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Sociologia, Problemas e Práticas

versão impressa ISSN 0873-6529

Sociologia, Problemas e Práticas  n.58 Oeiras set. 2008

 

Editorial

Sociologia, Problemas e Práticas encerra o presente ano com a edição do seu número 58. Nele, os leitores encontram em primeiro lugar o artigo de Gilberto Velho sobre Gilberto Freyre e a singularidade da sua obra e trajectória. Referência marcante do século XX, reconhecido internacionalmente, Freyre tem suscitado o interesse analítico de vários estudiosos que, como Velho afirma, vêem na riqueza da sua produção campo fértil para dela fazerem leituras multifacetadas, de que decorrem múltiplas classificações.

Uma reflexão crítica sobre classificações “dúbias” e respectivas consequências para o avanço do conhecimento científico, mas também do ponto de vista ético, poderá ser o modo de sumariamente caracterizar o artigo de Nora Machado acerca da utilização dos conceitos de raça e etnia na investigação médica. A autora procura evidenciar como apesar do desenvolvimento verificado nas ciências médicas, em vários países, estas continuam a mobilizar categorias pouco rigorosas e a praticar uma “medicina racializada”, que associa determinados padrões de saúde e doença a traços fisionómicos ou a auto-definições de identidade étnica.

É igualmente do tema da saúde e da medicina que se ocupa Helena Serra, em cujo texto faz a análise dos processos de tomada de decisão por parte dos médicos, e de como tais processos se consubstanciam em práticas de poder e saber, accionadas num campo de relações com múltiplos protagonistas, disso sendo exemplo o caso da unidade hospitalar de transplantação hepática onde desenvolve a pesquisa.

Vítor Sérgio Ferreira, por sua vez, examina as práticas de marcação do corpo que se inscrevem na “indústria do design corporal”, bastante desenvolvida nos anos mais recentes. O texto mostra como esta tendência acompanha um conjunto vasto de outras actividades contemporâneas relacionadas com a construção e manutenção do corpo e com o afirmar de novas formas identitárias, por um lado, ao mesmo tempo que tem vindo a transformar-se em meio de vida e estratégia de profissionalização para alguns jovens, que assim combinam um estilo de consumo com uma inserção laboral.

Ana Delicado propõe-se analisar os factores de mobilidade e as relações de diáspora dos cientistas portugueses que optaram por trabalhar, pelo menos temporariamente, noutros países. Numa conjuntura em que se valoriza cada vez mais a carreira internacional e o “trabalhador global”, a partir do estudo dos fluxos de mobilidade é possível conhecer a posição dos diversos países no mapa do sistema científico, quanto à sua capacidade de atracção e, consequentemente, de produção e disseminação de conhecimento. Com base num inquérito aos cientistas portugueses no estrangeiro a autora procura compreender a situação de Portugal neste domínio.

O artigo de Ana Belchior foca o estudo da democracia nos partidos políticos portugueses, centrando-se no exame do perfil dos eleitores, dos programas político-partidários e da organização dos partidos, enquanto dimensões analíticas que lhe permitem concluir serem os valores democráticos omnipresentes em todos eles.

Por fim, Eduardo Cintra Torres transporta-nos a textos literários do século XIX e início do século XX, sobre amores não aprovados socialmente e mal sucedidos no seu desfecho, relativamente aos quais estabelece comparações e explora homologias, no quadro do que designa por “percurso sociológico (…) em busca da relação entre Eros e a multidão”.

Maria das Dores Guerreiro

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