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Revista Lusófona de Educação

versão impressa ISSN 1645-7250

Rev. Lusófona de Educação  n.15 Lisboa  2010

 

A morte de Rogério Fernandes: a perda de um Investigador, de um Professor e de um Amigo

 

Rosa Serradas Duarte, Manuel Tavares, António Teodoro

 

Na manhã do dia 4 de Março, bem cedo, fomos surpreendidos pela notícia da morte de Rogério Fernandes, Professor Catedrático jubilado da Universidade de Lisboa e, seguramente, um dos mais lúcidos intervenientes no debate sobre os problemas da educação e do ensino desde os anos 1960 até aos nossos dias.A sua obra fica a atestar a riqueza do seu contributo. Rogério Fernandes dirigia, com entusiasmo contagiante, como Investigador Responsável, no Centro de estudos e intervenção em Educação e Formação, do Instituto de Ciências da Educação, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (CeiEF) um projecto de Investigação Financiado pela FCT sobre o Associativismo e Sindicalismo Docentes, (Percursos do Associativismo e Sindicalismo Docentes, em Portugal - 1890-1990), assunto que tanto o interessava e a propósito do qual ousou militar e escrever, quando, em tempos difíceis, que muitos já esqueceram e outros não conheceram, era preciso ser corajoso para, na inexistência dos direitos de associação, de reunião e outros, afirmar e reafirmar a necessidade de liberdade e o direito à livre associação dos professores.

A sua vasta obra científica, particularmente na área da História da Educação, a sua actividade como jornalista, escritor e tradutor, bem como o seu prestígio nacional e internacional, falam por si. A Educação e o Ensino devem a Rogério Fernandes (um dos que o regime de Salazar afastou do Ensino) uma grande reflexão crítica.A sua obra é incontornável para quem estude a Educação e o Ensino, em Portugal. Todos lhe devemos ter sido o protagonista do início da modernização do Ensino Básico no pós 25 de Abril pela acção que desenvolveu, enquanto Director Geral do Ensino Básico entre 1974 e1976, com especial destaque para a modernização do, então, Ensino Primário.

Mas é na sua qualidade de cidadão íntegro, coerente e exemplar, que gostaríamos também e sobretudo de o recordar porque, na maioria dos casos, temos tendência a esquecer e a não enaltecer estes valores naqueles que, ao longo de décadas e décadas de vida e com o sacrifício de pagar tributos, muitas vezes elevados, foram capazes de manter as suas convicções.

Habituámo-nos a ver no Rogério uma permanente disponibilidade para começar “coisas” novas, para ajudar e incentivar os outros a trilhar também novos caminhos, sem medo, aceitando o risco.Tudo isto com a experiência de quem já passou por muitos revezes e conseguiu sair, sempre, deles mais rico e com mais saber.

A equipa de investigadores do projecto que liderava sente, profundamente, a sua falta. Cabe, agora, a Rosa Serradas Duarte conduzir a equipa que integra o projecto do Associativismo e Sindicalismo Docentes. Segui-lo, tendo por pano de fundo os alicerces que o Rogério tinha lançado e, com toda a equipa, levar até ao fim e tão bem quanto formos capazes a obra que, com tanto entusiasmo, se tinha proposto concretizar, será o nosso compromisso. Em sua memória, cumpriremos.

É com tristeza e com saudade que este projecto deixou de poder contar com o seu principal mentor, inesperadamente desaparecido naquele triste dia 4 de Março.

Ao amigo poderemos dizer: até sempre.

 

Lisboa, Maio de 2010