SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.15 número2Diferentes perfis comportamentais em adolescentes e associação à prática de atividade físicaComportamentos supersticiosos e práticas comportamentais inadequadas no tratamento da hipertensão arterial sistêmica índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Artigo

Indicadores

Links relacionados

  • Em processo de indexaçãoCitado por Google
  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO
  • Em processo de indexaçãoSimilares em Google

Compartilhar


Psicologia, Saúde & Doenças

versão impressa ISSN 1645-0086

Psic., Saúde & Doenças vol.15 no.2 Lisboa jun. 2014

 

Desenvolvimento da empatia em crianças: a influência dos estilos parentais

Empathy development during childhood: the influence of parental styles

 

Alice Reuwsaat Justo 1, Janaína Castro Núñez Carvalho2, & Christian Haag Kristensen2

1 Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil;

2 Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil

 

Endereço para Correspondência

 

RESUMO

A empatia é um elemento fundamental para o desenvolvimento de habilidades interpessoais e melhora na qualidade das relações, mostrando-se como um fator de proteção para problemas emocionais e comportamentais na infância. O presente artigo trata-se de uma revisão crítica da literatura, no qual são explorados os fatores internos e externos que influenciam o desenvolvimento da empatia em crianças, enfocando principalmente os estilos parentais e o relacionamento entre pais e filho. Foram investigadas também na literatura quais as principais tarefas e procedimentos para a avaliação dos componentes deste construto. O comportamento dos pais, suas expressões emocionais e atitudes direcionadas ao filho, são importantes variáveis que influenciam este processo. A literatura revisada aponta as práticas parentais de incentivo à expressão emocional e à tomada de perspectiva do outro como práticas importantes para o benefício no desenvolvimento da empatia do filho e o estilo de pais com autoridade como referência parental. Propõem-se ainda, a partir desta revisão, o desenvolvimento de práticas que favoreçam o desenvolvimento saudável da Empatia.

Palavras-chave - Empatia; Relações Pais-Filho; Desenvolvimento Infantil.

 

ABSTRACT

Empathy is an important element for interpersonal development and for increase in relationship quality, showing itself as a protection factor to emotional and behavior problems. The present article is a literature critical review where it is explored inside and outside factors that affect on empathy development during childhood, focusing at parental styles and parent-child relationship. It was explored the main tasks and procedures used to measure the components of this construct. Parental behavior, emotional expression and attitudes directed to child are important variables that affect this process. Literature reviewed points that the parenting practices that most influence empathy development are the ones which promote emotional expression and perspective taking; and points to authoritative parental style as a reference for parenting. From this review, it is proposed the development of interventions that increase a healthy empathy development.

Key- words - Empathy; Parent-Child Relationship; Children Development

 

A empatia é um elemento importante para o desenvolvimento de habilidades interpessoais e melhora na qualidade das relações, pois motiva cuidados e comportamentos em prol de outro sujeito (Denham, 1998). Ela está positivamente relacionada com: comportamento pró-social (Crick, 1996; Eisenberg, Carlo, Murphy & Van Court, 1995; Schaffer, Clarck & Jeglic, 2009), aceitação pelos pares (Warden & Mackinnon, 2003), saúde mental (Beyers & Loeber, 2003; Blair, 1997), resolução pacífica de conflitos (McPherson Frantz & Janoff-Bulman, 2000) e diminuição no comportamento agressivo (Miller & Eisenberg, 1988).

Crianças que apresentam altos níveis de empatia para emoções negativas tendem a ter menos problemas de comportamentos externalizantes e maior competência social (Zhou et al., 2002). Baixos níveis de empatia, por sua vez, representam diminuição dos comportamentos pró-sociais e aumento de comportamentos agressivos. Desta forma, a partir da empatia, o sujeito é capaz de prever a dor que pode causar com seus comportamentos agressivos e, com isso, avaliar sua reação de agredir ou não (Hastings, Zahn-Waxler, Robinson, Usher & Bridges, 2000). Entre as patologias relacionadas com prejuízos na empatia estão Transtorno de Conduta, Transtorno de Personalidade Antissocial e Autismo (American Psychiatric Association, 1994; McDonald & Messinger, 2011).

O desenvolvimento de empatia e consideração pelo outro se mostra como um fator de proteção contra problemas de comportamento. Dentre as influências encontradas para o desenvolvimento de empatia estão os estilos e práticas parentais. As práticas associadas ao desenvolvimento positivo de empatia: o comportamento dos pais, suas expressões emocionais, cognições e atitudes direcionadas ao filho, como presença de apoio, instruções claras, limites e expressão de raiva e afeto (Denham et al., 2000; Hastings et al., 2000).

Diferentes fatores influenciam o desenvolvimento da empatia, destacando-se (a) fatores internos (fatores genéticos, aspectos do desenvolvimento neural e variáveis de temperamento), e (b) fatores externos ou de socialização, como imitação, estilos parentais e relacionamento pais e filho (McDonald & Messinger, 2011), conforme ilustrado na Figura 1.

Neste artigo iremos explorar os fatores internos e externos que influenciam o desenvolvimento da empatia, enfocando principalmente os estilos parentais e o relacionamento entre pais e filho. Através de uma revisão narrativa da literatura, onde são descritos e discutidos o desenvolvimento de tal assunto baseado na literatura publicada em livros, revistas científicas e na análise crítica dos autores (Rother, 2007).

