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Revista de Enfermagem Referência

versão impressa ISSN 0874-0283

Rev. Enf. Ref. vol.serIV no.4 Coimbra fev. 2015

https://doi.org/10.12707/RIII13170 

ARTIGO DE INVESTIGACAO

 

Conteudo e violacao do contrato psicologico em enfermeiros chefe

Content and violation of the psychological contract among head nurses

El contenido y la violacion del contrato psicologico en enfermeros jefe

 

Maria Jacinta Pereira Dantas*; Ana Paula Ferreira**

* Mestre em Gestao de Unidades de Saude, Enfermeira Especialista em Saude Mental e Psiquiatria, Unidade de Cuidados de Saude Personalizados do Centro de Saude de Arcos de Valdevez, Unidade Local de Saude do Alto Minho, 4970-001, Arcos de Veldevez, Portugal [jacintadantas@gmail.com]. Morada para correspondencia: Rua Engenheiro Adelino Amaro da Costa, 4970-001, Arcos de Valdevez, Portugal. Contribuicao no artigo: revisao da literatura, recolha, tratamento e analise de dados, redacao do artigo.

** Professora Auxiliar da Escola de Economia e Gestao da Universidade do Minho, 4710-057, Gualtar, Portugal [aferreira@eeg.uminho.pt]. Contribuicao no artigo: analise e tratamento de dados, redacao do artigo.

 

RESUMO

Enquadramento: O estudo foca-se no conceito do Contrato Psicologico (CP) na perspetiva de que a percecao das obrigacoes existentes entre empregador e empregado e construida pelo individuo.

Objetivos: Identificar o conteudo do CP dos enfermeiros chefe, identificar a (in) existencia de percecao de violacao deste contrato e as reacoes a eventual percecao de violacao.

Metodologia: Estudo exploratorio descritivo, de abordagem qualitativa, que recorreu a entrevista semiestruturada numa amostra de dez enfermeiros chefe.

Resultados: Os conteudos do CP, ou seja, o que os enfermeiros chefe esperam receber do seu empregador, passam pelo reconhecimento profissional, pela satisfacao no trabalho, pela progressao na carreira e pela remuneracao compensatoria. Quanto ao que estao dispostos a oferecer ao empregador, identificou-se a lealdade a hierarquia, a entidade empregadora e a classe profissional, e um desempenho de excelencia.

Conclusao: Todos os entrevistados percecionaram violacao do CP por parte do seu empregador. As principais reacoes a violacao foram: diminuicao do empenhamento organizacional, precipitacao para a reforma (intencao de abandonar a organizacao), desmotivacao e negacao da nova condicao profissional.

Palavras-chave: contrato psicologico; conteudo do contrato; violacao do contrato; enfermeiro chefe.

 

ABSTRACT

Theoretical framework: This study focuses on the concept of Psychological Contract (PC) from the perspective that the perceived obligations between employer and employee are constructed by the individual.

Objectives: To identify the contents of the head nurses’ PC, the (in) existence of perceived PC violation and reactions to the possible perception of violation.

Methodology: Qualitative exploratory descriptive study. Semi-structured interviews were performed in a sample of 10 head nurses.

Results: The contents of the PC - what head nurses expected to receive from their employers - included professional recognition, job satisfaction, career progression and fair compensation. As to what they were willing to offer their employers, loyalty to the hierarchy, employer and professional group, as well as a performance of excellence were identified.

Conclusion: All interviewees considered that their employers had violated the PC. The main reactions to PC violation were: decreased organisational performance, rushing into retirement (intention to leave the organisation), demotivation and denial of the new professional status.

Keywords: psychological contract; contents of contract; violation of contract; head nurse.

 

RESUMEN

Marco contextual: El estudio se enfoca en el concepto de Contrato Psicologico (CP), en la perspectiva de que la percepcion de las obligaciones existentes entre empleador y empleado la construye el individuo.

Objetivos: Identificar el contenido del CP de los enfermeros jefe, identificar la (in)existencia de percepcion de violacion de este contrato y las reacciones a la eventual percepcion de violacion.

Metodologia: Estudio exploratorio descriptivo, de enfoque cualitativo en el que se recurrio a la entrevista semiestructurada en una muestra de diez enfermeros jefe.

Resultados: Los contenidos del CP, o sea, lo que los enfermeros jefe esperan recibir de su empleador, pasan por el reconocimiento profesional, por la satisfaccion en el trabajo, por la progresion en la carrera y por la remuneracion compensatoria. En cuanto a lo que estan dispuestos a ofrecer al empleador, se identifico la lealtad a la jerarquia, a la entidad empleadora y a la clase profesional, y un desempeno de excelencia.

