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Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher

versão impressa ISSN 0874-6885

Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher  no.40 Lisboa dez. 2018

 

ESTUDOS

As mulheres que pintam na cidade: Representações de género na arte urbana

Womenwho paint in the city: Gender perceptions in urban art.

Ágata Dourado Sequeira*

*Universidade NOVA de Lisboa, FCSH - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais, 1069-061 Lisboa, Portugal, agatasequeira@fcsh.unl.pt


 

RESUMO

Pretende-se neste artigo dar conta da presença feminina em meios criativos muito masculinizados, como o graffiti e a street art, bem como das estratégias a que recorrem para maior reconhecimento, visibilidade e também (re)construção identitária. Desde o recurso a marcas de identidade de género à criação de comunidades virtuais de mulheres artistas, são várias as estratégias a que estas artistas recorrem na forma como se posicionam em relação ao seu trabalho, para construírem um percurso pessoal que reconfigura referentes subculturais e novas possibilidades de carreira que se abrem com os recentes processos de legitimação da arte urbana.

Palavras-chave: representações de género, performatividade, graffiti, street art, mulheres artistas.


 

ABSTRACT

The aim of this article is to approach the feminine presence in what are very masculine creative realms, such as graffiti and street art, as well as the strategies these women use for recognition, visibility, and also to reconfigure their identity. From the use of gendered marks in their work, to the creation of virtual communities of women artists, several are the strategies that these artists use in the way they position themselves in relation to their work, to construct a personal path that reconfigures subcultural referents with the new career possibilities that are being opened with the recent processes of legitimization of urban art.

Keywords: gender representations, performativity, graffiti, street art, women artists.


 

Introdução

O graffiti, com origem na cultura hip-hop norte-americana, é um meio que tem suscitado amplo interesse académico ao longo dos últimos anos. Prática de génese ilegal, de contornos subculturais muito específicos, em que a ideia de desafio físico se alia à importância de espalhar ao máximo o «nome» de quem cria pela cidade, tende a ser conotada com vandalismo e um certo carácter subterrâneo. Há ainda, surpreendentemente, poucas abordagens que se debruçam sobre os seus traços altamente masculinizados e que têm como consequência observável as praticantes do género feminino serem ainda uma minoria.

Exceções neste campo académico são trabalhos como os de Nancy Macdonald (2001, 2017) ou de Jessica Pabón (2013, 2017), nos quais é destacada, respetivamente, a medida em que o graffiti constitui um meio onde identidades masculinas são construídas e validadas, bem como as estratégias de visibilidade e aceitação a que a minoria feminina que o pratica recorre.

Por outro lado, a street art, expressão artística de rua cuja génese se traça em simultâneo a partir do graffiti hip-hop e dos escritos murais e políticos de tradição europeia da segunda metade do século XX (Campos, 2010; Sequeira, 2016), tem-se vindo a tornar cada vez mais presente e visível nos grandes centros urbanos. A street art é um meio distinto do graffiti, sendo caracterizado por uma maior amplitude ao nível plástico e temático, ainda que partilhe traços em comum com o graffiti, nomeadamente em linguagens estéticas e técnicas. A sua liberdade em relação a códigos subculturais - já que não se trata de um meio que assuma fortes contornos de subcultura, como sucede com o graffiti - permite que haja mais raparigas a praticar street art, ainda que a sua proporção em relação a pares masculinos seja minoritária.

Porém, as biografias de quem pratica graffiti e street art muitas vezes se cruzam, sendo também comum a partilha de códigos, perceções e estratégias de visibilidade em ambas as práticas.

Assim, são objetivos deste artigo abordar essas estratégias, nomeadamente no que se refere à forma como as mulheres praticantes de arte urbana (graffiti, street art e também as suas derivações de contornos legais) marcam a sua presença, afirmam a sua visibilidade e criam espaço para o seu trabalho, ao passo que diminuem a desigualdade de género em meios onde persistem traços altamente masculinizados.