 

Empatia

Não há um consenso teórico sobre a definição operacional de empatia. Utilizaremos neste artigo a definição elaborada pela American Psychological Association (2010), visto que abrange os principais pontos comumente enfatizados em estudos sobre este tema. Assim, empatia é:

Compreender uma pessoa a partir do quadro de referência dela e não do próprio, experimentando de modo vicário os sentimentos, percepções e pensamentos dela. A empatia não envolve em si mesma a motivação para ajudar, embora possa transformar em consideração pelo outro ou sofrimento pessoal, o que pode resultar em ação (pp. 335).

Hoffman (1984) fez uma distinção entre as diferentes formas que o indivíduo pode compreender o outro a partir da perspectiva deste. A empatia compreende um componente emocional e um cognitivo. O emocional seria a capacidade de experimentar vicariamente o sentimento do outro, que está relacionada com a discriminação perceptual. O indivíduo observa os sinais emocionais do outro, como expressão facial, postura corporal e tom de voz, e de forma condicionada sente a mesma emoção. Considera-se também que a percepção dos sinais emocionais no outro pode lembrar o sujeito de experiências passadas, quando ele já viveu esta emoção e esta lembrança o faz sentir-se como quem ele observa.

O componente cognitivo é o entendimento intelectual dos estados internos e pensamentos do outro, ou seja, a capacidade de compreender a situação a partir da perspectiva do outro. Para tanto, é necessário que o indivíduo desenvolva a consciência de que existe um outro e que este possui pensamentos e sentimentos diferentes dos seus. Hoffman (1984) divide este processo de desenvolvimento durante a infância em quatro etapas: (1) fusão entre o self e o outro - não existe diferenciação, ocorre durante o primeiro ano de vida; (2) consciência de que existe uma diferenciação física entre ambos os sujeitos, sem a noção de que este segundo possa ter estados internos - por volta de um ano; (3) noção de que o outro também tem estados internos próprios diferentes dos seus - o que seria um princípio da capacidade de se colocar no lugar do outro, ocorre aos dois anos de idade; e (4) consciência de que os outros possuem identidades pessoais e histórias de vida que vão além da experiência imediata, o que possibilita uma avaliação mais completa sobre como este outro pode estar se sentindo e se desenvolve durante a segunda infância.

Sentir empatia envolve compreender os sentimentos de outro sujeito, seja pela capacidade de colocar-se no lugar deste ou pela experiência vicária das emoções, porém isto não define como o indivíduo irá reagir a este sentimento. Classificam-se ao menos duas diferentes e possíveis reações empáticas. A primeira é a tendência de agir pró-socialmente, quando o indivíduo utiliza esta capacidade de compreensão para ajudar o outro sujeito a aliviar este desconforto. A segunda é o sofrimento pessoal no qual, ao presenciar o desconforto do outro, o sujeito tende a se empenhar em estratégias para aliviar o próprio sofrimento (Denham, 1998). Esta primeira reação, também chamada de consideração pelo outro, é o pressuposto teórico mais utilizado para explicar as respostas de empatia ao considerar que esta é um processo interno e o comportamento pró-social de ajuda é uma possível consequência externa com mensuração facilitada. Sendo assim, o comportamento pró-social e as reações externas de empatia aparecem com frequência como uma alternativa de medida de empatia.

As medidas utilizadas para avaliar empatia variam entre escalas de autoavaliação (Strayer & Roberts, 2004; Valiente et al., 2004), escalas de avaliação respondidas por pais, professores e amigos (Cornell & Frick, 2007; Davidov & Grusec, 2006; Farrant, Devine, Maybery & Fletcher, 2012; Hastings et al., 2000; Strayer & Roberts, 2004); e exposição a estímulos eliciadores de empatia como vídeos, slides, histórias e simulação de sofrimento (Davidov & Grusec, 2006; Farrant et al., 2012; Hastings, Rubin & DeRose, 2005; Hastings et al., 2000; Moreno, Klute & Robinson, 2008; Strayer & Roberts, 2004; Valiente et al., 2004; van der Mark, van IJzendoorn & Bakermans-Kranenburg, 2002; Zhou, et al., 2002). De modo geral, os autores calculam um escore total para a empatia através de medidas de empatia cognitiva; expressão facial quando frente a um estímulo emocional; descrição de emoções sentidas durante um estímulo para empatia; e de respostas empáticas como: o comportamento pró-social, o sofrimento pessoal e a indiferença. Os estudos não necessariamente avaliam todos esses componentes, gerando um escore a partir de um ou mais destes. Observa-se que as medidas de empatia são obtidas de diversas maneiras e consideram diferentes aspectos dessa. A grande diversidade de procedimentos e instrumentos para avaliar este constructo reflete a falta de um consenso teórico para a definição operacional de empatia.

Um dos procedimentos mais empregados na literatura é a simulação de sofrimento. Neste, durante um momento de brincadeira, livre ou instruída, a mãe da criança simula machucar-se e algum tempo depois o pesquisador, considerado como um estranho pela criança, também faz uma simulação. Geralmente a situação simulada é sentir dor no joelho e beliscar o dedo em uma prancheta ou em uma porta. Nos estudos analisados, apesar de o procedimento ser o mesmo, a forma de análise varia, podendo ser pontuação de: expressões faciais (Hastings et al., 2000; 2005; van der Mark et al., 2002), expressões verbais (Hastings et al., 2000; van der Mark et al., 2002), realização de perguntas da criança com o intuito de saber o ocorrido e sobre a dor (Moreno et al., 2008), comportamento de aliviar a dor e ajuda (Davidov & Grusec, 2006; Hastings et al., 2000; 2005; Moreno et al., 2008; van der Mark et al., 2002), e resposta de indiferença (Moreno et al., 2008).

