SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.36 issue4Spontaneous trait inference and transference: Exploring the link between names and traitsYouth positive development: An exploratory study carried out with Portuguese students author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

  • Have no similar articlesSimilars in SciELO

Share


Análise Psicológica

Print version ISSN 0870-8231On-line version ISSN 1646-6020

Aná. Psicológica vol.36 no.4 Lisboa Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.14417/ap.1329 

Pais e Internet: Que tipo de utilização?

Parents and Internet: What kind of usage?

Sandra R. Santos1, Nuno Gago1, Arminda Suárez Perdomo2, María José Rodrigo2

1Universidade Portucalense, Porto, Portugal / Universidad de La Laguna, San Cristóbal de La Laguna, España

2Universidad de La Laguna, San Cristóbal de La Laguna, España

Correspondência

 

RESUMO

Este estudo pretende examinar a eficiência com que pais e mães portugueses utilizam os recursos disponíveis na Internet como apoio na educação dos seus filhos. Participaram nesta investigação um total de 282 pais, através da resposta a um questionário online. Os resultados encontrados demonstram diferenças entre grupos socioeconómicos no acesso à Internet, bem como diferenças na proficiência parental em função da idade e níveis socioeconómico e educativo. São as mães mais jovens, de níveis socioeconómicos e educativos mais altos e com filhos mais pequenos as maiores utilizadoras e proficientes na Internet para a procura de informação educativa. Os resultados deste estudo permitem compreender os hábitos de utilização e avaliação dos pais, dando pistas para desenvolver novos estudos e recursos online. Estes resultados podem ainda ajudar a refletir sobre a forma de contornar as dificuldades de acesso à informação e de avaliação da mesma, nomeadamente nas camadas socioeconómicas mais baixas.

Palavras-chave: Proficiência, Parentalidade, Educação, Digital use divide, Digital skill divide.

 

ABSTRACT

The present study aims to evaluate the efficiency of Portuguese parents to use the internet and the resources available as a source of educational support for their children’s education. Our sample was composed of 282 parents (mothers and fathers) whom answered an online survey. The results have shown that there are some differences between socioeconomic groups towards internet access, as well as differences in parental proficiency according to age, socioeconomic and educational levels. The younger mothers, from the highest socioeconomic and educational levels with younger children, are the largest users and the most proficient ones using the Internet for the search of educational information. These results allow us to understand parents’ habits of internet usage and evaluation, which can give us some clues for new researches and to develop new online resources. These findings can help us think of a way to outline the difficulties within lower socioeconomic population in terms of access to information and its evaluation.

Key words: Proficiency, Parenthood, Education, Digital use divide, Digital skill divide.

 

Introdução

Ao longo dos últimos anos inúmeras pesquisas surgiram enfatizando a família e as práticas educativas parentais, demonstrando a sua importância e as consequências para o desenvolvimento infantil (Minuchin, 1990; Mondin, 2008; Patias, Siqueira, & Dias, 2013; Salvador & Weber, 2005; Weber, Brandenburg, & Viezzer, 2003; Weber, Prado, Viezzer, & Brandenburg, 2004). Neste sentido nunca como antes as políticas de apoio à infância, família e juventude tiveram tanto destaque no seio político e social (Coutinho, Seara-Santos, & Gaspar, 2012). Decorrente do aumento de estudos conduzidos por profissionais sobre as práticas educativas, deu-se também um aumento na preocupação dos pais para as consequências das práticas adotadas levando-os, cada vez mais, a procurar informação especializada (Doty, Dworkin, & Connell, 2012).

No sentido de atender à preocupação dos profissionais (psicólogos, educadores, sociólogos, etc.) e também à preocupação da sociedade, o Concelho Europeu lançou em 2006 a Recomendação (2006)/19 sobre políticas de Apoio à Parentalidade Positiva. Esta mesma recomendação europeia refere além dos programas de apoio presenciais, o apoio online como um dos recursos educativos para promover a parentalidade positiva (Council of Europe, 2009). Em Portugal pouca informação é conhecida sobre programas disponíveis no espaço online. Sabemos que atualmente oito em cada dez pais europeus utiliza a Internet em diversos locais (casa, trabalho, etc.) o que corresponde a um universo de 84%, e Portugal segue também esta tendência, verificando-se que 65% dos pais acedem à Internet (Eurobarometer, 2008). Assim sendo, este tipo de apoio demonstra-se importante num mundo onde a presença das novas tecnologias segue uma tendência crescente, e onde a parentalidade assume um papel cada vez mais central para o desenvolvimento dos filhos (Barroso & Machado, 2010).

Com as alterações sociais dos últimos trinta anos, como o aumento do número de divórcios/separações, o aumento do número de famílias reconstituídas e o aumento do número de migrações, deu-se uma maior dispersão geográfica dos elementos do sistema familiar. Isto contribuiu para a perceção de um menor apoio social presencial. Este aspeto deu origem a uma nova prática: a procura de informação parental fora do contexto familiar próximo. Assim sendo os pais procuram outras fontes (e.g., Internet, revistas, programas de televisão ou livros) com modelos nos quais possam basear o seu comportamento parental (Plantin & Daneback, 2009).

Neste sentido, a Internet é atualmente reconhecida como sendo uma fonte de apoio social (Drentea & Moren-Cross, 2005; LaCoursiere, 2001; Sarkadi & Bremberg, 2005) permitindo procurar diversas informações. Para este estudo assume particular importância a procura de informação que auxilie o exercício da parentalidade. Vários estudos foram realizados sobre este tema, mas de forma geral centram-se em pais com filhos que padecem de algum tipo de doença, e que procuram apoio online de outros na mesma situação (Dhillon, Albersheim, Alsaad, Pargass, & Zupancic, 2003; Leonard, Slack-Smith, Phillips, Richardson, D’Orsogna, & Mulroy, 2013; Tuffrey & Finlay, 2002).