Conclusion: Todos los entrevistados percibieron una violacion del CP por parte de su empleador. Las principales reacciones a la violacion fueron: diminucion del empeno organizativo, precipitacion para la reforma (intencion de abandonar la organizacion), desmotivacion y negacion de la nueva condicion profesional.

Palabras clave: contrato psicologico; contenido del contrato; violacion del contrato; enfermero jefe.

 

Introducao

Nos ultimos anos assistiu-se, nos cuidados de saude, a um conjunto de transformacoes estruturais, processuais e politicas. Estas transformacoes passaram pela adocao de novos modelos de gestao (nomeadamente a gestao empresarial da saude), pela reforma dos cuidados de saude primarios e pela reconfiguracao da rede de urgencias hospitalares.

A par destas alteracoes, tambem as carreiras dos profissionais sofreram alteracoes consideraveis, visiveis atraves das reconfiguracoes das mesmas. A classe profissional de Enfermagem foi uma classe que negociou uma nova carreira, e esta negociacao foi um processo moroso e arduo, do qual emergiram alteracoes que interferem na dinamica e estabilidade da profissao e, consequentemente, dos seus profissionais.

O conceito de Contrato Psicologico (CP) pode ser utilizado como um modelo para explicar a relacao entre empregado e empregador. O CP diz respeito a percecao, por parte de um individuo, da existencia de uma relacao de troca reciproca entre ele e a sua organizacao empregadora (Rousseau, 1989, 1995), relacao essa que se encontra nos olhos de quem a ve. Neste contrato subjaz a ideia de que o comportamento dos empregados face a sua organizacao empregadora depende da crenca dos mesmos de que essa organizacao tem mantido (ou nao) as promessas que, subjetivamente, foram percebidas como tendo sido feitas ao empregado (Conway & Briner, 2005).

Pretendeu-se, assim, com esta investigacao perceber a relacao entre empregador e empregado atraves do construto CP num grupo profissional de Enfermagem na categoria de enfermeiro chefe, de uma organizacao do Servico Nacional de Saude Portugues com gestao empresarial. Optou-se pelo estudo de enfermeiros chefe por terem um conjunto de atribuicoes que sao determinantes nas organizacoes de saude, nomeadamente ao nivel da gestao intermedia das equipas de Enfermagem. Tomou-se, como ponto de partida para o estudo, a alteracao ocorrida na carreira de Enfermagem e o facto da categoria de enfermeiro chefe ser considerada como uma categoria subsistente na nova carreira de Enfermagem. Procurou-se, entao, perceber quais as implicacoes desta alteracao ao nivel das relacoes de trabalho, em especial ao nivel do seu CP. Para o efeito, elegeram-se os seguintes objetivos: a) identificar quais os conteudos do CP que os enfermeiros chefe estabeleceram com a identidade empregadora; b) identificar se os enfermeiros chefe percecionaram violacao do CP; c) identificar que reacoes advieram da percecao de violacao, caso tenha acontecido, e que implicacoes a nivel individual e organizacional ela tera.

 

Enquadramento

Contrato psicologico

O conceito de CP e aceite como uma das formas de explicar a relacao entre o empregado e o empregador, ajudando a analisar o relacionamento entre estes membros organizacionais, e a sua importancia e evidente nas consequencias da sua percecao de quebra, afetando aspetos da relacao. Este conceito centra-se naquilo que um individuo percebe como devendo a organizacao e do que pode esperar em troca. Este tipo de contrato e percetivo e idiossin­cratico (Rousseau, 1995), formando-se no decorrer da vida profissional dos empregados atraves das interacoes que vao tendo com os seus empregadores (Rousseau, 1989, 1995; Conway & Briner, 2005; Conway & Colye-Shapiro, 2006).

A perspetiva unilateral do CP postula que e o individuo (empregado) que forma um contrato, sendo uma crenca individual sobre as expectativas e obrigacoes mutuas num determinado contexto de relacionamento entre empregador e empregado. A visao unilateral refere-se, principalmente, a perspetiva do empregado acerca do trabalho e da organizacao, nomeadamente, ao nivel das expectativas e obrigacoes, limitando o CP a uma percecao individual (Rousseau, 1989, 1995).

Para Rousseau (1995) a formacao deste tipo de contrato engloba dois fatores essenciais: fatores individuais e fatores organizacionais, que interagem entre si para a sua formacao. Os primeiros englobam os processos de codificacao e de descodificacao das mensagens organizacionais, bem como as proprias predisposicoes individuais. Os fatores organizacionais referem-se a pistas sociais, isto e, a informacoes dadas pela organizacao e que podem ser interpretadas como promessas, que descrevem as suas intencoes futuras.

