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Revista de Enfermagem Referência

versión impresa ISSN 0874-0283

Rev. Enf. Ref. vol.serIV no.12 Coimbra mar. 2017

http://dx.doi.org/10.12707/RIV16066 

ARTIGO DE INVESTIGAÇÃ0 (ORIGINAL)

 

Validação de uma Escala de Satisfação dos Enfermeiros com o Trabalho para a população portuguesa

Validation of a Nurse Job Satisfaction Scale for the Portuguese population

Validación de una Escala de Satisfacción de los Enfermeros con el Trabajo para la población portuguesa

 

Ana Lúcia da Silva João*; Catarina Pereira Alves**; Cristina Silva***; Fátima Diogo****; Nadine Duque Ferreira*****

* Ph.D., Enfermeiro, Hospital Distrital de Santarém, 2090-216, Santarém, Portugal [Alsjoao@hotmail.com]. Contribuição no artigo: realização da componente metodológica do artigo, recolha de dados, análise e interpretação dos dados e escrita do artigo.

** MsC., Enfermeira, especialista em enfermagem de reabilitação, departamento de ortopedia, Hospital Distrital de Santarém, 2090-216, Santarém, Portugal [katemalves@gmail.com]. Contribuição no artigo: pesquisa bibliográfica, recolha de dados e escrita do artigo.

*** Lic., Enfermeira Graduada, Hospital Distrital de Santarém, 2090-216, Santarém, Portugal [cristinamariafelixdasilva@gmail.com]. Contribuição no artigo: recolha de dados, análise de dados e discussão.

**** Lic., Enfermeira Chefe, Hospital Distrital de Santarém, 2090-216, Santarém, Portugal [fatima-diogo@sapo.pt]. Contribuição no artigo: análise de dados e discussão.

***** Lic., Enfermeira , Hospital Distrital de Santarém, 2090-216, Santarém, Portugal [nadineferreir@gmail.com]. Contribuição no artigo: pesquisa bilbiográfica.

 

RESUMO

Enquadramento: A satisfação profissional é resultante da avaliação afetiva e/ou cognitiva. Ela é um importante indicador do clima organizacional e um elemento determinante na avaliação da qualidade das organizações.

Objetivos: Este estudo tem como objetivo validar uma Escala de Satisfação dos Enfermeiros com o Trabalho (ESET).

Metodologia: A ESET, após um pré-teste, foi aplicada a 382 enfermeiros que exerciam funções num hospital de Entidade Pública Empresarial (EPE) da região sul de Portugal.

Resultados: Após a análise fatorial exploratória com rotação ortogonal varimax foram obtidas seis dimensões que explicam 68,63% da variância total. No que concerne à análise da consistência interna foram obtidos valores de alfa de Cronbach considerados adequados de 0,96 para a escala geral e de 0,85 a 0,95 para as dimensões referidas.

Conclusão: A escala construída demonstrou ser um instrumento de fácil aplicação nos enfermeiros com um bom índice de validade e fiabilidade.

Palavras-chave: satisfação no trabalho; enfermagem; estudos de validação; escala

 

ABSTRACT

Background: Professional satisfaction results from an affective and/or cognitive evaluation. It is an important indicator of the organizational climate and a key aspect in the assessment of organizational quality.

Objectives: This study aims to validate a Nurse Job Satisfaction Scale (Escala de Satisfação dos Enfermeiros com o Trabalho - ESET) for the Portuguese population.

Methodology: After a pre-test, the ESET was applied to 382 nurses who worked at an EPE Hospital (Public Corporate Entity) in the southern region of Portugal.

Results: After an exploratory factor analysis with varimax orthogonal rotation, 6 dimensions were obtained that explained 68.63% of the total variance. With regard to the analysis of internal consistency, adequate Cronbach's alpha values were obtained for the total scale (.96) and for the dimensions (between .85 and .95).

Conclusion: The scale proved to have good validity and reliabiity and to be an easy-to-apply instrument for nurses.

Keywords: job satisfaction; nursing; validation studies scale

 

RESUMEN

Marco contextual: La satisfacción profesional resulta de la evaluación afectiva y/o cognitiva y es un indicador importante del clima organizativo, así como un elemento determinante en la evaluación de la calidad de las organizaciones.

Objetivos: Este estudio tiene como objetivo validar una Escala de Satisfacción de los Enfermeros con el Trabajo (ESET).