Estudos longitudinais sobre o desenvolvimento da empatia observam mudanças significativas na capacidade empática nos primeiros anos de vida da criança (Knafo, Zahn-Waxler, Hulle, Robinson & Rhee, 2008; Zahn-Waxler, Robinson & Emde,1992b). Nos primeiros dias de vida, um bebê é capaz de manifestar sofrimento ao ouvir o choro de outro bebê, mostrando existir um reflexo evolutivo para a empatia. Aos dois anos de idade, as crianças já demonstram respostas empáticas iniciais de consideração pelo outro, apresentando desenvolvimento tanto da capacidade cognitiva de interpretar os estados físicos e psicológicos de outro quanto da capacidade emocional de vivenciar a emoção de outro (Zahn-Waxler, Radke-Yarrow, Wagner & Chapman, 1992a). Esta mudança na empatia reflete o desenvolvimento rápido que ocorre nessa fase, influenciado por fatores genéticos, ambientais e psicológicos (Knafo et al., 2008).

A seguir, descrevem-se os aspectos de influência para a empatia, apontados por McDonald e Messinger (2011) na Figura 1, os fatores internos (neurológicos, genéticos e de temperamento) e fatores de socialização (imitação, estilos parentais e relacionamento entre pais e filho).

 

Fatores internos de desenvolvimento: neurológicos, genéticos e de temperamento.

Os componentes emocionais e cognitivos da empatia, ainda que complementares para a compreensão e identificação da emoção sentida por outra pessoa, se desenvolvem de maneira distinta (Hoffman, 1984). A empatia emocional depende da ativação dos sistemas límbico e paralímbico, já a empatia cognitiva aciona áreas do lobo temporal e córtex pré-frontal. Considerando que o sistema límbico se desenvolve rapidamente por ser mais primitivo e as estruturas de lobo temporal e córtex pré-frontal são umas das últimas a atingirem a maturação, esta distinção neurológica aponta para a diferença entre os caminhos neurais de desenvolvimento destes componentes (Singer, 2006).

Corroborando este desenvolvimento neurobiológico diferenciado, Zahn-Waxler e colaboradores (1992b), a partir de um estudo que compara gêmeos monozigóticos e dizigóticos entre 14 e 20 meses, encontraram que, enquanto o componente emocional apresenta maior influência genética, o componente cognitivo não apresenta o mesmo padrão de influência genética com o passar do desenvolvimento. Em estudo similar, Knafo e colaboradores (2008) mostram que esta contribuição genética aumenta com o passar do tempo para ambos componentes, sendo maior em bebês de 24 e 36 meses, do que em bebês entre 14 e 20 meses.

Os achados relatados acima apontam para a influência genética e biológica no desenvolvimento da empatia durante os primeiros anos de vida. Entretanto, estudos com metodologias semelhantes percebem que o comportamento pró-social de ajuda sofre maior influência ambiental do que genética. Sugerindo, então, uma importância significativa da qualidade da relação pais e filho para o desenvolvimento desta resposta empática (Knafo & Plomin, 2006; Knafo et al., 2008).

Avaliar a influência do temperamento no desenvolvimento da empatia também é uma forma de avaliar a influência genética, considerando que o temperamento é uma série de características biológicas que servem de base para a personalidade, presentes desde o nascimento. Young, Fox e Zahn-Waxler (1999) constataram que o nível de empatia presente aos dois anos pode ser previsto pelo padrão do nível de alerta a estímulos novos aos quatro meses de idade. Os indivíduos que apresentaram baixo nível de alerta quando bebês também tiveram baixos níveis de alerta quando um estranho demonstrou sofrimento e apresentaram níveis mais baixos de empatia global com dois anos de idade. Estes achados corroboram com estudos que mostram a relação entre baixos níveis de alerta e empatia em sujeitos com comportamento antissocial (Miller & Eisenberg, 1988).

Cornell e Frick (2007) observaram que crianças comportamentalmente inibidas, entre três e cinco anos, inesperadamente, eram avaliadas por suas mães como mais empáticas que as outras crianças. Porém, em outros estudos, crianças inibidas se apresentaram menos empáticas e menos pró-sociais com estranhos (Hastings et al., 2005; van der Mark et al., 2002; Young et al., 1999). Este contraste nos achados mostra que as atitudes empáticas se manifestam diferentemente quando a pessoa em sofrimento é a mãe ou um estranho. Os estudos sugerem que a resposta empática de consideração pelo outro direcionada à mãe é diretamente influenciada pela relação mãe-filho (Hastings et al., 2005), não sendo tão influenciada pelos fatores genéticos e de temperamento (Knafo et al., 2008; Young et al., 1999; Zahn-Waxler et al., 1992b).

 

Fatores externos de desenvolvimento: imitação, estilos parentais e relacionamento entre pais e filho.

A primeira resposta empática observada em bebês é o sofrimento pessoal. Dentre estas primeiras manifestações de empatia está o choro reativo, ou seja, quando um bebê chora ao ouvir o choro de outro. A capacidade de perceber o choro de outro bebê e identificá-lo como tal gera a resposta de chorar também, o que é considerado como um precursor rudimentar da empatia (Hoffman, 1984; McDonald & Messinger, 2011; Zahn-Waxler et al., 1992a).

