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Psicologia, Saúde & Doenças

Print version ISSN 1645-0086

Psic., Saúde & Doenças vol.15 no.3 Lisboa Dec. 2014

http://dx.doi.org/10.15309/14psd150310 

Perfis parentais com base nas práticas educativas e alimentares: análises por agrupamento

Children’s perception about parental educative and feeding practices: a cluster analysis

 

Ana Paula Franco Mayer1 , Lidia Natalia Dobrianskyj Weber 1,2 & Claudia Tucunduva Ton 1

1 Núcleo de Análise do Comportamento (NAC), Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brasil;

2 Departamento de Psicologia e de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal do Paraná

 

Endereço para Correspondência

 

RESUMO

Esta pesquisa analisou a relação entre estilos parentais, práticas alimentares e o desenvolvimento nutricional dos filhos. A partir dos dados coletados por meio de 139 questionários respondidos por crianças entre 10 e 14 anos, matriculadas em escolas públicas de uma cidade do interior do Paraná (Brasil), foi realizada uma análise de cluster por segmentação da amostra. Esta análise agrupou mães e pais de acordo com a semelhança em suas práticas educativas alimentares percebidas pelos filhos participantes da pesquisa. Características socioeconômicas, práticas e estilos educativos globais e o IMC (índice de massa corporal) de pais e filhos foram relacionados aos perfis identificados. Foi verificada a relação entre estilos parentais, práticas alimentares maternas e paternas e o desenvolvimento nutricional dos filhos. Variáveis como situação conjugal, trabalho materno, gênero dos filhos, número de irmãos, IMC parental, desempenho acadêmico da criança, paterna e nível socioeconômico da família revelaram-se importantes na identificação dos perfis comportamentais de pais e mães. Por fim, verificou-se uma relação não linear entre o repertório educativo global de pais e mães e o repertório ligado à alimentação dos filhos. Isso pode constituir um indicativo da necessidade de divulgar e preparar pais e mães para a educação alimentar e deve ser levado em conta para traçar estratégias de prevenção e promoção do desenvolvimento e da saúde familiar.

Palavras-chave - Relações pais-filho, Práticas educativas alimentares, Estilos parentais, Desenvolvimento Infantil.

 

ABSTRACT

This study analyzed the relationship between parenting styles, maternal feeding practices, and children’s nutritional development. A cluster analysis of data collected from 139 children between the ages of 10 and 14 was conducted by segmenting the sample in a cluster analysis. The students in the study attended public schools in a town in the state of Parana (Brazil). This analysis grouped mothers and fathers according to similarities in their feeding education practices, as perceived by their children, describing profiles of parental feeding education. Socioeconomic status, global educative practices, parental styles, and parents’ and children’s BMI (Body Mass Index) were related to the profiles identified. Variables such as marital status, maternal employment, gender of children, number of siblings, parental BMI, child's academic performance, parental education, and family income proved to be important in the identification of behavioral profiles of mothers and fathers. A nonlinear relationship was identified between the overall educational repertoire of parents and their repertoire on the feeding of children. This may indicate a need to publicize and prepare parents for feeding education, and to devise prevention and promotion of development and family health strategies. Although a comprehensive analysis of models and moderating functions has not been possible, important variables for feeding education and child development have been identified.

Key- words - parent-child relations, feeding practices, child development.

 

A obesidade tem sido considerada fonte de preocupação mundial (Campos, Leite, & Almeida, 2006), pois nos últimos anos as taxas de sobrepeso e obesidade infantil têm aumentado cada vez mais e têm sido apontadas como uma epidemia (Mello, Luft, & Meyer, 2004). Esse aumento da prevalência da obesidade motivou o desenvolvimento de inúmeros estudos. Em relação aos efeitos da obesidade, a pessoa afetada pode apresentar hipertensão, diabetes mellitus, doença coronariana, apneia do sono, derrame, aumento do colesterol e triglicerídeos, problemas ortopédicos e alguns tipos de câncer (Campos et al., 2006; Coutinho, 1998), além de menor índice de emprego, timidez e problemas de relacionamento afetivo (Luiz, Gorayeb, Liberatone, & Domingos, 2005). Desde a infância, a pessoa pode apresentar prejuízo no desenvolvimento de habilidades sociais, baixa autoestima e autoconceito pobre, depressão, distúrbios da autoimagem e sofrer discriminação (Repetto, Rizzolli, & Bonatto, 2003).

