SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 número17Democracia, Direitos Humanos e Educação: Para uma perspectiva crítica de educação para os direitos humanos índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

Compartilhar


Revista Lusófona de Educação

versão impressa ISSN 1645-7250

Rev. Lusófona de Educação  no.17 Lisboa  2011

 

Editorial

 

António Teodoro, José V. Brás & Maria Neves Gonçalves

 

1. A Revista Lusófona de Educação (RLE), com este nº 17, entra no seu nono ano de publicação. Nascida no interior de uma unidade de investigação e desenvolvimento, hoje designada Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF), a RLE percorreu um duro caminho para se afirmar como uma revista de referência no campo das Ciências da Educação, ainda por cima inteiramente publicada em Língua Portuguesa.

O impacto de uma revista científica mede-se, em geral, pelas suas indexações. Nesse campo, a RLE conseguiu, em apenas oito anos, integrar os principais indexadores mundiais, incluindo o ISI Web of Knowledge e o SCOPUS. Muito poucas são as revistas científicas (mesmo de outros campos científicos) editadas em Portugal que integram esses indexadores. Mas a RLE tornou-se em 2010 a primeira revista de Educação publicada em Língua Portuguesa a quem o ISI Web of Knowledge atribuiu Impact Fator (IF), incluindo-a num lote muito selecionado de revistas: menos de 200 em todo o mundo, na sua maioria esmagadora publicadas em Língua Inglesa.

A atribuição de IF à RLE pelo ISI Web of Knowledge, mesmo que ainda baixo (0,114), coloca-a em 162º lugar num possível ranking mundial de revistas de educação, tomando como referência o seu IF. Isso coloca-nos perante o objetivo de, nos próximos 5 anos, integrar a lista dos 100 primeiros lugares. Para isso, os Conselhos de Redação e Editorial tomaram um conjunto de medidas no sentido de aumentar a qualidade, a pertinência científica e a difusão da revista, em particular em todo o mundo de Língua Portuguesa, mas abrindo-o a outros espaços linguísticos e culturais.

Nesse sentido, podemos já anunciar que a RLE passará a publicar 3 números por ano já em 2011 e recorrerá, com regularidade, a números temáticos, antecedidos sempre por um call for papers. Embora mantendo a política de só publicar artigos originais em Português, está em preparação um número especial integralmente em Inglês, reunindo um conjunto de artigos selecionados (Select Papers) publicados no período de 2003-2010.

Estas são algumas das iniciativas que vamos colocar em marcha a partir deste nº 17, o primeiro de 2011. Para isso, contamos com a exigência dos nossos leitores, a confiança dos autores que submetem os seus artigos a uma rigorosa avaliação por pares e a valiosa colaboração de um Conselho Editorial que reúne um grupo notável de professores e investigadores da área das Ciências da Educação, de Portugal, Brasil, Espanha, França, Estados Unidos, Reino Unido e México, que irá ser alargado a outros países muito brevemente.

2. Neste número, que agora se apresenta, tentou-se um re-styling da RLE ao nível sobretudo do layout das secções da revista. Continua-se a apostar na qualidade e rigor científicos e na divulgação dos resultados da pesquisa e investigação realizadas, no âmbito da educação, em diversas áreas temáticas.

Carlos Estêvão, no artigo Democracia, Direitos Humanos e Educação. Para uma perspetiva crítica de educação para os direitos humanos, apresenta três conceções de democracia: a deliberativa, a comunicativa e a democracia como direitos humanos. O autor começa por centrar o seu estudo nos direitos humanos e nas conceções de Estado,afirmandoque, naatual conjuntura do Estado neoliberal, os direitos humanos se confrontam com sérios desafios que resultam de novas conceções do papel do Estado e do mercado. Ao longo da discursividade do texto, é recorrente a ideia de que a educação se constitui como um dos lugares naturais de aplicação, consolidação e expansão dos direitos humanos.

No segundo artigo, Direitos individuais e direitos de minorias: o Estado brasileiro e o desafio da educação escolar indígena, Rita Vilanova, Claudia Fenerich e Kelly Russo, ancorando-se no referencial teórico aberto por Habermas, enfocam a análise na forte tensão existente no interior da sociedade brasileira, no que diz respeito às relações entre os diferentes grupos étnicos que a compõem. E abordam com detalhe a legislação indigenista brasileira e os seus reflexos nas políticas educacionais.

