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Análise Psicológica

Print version ISSN 0870-8231On-line version ISSN 1646-6020

Aná. Psicológica vol.35 no.2 Lisboa June 2017

http://dx.doi.org/10.14417/ap.1104 

Mindfulness e Psychological Mindedness enquanto posturas terapêuticas: Relação com o processo de mudança em psicoterapia

Dora Alice Coimbra1, Rita Guerra1, António Branco Vasco2

1Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa

2Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa / Society for the Exploration of Psychotherapy Integration

Correspondência

 

RESUMO

A influência das características do psicoterapeuta, no processo e nos resultados da intervenção psicoterapêutica, tem sido amplamente reconhecida, independentemente do modelo teórico. Assumindo-se o interesse no estudo das competências terapêuticas não “técnicas”, necessárias para a prática clínica, reflecte-se sobre os constructos mindfulness e psychological mindedness, enquanto características relativamente estáveis da consciência da experiência e do self do psicoterapeuta, que podem manifestar-se como posturas terapêuticas distintas. Acreditamos que os terapeutas mais mindful e/ou psychologically minded, oscilando responsivamente entre as duas posturas t erapêuticas, poderão verificar nos seus pacientes, uma maior capacidade estrutural, associada a um aumento da consciência da experiência e do self, obtido através da assimilação de objectivos estratégicos específicos de fase 2, do Metamodelo de Complementaridade Paradigmática (Vasco, 2006). É apontada a relevância clínica de se considerar a mindfulness e a psychological mindedness como posturas terapêuticas complementares, salientando-se a necessidade de se encontrar uma definição operacional dos constructos.

Palavras-chave: Mindfulness, Psychological mindedness, Posturas terapêuticas, Consciência da experiência e do self, Metamodelo de complementaridade paradigmática.

 

ABSTRACT

The influence of the psychotherapist characteristics, both on the course and the results of the psychotherapeutic intervention, has been widely recognized, regardless of therapeutic model. Considering the study of the “non-technique” therapeutic skills, needed for clinical practice, a reflection is made on the constructs of mindfulness and psychological mindedness, as relatively stable characteristics of the experience and self-consciousness of the psychotherapist, displayed as distinct therapeutic stances. We believe that highly mindful and/or psychologically minded therapists, responsively swinging between the two therapeutic stances, might verify the patient’s achievement of a greater structural ability, related to an increased experience and self-consciousness, attained through the assimilation of specific strategic objectives of phase 2, of the Paradigmatic Complementarity Integrative Metamodel (Vasco, 2006). The clinical implications of considering mindfulness and psychological mindedness as complementary therapeutic stances are discussed, and the need to find an operational definition of the constructs is emphasized.

Key words: Mindfulness, Psychological mindedness, Therapeutic stances, Experience and self-consciousness, Paradigmatic complementarity metamodel.

 

Introdução

 

A importância do terapeuta em psicoterapia

A relação terapêutica assume uma importância primordial no desenrolar positivo e no resultado do processo terapêutico. A presença, a atitude e a postura terapêuticas, enquanto elementos da experiência da relação, parecem constituir, mais do que as técnicas que são utilizadas, a essência da ajuda terapêutica (Fox, 1993; Norcross, 2011). A construção, a manutenção e a eventual reparação (Safran & Muran, 2002; Safran & Segal, 1990) da relação não só promovem a capacidade de mudança do cliente, como constituem, per se, a própria mudança (Fox, 1993). A relação terapêutica, de cariz bidireccional, pretende-se uma experiência reparadora para o cliente, de reabilitação psicológica e de re-socialização. O terapeuta tem o papel de criar condições para fazer emergir a capacidade daquele para integrar as suas experiências num sistema pleno de significado.

Durante muito tempo, a importância do psicoterapeuta foi subvalorizada na investigação em psicoterapia, por comparação com as “técnicas” terapêuticas, específicas de cada modelo teórico (Grepmair, Mitterlehner, Loew, & Nickel, 2007). No entanto, essas parecem explicar apenas 10 a 15% da variância das intervenções (e.g., Lambert & Barley, 2001). Ou, numa versão mais recente, apenas 8%, em contraste com a variância explicada pela relação terapêutica (12%) e as variáveis do terapeuta (7%) (Norcross & Lambert, 2011).