Em relação às causas da obesidade, as pesquisas têm indicado determinação por múltiplas etiologias (Dehghan, Akhtar-Danesh, & Merchant, 2005; Oliveira, Cerqueira, Souza, & Oliveira, 2003), sendo que há influência de fatores biológicos, metabólicos, fisiológicos, comportamentais, psicológicos e socioeconômicos (Butte, 2009; Oliveira, Oliveira, Almeida, & Oliveira, 2007) . Entre os fatores já estudados estão o tabagismo materno gestacional (Novaes, Lamounier, & Franceschini, 2009), estilo de vida sedentário e fatores genéticos predisponentes (Mulder, Kain, Uauy, & Seidell, 2009).

O rápido aumento da prevalência da obesidade em uma população geneticamente estável indica a importância dos fatores ambientais (Mulder et al., 2009) que, se modificados, podem atuar no controle do fenômeno de epidemia. Para tanto, é necessário verificar os diversos contextos em que a criança está inserida, em especial, a família e a escola.

Mostrando a relevância de estudar a família, Skinner (2003, p. 438) afirma que a dinâmica familiar é essencial ao desenvolvimento: “a família funciona como uma agência educacional ao ensinar a criança a andar, a falar, a comer de uma dada maneira, a se vestir e assim por diante”. A Análise do Comportamento aponta para a influência das relações familiares, enquanto ambiente determinante dos comportamentos disfuncionais, enquanto aqueles que geram consequências prejudiciais ao indivíduo, ligados à obesidade da criança (Barbosa, Ribeiro, & Neves, 2009).

No ambiente familiar, os estilos educativos parentais vêm sendo alvo de estudo de diversas ciências nos últimos anos. Entende-se que o clima familiar pode adquirir um caráter de prevenção a muitos problemas de comportamento ou, ao contrário, constituir um fator de risco ao desenvolvimento infanto-juvenil. A família pode, portanto, contribuir para as práticas de consumo de alimentos ricos em gordura e com alto valor calórico, excessivo sedentarismo e aumento de hábitos que não geram gasto calórico, como assistir à televisão e usar vídeogames e computadores demasiadamente, podendo levar à obesidade.

Por outro lado, é muito frequente os pais falharem no reconhecimento do sobrepeso de seus filhos (Chuproski & Mello, 2009; Watkins, Clark, Foster, Welch, & Kasa-Vubu, 2007) e não terem consciência das consequências da obesidade para a saúde (Oliveira et al., 2007). Existem também situações em que os pais reconhecem o excesso de peso dos filhos, mostram-se preocupados, mas mantêm comportamentos ineficazes de modificar os hábitos alimentares das crianças, por falta de informação ou dificuldade em manejar seu próprio comportamento alimentar (Souza, Heller, Anjos, & Aguirre, 2003).

Dessa forma, as estratégias que os pais utilizam para alimentar seus filhos podem ser um fator de risco no desenvolvimento da obesidade na infância (Ventura & Birch, 2008), além, é claro, dos genes que os pais passam para seus filhos (Birch & Fisher, 2000). Muitas pesquisas internacionais deixam claro que os pais têm papel ativo no desenvolvimento das preferências e hábitos alimentares, bem como do peso das crianças (Musher-Eizenman & Holub, 2007; Philipsen & Philipsen, 2008).

Um ponto importante para a realização de um trabalho nesse contexto é levar em conta a opinião das crianças sobre seus genitores, pois os pais tem uma tendência de se perceberem mais adequados quando comparados com a percepção que os filhos têm sobre eles (Weber, Prado, Viezzer, & Brandenburg, 2004). Além de saber o que fazer para educar bem uma criança, também é importante saber se o que se está fazendo para educar uma criança é interpretado por ela como se espera (Weber et al., 2004), seja na educação global, seja na educação alimentar.