Rousseau (1989, 1995) salienta que o CP e unico para cada individuo (empregado); e um acordo nao escrito entre empregado e empregador, cujos termos incluem obrigacoes mutuas percebidas e que interferem no modo como o empregado se relaciona com a sua organizacao. Assim, o termo CP refere-se “as crencas de um individuo em relacao aos termos e condicoes de um acordo reciproco entre essa pessoa e a outra parte” (Rousseau, 1989, p.123) sendo uma “crenca individual, moldada pela organizacao, sobre os termos de um acordo de troca entre o individuo e a sua propria organizacao” (Rousseau, 1995, p. 9).

Incumprimento do contrato psicologico

Um elemento central do CP e a crenca do empregado de que a organizacao devera estar a altura das promessas e compromissos tanto percebidos como efetuados. Quando um colaborador toma consciencia que a organizacao nao cumpriu as suas promessas ou obrigacoes, entao este pode experienciar uma quebra ou violacao do CP por parte da sua organizacao empregadora (Rousseau, 1995).

Pode, portanto, afirmar-se que o conceito de incumprimento do CP passa por “uma experiencia subjetiva que se refere a percecao individual de que uma outra parte falhou em cumprir adequadamente as obrigacoes prometidas” (Robinson, 1996, p. 576).

Como tal, este incumprimento do CP cria, normal­mente, a percecao de um desequilibrio na relacao de troca social, pois a organizacao emprega­­dora nao parece ter respondido de modo ajustado aquilo com que o empregado considera ter contribuido para a organizacao. Contudo, ha uma distincao que deve ser feita nesta nocao de incumprimento do CP: quebra versus violacao. Segundo Morrison e Robinson (1997), para haver violacao do contrato psicologico nao basta que o individuo reconheca que a organizacao nao cumpriu com uma ou mais obrigacoes inerentes ao CP. Esse reconhecimento e apenas a cognicao de que ha uma falha no cumprimento das promessas percebidas como feitas, e essa cognicao e descrita como sendo uma quebra do CP (Morrison & Robinson, 1997). A violacao implica a existencia de reacoes afetivas e emocionais de desapontamento, frustracao, ira e ressentimento, que ocorrem da interpretacao que o empregado fez da quebra e das circunstancias que a acompanharam. Assim a violacao e um “estado emocional e afetivo que pode, sob certas circunstancias, decorrer da crenca que a organizacao nao conseguiu manter adequadamente o contrato psicologico” (Morrison & Robinson 1997, p. 230). As autoras reforcam que a violacao e uma experiencia emocional, mas surge a partir de um processo de interpretacoes de natureza cognitiva.

Os estudos empiricos tem demonstrado que a quebra/violacao do CP se relaciona com a diminuicao do bem-estar, com atitudes negativas face ao trabalho e a organizacao, bem como com a intencao de abandonar a organizacao (Krivokapic-Skoko, O/Neill, & Duwell, 2010; Chambel & Peiro, 2003). Da mesma forma, a percecao do incumprimento do CP parece estar relacionado com um decrescimo dos niveis de satisfacao no trabalho e um aumento dos sentimentos de injustica (Krivokapic-Skoko et al., 2010), uma diminuicao do comportamento de cidadania organizacional (Jafri, 2012; Cassar & Briner, 2011), bem como sentimentos de raiva, aumento do turnover e reducao dos niveis de empenhamento (Zagenczyk, Gibney, Few, & Scott, 2011; Cassar & Briner, 2011; Thomas, Feldman, & Lam, 2010; Menegon & Casado, 2006). Os estudos tambem tem demonstrado que a violacao do CP leva a falta de confianca na organizacao (Krivokapic-Skoko, et al., 2010; Conway & Briner, 2005), esgotamento emocional (Gakovic & Tetrick, 2003), sentimentos de vinganca e depressao (Menegon & Casado, 2006).

Autores como Thomas, Feldman, e Lam (2010) alertam para a importancia de investigar os fatores que levam a violacao do CP no sentido de os controlarem, ou ate mesmo eliminar, pois tais podem produzir efeitos em cascata e as consequencias podem ser devastadoras na performance do colaborador. E as consequencias associadas a violacao tendem a agravar-se ao longo do tempo e nao a melhorar, caso nao haja algum tipo de intervencao para minorar o problema.