Por outro lado, a qualidade da aliança terapêutica tem sido identificada como o factor comum, intraterapêutico, mais responsável pelo resultado da intervenção, independentemente do modelo teórico (Norcross, 2011). Deste modo, as características do terapeuta parecem influenciar significativamente os resultados da terapia, “para melhor e para pior – efeitos de deterioração” – (e.g., Mays & Franks, 1985, citado por Vasco, 2005b, p. 81). As variáveis inerentes ao terapeuta são preexistentes à interacção terapêutica (variáveis “extra”-terapêuticas), sendo a sua presença e influência na mesma, essencialmente, “intra-terapêutica.” Manifestando-se, particularmente, no modo como constrói e sustenta a aliança terapêutica e no modo como toma decisões, igualmente terapêuticas. Assim, o self do terapeuta e a sua postura no processo psicoterapêutico, assumem uma importância central para o sucesso da intervenção.

 

O metamodelo de complementaridade paradigmática

Todos os terapeutas, independentemente da orientação teórica, baseiam a sua intervenção, e a tomada de decisão clínica, explícita ou implicitamente, num referencial teórico ou “mapa” de sequência terapêutica (Vasco, 2006). Ou seja, numa sequência temporal do processo terapêutico, referente a um “quando” da terapia, relativo a fases que contemplam objectivos terapêuticos específicos. O Metamodelo de Complementaridade Paradigmática (Vasco, 2006), de natureza integrativa, possibilita o acesso clínico, empírico e teórico, à compreensão e explicação do que ocorre “entre o início e o fim do processo terapêutico, a um nível intermédio de abstracção – o dos objectivos estratégicos” (Vasco, 2006, p. 11). Qualquer psicoterapeuta beneficia da utilização do Metamodelo de Complementaridade paradigmática, idealizado para responder à necessidade de se encontrar um referencial transversal aos modelos teóricos já existentes, integrativos ou não (Vasco, 1994, 2006). O referido metamodelo é composto por “princípios gerais de mudança terapêutica”, que determinam o “quê” da terapia, pela aliança terapêutica, a qual define o “estar” em terapia, abarcando também a “conceptualização do paciente e do problema” – o “quê” mais o “como” da terapia. A dimensão temporal e sequencial do processo terapêutico, enquanto função das características e “necessidades cambiantes de pacientes em mudança” (Vasco, 2006, p. 11) é contemplada no metamodelo, mediante um componente referente a uma sequência temporal de fases relativas a objectivos (perfazendo o “quando” da terapia). Este componente descreve o processo de intervenção terapêutica segundo sete fases sequenciais, as quais envolvem um conjunto de objectivos estratégicos específicos – designadamente: fase 1. Confiança, Motivação e Estruturação da relação, fase 2. Aumentar a Consciência da Experiencia e do Self, fase 3. Construção de Novos Significados Relativos à Experiência e ao Self, fase 4. Regulação da Responsabilidade, fase 5. Implementação de Acções Reparadoras, fase 6. Consolidação da Mudança e fase 7. Antecipação do Futuro e Prevenção da Recaída.

A mudança terapêutica produtiva passa, necessariamente, pelo aumento da consciência da experiência e do self, fase 2 do metamodelo de Complementaridade Paradigmática, sendo os objectivos específicos desta fase os de: (a) auxiliar o paciente a diferenciar os problemas; (b) focar a atenção em um problema de cada vez; (c) distanciar-se dos problemas; (d) diferenciar entre sentimentos, pensamentos e acções; (e) aumentar a consciência das relações e conflitos interpessoais e (f) aumentar a consciência das características, regras e conflitos do self.