A resposta ao ambiente externo, mesmo que por reflexo, ajuda o indivíduo a construir o conceito de que os outros existem e respondem ao meio de maneira própria. A imitação de expressões faciais é um importante mecanismo inato para compreender a emoção de outro. A imitação automática de expressões faciais e postura cria no sujeito sinais corporais que o ajudam na compreensão dos sentimentos que ele observa (Hoffman, 1984; McDonald & Messinger, 2011).

Outro fator externo que influencia o desenvolvimento emocional das crianças desde o nascimento é a constituição de apego e vínculo afetivo na relação pais e filho (Caminha, Soares & Kreitchmann, 2011). Especificamente para o desenvolvimento da empatia, aponta-se o comportamento dos pais, suas expressões emocionais e atitudes direcionadas ao filho como importantes as variáveis desta relação e processo de desenvolvimento (Denham et al., 2000; Hastings et al., 2000).

 

A Influência dos Estilos Parentais no Desenvolvimento da Empatia

Os estilos parentais são padrões gerais de características da relação entre pais e filho, incluindo comportamentos diretivos, tais como práticas educativas, e comportamentos espontâneos, tais como tom de voz, gesticulação e expressão emocional. Estes comportamentos irão gerar um padrão emocional de relacionamento (Darling & Steinberg, 1993). Na literatura revisada, são utilizados instrumentos que avaliam as características parentais que descrevem esses estilos e também outras variáveis como sua empatia e incentivo à tomada de perspectiva do outro.

Como procedimento para a mensuração das variáveis de estilos parentais e suas práticas aparecem os instrumentos de: auto-avaliação parental (Cornell & Frick, 2007; Davidov & Grusec, 2006; Farrant et al., 2012; Hastings et al., 2000; 2005; Moreno et al., 2008; Strayer & Roberts, 2004; Tong et al., 2012; Valiente et al., 2004), classificação da interação pais e filho (Tong et al., 2012; Valiente et al., 2004; van der Mark et al., 2002; Zhou et al., 2002;) e reações maternas frente a um estímulo emocional (Davidov & Grusec, 2006; Zhou et al., 2002). Porém os instrumentos pouco se repetem, o que pode ser um reflexo da diversidade de variáveis estudadas e derivadas dos estilos parentais, como, por exemplo, disciplina, expressão emocional, carinho e crenças sobre parentalidade que podem ser avaliadas separadamente ou como parte da definição de estilos parentais.

Baseada nas funções de controle, Baumrind desenvolveu uma das teorias pioneiras sobre os estilos parentais, definindo-os em três estilos: (1) o permissivo, (2) o autoritário e (3) o com autoridade (Baumrid, 1966; Valentini & Alchieri, 2009). O estilo parental permissivo, caracterizado por práticas de disciplina inconsistente (Baumrind, 1966), é considerado como prejudicial para o desenvolvimento de empatia quando o filho tem temperamento extrovertido. No entanto, a disciplina inconsistente não apresenta influência quando o temperamento infantil é de inibição (Cornell & Frick, 2007). Estes achados apontam para a influência do temperamento mediando a relação entre estilos parentais e o desenvolvimento da empatia.

O estilo parental autoritário se caracteriza por valorização da obediência. Estes pais moldam, controlam e avaliam os filhos de maneira rígida e, com grande frequência, utilizam estratégias punitivas como forma de impor limites (Baumrind, 1966). Em um estudo longitudinal com crianças acompanhadas dos quatro aos dez anos, Hastings e colaboradores (2000) observaram que os filhos de mães autoritárias tendem a demonstrar menos consideração pelos outros. Da mesma forma, a prática de punição corporal mostra-se como prejudicial para o desenvolvimento da empatia independente do temperamento do filho (Cornell & Frick, 2007).

Os pais com autoridade dão limites aos seus filhos, justificando o porquê de o estarem fazendo e seus filhos têm o direito de expressar sua opinião quando não concordam. Eles também dão suporte para a livre expressão das emoções e orientam os filhos ao utilizarem estratégias efetivas de resolução de problemas. Desta forma, eles mantém a autoridade sem retirar a liberdade de expressão de seus filhos e estimulam a independência deles (Baumrind, 1966; Gottman & DeClair, 1997). No mesmo estudo longitudinal apresentado anteriormente, Hastings e colaboradores (2000) observaram que as mães com estilo parental com autoridade e que junto demonstram menos afeto negativo têm filhos com mais empatia, responsabilidade interpessoal e comportamento pró-social (Hastings et al., 2000).

A partir destes achados, entende-se que o estilo parental autoritário, que não valoriza a comunicação e, sim, a obediência e a punição, prejudica o desenvolvimento da empatia e de respostas de ajuda. Já o estilo permissivo, com inconsistência na aplicação de limites, seria mais prejudicial para as crianças desinibidas. O desenvolvimento da empatia é, portanto, estimulado por práticas parentais presentes no estilo de pais com autoridade, que visam à comunicação e ao incentivo de resolução de problemas, expressão e regulação emocional.

Davidov e Grusec (2006), ao avaliarem as estratégias parentais de resposta ao sofrimento dos filhos com crianças de seis a oito anos, observaram que as estratégias positivas, como reação focada na emoção, reação focada no problema e estímulo para a criança expressar seus sentimentos, foram preditoras de empatia e comportamento pró-social. As mesmas respostas maternas foram relacionadas com a capacidade de regulação de emoções negativas das crianças, sugerindo que a responsividade materna ao sofrimento do filho, no mínimo influenciaria a empatia através da promoção de estratégias mais efetivas de regulação da emoção negativa. No entanto, estes resultados não foram significativos para os pais.

