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Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher

versão impressa ISSN 0874-6885

Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher  no.36 Lisboa dez. 2016

 

ESTUDOS

Faces de Eva: uma análise bibliométrica*

Ana Sara Vieira*, Ana Júlia Coelho*, Ana Sofia Miquelino*, Pedro Calado*

*Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Departamento de História


 

RESUMO

O presente artigo procura elaborar um estudo bibliométrico da produção científica da revista de Estudos de Género portuguesa Faces de Eva, no período de 1999 a 2015, explanando o seu percurso através de uma panorâmica temporal, temática, histórica, autoral, colaborativa, demográfica e evolutiva desta revista. Das pertinentes conclusões da análise destacam-se o alargado leque de temáticas e subtemáticas abordadas, a baixa colaboração internacional e a pouca colaboração interinstitucional entre os autores, apesar da sua extensa incidência geográfica a nível nacional e internacional, bem como a díspar distribuição de género autoral (com 70% mais incidência de autoras face a autores).

Palavras-chave: Faces de Eva, análise bibliométrica, revisão científica, Estudos de Género, revistas científicas.


 

ABSTRACT

The present article seeks to develop a bibliometric study of the scientific production of the Portuguese scientific journal of Gender Studies Faces de Eva, from 1999 to 2015, explaining the journal’s journey through a temporal, thematic, historical, authorial, collaborative, demographic and evolutionary overview. From relevant findings of the present bibliometric analysis we would highlight the wide range of themes and sub-themes addressed, the low international cooperation and inter-institutional collaboration among authors, despite its extensive geographical focus at national and international level, as well as the uneven distribution copyright gender (showing 70% higher incidence of female authors versus male authors).

Keywords: Faces de Eva, bibliometric analysis, scientific review, Gender Studies, scientific journals.


 

Introdução

Em Portugal, a afirmação dos Estudos sobre as Mulheres enquanto disciplina académica, na década de 1990, foi acompanhada não só pela criação dos primeiros Mestrados sobre o tema, mas também pelo surgimento das primeiras revistas científicas especificamente dedicadas às problemáticas feministas e de género. Estas publicações têm sido, ao longo de quase duas décadas de existência, um exemplo de longevidade e regularidade entre as revistas portuguesas nas áreas das Ciências Sociais e Humanidades.

A análise bibliométrica de uma dessas revistas, Faces de Eva, propõe-se explorar quantitativamente a sua produção científica num período de dezasseis anos, desde a sua fundação em 1999 até à última publicação à data, em 2015. São assim contemplados 34 números, que compreendem vários tipos de texto, de modo a obter-se uma panorâmica da evolução da própria revista, dos temas e geografias estudados e dos padrões de autoria.

Para o efeito, traçar-se-á um breve quadro das características da revista Faces de Eva e da sua história, seguido de um olhar sobre alguns estudos bibliométricos internacionais de publicações da área dos Estudos de Género. Na secção da metodologia serão apresentados os procedimentos usados na recolha de dados e na obtenção dos resultados, após o que se procederá à análise dos mesmos.

A revista de Estudos sobre a Mulher Faces de Eva, fundada em 1999, é um caso de sucesso entre as revistas académicas portuguesas nas áreas das Ciências Sociais e Humanidades, dada a sua ininterrupta regularidade de publicação – dois números por ano nos últimos dezasseis anos1. Na revista comemorativa dos seus quinze anos2, vários artigos traçam uma panorâmica da evolução da Faces de Eva e da área dos Estudos sobre as Mulheres (ou Estudos de Género) em Portugal. A autora de um deles, Maria Luísa Ribeiro Ferreira, considera que este foi, e continua a ser, “um projecto extremamente original no nosso país, cujo objectivo é divulgar a condição, o modo de vida, a história e de um modo geral o pensamento das mulheres de ontem e hoje, com um particular relevo dado às diferentes correntes feministas em Portugal e no estrangeiro” (Ferreira, 2013, p. 12).