Para tal, a primeira secção consiste num enquadramento teórico em que questões como o estado da arte relativamente à presença feminina nestes meios e as perceções do público de graffiti e street art em relação ao género dos seus artistas e criadores serão abordadas. Na segunda secção, são as estratégias das mulheres que criam arte urbana o enfoque, desde o recurso (ou recusa) a marcas de identidade de género no seu trabalho ou à criação e manutenção de comunidades virtuais onde estas mulheres podem combater o isolamento que sentem. De seguida, serão dados exemplos concretos de mulheres artistas nestas áreas e das estratégias que desenvolveram para construírem os seus percursos pessoais de carreira. Essa reflexão resulta de uma recolha de dados de diferentes fontes, desde uma pesquisa bibliográfica por revistas especializadas nestas expressões visuais, físicas e online, a monografias de artistas ou ainda entrevistas realizadas pela autora.

Termina-se este texto com uma reflexão sobre a forma como os recentes processos de legitimação e institucionalização da arte urbana (Campos e Sequeira, no prelo), com a penetração no mundo da arte contemporânea e seus mercados, pode em si constituir uma rutura com as estruturas desse mundo, incluindo as de desigualdade de género, na medida em que constitui uma alternativa: de formas de fazer, de percursos de quem faz e sobretudo dos seus perfis.

1. Do graffiti à street art: performatividade e representações de género

O graffiti, enquanto meio subcultural, encerra em si um conjunto de práticas e de códigos que têm significados muito específicos - e também à margem da cultura urbana considerada em termos mais abrangentes. Esses códigos e práticas são conhecidos e reconfigurados pelos seus praticantes, os writers, bem como os «iniciados» no meio, sendo por vezes de difícil lisibilidade para quem não os conhece.

A constatação de que o graffiti é um meio subcultural essencialmente masculino é comum na literatura científica sobre o assunto, em diversos contextos urbanos. De facto, é possível afirmar, como Jessica Pabón (2017) o fez, que a própria história do graffiti foi escrita sob um ponto de vista masculino, sendo relegado para as mulheres que o praticaram e que se notabilizaram por isso um papel de «exceção» a essa «regra» masculina.

Nancy Macdonald (2001, 2017), ao abordar o graffiti como uma subcultura de formação de masculinidade, inverte a questão sobre porque não há mais raparigas a fazer graffiti, debruçando-se antes sobre as razões por que os rapazes escolhem esta prática. E é nas práticas que encontra a resposta, nomeadamente no aspeto da performatividade, ao introduzir a perspetiva do graffiti enquanto forma de os jovens poderem não só construir, como validar a sua identidade masculina.

Esta performatividade encontra-se nas proezas físicas que são valorizadas no graffiti - como o conseguir pintar num lugar de difícil acesso, muito alto ou perigoso, em carruagens de comboios, etc. -, mas também no aspeto simbólico de rebeldia e de desafio que é associado ao ato de intervir num lugar proibido, sem se ser apanhado pelas autoridades.

1.1. Graffiti no feminino: mulheres writers. Se, como Nancy Macdonald considera, o graffiti é um meio de construção e confirmação de identidade masculina, quais poderão ser os posicionamentos das raparigas que penetram neste meio (ainda que em muito menor número) e também querem pintar? A estratégia típica das raparigas que entram no meio é, numa primeira instância, mostrar que «não são raparigas», que não possuem esses traços estereotipados do que são as características femininas. Isso inclui não só a participação nas práticas, mesmo nos seus significados de afirmação, como a rejeição de temas «demasiado femininos». No entanto, e como Macdonald sublinha, enquanto o praticante masculino de graffiti o faz para obter respeito, a demanda da praticante feminina acaba sempre por ser pela aceitação num meio masculino:

The female writer cannot really win. She must behave like a male writer, yet, when she does, she is still judged harshly for being a woman. Her gender remains highlighted, subjecting her to different treatment and presenting her with different objectives. While the male writer works to earn respect, she works to shatter stereotypes and gain a sense of acceptance. (Macdonald, 2001, p. 136)

Em Portugal, Ricardo Campos, no seu estudo sobre o graffiti urbano, encontrou uma realidade semelhante. As writers femininas eram tidas como casos excecionais, sendo sempre «julgadas de forma diferente, como outsiders» (Campos, 2010, p. 195). Portanto, o graffiti em Portugal também não parece ser um meio em que a igualdade de género seja uma realidade de facto.

Porém, o graffiti não é a única forma de expressão criativa urbana de carácter geneticamente ilegal e espontâneo. Para além desta expressão subcultural, é de notar o aparecimento e crescente visibilidade de um outro tipo de prática criativa urbana, a street art.

