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Revista Portuguesa de Ciências do Desporto

versão impressa ISSN 1645-0523

Rev. Port. Cien. Desp. v.7 n.1 Porto jan. 2007

 

Avaliação, controlo e monitorização da condição física da selecção portuguesa de voleibol sénior masculina – época de 2004

Carlos Carvalho

Luísa Vieira

Alberto Carvalho

Laboratório do Movimento Humano, Instituto Superior da Maia, Portugal

 

RESUMO

O presente estudo teve os seguintes objectivos: (i) ajustar procedimentos de avaliação e controlo da condição física  dos voleibolistas (força, potência, velocidade, agilidade, resistência e flexibilidade) a fim de obter dados credíveis e úteis, em laboratório e em testes de terreno; (ii) colaborar na prescrição de programas de treino de preparação física; (iii) monitorizar os resultados da condição física da Selecção Portuguesa de Voleibol e quantificar as alterações em dois momentos de avaliação e (iv) estabelecer valores de referência nacional das principais características e capacidades atléticas exigidas no voleibol.

A amostra foi constituída por 10 atletas que fizeram parte da Selecção Portuguesa de Voleibol sénior masculina na época de 2004. Estes jogadores foram submetidos a avaliações antropométricas e ao nível das principais capacidades motoras. Para a avaliação da força máxima (fmáx), realizaram os seguintes testes: leg extension, leg press e para a força rápida, o lançamento da bola medicinal. Para a força de impulsão vertical, utilizámos os testes: squat jump (SJ); drop jump (DJ) 40 cm; counter movement jump (CMJ), CMJ com bloco, CMJ com remate e potência mecânica média (PMM) 15seg. A força isocinética dos extensores e dos flexores do joelho (90 e 360º/seg) foi avaliada com dinamómetro isocinético. No que respeita à velocidade, resistência e flexibilidade, os atletas realizaram, respectivamente, os testes: Japonês, 10 metros sprint e “take-off reactive test”; Yo-Yo; flexão frontal do tronco e rotação de ombros. Os testes executaram-se em Março e Julho de 2004 no Laboratório do Movimento Humano do ISMAI. Em todas as variáveis foram calculadas as médias e desvios padrão. Para a análise comparativa dos principais componentes foram verificadas as diferenças de valores entre os dois momentos de avaliação com recurso ao teste de significância pelo “test student-t” (emparelhado).

Pela análise dos resultados constatamos que os atletas da Selecção Nacional apresentam resultados bastante idênticos do 1º para o 2º momento de avaliação. Tal facto é comprovado já que na grande maioria das variáveis (3 excepções num universo de 26) não encontrámos diferenças estatisticamente significativas (p≤0,05). Constatamos, no entanto, incrementos dos valores médios de fmáx. isométrica de 3,3% (147,5 vs 152 Kg) e ganhos da fmáx. dinâmica de 5,7% (229 vs 242 Kg) que foram estatisticamente significativos (p=0,028). Na força isocinética dos antagonistas encontrámos aumentos em ambos os membros inferiores e em ambas as velocidades angulares avaliadas, o que corresponde a um atenuar dos desequilíbrios agonista/antagonista. Em nenhum dos testes de força de impulsão vertical se verificaram diferenças significativas. Constatamos melhorias percentuais de 3,6; 1,7; 1,1 e 2% respectivamente no SJ (41,1 para 42,6 cm), no DJ (39,7 para 40,4 cm), no CMJ (43,5 para 44 cm) e na PMM (38,7 para 39,5 cm). Nos testes de impulsão mais específicos como são o CMJ c/ bl e o CMJ c/rt deparámos com ligeiros decréscimos da ordem dos 2,3 e 1,8%; 55,1 para 53,8 cm no primeiro teste e no segundo de 68,8 para 67,5 cm. Os resultados da resistência aeróbia foram melhores no 2º momento, concretamente, de 612 para 688 m, percentualmente de 12%. Genericamente, podemos dizer que a condição física da Selecção Nacional de Voleibol evidenciou algumas melhorias, nomeadamente, ao nível da força, da potência e da resistência.

Palavras-chave: avaliação da condição física, características e capacidades atléticas dos voleibolistas, rendimento desportivo, voleibol

 

ABSTRACT

Assessment, control and monitoring of physical condition of the senior national portuguese male volleyball team - season of 2004

 

The present study had the following goals: (i) to adjust proceedings of assessment and control of the volleyball players’ physical abilities, in order to get valuable and recognized data, both in the  laboratory and through field tests, about their performance in fitness condition; (ii) to contribute to the prescription of training programmes; (iii) to monitor the results of physical fitness of the senior national Portuguese male volleyball team and to quantify the changes between two moments of evaluation; (iv) to establish national reference of the main characteristics and athletic abilities required in volleyball.

The sample involved 10 athletes that played in the National Volleyball Team in the season of 2004. The players were submitted to anthropometric measurements (weight and height) along with the assessment of the main physical abilities. In the maximal strength evaluation, the athletes performed the following tests: leg extension (isometric) and leg press (dynamic), for muscular power we used the medicinal ball. In the assessment of the maximal vertical jump they performed: squat jumps (SJ); drop jumps of 40cm (DJ), counter movement jumps (CMJ); and spike and block counter movement jumps. The isokinetic force of extensors and flexors of the knee (90 and 360º/sec) was assessed using an isokinetic dynamometer. The athletes used the Japanese test, 10 metres sprint and “take-off reactive test” to assess speed; the Yo-Yo test was used to assess the intermittent aerobic endurance and the Shoulder rotation and frontal flexion of the trunk to measure flexibility. The assessment took place in March and July 2004 at the Human Movement Laboratory, the Institute of Maia. All values of general average and pattern deviations were reported. Significant differences between both periods of assessment were calculated using the student’s test-t (paired).

Examining the results we can report that the athletes of the National Team showed very similar results in both periods of assessment. Such fact is confirmed since the big majority of variables did not show significant differences (only 3 exceptions in 26) (p≤.05).  We can observe an increment of the average values of isometric maximal force of 3,3% (147,5 vs 152 kg) and gains of dynamic force of 5,7% (229 vs 242 kg) that were statistically significant (p=.028). In the isokinetics force of antagonist muscles we have found an increase of both limb muscles and angular speeds. In none of the tests of vertical impulsion strength could we confirm significant differences. We have found percentage gains of : 3,6; 1,7; 1,1 and 2% respectively in SJ (41,1 up to 42,6 cm), in DJ (39,7 up to 40,4 cm), in CMJ (43,5 up to 44 cm) and in PMM (38,7 up to 39,5 cm). However the impulsion tests of the more specific movements like spike and block CMJ observed a slight decrease of about 2,3 and 1,8%, (55,1 down to 53,8 cm) in the first test and in the second one the results were of 68,8 down to 67,5 cm. The endurance results in the second period of assessment were better; to be exact, they were of 612 to 688 metres, increase of 12%. Generally, we can say that the physical condition of the National Volleyball team has showed some improvement, i.e., it is stronger and more powerful and showing better endurance.

Key-Words: assessment of physical fitness, characteristics and athletics abilities in volleyball, Sport Performance, volleyball

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text only available in PDF format.

 

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CORRESPONDÊNCIA

Carlos Carvalho

Laboratório do Movimento Humano, Instituto Superior da Maia

Av. Carlos Oliveira Campos

4474-690 Avioso S. Pedro

e-mail: ccarvalho@ismai.pt