As estratégias comportamentais específicas empregadas pelos pais para controlar tipo e quantidade de alimentos que seus filhos comem são chamadas práticas de alimentação (Ventura & Birch, 2008). As práticas de alimentação utilizadas pelos pais e a experiência que as crianças têm com os alimentos contribuem para a formação da maioria das preferências alimentares; poucas são as preferências determinadas pela genética (Ventura & Birch, 2008). Portanto, as práticas alimentares contemporâneas são derivadas das culturas, das tradições e das experiências familiares.

De modo geral, as pesquisas sugerem que as práticas de alimentação infantil utilizadas pelos pais com seus filhos podem estar relacionadas com o comportamento alimentar das crianças (Birch & Fisher, 1998; Ventura & Birch, 2008) e com o peso da criança (Ventura & Birch, 2008). Os pais precisam entender o alto custo para o desenvolvimento saudável quando usam práticas coercitivas na alimentação dos seus filhos e apresentam comida como recompensa ou para aliviar estados emocionais das crianças. Outras práticas alimentares devem ser adotadas no lugar destas (Farrow & Blissett, 2008), porém isso não é imediato, pois exige dos pais mudanças nas crenças, atitudes e envolve a constatação sobre a ameaça à saúde das crianças pela atual disponibilidade de alimentos na sociedade (Birch, 2006).

 

MÉTODO

Participantes

Participaram da pesquisa 139 alunos das 5ª e 6ª séries do ensino fundamental, em duas escolas públicas localizadas no interior do Paraná. Os alunos tinham idade entre 10 e 14 (idade média=11,45; desvio padrão de 1,06), sendo 64% do sexo feminino (n=87) e 36% (n=50) do sexo masculino.

Material

Como material, foram utilizados um questionário de identificação das famílias (idade da criança, data de nascimento, gênero, reprovação escolar, série, período em que estuda, número de moradores da casa e de irmãos, se a criança participante da pesquisa apresenta algum problema de saúde que interferem no peso, situação conjugal dos pais, peso e altura dos pais).

Outro instrumento foi o Critério de Classificação Econômica Brasil25, que segundo o IBOPE (2008), enfatizasua função de estimar o poder de compra das pessoas efamílias urbanas, abandonando a pretensão de classificara população em termos de “classes sociais”, mas adotando o de “classes econômicas”. Para essa escala as crianças responderam as questões sobre a quantidade dos seguintes itens que existem na sua casa: televisão em cores, rádio, banheiro, automóvel, empregada mensalista, máquina de lavar, videocassete e/ou DVD, geladeira, freezer. As respostas classificam as famílias em classes socioeconômicas de A a D.

As Escalas de Exigência e Responsividade que avaliam os estilos parentais foram criadas por Lamborn, Mounts, Steiberg e Dornbusch (1991). Elas foram validadas, traduzidas e adaptadas no Brasil por Costa, Teixeira e Gomes (2000) para adolescentes, e foram também adaptadas e validadas para crianças por Weber, Prado, Viezzer e Brandemburg (2004). Nesta pesquisa será utilizada a última versão citada, que tem 16 questões divididas em duas escalas: 10 perguntas que medem o quanto a criança percebe seus pais como amorosos, responsivos e envolvidos – por exemplo: “Quantas vezes seu pai/mãe passa um tempo conversando com você?” (responsividade)-, e seis perguntas que medem o quanto os pais monitoram e supervisionam a criança – por exemplo: “Até que ponto seu pai/mãe tenta saber onde você vai quando sai com seus amigos” (exigência). As escalas são avaliadas por sistema Likert, de três pontos (quase nunca, às vezes, geralmente).

O Questionário de Verificação das Práticas Alimentares versão Filhos elaborado por Musher-Eizenman e Holub (2007), é um instrumento para medir 12 práticas alimentares utilizadas pelos pais e as suas implicações no comportamento alimentar dos filhos. Esta escala não é validada no Brasil e foi traduzida para o português a partir do original em inglês, e, posteriormente, vertida para o inglês por um tradutor independente. A versão da tradução em inglês foi, então, comparada com o instrumento original. A versão da escala utilizada é a que avalia 12 práticas alimentares utilizadas pelos pais. As práticas alimentares consideradas adequadas são: incentivo ao equilíbrio e variedade, ambiente, envolvimento, modelo, monitoramento, ensino sobre nutrição. As práticas que são consideradas negativas na alimentação das crianças são: controle das emoções, alimento como recompensa, pressão, restrição por saúde, restrição para o controle do peso. Por fim, a que ainda apresenta resultados inconclusivos é: controle da alimentação feito pela criança.

