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Nascer e Crescer

versão impressa ISSN 0872-0754

Nascer e Crescer vol.23  supl.3 Porto nov. 2014

 

COMUNICAÇÕES ORAIS

 

CO-7

A luta contra a desnutrição num país em desenvolvimento – relato de experiência

 

 

Clara PretoI,II; Milamedinar VazIII; Alice FerreiraIII

ICentro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro
IIUNICEF
IIIHospital Geral de Cumura, Guiné-Bissau

 

 

A Guiné-Bissau (GB) é um dos países mais pobres do mundo, encontrando-se, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano, em 176º lugar num total de 185 países. O contexto económico do país, as sucessivas crises políticas e militares desde 1998 e a insegurança alimentar contribuiram para uma situação nutricional complexa. Na GB 27,4% das crianças, menores de 5 anos, sofrem de desnutrição crónica, 6,5% de desnutrição aguda e 17,5% de insuficiência ponderal, situação considerada como precária pela OMS.

Dado o contexto do país, a UNICEF decidiu, em colaboração com o Ministério da Saúde, rever o Protocolo Nacional de Desnutrição Aguda Grave (DAG) de 2007, que não havia sido aplicado no país, e implementá-lo a nível Nacional. Após revisão e validação do Protocolo, procedeu-se à elaboração de manuais adaptados para os Profissionais de Saúde e para Agentes de Saúde Comunitária, bem como de cartazes resumo. Foi criado um Centro Modelo de Formação e Implementação do Novo Protocolo Nacional de DAG num dos Hospitais da GB com mais experiência no tratamento de desnutrição. Todos os profissionais desse Hospital receberam Formação Teórica e Prática intensiva sobre DAG, sendo feita uma triagem dos formados para a seleção de formadores. O Centro Modelo foi dotado de um polo de formação teórica e de um Centro de Recuperação e Educação Nutricional em Ambulatório para Desnutrição Grave (CRENAG) e um em internamento (CRENI) devidamente preparados para receberem formandos. Iniciou-se o projeto pelas 4 áreas sanitárias com maior prevalência de Desnutrição Aguda no país, escolhendo algumas das suas Instituições de Saúde, tendo em conta as necessidades locais e condições existentes, para integrarem CRENAGs ou CRENIs. Essas Instituições foram dotadas dos materiais necessários respetivos para o funcionamento dos Centros. O Centro Modelo de Formação iniciou atividades em Dezembro de 2013 e formou até Maio de 2014, 62 Agentes de Saúde Comunitária e 125 Profissionais de Saúde das 4 áreas sanitárias referidas. Neste momento estão em funcionamento 12 CRENAGs e 8 CRENIs e estão em curso atividades de rastreio ativo e prevenção primária nessas regiões sanitárias.

Os autores pretendem alertar para a existência de realidades nutricionais muito diferentes da do nosso país e, como membros coordenadores do projeto, mostrar a estratégia de implementação de um programa de luta contra a desnutrição aguda num país em desenvolvimento, com todos os desafios e dificuldades que lhe estão inerentes.

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