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Revista de Enfermagem Referência

versión impresa ISSN 0874-0283

Rev. Enf. Ref. vol.serIII no.7 Coimbra jul. 2012

http://dx.doi.org/10.12707/RIII11139 

Adesão de mulheres de 18 a 50 anos ao exame colpocitológico na estratégia saúde da família

Adherence of women aged 18 to 50 years to a cervical smear test in the Family Health Strategy

Adhesión de mujeres de los 18 a los 50 años a una prueba de Papanicolaou en la estrategia de salud de la familia

 

Wágna Maria de Araújo Oliveira*; Maria Alves Barbosa**; Brenda de Oliveira Monteiro Mendonça***; Alzilene Alves da Silva****; Laís Carla Faria Santos*****; Lara Cristina D. do Nascimento******

* Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Goiás – UFG. Professora e Coordenadora do Curso de Enfermagem da Faculdade Montes Belos – FMB – Goiás, Brasil [wagna.enf@gmail.com].

** Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás – UFG. Orientadora do Doutorado em Ciências da Saúde – UFG – Goiás, Brasil [maria.malves@gmail.com].

*** Enfermeira. Especialista. Professora do Curso de Enfermagem da Faculdade Montes Belos – FMB – Goiás, Brasil [brenda_enf@hotmail.com].

**** Enfermeira pela Faculdade Montes Belos – FMB de São Luis de Montes Belos – Goiás, Brasil [alveslena@hotmail.com].

***** Enfermeira pela Faculdade Montes Belos – FMB de São Luis de Montes Belos – Goiás, Brasil [laisakarlla@hotmail.com].

****** Enfermeira pela Faculdade Montes Belos – FMB de São Luis de Montes Belos – Goiás, Brasil [laradavidgo@hotmail.com].

 

Resumo

Estudo descritivo exploratório de natureza quantitativa que teve como objetivo avaliar a adesão das mulheres ao exame colpocitológico (COP) na Estratégia Saúde da Família (ESF) de Iporá, Goiás, Brasil. A amostra do estudo foi composta por 114 mulheres com idade mínima de 18 e máxima de 50 anos de idade que compareceram nas unidades de ESF para realizar o COP nos meses de outubro e novembro de 2010. A análise descritiva realizada pelo programa Epi Info 3.5.1 mostrou que a maior adesão está na faixa etária de 46 a 50 anos de idade (24%) e a menor nas de 18 a 20 e de 41 a 45 (10% cada). Entre as entrevistadas, 70% realiza o exame a cada dois anos ou menos e 12% nunca o realizou. A unidade de ESF com maior adesão foi a do Jardim Monte Alto, com 16%, e a de menor adesão foi a do bairro Umuarama, com 8%. Concluiu-se que a prevenção é a principal justificação das mulheres para a realização do COP.

Palavras-chave: exame colpocitológico; mulher; neoplasias uterinas

 

Abstract

A descriptive exploratory study of quantitative nature with the aim of evaluating the adherence of women to the smear test in the Health Family Strategy of Iporá, Goiás, Brazil. The study sample consisted of 114 women from 18 to 50 years old who attended the Family Health Strategy to have a smear test in October and November 2010. The descriptive analysis performed using Epi Info 3.5.1 showed that the higher level of adherence is in the 46 to 50 years age group (24%) and the lower level is at 18 to 20 and 41 to 45 years (10% each). Among the interviewees, 70% had the test every two years or less and 12% had never had it. The Family Health Strategy unit with higher adherence was Jadim Monte Alto with 16%, and the lower was Umuarama district with 8%. It was concluded that prevention is the main reason for women to take the smear test.