A prática de demonstração e troca de carinho está relacionada com um maior nível de empatia (Strayer & Roberts, 2004). Sua maior influência é sobre o aumento da expressão emocional de diferentes sentimentos e o aumento da empatia para emoções negativas nas crianças (Strayer & Roberts, 2004; Zhou et al., 2002). A expressão da raiva é a única a diminuir quando os pais demonstram mais carinho (Strayer & Roberts, 2004). Os resultados destas pesquisas sugerem que a troca de carinho entre pais e filho facilita a expressão de sentimentos e promove o desenvolvimento de empatia, visto que a expressão emocional das crianças está fortemente relacionada com o seu nível de empatia (Strayer & Roberts, 2004). Zhou e colaboradores (2002) observaram que, para o carinho parental aumentar a competência social infantil, é preciso considerar também a expressão emocional positiva materna e o nível de empatia do filho.

Valiente e colaboradores (2004) encontraram, em seu estudo com crianças entre quatro e oito anos, que a expressão de emoções positivas pela mãe aumenta as respostas de consideração pelo outro apenas quando são expressas de forma moderada. Ou seja, quando a mãe expressa suas emoções positivas de maneira exagerada ou não as expressa, ela não contribui para que seu filho apresente comportamento pró-social. Os autores sugerem, a partir destes resultados, que alta expressão emocional positiva pode gerar na criança uma reatividade prejudicial para a resposta empática. Também, esta expressividade alta pode ser encontrada em estilos parentais que prejudicam o desenvolvimento da empatia, como baixo controle ou baixa comunicação. De modo similar, a expressão de emoções negativas pela mãe aumenta as respostas de consideração pelo outro quando expressas de forma moderada. Este achado dá suporte para a hipótese de que a exposição a níveis moderados de expressão de emoções negativas promove entendimento emocional pela criança (Valiente et al., 2004). Assim, considera-se que estes achados apontam para a importância na qualidade da comunicação, considerando que o que influencia positivamente o desenvolvimento de empatia e respostas empáticas de ajuda é a forma de expressão emocional moderada e não a sua valência, positiva ou negativa.

Poucos estudos avaliam a influência materna sobre a empatia durante o primeiro ano de vida. Tong e colaboradores (2012), através de um estudo longitudinal, observaram que as atitudes maternas quando o filho estava com nove meses tinham um impacto significativo no nível de empatia apresentado aos 18 meses. Dentre as atitudes maternas que mais beneficiam o desenvolvimento da empatia, apontadas nesta pesquisa, estão: frequência de elogios, manutenção de rotina e níveis moderados de estresse associado à criação do filho. Os autores salientam a importância de elogiar o filho desde cedo. Os dados de sua pesquisa (Tong et al., 2012) apresentaram a seguinte relação: mães que pouco elogiavam seus filhos quando estes estavam com nove meses de idade, aumenta em quatro vezes o risco de eles apresentarem baixo escore de empatia aos 18 meses.

Em síntese, os achados relatados apontam para práticas parentais que promovem o desenvolvimento de empatia, como: relação de carinho, elogios, expressão moderada de emoção e estratégias positivas para lidar com o sofrimento do filho (focar-se na emoção ou no problema e estímulo para a criança expressar seus sentimentos). Ao considerar estas práticas como um todo, elas sugerem um ambiente acolhedor para verbalização de sentimentos e de suporte para resolução de problemas que, por sua vez, desenvolvem o conhecimento sobre as emoções e a capacidade de colocar-se no lugar de outro.

A empatia parental aparece na literatura como outro fator dentre a relação pais e filho que apresenta influência sobre o desenvolvimento de empatia. Pais mais empáticos utilizam práticas parentais menos autoritárias e controladoras, bem como também estimulam a expressão emocional de seu filho (Strayer & Roberts, 2004). A empatia cognitiva materna aumenta a frequência com que as mães utilizam estratégias de incentivo à tomada de perspectiva do outro que, por sua vez, aumenta o nível de empatia cognitiva demonstrada por seus filhos. Já a empatia emocional da mãe influencia a empatia cognitiva do filho através da modelagem de comportamentos empáticos (Farrant et al., 2012). Estes dados corroboram com os discutidos anteriormente, salientando a importância de estratégias que visam à tomada de perspectiva e ao benefício da sensibilidade, do carinho e das estratégias responsivas por parte dos pais.

O desenvolvimento cognitivo e de linguagem são fatores importantes para que o indivíduo construa a noção da existência de outro, essencial para a empatia cognitiva (Hoffman, 1984). Como suporte para esta teoria, encontra-se na literatura que a idade está relacionada com a capacidade de tomada de perspectiva (Strayer & Roberts, 2004) e que as práticas de estímulo ao desenvolvimento cognitivo são preditoras de empatia (Tong et al., 2012). O desenvolvimento cognitivo e de linguagem são variáveis da criança que têm grande importância para a qualidade da interação mãe e filho, visto que para a disponibilidade materna beneficiar a empatia apresentada por seu filho é preciso considerar o desenvolvimento cognitivo e de linguagem deste (Moreno et al., 2008).

A influência das variáveis da criança sobre as práticas parentais existe, porém, com menos intensidade que a influência contrária. Crianças com problemas de comportamento provocam em seus pais atitudes menos carinhosas e menor responsividade materna, de modo que estas mães também expressam menos emoções positivas (Zhou et al., 2002). Tal achado, juntamente com os resultados de Moreno e colegas (2008), direciona o olhar para o processo interacional entre emoções e comportamentos dos pais e da criança.

