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Revista Lusófona de Educação

versão impressa ISSN 1645-7250

Rev. Lusófona de Educação  n.6 Lisboa  2005

 

Natércia da Luz Tira Picos Boeiro Morgado (2005)

Trabalhos para casa: práticas, funções e significados. Perspectiva dos professores do Ensino Básico, 1.º Ciclo

Orientação: Prof. Doutor Jorge Pinto

O presente estudo tem como ponto de partida o interesse pelo funcionamento da Escola do 1.º Ciclo, pelos seus ritmos, natureza e funções, onde estão inseridas as tarefas de natureza escolar, que são realizadas fora do tempo curricular, normalmente designadas de “TPC”. Assim, ao potencializar a reflexão sobre a prática pedagógica permite, simultaneamente, aprofundar em termos teóricos, alguns dos problemas com que a autora do estudo se confronta profissionalmente. Interessa, pois, questionar o valor e a importância que vulgarmente é atribuída aos “TPC”, visto que são tidos como um meio que os professores utilizam para os alunos consolidarem aprendizagens, desempenhando funções didácticas ao longo de diversos anos de escolaridade do 1.º Ciclo. Por consequência, procurou-se responder à questão: Quais são hoje, no 1.º Ciclo, os usos e as funções dos “TPC”?. Assim, para responder a esta questão estudaram-se os usos que os professores atribuem aos “TPC” e as funções que desempenham no processo ensino-aprendizagem e procurou-se igualmente saber se, ao prescrevê-los, os docentes têm em vista as condições de realização destas tarefas escolares, para que não se tornem ineficazes e inúteis. Aquela questão foi levantada também por se julgar que os “TPC” são precisamente uma prática que continua a ser bastante utilizada no sistema de ensino português. O uso corrente desta prática reflecte-se não só no próprio conceito de “TPC”, como também na concepção de mudanças estruturais; apesar de reconhecer-se que, ao nível da estrutura das mentalidades práticas, as mudanças são lentas e difíceis de operar, comparativamente a outro tipo de estrutura. Assim, com o objectivo de conhecer melhor a problemática à volta dos “TPC”, procedeu-se, primeiramente, a uma revisão da literatura onde se abarcam os problemas organizativos e de funcionamento pedagógico relativamente ao 1.º Ciclo, e onde se tenta também compreender diferentes concepções de modelos de ensino- aprendizagem, em que são abordados, essencialmente, dois modos de actuação, um de carácter mais transmissivo em oposição a uma visão mais construtivista. Em conclusão, os resultados apontaram para que o uso dos “TPC” nos dias de hoje, seja ainda urna prática corrente, constituída essencialmente por tarefas repetitivas. São ainda vistos como um instrumento de construção da própria imagem do aluno. Uma grande maioria de docentes prescreve “TPC” iguais para todos os alunos, não tendo em conta as condições que estes têm ao realizá-los, comprometendo a premissa da “igualdade de oportunidades” tão defendida por autores como Perrenoud (1995) ou Meirieu (1999). Os dados apontam ainda para uma diferenciação nos “TPC” prescritos, não tanto a nível das zonas/meios onde os docentes leccionam, mas mais a nível das posturas pedagógicas adoptadas, ou seja, parece ser precisamente a forma de trabalhar que influencia o modo e o tipo de tarefas prescritas.

 

The present study has, as starting point, interests for the functioning of the School in the 1st grade, for their rhythms, nature and functions; where tasks of school nature, usually designated homework (in Portuguese nominated as “TPC”), are inserted and accomplished out of the curricular time. Increasing the reflection about pedagogic practice, allows us simultaneously to intensify, in theoretical terms, some of the problems with that we have been confronting professionally. Therefore, interests to question the value and the importance that commonly is attributed to “TPC”, because they are the way that teachers are using for students improved their learning and carry out didactics functions along several years of education in the 1st grade. For consequence, we looked for to answer the question: Which are today, in the 1st grade, the uses and the functions of “TPC”? Thus, to answer to this subject we try to know better the uses that the teachers attribute to them and the functions that carry out, in the process teachinglearning. Simultaneously, we looked to know if the teachers, when prescribing homework, have in account the pupils conditions to realize the school work, so that these tasks do not become inefficacious and useless. This interrogation was also raised by judging if the “TPC” is precisely one of the practices that continues to be quite used in the Portuguese educational system. The current use of this practice reflects in the concept of “TPC” and also in the conception of structural changes; in spite of recognizing that, structure changes in practical mentalities are slow and difficult of operating, comparatively to other structure type. Then, with the objective of knowing the problematic associated to “TPC”, first of all, we made a revision of the literature where the problems are embraced, correlated with organization and pedagogic functioning, in turn of the 1st grade. The review of the literature also intents to understand the conceptions of teaching-learning models, in that is made, essentially, an approach of two different ways of teaching performance: one, with a character more transmissible in opposition to another, with a more constructivist vision. In this investigation, we started at understanding the current reality of homework. In conclusion, the results appear so that the use of “TPC”, nowadays, is still an average practice, constituted essentially by repetitive tasks. They are still seen as an instrument of construction of the student’s own image. A great majority of teachers prescribes equal “TPC” for all the students, not having in account the conditions that the students have when accomplishing them, compromising the premise of the “equality of opportunities” so defended by authors like Perrenoud (1995) or Meirieu (1999). The data had still pointed to a differentiation in prescribed “TPC”, not so much at level of the zone/region where the teachers work, but more at level of the pedagogic posture adopted, in other words, it seems to be precisely the form of working that influences the way and the type of prescribed tasks.