Keywords: cervical smear test; woman; uterine neoplasms

 

Resumen

Estudio descriptivo exploratorio de corte cuantitativo, que tuvo por objeto evaluar la adhesión de las mujeres a las pruebas de rastreo de Papanicolaou en la Estrategia Salud de la Familia (ESF) de Iporá, Goias, Brasil. La muestra del estudio consistió en 114 mujeres con una edad mínima de 18 años y una edad máxima de 50 años que asistieron a centros de ESF para realizar la citología entre los meses de octubre y noviembre de 2010. El análisis descriptivo realizado con Epi Info 3.5.1, mostró que la mayor adhesión se encuentra entre los 46 a 50 años de edad (24%) y la menor entre los 18 a 20 y 41 a 45 (10% cada uno). Entre las entrevistadas, el 70% realiza el examen cada dos años o menos y el 12% nunca lo ha realizado. La unidad de ESF con mayor adhesión fue la del Jardim Monte Alto (16%) y la de menor adherencia fue la del barrio Umuarama con 8%. Se concluyó que la prevención es la razón principal de las mujeres para hacerse el examen.

Palabras clave: frotis papanicolaou; mujer; neoplasias uterinas

 

Introdução

O exame colpocitológico (COP) é uma forma de prevenção secundária de várias doenças, das quais se destaca o Cancro de Colo de Útero (CCU). É considerado um método eficiente que proporciona a detecção precoce de doenças que podem ser tratadas e curadas, evitando o agravamento das mesmas, e consequentemente o óbito de mulheres (Tavares et al., 2007).

Foi descoberto na década de 1930 pelo Dr. George Papanicolau, e é de grande aceitabilidade tanto pela população como pelos profissionais de saúde. Pode ser feito em nível ambulatorial, e quando realizado em condições favoráveis por profissionais capacitados não provoca qualquer sensação dolorosa. No entanto, pela própria natureza do exame, que envolve a exposição de órgãos relacionados com a sexualidade, o COP, ou exame Papanicolau, é motivo de desconforto emocional para muitas mulheres (Greenwood, Machado e Sampaio, 2006).

O COP é um estudo das células descamadas no conteúdo vaginal ou removidas mecanicamente com auxílio de uma espátula ou escova, para definir o grau de atividade biológica das mesmas. A coleta do material ectocervical é efetuada com a espátula de Ayre e o endocervical com uma escova própria para esse procedimento. O material coletado é espalhado de maneira uniforme sobre uma lâmina de microscopia, previamente identificada, e imediatamente fixado, para evitar a dessecação e deformação das células. O fixador citopatológico utilizado pode ser líquido, como álcool etílico 70 a 90%, ou aerossol contendo álcool isopropilico e polietileno glicol (Carbowax). Após a fixação do material é realizada a coloração citopatológica pela técnica de Papanicolau (Stival et al., 2005).

Por se tratar de um procedimento preventivo, o COP é um importante aliado dos profissionais de saúde na prevenção e diagnóstico precoce do Cancro de Colo de Útero (CCU).

O CCU ocupa mundialmente o segundo lugar entre as neoplasias malignas entre a população feminina e apresenta mais de 490.000 novos casos por ano, sendo que 80% dos mesmos surgem em países em desenvolvimento (Segovia e Mendonza, 2007).

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil, em 2006 eram esperados aproximadamente 19.260 novos casos de CCU com um risco estimado de 20 casos a cada 100.000 mulheres. Nessa estimativa, a região sul aparecia em primeiro lugar (28/100.000), seguida pela região norte (22/100.000). Na região centro-oeste estimava-se que esse índice seria de 21/100.000, na região sudeste 20/100.000 e na região nordeste 17/100.000. Isso representa cerca de 250 mil óbitos por ano em mulheres (Pedrosa, Mattos e Koifaman, 2008).

Um dos principais fatores associados ao desenvolvimento do CCU é a iniciação sexual precoce dos jovens, principalmente entre as mulheres. Um estudo realizado pelo Ministério da Saúde (MS) demonstra que em 1984 estas iniciavam a atividade sexual com aproximadamente 16 anos de idade e em 1998 com 15. A proporção de mulheres que tiveram a primeira relação sexual antes dos 14 anos praticamente dobrou entre os anos de 1983 e 1998 (Segovia e Mendoza, 2007).

Outros fatores que também podem estar associados ao desenvolvimento do CCU são a imunodepressão, o tabaco, as infecções genitais, a multiparidade e o uso prolongado de contraceptivos (Borges, 2007).

