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Jornal Português de Gastrenterologia

versão impressa ISSN 0872-8178

J Port Gastrenterol. vol.20 no.6 Lisboa dez. 2013

http://dx.doi.org/10.1016/j.jpg.2012.12.007 

INSTANTÂNEO ENDOSCÓPICO

 

Melanoma maligno metastizado no estômago

Metastatic malignant melanoma of the stomach

 

Filipe Sousa Cardoso e David Valadas Horta

Serviço de Gastrenterologia, Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, Amadora, Portugal

*Autor para correspondência

 

Uma doente com 60 anos de idade e história de melanoma maligno do seio maxilar esquerdo, diagnosticado 10 meses antes e tratado com cirurgia ablativa e radioterapia, foi admitida no serviço de urgência por fadiga incapacitante e epigastralgia persistente. Negou vómitos, alteração do hábito intestinal, febre, suores noturnos, perda ponderal ou outras queixas.

Ao exame físico identificou-se uma tumefação epigástrica elástica, indolor, com cerca de 12 cm de maior diâmetro, não se palpando hepatomegalia, esplenomegalia ou adenomegalias.

A avaliação laboratorial revelou anemia com hemoglobina de 5 g/dl e perfil de doença crónica. A tomografia computorizada abdominal identificou uma tumefação heterogénea, localizada entre o pilar esquerdo do diafragma, a cauda do pâncreas, e a parede gástrica, e com cerca de 12 cm de maior diâmetro. A esofagogastroduodenoscopia observou no fundo e corpo gástricos múltiplas lesões polipóides ulceradas, de fundo com pigmentação escura, e com cerca de 1-4 cm de maior diâmetro (figs. 1 e 2). O resultado anátomo-patológico das biopsias gástricas foi de melanoma maligno.

 

 

 

A doente foi referenciada para uma unidade de cuidados paliativos, tendo falecido cerca de 3 meses depois.

O envolvimento do estômago por metástases com origem num tumor extragástrico é incomum1. O melanoma maligno constitui uma das neoplasias malignas que mais frequentemente metastiza para o trato gastrointestinal2. Nestes doentes, a doença metastática pode manifestar-se logo na altura do diagnóstico ou apenas décadas após este, pelo que é necessário um razoável índice de suspeição para em face de queixas diversas confirmar o diagnóstico. Apesar do tratamento com ressecção cirúrgica, quimioterapia e/ou imunoterapia, o prognóstico continua a ser mau, com uma sobrevida mediana de 4-6 meses3.

 

Bibliografia

1. Kanthan R, Sharanowski K, Senger JL, Fesser J, Chibbar R, Kanthan SC. Uncommon mucosal metastases to the stomach. World J Surg Oncol. 2009;7:62.         [ Links ]

2. Goral V, Ucmak F, Yildirim S, Barutcu S, Ileri S, Aslan I. Malignant melanoma of the stomach presenting in a woman: A case report. J Med Case Rep. 2011;5:94.         [ Links ]

3. Liang KV, Sanderson SO, Nowakowski GS, Arora AS. Metastatic malignant melanoma of the gastrointestinal tract. Mayo Clin Proc. 2006;81:511-6.         [ Links ]

 

Responsabilidades éticas

Proteção de pessoas e animais. Os autores declaram que para esta investigação não se realizaram experiências em seres humanos e/ou animais.

Os autores declaram ter seguido os protocolos do seu centro de trabalho acerca da publicação dos dados de pacientes e que todos os pacientes incluídos no estudo receberam informações suficientes e deram o seu consentimento informado por escrito para participar nesse estudo.

Direito à privacidade e consentimento escrito. Os autores declaram ter recebido consentimento escrito dos pacientes e/ou sujeitos mencionados no artigo. O autor para correspondência deve estar na posse deste documento.

Conflito de interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

 

*Autor para correspondência

Correio eletrónico: filipesousacardoso@hotmail.com (F.S. Cardoso).

 

Recebido a 9 de julho de 2012; aceite a 17 de dezembro de 2012