Contrato psicologico em Enfermagem

Durante anos a carreira de Enfermagem esteve regulamentada pelo Decreto-Lei n? 437/91 a qual se estruturava segundo patamares sendo, respetiva­mente, enfermeiro nivel 1, nivel 2; enfermeiro graduado; enfermeiro especialista; enfermeiro chefe; enfermeiro supervisor.

Aos enfermeiros de categoria nivel 1, 2, graduado e especialista, cabe a prestacao direta de cuidados a doentes/familia/comunidade. Aos enfermeiros com categoria de chefe e supervisor cabe o desempenho de cargos de gestao de equipas de Enfermagem sendo, portanto, estes profissionais afastados da prestacao direta de cuidados de Enfermagem.

Com a negociacao da nova carreira de Enfermagem verificou-se uma reestruturacao das categorias anteriormente existentes, nomeadamente a categoria de enfermeiro chefe e o seu conteudo funcional, que a luz da nova carreira (Decreto-Lei n?248/2009) e considerada como categoria subsistente, ou seja, logo que os atuais enfermeiros chefe se aposentem, nenhum outro enfermeiro sera enfermeiro chefe de carreira.

E conhecido na classe de Enfermagem que o enfermeiro chefe e um profissional que desempenha um papel determinante na lideranca das equipas, e tem um papel preponderante na forma como os cuidados de Enfermagem sao prestados a uma determinada populacao. Desta forma, procurou--se conhecer o estado de alma deste lider na organizacao, e as implicacoes para as organizacoes de saude da eventual percecao da violacao do CP destes profissionais. Segundo Hesbeen (2001), a principal missao do enfermeiro chefe e dar atencao aos elementos da sua equipa, a fim de lhe oferecer as melhores condicoes para exercerem a sua profissao. O que determina o papel do enfermeiro chefe e contribuir para uma maior eficiencia dos servicos de saude. Portanto, estes desempenham um papel importante a nivel do planeamento (estabelecer objetivos, planear recursos) e do controlo de atividades e resultados em saude. Questiona-se, portanto, se serao capazes, estes profissionais, de exercer tais funcoes, com o empenhamento esperado, quer por parte da organizacao quer por parte dos profissionais que lideram.

 

Questoes de Investigacao

Formularam-se as questoes de investigacao no sentido de entender qual o conteudo do CP do enfermeiro chefe, de identificar se percecionam quebra e/ou violacao do mesmo, e de conhecer quais as implicacoes da quebra e/ou violacao caso tenha ocorrido, pois a ocorrencia de incumprimento do CP leva os trabalhadores a perderem a confianca nas organizacoes, a manifestarem insatisfacao com o trabalho e a um menor empenhamento na organizacao (Robinson, 1996; Morrison & Robinson, 1997; Jafri, 2012).

Tendo em conta os objetivos definidos, delinearam--se as seguintes questoes de investigacao: Quais os conteudos do CP que o enfermeiro chefe estabelece com o seu empregador?; Percecionam, estes profissionais, violacao do CP?; Quais as implicacoes que advem da violacao do CP (quando percecionada)?

 

Metodologia

Trata-se de um estudo exploratorio descritivo, com abordagem qualitativa, cujo locus de estudo foram os Centros de Saude da Unidade Local de Saude do Alto Minho. Esta Unidade Local, EPE (ULSAM), constitui--se como uma entidade empresarial que integra o centro hospitalar do Alto Minho (constituido por dois hospitais) e treze centros de saude, que abrange toda a area geografica do distrito de Viana do Castelo.

A populacao alvo foi constituida pelos enfermeiros chefe de todos os centros de saude que integram a Unidade Local referida, sendo que para cada centro de saude apenas existe um enfermeiro chefe. Este estudo contou com a participacao de 10 enfermeiros chefe, isto porque a data da realizacao do estudo, em dois centros de saude, os respetivos enfermeiros chefes nao estavam em funcoes (um por reforma e um por comissao de servico, ou seja nao havia enfermeiro chefe de carreira); num centro, o enfermeiro chefe encontrava-se de baixa prolongada (tendo sido este o elemento privilegiado no pre-teste do guiao da entrevista).