Preocupado com essa situação, o Brasil, por meio do MS, tem procurado implantar e implementar novas políticas de assistência à saúde da mulher, desenvolvendo, em âmbito nacional, várias estratégias para aumentar a oferta do exame e o manejo adequado dos casos, como por exemplo as campanhas para realização do COP nos anos de 1998 e 2002 (Brito, Nery e Torres, 2007).

Outra iniciativa do MS que merece destaque é o Programa Nacional de Controle do CCU - Viva Mulher, lançado em 1997, com o objetivo principal de reduzir a incidência e mortalidade por meio da ampliação do acesso das mulheres brasileiras ao COP, principalmente as que se encontravam na faixa etária de 25 a 59 anos de idade, considerada como a de maior risco para o desenvolvimento do CCU (Brasil, 2008).

Atualmente, o Brasil adota como norma a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), propondo a realização do COP a cada três anos após dois exames anuais consecutivos negativos para mulheres que tenham tido uma vida sexual ativa (Albuquerque et al., 2009).

Quanto à cobertura da população feminina pelos serviços de saúde, o estudo de Primo, Bom e Silva (2008) mostra que é inferior a 2%, mesmo considerando que a tecnologia utilizada no exame é simples e barata.

Nesse sentido, a Estratégia Saúde da Família (ESF) tem um papel importante, por se tratar de um modelo de atenção voltado para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, com o propósito de estabelecer um vínculo entre profissionais e usuários (Brasil, 2007).

Em Goiás a ESF está presente em 99% dos municípios e abrange 57,3% da população (Brasil, 2009).

O município de Iporá conta atualmente com 8 equipes de ESF com cobertura de 80% da população.

Quanto à frequência de exames realizados por mulheres, o estado de Goiás apresenta o índice mais baixo do Brasil, com 0.30 exames/mulheres por ano, o que levou a que o Estado não atingisse a meta proposta pelo MS no período de 2002 a 2008 (Brasil, 2008).

Já no município de Iporá, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, no ano de 2008 foram realizados 857 COP em mulheres de 18 a 50 anos de idade. Em 2009 foram realizados 1437 exames, e de janeiro a abril de 2010 realizaram-se 506 exames nesta faixa etária, o que mostra um acréscimo na procura das mulheres por esse procedimento.

Nesse sentido, este estudo teve como objetivos verificar a adesão das mulheres ao COP em Iporá, caracterizar sociodemograficamente a população pesquisada e verificar o conhecimento das mesmas no que respeita ao COP.

 

Metodologia

Estudo descritivo exploratório de natureza quantitativa realizado em todas as Unidades de Estratégia Saúde da Família do município de Iporá – GO.

O município de Iporá está localizado no oeste Goiano a 220 km de Goiânia, com acesso pela rodovia GO 060. É o município sede da Administração Regional de Saúde Oeste I (ARS Oeste I) e, segundo dados do último censo, conta com uma população de aproximadamente 32.045 habitantes. Destes, 11.374 são mulheres de 18 a 50 anos de idade.

A amostra do estudo foi composta por 114 mulheres com idade mínima de 18 e máxima de 50 anos de idade que compareceram nas Unidades de Saúde da Família (USF) para realizar o COP nos meses de outubro e novembro de 2010.

Foram excluídas do estudo as mulheres que estão fora da faixa etária proposta e também as que se adequavam à faixa etária mas que procuraram as ESF para a realização de outros procedimentos.

A coleta de dados foi realizada pelas próprias pesquisadoras em sala privativa reservada para esse fim por meio de um questionário com questões fechadas e todas assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Após a coleta dos dados foi construído um banco de dados no Software Epi Info (CDC Atlanta) versão 3.5.1, e a análise descritiva foi realizada por meio das frequências absolutas e relativas.

O projeto do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Rio Verde (FESURV) por meio do parecer n. 095/2010 em conformidade com resolução 196/96 do Conselho Nacional de Pesquisa (CONEP).