 

Mindfulness e psychological mindedness: Variáveis da consciência da experiência e do self do terapeuta

A palavra “mindfulness” é uma tradução inglesa para sati, termo Pali, o qual designa uma actividade (Gunaratana, 2001), significando “consciência, atenção e recordar” (Germer, 2005, p. 5). Etimologicamente, sati significa “recordar, memória”, “não esquecimento”, mas no uso corrente, a palavra designa mais do que um simples recordar ou lembrar. Sati significa “não flutuar na superfície”, envolvendo “consciência plena do objecto”, ou “consciência profunda do objecto” (Silananda, 1999). Não existem palavras que descrevam rigorosamente o significado de sati. O estado de mindfulness é pré-simbólico (Gunaratana, 2001), ultrapassa uma formulação verbal, sendo pré-reflexivo (Brown & Ryan, 2003), i.e, implica uma consciência que surge antes que seja elaborado um processo reflexivo e teórico. Sati, ou a experiência de mindfulness, não “existe” em si mesma, num sentido real e visível, podendo contudo, ser experienciado e, a posteriori, aludido metaforicamente. Constitui uma actividade inefável, tornando-se incompleta, se a tentarmos capturar por palavras (Gunaratana, 2001).

 

A mindfulness refere-se a uma forma de consciência ou percepção, que implica processar, num registo pré-reflexivo (Brown & Ryan, 2003), o conteúdo da experiência, aos níveis emocional e sensorial. Kabat-Zinn (2003) descreve-a: “As palavras para coração e mente são as mesmas nas línguas asiáticas; assim ‘mindfulness’ inclui uma qualidade afectuosa e compassiva no acto de estar presente e atento, um sentido de abertura, presença amigável e interesse” (p. 145). O autor captura, na definição supracitada, de forma inteligível e compreensiva, a natureza de mindfulness, enquanto forma de atenção plena, sem julgamento, do momento presente, remetendo, para (a) uma atenção direccionada à experiência, promovendo um sentido de abertura à mesma; (b) a relação compassiva do indivíduo, consigo mesmo e com o mundo, enquanto forma de ser e (c) a ideia de unidade mente-corpo que essa experiência proporciona. Mindfulness carece de um termo homólogo, preciso, em português. O conceito é por vezes traduzido como “consciência plena”. A utilização dessa expressão como representativa de mindfulness é pouco inclusiva porque negligencia parte do significado que esta palavra contém. Pensamos que a essência da postura mindful em terapia é bem capturada pela conhecida expressão de Bion (1967) “sem memória nem desejo”.

Embora “consciência plena” seja um componente necessário de mindfulness (Wallace, 2008), não ocorre num sentido “frio” (Langer & Moldoveanu, 2000), i.e., não alude somente a um domínio da consciência e da atenção, correspondendo ainda, a uma noção de totalidade, de presença integral do indivíduo, com aceitação, envolvendo qualidades de compaixão, afeição e pertença (Kabat-Zinn, 2003).

Por sua vez, a expressão “psychological mindedness” tem origem na literatura psicanalítica, sendo considerada necessária ao exercício da psicanálise (Appelbaum, 1973). Apesar de os psicoterapeutas compreenderem o que é PM de uma forma intuitiva (Conte & Ratto, 1997; Hall, 1992), não há consensualidade relativamente ao significado específico do constructo. A PM surge mencionada como intracepção (Murray, 1938, citado por Farber, 1989) ou introversão (Jung, 1922, citado por Farber, 1989). Appelbaum (1973) declara que a PM é, muitas vezes, igualada a termos como “reflexão”, “introspecção”, “auto-observação”, ou “auto-consciência”, sendo “insight” a expressão mais comummente associada ao constructo, ou usada como sinónimo do mesmo.

 

Psychological mindedness pode traduzir-se como “mentação psicológica”, consistindo simultaneamente num interesse (em) e capacidade (Hall, 1992) de compreender e explicar os processos psicológicos, e as suas implicações cognitivas e emocionais. Este exercício intelectual pode ser direccionado para o próprio indivíduo, e/ou para os outros (e.g., Farber, 1985)1. A Figura 1 ilustra uma diferenciação dos construtos.

