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Ex aequo

versão impressa ISSN 0874-5560

Ex aequo  no.26 Vila Franca de Xira  2012

 

Editorial

 

Teresa Pinto

 

A ex æquo, no segundo semestre de 2012, dedica o seu Dossier Temático à problemática do envelhecimento, numa ótica de género, integrando-se na reflexão europeia sobre o Envelhecimento Ativo e a Solidariedade entre Gerações, tema a que a União Europeia dedicou o presente ano. Um maior conhecimento e subsequente compreensão da situação das pessoas idosas não podem deixar de ter em conta que estas não são um grupo homogéneo, mas um grupo etário (ou um conjunto de subcategorias etárias, dado o progressivo aumento da longevidade) permeado por muitas variáveis, entre as quais o sexo e a identidade de género, e inserto num determinado tecido social, também ele condicionado por relações sociais de género. A promoção da cidadania ativa e da qualidade de vida de mulheres idosas e de homens idosos implica questionar os diferentes padrões de autonomia, seja material, seja de decisão, seja na esfera pública, seja na vida privada e íntima; exige, ainda, desconstruir paradigmas de reconhecimento social e rever conceitos, como o de população ativa. Não se pode deixar, também, de ter em conta que o fenómeno atual de feminização da população idosa1 apresenta uma tendência de crescimento, prevendo-se, por exemplo, segundo as projeções do Instituto Nacional de Estatística (Portugal), que em 2060, só no escalão etário de 85 ou mais anos, haja mais de 450.000 mulheres para menos de 300.000 homens2.

O Dossier «Género e envelhecimento: indicadores, problemáticas e desafios para a intervenção», coordenado por Cristina Coimbra Vieira e Heloísa Perista, visou reunir resultados de investigações nacionais e estrangeiras que tenham abordado o fenómeno do envelhecimento numa perspetiva de género, «quer dando conta das suas expressões na vida de homens e mulheres, quer apontando para eventuais propostas de intervenção, da responsabilidade dos organismos do poder central e local e da própria sociedade civil, numa perspetiva de gender mainstreaming», como sublinhavam as autoras no apelo a contributos. No texto introdutório ao Dossier, as coordenadoras entreabrem o conteúdo de cada um dos textos, exortando-nos à sua leitura, e destacam a sua valia para o delineamento e concretização de práticas promotoras do envelhecimento ativo de mulheres e de homens.

A secção Estudos e Ensaios abre com o artigo «Argumentos y contraargumentos para un debate. Sobre trata y prostitución», de Luisa Posada. O fenómeno da prostituição, uma questão fraturante na sociedade atual e no pensamento feminista, é problematizado pela autora na sua relação com o tráfico de seres humanos, em especial o tráfico com fins de exploração sexual, no contexto da atual globalização. Analisando os posicionamentos a favor e contra a relação direta entre tráfico e prostituição, a autora defende a necessidade de abolir a exploração sexual das mulheres, sustentando que a prostituição constitui uma violação aos direitos fundamentais das mulheres.

O artigo «Invisibilidade não significa ausência: imagens de mulheres em obras referenciais do skate e do fisiculturismo no Brasil», assinado por Silvana Vilodre Goellner, Angelita Alice Jaeger e Márcia Luiza Machado Figueira, discute, à luz das relações de género e de poder e na esteira do pós-estruturalismo Foucaultiano, a invisibilidade a que são votadas as atletas de modalidades desportivas socioculturalmente associadas ao masculino, em particular o skate e o fisiculturismo. O desporto é visto, nas palavras das autoras, «como um espaço cujo acontecer está atravessado por relações de poder», evidenciando-se, nas diferenças e desigualdades entre mulheres e homens nele registadas, a reprodução e a produção de paradigmas de feminidade e de masculinidade socialmente dominantes.

A secção de Leituras e Recensões oferece, num primeiro momento, quatro recensões de outras tantas obras que, abordando a questão mulheres e trabalho sob diferentes perspetivas, nos proporcionam no seu conjunto uma visão caleidoscópica da temática. Pilar González introduz-nos na obra coletiva, organizada por Virgínia Ferreira, A Igualdade de Mulheres e Homens no Trabalho e no Emprego em Portugal – Políticas e Circunstâncias (CITE, 2010). Sofia Bergano apresenta-nos Percursos de mulheres, trabalho, família e participação associativa no grande Porto, de Márcia Oliveira, João Queirós, Carina Novais, Sofia Cruz, Bruno Monteiro e Regina Marques (Livpsic/Movimento Democrático de Mulheres, 2011). Manuel Abrantes propõe-nos a leitura de Trabalho Emocional e Trabalho Estético na Economia dos Serviços, de Sara Falcão Casaca (Almedina, 2012). Albertina Jordão revela-nos o livro de Patrícia Baptista, Imigração e trabalho doméstico: o caso português (ACIDI, 2011). Uma outra dimensão das migrações é-nos anunciada por Lina Oliveira, que nos fala da obra coletiva luso-brasileira Portuguesas na diáspora: histórias e sensibilidades, organizada por Roseli Boschilia e Maria Luiza Andreazza (Editora UFPR, 2011). Eunice Macedo e Amélia Macedo adentram-nos num outro trabalho coletivo, coordenado por Cláudia Múrias e Marijke de Koning, Lideranças partilhadas: Percursos de literacia para a igualdade de género e qualidade de vida (Fundação Cuidar O Futuro e Livpsic, 2012). Finalmente, Fernando Bessa Ribeiro desvela-nos o trabalho de Alexandra Oliveira, Andar na Vida: Prostituição de Rua e Reacção Social (Almedina, 2011).

 

Notas

1 De acordo com os dados provisórios do Censo de 2011 apresentados pelo INE, registam-se, no grupo etário dos 65 ou mais anos, 849.188 homens e 1.173.316 mulheres. Cf. INE, «Censos 2011», «Censo de 2011. Dados Provisórios – População Residente por sexo e grupo etário», [em linha] disponível em http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&userLoadSave=Load&userTableOrder=6790&tipoSeleccao=0&contexto=pq&selTab=tab1&submitLoad=true [consultado em 10 de novembro de 2012].

2 INE (2012), Inews, nº 13, Setembro.

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