O apoio online tem-se difundido, mas segundo diversos autores (Burrows, Nettleton, Pleace, Loader, & Muncer, 2000; Hellwig & Lloyd, 2000; Papadakis, 2001; Rice, 2002) existem ainda diferenças entre grupos socioeconómicos no que diz respeito à utilização deste recurso. Estes estudos indicam que existe uma maior utilização em famílias com mais recursos socioeconómicos. Ao longo dos últimos anos alguns estudos foram conduzidos no sentido de apurar esta diferença socioeconómica face ao acesso à Internet pelos pais, o digital use divide, ou seja, a brecha digital no acesso à internet. Linebarger e Chernin (2003) referem existir estas diferenças de acesso em função do nível socioeconómico, mas também em função da localização de acesso a computadores e à Internet (casa, escola, bibliotecas, etc.). O relatório do Eurobarometer (2008) segue a mesma tendência, referindo que os pais mais jovens, residentes em áreas metropolitanas ou urbanas, empregados, com maior nível de escolaridade e com filhos mais velhos são os utilizadores mais frequentes da Internet. Mais recentemente o digital use divide evoluiu no sentido de incluir as diferenças relativas às competências de utilização da Internet (Van Deursen & Van Dijk, 2011).

Os aspetos relativos à proficiência, ou seja, às competências de navegação dos utilizadores são referidos como sendo o digital skill divide (Atwell, 2001; Hargittai, 2002), ou brecha digital nas competências de navegação na internet. No que diz respeito aos pais alguns autores (Baker et al., 2012; Carter, 2007; Hand, McDowell, Glym, Rowley, & Montell, 2013) apontam existirem diferenças nas competências de navegação, não havendo competências suficientes para discriminar e rejeitar informação não fidedigna, ou mesmo para confiar na informação disponível. Também Rothbaum, Martland e Jannsen (2008) encontraram diferenças quanto às competências de navegação, sendo que quanto maior o nível socioeconómico dos pais, mais sofisticadas são as suas competências de pesquisa e avaliação da informação disponível na Internet. Demonstrou-se também que pais com maior nível socioeconómico têm maior tendência para procurar informações com fins educativos. Os pais com níveis socioeconómicos mais baixos têm uma maior probabilidade de obter informações dúbias, devido à falta de habilidades para discriminar a informação encontrada (Rothbaum et al., 2008).

Como já referido a Internet tem-se massificado, afirmando-se atualmente como uma ferramenta que permite a realização de diversas tarefas como a pesquisa de informação dos mais variados temas. Destes, a pesquisa de informação no que concerne ao desenvolvimento e educação dos filhos assume um papel especialmente relevante para os pais. Vários são os estudos levados a cabo sobre a utilização da Internet pelas crianças e adolescentes (Livingstone & Bober, 2004), mas pouquíssimo se sabe sobre a utilização da Internet pelos pais para a pesquisa de informação educativa e desenvolvimental (Dworkin, Connell, & Doty, 2013). Seguindo esta premissa, pretendemos com este estudo analisar a utilização que os pais fazem da Internet para fins educativos, especialmente no que toca às competências para pesquisar e avaliar os conteúdos educativos e desenvolvimentais disponibilizados online (digital skill divide). Este aspeto toma um lugar central, pois segundo diversas investigações realizadas (Davis-Kean, 2005; Dearing, McCartney, & Taylor, 2001; Nagin & Tremblay, 2001) pais com níveis educativos e económicos mais baixos têm maior tendência a utilizar práticas parentais e educativas inadequadas, e os seus filhos têm resultados educativos e comportamentais mais baixos. Estes pais encontram-se ainda necessitados de obtenção de apoio (incluindo o apoio fornecido online) para melhorarem os seus conhecimentos sobre o desenvolvimento e a educação dos filhos, bem como para melhorarem as suas práticas parentais.

 

Objetivos do estudo

Embora sabendo que Portugal segue a tendência dos países da Europa Central e do Sul quanto à utilização da Internet pelos pais, desconhecemos no nosso país a existência de estudos sobre a utilização que os pais fazem da Internet para fins educativos. Num momento em que os recursos online para promover a parentalidade positiva aumentam (Nieuwboer, Fukkink, & Hermanns, 2013a), este estudo pretende preencher a falta de conhecimento sobre a utilização da Internet pelos pais Portugueses.

Assim, temos como principal objetivo verificar se os pais portugueses utilizam a Internet para os auxiliar na parentalidade, e quão competentes são para pesquisar e avaliar os conteúdos que encontram – a sua proficiência. Para cumprir o objetivo deste estudo pretendemos aceder a cinco aspetos centrais da proficiência parental para a utilização da Internet:

 

1) O tempo e a frequência com que utilizam a Internet para procurar informação educativa, e quais os assuntos que procuram;

2) A comparação entre a utilização da Internet pelos pais e pelos seus filhos;

3) As características do conhecimento e comportamento dos pais para a pesquisa na Internet;

4) Os critérios que utilizam para avaliar os sites que acedem; e

5) O seu nível de satisfação com os resultados das pesquisas e dos sites que encontram.

 

Uma vez que foram referidas na literatura diferenças socioeconómicas no acesso parental à Internet, o digital use divide, pretendemos também verificar este aspeto avaliando para isso a influência das características socioeconómicas no acesso à Internet. Pretende-se que os resultados deste estudo possam ser informativos da proficiência parental na utilização da Internet para fins educativos, de forma a promover o acesso à informação online, que seja imparcial e confiável, acerca da educação e desenvolvimento dos filhos, bem como da saúde e vida familiar.