A (des) construção do saber educativo nos laços da teoria da educação foi o título do artigo escolhido por Ernesto Candeias Martins para refletir sobre as dinâmicas provenientes do universo da educação e sobre a teoria educativa que inclui, a nível conceptual, outros setores de saberes educativos como a educação não formal ou informal. Antes de proceder à abordagem à teoria da educação e à teoria na construção do saber educativo, o autor referiu-se aos antecedentes historiográficos no desenvolvimento do saber pedagógico e à evolução e ruturas da pedagogia.

José Luís Vieira de Almeida e Teresa Maria Grubisich, no artigo intitulado O ensino e a aprendizagem numa sala de aula numa perspetiva dialética, analisam, com detalhe, os conceitos de mediação, ensino e aprendizagem, discutindo referências teóricas e metodológicas reveladoras de uma conceção não linear da relação entre ensino e aprendizagem e os seus efeitos na sala de aula.

No quinto artigo intitulado Currículo, Aprendizagem e Avaliação. Uma abordagem face à agenda globalizada, José Augusto Pacheco procede a uma abordagem integrada de currículo, aprendizagem ao longo da vida e avaliação. Ao analisar e problematizar cada um destes conceitos, o autor sustenta a forte interdependência destes conceitos, uma vez que as aprendizagens, em função dos contextos formais, não formais e informais, são de natureza curricular e são validadas por processos e práticas de avaliação.

Carlos Nogueira, no artigo Os textos da tradição oral portuguesa no 3.º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, pretende, através de uma nova abordagem científica, pedagógica e didática, valorizar o património literário oral e, consequentemente, dar mais visibilidade a textos da tradição oral portuguesa, presentes nos curricula dos ensinos básico e secundário, mas ainda não explorados devidamente nas suas virtualidades comunicacionais, literárias e culturais.

Estética e arte na formação do professor da educação básica, da autoria de Adair de Aguiar Neitzel e Carla Carvalho, constitui o sétimo artigo. Tem, como objetivo, avaliar o impacto do ensino da música, da linguagem cénica, da literatura e das artes visuais na prática pedagógica do professor, tendo como arco de estudo as conceções dos docentes dos anos finais do Ensino Fundamental de uma rede de ensino de um município brasileiro.

Maria de Fátima Cerqueira e Alcina Manuela de Oliveira Martins são as autoras do oitavo artigo intitulado A consolidação da Educação e Formação Profissional na Escola Secundária nos últimos 50 anos em Portugal. Ao compulsarem diversos autores de referência neste domínio, as autoras analisam o acréscimo da importância do ensino secundário no sistema educativo, refletindo sobre a imagem do ensino profissional que, apesar de algumas descontinuidades, se consolidou na compleição do sistema educativo português.

Educação e autarquias. Lógicas de ação do poder autárquico face ao poder central e aos micro-poderes locais,da autoria de António Francisco Baixinho, aborda, por um lado,as dinâmicas e astensões entre o local e o centro e, por outro, a colaboração entre o Poder Central e a Administração Local, no campo educativo. Segundo o autor, o Poder Local passa a intervir cada vez mais na ação educativa ao liderar e planear políticas educativas locais mais ou menos explícitas, ao apoiar os estabelecimentos de ensino, ao implementar ou coadjuvar a concretização de diversos projetos de parceria e ao investir em técnicos, equipamentos e infraestruturas.

Margarida Pinheiro, Cláudia Sarrico e Rui Santiago, no décimo artigo intitulado Competências de autodesenvolvimento e metodologias PBL num curso de contabilidade: perspetivas de alunos, docentes, diplomados e empregadores, centram o seu estudo na metodologia PBL (quer numa vertente de project-based learning quer de problem-based learning) que tem vindo a ser utilizada nas mais variadas áreas e programas profissionais. Os autores sustentam que os resultados conseguidos com os alunos, diplomados e docentes os levam a afirmar que as metodologias PBL não só otimizam a lógica do empreendedorismo como contribuem para o desenvolvimento de competências pessoais, essencialmente ao nível da utilização de recursos e da construção do conhecimento.