Também foi realizado o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) de acordo com os critérios do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (Centers for Disease Control and Prevention – CDC), que estabelece que o valor do IMC é obtido pelo peso, em kg, dividido pelo quadrado da altura, em metros (Viuniski, 2005). Ao obter o valor do IMC, comparam-se os dados com gráficos para o sexo feminino e para o masculino e tem-se a indicação se a criança está com baixo peso, peso normal, sobrepeso e obesidade. Para as crianças foi utilizado uma fita métrica para medição da altura e uma balança para verificação do peso. Os dados obtidos de peso e altura dos pais foram informados por eles para a pesquisa.

Considerando a importância de se estudar esse fenômeno descrito, esta pesquisa buscou analisar a relação entre estilos parentais, práticas alimentares e o desenvolvimento nutricional dos filhos. Esta análise buscou agrupar mães e pais de acordo com a semelhança em suas práticas educativas alimentares percebidas pelos filhos participantes da pesquisa. Outras variáveis também foram relacionadas aos perfis identificados, entre elas características socioeconômicas, práticas e estilos educativos globais e o IMC (índice de massa corporal) de pais e filhos. Variáveis como situação conjugal, trabalho materno, gênero dos filhos, número de irmãos, IMC parental, desempenho acadêmico da criança, escolaridade paterna parental e não paterna e nível econômico da família revelam-se igualmente importantes para a identificação dos perfis comportamentais de pais e mães, a que se pretende essa pesquisa.

Procedimento

A análise dos dados foi realizada através do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 15. As questões de cada escala foram computadas de acordo com as orientações específicas de cada escala. As medidas foram categorizadas em alto, médio ou baixo através do primeiro e terceiro quartil ou, ainda, nas faixas propostas para o IMC. Os dados foram relacionados através dos testes de correlação de Pearson, Qui-quadrado, t de Student e Anova. Sobre os escores de práticas alimentares foi utilizada Análise de Cluster, capaz de agrupar os casos pela semelhança em seus escores. Os grupos formados tiveram suas características distintivas identificadas por meio dos testes Qui-quadrado e Anova.

Para a coleta de dados, foi solicitada autorização para realizar a pesquisa com a direção de cada escola e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi enviado aos pais. Os responsáveis que estavam de acordo, responderam algumas questões entregues junto com o Termo de Consentimento. Enquanto as crianças respondiam a seus questionários em sala de aula, uma nutricionista chamava-os para, em outro ambiente, verificar o peso e a altura. O tempo de aplicação em cada turma foi de aproximadamente 50 minutos, totalizado 6 turmas de 5ª e 6ª séries para cada escola.

O presente projeto foi avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética do Setor de Saúde do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, sob o registro CEP/SD: 966.091.10.07 e CAAE: 0046.0.091.000-10.

 

RESULTADOS

A análise de Cluster a partir das práticas alimentares maternas (12 escalas componentes do Questionário de Verificação das Práticas Alimentares respondidas pelos participantes sobre a mãe) segmentou a amostra em 3 grupos, nomeados segundo suas práticas: (a) Mães atentas à nutrição – 42% da amostra; (b) Mães ausentes na nutrição – 38% da amostra; e (c) Mães com problemas de controle – 20% da amostra.

O grupo Mães atentas à nutrição tentam utilizar um maior número de práticas de alimentação benéficas com seus filhos. As mães desse grupo não usam a comida para controlar os estados emocionais da criança e não os pressionam a comer mais nas refeições. Elas proporcionam incentivo ao equilíbrio e variedade na alimentação, estimulando o envolvimento dos seus filhos no planejamento e preparação das refeições. São modelo para os filhos ao ingerirem alimentos saudáveis e ensinam o valor nutricional dos alimentos para eles, além de também ficarem atentas ao consumo de alimentos menos saudáveis pelos seus filhos.