 

 

Concebendo o self como agente experiencial, e associando-o, parcialmente, a uma ideia de “traço”, em termos do que é relativamente estável e conhecido pelo indivíduo, o constructo teórico “consciência do self” é constituído por instâncias como a sensação de agência, necessidades psicológicas (Conceição & Vasco 2005), a responsividade e flexibilidade dos estilos terapêuticos; e as visões epistémicas e ontológicas do mundo, do terapeuta e do cliente (Vasco, Silva, & Chambel, 2001). Definimos os constructos mindfulness e psychological mindedness como instâncias da consciência do self e da experiência, determinando implicações distintas, na relação em terapia, para o psicoterapeuta e para o cliente.

A postura do terapeuta, enquanto parte integrante da relação terapêutica, tem uma importância fundamental para o sucesso de uma intervenção (e.g., Fox, 1993; Norcross, 2011). Consideramos, especificamente, a mindfulness e a psychological mindedness como “características” pessoais do terapeuta (integrando a consciência do self), e a sua manifestação enquanto “estados” ou “posturas” terapêuticas (compondo a consciência da experiência). Embora a mindfulness e a PM sejam conceptualizadas como variáveis da consciência da experiência do terapeuta, essas são definidas não apenas como estados, mas também como “traços”, i.e., como características relativamente estáveis da consciência da experiência do self. Concebendo estas variáveis como “traços”, características mais ou menos estáveis, presentes num indivíduo, serão variáveis da “consciência do self”. Enquanto “posturas”, serão constituintes da “consciência da experiência”. Neste sentido, os terapeutas que são tendencialmente mindful nas suas vidas pessoais (o que, nessa circunstância, determina a característica como “traço”, parte do self do terapeuta), poderão estar menos mindful enquanto terapeutas (Stanley et al., 2006), sendo o inverso igualmente possível. Consideramos este raciocínio igualmente válido para a PM, enquanto variável da consciência da experiência do terapeuta.

 

Mindfulness e PM do terapeuta: Relação com o processo de mudança em psicoterapia

Self-em-relação em psicoterapia: Primazia da postura terapêutica mindful?

Anatta – no-self – é um preceito fundamental da tradição budista (Smith, 2005). A experiência de anatta, conceito pali (lingua ancestral budista) é traduzida como no-self (não-eu) ou egolessness (não-ego) (Smith, 2005). A saúde mental, na tradição budista, assenta no entendimento e percepção de “no self”, i.e., na consciência de que não existe um self, enquanto entidade imutável e independente, ou essência permanente (Ryan & Brown, 2003). A prática de mindfulness, aproxima-nos da experiência de anatta, tendo a particularidade de aumentar o sentido de unidade, de participação no colectivo (Dixit, 2008), de self-em-relação (Hollomon, 2000). Este conceito parece ter implicações terapêuticas a dois níveis distintos. Por um lado, na prática clínica, uma postura terapêutica de mindfulness, implica que o terapeuta esteja, parcialmente, não “consciente” do seu self – o que assentaria, radicalmente, no reconhecimento de no-self ou no estado de unself-consciousness (Dixit, 2008). Por outro lado, para experienciar genuinamente a relação terapêutica, momento-a-momento, o terapeuta tem de se “esquecer” do self do cliente, enquanto “objecto” ou “caso” de estudo (Fulton, 2008). Estas instâncias definem o que entendemos por “self-em-relação” (Aron, 2009; Hollomon, 2000), no contexto terapêutico. Assim, se o terapeuta apresentar uma postura centrada no próprio self, isso é claramente problemático, a diferentes níveis (Kottler, 1986). Por outro lado, uma postura terapêutica demasiadamente centrada no cliente, no self reificado deste (Fulton, 2008; Ryan & Brown, 2003), i.e., uma atitude rígida, de registo intelectualizado e demasiadamente interpretativo acerca do caso – postura PMed –, sem haver uma consciência e atenção aumentadas (Brown & Ryan, 2003) da experiência da relação, poderá constituir uma influência negativa na promoção de mudança no cliente (promoção de objectivos estratégicos pelo terapeuta, e assimilação dos mesmos pelo paciente (Conceição, 2005), e por inerência, nos resultados da intervenção.