Atendendo as caracteristicas do estudo que se pretendia concretizar optou-se pela realizacao de entrevista semiestruturada como tecnica de colheita de dados. Esta tecnica de recolha de dados pareceu ser a melhor solucao dada a natureza sensivel das questoes. Pedia-se, afinal, aos participantes deste estudo, para avaliar um conjunto de aspetos referentes ao que sentiam face a um conjunto de dimensoes associadas ao contexto de emprego e a relacao com a entidade empregadora. Para o efeito foi elaborado um guiao da entrevista e efetuou-se um pre-teste do mesmo, junto de um elemento privilegiado (uma enfermeira chefe dessa organizacao e a realizar o mesmo tipo de prestacao de cuidados), para garantir a compreensao do tema por parte dos participantes e das perguntas a serem efetuadas (Fortin, 1999). Assim, este procedimento foi no sentido de clarificar o conteudo da entrevista, tornando-a ainda mais compreensivel e clara para a populacao-alvo.

A recolha de dados decorreu de fevereiro a maio de 2011. Para que se procedesse a recolha de dados foi preciso obter a respetiva autorizacao do Conselho de Administracao da ULSAM, EPE.

As entrevistas foram realizadas no contexto de trabalho dos enfermeiros chefe, tendo para isso sido contactados previamente via telefone. Durante a realizacao do estudo foram tidas em conta todas as normas eticas da realizacao de trabalhos de investigacao cientifica. Foi garantido a cada entrevistado o anonimato de todos os dados obtidos e a nao utilizacao das informacoes por outras pessoas ou para qualquer outro fim que nao fosse a investigacao. No inicio de cada entrevista, explicou-se em pormenor em que consistia o estudo e quais os principais objetivos do mesmo. Foi, tambem, pedido o consentimento para a gravacao do conteudo da entrevista em audio.

Para a analise dos dados optou-se pela tecnica de analise de conteudo (Bardin, 1977) que permitiu o estabelecimento das areas tematicas, das categorias e subcategorias para subsequente tratamento e analise dos resultados. Dado o numero de entrevistas nao se considerou necessario recorrer a nenhum programa informatico.

 

Resultados e Discussao

Relativamente a caracterizacao da amostra do estudo, todos os entrevistados sao do sexo feminino, com idade media de 50,8 anos e uma media de 29,6 anos de exercicio profissional. Depreende-se, portanto, uma longa carreira profissional da amostra. Esta experiencia profissional e, em grande parte, concretizada ao nivel dos cuidados de saude primarios, apesar de quatro entrevistadas terem referido tambem experiencia ao nivel dos cuidados de saude diferenciados.

O exercicio da categoria de enfermeiro chefe e de 4,5 anos para quatro das entrevistadas, de 6 anos para duas, e de 9 anos para uma, sendo que tres delas tem mais de 10 anos de exercicio nesta categoria. Todas as entrevistadas possuem o grau de licenciatura que lhes foi conferido pelo curso de estudos superiores especializados, o que lhes confere tambem o titulo de enfermeira especialista numa area de Enfermagem. Quanto ao nivel da formacao complementar destacam-se tres enfermeiras com pos-graduacao em gestao/administracao de servicos de saude e uma com grau academico de mestre.

Nesta seccao serao apresentados os resultados obtidos a partir das seguintes areas tematicas identificadas: Area Tematica I - Conteudo do CP em enfermeiros chefe; Area Tematica II - Percecao da violacao do CP; Area Tematica III - Reacoes a violacao do CP.

Area Tematica I: Conteudo do contrato psicologico

A analise dos conteudos das entrevistas permitiu identificar duas categorias nesta area tematica. A primeira categoria relaciona-se com aquilo que o enfermeiro chefe espera receber da organizacao. A segunda categoria diz respeito aquilo a que estao dispostos a dar.

No que se refere a categoria do que esperam receber identificam-se quatro subcategorias: reconhecimento profissional; satisfacao no trabalho; progressao na carreira e remuneracao compensatoria.

Relativamente ao reconhecimento profissional exemplifica-se com o discurso da E4 “(…) ja que fui enfermeira chefe substituta durante muito tempo, ao concorrer passei a ser chefe de carreira e dai ter o reconhecimento legal que me era devido (…)” (marco, 2011). A satisfacao no trabalho pode ser exemplificada pela E1 “(…) satisfacao no trabalho, para que todos os enfermeiros consigam desempenhar o seu trabalho o melhor que sabem e podem (…)” (fevereiro, 2011). A progressao na carreira, para a E9 e verbalizada desta forma “(…) durante muitos anos nao pensei em progredir na carreira, mas depois achei que devia faze-lo dai o concurso para chefe (…) tambem para me realizar profissionalmente (…)” (maio, 2011). Finalmente, obter uma remuneracao compensatoria tambem foi mencionado como uma das subcategorias que as enfermeiras esperavam receber da organizacao. A titulo de exemplo, a E5 “(…) as questoes de ordenado sao tambem importantes quando se muda de categoria, de certa forma tambem pensei nisso (…)” (abril, 2011).