1.2. Presença feminina na street art. De presença crescente nas ruas das cidades, particularmente desde a entrada no século XXI, a street art engloba um conjunto de expressões e práticas muito vasto, do ilegal ao comissionado, da rua à galeria, do sticker ao grande mural, pelo que vale a pena revisitar esta questão do género em relação a estas novas práticas de arte urbana. Esta é uma prática que não tem contornos subculturais como o graffiti, sendo caracterizada por uma muito maior abrangência a nível técnico e expressivo e uma mais ampla intenção comunicativa, que também a define (Sequeira, 2016). Deste modo, não é surpreendente que tenha maior representação feminina do que o graffiti, ainda que as mulheres sejam em menor número do que os homens que praticam street art.

Malin Fransberg (2018) abordou esta questão, num artigo em que explora as formas segundo as quais as mulheres negoceiam a sua posição face aos seus pares masculinos, enquanto praticantes de graffiti e de street art. Partindo de uma pesquisa etnográfica no contexto de Helsínquia, a autora ressalva a importância de distinguir entre as duas práticas, já que é significativa a diferença a nível das performatividades de género entre o graffiti e a street art. A autora considera que são problemáticas as abordagens que assumem que as mulheres que praticam graffiti e as que praticam street art formam um grupo coeso, já que se trata de duas formas expressivas diferentes e com contornos distintos nas suas práticas, propósitos e mensagens.

A própria Martha Cooper, fotógrafa conhecida por ter seguido e documentado o movimento do graffiti hip-hop desde os anos 1970 em Nova Iorque, e que continua a documentar e a seguir de perto a street art e do graffiti que se têm vindo a fazer a nível internacional, nota que há de facto um acréscimo (ainda que, considera, ligeiro) na presença de mulheres que fazem street art, em relação a esse panorama nos primórdios do graffiti norte-americano: «There’s definitely more women now. Before, women might have made up one 10th of a per cent, and now maybe it’s one per cent. Street art is very democratic in that anybody can do it, and quite a few women that do it are good at it» (Martha Cooper, cit. in Wyatt 2013, para. 3).

As razões para que ainda haja comparativamente poucas mulheres praticantes de street art podem prender-se com a possibilidade de as artistas considerarem a entrada no meio como sendo intimidante no início, ideia explorada por Christensen e Thor (2017). Já Nancy Macdonald (2017) propõe uma explicação interessante para que, no entanto, as mulheres sejam proporcionalmente mais na street art do que no graffiti, e que se interliga com o facto de este se centrar muito na expressão e disseminação do tag, do «nome» de quem faz, o que é em si uma forma de performatividade de uma ideia de masculinidade. Já na street art, a ênfase está na arte em si e na mensagem que o artista pretende transmitir. Ainda que a ideia de desafio físico na sua prática possa subsistir (não sendo no entanto tão valorizada como no graffiti), o «nome» já não tem o posicionamento central que tem no graffiti, o que lhe retira esse carácter de performance de masculinidade que o graffiti tem. Deste modo, parece existir na street art um meio mais acolhedor para as mulheres que a queiram praticar.

1.3. Perceções do público em relação ao género de quem cria arte urbana. Um aspeto que revela claramente que há estereótipos de género a serem acionados é o que se refere à perceção que quem vê arte urbana tem em relação ao género de quem a faz. Sustenta Jessica Pabón (2017) que esta pende para a assunção de que o artista de street art e graffiti é, por defeito, masculino. Nesse sentido, Vittorio Parisi (2015) desenvolveu um estudo que incidiu precisamente sobre as perceções de género relativamente ao trabalho de artistas de arte urbana, no qual os participantes eram convidados a identificar o género do artista, baseando-se apenas na visualização das peças. Do conjunto de artistas mostrados aos participantes, havia mulheres writers, do graffiti, como Lady Pink, Claw e Akit, bem como mulheres street artists, tais como Swoon e Kashink.

Parisi (2015) procurou saber se os ideais de hipermasculinização do graffiti tradicional se mantêm para o mundo da street art, pelo que explorou as possibilidades de correlação entre temas e perceções de género em relação aos artistas. A conclusão a que chegou é de que, precisamente, a perceção de arte urbana (graffiti e street art) é profundamente afetada por estereótipos e preconceitos de género, já que nos casos em que os trabalhos mostrados aos participantes não exibiam marcas estereotipicamente conotadas com o «feminino», sendo portanto percecionados «neutros» ou «masculinos», a assunção geral era de que quem os teria feito seria um homem.