 

Método

 

Participantes e recolha da amostra

A amostra do presente estudo é constituída por 282 indivíduos pais, dos quais 235 indivíduos são do sexo feminino (83.3% da amostra) e 47 indivíduos são do sexo masculino (16.7% da amostra), todos residentes em Portugal. A amostra é constituída por pais e mães entre os 20 e os 68 anos, os quais foram agrupados em três níveis: 33% dos pais têm entre 20 e 33 anos, 33% têm entre 34 e 40 anos e 34.1% têm entre 41 e 68 anos. O nível educativo foi também agrupado em três categorias: Baixo (Sem Estudos e Estudos Obrigatórios – antigo 9º ano), Médio (Ensino Secundário, Formação Profissional e Bacharelato) e Alto (Licenciatura, Mestrado e Doutoramento). De acordo com esta categorização, 6.4% dos pais têm um baixo nível educativo, 24,1% têm um nível educativo médio e 77% têm um alto nível educativo. A categoria e o estatuto profissional (empregado ou desempregado) foram utilizados para calcular um valor representativo e aproximado do nível económico dos participantes. Neste sentido, os estatutos profissionais encontrados foram empregado (82.2%) e desempregado (18.8%), bem como se agruparam as profissões em três níveis socioeconómicos (Baixo, Médio e Alto) de acordo com a codificação realizada por Simões (1994, citado por Correia, 2009).

A amostra comporta indivíduos no desempenho ativo da parentalidade, com filhos até aos 18 anos de idade. A análise etária dos filhos permitiu agrupá-los em três níveis: infância dos 0 aos 5 anos (45.4%), Infância média dos 6 aos 12 anos (31.9%) e adolescência dos 13 aos 18 anos (22.3%). Respeitante à distribuição de género podemos verificar que 48.6% dos filhos são do sexo feminino (137) e 51.4% são do sexo masculino (145).

A amostra do presente estudo foi recolhida através da publicação e divulgação do questionário nas redes sociais (e.g., Facebook), páginas web de associações de pais e agrupamentos escolares, blogs e fóruns com temáticas parentais. A publicação remetia os participantes para a página do questionário.

 

Instrumento de recolha de dados

A recolha de dados do presente estudo foi realizado através da aplicação de um questionário online (Anexo 1), composto por 35 perguntas fechadas de resposta múltipla e 2 de respostas de ponderação valorativa que variavam de “Nunca” a “Sempre”. O presente questionário resulta de uma adaptação à população portuguesa do questionário da autoria de Rothbaum et al. (2008). As questões do presente questionário agrupam-se em seis níveis de análise: (1) Os Dados sociodemográficos; (2) A Utilização da Internet; (3) As Pesquisas na Internet; (4) Informações sobre o respondente, o filho/a e a instituição de ensino; (5) O Nível de satisfação; e (6) A avaliação da informação disponível na Internet.

O questionário foi preenchido pelos participantes através da Internet, numa plataforma de questionários online, o SurveyMonkey, e foi divulgado essencialmente através de páginas para pais como fóruns, páginas Web e grupos para pais nas redes sociais.

 

Resultados

Para cada questão foram realizadas 8 análises lineares qui-quadrado com a idade, sexo, nível educativo, nível socioeconómico e distrito de residência dos pais e idade, sexo e número de filhos. Foram utilizados os resultados residuais tipificados corregidos (rz) para explorar as diferenças estatisticamente significativas nas tabelas de contingência (Haberman, 1973). Para analisar os resultados relativos à avaliação e satisfação com as páginas web foram utilizadas ANOVAS One-Way. Devido à natureza exploratória deste estudo reportamos todos os efeitos em p<.10, considerando necessário a futura replicação dos dados. A apresentação dos resultados será dividida em duas categorias principais compostas pelas áreas do questionário relativas a cada uma delas: digital use divide e digital skill divide.

 

Digital Use Divide

 

Nível de utilização da Internet

No que concerne ao local de acesso à Internet, a idade dos pais parece influenciar a conexão a partir do telemóvel (ϰ2=10.74, p<.005), pois os pais com idades compreendidas entre os 20 e 33 anos conectam-se à Internet a partir deste dispositivo acima do nível esperado (rz=2.8), enquanto os pais com idades compreendidas entre os 41 e 68 anos conectam-se menos à Internet a partir deste dispositivo (rz=-2.9).

No que diz respeito à frequência de acesso à Internet, verificou-se o nível de escolaridade (ϰ2=53.35, p<.000) e a zona de residência (ϰ2=19.86, p<.001) modulam a frequência de acesso à Internet. Assim os pais com um alto nível de escolaridade conectam-se diariamente à Internet acima do nível esperado (rz=3.1), enquanto os pais com um nível baixo tendem a conectar-se com uma frequência semanal (rz=3.7) ou mensal (rz=5.8). Por sua vez os pais residentes em zonas urbanas acedem à Internet diariamente mais do que seria de esperar (rz=4), enquanto pais residentes em zonas rurais tendem a aceder à Internet três ou quatro vezes por semana acima do nível esperado (rz=3).

Em relação ao tempo de cada conexão à Internet, verifica-se que 39.2% despendem aproximadamente 1 hora na Internet, 24.7% dos participantes despendem menos de meia hora a cada conexão 20.1% passam entre 30 a 45 minutos conectados e 12.8% despendem mais de uma hora a cada conexão.

No que concerne às atividades que os participantes costumam realizar na Internet apurou-se que o sexo dos pais demonstra modular as atividades que realizam, especialmente no que concerne às redes sociais (ϰ2=4.84, p<.028) e jogos online (ϰ2=6.01, p<.014). Os pais homens tendem a utilizar mais os jogos online (rz=2.5), enquanto as mães tendem a usar mais as redes sociais (rz=2.2).