Sabe-se que graus elevados de PM implicam um raciocínio particularmente inferencial e analítico que, embora torne possível a prática terapêutica, pode limitar a espontaneidade e a expressão emocional (Farber, 1983, 1985), podendo influenciar negativamente a interacção terapêutica (e.g., aquando da necessidade de metacomunicar, para promover a desconfirmação experiencial do ciclo interpessoal disfuncional do paciente; Safran & Muran, 2002; Safran & Segal, 1990). Neste sentido, a PM pode ter, para alguns terapeutas, um efeito inibidor da capacidade de mindfulness. O foco terapêutico exclusivo na PM, não só através da adopção da PM enquanto atitude ou forma preferida, deliberada, de estar-na-relação, mas também como tendência individual involuntária, para avaliar continuamente o conteúdo psicológico, pode ser problemático. Os recursos atencionais, que deveriam dirigir-se à experiência participante da relação terapêutica, esgotam-se na reflexão interpretativa sobre os processos psicológicos do paciente. O oposto não parece ser válido, i.e., não consideramos que a capacidade ou o estado de mindfulness possa dificultar a postura de PM. Os terapeutas elevadamente mindful serão inerentemente mais flexíveis e responsivos, pelo que, se apresentarem um grau elevado de PM, esta capacidade para reflectir sobre o funcionamento psicológico não se manifestará de modo predominante, nem impedirá a atenção mindful à experiência da relação. A mindfulness, enquanto instância da consciência da experiência e do Self, implica um processamento perceptivo, emocional e sensorial, com atenção plena, da experiência aqui-e-agora. Ser tendencialmente e/ou estar mindful facilita o registo da experiência, pelo terapeuta, enquanto observador-participante, e permite responder, na interacção, momento-a-momento. Idealmente, a postura terapêutica deveria ser mais próxima deste estado (Safran & Segal, 1990; Safran & Muran, 2002). É exactamente esta o “estar” terapêutico que consideramos ideal em psicoterapia – a capacidade de alternar entre posturas de observador (minded) e de participante (mindful).

 

Observação participante e as posturas terapêuticas Mindful e PMed

A componente observacional da consciência da experiência do terapeuta (observação participante) parece implicar ambas as posturas minful e PMed, consistindo em: atentar à tonalidade da voz do cliente, aos seus comportamentos e emoções verbais e não verbais, subtis e manifestos (observar o outro), observar o impacto que o cliente tem em si (observar-se a si e à relação) e aquele que está a ter no cliente (observar o cliente e a relação) (Hollomon, 2000). Mindfulness e PM diferem na qualidade de atenção que envolvem. A atenção mindful, no terapeuta, é direccionada a todos os “níveis” da sua experiência emergente: interioridade (sensações, emoções), “nível intermédio” (cognições, imagens, memórias) e “nível exterior” (percepções) (Safran & Muran, 2002). O estado de PM implica um registo mais compreensivo, explicativo e intelectual da experiência (Farber, 1985), determinando uma precedência da observação da realidade psicológica em relação à experiência integral, física, do que está a ocorrer no momento. Neste sentido, a atenção PMed dirigir-se-á ao conteúdo “intermédio” da experiência (cognições, imagens, memórias), e parcialmente à interioridade [consciência aumentada das emoções (Farber, 1985). No contexto terapêutico, a PM será direccionada exclusivamente ao cliente, sendo hetero-utilitária (Appelbaum, 1973)]. A Figura 2 atenta a uma diferenciação das posturas terapêuticas.

 

 

Discussão

Consideramos que níveis elevados de mindfulness e de PM, enquanto características mais ou menos estáveis e integrantes da consciência do self do terapeuta, poderão condicionar posturas terapêuticas (referentes à consciência da experiência) igualmente elevadas nas duas dimensões.