2. Visibilidade e reconhecimento: estratégias das artistas de arte urbana

Nesta segunda secção pretende-se explorar as estratégias concretas que as mulheres que criam arte urbana usam, tais como recorrer (ou não) a marcas de identidade de género no seu trabalho ou participar em comunidades virtuais, muitas vezes internacionais, nas quais podem combater um certo sentimento de isolamento e também obter reconhecimento pelo seu trabalho. Serão explorados alguns exemplos concretos em relação às práticas das artistas de graffiti e de street art, que, tendo como pano de fundo os respetivos códigos subculturais, os reconfiguram para (re)construir a sua identidade - de mulheres que praticam arte urbana.

Os dados que constituem esta secção resultam de uma pesquisa de materiais bibliográficos, nomeadamente de entrevistas em revistas especializadas e monografias artísticas de mulheres que fazem arte urbana, bem como entrevistas realizadas pela autora no âmbito de dois projetos que se debruçam sobre o mundo da arte urbana[1].

2.1. Marcas de identidade de género no trabalho das artistas. Uma vez que, como acabámos de ver, não é geralmente assumido que quem cria street art e graffiti é uma mulher, as artistas e praticantes optam por tornar a sua identidade de género visível ou não através do seu trabalho, o que significa escolher um tipo de imagética tradicionalmente conotada com «o feminino», ou um tag que as identifique enquanto tal, ou que seja «neutro» em relação a possíveis conotações com um determinado género. Analisemos, portanto, as diferentes estratégias que as praticantes de arte urbana exploram[2].

Jessica Pabón (2017) nota que sinalizar a sua identidade feminina implica, para as artistas, recorrer aos mesmos referentes e estereótipos que são usados para diminuir a sua presença e trabalho no âmbito destas práticas - no que refere como sendo uma «hierarquia estética», em que as artistas que recorrem a uma estética «feminina» são marginalizadas por isso. Tornar o seu trabalho identificável como tendo sido feito por uma mulher, acrescentando-lhe marcas relacionadas com estereótipos visuais femininos, ou dando nomes conotáveis com o universo ‘feminino’ às suas crews, transforma-se na escolha de algumas praticantes. E essa escolha é em si política, porque permite às praticantes o acesso a uma subcultura extremamente masculinizada, marcando claramente a sua presença (Bridges, 2013).

Por outro lado, não sinalizar uma autoria feminina através de um nome que o sugira também pode ser uma opção estratégica para as artistas. Kriston Capps (2014) assinou um artigo interessante no site City Lab, onde, partindo da interrogação sobre o género de Banksy, street artist de reconhecimento maior e cujo trabalho é identificável e reconhecido internacionalmente, oferece uma reflexão sobre o que são as noções pré-concebidas de quem é artista de street art e de como tende a ser uma imagem masculina a preencher essas noções (Capps, 2014). Não sendo a questão da identidade (ou do género) de Banksy em si interessante, a questão é pertinente na medida em que sugere um conjunto de reflexões muito válidas para esta discussão. Ninguém imagina que Bansky seja uma mulher, pelo que pode ser essa a razão do sucesso da permanência do seu anonimato; Capps (2014) argumenta indicando que a própria street art de Banksy tem uma linguagem diferente e específica, na medida em que não se trata de repetir uma mesma mensagem (um poster, um stencil) o máximo de vezes possível, numa tentativa de branding de autor nas ruas, que é algo marcadamente masculino e que é o que artistas como Shephard Fairey e Invader começaram por fazer no início das suas carreiras.

Deste modo, as estratégias a que as artistas recorrem no seu trabalho para conseguirem visibilidade e respeito no meio variam entre: utilizar referentes e linguagens estereotipicamente conotados como «femininos», adotar um nome/tag que as identifique enquanto mulheres, ou, por outro lado, optar pela neutralidade no tag e no tipo de trabalho que desenvolvem. As artistas podem optar por «negociar, manipular, explorar ou rejeitar» as convenções que ditam a forma como as práticas criativas de rua - o graffiti e a street art - são vistas, sendo que cada uma constrói a sua resposta e a sua presença no meio, consoante o seu percurso e visão pessoal.