A revista iniciou o seu percurso no âmbito de um Centro de Estudos sobre a Mulher, que sentiu a necessidade de “divulgar o ‘estado das coisas’ no que concerne às dinâmicas, ideias e discursos sobre a condição feminina, junto da comunidade científica universitária em que (Faces de Eva) se (inseria) e ao público interessado” (Abreu, 2013, p. 107). Tendo-se inicialmente estabelecido enquanto projecto próprio integrado no Instituto Pluridisciplinar de História das Ideias (IPHI) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), autonomizou-se em Centro de Estudos específico, directamente dependente do Conselho Científico, denominado Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher (Abreu, 2013, p. 98). Em 2008, foi integrado no Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA), a fim de corresponder “aos novos desafios científicos que passam pela internacionalização alargada e pela criação de vínculos com as comunidades científicas e instituições culturais” (Santos, 2009, citado em Abreu, 2013, p. 99). Por sua vez, no início de 2015, o CESNOVA foi integrado no Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (CICS.NOVA)3.

Em 2005, a revista Faces de Eva foi indexada no LATINDEX – Sistema Regional de Información en Línea de América Latina, el Caribe, España y Portugal, que reúne uma selecção de revistas académicas editadas nos países ibero-americanos. Iniciou também, em 2014, o processo de indexação na SciELO (Scientific Electronic Library Online), base de dados bibliográfica que, por intermédio do SciELO Citation Index, foi integrada recentemente (Janeiro de 2014) na Web of Science (Packer, 2014). Agora que esse processo se encontra quase concluído, parece oportuna uma análise bibliométrica dos 34 números da revista Faces de Eva, traçando o panorama do que foi a sua produção científica ao longo dos dezasseis anos de publicação.

I. Estudos de Género e bibliometria: revisão da literatura

Os Estudos sobre as Mulheres, ou Estudos de Género, têm, enquanto área científica e académica, vindo a crescer desde os anos 70 na maioria dos países ocidentais (Söderlund & Madison, 2015, p. 1351). Em Portugal, o impulso decisivo veio mais tarde, na década de 1990, com a criação de Mestrados de Estudos sobre as Mulheres4 e o lançamento das primeiras revistas especializadas na área5. Enquanto campo de estudos, são interdisciplinares, reunindo contribuições de académicos, profissionais, e outros interessados provenientes de várias outras disciplinas com uma tradição mais longa na academia, às quais vai também colher teorias e métodos. A sua evolução tem, no entanto, reforçado a sua emancipação e traçado quadros de referência próprios (Söderlund & Madison, 2015, pp. 1347-1348).

Um estudo sueco6 que analisou a produção científica7 na área dos Estudos de Género na Suécia e numa selecção de outros países, entre 2000 e 2011, concluiu que a investigação na área tem crescido a bom ritmo, ultrapassando, tanto na Suécia como internacionalmente, o crescimento da investigação nas restantes áreas científicas (Söderlund & Madison, 2015, p. 1376). Para isso, além de contabilizar os trabalhos publicados na área por diversas instituições universitárias suecas, examinou essa produção através de indicadores bibliométricos como o número de citações por artigo e os factores de impacto de cada uma das revistas académicas seleccionadas para análise, com recurso às bases de dados Web of Science e Scopus, e à aplicação Publish or Perish, baseada nos resultados do Google Scholar.

O mesmo estudo analisou também a autoria desta produção científica, tendo em conta as afiliações académicas e disciplinares dos autores de trabalhos na área dos Estudos de Género. Uma das conclusões alcançadas, particularmente importante dado o panorama científico e académico, no qual as mulheres se encontram pouco representadas quando em comparação com os homens (Kretschmer & Aguillo, 2005, p. 1482; Kretschmer et al., 2012), é a substancial preponderância das mulheres enquanto autoras de artigos em revistas académicas deste campo de estudos na Suécia, para além de também elas serem maioritárias a assinar os trabalhos em primeira autoria (Kretschmer et al., 2012, pp. 1377)8.

Em Espanha, onde a área dos Estudos sobre as Mulheres começa a adquirir relevância em finais da década de 1980 (Peris, 1998, p. 94), encontram-se também exemplos de estudos bibliométricos da investigação desenvolvida neste campo. Maria Dolores Peris publicou, em 1998, uma análise da investigação sobre mulheres em Espanha entre 1976 e 1997, com recurso à base de dados do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) (Peris, 1998, pp. 65-100). As teses de Doutoramento na área apresentadas em universidades espanholas entre 1976 e 2005 foram também alvo de um estudo bibliométrico aprofundado por Isabel de Torres Ramírez e Daniel Torres Salinas (Torres Ramírez & Torres Salinas, 2007).