Os terapeutas que apresentam níveis elevados de mindfulness são mais capazes de auto-regular as suas reacções de contratransferência (Hollomon, 2000) e monitorizar a atenção (Bishop et al., 2004) relativamente aos conteúdos conscientes distractivos, que os afastam da experiência da relação. A contratransferência negativa, associada a resultados negativos em psicoterapia (Mohr, 1995) pode ser contrariada através de uma postura mindful, de ser ou estar na relação – “self-em-relação” (Hollomon, 2000) – em que todo o conteúdo da experiência do terapeuta é observado, com aceitação, momento-a-momento, e, por vezes, utilizado para informar conteúdos de metacomunicação (Safran & Muran, 2002).

Os terapeutas com graus elevados de PM podem sentir maior empatia (Farber & Golden, 1997), e ser capazes de avaliar o grau de severidade dos problemas do cliente – características do terapeuta, cuja ausência está associada a resultados negativos na intervenção (Mohr, 1995). A PM possibilita que o terapeuta seja capaz de interpretar correctamente os conteúdos psicológicos, estando associada a uma avaliação mais rigorosa do funcionamento psicológico (Hall, 1992). Além disso, uma PM elevada, relaciona-se com uma elevada capacidade de compreensão (Appelbaum, 1973; Farber & Golden, 1997), tornando o terapeuta potencialmente mais responsivo às necessidades do cliente.

A PM do terapeuta é uma variável relevante e necessária para o sucesso da intervenção (Farber & Golden, 1997), porque sem esta capacidade (Hall, 1992), não é possível fazer atribuições causais, precisas, entre processos psicológicos, nem apreender as motivações que subjazem o comportamento do cliente. Se um terapeuta for elevadamente mindful, e apresentar um nível baixo de PM, embora possa estar integralmente na experiência da relação, com aceitação, pode equivocar-se na avaliação e formulação clínicas. Para além disso, este terapeuta também não será capaz de responder adequadamente às necessidades cambiantes do cliente (Conceição & Vasco, 2005; Vasco, 2006), na medida em que não consegue avaliar, nem interpretar intelectualmente, de forma adequada, a informação que decorre da experiência da relação. Neste sentido, o processamento mindful, imediato e intuitivo da experiência da relação, parece ser necessário, mas não suficiente, para se conduzir a intervenção, a qual deve sustentar-se por uma contínua e dinâmica conceptualização do caso (Eells, 1997), que decorre da capacidade de compreender, interpretar e analisar o caso psicologicamente (postura PMed).

Por outro lado, um terapeuta que apresente um grau baixo de mindfulness, e um nível elevado de PM, será menos responsivo ao cliente, na interacção, e menos capaz de discriminar, momento a momento, conteúdos – emoções, pensamentos, comportamentos – que constituem dados relevantes para compreender integralmente o cliente.

Defendemos que a mindfulness e a PM, presentes no terapeuta em graus mais ou menos elevados, e manifestadas como posturas terapêuticas diferenciadas e enquanto qualidades da consciência da experiência do terapeuta, terão relação com o aumento da consciência da experiência e do self no cliente. Reportamo-nos assim, à influência que podem ter relativamente aos resultados de fase 2 do metamodelo de Complementaridade Paradigmática (Vasco, 2006). Essa conquista terapêutica será obtida através da assimilação mais diferenciada, pelo cliente, dos objectivos estratégicos específicos dessa fase (Conceição, 2005) – facilitada por aquelas competências não “técnicas” do terapeuta. Os terapeutas com graus mais elevados nas dimensões mindfulness e PM (++) podem verificar nos seus pacientes uma maior facilidade na assimilação de objectivos estratégicos da fase 2 do Metamodelo de Complementaridade Paradigmática (Vasco, 2006), comparativamente aos terapeutas que revelam uma dessas características de forma predominante, i.e., elevada mindfulness e baixa PM (+-); ou baixa mindfulness e elevada PM (-+). Estas posturas poderão ser conceptualizadas como processos complementares em psicoterapia, se utilizadas de forma responsiva. Existirá a necessidade de balanceamento do terapeuta entre uma postura mindful e PMed, dependendo do momento da intervenção (Vasco, 2005a). Pensamos não ser despiciendo sublinhar ainda que a capacidade de movimentação do terapeuta entre as posturas mindful (participante) e minded (observador) cumpre também uma desejável função terapêutica de modelagem. Ou seja, acreditamos que um dos objectivos da terapia, em termos de promoção de bem-estar, passa pela capacidade de viver a vida, alternando entre instâncias de experiência e de reflexão.