As práticas negativas desse grupo envolvem restringir o consumo de doces e alimentos prejudiciais à saúde dos seus filhos a fim de lhes assegurar saúde e controlar o seu peso. Mesmo que a prática de restrição seja considerada negativa, de acordo com o modelo de Musher-Eizenman e Holub (2007), muitas mães apresentam como primeira resposta a restrição a certos alimentos para seus filhos visando controlar o excesso de peso da criança. Provavelmente essas mães usam essa prática porque acreditam que isso vai ajudar os seus filhos a manter um peso saudável. Gibson et al., (2007)indicam justamente o contrário, pois uma restrição drástica imposta pelos pais pode constituir uma privação, que pode funcionar como uma operação estabelecedora descrita pela análise do comportamento, ou seja, aumentar o valor reforçador do alimento restringido, motivando assim, a criança a procurar por ele com mais frequência e ingeri-lo em maior quantidade.

Através da análise Anova foi verificada a relação entre o IMC da criança e o comportamento da mãe que deixa a criança controlar a sua alimentação. Como resultado foi observada uma tendência (F=0,45, gl=3, p>0,05) de este comportamento estar relacionado à obesidade nos filhos, indicando que também é uma prática negativa. Esse mesmo resultado também foi encontrado nos grupos de mães ausentes na nutrição e mães com problemas de controle.

As características sociodemográficas das famílias de mães atentas à nutrição apresentaram: a) Tendência de pais separados (43% para 33% no total da amostra), que pode indicar que as mães mostram maior cuidado com os filhos devido à falta do pai ou até mesmo uma competição entre os pais para ver qual é melhor para seu filho. Outra possibilidade é que os filhos, ao passarem o final de semana com o pai, possam receber uma alimentação extremamente calórica como uma forma de demonstração de afeto. b) Tendência dos filhos com sobrepeso ou obesidade (30% para 21%): o excesso de peso pode estar ligado ao uso da prática alimentar de restrição, que está associada com o aumento do peso e pelo fato de os pais não controlarem a alimentação dos filhos. c) Tendência de seis ou mais irmãos (9,5% para 6% na amostra): uma eventual explicação para este fato é que em famílias numerosas os filhos podem ter uma expectativa menor com as mães e, por este fato, podem ter respondido sem tanto critério ao questionário da pesquisa. d) Tendência das mães trabalharem fora (70% para 58%): essas mães podem não ter tempo para organizar uma alimentação saudável para essas crianças.

O grupo Mães ausentes na nutrição foi composto, de maneira geral, por mães indiferentes em relação à alimentação dos seus filhos. As boas práticas de alimentação que compõem esse grupo se resumem em não pressionar as crianças a comerem mais nas principais refeições, não restringir comidas menos saudáveis, seja por motivo de saúde ou para controle de peso, e não fazer uso dos alimentos para controlar as emoções dos filhos. Essas mães também deixam as crianças controlarem a sua própria alimentação, prática que se verificou estar relacionada com a obesidade infantil.

As Mães ausentes ainda proporcionam menor equilíbrio e variedade na alimentação dos seus filhos, não incentivam o envolvimento dos seus filhos na preparação das refeições, não ficam atentas no consumo de alimentos inadequados, não podem ser consideradas um modelo de alimentação e não ensinam o valor nutricional dos alimentos.

As características sociodemográficas dessas famílias apresentaram: a) Tendência dos filhos com histórico de reprovação (33% para 26% na amostra total); provavelmente, são mães que não estão envolvidas com a educação alimentar dos seus filhos e também não se envolvem com a educação escolar dessas crianças. b) Dos três grupos esse é o que as crianças apresentam o maior índice de peso normal (84% para 73%). c) Apresentam menor frequência de sobrepeso e obesidade (13,5% para 21%).

As Mães com problemas de controle apresentam práticas adequadas equivalentes as do grupo das Mães atentas à nutrição: mostram incentivo ao equilíbrio e a variedade na alimentação dos filhos, dão exemplo alimentando-se corretamente, ficam atentas no consumo de alimentos não saudáveis pelos filhos, ensinam o valor nutricional dos alimentos, envolvem moderadamente os filhos na preparação e planejamento das refeições e não restringem sua comida com o objetivo de diminuir ou manter o peso.