Na categoria que identifica o que o enfermeiro chefe esta disposto a dar a sua entidade empregadora, destacam-se quatro subcategorias: desempenho de excelencia, lealdade a hierarquia, lealdade a organizacao e lealdade a classe profissional.

O desempenho de excelencia e exemplificado, desta forma, pela E4 “(…) quando tomei posse como chefe, pensei nas minhas responsabilidades e no desempenho do meu papel que pudesse ser um contributo para a melhoria da prestacao de cuidados a populacao (…)” (marco, 2011). A lealdade com a hierarquia pode ser ilustrada pelo excerto da E5 “(…) a nossa carreira e uma carreira centrada nas hierarquias e eu sempre as reconheci e respeitei (…)” (abril, 2011). Ja a lealdade a organizacao pode ser identificada na E3, que refere que “(…) fiz sempre o meu melhor que sabia e podia gerir esta casa como fosse a minha propria casa (…)” (marco, 2011), e pela E4 “(…) na tomada de posse esta implicito um compromisso de lealdade com a instituicao (…)” (marco, 2011). Surge tambem, a lealdade a classe profissional evidenciada nos discursos de E4 “(…) eu continuo a achar que a enfermeira chefe e para defender a classe (…) qualquer chefe que queira lutar pelo seu papel tem de lutar pelos enfermeiros (…)” (marco, 2011).

A semelhanca de resultados encontrados por Menegon e Casado (2006), este estudo vem demonstrar que os enfermeiros chefe esperam receber da sua entidade empregadora a possibilidade de construcao de uma carreira, receber um ordenado compensador, serem reconhecidos pelo seu desempenho. Quanto ao que estao dispostos a dar em troca, a organizacao, constatou-se que pretendem dar o seu melhor; serem leais a organizacao e a classe profissional.

A analise destes dados permite inferir que a premissa apontada por Rosseau (1995) de que a questao chave do CP esta na crenca de que uma promessa foi feita e uma contrapartida e oferecida em troca, obrigando assim as partes a um conjunto de obrigacoes reciprocas, nao e efetivamente concretizada, ja que as promessas por parte da organizacao nao sao cumpridas e contudo, os enfermeiros sempre estiveram disposto a oferecer em troca o seu melhor.

Area Tematica II: Percecao da violacao do contrato psicologico

Um elemento central do CP e a crenca do empregado de que a organizacao empregadora esta a altura das suas promessas e compromissos. Quando um colaborador toma consciencia que a organizacao nao cumpriu as suas promessas ou obrigacoes entao estes experienciam uma violacao deste contrato.

A percecao da violacao do CP pelos enfermeiros chefe identifica-se tendo por base a distincao do conceito de quebra e de violacao proposto por Morrison e Robinson (1997) e Cassar e Briner (2011), uma vez que a violacao e entendida como o estado emocional e afetivo que pode, sob certas circunstancias, decorrer da crenca de que a organizacao nao conseguiu manter adequadamente o contrato.

A revolta, o ressentimento, o despeito, a tristeza, a frustracao e a humilhacao sao as subcategorias encontradas no discurso dos entrevistados, que permitem identificar o tema da percecao de violacao do CP.

A revolta e mencionada por E2 “(…) sinto e uma grande revolta com o que aconteceu (…)” (fevereiro, 2011). O ressentimento pode ser bem identificado pelo discurso de E1 “(…) magoou muito ouvir dizer em publico pelos altos responsaveis da organizacao dizer agora deixou de haver enfermeira chefe (…)” (fevereiro, 2011). Ja o despeito, pode ser sentido atraves do discurso de E2 “(…) isto passou-se aqui no centro de saude numa reuniao onde estavam medicos, administrativos e auxiliares e disseram: agora ja nao existe enfermeira chefe, eu fiquei que nem queria acreditar e disse meu Deus o que e isto!?(…)” (fevereiro, 2011). A tristeza foi mencionada desta forma pela E6 (…) alguma tristeza de como retrocedemos e de como a carreira de enfermagem tem vindo a ser desmoralizada (…)”(abril, 2011). O sentimento de humilhacao e referido desta forma por E5 (…) sinto-me humilhada, nao sou ouvida na organizacao onde trabalho (…)” (abril, 2011), e a frustracao pode ser sentida nas declaracoes de E8 (…) ninguem me tratou mal, ninguem me bateu, mas nao imagina a frustracao diaria (…)” (maio, 2011).