Metodología: La ESET, tras realizar un pretest, se aplicó a 382 enfermeros que desempeñaban sus funciones en un hospital de la Entidad Pública Empresarial (EPE) de la región sur de Portugal.

Resultados: Después del análisis factorial exploratorio con rotación ortogonal varimax se obtuvieron 6 dimensiones que explican el 68,63 % de la varianza total. En lo que concierne al análisis de la consistencia interna se obtuvieron valores de alfa de Cronbach considerados adecuados, de 0,96 para la escala general y de 0,85 a 0,95 para las dimensiones mencionadas.

Conclusión: La escala construida demostró que es un instrumento de fácil aplicación en los enfermeros con un buen índice de validez y fiabilidad.

Palabras clave: satisfacción en el trabajo; enfermería; estudios de validación; escala

 

Introdução

Nas organizações é importante a avaliação não só das necessidades dos clientes, mas também do grau de satisfação e participação dos trabalhadores, fazendo com que estes se sintam satisfeitos no desenvolvimento das suas atividades.

A saúde e a segurança são dois dos pilares que sustentam a produtividade, assim, as organizações devem oferecer aos seus trabalhadores condições favoráveis para que estes possam desenvolver as suas atividades, assegurando o seu bem-estar físico e mental (Chiavenato, 2008).

As investigações a nível global sugerem que as boas práticas de socialização levam os indivíduos a compreenderem mais claramente o seu papel, envolvendo-se mais no trabalho e na organização, conduzindo a uma maior satisfação, pois de acordo com Gomes et al. (2008) nas fases iniciais da vida do indivíduo na organização, importa que o novo colaborador disponha de boas oportunidades para interagir e socializar com os seus pares e líderes.

Os enfermeiros partilham um atributo que os define, serem profissionais empenhados que abraçam uma filosofia holística de cuidados o que, por sua vez, vai moldar as suas expectativas (Baumann, 2007).

Tendo como ponto central a preocupação com a satisfação dos enfermeiros no local de trabalho, foi construída uma Escala de Satisfação dos Enfermeiros no Trabalho (ESET), com base na pesquisa bibliográfica e na análise crítica de outras escalas existentes sobre a satisfação laboral.

O presente trabalho de investigação tem como intuito contribuir com a construção e validação de mais um instrumento que poderá ser utilizado por outros investigadores na avaliação do grau de satisfação dos enfermeiros em Portugal.

 

Enquadramento

A satisfação profissional segundo Baumann (2007) está relacionada com a forma como os enfermeiros se sentem no que respeita à sua vida laboral. A ausência de adequação entre o trabalho exigido aos enfermeiros e aquele que estes conseguem realizar em tempo razoável, põe em causa a saúde dos enfermeiros e dos próprios doentes. As pressões de tempo, interrupções, exigências contraditórias, défices de aptidões e de conhecimentos, recursos insuficientes ou indisponíveis são agravados pelas cargas laborais excessivas. Segundo o mesmo, a ausência de remuneração adequada é uma das razões fundamentais para a migração em muitas partes do mundo.

Os aspetos mais relevantes de gerarem stress dentro das organizações (são as alterações no horário, o prolongamento do horário habitual de trabalho, o trabalho por turnos, as tarefas com tempos-limite curtos e outras situações em que a atividade profissional decorra submetendo-se à pressão do tempo (Camara, Guerra, & Rodrigues, 2007).

O modo como está estruturada a organização, a sobrecarga de trabalho, a sobrecarga de responsabilidade, a remuneração salarial, a impossibilidade de progressão na carreira, as funções com elevado nível de complexidade, a ausência de autonomia e as más relações de trabalho, podem ser aspetos a considerar como potenciadores de gerar stress (Camara et al., 2007).

Em estudos relativos à satisfação na vida profissional dos enfermeiros Baumann (2007), João (2013) e Siqueira (1995) constataram que a liderança, a autonomia e o trabalho em equipa eram aspetos importantes que contribuíam para a satisfação dos enfermeiros.

As fontes de satisfação no trabalho dos enfermeiros de acordo com Lu, Barribal, Zhang, e While (2011) são: as condições de trabalho; a interação; a relação com os utentes, com os colegas de profissão, com os gestores e a relação com o próprio trabalho; a carga de trabalho; os colegas de trabalho; o horário e os turnos; o desafio que o trabalho representa, as rotinas, os requisitos para realização de tarefas e exigências psicológicas do trabalho; a remuneração; o crescimento pessoal e a promoção; o treino profissional; a oportunidade de progredir na carreira; a promoção no trabalho e a realização pessoal; as recompensas psicológicas; o controlo e a responsabilidade; a autonomia e a participação no processo de decisão; a segurança no trabalho; o estilo de liderança e as políticas organizacionais.

