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Revista de Ciências Agrárias

versão impressa ISSN 0871-018X

Rev. de Ciências Agrárias v.33 n.2 Lisboa dez. 2010

 

Editorial

 

Manuel Augusto Soares

 

No ano em que se comemoram 100 anos da implantação da República em Portugal, tão bem retratada na magnífica exposição que esteve patente ao público na Cordoaria Nacional, valerá a pena recordar, que foi a República que continha no seu programa como grande desígnio nacional promover a instrução pública e a cidadania, que criou as Universidades de Lisboa e Porto, dando assim um contributo inestimável, para o desenvolvimento da Investigação Cientifica e Tecnológica no nosso país.

Devemos à República, e em particular a António José de Almeida, essa visão de progresso que, em relação ao ensino agrário, se traduziu na sua reorganização, bem como na concepção e construção de raiz do edifício do Instituto Superior de Agronomia, inaugurado em 1917, no qual ao longo deste século se formaram gerações de agrónomos e silvicultores (em exclusivo até à década de 80), continuando ainda hoje a ser a escola de referência da agronomia lusitana.

Cem anos depois, vivemos hoje numa sociedade globalizada, em que a promoção do conhecimento científico e tecnológico diferencia cada vez mais povos e países e, se assume como uma alavanca estratégica para a competitividade das economias, e para o progresso e bem estar da Humanidade em todos os quadrantes.

Com escassos recursos naturais e humanos, a investigação científica em Portugal foi sempre um projecto adiado que, apesar de tudo, foi sobrevivendo modestamente, graças ao sonho e ao engenho de algumas instituições e figuras emblemáticas que, a nível das universidades e de alguns laboratórios públicos e privados conseguiram manter a chama, e até nalguns casos fazer escola.

Hoje a realidade é bem diferente e, não obstante estarmos longe dos patamares que seriam desejáveis, é inegável que nos últimos anos se registou um enorme progresso nalgumas áreas, criando-se uma dinâmica que envolve a sociedade civil e as empresas, como parceiros privilegiados duma estratégia, que começa a dar frutos, e pode constituir um activo valioso para o nosso futuro.

Em Portugal, mau grado a constante lamúria nacional, a despesa pública e privada em I&D atingiu o nível de 1,55% do PIB em 2008; existindo 7,2 investigadores por cada mil activos, valores que nos situam acima da média Europeia, embora em nível inferior ao dos países mais desenvolvidos de dimensão equivalente.

Nesta perspectiva, a continuidade do Compromisso com a Ciência e o Desenvolvimento Tecnológico, assumido no orçamento para 2011 pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior – MCES: visando consolidar e garantir a sustentabilidade das capacidades científicas e tecnológicas, e estimular o seu aproveitamento, no âmbito da renovação e cooperação entre os sectores público e privado à escala nacional e internacional, com a assunção de medidas inovadoras, no financiamento de novos projectos e recrutamento de investigadores – num quadro de maior atractividade para o nosso país – é um desiderato que saudamos e apoiamos.

Infelizmente, quando olhamos para a investigação agrária, constatamos que no nosso sector o panorama se apresenta pouco promissor em relação ao futuro. Por um lado, a desorganização e a fragilidade das instituições do ensino universitário e superior, com escolas a mais, não favorece a concentração de massa crítica e a formação de centros de excelência; por outro, os chamados Laboratórios do Estado que, salvo em áreas pontuais nunca conseguiram verdadeiramente afirmar-se – por falta duma cultura de mérito e de critérios de avaliação rigorosos – encontram-se hoje em grave agonia, vítimas de pseudo-reestruturações sem qualquer sentido e duma gestão errática, que tem desmotivado e arrastado para a aposentação alguns dos seus melhores quadros.

Na grave crise que actualmente enfrentamos, as actividades de IED têm que responder com imaginação e pragmatismo aos desafios que hoje se colocam à nossa agricultura, para aumentarmos a produtividade e os níveis de auto-suficiência e segurança alimentares.

É tempo de arrepiar caminho, aprender com os erros do passado e apostar claramente num novo paradigma, que vá ao encontro das prioridades nacionais, e assente numa gestão criteriosa dos nossos limitados recursos, envolvendo de forma inequívoca  todos os principais protagonistas do sector.

 

P.S. Este é o último número publicado pela actual Direcção da SCAP, que cessa o seu mandato em 31 de Março de 2011.

       Na qualidade de Director desta Revista, quero agradecer a colaboração de todos os autores e membros da Redacção e do Conselho Científico, que tornaram possível a edição de oito números em condições nem sempre fáceis, ao longo de dois mandatos.

       Permitam-me que destaque em particular o trabalho desenvolvido pelo Editor, Dr.ª Maria Cândida Liberato, pelo carinho, empenhamento e dedicação sem limites com que abraçou este projecto. Bem hajam!

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