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Sociologia, Problemas e Práticas

versão impressa ISSN 0873-6529

Sociologia, Problemas e Práticas  n.44 Oeiras jan. 2004

 

Editorial

A internacionalização do conhecimento científico está associada à internacionalização dos meios que o divulgam e estes, por sua vez, terão tanto mais capacidade de atingir públicos diversificados quanto o façam nas línguas por eles faladas.

O presente número evidencia o empenho da Direcção de Sociologia, Problemas e Práticas em promover o debate sociológico com a comunidade das ciências sociais além fronteiras. Os textos aqui publicados correspondem a contributos de autores de diferentes nacionalidades, escritos em várias línguas, reflectindo, de certo modo, um espaço intercontinental onde esta revista é conhecida e reúne número relevante de leitores.

O primeiro artigo, da autoria de Irene Rizzini, problematiza o impacto dos processos de globalização no quotidiano de crianças e jovens, à luz das discussões internacionais mais recentes. A sua reflexão sublinha a variedade de efeitos, directos, indirectos e contraditórios, que as mudanças económicas, políticas e sociais ocorridas à escala global exercem nos contextos locais específicos de cada comunidade ou país e, em particular, nos padrões de vida das gerações mais novas dos países pobres.

Seguem-se depois três artigos, inscritos nas problemáticas do género e da igualdade entre os sexos. O texto de Chiara Saraceno sublinha as dificuldades de atingir essa igualdade, o que começa por evidenciar com base nas diferentes posições que mulheres e homens ocupam em lugares de decisão económica e política. A partir da análise do caso italiano, Chiara Saraceno procura explicar as razões porque são os países com uma mais reduzida proporção de emprego feminino a registarem dos mais baixos índices de fecundidade, centrando o seu olhar em três fenómenos: a relação entre responsabilidades familiares e actividade profissional das mulheres; as políticas e serviços de apoio a crianças e idosos; as políticas de emprego feminino e de conciliação trabalho-família.

O texto de Mercedes Alcañiz aborda também o tema da conciliação entre esferas pública e privada, interrogando-se sobre se as sociedades ocidentais estão efectivamente a desenvolver um novo sistema de géneros. Debruçando-se sobre a sociedade espanhola, a autora releva a maior participação das mulheres das gerações mais novas no sistema educativo e no mercado de trabalho enquanto indício de que se estão a verificar algumas mudanças, mas evidencia, por outro lado, permanências nos modelos de organização da esfera privada, conduzindo o leitor a uma reflexão sobre as possíveis políticas promotoras de um sistema social mais igualitário na óptica do género.

Joaquim Simões e Lígia Amâncio analisam género e enfermagem, procurando compreender o modo como profissionais do sexo masculino se inserem num grupo profissional maioritariamente feminino e concluindo não serem os homens enfermeiros encarados desfavoravelmente pela população que constituiu o campo empírico de observação no estudo realizado.

Outras linhas de reflexão são seguidas pelos autores dos restantes artigos. Paulo Pereira de Almeida apresenta as principais perspectivas e debates sobre a servicialização do trabalho. Pondo em causa a operatividade da clássica trilogia distintiva das actividades económicas, o autor propõe vias alternativas para a análise do trabalho, elabora um novo modelo conceptual para o estudo das organizações de serviços e aponta contributos para uma “sociologia dos mundos de produção de serviços” nas sociedades contemporâneas.

É igualmente sobre as sociedades contemporâneas que Nuno de Almeida Alves faz incidir o seu artigo, que analisa criticamente os processos de construção de “sociedades da informação e do conhecimento”, bem como as políticas e os planos de acção preconizados pelos governos ocidentais.

Por fim, Andrés Malamud discute a integração dos países da América Latina nos vários blocos regionais, mostra como esse processo se reveste de especificidades, não enquadráveis nos modelos teóricos anteriormente disponíveis, e avança hipóteses de investigação que permitam colmatar as lacunas conceptuais identificadas.

 

Maria das Dores Guerreiro

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