 

Resultados

Os resultados deste estudo estão apresentados em forma de tabelas e divididos em dois eixos, sendo que o primeiro se refere à caracterização sociodemográfica e de escolaridade das mulheres que fizeram parte da amostra e o segundo que apresenta dados referentes ao conhecimento e à adesão das mulheres ao COP.

 

Caracterização sociodemográfica das mulheres

A amostra foi composta por 114 mulheres que procuraram as unidades de ESF para realizar o COP nos meses de outubro e novembro de 2010. Destas, 24% tinham entre 46 e 50 anos de idade, 28% frequentou o ensino fundamental completo, 51% eram casadas e 45% tinham em média dois filhos. Em relação à renda familiar mensal, 32% referiram ser de um salário mínimo vigente (R$ 460,00), conforme demonstrado na tabela 1.

 

Tabela 1 – Caracterização sóciodemográfica da Amostra. Iporá, 2010. (N = 114)

 

Adesão e conhecimento das mulheres sobre o exame colpocitológico

O município de Iporá conta atualmente com 8 unidades de ESF e tem uma cobertura de 80% da população. Cabe ressaltar que todas as unidades prestam atendimento à comunidade residente na zona urbana e também na zona rural, ou seja, o atendimento é misto, conforme classificação do MS.

Em todas as unidades o COP é realizado uma vez por semana, nos períodos matutino e vespertino. A tabela 2 demonstra que durante a coleta de dados houve um equilíbrio entre as unidades relacionado com a procura pelo procedimento. No entanto, a unidade de Monte Alto destacou-se por registar o maior número de exames, que correspondeu a 16% do total, e a unidade de Umuarama por registar o menor número de exames, equivalente a 8%.

 

Tabela 2 – Atendimentos realizados nas unidades de ESF. Iporá, 2010. (N = 114)

 

Conforme a tabela 3, ao serem questionadas sobre a finalidade do COP, 67% das entrevistadas demonstraram possuir conhecimento adequado, ao afirmarem que o exame é importante para a prevenção e detecção precoce do CCU, e destas 72% afirmaram saber como o exame é realizado.

 

Tabela 3 – Conhecimento sobre o COP e as doenças que ele previne. Iporá, 2010. (N = 114)

 

Quanto ao motivo que as levaram às unidades de ESF para realizar o COP, 51% das mulheres referiram que procuraram o procedimento por vontade própria, ou seja, sem a indicação ou prescrição de um profissional de saúde. Em relação à frequência de realização do exame, 70% afirmaram que o realizam com um intervalo de dois anos ou menos, o que está em conformidade com o que é preconizado pela OMS e pelo MS. No entanto, somente 85% pretendem retornar para levantar o resultado do exame, e destas apenas 78% irão submetê-lo à avaliação de um profissional de saúde. Estes dados podem ser observados na tabela 4.

 

Tabela 4 – Motivo, frequência, resultado e avaliação do COP. Iporá, 2010. (N = 114)

 

Também foi explorado neste estudo o índice de satisfação das utentes relacionado com o atendimento que recebem nas unidades de ESF, com o objetivo de detectar possíveis pontos que precisassem de ser melhorados pela equipa e pelo profissional enfermeiro responsável pela coleta do COP. Nesse sentido, conforme a tabela 5, ao serem questionadas quanto ao atendimento recebido no momento da realização do COP, 47% das entrevistadas classificaram-no como bom, e 30% como ótimo. Das 114 mulheres participantes do estudo, 94% afirmaram que regressarão à unidade para a realização de um novo COP no momento oportuno.

 

Tabela 5 – Satisfação das usuárias quanto ao atendimento na ESF. Iporá, 2010. (N = 114)

 

Discussão

Caracterização sociodemográfica das mulheres

Foi possível observar neste estudo que na cidade de Iporá a procura pelo COP é mais acentuada nas mulheres que estão na faixa etária de 46 a 50 anos de idade, período em que a maioria se encontra no climatério, situação que, segundo o MS, aumenta os riscos de aparecimento do CCU.