2.2. A internet como ferramenta para a visibilidade do trabalho das artistas . Um aspeto que tem vindo a possibilitar a mudança relativamente à questão da presença e visibilidade feminina na arte urbana é sem dúvida o impacto que a internet tem, particularmente na disseminação e partilha do trabalho dos diferentes artistas (Sequeira, 2016). No que se refere ao trabalho das mulheres no graffiti, a sua presença online assume-se como uma forma de obterem mais visibilidade, possibilitando-lhes um outro modo de se organizarem enquanto comunidade, extravasando fronteiras geográficas e condicionantes das suas realidades urbanas específicas (Macdonald, 2017; Pabón, 2013).

De facto, uma estratégia a que as mulheres artistas de graffiti e street art recorrem é organizarem-se coletivamente, a partir da internet ou não (Pabón 2013, 2017). No entanto, o papel da internet, nomeadamente das redes sociais e websites, no que se refere a este potencial de organização de coletivos de mulheres artistas, é considerável, já que o anonimato e a facilidade de acesso permitem que as artistas se possam identificar com o trabalho umas das outras, criando oportunidades de partilha e também de organização de encontros (Pabón, 2017).

Jessica Pabón abordou esta questão num seu artigo de 2013 sobre uma crew feminina de graffiti, transnacional, que se organizou a partir da internet, a Stick Up Girlz (SUG). Tendo notado a existência de vários websites de graffiti geridos por mulheres e direcionados para um público feminino, Pabón (2013) considera que o seu recurso à internet e às redes sociais pode ser uma forma de conferir visibilidade a uma atividade predominantemente conotada como masculina. No que se refere a esta crew organizada virtualmente (mas cujos membros se encontram e pintam juntas ocasionalmente), a sua diferença de género em relação ao «mundo masculino» do graffiti é celebrada e afirmada no seu website. As integrantes do coletivo veem-se como uma ‘família’, unindo-as laços de amizade que vão para além da prática de graffiti, o que contraria a ideia da writer enquanto elemento isolado num «mundo masculino» (Pabón, 2013).

Deste modo, a internet assume-se como um elemento que permite que estas mulheres afirmem a sua prática de graffiti contra os estereótipos de género do meio, ao mesmo tempo que lhes permite conectarem-se com outras mulheres que pratiquem graffiti, de forma a não se sentirem isoladas. Comunidades virtuais como esta têm para estas mulheres o efeito não apenas de combater estereótipos de género de um meio subcultural extremamente masculinizado, mas também de lhes permitir a elas mesmas performativizar as suas identidades nessa subcultura, afirmando e validando a sua presença, e tornando-a progressivamente mais visível e aceite.

2.3. Estratégias de visibilidade e reconhecimento: exemplos de mulheres artistas de arte urbana. Vejamos agora alguns exemplos dessas estratégias, partindo dos casos específicos de artistas estrangeiras e também de artistas portuguesas.

A título ilustrativo, é pertinente partilhar aqui o testemunho de Swoon, uma street artist cujo trabalho tem sido profusamente reconhecido e exibido. Num texto que escreveu em 2014, Swoon transmite-nos a sua experiência de lidar com a questão de género no mundo da street art. Numa primeira instância, a negação da questão, a busca pela neutralidade, o ignorar quando pensavam que por detrás do nome Swoon estava um homem. Depois, um certo jogo nisso, no prazer de antecipar a surpresa que as pessoas teriam quando descobrissem que era uma mulher. Finalmente, apenas a vontade de deixar o seu trabalho falar, de se superar a si mesma e de que a linguagem da sua arte seja honesta e não seja surpreendente que seja feita por uma mulher (Swoon, 2014).

Também Kashink, outra street artist francesa cujo trabalho é reconhecido internacionalmente, nos indica como se posiciona em relação à questão do género e do seu trabalho enquanto artista, em entrevista para o site Global Street Art (2012). A artista faz questão de se destacar do que considera o «estilo feminino» comum, de figuras cute e femininas. De facto, Kashink não pinta figuras femininas de todo, o que considera uma forma de tornar mais abrangente o que é «expectável» do trabalho de uma mulher que faz street art: «I’m a woman but I don’t paint women; I’m not constrained by gender. Most female street artists paint cute, half-naked figures. I think it’s time to bring something new as a person and as a woman» (Kashink, em entrevista à Global Street Art, 2012, para. 12).