Seria difícil replicar pesquisas desta envergadura em Portugal, na área em questão. Os Estudos sobre as Mulheres – designação que parece continuar a reunir preferências no panorama universitário português – são ainda uma área recente, apesar de em franco crescimento; contudo, e dada a sua relativa novidade, podem padecer do problema enfrentado pelo seu primeiro mestrado. As fundadoras do Mestrado em Estudos sobre as Mulheres da Universidade Aberta recordam as “sérias dificuldades em definir o seu conteúdo e em afirmar a sua validade académica”, sublinhando que “o lançamento do Mestrado e a sua posterior aceitação institucional implicaram acesos debates, que exigiram argumentação fundamentada” (Rocha-Trindade & Pires, 2013, p. 115).

Embora nos últimos tempos se tenham multiplicado os centros de investigação na área, existem actualmente apenas duas revistas científicas portuguesas inteiramente dedicadas aos Estudos de Género ou Estudos sobre as Mulheres – Faces de Eva e ex æquo –, esta última publicada pela Associação Portuguesa dos Estudos sobre as Mulheres (APEM). De momento, apenas a ex æquo se encontra indexada na SciELO e, consequentemente, no SciELO Citation Index. Não possuindo publicações próprias, os restantes centros de investigação publicam estudos nas duas revistas mencionadas, mas também em diversas revistas académicas de Ciências Sociais, Sociologia, Comunicação e Jornalismo, para mencionar apenas algumas9. Nem todas estas publicações se encontram indexadas em bases de dados bibliométricas, o que dificulta um estudo aprofundado e exaustivo da produção portuguesa neste âmbito.

II. Fontes de informação e métodos

O presente estudo bibliométrico realizou-se através do contacto directo com o objecto de estudo (a revista Faces de Eva), tendo-se procedido à análise de cada um dos volumes publicados entre os anos 1999 e 2015, correspondentes aos números 1 a 34.

Salvo raras excepções10, a revista tem mantido a sua estrutura inalterada desde o primeiro número. Contém uma Nota de Abertura, assinada maioritariamente pela Directora, Zília Osório de Castro; seguem-se os Estudos, ensaios sobre uma grande variedade de temas, tendo como fio condutor a condição feminina; uma rubrica intitulada Estado da Questão, que faz o ponto de situação de temas relevantes da sua área de estudos, ou de movimentos e organizações feministas, de apoio às mulheres, ou com grande participação feminina. Existem, também, rubricas de características particulares: as Entrevistas e as Pioneiras, onde se faz o retrato, na primeira ou terceira pessoa, de uma mulher marcante numa – ou várias – área(s); por fim os (Auto-)Retratos seguem percursos de vida e/ou de carreira, novamente na primeira ou terceira pessoa. Maria Luísa Ribeiro Ferreira (2013, p. 14) nota que, apesar de formalmente distintas, estas três rubricas “obedecem a uma finalidade comum: dar visibilidade às mulheres que, por um ou outro aspecto se notabilizaram e conseguiram ultrapassar o papel cinzento e secundário para o qual pareciam destinadas”.

A Toponímia no Feminino examina as personalidades femininas escolhidas para nomear arruamentos em diversas cidades portuguesas, com destaque para a capital Lisboa; as Leituras reúnem recensões de obras relacionadas com os Estudos de Género, feminismo, ou mulheres notáveis; por último, as Notícias dão conta de actividades, eventos e outros acontecimentos actuais relacionados com a temática da revista.

A revista é constituída maioritariamente pelas seguintes tipologias documentais: Estudos (193), Estado da questão (35), Entrevistas (67), Pioneiras (66), (Auto-)retratos (66) e Diálogos (13), num total de 427 colaborações; os Diálogos, dada a sua especificidade, foram excluídos da presente análise. Ficaram ainda de fora as contribuições em Notas de Abertura, Leituras, Notícias, Toponímias e Poemas.     

Esta análise foi feita a partir dos volumes impressos, uma vez que os mesmos ainda não existem em formato digital. Serviu, porém, como ferramenta de auxílio o sítio web do Centro de Estudos sobre a Mulher da Universidade Nova de Lisboa, dedicado à revista Faces de Eva, que disponibiliza os seus índices em arquivo digital, bem como outras informações pertinentes para este trabalho.