Respeitante às atividades de natureza educacional na Internet, apurou-se que 87.6% dos pais procuram estas informações, enquanto 9.9% dos pais respondeu que não procura (2.5% dos pais não respondeu à questão). O sexo (ϰ2=14.71, p<.000), o nível de escolaridade (ϰ2=17.51, p<.000) e a idade (ϰ2=14.81, p<.001) dos pais modulam o comportamento de pesquisa deste tipo de informações. Verifica-se que as mães pesquisam estas informações acima do nível esperado (rz=3.8), enquanto os pais homens pesquisam menos (rz=-3.8). São ainda os pais mais jovens (34-40 anos) que tendem a pesquisar este tipo de informação acima do nível esperado (rz=2), enquanto pais mais velhos (41-68 anos) pesquisam menos (rz=-3.8). Da mesma forma, os pais com um nível de escolaridade alto tendem a pesquisar mais este tipo de informações (rz=3.1), do que pais com um nível educativo baixo (rz=-3.7).

A idade dos filhos (ϰ2=30.10, p<.000) parece igualmente modular a pesquisa de temas educativos, verificando-se que os pais com filhos mais novos (≤5 anos) tendem a pesquisar este tipo de informações acima do nível esperado (rz=3.7), enquanto os pais com filhos mais velhos (13-18 anos) tendem a pesquisar menos (rz=-5.4). Para confirmar estes resultados foi realizada uma ANOVA[F(2,273)=16.71, p<.000], demonstrando que quanto menor a idade dos filhos, maior é a pesquisa de informações educativas e desenvolvimentais (0 a 5 anos: M=1.03, SD=0.17; 6 a 12 anos: M=1.08, SD=0.27; 13 a 18 anos: M=1.29, SD=0.46). O sexo dos pais parece igualmente modular os temas educativos que pesquisam no que concerne ao desenvolvimento dos filhos (ϰ2=26.83, p<.000), conselhos sobre a parentalidade (ϰ2=14.76, p<.001) e questões sobre a saúde da família (ϰ2=7.21, p<.027). Deste modo, verifica-se que as mães pesquisam mais temas relacionados com o desenvolvimento dos filhos (rz=5.1), conselhos sobre a parentalidade (rz=3.8) e questões de saúde da família (rz=2.6), do que os pais homens realizam-no menos (rz=-5.1, rz=-3.8 e rz=-2.6, respetivamente).

 

Digital Skill Divide

 

Pesquisa

Os participantes foram questionados sobre o motor de pesquisa que habitualmente utilizam, verificando-se que 93.6% dos pais preferem utilizar o Google para pesquisar informação (6.4% dos pais não responderam). No que concerne ao motivo da escolha do motor de pesquisa, 53.4% dos pais consideram-no elegível por utilização habitual, 31.1% porque proporciona informação relevante, 8.5% porque é o motor de pesquisa pré-definido e 1.4% dos pais considera outro motivo para a sua elegibilidade (5.7% dos pais não responderam). Os participantes foram ainda inqueridos sobre qual a característica mais importante que um motor de pesquisa deveria ter, tendo-se verificado que 65.4% dos pais consideram importante a facilidade na pesquisa de informação, 19.1% a rapidez, 5.7% consideraram a obtenção de muitos resultados como uma característica fundamental e 3.9% dos pais consideraram outra característica (6% dos pais não responderam à questão).

Respeitante à forma como os participantes conhecem novas páginas Web, as suas respostas demonstraram que 56.5% dos pais conhecem novas páginas por acaso ao realizarem pesquisa, 16.3% através de links de outras páginas, 7.8% através de amigos, 6.7% através de publicações em jornais e revistas, 4.6% através de familiares, 1.8% através de colegas de trabalho e 0.7% dos pais consideram outra forma de conhecer novas páginas Web (5.7% dos pais não responderam à questão). A idade (ϰ2=23.17, p<.026) e o nível de escolaridade (ϰ2=25.15, p<.014) modulam a forma como os participantes do estudo conhecem novas páginas Web. Os pais mais jovens (dos 20 aos 33 anos) conhecem novas páginas através de publicações em jornais e revistas (rz=2.5), e menos através de amigos (rz=-2.2). Os pais entre os 34 e 40 anos conhecem-nas menos através de publicações em jornais e revistas (rz=-2.4), e os pais mais velhos (dos 41 aos 68 anos) conhecem-nas mais através de colegas de trabalho (rz=2.3). Os pais com um nível de escolaridade baixo encontram novas páginas Web mais através de amigos (rz=3.8), contrariamente ao que sucede com os pais com um nível alto de escolaridade que encontram menos através de amigos (rz=-2.5), e mais por acaso no ato da pesquisa (rz=2.1).

 

A utilização da Web por parte de pais e filhos

No que concerne à navegação na Internet em casa por parte dos filhos verifica-se que a idade dos filhos e o sexo dos pais tem influência na utilização da internet. Assim, a idade dos filhos modula a navegação que estes fazem na Internet [F(2,246)=14.51, p≤0.00], sendo que quanto maior for a idade dos filhos maior será o número de respostas que indicam a sua utilização (0 a 5 anos: M=2.11, SD=0.96; 6 a 12 anos: M=2.67, SD=0.57; 13 a 18 anos: M=2.15, SD=0.36).

No que diz respeito à frequência de utilização, verificou-se que 12.4% dos pais consideram que o filho navega mais frequentemente que os próprios. O sexo dos pais modula a forma como estes encaram a frequência de utilização da Internet por parte dos seus filhos (ϰ2=13.54, p<.001), sendo que os pais homens consideram que os filhos navegam com mais frequência que os próprios (rz=3.7), enquanto as mães consideram que estes navegam com menos frequência (rz=-3.7). A idade dos filhos influencia também a perceção sobre a frequência de utilização (ϰ2=84.15, p<.000), verificando-se que pais com filhos adolescentes consideram que estes navegam mais frequentemente do que eles (rz=9), enquanto pais com filhos mais novos (até 5 anos, e dos 6-12 anos) consideram a navegação dos filhos menos frequente (rz=-5.5 e rz=-2.1, respetivamente).

