grande maioria12e da língua de trabalho de todas. Num segundo plano, referem os valores de caráter ‘profissional (42,8%), ou seja, a língua como objeto didático: o peso histórico e cultural da LP, assim como as características da língua (aspetos estéticos e linguísticos: romântica, doce, bonita; “rica aos níveis semântico, lexical, morfológico”); por último, com 14,3%, a aprendizagem (“difícil de aprender”, “gostava de a conhecer melhor”).

Para a segunda questão: No âmbito das suas aulas de Português, que aspetos e valores destacaria aos seus alunos? Justifique (porquê e para quê), as respostas centram-se na importância da cultura portuguesa (57,1%) e do valor identitário da língua (50%). A postura ‘eu e a minha língua’ espelha-se, de novo, quando se afirma a importância de ensinar a cultura portuguesa ‘porque é a cultura materna de todos os alunos’. Como vemos, pelo próprio grupo de respondentes, nem todos os docentes de LP são portugueses, e um grande número de alunos no ensino básico português é de origem estrangeira.13Estas estagiárias destacam ainda uma abordagem que tenha em conta “a importância da LP num mundo cada vez mais multicultural (…), o valor da LP, o número de falantes, os países que têm a LP como oficial.” Nesta linha de argumentação, a favor de uma abordagem mais aberta e plural estão igualmente “a importância e o valor de todas as línguas e culturas no sentido de promover o multilinguismo e multiculturalismo e significado da interação com as diversas línguas apelando à interculturalidade”.

Quer a preocupação com abordagens interculturais (14,3%) quer com a correção linguística (14,3%) são expressas, mas sem o peso dos primeiros valores citados (histórico e cultural, identitário).

 

Reflexão final

Este estudo revelou-se-nos de especial interesse pelas questões que coloca à Educação em Português14, nomeadamente acerca das orientações e temáticas que vigoram no implícito e na imprecisão de cenários didáticos e que urge clarificar, explicitar e reorganizar. Testemunho disso é o tipo de respostas das participantes deste estudo, com pouco rigor e (quase) impressionista, com recurso a uma certa tendência egocêntrica e eurocêntrica nalgumas reações ao questionário. No entanto, nota-se uma abertura a outras modalidades e perspetivas do ensino do português, viradas para uma sociedade contemporânea.

Embora o conhecimento destas mestrandas, a nível da LP e no quadro de um mundo global, não esteja muito sustentado, serão de realçar dois aspetos referidos: i) a importância atribuída à aprendizagem e ao ensino da LP, como formas de difusão e de internacionalização da língua; ii) a importância de aprender outras línguas, como forma de comunicação e de intervenção, num mundo multicultural. Como nos diz Laborinho (2010, p. 54), “no mundo globalizado, as línguas adquirem função de passaporte que permite viajar entre mundos” e “ser cidadãos do mundo”.

Estas constatações vão ao encontro da “política de multilinguismo”15 da Comissão Europeia, que procura ainda atribuir um lugar de destaque às línguas nas empresas – com vista a adquirir/melhorar competências interculturais e linguísticas – e na comunidade – para favorecer a integração social e a compreensão entre culturas.

A (quase) ausência de estudos em Educação em Português que persigam estes objetivos parece-nos uma evidência. O desenvolvimento de projetos desta natureza terá toda a oportunidade, vindo consolidar e recolocar o português, como língua internacional, na convicção de que as línguas nos abrem portas, e a LP é, sem dúvida, a grande chave.

 

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Data de submissão: Setembro 2013
Data de avaliação: Dezembro 2013
Data de publicação: Setembro 2014

 

Notas

1 A publicação de Moreira e Howcroft (2005) apresenta já questões deste teor relativamente ao papel do ensino superior.

2 Só em dois registos encontramos a designação ‘Timor-Leste’, tendo sido mais frequente a designação do tempo colonial: ‘Timor’.

3 Este exemplo reporta-se à francofonia, mas pode ser generalizado para qualquer outra área (geo)linguística.

4 Weber (1997) apresenta uma fórmula para calcular a importância das línguas, com seis parâmetros (número de: falantes como LM, falantes como L2, falantes e de países que usam essa língua, áreas de atividades humanas principais de importância nessa língua, prestígio socioliterário da língua). Da aplicação destes critérios, na primeira posição está o inglês e, em 9ª, o Português do Brasil.

5 Modo como os falantes de uma língua se encontram repartidos pelas regiões que a falam.

6 Relação entre o número de locutores que a utilizam como L2 e o total de locutores.

7 Reto (2012) baseia-se nos dados do Barómetro de Calvet, versão 2010, e do Ethnologue, versão 2009 (16ª). Como Calvet e Calvet retomam o critério do Ethnologue, só contabilizando os falantes de LM, os dados apresentados por Reto reportam-se apenas aos locutores nativos de LP.

8A Universidade localiza-se no Centro-Norte de Portugal.

9 Para Esperança (s/d) estão incluídas nas ‘indústrias da língua’, a literatura, o cinema, a imprensa, a educação e o ensino da língua.

10 Em: www.ethnologue.com; consultado a 08.03.2013.

11 O Acordo Ortográfico, como sabemos, não afeta a língua mas só a grafia.

12 A resposta da aluna venezuelana é mais objetiva, situando-se entre ‘língua para comunicar e língua de peso histórico e cultural’.

13 A DGIDC (2009) identifica, para o ano letivo 2007/2008, 42332 alunos estrangeiros, numa população de dois milhões de alunos inscritos. Os alunos estrangeiros são sobretudo do ensino básico, e têm sobretudo as nacionalidades cabo-verdiana, angolana, guineense e ucraniana.

14 Está em curso, pelo grupo de investigadores referido em 2.1., a análise dos resultados deste mesmo questionário, passado numa universidade brasileira, com finalistas da Licenciatura em Letras/Língua Portuguesa. Também aguardamos a sua implementação numa universidade em Cabo Verde.

15 Segundo diretrizes estabelecidas pela Comissão Europeia. [Disponível em http://ec.europa.eu/languages/languages-of-europe/languages-in-specific-areas_pt.htm, consultado em 27/05/2013].