O procedimento de análise de cada tipologia documental consistiu na leitura dos resumos, palavras-chave, sempre que incluídos nos textos, e das contribuições na íntegra, quando necessário, seguido do registo normalizado das informações em tabelas Excel: tipologia documental; idioma de publicação; tema e subtema desenvolvidos e sua incidência geográfica; número, género e tipo de colaboração dos autores; proveniência institucional dos autores e sua localização geográfica.

Para identificação das temáticas e subtemáticas, foi realizada uma breve análise dos textos e subsequente atribuição de termos que representam o respectivo conteúdo, bem como a categorização dos termos em áreas do conhecimento, utilizando uma Lista de Descritores de Estudos de Género11. Este foi escolhido por obedecer aos seguintes critérios: a temática comum (Estudos de Género e Feministas) ao periódico abordado; a apresentação de uma variedade de temas que permitiam acompanhar a pluridisciplinaridade da revista; o uso da língua portuguesa para uma melhor identificação temática e por estar assente em pilares metodológicos e estrutura científica que permitem o rigor necessário ao estudo aqui desenvolvido.

Desta forma, foi possível proceder-se a uma análise da revista Faces de Eva com a seguinte estrutura:

1. Análise da produção, que compreende a evolução anual da produção, as tipologias documentais analisadas e os idiomas de publicação;

2. Análise da autoria, que inclui a produtividade dos autores, o género dos mesmos, a sua proveniência institucional e a colaboração entre si na produção de textos;

3. Análise temática, que explora os temas e subtemas dos textos e a sua incidência geográfica.

III. Análise e discussão dos resultados

Este estudo mostra os resultados do tratamento bibliométrico de 427 textos provenientes de 520 autores, que foram publicados na revista Faces de Eva no período entre 1999 e 2015 e que possibilitaram construir indicadores de produção científica e de autoria. Para além do mais, permitiram caracterizar esta publicação quanto a temas tratados na área dos Estudos de Género e sobre as Mulheres.

1. Análise da produção

A revista Faces de Eva publicou dois volumes por ano, sendo excepção o primeiro ano de existência, em que foi publicado um volume duplo. Na totalidade, foram contabilizados 427 artigos distribuídos por 34 volumes, no período 1999-2015. A média anual de publicações neste período temporal foi, portanto, de dois volumes. Verificou-se que a publicação foi estável ao longo dos anos.

No que respeita à tipologia documental, os «Estudos» são o tipo de publicação mais frequente, correspondendo à noção mais tradicional dos artigos12 científicos, com 193 textos publicados, seguidos das «Entrevistas», com 67, a secção de «(Auto-)retratos», com 66, as «Pioneiras», com 66 textos, e os «Estados da questão», com 35.

Evolução anual da produção

 

 

O número de artigos publicados em cada ano é quase sempre constante.

É importante sublinhar que no tempo de vida da revista existe uma visível constância na pontualidade com que é publicada, e isso reflecte-se na periodicidade que apresenta. A periodicidade é, sem dúvida, um factor relevante, sobretudo se considerados os processos de selecção dos periódicos para a indexação nas bases de dados mencionadas. Este é um critério frequentemente requerido, visto que se traduz na capacidade de publicar atempadamente, o que implica que exista uma reserva de artigos que possibilitem a constante viabilidade da revista (Testa, 2016).

Tipologias documentais analisadas

O universo de estudo contemplado compreendeu, em primeira instância, cinco tipologias documentais referentes a um universo de 427 textos analisados. A sua distribuição está indicada abaixo. A predominância encontra-se na categoria «Estudos», seguindo-se as «Entrevistas», «(Auto)-Retratos» e «Pioneiras», que se encontram ao mesmo nível e, por último, a menos utilizada – os «Estados da questão».

 

 

Idiomas de publicação

No que toca aos idiomas escolhidos para a redacção dos textos, existe claramente uma prevalência da língua portuguesa sobre as restantes. No conjunto, as línguas latinas sobressaem perante apenas três textos em língua inglesa.

A predominância da língua portuguesa é um factor que pode ser explicado pelo âmbito disciplinar em que a revista se insere. Naturalmente, as pesquisas científicas no campo das ciências sociais são influenciadas por tendências nacionais e por políticas governamentais vernaculares. Assim, os conceitos teóricos apenas podem ser frequentemente compreendidos e expressos nas línguas nacionais (Hicks, 2016).