No que concerne à naturalidade com que navegam na Internet, verificou-se que 9.9% dos pais consideram que os filhos navegam com maior naturalidade que os próprios. O nível socioeconómico influencia esta perceção (ϰ2=12.10, p<.017), observando-se que os pais com um nível médio consideram que os filhos navegam com mais naturalidade que os próprios (rz=2.7), enquanto pais com um nível alto consideram-no menos (rz=-2.2).

Respeitante à perceção dos benefícios obtidos, 45.9% dos pais considera que aproveita mais os benefícios da Internet do que os seus filhos. A idade dos filhos parece modular igualmente esta perceção (ϰ2=37.48, p<.000), denotando-se que os pais com filhos na infância média (6-12 anos) consideram usufruir mais dos benefícios da Internet (rz=5.9) em relação aos seus filhos do que pais com filhos adolescentes (rz=-3.4).

A maioria dos pais considerou que a Internet é uma ferramenta educativa benéfica para o próprio e para a sua família (75.6%), embora alguns pais tenham considerado que a Internet é a causa da diminuição da comunicação entre o próprio e os seus filhos (8.5%). Uma pequena minoria dos participantes considerou que a Internet é uma boa desculpa para jogar com os seus filhos (1.8%). Cerca de 2.8% dos pais considerou “outro” desconsiderando as opções descriminadas no questionário (11.3% dos pais não responderam à questão).

A idade dos participantes (ϰ2=16.08, p<.013) modula a sua perceção sobre a Internet, verificando-se que os pais mais velhos (41-68 anos) consideram, abaixo do nível esperado, a Internet como é uma ferramenta educativa benéfica para si e para a sua família (rz=-2.3), considerando-a mais a causa da diminuição da comunicação entre si e os seus filhos (rz=3.3). A idade dos filhos (ϰ2=20.05, p<.003) também modula este aspeto, constatando-se que pais com filhos adolescentes consideram a Internet como a causadora da diminuição da comunicação entre si e os seus filhos (rz=4.1).

 

Avaliação dos Sites e Satisfação com as páginas Web

Sobre a avaliação dos sites e a confiança que os pais têm sobre a informação obtida, nenhum resultado significativo foi encontrado. Relativamente às questões sobre a satisfação com as páginas Web não foram igualmente encontrados resultados significativos.

Contudo, das questões relativas à utilidade da informação encontrámos uma tendência em duas questões. Dos resultados encontrados podemos dizer que o nível socioeconómico parece modelar a perceção que os pais têm sobre a obtenção de informação útil [F(2,241)=2.34, p≤0.10]. Neste sentido, quanto maior o nível socioeconómico, mais baixa é a perceção de utilidade da informação obtida (NSE Baixo: M=4.10, SD=0.53; NSE Médio: M=3.96, SD=0.54; NSE Alto: M=3.9, SD=0.65). Em conformidade e no que toca à obtenção de informação inútil, o nível socioeconómico parece modelar também a perceção que os pais têm sobre a obtenção deste tipo de informação [F(2,239)=2.50, p≤0.08], sendo que quanto maior o nível socioeconómico, maior é a perceção de inutilidade da informação obtida (NSE Baixo: M=2.82, SD=0.76; NSE Médio: M=3.07, SD=0.63; NSE Alto: M=3.02, SD=0.91).

 

Discussão de resultados e conclusão

No que concerne à existência de uma brecha digital no acesso à internet (digital use divide) e em sintonia com o questionário do Eurobarometer (2008) verifica-se uma melhoria no acesso parental à Internet, embora a sua utilização seja influenciada por um conjunto de aspetos sociodemográficos e socioeconómicos. De acordo com os resultados, podemos observar diferenças na utilização da Internet em decurso da idade, sexo, nível socioeconómico, nível de escolaridade e zona de residência.

A procura de informações educativas e desenvolvimentais pelos pais desempenha um importante foco de análise do presente estudo. Dos resultados obtidos podemos observar que a maioria dos pais considera pesquisar este tipo de informação. Estes resultados são consistentes com outras investigações realizadas, demonstrando que a vasta maioria dos pais procura por informações relacionadas com os filhos, saúde e vida familiar, pretendendo tanto a obtenção de informação como de suporte social (Plantin & Daneback, 2009).

Os resultados do presente estudo demonstram ainda que o sexo dos pais influencia o acesso parental e a pesquisa de informação educativa e desenvolvimental. Podemos verificar que são as mães que procuram mais informações parentais e relativas à saúde familiar. Segundo Cotten e Gupta (2004), este comportamento online confirma o comportamento offline das mães, que muitas vezes assumem a principal responsabilidade no cuidado familiar. Podemos também verificar que uma vasta maioria dos participantes do estudo são mães (83.3%), demonstrando uma tendência que sucede com outras investigações que referem que os utilizadores pais da Internet são maioritariamente mulheres (Madge & Connor, 2006; Sarkadi & Bremberg, 2005). Verificamos que são as mães as utilizadoras mais frequentes especialmente na procura destas informações, comparativamente aos pais que representam uma minoria amostral. Segundo a literatura, a participação dos pais homens no processo de educação dos filhos desempenha um importante papel de ajustamento psicológico (Dubowitz et al., 2001). Uma vez que muitas das informações educativas e desenvolvimentais disponíveis na Internet prendem-se com temáticas mais dirigidas para mães pode ser necessário ajustar os conteúdos disponíveis à população parental masculina no sentido de a envolver mais na pesquisa de informações educativas e desenvolvimentais (Bouche & Migeot, 2008; Nieuwboer, Fukkink, & Hermanns, 2013b; Platin & Daneback, 2009).

