SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.13 número3A crise financeira sem mistérios: Convergência dos dramas econômicos, sociais e ambientais índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

Compartilhar


Economia Global e Gestão

versão impressa ISSN 0873-7444

Economia Global e Gestão v.13 n.3 Lisboa dez. 2008

 

Uma Questão de Ética?

 

A presente crise mundial coloca uma série de questões de diferente natureza, se bem que ligadas entre si. Por exemplo, na perspectiva estritamente económica, surgem ou ressurgem interrogações sobre o próximo «fim do capitalismo» (como se sabe, invariavelmente previsto por certas correntes de pensamento de inspiração marxista ou marxiana, bem representadas no Fórum Social Mundial, há pouco uma vez mais reunido no Brasil, juntando outras correntes mais ou menos radicais); sobre os riscos do retorno do proteccionismo (como receia o liberal The Economist e muitas distintas personalidades recentemente reunidas no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça); sobre a reformulação do papel do Estado e da política económica, no contexto da reformada economia de mercado; sobre as novas concepções necessárias à regulação da economia mundial… No terreno político, coloca-se a questão do novo papel dos EUA, em tempo do Presidente Obama, na ordem internacional, ou dos possíveis papéis a desempenhar pelas «economias emergentes», como a China, a Rússia ou o Brasil…

Mas há também um apelo à redescoberta ou reafirmação de valores fundamentais da condição humana, quando se apela para a solidariedade, a dignidade e a justiça social, em lugar da hipocrisia e da ganância nua e crua, que tão exuberantemente conduziram a globalização financeira, que domina o mercado global, à beira do colapso.

Que valem, já que estamos (ainda?) em economia de mercado, estes apelos? Podemos seriamente encarar uma troca, digamos assim, dos valores mercantis pelos valores éticos, mais rigorosos ou exigentes do que os primeiros?

Parece que, em particular, as escolas de Economia e de Gestão deverão ter um papel próprio, convicto e convincente, no tratamento de tão imensas e actuais questões, também tão emblemáticas deste século há poucos anos começado.

 

Mário Murteira

Director

mlsm@iscte.pt

www.mariomurteira.com