 

 

2. Análise da autoria

Uma outra evidência encontrada foi a análise da produtividade dos autores, isto é, a quantidade de artigos publicados por cada autor, o que permitiu identificar os autores mais prolíficos. Por fim, indo ao encontro daquela que é uma temática-chave nesta revista – o género –, foi feita a comparação do número de publicações entre autores do género feminino, masculino e instituições (para este efeito consideradas autoria corporativa).

Produtividade dos autores

O quadro seguinte mostra a relação entre o número de textos e o número de autores por texto. O universo compreendido é de 427 artigos para 520 autores. O autor com maior produção científica contabiliza 29 textos; 258 autores apenas produziram um texto.

 

 

Na tabela abaixo são apresentados os doze autores mais produtivos – neste caso, aqueles que publicaram mais do que sete textos na revista.

 

 

Género

Tendo em conta a génese da revista, que emerge de um Centro de Estudos sobre as Mulheres, e a tendência evidenciada na área dos Estudos de Género, não surpreende que no universo total das autorias existam 84,8% atribuídas ao género feminino, 14,62 % ao género masculino e 0,58 % à autoria corporativa (instituições). Retomando os estudos anteriormente mencionados, podem contrapor-se estes resultados aos da análise das teses de doutoramento em Estudos sobre a Mulher em Espanha entre 1976 e 2005 (85,74% de autoria feminina contra 14,26% de autoria masculina), e do estudo realizado por Söderlund e Madison (2015), que concluiu que as publicações analisadas de conteúdo claramente atribuível à área dos Estudos de Género contavam com 89% de autoria feminina contra apenas 11% de autoria masculina.

 

 

Proveniência institucional dos autores13

A tabela seguinte mostra a localização geográfica da instituição a que pertence cada autor, onde sobressaem os dois países de língua portuguesa – Portugal e Brasil. As instituições foram caracterizadas nominalmente e segundo a sua incidência geográfica, ao nível do país e da cidade. Com maior incidência surge a cidade de Lisboa, logo seguida das capitais de distrito portuguesas Évora, Coimbra e Porto.

 

 

Foram também analisadas as instituições a que pertencem os autores dos textos considerados. Em primeiro lugar surge a Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, à qual pertence a revista. Segue-se, com uma diferença de 194 autores, a Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras. Verifica-se, assim, uma tendência endógena, em que a propagação de autorias começa no interior, quer na própria instituição, quer no seu espaço geográfico, propagando-se para outras instituições.

Para além da presença das Universidades de Coimbra e de Évora e da Universidade Aberta, a confirmarem a predominância do mundo académico nas instituições mais produtivas, destaca-se ainda o organismo do Estado particularmente vocacionado para as questões da igualdade de género: a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, da Presidência do Conselho de Ministros, actual CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.

 

 

Análise da colaboração

A colaboração entre investigadores, resultando na co-autoria de textos, tem sido relacionada com um aumento da produtividade (Glänzel, 2014, p. 235) e, consequentemente, valorizada a nível bibliométrico.

Para esta análise foram eleitos indicadores relativos à colaboração entre autores na publicação de textos. Para isso foram definidos quatro níveis de colaboração para a produção de cada texto particular: individual, de apenas um autor; intra-institucional, de dois ou mais autores da mesma instituição; nacional, de dois ou mais autores de instituições portuguesas; e internacional, de dois ou mais autores de instituições portuguesas e estrangeiras.

 

 

3. Análise temática

Tendo em conta o universo de resultados avaliado, existe uma preferência pela grande área da «Linguagem, Literatura e Filosofia», logo seguida de «História e Mudança Social». Na cauda da distribuição temática estão as «Ciências Naturais e de Saúde» e a «Ciência e Tecnologia». A distribuição é, de facto, a esperada, tendo em conta que a revista tem a sua origem e desenvolvimento numa instituição direccionada para o estudo das Ciências Sociais e Humanas.

A tabela seguinte analisa as subtemáticas. Embora o tema «Linguagem, Literatura, Religião e Filosofia» tenha sido o mais escolhido com 151 (35,36%) publicações, este tem apenas seis variações subtemáticas, enquanto o tema «Comunicação, Artes e Espectáculo», eleito em 36 (8,43%) dos casos, tem o maior número de variações subtemáticas (13). Os dois temas com menor variação de subtemas são «Economia e Emprego» e «Ciência e Tecnologia», apenas com dois itens cada. O último é também o que apresenta um menor número de publicações face ao todo, contabilizando apenas 2 (0,47%).