Além da brecha digital relativa às diferenças socioeconómicas e sociodemográficas que influenciam a utilização da Internet atualmente, deparamo-nos com um segundo nível que diz respeito às competências de procura e avaliação da informação educativa e desenvolvimental online, ou seja, o digital skill divide, ou proficiência parental. Podemos verificar que variáveis como o nível de escolaridade, o nível socioeconómico e a idade dos pais desempenham um importante fator na proficiência parental. Os resultados estão em sintonia com a literatura que demonstra que atualmente os pais já não se sentem satisfeitos com a simples e crua descrição da parentalidade mas requerem informações baseadas na experiência de outros em situações similares (Castells, 1997). Desta forma, os fóruns permitem aos participantes a partilha de experiências funcionando como uma importante fonte de aconselhamento e suporte social (O’Connor & Marge, 2004).

Com o aumento do nível socioeconómico os pais percecionam-se mais experientes na navegação da Internet e tendem a vê-la mais como um meio promotor da proximidade relacional com os filhos. Apesar das maiores competências de pesquisa e avaliação de informação demonstradas por pais com maior nível socioeconómico, verifica-se que estes se sentem menos satisfeitos com a informação obtida percecionando-a como menos útil. As diferenças encontradas entre os pais mais novos e mais velhos, no que concerne à experiência de navegação e frequência de acesso à Internet pode ser explicado pelos achados de Hargittai (2010). Estes revelam que os jovens adultos são a primeira geração de nativos digitais, que com o surgimento do Google e outros motores de pesquisa similares alteraram a sua forma de navegação na Internet, deixando-os menos expostos a procuras exaustivas de informação confiável. Em sintonia com os resultados, a mesma autora vem explicar que são os indivíduos mais jovens (18-30 anos) que passam mais tempo na Internet, têm maior facilidade para aproveitar os recursos disponíveis online e maior competência na navegação (Hargittai, 2002).

No que concerne ao acesso à Internet, os pais consideram-se utilizadores mais frequentes da Internet. Porém, percecionam que os seus filhos obtêm mais benefícios com a sua utilização. Tendo em consideração as diferenças entre pais com filhos de diferentes idades, podemos verificar que a idade dos filhos parece influenciar os comportamentos online dos pais, fenómeno que se verifica em outras investigações (Zhao, 2009).

Em suma e de acordo com os resultados, podemos verificar que a Internet pode desempenhar uma função educativa pela disponibilização de recursos para pais, sendo esta premissa justificada: (a) pela vasta maioria de pais que procura informação educativa e desenvolvimental; e (b) pela vasta maioria de pais que a considera como uma ferramenta educativa benéfica para a família. Apesar do exposto, verifica-se a existência de uma brecha digital (digital use divide) no que concerne ao acesso parental à Internet, em que podemos verificar que o nível de escolaridade, o nível socioeconómico, a idade e sexo dos pais assumem especial importância.

Em relação ao objetivo principal deste estudo a proficiência parental (a capacidade para realizar pesquisas eficazes e eficientes, e avaliar os seus resultados), constatamos que o nível de escolaridade, o nível socioeconómico e a idade dos pais afirmam-se essenciais nesta temática. Verificamos que são os pais mais jovens, com maior nível de escolaridade e maior nível socioeconómico, aqueles que apresentam maior proficiência na pesquisa das informações educativas. Apesar da maior proficiência na pesquisa apresentada por estes pais, estes são aqueles que apresentam maiores índices de insatisfação com informação obtida, considerando-a pouco útil. Constatamos que existem oportunidades e recursos educativos na Internet disponíveis para pais, contudo, a falta de competências de navegação promovidas pela baixa escolaridade, baixo nível socioeconómico e avançada idade dos pais poderá representar uma dificuldade acrescida na obtenção de informação e suporte social online. Segundo vários autores, estes pais estão em risco de perder oportunidades de aprendizagem de práticas educativas positivas, influenciando possivelmente a educação e comportamento dos filhos (Davis-Kean, 2005; Dearing et al., 2001; Nagin & Tremblay, 2001). Desta forma justifica-se a necessidade de criar esforços através de programas parentais online, que auxiliem e promovam o desenvolvimento de competências de navegação para o acesso a informação educativa fidedigna e de qualidade.

Respeitante à idade dos filhos, podemos observar que esta modula os hábitos online dos pais. Sendo que a idade dos filhos influencia a pesquisa de informação educativa, bem como influencia a opinião que os pais têm da Internet. Neste sentido, podemos verificar que são os pais mais jovens com filhos mais novos que acedem com mais frequência à Internet para pesquisar informação educativa e aqueles que apresentam maiores competências de navegação.

Este estudo apresenta resultados interessantes e que permitem uma nova compreensão da utilização da Internet por parte dos pais. Ainda assim apresenta algumas limitações nomeadamente no que diz respeito à metodologia de recolha de dados. A divulgação do questionário foi realizada apenas online abrangendo somente os pais que tomaram conhecimento do questionário através dos meios utilizados para a divulgação. Relativamente à amostra, é de constatar que temos uma prevalência de participantes mulheres, pelo que poderia ser importante no futuro incluir mais homens para haver uma maior igualdade de género. Apesar destas limitações foram encontrados resultados pertinentes, que poderão dar pistas para futuras investigações.

Tendo por base a natureza descritiva deste estudo, destacamos a necessidade de produzir mais investigações sobre a forma como a Internet pode ser utilizada como ferramenta auxiliar na parentalidade.

