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Nascer e Crescer

versão impressa ISSN 0872-0754

Nascer e Crescer vol.23  supl.3 Porto nov. 2014

 

POSTERS

 

PM-38

Pneumomediastino espontâneo

 

 

Ângela PereiraI; Catarina FariaI; Susana CarvalhoI; Teresa PontesI; Ana AntunesI; Henedina AntunesI; Sofia MartinsI

IUnidade de Adolescentes, Serviço de Pediatria, Hospital de Braga

 

 

O pneumomediastino espontâneo carateriza-se pela presença de ar livre nas estruturas mediastínicas, sem causa evidente. Esta entidade clínica é rara e deve ser suspeitada pela apresentação clínica: dor torácica, dispneia e enfisema subcutâneo. A intensidade dos sintomas dependerá da quantidade de ar livre nos espaços mediastinais.

Adolescente de 17 anos, longilíneo, fumador ocasional (sem história de trauma nem patologia pulmonar), recorreu ao Serviço de Urgência por episódio súbito de dor torácica retroesternal intensa, agravada com a inspiração e o decúbito, e cervical, acompanhada por dispneia ligeira. Referência a acessos de tosse seca violenta na noite anterior à admissão. Na observação, apresentava enfisema subcutâneo supraclavicular. A telerradiografia (Rx) postero-anterior do tórax mostrava discreta lâmina de ar envolvendo a silhueta cardíaca e enfisema subcutâneo; no perfil evidenciava-se a presença de ar retroesternal. Ficou internado por pneumomediastino espontâneo, com tratamento conservador. Os sintomas desapareceram em 8 dias, bem como a imagem radiológica. Foi realizada investigação com ecocardiograma, electrocardiograma e enzimas cardíacas (normais) e, posteriormente, tomografia computorizada (TC) de tórax para exclusão de patologia pulmonar subjacente, que não mostrou outras alterações. Da investigação etiológica, apresentava IgM Mycoplasma pneumoniae positiva, discutindo-se o papel da infeção por este agente na etiologia da doença.

O objetivo desta apresentação é recordar a fisiopatologia e semiologia do pneumomediastino espontâneo e a importância da suspeição clínica no seu diagnóstico. Pensamos ser uma entidade pouco reconhecida, provavelmente sub-diagnosticada quando as queixas são mais frustres. A dor torácica, apesar de inespecífica, é o sintoma mais frequentemente implicado e o enfisema subcutâneo é altamente sugestivo de pneumomediastino. A confirmação diagnóstica por Rx tórax é geralmente suficiente e a TC deve ser reservada para os casos duvidosos ou na suspeita de doença pulmonar subjacente. O tratamento é conservador e a maioria recupera sem sequelas, com probabilidade baixa de recorrência. Da revisão da literatura, os casos descritos de associação da infeção por Mycoplasma pneumoniae ao pneumomediastino são muito raros. O tabagismo pode também funcionar como adjuvante e é uma adição neste adolescente; foi aconselhado a não fumar e, caso este hábito se mantenha, será proposto para consulta de cessação tabágica.

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