Diametralmente oposta é a perspetiva de Miss Van em relação aos temas que escolhe para o seu trabalho. Esta street artist francesa é conhecida pelas figuras femininas voluptuosas que pinta, e que frequentemente são representadas usando máscaras. Pretende explorar com o seu trabalho «sentimentos, emoções e feminilidade», pelo que as suas poupées são o veículo visual que lhe possibilita o que também é uma exploração interior. A artista relata que esse é de facto o seu tema central e exclusivo, a figura feminina, não tendo aliás interesse no desenho da figura masculina (Miss Van, in Dscreet & Greiner, 2013).

Um posicionamento diferente é o de Vexta, uma reconhecida street artist australiana, cujo trabalho incide sobretudo sobre stencils coloridos. Esta artista afirma a necessidade de ser reconhecida pelo seu trabalho, e não por ser uma «mulher artista», considerando que a diferença de género em termos do trabalho dos artistas de street art não deveria de todo existir:

«I work hard and I’m stoked that people are interested in what I make and do. When it comes down to it, you’re only as good as your last work. I always cringe slightly at being referred to as a “female artist” rather than just an artist» (Vexta, cit. in Roland, 2013, p. 123).

Também Aiko, uma writer e street artist japonesa fixada em Nova Iorque, desenha figuras femininas (pin-ups), no que considera ser um ato de reapropriação do corpo da mulher (Wyatt, 2013). Tal como Vexta, Aiko não quer ser conhecida como uma ‘mulher artista de street art’, posição aliás idêntica à de Faith47, sul-africana cujo trabalho tem sido reconhecido. Faith47 entende que a questão do género não deve ser algo que distraia do que pretende que seja o enfoque, o seu trabalho, sendo que as suas ações e o facto de pintar são por si só expressivos da vontade de romper barreiras no que ainda é um mundo muito masculinizado (Wyatt, 2013).

No panorama português, várias são as artistas que têm vindo a ganhar reconhecimento e visibilidade na arte urbana, ainda que permaneçam uma minoria em relação aos seus pares masculinos. Tamara Alves é sem dúvida uma das street artists mais reconhecidas. É, por exemplo, a única artista portuguesa a figurar no site womenstreetartists.com, que agrega informação sobre 66 mulheres artistas de street art internacionais. Os seus trabalhos exploram temas interiores, psicológicos, e são emocionalmente muito expressivos, sendo recorrentes a figura feminina e as representações de animais. A artista reconhece que há poucas mulheres a trabalhar nesta área; no entanto, tem conseguido ver o seu trabalho valorizado, graças à visibilidade que tem vindo a obter com o seu trabalho de arte urbana comissionada, mas também de ilustração e de tatuagem. Contudo, no início do seu percurso pela arte urbana sentiu essa desigualdade e reconhece que é um meio muito masculino: «Acho que ainda há preconceito, ainda há uma certa desconfiança, cada vez menos, mas ainda não sinto que a mulher esteja num patamar de igualdade. Não sinto isso no meu trabalho, mas senti durante algum tempo a tentar vingar numa área dominada por homens» (Tamara Alves[3]).

 

 

Vanessa Teodoro, artista de arte urbana com formação em design gráfico e publicidade, bem como experiência em ilustração, começou o seu percurso de intervenções nas paredes da cidade através do graffiti - experimentação que, afirma, foi possível graças a contactos que tinha de writers. No entanto, não se considera parte desse meio, ainda que tenha sido graças a convites para pintar com eles que o seu trabalho ganhou aí visibilidade, e que, devido às suas características, tenha igualmente obtido algum respeito. Por outro lado, também nos temas que são importantes no seu trabalho, Vanessa Teodoro afirma que a figura feminina é importante, bem como a perspetiva feminista, embora afirme não pretender dar contornos claramente políticos aos seus desenhos. Para a artista, o recurso a estes temas é pertinente e central, dada a pouca representatividade que as mulheres têm no mundo da arte urbana.