 

Referências

Baker, J. F., Devitt, B. M., Lynch, S., Green, C. J., Byrne, D. P., & Kiely, P. J. (2012). Internet use by parents of children attending a dedicated scoliosis outpatient clinic. European Spine Journal, 21, 1972-1977. Retrieved from https://doi.org/10.1007/s00586-012-2429-2        [ Links ]

Barroso, R., & Machado, C. (2010). Definições, dimensões e determinantes da parentalidade. Psychologica, 52, 211-229. Recuperado de http://iduc.uc.pt/index.php/psychologica/article/viewFile/996/445        [ Links ]

Bouche, G., & Migeot, V. (2008). Parental use of the Internet to seek health information and primary care utilisation for their child: A cross-sectional study. BMC Public Health, 8, 300. Retrieved from https://doi.org/10.1186/1471-2458-8-300        [ Links ]

Burrows, R., Nettleton, S., Pleace, N., Loader, B., & Muncer, S. (2000). Virtual community care? Social policy and the emergence of computer mediated social support. Information, Communication & Society, 3, 95-121. Retrieved from https://doi.org/10.1080/136911800359446        [ Links ]

Carter, B. (2007). Parenting: A glut of information. Journal of Child Health Care, 11, 82-84. Retrieved from http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/1367493507079621        [ Links ]

Castells, M. (1997). The power of identity – The information age: Economy, society and culture. London: Blackwell Publishers Ltd. Retrieved from http://www.academia.edu/2215687/The_power_of_identity_The_information_age_Economy_society_and_culture

Council of Europe. (2007). Parenting in contemporary Europe: A positive approach. Strasbourg: Council of Europe. Retrieved from https://books.google.pt/books?id=JROG3RcY8fkC&printsec=frontcover&hl=pt-PT#v=onepage&q&f=false        [ Links ]

Correia, C. (2009). Redes sociais da família multiproblemática ou família multidesafios. Dissertação de Mestrado não publicada, Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra. Recuperado de http://repositorio.ismt.pt/handle/123456789/226        [ Links ]

Cotten, S., & Gupta, S. (2004). Characteristics of online and offline health information seekers and factors that discriminate between them. Social Science & Medicine, 59, 1795-1806. Retrieved from https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2004.02.020        [ Links ]

Council of Europe. (2009). Family policy in Council of Europe member states – Two expert reports commissioned by the Committee of Experts on Social Policy for Families and Children. Strasbourg: Council of Europe. Retrieved from https://www.coe.int/t/dc/files/ministerial_conferences/2009_family_affairs/Family_Policy_Reports_en.pdf

Coutinho, I. C. M., Seabra-Santos, M. J., & Gaspar, M. F. F. (2012). Educação parental com famílias maltratantes: Que potencialidades?. Análise Psicológica, XXX, 405-420. Recuperado de http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870-82312012000300004&lng=pt&tlng=pt

Davis-Kean, P. (2005). The influence of parent education and family income on child achievement: The indirect role of parental expectations and the home environment. Journal of Family Psychology, 19, 294-304. Retrieved from http://repositorio.ismt.pt/handle/123456789/226        [ Links ]

Dearing, E., McCartney, K., & Taylor, B. (2001). Change in family income-to-needs matters more for children with less. Child Development, 72, 1779-1793. Retrieved from https://doi.org/10.1111/1467-8624.00378        [ Links ]

Dhillon, A., Albersheim, S., Alsaad, S., Pargass, N., & Zupancic, J. (2003). Internet use and perceptions of information reliability by parents in Neonatal Intensive Care Unit. Journal of Perinatology, 23, 420-424. Retrieved from https://doi.org/10.1038/sj.jp.7210945        [ Links ]

Doty, J., Dworkin, J., & Connell, J. (2012). Examining digital differences: Parents’ online activities. Family Science Review, 17, 18-39. Retrieved from https://familyscienceassociation.org/sites/default/files/2-%20Doty_Dworkin_Connell.pdf

Drentea, P., & Moren‐Cross, J. L. (2005). Social capital and social support on the web: The case of an Internet mother site. Sociology of health & illness, 27, 920-943. Retrieved from https://doi.org/10.1111/j.1467-9566.2005.00464.x        [ Links ]

Dubowitz, H., Black, M., Cox, C., Kerr, M., Litrownik, A., Radhakrishna, A., . . . Runyan, D. (2001). Father involvement and children’s functioning at age 6 years: A multisite study. Child Maltreatment, 6, 300-309. Retrieved from https://doi.org/10.1177%2F1077559501006004003

Dworkin, J., Connell, J., & Doty, J. (2013). A literature review of parents’ online behavior. Cyberpsychology. Journal of Psychosocial Research on Cyberspace, 7, 1-10. Retrieved from http://dx.doi.org/10.5817/CP2013-2-2

Eurobarometer. (2008). Towards a safer use of the Internet for children in the EU – A parent’s perspective. Retrieved from http://ec.europa.eu/public_opinion/flash/fl_248_en.pdf

Haberman, S. J. (1973). The analysis of residuals in cross-classified tables. Biometrics, 9, 205-220.         [ Links ]

Hand, F., Mc Dowell, D. T., Glynn, R. W., Rowley, H., & Mortell, A. (2013). Patterns of Internet use by parents of children attending a pediatric surgical service. Pediatric Surgery International, 29, 729-733. Retrieved from http://dx.doi.org/10.1007/s00383-013-3317-5        [ Links ]

Hargittai, E. (2002). Second-level digital divide: Differences in people’s online skills. First Monday, 7. Retrieved from http://journals.uic.edu/ojs/index.php/fm/article/view/942/864

Hargittai, E. (2010). Digital na(t)ives? Variation in Internet skills and uses among members of the “net generation”. Sociological Inquiry, 80, 92-113. Retrieved from https://doi.org/10.1111/j.1475-682X.2009.00317.x

Hellwig, O., & Lloyd, R. (2000). Sociodemographic barriers to utilisation and participation in telecommunications services and their regional distribution: A quantitative analysis. Australia: National Centre for Social and Economic Modelling, University of Canberra.         [ Links ]

LaCoursiere, S. (2001). A theory of online social support. Advances in Nursing Science, 24, 60-77.         [ Links ]