O climatério é uma fase de mudança e de transição da fertilidade para a infertilidade decorrente da diminuição dos hormônios sexuais produzidas pelos ovários. Entre as mudanças provocadas pela diminuição da atividade ovariana, destacam-se a irregularidade do ciclo menstrual, nervosismo, sensação de calor, irritabilidade e diminuição da libido (Santos, Macedo e Leite, 2010).

Acreditamos que a ocorrência de todos esses sinais e sintomas já seria suficiente para que as mulheres procurassem as unidades de saúde em busca de orientações e ajuda.

No entanto, o resultado que encontramos discorda de outros estudos nos quais a procura pelo COP nessa faixa etária é menor em relação às mulheres mais jovens (Neto, Figueiredo e Siqueira, 2008; Santos, Macedo e Leite, 2010; Ferreira, 2009).

Por outro lado consideramos preocupante a baixa adesão encontrada nas mulheres com idade entre 18 e 25 anos na amostra pesquisada. Esse resultado corrobora um estudo realizado na cidade de Pelotas – RS, onde 12,6% das mulheres de 20 a 29 anos não haviam realizado o COP nos três anos antecedentes à pesquisa. Tal estudo afirma ainda que as mulheres nessa faixa etária estão mais susceptíveis às DSTs (Hackenhaar, Cesar e Domingues, 2006).

Estes dados demonstram a necessidade da ESF de Iporá voltar as suas ações para essa população, uma vez que este tem cobertura de 80% do município. Estas ações podem ser realizadas por meio da intensificação das visitas domiciliárias dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e demais membros da equipa, do trabalho de educação em saúde e dos meios de comunicação disponíveis na região.

Outro fator relevante é a média de filhos que tem diminuído nos últimos anos, o que ficou evidenciado neste estudo e corrobora outras pesquisas sobre o assunto, onde a média de filhos é de 1,7 ou no máximo dois (Neto, Figueiredo e Siqueira, 2008; Hackenhaar, Cesar e Domingues, 2006).

Também nos chamou a atenção o fato de que a maioria das pessoas que procuram pelos serviços da ESF é de classe social menos favorecida, uma vez que os serviços são disponibilizados para toda a população sem distinção de classe social. Acreditamos que isto está relacionado com o fato de que as pessoas com condição financeira um pouco melhor possuem planos de saúde, e procuram atendimento na rede conveniada ou preferem pagar pelos serviços na rede particular.

Adesão e conhecimento das mulheres sobre o exame colpocitológico

Ao verificarmos a quantidade de exames realizados nas 8 unidades de ESF, a que teve o menor índice durante a realização deste estudo foi a unidade denominada Umuarama, que se localiza na região sul da cidade. Vários fatores locais podem estar associados a essa baixa adesão, como por exemplo a dificuldade de acesso. No entanto, existem outros que não podem ser negligenciados pelos profissionais de saúde e que estão descritos em outras pesquisas da mesma natureza, como a falta de tempo, medo, vergonha, ausência de sintomas, ou o fato de a cliente não gostar do profissional que realiza o procedimento. Nesse sentido, a educação em saúde é a melhor forma de aproximar as mulheres desse procedimento, e consequentemente contribuir para a prevenção do CCU (Neto, Figueiredo e Siqueira, 2008; Moura et al., 2010; Santos, Macedo e Leite, 2010).

Ao verificarmos o conhecimento das entrevistadas sobre o COP, o resultado foi satisfatório, pois a maioria demonstrou conhecer a finalidade do exame, bem como a metodologia de realização do mesmo.

Segundo Pelloso, Carvalho e Higarashi (2004), o que as mulheres sabem sobre o CCU constitui-se em informações provenientes de fontes impessoais como a televisão e os cartazes das unidades básicas de saúde, por exemplo. A participação dos profissionais de saúde na atividade de informar e educar a comunidade em e para a saúde mostra-se extremamente importante, pois o saber sobre o cancro, o que é, como se desenvolve, a prevenção, e ainda discutir e refletir sobre essas informações, são ações que instrumentalizam a mulher para tomar decisões sobre a sua vida e a sua saúde. Só desse modo a prevenção é possível, como ato voluntário e consciente.