Uma gestão com um controlo excessivo pode originar sintomas físicos, como cansaço, depressão ou agressividade (Alves, 2007). Compete às chefias, estimularem os seus colaboradores de forma a realizarem as tarefas como desafiantes, melhorando a sua produtividade (Camara et al., 2007).

Pode-se dizer que as expectativas dos trabalhadores representam um papel no modelo tradicional de satisfação no trabalho e que por sua vez, a satisfação está relacionada com o desempenho (Lu et al. 2011).

A satisfação profissional é uma condição indispensável para a melhoria do funcionamento das organizações, tendo os gestores um papel determinante, através da promoção de estratégias que levam ao aumento da satisfação laboral dos trabalhadores, com vista a obterem resultados ao nível da criatividade, empenho e produtividade (Castro et al., 2011; Oliveira, 1999).

 

Questão de Investigação

Como tornar mensurável a satisfação dos enfermeiros que exercem funções em contexto hospitalar?

 

Metodologia

Processo de construção da escala

A construção da escala teve por base uma revisão bibliográfica, um estudo de investigação sobre a satisfação nos enfermeiros de João (2013), no qual foi efetuado o estudo de validação da Escala de Satisfação no Trabalho, de Siqueira (1995) e o formulário desenvolvido pela Comissão do Observatório Regional da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros para os Cuidados de Saúde Primários coordenado por Raposo (2011), o que resultou em 40 itens.

Esses itens são expressos em afirmações, nas quais o enfermeiro assinala o grau de satisfação relativamente ao seu local de trabalho. Deste modo, a presente escala visa avaliar a satisfação dos enfermeiros relacionada com aspetos da dinâmica laboral, tais como chefias, organização, recursos, valorização profissional, colegas de trabalho, remuneração e dotações.

Trata-se de uma escala tipo likert com cinco opções de resposta: “absolutamente nada”, “um pouco”, moderadamente”, “muito” e “extremamente”.

Posteriormente, realizou-se um pré-teste do questionario com 30 enfermeiros que não participaram no estudo. Após a aplicação do pré-teste foram removidas três afirmações que segundo a amostra (n = 30) eram sucetiveis de causar dúvida na resposta. Deste, modo, a ESET é composta por 37 itens.

Instrumentos e procedimento

Como instrumento de colheita de dados utilizou-se um questionário entregue a todos os enfermeiros (n = 508) que exerciam funções num hospital EPE pertencente à região sul do país. A colheita de dados decorreu de 14 de setembro a 14 de outubro de 2015.

O questionário utilizado foi organizado em duas partes. Na primeira parte foram colocadas questões visando a obtenção de elementos de caracterização sociodemográfica e profissional dos sujeitos. Na segunda parte do questionário, foi introduzido um instrumento para estudo da satisfação, nomeadamente a ESET.

Após a obtenção dos questionários foi efetuado o tratamento de dados estatísticos no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 21.

Considerações éticas

O estudo foi realizado após ter sido obtida a autorização da instituição hospitalar.

Na aplicação do questionário foi garantida a confidencialidade e anonimato dos dados e salientado que os mesmos se destinavam apenas a fins de investigação. Foi também informado que os sujeitos em estudo não obteriam qualquer ganho remuneratório e que poderiam desistir a qualquer momento, sem penalização de qualquer natureza.

População e amostra

Em cada serviço hospitalar, de um hospital EPE pertencente à região sul de Portugal, foram entregues a todos os enfermeiros chefes o número exato de questionários em formato papel correspondente ao número de elementos que constituía a equipa de enfermagem (n = 508), durante o período de realização do estudo.

A amostra total é constituída por 382 sujeitos, o que corresponde a uma taxa de resposta de 75,2%.

Os enfermeiros que compuseram a amostra eram maioritariamente do sexo feminino (83,3%), com estado civil de casados (50,7%) e possuíam como habilitação académica a licenciatura (72,3%). No que concerne à faixa etária 30,8% tinham idades compreendidas entre os 30 a 39 anos, 25,8% entre 40 a 49 anos, 23,2% entre 20 a 29 anos e 19,3% entre 50 a 59 anos. Quanto ao vínculo laboral, 49,6% possui contrato de trabalho em funções públicas (CTFP) e 49,9% contrato por tempo indeterminado (CTI), o que revela um vínculo laboral estável em todos os trabalhadores em análise.