Os autores, Claudemir de Quadros e Maria Stephanou, analisam no décimo primeiro artigo a reforma educacional, implementada no Estado do Rio Grande do Sul (Brasil) nos anos 30 a 50 do século XX. O diploma em estudo constituiu um amplo campo de práticas culturais e pôs em destaque os discursos pedagógicos, cívicos, higienicistas e o da religião católica, introduzidos como tecnologias para reestruturação do modo como os indivíduos deviam ser vistos e definidos.

No décimo segundo artigo, Uma Análise da Satisfação e da Motivação dos Docentes no Ensino Superior Português, os autores Maria de Lourdes Machado, Virgílio Meira Soares, Rui Brites, José Brites Ferreira, Minoo Farhangmehr e Odília Gouveia pretendem identificar os fatores que se relacionam com a satisfação e a motivação do pessoal docente no ensino superior. Na fundamentação teórica mobilizam, naturalmente, diversos autores de referência nesta área do saber e concluem que o desempenho do pessoal docente, como professores e investigadores, tem impacto na aprendizagem dos alunos e na qualidade da instituição. Os autores pretendem compilar os dados em documentos para divulgação e distribuição e querem também dar feedback aos participantes do estudo e às instituições de ensino superior para que estas possam utilizar os resultados para delinear políticas e mudanças necessárias.

Na secção Recensões, Manuela Marques procede a uma análise detalhada da obra Em busca da boa escola. Instituições eficazes e sucesso educativo, de Jorge Ávila de Lima (2008), obra essa que, segundo o autor, surgiu quer do ensejo de investigar “o que é uma boa escola” e como identificá-la quer de saber se as escolas produzem efeitos no desempenho e desenvolvimento dos estudantes. O livro recenseado mostra, por um lado, que o movimento da eficácia estimulou, de forma informada, a reflexão e a autoavaliação dos professores e das instituições educativas e, por outro, que a eficácia depende não só da produtividade escolar, mas também da adaptabilidade e da coesão organizacional.

Maria do Céu Gonçalves analisa, por sua vez, a obra Da Ética à Utopia em Educação. Nos tempos que correm esta problemática é axial para qualquer reflexão que se queira fazer no domínio da educação. No momento em que o pensamento dominante parece curvar-se face à eficácia e utilidade das tecnologias, despojado de valor humano, este livro surge em contracorrente e como uma lufada de ar fresco. Hana Jonas, Fátima Fernandes, Hannah Arendt, Paula Leitão e ainda Paul Ricoeur são as grandes referências que dão corpo às diversas incursões que são realizadas no texto do livro. Maria do Céu convida-nos a uma leitura fascinante para os tempos sombrios que vivemos. Como sugere o título do livro, precisa-se de ética para alcançarmos a utopia que a educação necessita. 

Maria Clara Boavista recenseia o livro Escola – Família, uma Relação Armadilhada: interculturalidade e relações de poder, de Pedro Silva. Trata-se de uma obra de referência para o estudo da complexa teia das relações escola-família, onde o autor, a par duma reflexão teórica e conceptual sobre esta problemática, apresenta resultados obtidos num estudo etnográfico realizado em três escolas do 1º ciclo (Amora, Cruzeiro e Segrel), durante o período de dois anos letivos. Na obra em análise, é enfocada a necessidade dos professores incentivarem as famílias a colaborarem com e escola no sentido de melhorarem as aprendizagens dos seus educandos.

Na secção Notícias é divulgada a criação do Observatório de Políticas de Educação e Formação, decorrente do protocolo assinado entre o Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF), da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e o Centro de Estudos Sociais (CES), da Universidade de Coimbra. A participação de membros do CeiEF e de docentes da ESE Almeida Garrett, em eventos científicos internacionais, bem como a criação de um referencial interno de avaliação da qualidade da investigação da Universidade de Aveiro integram também esta secção.

No cumprimento de uma das rubricas da política editorial da Revista Lusófona da Educação, divulgam-se alguns dos resumos de Teses de Doutoramento e de Dissertações de Mestrado defendidas no Instituto de Educação da Universidade Lusófona.

Recife & Lisboa, abril de 2011