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Revista Lusófona de Educação

versão impressa ISSN 1645-7250

Rev. Lusófona de Educação  n.15 Lisboa  2010

 

Seminário

A Educação em Diálogos Transculturais

 

Madalena Mendes

 

No dia 11 de Fevereiro de 2009, realizou-se na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, o Seminário subordinado à temática A Educação em Diálogos Transculturais, promovido pelo Instituto de Ciências da Educação – UID – OPECE, em colaboração com o Instituto Paulo Freire de Portugal. O Seminário contou com a participação dos seguintes conferencistas: Prof. Doutor José Luís Vieira de Almeida (Universidade 9 de Julho UNINOVE, S. Paulo, Brasil), Prof. Doutora Teresa Maria Grubisich (Academia da Força Aérea, Pirassununga, SP, Brasil), Prof. Doutor José Eustáquio Romão (Universidade 9 de Julho UNINOVE, S. Paulo, Brasil e Instituto Paulo Freire do Brasil) e Doutoranda Madalena Mendes (UID-OPECE e Instituto Paulo Freire de Portugal).

Na primeira conferência, intitulada “Cultura Educação e Mediação”, José Luís Vieira de Almeida, a partir da consideração de que o ser humano, na sua dimensão social e histórica, é produtor de riqueza e de cultura, abordou o fundamento ontológico da educação escolar, com base na lógica dialéctica, na ontologia do ser social e na categoria de mediação.

Teresa Maria Grubisich, na conferência intitulada “Arte, Literatura e Educação – Diálogos”, teceu uma leitura da intertextualidade em “Chapeuzinho Vermelho”, de Millôr Fernandes, e “Fita verde no cabelo - nova velha história”, de João Guimarães Rosa, analisando a forma como estes autores dialogam com o conto antigo, resignifi cando-o, a partir da actualização da sua linguagem e da inserção das personagens noutro espaço cultural.A partir disso, defendeu a importância da obra de arte na escola para ser fruída, interpretada e para motivar o exercício de outras apropriações ou elaborações, modificando, dessa forma, a qualidade do espaço escolar ao torná-lo dialógico. Mais salientou que os agentes envolvidos no processo de criação ou recriação de um objecto estético, sócio-cultural e histórico, por meio das múltiplas interacções possibilitadas por essa experiência, tornam-se capazes de reconhecer o mundo como manejável, como uma construção social e, assim, de intervir significativamente na sociedade e na cultura.

Madalena Mendes, na conferência intitulada “Educação e Literatura – Mia Couto e as Epistemologias da Mestiçagem”, fez uma leitura sociológica da obra do escritor-poeta nos trilhos de uma outra legibilidade das fracturas introduzidas pelos cânones etnocêntricos, em prol de uma nova geopolítica do conhecimento perfilada no reconhecimento da pluralidade e multiplicidade dos conhecimentos e dos espaços e lugares da sua enunciação. Mais salientou a importância da obra de Mia Couto, projecto clinámico inscrito na falinvenção das razões silenciadas (Santos), fronteiriças (Mignolo) mestiças (Ribeiro), híbridas (Canclini) e oprimidas (Freire), enquanto referência incontornável para se repensar a literatura, a linguagem, o dinamismo da língua, a História e o lugar nela, dos sujeitos e da multiplicidade mestiça das suas identidades.

O seminário terminou com a conferência intitulada “Educação e Razão Literária - Guimarães Rosa e a Razão Infantil”, proferida por José Eustáquio Romão. A partir do trabalho que vem desenvolvendo sobre o estudo das Razões Oprimidas, com base na reinvenção do legado de Paulo Freire, o conferencista reconheceu que a racionalidade literária e a infantil têm vindo a ser desqualificadas no mundo que lida com a construção do conhecimento válido.Assim, com base na obra do romancista brasileiro João Guimarães Rosa, o conferencista analisou a forma como o escritor tenta resgatar, simultaneamente, ambas as racionalidades oprimidas, especialmente no Conto “Miguilim”, pela reflexão de um menino sobre os dramas humanos, em particular do amor em todas as suas dimensões.

As perspectivas inovadoras dos conferencistas e a interação com os participantes fizeram deste espaço um entre-lugar dialógico, intertextual e transcultural muito rico.