Em contraposição, as Mães com problemas deixam as crianças controlarem sua alimentação, usam a comida para controlar os estados emocionais da criança, pressionam seus filhos a comerem mais nas principais refeições e restringem o consumo de comida com o objetivo de limitar alimentos menos saudáveis e doces visando a saúde dos filhos. Este grupo é composto por mães que não mostram coerência no seu comportamento para com os filhos: embora em sua maioria utilizem práticas educativas globais muito adequadas, utilizam recursos inapropriados quando se trata de educar para uma alimentação saudável, talvez por insegurança quanto a seu papel no campo da nutrição ou por falta de informação quanto às práticas ideais nessa área.

Mães com problemas apresentam: a) Tendência de ser apenas dona-de-casa (62% para 42% do total) e, talvez por este fato, pode-se supor que tenham menos acesso às informações de práticas de alimentação mais adequada para seus filhos, comparado à mães que trabalham fora de casa. b) Tendência a maior proporção de meninos (48% para 41%) em relação à proporção da amostra. c) Tendência sem histórico de reprovação dos filhos (90% para 74% na amostra) e isso pode ocorrer devido aos pais, em sua maioria, serem autoritativos. d) Tendência de os filhos estudarem em período integral (5%, todos os casos da amostra). e) Tendência dos filhos à desnutrição (16% para 6%): uma das consequências do uso de práticas negativas de alimentação infantil é causar problemas à saúde das crianças, neste caso, a desnutrição. f) Nenhum caso de filho com obesidade.

Para as práticas de deixar alimentos disponíveis em casa e no uso de comida com recompensa ao bom comportamento não houve diferença significativa entre os grupos; os três grupos de mães apresentaram resultados semelhantes, com altos escores naquela e baixos escores nesta prática.

Verificando a relação entre os três grupos com os estilos parentais percebidos, obteve-se o resultado apresentado na figura 1.

 

 

Os dados indicam que as mães percebidas como autoritativas, aquelas que mostram equilíbrio entre práticas educativas de exigência e responsividade, dividem-se de maneira quase proporcional nos três perfis de educação alimentar. Da amostra, 36% das mães utilizam de práticas alimentares favoráveis para a criança, 28% são descritas como ausentes no aspecto alimentar e 36% associam à utilização das boas práticas o uso de práticas inadequadas também, sobretudo na forma de controle das crianças no aspecto da alimentação.

As mães negligentes apresentaram práticas alimentares coerentes com suas práticas educativas: alto índice de ausência no cuidado alimentar de seus filhos (63%). Por outro lado, 29% delas demonstraram atenção à nutrição dos filhos e 8% porção apresentou a mistura de práticas adequadas e problemas relacionados ao controle da criança.

As mães autoritárias e permissivas apresentaram características contrastantes nos aspectos educativo global e alimentar. As mães autoritárias, com alta exigência e baixa responsividade apresentaram um alto índice de práticas alimentares ausentes (53%) e uma pequena proporção de práticas alimentares que indiquem dificuldades no controle das crianças (7%). As mães permissivas, que têm alto envolvimento e baixa exigência, não apresentaram nenhum caso de problemas no controle da criança no aspecto alimentar, porém apresentaram o mais alto índice de atenção à nutrição (60%).

A análise de Cluster das Práticas Alimentares Paternas também dividiu a amostra em três grupos, com perfis distintos daqueles apresentados pelas mães: a) Pais envolvidos na nutrição, 53%; b) Pais intermediários na nutrição, 30%; c) Pais ausentes na nutrição, 17% da amostra.

As características dos três grupos foram comparadas. Embora as diferenças não tenham obtido significância estatística, podem ser descritas para a melhor compreensão dos perfis identificados.

Os Pais envolvidos na nutrição apresentaram os mais altos escores em todas as práticas positivas e também em todas as negativas. Em sua caracterização: a) os filhos tendem à desnutrição (10% neste grupo, para 7% para o total da amostra); b) as famílias são predominantemente biparentais (85% para 78%); c) os pais não costumam estar em sobrepeso ou obesidade (apenas 41% para 54%); d) pais são com maior frequência autoritativos (74% para 46% no total da amostra); e) compõe classe C2-D (33% para 27% nos geral).