 

 

Moami é uma street artist portuguesa que começou a pintar graffiti, participando também em vários projetos de muralismo comissionados. Estilisticamente, explora figuras femininas, que se enquadram numa certa imagética cute. No entanto, afirma[4] que não gosta de pintar com outras raparigas, assumindo-se como «maria-rapaz» e considerando que a maior parte das raparigas com quem pintou, no contexto do graffiti, não o leva a sério, sendo que muitas pintam apenas com os namorados. É de notar que esta writer é uma das artistas que figuram no livro All City Queens (Syrup & Cyris, 2016), que compila trabalhos de mulheres que fazem graffiti, em contexto internacional. Inclui as pioneiras, como Lady Pink e Claw, e jovens writers também. Moami é a única portuguesa a figurar neste trabalho.

 

 

Uma outra artista portuguesa, Maria Imaginário, cujo trabalho passou pelo graffiti e street art, explora figuras como corações, gelados, bolos, bonecos com grandes sorrisos de cartoon; são marcadamente de estética cute, que é estereotipicamente considerada como hiperfeminina. No entanto, foram estas figuras que a artista começou por desenhar a spray nas paredes da cidade de Lisboa, particularmente em edifícios abandonados - também porque a questão do desafio à autoridade, a ilegalidade, tipicamente vistos como aspetos valorizados no meio do graffiti e que são, como vimos, elementos performativos de afirmação e validação de masculinidade no meio (Macdonald, 2001; Campos, 2010), não lhe interessavam.

Há também artistas plásticas que passaram pela arte urbana como uma forma de ampliarem o seu portfólio artístico e satisfazerem uma necessidade pessoal enquanto artistas de experimentarem novas linguagens e técnicas; são os casos de Mariana Dias Coutinho ou Leonor Brilha. Estas artistas veem a sua passagem pela arte urbana como um momento, e não como um aspeto que defina as suas carreiras, pelo que a sua perceção do que são as diferenças de género no mundo da arte urbana é reduzida, já que, apesar de participarem em comissões ocasionais, se sentem outsiders nesse meio (Sequeira, 2016).

 

 

Reflexões finais

Vimos como o graffiti, meio subcultural altamente masculinizado, com ênfase no aspeto performativo (Macdonald, 2001, 2017), e a street art, de contornos mais abrangentes a vários níveis, persistem como meios criativos onde a presença feminina é muito menos expressiva em relação aos seus pares masculinos. No entanto, há em ambos os meios várias mulheres que praticam e que criam, e cada uma desenvolve um conjunto de estratégias para que o seu trabalho obtenha maior visibilidade e reconhecimento e as desigualdades de género que persistem se diluam. Da rejeição dos traços tipicamente femininos do seu trabalho ou, simetricamente, do recurso a uma imagética hiperfeminina até ao uso de tags que não denunciam uma artista feminina ou, pelo contrário, afirmam essa presença de género, são diversas as estratégias que cada artista compõe e que estão necessariamente ligadas ao seu percurso biográfico e linguagens criativas. Por outro lado, a possibilidade de estas mulheres se reunirem em grupos, particularmente de forma virtual, é uma outra estratégia, desta vez coletiva, de tornarem a sua presença mais visível em meios masculinizados, bem como de combaterem o sentimento de isolamento que muitas vezes estas artistas e praticantes sentem.

São, como vimos, diversas as formas como as mulheres artistas de graffiti e street art lidam com a questão do género em relação ao seu trabalho, e como constroem a sua identidade enquanto artistas e de que modo essa questão contribui para esses processos de (re)configuração identitária e de construção de uma carreira artística.

Paralelamente, a arte urbana, englobando expressões de génese espontânea e ilegal, como o graffiti e a street art, e também intervenções comissionadas, quer no âmbito de projetos promovidos por entidades e instituições locais, quer em festivais, quer ainda em iniciativas de cariz associativo (Sequeira 2016; Campos & Sequeira, no prelo), tem vindo a crescer e a penetrar também no mundo da arte contemporânea. É cada vez mais frequente a passagem de artistas de arte urbana para a galeria e para o mercado da arte, sendo esta uma realidade recente que também não é isenta de potencial transformador no mundo da arte contemporânea - bem como da representatividade das mulheres que nele obtêm reconhecimento. Assim, já não se trata apenas da questão de estas mulheres encontrarem mecanismos de visibilidade em subculturas visuais urbanas altamente masculinizadas, mas de reconfigurarem esses referentes de forma a construírem uma carreira artística, num meio polivalente que se tem vindo a constituir como um novo mundo da arte.

