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Economia Global e Gestão

versão impressa ISSN 0873-7444

Economia Global e Gestão v.12 n.3 Lisboa dez. 2007

 

A África em movimento

 

O presente número da nossa revista é centrado em África, mais particularmente em Angola, conforme é referido no texto introdutório de Marzia Grassi, investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, a  cuja preciosa colaboração devemos a organização desta edição. O texto de Keith Hart, que reproduz a sua conferência realizada em Lisboa, abre perspectivas interessantes sobre o (possível) desenvolvimento africano, visto (digamos) de baixo para cima e não de cima para baixo, como é frequente nas análises conformistas da globalização.

É hoje corrente a referência aos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), categoria inventada e promovida pela Goldman Sachs, como colossos emergentes no mercado global. Na realidade, não têm muito de comum, e não parecem caminhar para idêntico destino, mas oferecem sugestivas questões à nossa curiosidade, como por exemplo estas: para quando um «BRIC» na África? Será Angola um sério candidato ao ingresso nesse clube de eleitos?

A questão remete para muitas outras: a abundância de recursos naturais garante crescimento e desenvolvimento humano? Pelo menos, se não garante, favorece tais propósitos?

Parece que a simples comparação, no contexto africano, dos desempenhos de Cabo Verde e de Angola, sugere a resposta. O país muito menos dotado em recursos naturais tem conseguido indicadores de «desenvolvimento humano» muito superiores, enquanto o mais dotado nesses recursos pode atingir taxas impressionantes de «crescimento económico» na acepção corrente dos economistas. Embora permaneça na cauda da ordenação dos países em termos de desenvolvimento humano, na classificação da ONU.

Os textos incluídos neste número de EGG sugerem que a globalização africana passa por diversos caminhos, formais e informais, que só garantem «movimento», mas não apontam destinos únicos ou indiscutíveis.

 

 

Mário Murteira

DIRECTOR

mlsm@iscte.pt

www.mariomurteira.com

 

P.S. – A segunda parte do artigo de Ricardo de Gouvêa Pinto cuja publicação se iniciou no anterior número de EGG constará na próxima edição desta revista.