A qualidade da relação mãe e filho mostrou ser um fator importante para a frequência e intensidade das respostas empáticas direcionadas a um estranho. Crianças que respondem melhor as interações realizadas por sua mãe demonstram mais empatia pela pessoa desconhecida (Moreno et al., 2008). O vínculo seguro com a mãe e o bom nível de empatia anterior também beneficia o quanto a criança irá responder empaticamente ao estranho (van der Mark et al., 2002). É importante observar que, de modo geral entre os 16 e 22 meses, a empatia direcionada ao estranho tende a diminuir e a direcionada à mãe tende a aumentar (van der Mark et al., 2002).

Quando o temperamento infantil se caracteriza por medo e inibição, as práticas maternas de proteção e sensibilidade se mostram prejudiciais para o desenvolvimento de respostas empáticas de consideração pelo outro, direcionadas a um estranho (van der Mark et al., 2002). No entanto, estas práticas parecem ser positivas quando as respostas empáticas se direcionam a mãe (Hastings et al., 2005). Desta forma, entende-se que proteção e sensibilidade fortalecem a relação mãe e filho, porém mantém a inibição e o medo do desconhecido, diminuindo as respostas empáticas da criança e seu relacionamento interpessoal, podendo gerar dependência da relação com a mãe.

 

DISCUSSÃO

Neste artigo exploraram-se aspectos da empatia com o objetivo de revisar na literatura a influência dos estilos e práticas parentais sobre o desenvolvimento da empatia em crianças. Os estudos analisados mostram que esta se desenvolve sob a influência de diferentes variáveis, tais como a genética, o temperamento, o desenvolvimento cognitivo, os estilos parentais e o relacionamento entre pais e filho. Desta forma, é importante considerar a interação entre estas variáveis ao analisar a influência de cada uma para o desenvolvimento da empatia.

Ao estudar a influência dos pais sobre a empatia do filho observa-se que a relação que se cria não é unidirecional ou direta. Encontram-se fatores que mediam esta relação como o desenvolvimento cognitivo e de linguagem da criança. Isoladamente, as práticas parentais não poderão desenvolver a capacidade empática do filho se este não atingir o desenvolvimento cognitivo necessário para compreender que as outras pessoas pensam e sentem diferente dele. Assim como o temperamento do filho pode influenciar o comportamento dos pais. Também, as diferentes práticas parentais podem influenciar de maneira distinta o desenvolvimento da empatia, quando o temperamento do filho é inibido ou extrovertido. Portanto, isso sugere que a relação entre pais e filho é multifatorial, mostrando a importância de analisar todo o contexto quando frente a um indivíduo com baixa capacidade empática.

No entanto, a literatura evidencia que existem práticas parentais importantes para o desenvolvimento da empatia, independente das influências serem multifatoriais. A literatura revisada aponta as práticas parentais de incentivo à expressão emocional e à tomada de perspectiva do outro como práticas importantes para o benefício no desenvolvimento da empatia do filho. Ao relacionar os achados com os componentes da empatia descritos em seu conceito, estes resultados não surpreendem. Para que o indivíduo seja capaz de identificar a emoção de outro, característica do componente emocional, ele precisa ser capaz de identificar a própria emoção; habilidade esta desenvolvida a partir da expressão emocional. Já a capacidade de tomada de perspectiva do outro é a habilidade principal do componente cognitivo da empatia.

As práticas parentais relacionadas com o incentivo à expressão emocional do filho são: a demonstração de carinho, a responsividade materna, a empatia parental e o estilo parental de pais com autoridade. A prática de incentivo à tomada de perspectiva do outro também está relacionada com: a empatia parental, a maneira como os pais lidam com o sofrimento do filho, a maneira como o orientam na resolução de problemas e o estilo parental de pais com autoridade. Estas práticas desenvolvem a capacidade de regulação emocional, de resolução de problemas e a empatia cognitiva.

Como abordado ao longo deste artigo, a empatia tem um papel social importante na prevenção de diversos problemas comportamentais e de desenvolvimento de transtornos de personalidade. Frente aos achados, fica evidente a necessidade de promoção de programas e estratégias que visem o desenvolvimento da empatia. Programas de treinamento de pais que incentivem o desenvolvimento de habilidades presentes no estilo parental de pais com autoridade e que promovam a qualidade no relacionamento entre pais e filho aparecem como propostas de intervenção social para o seu desenvolvimento. Além disso, programas que trabalhem com as crianças a habilidade de expressão emocional e reconhecimento das emoções, assim como desenvolvimento da capacidade de colocar-se no lugar de outro são essenciais.

Os programas de prevenção da violência e de promoção da aprendizagem social e emocional para crianças trabalham com o desenvolvimento de inteligência emocional e habilidades sociais. Eles abrangem, de modo geral, aspectos como consciência emocional, regulação emocional, autoestima, habilidades sociais e resolução de problemas. Observa-se que o componente emocional da empatia é desenvolvido com as atividades que visam à consciência e regulação emocional. Já o componente cognitivo, nestes programas, é trabalhado em algumas atividades que focam as habilidades sociais e resolução de problemas, sem que exista um módulo específico para este aspecto da empatia. Dentre os programas encontrados atualmente estão o PATHS (Promoting Alternative Thinking Strategies; Channing Bete Company, 2013), “Amigos do Zippy” (Partnership for Children, 2013), PAV (Programa para Afianzar Vínculos; Cappi, Christello, & Marino, 2011) e Programa de inteligência emocional (Asociacíon Mundial de Educadores Infantiles, 2008), desenvolvidos para aplicação em crianças de idade escolar. Apenas alguns destes programas também orientam os pais, vista a importância da influência parental para o desenvolvimento da empatia, a aplicação de programas de treinamento de pais ainda é pequena. O protocolo proposto por Gottman e DeClaire (1997) é uma referência importante para o treinamento de pais no desenvolvimento de inteligência emocional e, consequentemente, de empatia.