Leonard, H., Slack-Smith, L., Phillips, T., Richardson, S., D’Orsogna, L., & Mulroy, S. (2013). How can the Internet help parents of children with rare neurologic disorders?. Journal of Child Neurology, 19, 902-907. Retrieved from https://doi.org/10.1177%2F08830738040190110901

Linebarger, D., & Chernin, A. (2003). Young children, parents, computers and the Internet. IT & Society, 1, 87-106. Retrieved from https://pdfs.semanticscholar.org/995c/2c8aa35c057f0443c6a17448657bd90d85a3.pdf        [ Links ]

Livingstone, S., & Bober, M. (2004). UK children go online: Surveying the experiences of young people and their parents. London: LSE Research Online. Retrieved from http://eprints.lse.ac.uk/395/1/UKCGOsurveyreport.pdf        [ Links ]

Madge, C., & O’Connor, H. (2006). Parenting gone wired: Empowerment of new mothers on the internet?. Social & Cultural Geography, 7, 199-220. Retrieved from https://doi.org/10.1080/14649360600600528

Minuchin, S. (1990). Famílias: Funcionamento & tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas.         [ Links ]

Mondin, E. M. (2008). Práticas educativas parentais e seus efeitos na criação dos filhos. Psicologia Argumento, 26(54), 233-244. Recuperado de http://132.248.9.34/hevila/Psicologiaargumento/2008/vol26/no54/6.pdf        [ Links ]

Nagin, D., & Tremblay, R. (2001). Parental and early childhood predictors of persistent physical aggression in boys from kindergarten to high school. Archives of General Psychiatry, 58, 389-394. Retrieved from https://pdfs.semanticscholar.org/7970/161dca453c20a495c93a8e93925bb1df3f9f.pdf        [ Links ]

Nieuwboer, C., Fukkink, R., & Hermanns, J. (2013a). Online programs as tools to improve parenting: A meta-analytic review. Children and Youth Services Review, 35, 1823-1829. Retrieved from http://psycnet.apa.org/doi/10.1016/j.childyouth.2013.08.008        [ Links ]

Nieuwboer, C., Fukkink, R., & Hermanns, J. (2013b). Peer and professional parenting support on the internet: A systematic review. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 16, 518-528. Retrieved from https://doi.org/10.1089/cyber.2012.0547        [ Links ]

O’Connor, H., & Madge, C. (2004). “My mum’s thirty years out of date”: The role of the Internet in the transition to motherhood. Community, Work & Family, 7, 351-369. Retrieved from https://doi.org/10.1080/1366880042000295754

Patias, N., Siqueira, A., & Dias, A. (2013). Práticas educativas e intervenção com pai: A educação como proteção ao desenvolvimento dos filhos. Mudanças – Psicologia da Saúde, 21, 29-40. Recuperado de http://dx.doi.org/10.15603/2176-1019/mud.v21n1p29-40

Papadakis, M. (2001). The application and implications of information technologies in the home: Where are the data and what do they say?. Arlington, USA: National Science Foundation.         [ Links ]

Plantin, L., & Daneback, K. (2009). Parenthood, information and support on Internet. A literature review of research on parents and professional online. BCM Family Practice, 10, 1-12. Retrieved from https://dx.doi.org/10.1186%2F1471-2296-10-34        [ Links ]

Rice, R. (2002). Primary issues in Internet use: Access, civic and community involvement, and social interaction and expression. In L. Lievrouw & S. Livingstone (Eds.), The handbook of the new media. The social shaping and consequences of ICTs (pp. 105-129). London: Sage.         [ Links ]

Rothbaum, F., Martland, N., & Jannsen, J. B. (2008). Parents’ reliance on the Web to find information about children and families: Socio-economic differences in use, skills and satisfaction. Journal of Applied Developmental Psychology, 29, 118-128. Retrieved from http://psycnet.apa.org/doi/10.1016/j.appdev.2007.12.002

Sarkadi, A., & Bremberg, S. (2005). Socially unbiased parenting support on the Internet: A cross-sectional study of users of a large Swedish parenting website. Child: Care, Health and Development, 31, 43-52. Retrieved from https://doi.org/10.1111/j.1365-2214.2005.00475.x        [ Links ]

Salvador, A., & Weber, L. (2005). Práticas educativas parentais: Um estudo comparativo da interação familiar de dois adolescentes distintos. Interação em Psicologia, 9, 341-353. Recuperado de https://revistas.ufpr.br/psicologia/article/viewFile/4782/3669        [ Links ]

Tuffrey, C., & Finlay, F. (2002). Use of Internet by parents of paediatric outpatient. Arch Dis Child, 87, 534-536. Retrieved from https://dx.doi.org/10.1136%2Fadc.87.6.534        [ Links ]

Van Deursen, A., & Van Dijk, J. (2011). Internet skills and the digital divide. New Media & Society, 13, 893-911. Retrieved from https://doi.org/10.1177%2F1461444810386774        [ Links ]

Weber, L., Brandenburg, O., & Viezzer, A. (2003). A relação entre o estilo parental e o otimismo da criança. Psico-USF, 8, 71-79.         [ Links ]

Weber, L., Prado, P., Viezzer, A., & Brandenburg, O. (2004). Identificação de estilos parentais: O ponto de vista dos pais e dos filhos. Psicologia: Reflexão e Crítica, 17, 323-331. Recuperado de http://www.scielo.br/pdf/prc/v17n3/a05v17n3.pdf        [ Links ]

Zhao, S. (2009). Parental education and children’s online health information seeking: Beyond the digital divide debate. Social Science & Medicine, 69, 1501-1505.

 

CORRESPONDÊNCIA

A correspondência relativa a este artigo deverá ser enviada para: Sandra R. Santos, Universidade Portucalense, R. Dr. António Bernardino de Almeida 541, 4200-072 Porto, Portugal. E-mail: srafribeirosantos@gmail.com

 

Submissão: 18/09/2016 Aceitação: 26/10/2017

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License