Para Silva, Franco e Marques (2005), apesar da maioria das mulheres saberem qual a doença que o COP previne, é possível notar uma ausência preocupante de conhecimento sobre vários aspectos da doença, o que pode estar relacionado com o diagnóstico tardio, enquanto que a importância do diagnóstico precoce é ressaltada e tem maior probabilidade de ocorrer se houver conhecimento prévio sobre o assunto.

Quanto ao resultado do exame, a maioria das entrevistadas disse que regressaria à unidade de ESF para levantá-lo, mas nem todas afirmaram que o submeteriam à avaliação de um profissional de saúde. O medo do resultado está evidenciado em outros estudos sobre este assunto, o que acaba sendo um factor dificultador no processo de prevenção e diagnóstico precoce do CCU (Neto, Figueiredo e Siqueira, 2008).

O estudo de Ferreira (2009) sobre os motivos das mulheres para a não-realização do COP mostra que o medo do cancro é um dos principais motivos que levam as mulheres a não regressarem para saber o resultado. Nesse sentido, é preciso que a equipa de saúde estabeleça estratégias para esclarecer que o CCU é uma doença grave, mas que pode ser tratada e curada se for diagnosticada precocemente.

Ao afirmarem que regressarão à unidade de ESF para a realização de um novo COP quando necessário, as entrevistadas demonstraram que estão satisfeitas com o atendimento recebido, e a satisfação das utentes é um importante indicador de qualidade. Essa qualidade pode ser alcançada através da educação em saúde que fornece à população informações importantes para a prevenção, controle e combate às enfermidades (Araújo et al., 2010).

Tratando-se de ESF, vários estudos revelam que a adesão das mulheres ao COP também está diretamente relacionada com o vínculo destas com a equipa de saúde. Por isso, o profissional enfermeiro deve manter uma postura constante de sensibilização e acolhimento para com as mulheres, pois só assim elas continuarão procurando fazer o COP (Moura et al., 2010).

 

Conclusão

A realização deste estudo proporcionou-nos conhecer melhor as unidades de ESF de Iporá bem como a adesão das mulheres ao COP, que vem aumentando gradativamente no município. Acreditamos que o conhecimento sobre a realização do exame e a importância dele na prevenção do CCU são fatores que têm contribuído para esse aumento. No entanto, o município ainda encontra dificuldades para atingir a meta estabelecida pelo MS.

Nesse sentido, a preocupação com a prevenção está entre as principais justificativas das mulheres para a realização periódica do exame, e isso pode ser resultado do trabalho em equipa e das ações governamentais para a detecção precoce do CCU, apesar de ser notória a exigência do aumento dos índices de cobertura deste procedimento em relação à população cadastrada e a que de fato procura por esse tipo de atendimento.

Um fator preocupante foi a baixa adesão das mulheres na faixa etária de 18 a 25 anos de idade, o que significa que o município deve voltar suas ações de educação em saúde para essa população, esclarecendo que o CCU pode ocorrer em todas as faixas etárias, inclusivamente nesta. Nesse sentido, o profissional enfermeiro tem um importante papel, uma vez que este deve ser por excelência um educador em saúde.

A avaliação positiva das utentes em relação ao atendimento recebido durante a realização do COP demonstra a competência técnica dos profissionais responsáveis por este procedimento. Essa é uma informação importante que deve ser divulgada por toda a equipa junto da comunidade, para que as mulheres que ainda não realizam o COP se sintam seguras em procurar as unidades de ESF para a prevenção do CCU.

É necessário ainda que as equipas enfatizem que os serviços da ESF estão disponíveis para toda a população e não somente para aqueles que são financeiramente menos favorecidos.

Esperamos que este estudo possa fornecer subsídios para os processos de formulação, gestão e avaliação das políticas e ações públicas de importância estratégica para o sistema de saúde municipal, visando a maior adesão ao COP com vistas à prevenção do CCU.

 

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Recebido para publicação em: 13.12.11

Aceite para publicação em: 01.06.12

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