Maura Reilly, num artigo que escreveu em 2015 para o site Art News, afirma que, apesar de nas últimas décadas ter havido muitas mudanças positivas em termos do papel e reconhecimento das mulheres artistas no mundo da arte contemporânea (no seu sentido mais amplo), há ainda um longo caminho a percorrer em direção a uma igualdade que ainda não é verificável, sendo que a discriminação em relação às mulheres é um aspeto transversal a todas as componentes do mundo da arte - nomeadamente, presença de trabalhos e exposições a solo em museus e galerias, preços que as peças elaboradas por mulheres artistas atingem em leilões de arte (Jones, 2015), presença de trabalhos de mulheres artistas em coleções privadas, participantes femininas em bienais e na Documenta, cobertura mediática de mulheres artistas, etc. (Reilly, 2015).

Esta situação de desigualdade de género no mundo da arte é aliás uma batalha constante das Guerilla Girls, grupo de artistas/ativistas feministas cujas ações são orientadas para o mundo da arte, sobretudo no que se refere ao combate à desigualdade da representação e visibilidade do trabalho das artistas em museus e galerias, bem como à subalternização do papel das mulheres nas artes em geral. Veja-se o vídeo Beyond the Streets Presents: This is The Guerrilla Girls, publicado online pela Juxtapoz Magazine (2018), e no qual a mensagem das Guerilla Girls é clara:

The Guerrilla Girls are feminist activist artists. (…) We believe in an intersectional feminism that fights discrimination and supports human rights for all people and all genders. We undermine the idea of a mainstream narrative by revealing the understory, the subtext, the overlooked, and the downright unfair. (Juxtapoz Magazine, 2018)

Este grupo formou-se em 1985, e no âmbito da celebração do seu 30.º aniversário de atividade (em 2015) tornou a encenar uma das suas mais conhecidas campanhas, comparando as percentagens de representação de mulheres artistas em galerias e exposições individuais em museus. Nos 30 anos que separam as duas campanhas, as melhorias são muito poucas, constatam (Vogel, 2015).

Uma forma de combater esta desigualdade no mundo da arte pode residir, como argumenta Amelia Jones (2015), não só em espaços alternativos, como em estratégias alternativas e novas linguagens criativas que permitam desafiar as instituições e o funcionamento deste meio.

Sendo crescente o número de mulheres artistas de arte urbana que têm conseguido penetrar no contexto da galeria e marcado presença no mundo e mercados da arte contemporânea[5], é inevitável colocar a questão em relação ao potencial transformador desta expressão na arte contemporânea, tendo em conta que esta constitui em si uma rutura com as estruturas de poder da arte (Caeiro, 2014). Assim, será que o mundo da arte urbana, que tem vindo a crescer e a afirmar-se, tornando os seus artistas mais visíveis e também eventualmente cotáveis no mercado da arte, pode constituir uma alternativa que permita uma maior abertura do mundo da arte contemporânea aos artistas que não correspondem ao estereótipo de artista masculino/euro-americano/privilegiado - nomeadamente, às mulheres?

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recepção: 18/09/2018

Aceite para publicação: 16/10/2018

[1]. Nomeadamente, uma tese de doutoramento (Sequeira, 2016) e o projeto “TransUrbArts” - Emergent Urban Arts in Lisbon and São Paulo (IF/01592/2015),financiado pela FCT/MEC.

[2]. De notar que a cada artista corresponde um conjunto específico de trajetórias e percursos pessoais, em que tantas vezes street art e graffiti se podem cruzar no mesmo percurso pessoal (Sequeira, 2016), pelo que aqui designamos ‘arte urbana’ como expressão que engloba práticas que vão desde o graffiti à street art, passando por derivações de ambos em contextos comissionados.

[3]. Em entrevista para o site Projecto Curadoria, disponível em http://projetocuradoria.com/tamara-alves/

[4]. Em entrevista no âmbito do projeto “TransUrbArts” - Emergent Urban Arts in Lisbon and São Paulo (IF/01592/2015), financiado pela FCT/MEC.

[5]. Sendo porventura o exemplo mais paradigmático o de Swoon.