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Nascer e Crescer

versão impressa ISSN 0872-0754

Nascer e Crescer vol.23  supl.3 Porto nov. 2014

 

POSTERS

 

PM-24

Apoplexia hipofisária durante a gravidez: a propósito de um caso clínico

 

 

Sara Pinheiro AlmeidaI

IUSF Famílias ACES Entre Douro e Vouga I

 

 

Introdução: A apoplexia hipofisária é uma emergência endócrina e está associada a mortalidade e morbilidade significativas, se não for diagnosticada atempadamente. É um evento raro durante a gravidez e estão descritos poucos casos. Caracteriza-se por inicio súbito de cefaleia, vómitos, alterações visuais ou diminuição do estado de consciência causados por hemorragia e/ou enfarte da hipófise. Habitualmente está associada a um adenoma hipofisário subjacente.

Descrição do caso: Grávida, com 27 anos de idade, caucasiana, casada, pertencente a uma fam ília nuclear na fase II do ciclo de Duvall. Sem antecedentes patol ógicos de relevo. Antecedentes obstétricos: IIIG IP (parto por cesariana). Gesta ção actual vigiada na nossa consulta, sem intercorr ências. Mantinha-se a amamentar o filho de 2 anos de idade.

Às 25 semanas de gestação, em Agosto de 2013, inicia quadro de cefaleia frontal intensa e diminuição da acuidade visual do olho direito. É observada por Neurocirurgia, no hospital da área de referência, e é diagnosticada Apoplexia Hipofisária, com Prolactinoma subjacente, e foi realizada intervenção cirúrgica urgente.

A partir dessa data, a grávida foi encaminhada para a consulta de Obstetrícia de Alto Risco, onde manteve vigilância. A cesariana foi programada para as 39 semanas (9/12/2013) e decorreu sem intercorrências.

Actualmente, a doente encontra-se assintomática e a realizar suplementação com levotiroxina; mantendo vigilância na consulta de endocrinologia.

Discussão do caso: Em 80% dos casos, a apoplexia hipofisária é o sintoma de apresentação de um adenoma pré-existente da hipófise (como no caso desta doente) e é um evento raro durante a gravidez. Neste caso, os sintomas associados ao prolactinoma (nomeadamente, galactorreia e amenorreia) foram “mascarados” pela manutenção da amamentação do 1ºfilho (com 2 anos de idade) e posteriormente, pela gravidez, o que induziu a um atraso no seu diagnóstico. Segundo a OMS, a amamentação até os 2 anos de idade ou mais, é adequada e saudável; o que contribuiu para diminuir a suspeita…

Contudo, o Médico de Família pela proximidade com os seus doentes e continuidade de cuidados deverá estar atento e suspeitar mesmo quando os sintomas estão mimetizados, de modo a efectuar um diagnóstico precoce e evitar complicações.

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