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Ex aequo

versão impressa ISSN 0874-5560

Ex aequo  n.20 Vila Franca de Xira  2009

 

Editorial

Teresa Pinto

 

O vigésimo número da ex æquo confere destaque a uma problemática ainda pouco trabalhada e divulgada no nosso país, apesar de se ter tornado já um assunto incontornável nos debates teóricos sobre o género a nível internacional. Foi com agrado que acolhemos a proposta de tema «Fazer o Género: performatividade e abordagens queer», considerando-o como mais um contributo para a prossecução do propósito de diversificar as temáticas abordadas na revista, de introduzir novas investigações, de promover a polémica e de alargar o diálogo intelectual entre a produção nacional e internacional. O Dossier, coordenado por Conceição Nogueira e João Manuel de Oliveira, visa estimular, no contexto português, o aprofundamento e o debate em torno do questionamento e reposicionamento das ligações entre género, identidade e desejo, bem como da proficuidade do conceito de performatividade do género e das abordagens queer. As perspectivas aduzidas tornam por demais evidente a projecção da obra de Judith Butler Gender Trouble: Feminism and the subversion of identity e os desenvolvimentos suscitados pela ruptura de paradigma que ela produziu.

O número que ora se publica inaugura uma alteração formal no sentido de adequar a estrutura da revista à progressiva dissociação do conselho de redacção da coordenação directa da secção temática. A apresentação específica do Dossier temático deixa, pois, de ser desenvolvida no Editorial e passa a ser realizada por quem o coordenou, assumindo a forma de introdução ao próprio Dossier, precedendo os artigos que o compõem. Remete-se, pois, para a leitura do texto «Introdução. Um lugar feminista queer e o prazer da confusão de fronteiras», no qual Conceição Nogueira e João Manuel de Oliveira explicam e fundamentam as opções do Dossier e introduzem cada um dos artigos que o compõem.

Na secção de Estudos e Ensaios incluem-se dois artigos, intitulados «Género e mudanças tecnológicas: o caso das indústrias gráficas» e «Diversidade e Psicoterapia: Expectativas e experiências de pessoas LGBT acerca das competências multiculturais de psicoterapeutas». O primeiro, de autoria de António Manuel Marques, evidencia a importância do género nos estudos sobre a tecnologia, designadamente no que se refere à avaliação do impacto das transformações tecnológicas em mulheres e homens e às conflitualidades decorrentes, mas também geradoras, de mudanças na organização do trabalho. Com base num estudo empírico sobre as representações de homens e mulheres no contexto das indústrias gráficas, um sector profissional predominantemente masculino, o autor problematiza a reorganização das relações reais e simbólicas de poder intrínsecas ao processo de construção social do género em contextos modificados pela evolução tecnológica. Analisando, por um lado, o grau de interdependência dos processos de construção da masculinidade e da identidade profissional e, por outro lado, as estratégias desenvolvidas pelas mulheres inseridas nesses meios laborais, o artigo mostra a pertinência da pesquisa sobre os mecanismos de construção da diferença e da discriminação em universos profissionais em mudança. No segundo artigo, Carla Moleiro e Nuno Pinto, partindo de um quadro teórico problematizador dos referenciais éticos orientadores das práticas psicoterapêuticas junto de indivíduos cuja orientação sexual não corresponde ao modelo heterossexual dominante, apresentam os resultados de um estudo qualitativo e exploratório sobre as representações de pessoas LGBT acerca da saúde e da doença psicológicas, bem como das suas experiências e expectativas face aos processos de ajuda clínica. Face à centralidade que as situações de discriminação ocupam nos relatos das pessoas entrevistadas, por um lado, e à expectativa positiva face à capacidade das/os psicoterapeutas suplantarem, na prática clínica, os seus próprios valores, por outro lado, a autora e o autor salientam a relevância da introdução das temáticas LGBT na formação inicial e avançada em Psicologia dos/as psicoterapeutas.

Na secção de Leituras e Recensões, Paulo Vieira apresenta-nos um estudo proveniente da literatura que nos oferece, a partir de textos diversificados e numerosos, uma abordagem da relação entre espaço urbano e homossexualidades femininas em diversas cidades e épocas históricas. Salomé Coelho introduz-nos o «Dossier Género e Estudos Feministas» publicado no número 22 da Revista Diacrítica – Ciências da Literatura, do Centro de Estudos Humanísticos, da Universidade do Minho, com a qual a ex æquo se honra de ter iniciado uma relação de permuta.

Lembramos as leitoras e os leitores da ex æquo que a revista, actualmente indexada na SciELO Portugal – Scientific Eletronic Library Online – e no Catálogo Latindex – Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caraíbe, España e Portugal –, tem aperfeiçoado o seu sistema de arbitragem, respeitando a submissão de cada artigo à emissão de pareceres por duas pessoas, blind referees, especialistas na respectiva área em que o texto se enquadra ou referencia, com o objectivo de manter um elevado nível de qualidade científica. A introdução da ex æquo na biblioteca electrónica da SciELO, a partir do número 18, constituiu, também, um passo importante na sua abertura a públicos mais abrangentes e constitui uma responsabilidade acrescida. Consideramos fundamental que a ex æquo acompanhe a actual tendência de elevação dos padrões de exigência na selecção dos artigos que publica, afirmando-se no seio das revistas científicas no contexto nacional e internacional e contribuindo para a legitimação do conhecimento produzido pelos Estudos sobre as Mulheres, sobre o Género e Feministas. A publicação de discussões teóricas com base em investigações realizadas no nosso país e fora dele e a ampla divulgação da revista contribuirão, por certo, para que a ex æquo, que inicia a sua segunda década de vida, seja, cada vez mais, uma referência no universo das revistas científicas, em geral, e congéneres, em particular.

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