Da amostra em estudo, 93,2 % encontram-se a desempenhar funções na prestação de cuidados diretos. O tipo de horário laboral mais praticado pela amostra é o roullement com 79,1% dos sujeitos a realizarem o regime de turnos.

 

Resultados

No presente estudo constatou-se que as respostas dos enfermeiros percorrem todos os pontos da escala ou seja de 1-5.

Nos valores da média, moda e mediana obtidos também se verificou uma distribuição dos resultados pelos diversos pontos da escala de resposta, demonstrando existir adequação da estrutura da escala para avaliar o construto em análise (Tabela 1).

Validade e fiabilidade da ESET

A legitimidade da aplicação da análise fatorial foi avaliada pela medida de adequabilidade Kaiser-Meyer-Olkin of Sample Adequacy (KMO). O valor obtido foi de 0,94; considerado como excelente, de acordo com Marôco (2010).

O teste de Bartlett apresenta um valor de χ²(666) = 11259,487 com significância estatística (p < 0,000), o que significa que as variáveis se encontram correlacionadas significativamente (Tabela 2). Deste modo, poder-se-á assegurar que com a amostra disponível, a escala é passível de análise fatorial.

Análise fatorial da ESET

Foi realizada a análise fatorial exploratória, tendo-se obtido seis fatores com valor próprio superior a 1 que explicam 68,63 % da variância total (Tabela 3). Os valores obtidos demonstraram, segundo Marôco (2010), serem aceitáveis para a persecução do estudo.

A Tabela 4 apresenta a matriz de fatores principais, obtidos pelo método de rotação varimax. Na análise fatorial não foi excluído nenhum item, apresentando todos um valor de correlação superior a 0,30.

Após a obtenção dos seis fatores foi efetuada a designação dos mesmos, foi tido em consideração o referencial teórico. Deste modo, as dimensões que compõem a ESET foram denominadas: Satisfação com as chefias, Satisfação com a organização e recursos, Satisfação com a valorização profissional, Satisfação com os colegas de trabalho, Satisfação com a valorização e remuneração e Satisfação com as dotações.

A Satisfação com as chefias foi a primeira dimensão obtida, após ter sido efetuada a análise fatorial da ESET. É constituída por 12 itens que fazem referência à satisfação com o relacionamento estabelecido entre o trabalhador e as chefias. Este primeiro fator explica 41,93% da variância total (Tabela 5).

A segunda dimensão Satisfação com a organização e recursos é composta por oito itens que explicam 7,76% da variância. Os mesmos itens fazem referência à estrutura organizacional do local de trabalho e aos recursos. Nesta dimensão são tidos em consideração a existência de protocolos, equipamentos/materiais e ao espaço físico laboral (Tabela 6).

A terceira dimensão obtida após realização de análise fatorial foi denominada de satisfação com a valorização profissional. O nome atribuído está relacionado com a natureza dos itens, associado à pesquisa bibliográfica, que remetem para aspetos relacionados com a valorização profissional pelos doentes/familiares e colegas de trabalho e com a atividade profissional. Esta dimensão é constituída por cinco itens que explicam 6,82% da variância (Tabela 7).

A dimensão Satisfação com os colegas de trabalho é composta por cinco fatores que explicam 5,13% da variância (Tabela 8). Todos os itens fazem referência a aspetos relacionados com a satisfação com o relacionamento estabelecido com os colegas de trabalho.

A Satisfação com a valorização e remuneração foi a quinta dimensão obtida após execução de analise fatorial. É composta por cinco itens que explicam 1,36% da variância (Tabela 9). Esta dimensão é composta por itens que remetem para a satisfação com a remuneração e com a progressão a nível profissional na instituição.

A última dimensão obtida Satisfação com as dotações é composta apenas por dois itens que explicam 1,23 % da variância total (Tabela 10). Estes itens fazem referência à satisfação com o número de enfermeiros face ao número de doentes.

Correlação entre fatores

As correlações entre os fatores apresentam-se como positivas e estatisticamente significativas, sendo um indicador de consistência entre as dimensões do construto e também argumento de validade ou de fidelidade da medida (Tabela 11).

Fiabilidade da ESET

Na ESET foi então efetuado o estudo da consistência interna através do coeficiente alfa de Cronbach. O valor da totalidade dos itens da escala é de 0,96 o que segundo Hill e Hill (2009), é considerado excelente.