A partir do que foi exposto, percebe-se que apesar de já existirem modelos teóricos para a compreensão do desenvolvimento da empatia, a literatura aponta para poucas práticas que visem à promoção deste. Esta revisão pretende auxiliar o desenvolvimento de projetos que promovam estas práticas.

 

REFERÊNCIAS

American Psychiatric Association (1994). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (4ª. ed.). Porto Alegre: Artmed.         [ Links ]

American Psychological Association (2010). Dicionário de Psicologia. Porto Alegre: Artmed.         [ Links ]

Asociacíon Mundial de Educadores Infantiles (2008). Programa de inteligencia emocional.         [ Links ] México: Trillas.

Baumrind, D. (1966). Effects of authoritative parental control on child behavior. Child Development, 37, 887-907. doi: 10.2307/1126611        [ Links ]

Beyers, J.M., & Loeber, R. (2003). Untangling developmental relations between depressed mood and delinquency in male adolescents. Journal of Abnormal Child Psychology, 31, 247- 266. doi: 10.1023/A:1023225428957        [ Links ]

Blair, R.J.R. (1997). Moral reasoning and the child with psychopathic tendencies. Personality and Individual Differences, 22, 731- 739. doi: 10.1016/S0191-8869(96)00249-8        [ Links ]

Caminha, R. M., Soares, T., & Kreitchmann, R.S. (2011). Intervenções Precoces: promovendo resiliência e saúde mental. In M. G. Caminha & R. M. Caminha (Eds.). Intervenções e treinamento de pais na clínica infantil (pp 31-80). Porto Alegre: Sinopsys.         [ Links ]

Cappi, G., Christello, M., & Marino, M. C. (2011). Educación emocional: programa de actividades para nível inicial y primario. Buenos Aires: Bonum.         [ Links ]

Channing Bete Company (2013, Setembro 23). PATHS Program. Disponível em: http://www.channing-bete.com/prevention-programs/paths/paths.html        [ Links ]

Cornell, A. H., & Frick, P. J. (2007). The moderating effects of parenting styles in the association between behavioral inhibition and parent-reported guilt and empathy in preschool children. Journal of Clinical Child and Adolescent Psychology, 36, 305–318. doi: 10.1080/15374410701444181        [ Links ]

Crick, N.R. (1996). The role of overt aggression, relational aggression, and prosocial behavior in the prediction of children’s future social adjustment. Child Development, 67, 2317- 2327. doi: 10.2307/1131625        [ Links ]

Darling, N., & Steinberg, L. (1993). Parenting style as a context: an integrative model. Psychological Bulletin, 113, 487-496. doi: 10.1037//0033-2909.113.3.487        [ Links ]

Davidov, M., & Grusec, J. E. (2006). Untangling the Links of Parental Responsiveness to Distress and Warmth to Child Outcomes. Child Development, 77, 44 – 58. doi: 10.1111/j.1467-8624.2006.00855.x        [ Links ]

Denham, S. A. (1998). Emotional development in young children. New York: The Guilford Press.         [ Links ]

Denham, S. A., Workman, E., Cole, P. M., Weissbrod, C, Kendziora, K. T., & Zahn-Waxler, C. (2000). Prediction of behavior problems from early to middle childhood: The role of parental socialization and emotion expression. Development and Psychopathology, 12, 23-45. doi: 10.1017/S0954579400001024        [ Links ]

Eisenberg, N., Carlo, G., Murphy, B., & Van Court, P. (1995). Prosocial development in late adolescence: A longitudinal study. Child Development, 66, 1179–1197. doi:10.2307/1131806        [ Links ]

Farrant, B.M., Devine, T.A.J., Maybery, M.T., & Fletcher, J. (2012). Empathy, perspective taking and prosocial behavior: The importance of parenting practice. Infant and Child Development, 21, 175-188. doi: 10.1002/icd.740        [ Links ]

Gottman, J., & DeClaire, J. (1997). Inteligência emocional e a arte de educar nossos filhos: como aplicar os conceitos revolucionários da inteligência emocional para uma compreensão da relação entre pais e filhos. Rio de Janeiro: Objetiva.         [ Links ]

Hastings, P. D., Rubin, K. H., & DeRose, L. (2005). Links Among Gender, Inhibition, and Parental Socialization in the Development of Prosocial Behavior. Merrill-Palmer Quarterly, 51, 467-493. doi: 10.1353/mpq.2005.0023        [ Links ]

Hastings, P. D., Zahn-Waxler, C., Robinson, J, Usher, B., & Bridges, D. (2000). The Development of Concern for Others in Children With Behavior Problems. Developmental Psychology, 36, 531-546. doi: 10.1037//0O12-1649.36.5.531        [ Links ]

Hoffman, M. L. (1984). Interaction of affect and cognition in empathy. In C. Izard, J. Kagan, & R. Zajonc (Eds.), Emotions, cognition, and behavior (pp. 103-131). New York: Cambridge University Press.         [ Links ]

Knafo, A., & Plomin, R. (2006). Parental Discipline and Affection and Children’s Prosocial Behavior: Genetic and Environmental Links. Journal of Personality and Social Psychology, 90, 147–164. doi: 10.1037/0022-3514.90.1.147        [ Links ]

