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Economia Global e Gestão

versão impressa ISSN 0873-7444

Economia Global e Gestão v.14 n.1 Lisboa abr. 2009

 

Explicar o «atraso» português

 

Ao celebrar 35 anos de existência, a democracia portuguesa revela-se inoperante e aparentemente incapaz de superar o «atraso» que nos separa da grande maioria dos países que, em conjunto, procuram construir a União Europeia. Dir-se-ia que a liberdade conquistada foi, afinal, uma insuperável ilusão. Não é a primeira vez, é certo, que tal experiência desencantada é vivida pelos portugueses.

No dia-a-dia, cada vez mais encontramos pessoas que nos dizem «não saber nada de política», o que é uma maneira curiosa de manifestar indiferença, e mesmo desdém, pela profissão do político. Afinal, não se sentem cidadãos, nem do local em que vivem, nem de Portugal, nem da Europa, nem muito menos desta ou de «outra Globalização».

Como explicar esta frustração? Àqueles que têm como profissão investigar a economia e a sociedade cabe procurar uma resposta «objectiva» a tão inquietante e ao mesmo tempo banal interrogação. Mesmo que tal problemática não siga as tendências do «main stream» nas suas áreas disciplinares, nem conte muito para a respectiva pontuação nas carreiras universitárias…

Seria afinal simples demais culpar os governantes desse atraso, deixando sempre no ar a suposição de que os respectivos opositores teriam feito melhor. Claro que em parte, isso poderá ser verdade, mas também custa a crer que a culpa do «atraso», da frustração, da desigualdade acentuada, da divergência crescente da economia portuguesa com o padrão médio europeu de crescimento, se deva a tão simples «explicação». Ao facto de o Presidente chamar-se Silva, em vez de Soares, ou vice-versa.

De certo modo, poderá dizer-se que os «políticos» fazem parte de um contexto sócio-cultural, e serão mais efeito do que causa do mesmo.

No fim de contas, está em causa um programa de investigação, reunindo contribuições da História Económica, da Sociologia Económica, da Teoria Económica sobre o tema dos «fundamentos estruturais e culturais» do atraso português no contexto europeu. Ou algo de parecido com isso.

Aqui fica o desafio.

 

Mário Murteira

mariomurteira.com