Na primeira, terceira e sexta dimensões foram obtidos valores de alfa de Cronbach considerados excelentes. Nas restantes dimensões os valores do alfa de Cronbach são muito bons, de acordo com Marôco (2010). Assim, tendo em consideração o referido anteriormente, poder-se-á dizer que os valores demonstram uma consistência interna apropriada à consecução do estudo (Tabela 12).

Verificou-se que no item 37 da terceira dimensão se excluído aumentaria o valor do alfa de Chronbach de 0,77 para 0,78. Porém optou-se pela manutenção do item “Sinto-me satisfeito com o respeito demonstrado pelos outros profissionais de saúde face aos cuidados que presto.”, pois a sua contribuição para o aumento seria de apenas de 0,01.

No que concerne à sexta dimensão o valor de consistência interna obtido foi de 0,95, considerado excelente. Porém como a dimensão apenas possui dois itens não foi avaliado o valor de alfa de Cronbach se o item for excluído.

Todos os itens apresentaram correlações significativas e maiores que 0,40 com o score total da respetiva dimensão (Tabela 12).

 

Discussão

No presente estudo, foi validada a aplicação da ESET numa população de enfermeiros portugueses, pertencente a um Hospital EPE da região sul de Portugal. Verificou-se que os valores da média, mediana e moda se encontram distribuidos pelos intervalos da escala de resposta, revelando sensibilidade na avaliação do construto.

O valor obtido de KMO foi de 0,94, sendo o mesmo considerado excelente. Comparado com a escala de satisfação (EST) elaborada pela autora Siqueira (1995), validada em Portugal por João (2013) o valor de KMO (0,941) é ligeiramente mais baixo.

No que concerne à totalidade dos itens o valor de alfa de cronbach foi de 0,960, superior valor obtido pelo autor Ng (1993) na aplicação do instrumento denominado de Escala Multifacetada de Satisfação na Profissão de Enfermagem (0,86) e valor também superior ao obtido por João (2013) com a aplicação da Escala de Satisfação no Trabalho (0,93) de Siqueira (1995).

Relativamente à fiabilidade do instrumento da escala de satisfação no trabalho, de Siqueira (1995) aplicado por João (2013), nas diversas dimensões, os valores de alfa de Cronbach variaram de 0,86 a 0,95, valores superiores aos da escala ESET. Mediante o referido, poder-se-á afirmar que os resultados obtidos se demonstraram satisfatórios em todas as dimensões à persecução do estudo.

Foi realizada uma análise fatorial exploratória com rotação varimax. Após a mesma, os 37 itens da ESET agruparam-se em seis dimensões denominadas, de acordo com a pesquisa bibliográfica por: 1) Satisfação com as chefias; 2) Satisfação com a organização e recursos; 3) Satisfação com a valorização Profissional; 4) Satisfação com os Colegas de Trabalho; 5) Satisfação com a valorização e remuneração e 6) Satisfação com as dotações. As dimensões que constituíram a versão final do instrumento (ESET) explicam 68,63% da variância total, valor superior ao obtido pela autora Ferreira e Sousa (2006) na validação da sua Escala de Satisfação Global, aplicada a 303 enfermeiros que exerciam funções num hospital de Portugal.

No presente estudo, o facto de o delineamento de pesquisa ter sido transversal, poderá ser apontado como uma limitação, pois não nos permitiu testar a estabilidade do instrumento, ou seja a sua capacidade de produzir os mesmos resultados em aplicações sucessivas.

 

Conclusão

A satisfação dos trabalhadores está correlacionada com a produtividade das organizações. Deste modo, torna-se importante avaliar a satisfação dos trabalhadores no sentido de promover condições de trabalho baseadas nas suas necessidades e simultaneamente assegurar o seu bem-estar físico e mental.

A realização do presente estudo teve como intuito apresentar a construção e validação da ESET. A mesma escala constituída por 37 itens que se agrupam em seis fatores, permite avaliar a satisfação dos enfermeiros a nível laboral.

A ESET demonstrou ser fácil de aplicar e apresentou um bom índice de fiabilidade e validade, pelo que poderá ser uma ferramenta valiosa para estudos que pretendam efetuar a avaliação da perceção da satisfação laboral dos enfermeiros.

 

Referências Bibliográficas

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Recebido para publicação em: 14.09.16

Aceite para publicação em: 20.01.17

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