Knafo, A., Zahn-Waxler, C., Hulle, C. V., Robinson, J. L., & Rhee, S. H. (2008). The Developmental Origins of a Disposition Toward Empathy: Genetic and Environmental Contributions. Emotion, 8, 737–752. doi: 10.1037/a0014179        [ Links ]

McDonald, N., & Messinger, D,(2011). The development of empathy: How, when, and why. In A. Acerbi, J. A. Lombo, & J. J.Sanguineti (Eds), Moral Behavior and Free Will: A Neurobiological and Philosophical Aprroach (pp 341-368). Morolo: IF-Press.         [ Links ]

McPherson Frantz, C., & Janoff-Bulman, R. (2000). Considering both sides: The limits of perspective taking. Basic and Applied Social Psychology, 22, 31–42. doi:10.1207/15324830051036252        [ Links ]

Miller, P. A., & Eisenberg, N. (1988). The Relation of Empathy to Aggressive and Externalizing/Antisocial Behavior.Psychological Bulletin, 103, 324-344. doi : 10.1037//0033-2909.103.3.324        [ Links ]

Moreno, A. J., Klute, M. M., & Robinson, J. L. (2008). Relational and Individual Resources as Predictors of Empathy in Early Childhood. Social Development, 17, 613-637. doi: 10.1111/j.1467-9507.2007.00441.x        [ Links ]

Partnership for Children (2013, Setembro 23). Zippy’s Friends. Disponível em: http://www.partnershipforchildren.org.uk/zippy-s-friends.html        [ Links ]

Rother, E.D. (2007). Revisão Sistemática X Revisão Narrativa. Acta Paulista de Enfermagem, 20, 5-6. doi: 10.1590/S0103-21002007000200001        [ Links ]

Schaffer, M., Clark, S., & Jeglic, E. L. (2009). The role of empathy and parenting style in the development of antisocial behaviors. Crime & Delinquency, 55, 586-599. doi: 10.1177/0011128708321359        [ Links ]

Singer, T. (2006). The neuronal basis and ontogeny of empathy and mind reading: Review of literature and implications for future research. Neuroscience and Biobehavioral Reviews, 30, 855–863. doi: 10.1016/j.neubiorev.2006.06.011        [ Links ]

Strayer, J., & Roberts, W. (2004). Children’s anger, emotional expressiveness, and empathy: relations with parents’ empathy, emotional expressiveness, and parenting practices. Social Development, 13, 229-254. doi: 10.1111/j.1467-9507.2004.000265.x        [ Links ]

Tong, L., Shinohara, R., Sugisawa, Y., Tanaka, E., Yato, Y., Yamakawa, N., & Anme, T. (2012). Early development of empathy in toddlers: effects of daily parent–child interaction and home-rearing environment. Journal of Applied Social Psychology, 42, 2457–2478. doi: 10.1111/j.1559-1816.2012.00949.x        [ Links ]

Valentini, F., & Alchieri, J.C. (2009). Modelos clínicos de estilos parentais de Jeffrey Young: Revisão de literatura. Contextos Clínicos, 2, 113-123. doi: 10.4013/ctc.2009.22.06        [ Links ]

Valiente, C., Eisenberg, N., Fabes, R. A., Shepard, S. A., Cumberland, A., & Losoya, S. H. (2004). Prediction of children’s empathy-related responding from their effortful control and parents’ expressivity. Developmental Psychology, 40, 911–926. doi: 10.1037/0012-1649.40.6.911        [ Links ]

van der Mark, I. L., van IJzendoorn, M. H., & Bakermans-Kranenburg, M. J. (2002) Development of empathy in girls during the second year of life: associations with parenting, attachment, and temperament. Social Development, 11, 451-468. doi: 10.1111/1467-9507.00210        [ Links ]

Warden, D., & Mackinnon, S. (2003). Prosocial children, bullies and victims: An investigation of their sociometric status, empathy and social problem- solving strategies. British Journal of Developmental Psychology, 21, 376- 385. doi: 10.1348/026151003322277757        [ Links ]

Young, S. K., Fox, N. A., & Zahn-Waxler, C. (1999). The relations between temperament and empathy in 2-year-olds. Developmental Psychology, 35, 1189-1197. doi: 10.1037//0012-1649.35.5.1189        [ Links ]

Zahn-Waxler, C., Radke-Yarrow, M., Wagner, E., & Chapman, M. (1992a). Development of Concern for Others. Developmental Psychology, 28, 126-136. doi: 10.1037//0012-1649.28.1.126        [ Links ]

Zahn-Waxler, C., Robinson, J. L., & Emde, R. N. (1992b). The Development of Empathy in Twins. Developmental Psychology, 28, 1038-1047. doi: 10.1037//0012-1649.28.6.1038        [ Links ]

Zhou, Q., Eisenberg, N., Losoya, S. H., Fabes, R. A., Reiser, M., Guthrie, I. K., Murphy, B. C., Cumberland, A. J., & Shepard, S. A. (2002). The Relations of Parental Warmth and Positive Expressiveness to Children’s Empathy-Related Responding and Social Functioning: A Longitudinal Study. Child Development, 73, 893–915. doi: 0009-3920/2002/7303-0016        [ Links ]

 

Endereço para Correspondência

Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Rua São Paulo, 510 apto. 701, Bairro Centro – São Leopoldo/RS – Brasil, CEP: 93010-170. Telef.: +55 51 35883568/ +55 51 82150989. E-mail: licejusto@gmail.com

 

Recebido em 24 de Setembro de 2013/ Aceite em 20 Fevereiro 2014