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Nascer e Crescer

versão impressa ISSN 0872-0754

Nascer e Crescer vol.23  supl.3 Porto nov. 2014

 

POSTERS

 

PM-13

Atrésia brônquica – caso clínico

 

 

Mariana Matos MartinsI; Inês AzevedoII; José Aires PereiraI

IServiço de Neonatologia, Hospital Pedro Hispano – Unidade Local de Saúde de Matosinhos
IIUnidade de Pneumologia Pediátrica, Serviço de Pediatria, Centro Hospitalar São João

 

 

Introdução: A atrésia brônquica é uma doença congénita rara com predominância no sexo masculino, em que tem prevalência estimada de 1.2 casos por 100.000. O diagnóstico pré-natal é possível mas, na maioria dos doentes, o diagnóstico é feito radiologicamente de forma acidental na 2ª ou 3ª décadas de vida e dois terços desses doentes estão assintomáticos.

Os autores apresentam o caso de uma criança com cl ínica respiratória no período neonatal interpretada como consequente a pneumonia cong énita, sendo posteriormente diagnosticada atrésia brônquica.

Caso clínico: Gestação de termo, vigiada, sem intercorrências. Ecografias obstétricas normais. Parto traumático por ventosa após rotura prolongada de membranas, com profilaxia antibiótica completa. I. Apgar 4/7/8 com necessidade de reanimação neonatal avançada e internamento na UCIN. Apresentava gemido, cianose, taquipneia e murmúrio diminuído na base direita. Radiografia pulmonar em D1 de vida: diminuição do volume do hemitórax direito e hipotransparência na base do lobo inferior direito (LID). Ecografia torácica em D9: atelectasia do segmento posterior do LID. Durante o internamento manteve-se em ventilação espontânea e sem necessidade de oxigenoterapia. Completou antibioterapia; alta com diagnóstico de sépsis/ pneumonia congénita.

Por manter hipotransparência no LID realizou angioTAC torácica aos 42 dias de vida que mostrou atelectasia total dos lobos médio e inferior do pulmão direito com redução do volume do hemitórax, desvio mediastínico ipsilateral e ausência de visualização do lúmen do brônquio intermédio. A broncofibroscopia aos 2 meses confirmou o diagnóstico. Sem outras anomalias congénitas, além de 5º arco costal hipodesenvolvido. Seguimento regular com intercorrências respiratórias normais para a faixa etária até à data.

Discussão: A clínica respiratória neonatal imediata é frequente, sendo diversos os diagnósticos diferenciais. Neste doente a sintomatologia respiratória foi provavelmente consequente ao quadro de sofrimento fetal e não secundária à atrésia brônquica. O diagnóstico, em idade tão precoce, foi efectuado por manutenção da imagem de hipotransparência, sendo que o conhecimento desta alteração congénita permite um seguimento individualizado.

Com este caso, os autores querem salientar a necessidade de suspeição de patologia pulmonar malformativa quando surge uma alteração radiológica persistente, especialmente se acompanhada de sinais indirectos de assimetria pulmonar.

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