Os Pais intermediários na nutrição tiveram escores medianos na maior parte das práticas alimentares. Por um lado, alinharam-se aos melhores pais com menor controle das emoções, menor uso de comida como recompensa e menor pressão e, por outro lado, alinharam-se como piores pais por maior controle pela criança. Caracterizam-se por: a) os filhos tendem a sobrepeso (23% neste grupo para 16% nos total da amostra); b) os pais são com maior frequência autoritários (20% para 9% no geral) ou permissivos (12% para 7%); c) os pais costumam estar foram do IMC normal (apenas 25% para 44%); d) pais têm mais que três anos de estudo (apenas 11% estudou até a 3ª série, para 19%); e) compõe a classe C1 (45% para 35%).

Os Pais ausentes na nutrição foram os mais indiferentes com relação às práticas alimentares, com os mais baixos escores em todas as práticas, tanto positivas quanto negativas. Em sua família: a) os filhos tendem a ter IMC normal; b) pais têm menos estudo (33% estudaram até a 3ª sedie, para 19% no geral); c) pais desnutridos (8% para 2%); d) os pais são negligentes com maior frequência (92% para 38% no total da amostra); e) filhos estudam pela manhã (82% para 47%); f) maior reprovação (41% para 30%); g) compõe a classe A2-B2 (45% para 38%). São pais possivelmente ausentes por motivos de trabalho, pois tem poucos estudos, alta renda, baixo IMC e pouca participação na família.

 

 

A relação entre os estilos parentais e os perfis de práticas alimentares paternos indicou que os pais autoritativos são, em grande parte (80%), envolvidos na alimentação dos filhos, tanto com práticas favoráveis quanto desfavoráveis. Os pais negligentes, por sua vez, com grande frequência (41%) são ausentes também na alimentação dos filhos. Os pais autoritários, embora exigentes na educação global da criança, apresentaram-se predominantemente intermediários em sua alimentação (71%), predomínio também observado entre os pais permissivos (60%), destacando-se que nenhum pai permissivo foi relatado como ausente e uma parte representativa (40%) alinharam-se como pais envolvidos na nutrição.

Através da Análise Anova verificou-se relação significativa da relação peso/altura da criança com: (a) o estilo parental materno (F=2,66, p<0,05), sendo que crianças com maior peso estão em famílias com estilo permissivo e (b) o perfil de práticas alimentares maternas (F=5,47, p=0,01) sendo que crianças com menor peso tem mães com problemas de controle da alimentação dos filhos. Não houve relação estatisticamente significativa para os dados paternos. A tabela 1 apresenta dados relativos aos perfis materno e paterno de práticas alimentares.

 

 

Relacionando os perfis dos clusters paterno e materno, verificou-se que em 31% dos casos, as famílias eram compostas por mães atentas e pais envolvidos com a nutrição e em 10% dos casos ambos foram caracterizados como ausentes.

 

DISCUSSÃO

Entre os aspectos que apresentaram tendências no perfil por cluster das mães desta amostra, o estado civil e o trabalho materno são aspectos relatados na literatura. Segundo pesquisa realizada no Brasil, a obesidade é menos prevalente em crianças que têm os pais separados; uma das explicações desse fato é que com a separação dos pais, muitas vezes ocorre uma redução na renda familiar, resultando em uma diminuição no acesso aos alimentos (Oliveira et al., 2007). Um estudo australiano observou que mães separadas e com sobrepeso têm maior probabilidade de terem filhos com sobrepeso ou obesidade (Gibson et al., 2007). Sobre o trabalho materno, uma pesquisa Canadense mostrou associação entre obesidade das crianças e trabalho por longas horas fora de casa (Phipps, Lethbridge, & Burton, 2006). Pesquisas realizadas no Brasil não mostram nenhuma associação entre sobrepeso e obesidade e o fato de os pais trabalharem fora de casa (Oliveira et al., 2007), mas alertam quanto à importância de se investigar e zelar pela assistência infantil pública que atende as crianças enquanto seus pais e mães trabalham (Silva & Sturion, 1998).