Todos os enfermeiros chefe percecionaram violacao do CP. As principais manifestacoes da violacao sao evidenciadas atraves de sentimentos de revolta, ressentimento e frustracao, sentimentos tambem identificados num estudo realizado por Zagenczyk et al. (2011).

Quando se atinge um determinado estatuto dentro de uma classe profissional espera-se ser tratado em funcao desse estatuto. Foi o que se identificou aqui, pois todos os enfermeiros chefe procuraram construir um percurso profissional que os levasse a serem tidos em consideracao pela organizacao. A forma como se sentiram tratados (a falta de respeito pelo seu percurso, pelo seu esforco e pela sua dedicacao) sao os principais fatores que os levam a sentirem-se defraudados e, consequentemente, percecionarem a violacao do CP. O desrespeito (no entender deles) por parte dos seus superiores hierarquicos, e em especial a demonstracao publica desse desrespeito fa-los sentir feridos de morte. Pode-se referir que estes enfermeiros estao em esgotamento emocional, tal como identificam Gakovic e Tetrick (2003). Considera-se, portanto, que mais do que a perda que estes sentiram, o que mais contribuiu para a percecao da violacao do CP foi a forma como esta perda se deu. Todos os enfermeiros chefe referiram que para serem chefes passaram por um concurso publico, fizeram provas das suas capacidades e depois sentiram perder tudo aquilo que conquistaram. Este foi tambem um fator importante que contribuiu para se sentirem violados na sua ideologia profissional e de como o seu percurso profissional se iria desenrolar. Importa ainda referir que esta perda se da por decreto-lei e nao pela efetiva perda das suas capacidades ou vontade de exercer tal categoria.

Area Tematica III: Reacoes a violacao do contrato psicologico

Na generalidade, a investigacao mostra que a violacao do CP tem consequencias serias para os trabalhadores e para as organizacoes (Gakovic & Tetrick, 2003; Cassar & Briner, 2011; Menegon & Casado, 2006; Jafri, 2012).

A analise dos discursos permitiu constatar que houve violacao do CP dos enfermeiros em estudo, e estes apontam as consequencias dessa violacao. Assim, para esta area tematica identificaram-se duas categorias: reacoes ao nivel pessoal e ao nivel profissional.

A nivel pessoal identificaram-se as seguintes subcategorias: o desencantamento e o embotamento.

O desencantamento com a profissao pode ser ilustrado pelo seguinte fragmento de discurso da E1 “(…) se calhar se olhasse para tras tinha abracado aquilo que estou a fazer agora [coordenacao de uma Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC)] (…) sem ser enfermeira chefe, ja que para isso precisei de fazer o concurso publico (…)” (fevereiro, 2011). Importa aqui clarificar que para ser coordenador de uma Unidade de Cuidados na Comunidade nao e necessario ser enfermeiro chefe, basta ser detentor do titulo de especialista. Isto ajuda a entender os sentimentos de desencantamento com a situacao em que se encontram algumas das enfermeiras em estudo. Ja o embotamento concretiza-se no seguinte fragmento de E1 “(…) o papel da enfermeira chefe foi condicionada (…) deixei de ter um papel ativo na questao dos recursos humanos (…)” (fevereiro, 2011).

A nivel profissional destacam-se a negacao da nova condicao profissional, um menor empenhamento e a intencao de sair da organizacao (pedido de reforma). A negacao da nova categoria profissional (resistencia a mudanca e sofrimento psicologico) e evidenciada por todos os entrevistados. Ilustra-se com fragmentos de discursos que demonstram bem a dificuldade da aceitacao a nova condicao profissional. Assim, E4 refere que “(…) eu por algum motivo me recusei a fazer outras funcoes que nao fossem funcoes de enfermeira chefe nunca abdiquei disso (…)” (marco, 2011). Ja E6 salienta “(…) eu esclareci com a equipa que mantinha o meu papel de chefe ate que sai nova legislacao (…)” (abril, 2011). Um menor empenhamento organizacional e visivel no discurso de E2 “(…) dantes levava trabalho para casa, porque no servico nao me consegui concentrar agora deixei de o fazer (…)” (fevereiro, 2011). E3 adianta que “(…) agora nao estou para me chatear dou o nome, porque precisam de uma pessoa com as minhas habilitacoes [para a criacao formal da Unidade de Cuidados da Comunidade] mas mais nada, motivacao nao tenho nenhuma; ja nao estou para me chatear (…)”. Duas das enfermeiras chefes, referem a intencao de sair da organizacao manifestado pelos pedidos de reforma antecipados, argumentando que “(…) nao vou negar que estou a espera da aposentacao, la meti os papeis porque estas mudancas que estamos a viver precipitaram a minha aposentacao (…)” (marco, 2011) – E3, e que “(…) esta situacao toda levou--me a pensar na possibilidade em ir para a reforma antecipada para me poder afastar do servico (…)” - E5 (abril, 2011).