Abaixo são apresentados os valores absolutos para cada tema e subtema.

 

 

Incidência geográfica dos textos

Dos dados recolhidos relativos à incidência geográfica do conteúdo de cada texto, destacam-se abaixo as seis localizações geográficas mais frequentes. A classificação da incidência geográfica dos textos efectuou-se à escala do continente e do país.

Existe uma prevalência da Europa e dos países de línguas latinas do continente americano. Portugal é o país sobre o qual incide um maior número de textos, seguido de longe pelo Brasil, França, Espanha, EUA e Itália.

 

 

Actualmente, a avaliação científica depende, cada vez mais, da análise de uma série de dados tratados estatisticamente. Por essa razão, os indicadores quantitativos – ou as métricas – são fundamentais. No entanto, estes dados não podem ser tratados de forma isolada; isto é, sem que exista uma avaliação qualitativa especializada. O Manifesto de Leiden (Hicks et al., 2015), que sublinha este facto, é um documento de indispensável leitura para o campo da avaliação da pesquisa e da investigação científica. Este documento reconhece que as métricas têm proliferado e que, aquando da sua criação, eram “bem-intencionadas, nem sempre bem informadas e frequentemente ( ... ) mal aplicadas” (Hicks et al., 2015, p. 429). Assim, estes indicadores devem ser interpretados de forma adequada, e com o devido conhecimento das boas práticas de cada instituição.

Tendo isto em conta, o Manifesto de Leiden oferece uma síntese do que são as melhores práticas para esta área, para que os dados não sejam distorcidos da comunidade em que se inserem e para que sejam estabelecidas relações de confiança entre os investigadores, aqueles que avaliam e os próprios indicadores. Nesta síntese é importante sublinhar o princípio número três, que refere a «Protecção da excelência na pesquisa local relevante» (Hicks et al., 2015, p. 430). Isto vem ao encontro dos resultados obtidos neste critério de «Incidência Geográfica», em que Portugal prevalece sobre os outros países. Ou seja, particularmente na área de Ciências Sociais e Humanas, existe uma predisposição para o desenvolvimento de investigações regionais e nacionais, não tendo estas obrigatoriamente menor importância do que as de cariz internacional. Frequentemente as publicações locais e regionais em línguas nativas tendem a desaparecer quando comparadas com artigos redigidos em Inglês, que mais facilmente obtêm indicadores de alto impacto nas bases de dados. Assim, os indicadores que avaliam revistas de qualidade devem identificar e premiar as áreas de pesquisa de interesse local.

Neste sentido, a revista Faces de Eva, que aborda sobretudo temáticas no campo geográfico nacional e não possui um grande número de textos facilmente internacionalizáveis (escritos em Inglês e de temas fora do âmbito nacional ou lusófono), não deve ser avaliada segundo os parâmetros que premeiam a elevada internacionalização das publicações; o seu cariz fortemente nacional e regional é uma característica meritória. Deve ser, portanto, recompensada pelo papel vital que cumpre no desenvolvimento da investigação científica portuguesa na área de Estudos de Género e das Mulheres.

4. Considerações finais

Pretendeu-se, com este estudo, analisar o valioso contributo prestado pela revista Faces de Eva à área dos Estudos de Género em Portugal. Estando esta última ainda em processo de afirmação no panorama científico e académico português, dado o seu surgimento tardio e percurso algo acidentado, é de grande importância reconhecer as publicações periódicas que reúnem e divulgam o que de melhor e mais recente se faz na área. No caso português, este universo limita-se apenas a duas revistas com longevidade e periodicidade de publicação comprovadas, o que vem sublinhar a relevância de uma análise da produção científica da Faces de Eva.

É importante destacar que, nas categorias passíveis de comparação com os estudos bibliométricos já desenvolvidos, noutros países, na área dos Estudos de Género e respectivas publicações, esta revista segue as tendências internacionais.

O universo amostral de estudo contemplado compreendeu em primeira instância cinco tipologias documentais, referentes a um universo de 427 artigos analisados, com predominância da categoria «Estudos»; o número de artigos publicados por cada ano é quase sempre constante; existe uma marcada preferência pela grande área da «Linguagem, Literatura e Filosofia», uma distribuição e resultados expectáveis pelo facto de a revista analisada ter a sua génese, consolidação e desenvolvimento numa das mais prestigiadas instituições do ensino superior, sendo a FCSH/NOVA especializada no estudo das Ciências Sociais e Humanas.