A análise de Cluster delineando o perfil dos pais indicou tendências conforme o nível de escolaridade do pai e a classe socioeconômica da família. Na literatura há relato de relação entre a escolaridade materna e o IMC dos filhos (Giugliano & Carneiro, 2004) e relato de inexistência de relação entre a escolaridade dos pais e o IMC dos filhos (Musher-Eizenman & Holub, 2007). Quanto à renda dos pais, em pesquisa feita na França e nos Estados Unidos não se verificou relação com o IMC dos filhos (Musher-Eizenman, Lauzon-Guillain, Holub, Leporc, & Charles 2009); já em pesquisas feitas no Brasil, o sobrepeso e a obesidade foram mais observados em crianças de melhor condição socioeconômica (Brasil, Fisberg, & Maranhão, 2007; Oliveira et al., 2007; Silva, Balaban, & Motta, 2005).

A pesquisa indica resultados contraditórios quanto à relação entre o IMC parental e infantil: alguns estudos observaram associação entre essas variáveis (Birch & Fisher, 1998; Birch & Fisher, 2000; Giugliano & Carneiro, 2004; Oliveira et al., 2007; Philipsen & Philipsen, 2008) outros estudos apontam relação para o IMC materno, mas não para o paterno (Johannsen, Johannsen, & Specker, 2006; Musher-Eizenman et al., 2009; Watkins et al., 2007) e uma pesquisa não observou relação entre essas variáveis (Musher-Eizenman & et al., 2009). Pais e mães podem apresentar funções e efeitos distintos sobre o desenvolvimento das crianças.

A análise de cluster permite o delineamento de perfis presentes na população, contemplando variáveis que, em novos estudos, podem se revelar influentes sobre a determinação do comportamento e desenvolvimento humano. Nesse sentido, a identificação dos perfis educativos parentais ligados à alimentação no Brasil pode ter especial valor, pois pesquisa com famílias de diferentes origens étnicas apontou que as práticas de alimentação infantil utilizadas pelas mães diferem de acordo com essas origens, e, por isso, não é possível generalizar os resultados entre diferentes etnias (Spruijt-Metz, Chaoyang, Cohen, Birch, & Goran, 2005).

Os dados desta análise de cluster mostram a importância da família no desenvolvimento nutricional dos filhos. Foi verificada a relação entre as práticas educativas (globais) e práticas alimentares maternas e paternas e o desenvolvimento nutricional dos filhos.

As análises por perfis das práticas educativas alimentares maternas e paternas identificaram diversas variáveis que podem estar afetando a interação familiar, o repertório educativo dos pais e mães e o desenvolvimento das crianças. Entre elas, a situação conjugal, o trabalho materno, o gênero dos filhos, o número de irmãos, o IMC parental, o desempenho acadêmico da criança, a escolaridade paterna e o nível econômico da família. Por outro lado, constatou-se a possibilidade de investigar novas variáveis em pesquisas futuras, como a idade e geração dos pais, a relação entre as práticas observadas e a percepção dos filhos, e maior diversidade de práticas educativas globais, como a comunicação, a punição, o controle psicológico e a intrusividade.

Por fim, verificou-se a aproximação entre o repertório educativo global de pais e mães e o repertório ligado à alimentação dos filhos. No entanto, existem pais e mães com estilos parentais considerados positivos que desempenham práticas alimentares inadequadas. Isso pode constituir um indicativo da necessidade de divulgar e preparar pais e mães para a educação alimentar dos seus filhos, além de alertá-los que práticas de restrição alimentar e uso da alimentação como forma de controle podem trazer prejuízo ao desenvolvimento dos filhos. É necessário traçar estratégias de prevenção e promoção do desenvolvimento e da saúde familiar e alimentar. Embora uma análise de modelos compreensivos, avaliando funções modeladoras e moderadoras ainda não tenha sido possível, variáveis importantes para estudos futuros e para o delineamento de programas de prevenção foram identificadas.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para Correspondência

Núcleo de Análise do Comportamento (NAC), Universidade Federal do Paraná. Rua José Ernesto Ericksen Pereira, N° 226, 84130-000, Bairro Vila Maria, Palmeira, Paraná, Brasil. Telef. 55 42 9911-6107. E-mail: anapaulafranco1@yahoo.com.br

 

Recebido em 18 de Setembro de 2013/ Aceite em 25 de Junho de 2014