Este estudo vem corroborar os resultados de outras investigacoes sobre as implicacoes da violacao do CP (Krivokapic-Skoko et al., 2010; Chambel & Peiro, 2003).

Parece que a percecao da violacao do CP, nesta amostra, esta fortemente relacionada com a forma como o processo de ajustamento a nova categoria foi conduzido. Salienta-se que mais do que as alteracoes, parece ter sido a forma como o processo foi condu­zido que induziram a percecao de violacao do CP.

Rousseau (1995) aponta que muitas das causas da violacao do contrato se relacionam com a mudanca dos superiores hierarquicos na organizacao. Os dados obtidos e analisados confirmam que, em parte, foi o que aconteceu na organizacao em estudo. Embora as circunstancias nao sejam, na totalidade, identicas as apontadas pela autora, considera-se que os pressupostos estao presentes. Os enfermeiros chefe identificam a organizacao com a direcao de Enfermagem, desta forma pode apontar-se o enfermeiro diretor como o representante direto da organizacao. Entende-se, portanto, que no caso da organizacao em estudo, a forma como todo o processo foi conduzido pela direcao da organizacao, em especial o enfermeiro diretor, teve responsabilidade direta nos sentimentos de violacao do contrato que foram experienciados, ja que foi este o responsavel que conduziu o processo de transicao para a nova categoria e nao respeitou o quadro ideologico da profissao.

 

Conclusao

O presente estudo propos-se conhecer o conteudo do CP, bem como identificar se existiu percecao de violacao desse contrato e que implicacoes advieram dessa percecao na dinamica da relacao entre estes enfermeiros chefe e a sua organizacao empregadora.

Os resultados obtidos permitiram identificar e compreender o espectro de vivencias e contrariedades ou oportunidades que o enfermeiro chefe encontra numa determinada fase da sua carreira profissional, bem como a forma como este profissional processa tais experiencias.

Constatou-se que o conteudo do CP dos enfermeiros chefe centra-se na sua relacao de troca com a organi­zacao, e situa-se em duas dimensoes: aquilo que os enfermeiros chefe esperam receber e o que estao dispostos a dar a instituicao. No que se refere ao que esperam da organizacao identificaram-se: o reconhecimento profissional, a satisfacao com o trabalho, a construcao de uma carreira e uma remuneracao compensatoria. Quanto ao que estao dispostos a dar identificaram-se: a lealdade a hierarquia, a lealdade a organizacao, um desempenho de excelencia e a lealdade a profissao, o que leva a supor uma identidade com uma causa superior ao autointeresse.

Todos os entrevistados revelaram que percecionaram violacao do CP, por parte da entidade empregadora. As principais consequencias que advieram desta percecao foram evidenciadas atraves de sentimentos de ressentimento, despeito, tristeza, revolta, frustracao e humilhacao. Quanto as principais reacoes a violacao do CP foram identificadas o desencantamento com a profissao, embotamento (sofrimento psicologico), a precipitacao para a reforma (intencao de sair da organizacao), um menor empenhamento, a negacao da nova condicao profissional e a desmotivacao.

A percecao de violacao do CP parece estar fortemente relacionada com a forma como o processo de ajustamento a nova categoria foi conduzido, mais do que a propria mudanca, em si, causada pela alteracao da nova carreira.

Destaca-se, portanto, que a conduta das alteracoes da carreira deve ser gerida, de forma efetiva, pelos superiores hierarquicos, ja que todos os entrevistados referiam que um dos fios condutores da sua atuacao passa pela lealdade a hierarquia e estes sentiram-se abandonados pela mesma e/ou desrespeitadas por elas.

Em conformidade com os resultados obtidos, abrem- -se algumas possibilidades para futuras investigacoes. Entre elas sugere-se estudar o conteudo do CP destes profissionais agora face a nova condicao profissional. Sugere-se ainda, e tendo em consideracao o contexto do estudo (Unidade Local de Saude do Alto Minho, ser constituida por 13 centros de saude e dois hospitais), estudar o CP de enfermeiros chefe dos cuidados de saude primarios. Esta sugestao parte da constatacao apontada por Rousseau (1995) de que o contexto do exercicio profissional e um dos construtores do CP.

 

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Recebido para publicacao em: 01.10.13

Aceite para publicacao em: 16.07.14

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