A nível da distribuição de género na contribuição para as publicações das revistas, surge em primeiro lugar a autoria feminina, com 84,08%, face aos meros 14,62% associados à autoria masculina.

Tanto a nível da incidência geográfica dos textos, como a nível dos idiomas de publicação – denotando-se uma clara predominância da língua portuguesa sobre as restantes –, sobressaem naturalmente Portugal e Brasil, o primeiro com a sua maior incidência e aglomerado contributivo proveniente da cidade de Lisboa, capital do país. Consequentemente, Portugal surge neste estudo como o país sobre o qual incide um maior número de artigos, ainda que seja pertinente apontar-se a prevalência da Europa face ao continente americano ou outros países de língua latina. Estes resultados surgem em linha com as tendências observadas na produção científica nas áreas das Ciências Sociais e das Humanidades, em que os temas de investigação tendem a ser de âmbito mais local16 e as publicações surgem maioritariamente em línguas nativas, em detrimento do Inglês, mais internacional (Larivière, Gingras e Archambault, 2006, pp. 520-521).

É de salientar o aspecto negativo revelado pela baixa taxa de colaboração entre autores  (inferior a 1%) entre autores na produção de artigos, resultando no facto de mais de 8 em cada 10 artigos da revista serem elaborados por autores singulares; este valor ronda o do número de autores que fazem parte da instituição a que pertence a publicação abordada (FCSH/NOVA). Este facto deixa bastante espaço para melhoria no que toca a parcerias interinstitucionais, tanto nacionais como internacionais. Contudo, é necessário sublinhar que a baixa taxa de colaboração não é invulgar no contexto das Humanidades e, em menor grau, das Ciências Sociais (Larivière, Gingras e Archambault, 2006). Assim, o crescimento e a expansão futura da revista Faces de Eva deverão passar pela promoção da visibilidade física e virtual da revista, quer a nível académico quer a nível não académico, pois o seu âmbito de estudo e investigação distingue-se por ser um fenómeno social total que permeia todos os aspectos e esferas da vida quotidiana.

 

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Söderlund, T. & Madison, G. (2015). Characteristics of gender studies publications: a bibliometric analysis based on a Swedish population database. Scientometrics, 105, 1347-1387.         [ Links ]

Testa, J. (2016, Julho 18). The Thomson Reuters Journal Selection Process. Disponível em http://wokinfo.com/essays/journal-selection-process/.         [ Links ]

Torres Ramírez, I. & Torres Salinas, D. (2007). Tesis Doctorales sobre Estudios de las Mujeres en las Universidades de España (1976-2005): Análisis Bibliométrico y Repertorio Bibliográfico. Sevilla, España: Instituto Andaluz de la Mujer.         [ Links ]

 

* O presente trabalho foi desenvolvido na disciplina de Estudos Métricos da Informação Científica, que integra o programa curricular da Pós-Graduação em Gestão e Curadoria da Informação, leccionada pela Professora Silvana Roque de Oliveira a quem agradecemos o apoio prestado na elaboração e revisão deste artigo.

1 Trata-se, na verdade, de uma média, dado que em 1999 foi publicado apenas um volume (embora duplo).

2 Faces de Eva, número 30 (2013).

3 CESNOVA – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, d isponível em http://cesnova.fcsh.unl.pt/.

4 O primeiro mestrado em Estudos sobre as Mulheres em Portugal foi criado pela Universidade Aberta, em 1994-1995.

5 Faces de Eva, em 1999, e ex æquo, fundada no mesmo ano.

6 Publicado em 2015 mas iniciado em 2011 (Söderlund & Madison, 2015).

7 Não apenas artigos em revistas académicas, mas também monografias, antologias, capítulos de livros, contribuições para conferências, dissertações, artigos em revistas não académicas, relatórios, revisões. Contabilizou-se também uma categoria denominada «Outros» (Söderlund & Madison, 2015, p. 1362).

8 O mesmo resultado foi atingido numa análise de catorze revistas de Estudos de Género conduzida por Kretschmer et al. (2012).

9 Ver, por exemplo, a lista de publicações do CIEG – Centro Interdisciplinar de Estudos de Género do ISCSP – ULisboa. Disponível em http://cieg.iscsp.ulisboa.pt/investigacao/publicacoes/artigos/item/170-artigos-publicados-pela-equipa-do-cieg.

10 Certas secções surgem mais tarde, como os Diálogos, e outras não aparecem em todos os números, como a Toponímia no Feminino.

11 Adaptada a partir do Tesauro para Estudos de Gênero e sobre as Mulheres (Bruschini, Ardaillon e Unbehaum, 1998). Ver Anexo 1.

12 Considerando a seguinte definição de artigo: “Los artículos de las revistas científicas constituyen una de las unidades fundamentales de análisis de la Bibliometria junto com las proprias revistas. ( ... ) el artículo científico constituye una comunicación de novedades, ya sea nivel teórico, de estado de la cuestión, metodológico o de resultados ( ... ) ha sido sometido a una cuidadosa evaluación” (López Yepes, 2004, pp. 114-115).

13 Não foram considerados para representação analítica dados incompletos ou que não correspondessem à lógica de Organização-Instituição.

14 O subtema na Lista de Descritores (ver Anexo 1) surge originalmente como «Educação Superior».

15O subtema na Lista de Descritores (ver Anexo 1) surge originalmente como «Renda, salário, igualdade de salário».

16 Nacional ou mesmo regional.

17 Adaptada a partir do Tesauro para Estudos de Gênero e sobre as Mulheres (Bruschini, Ardaillon e Unbehaum, 1998).

Anexo 1

Lista de Descritores de Estudos de Género17

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Ciências do meio ambiente

Ciências físicas e da terra

Engenharia

Matemática

Tecnologia e impacto da tecnologia

CIÊNCIAS NATURAIS E SAÚDE

Ciências biológicas, incluindo: biologia, química, fisiologia, zoologia e genética

Ciências médicas, incluindo: medicina, odontologia, enfermagem e farmacologia

Desportos

Gravidez e parto

Planeamento familiar e aborto

Saúde, incluindo: saúde mental, saúde sexual, higiene e nutrição

Sexualidade

CIÊNCIAS SOCIAIS E CULTURA

Antropologia

Casamento e família

Ciclos de vida

Demografia

Estereótipos

Estilos de vida

Estudos interdisciplinares, incluindo estudos de género, classe e raça

Instituições

Moda, indumentária e divertimento social

Papéis sexuais

Parentesco

Psicologia

Socialização

Sociologia

Violência

COMUNICAÇÃO, ARTES E ESPECTÁCULOS

Arquitectura e design de interiores

Artes visuais

Artesanato

Canto

Ciência e teoria da informação, incluindo bibliotecas

Cinema e vídeo

Dança e mímica

Design de moda

Edição e impressão

Espaços para exposições e espectáculos diversos

Fotografia

Jornalismo

Média electrónicos e impressos

Museus e galerias

Música

Propaganda

Relações públicas e informação

Espectáculos

Teatro e artes cénicas

Telecomunicações

Teoria da arte, técnica e crítica

ECONOMIA E EMPREGO

Agricultura

Emprego/carreiras

Igualdade de género no trabalho

Finanças

Força de trabalho/mercado de trabalho

Local de trabalho

Negócios e indústria

Teoria e prática institucionais, organizacionais e da gerência

Teoria económica, sistemas e condições

EDUCAÇÃO

Aconselhamento de carreira

Administração

Berçários e creches

Currículos

Educação infantil

Educação de adultos, de extensão

Educação profissional, religiosa

Ensino superior

Ensino fundamental e médio

Estudantes

Faculdades

Financiamento, incluindo apoio financeiro à educação, privado e público

Metodologia de ensino

Teorias de educação

HISTÓRIA E MUDANÇA SOCIAL

História da mudança social

História das mulheres

Movimentos culturais e políticos

Movimentos de mulheres

Teoria feminista

LEI, GOVERNO E POLÍTICAS PÚBLICAS

Crime, prisões e punição

Direitos

Lei e legislação, incluindo regulamentações e fiscalizações

Militares e defesa

Políticas sociais e económicas, incluindo bem-estar, creches e habitação

Relações internacionais

Teoria e ciência política

LINGUAGEM, LITERATURA, RELIGIÃO E FILOSOFIA

Crítica literária

Espiritualidade das mulheres

Ética

Filosofia

Linguística

Literatura, incluindo biografias, diários, memórias e cartas

Mitologia

Religião

Semiótica

Teologia