 

Conclusões

O presente artigo incidiu na importância de se considerarem os constructos de mildfulness e de psychological mindedness como posturas terapêuticas necessárias e complementares, que facilitam a obtenção de resultados terapêuticos produtivos.

O entendimento do conceito budista de (no) Self (anatta) é potencialmente útil na psicoterapia ocidental, particularmente a nível da relação terapêutica (Fulton, 2008). Não faz sentido dizer que a tendência ocidental para conceptualizar e experienciar o self é eticamente certa ou errada; contudo, pode certamente interferir no trabalho terapêutico, de forma pouco produtiva. A cultura influencia directamente a forma de experienciar e de conceptualizar o self, e os terapeutas não estão imunes a esse legado.

O terapeuta pode beneficiar da sua prática de mindfulness e da sua compreensão desta experiência, não só pessoalmente, como também profissionalmente, na relação terapêutica com cada cliente. Havendo um conhecimento implícito de que o self do cliente não é inalterável, nem constante, e uma interiorização pelo terapeuta do conceito budista de no-self – ou, pelo menos, um entendimento do significado prático do mesmo – as qualidades de flexibilidade e de tolerância à incongruência serão desenvolvidas, havendo uma maior responsividade à experiência e necessidades cambiantes do cliente, em cada momento da terapia (Vasco, 2006). É neste contexto que ecoam a relevância e utilidade da mindfulness, na prática psicoterapêutica.

Apesar de existirem variadas definições de mindfulness e de PM, mais ou menos compreensivas no conteúdo que envolvem, e de parecer haver alguma consensualidade, implícita, quanto ao significado dos constructos, não existe uma definição operacional dos mesmos. Bishop e col. (2004) sugerem uma definição operacional de mindfulness para responder a esta questão. Alguns autores (e.g., Conte & Ratto, 1997; Dollinger, 1997; Hatcher & Hatcher, 1997; MacCallum & Piper, 1997a) propõem medidas de PM, sendo patenteados na literatura esforços no sentido de se encontrar uma definição operacional do constructo, cujo significado converge, parcialmente, com o de outros (Appelbaum, 1973; Farber, 1989; Hall, 1992; McCallum & Piper, 1997b). Esta ausência de uma definição precisa dos constructos restringe o desenvolvimento de instrumentos de avaliação adequados e, consequentemente, a possibilidade de uma maior amplitude na investigação, direccionada não só à importância global destas instâncias da consciência da experiência e do Self do terapeuta, como características individuais passíveis de ser cultivadas, como também à utilidade da sua presença, específica, nos terapeutas. É assim necessária, uma definição operacional de mindfulness e de psychological mindedness, para que seja possível um entendimento mais preciso dos mecanismos exactos subjacentes à função destas características num sentido lato e, especificamente, enquanto posturas terapêuticas. Essa operacionalização permitirá levar a cabo estudos destinados a averiguar os efeitos da presença das referidas características no terapeuta, e da sua eventual manifestação utilitária em terapia.

A potencial utilidade da prática pessoal de mindfulness para terapeutas é uma qualidade terapêutica desejável, quer a nível pessoal, quer a nível profissional (Hick, 2008; Dryden & Still, 2006; Stanley et al., 2006). Germer (2005) defende que a mindfulness pode “tornar-se um constructo que aproxima a teoria clínica, a investigação e a prática, e ajuda a integrar as vidas pessoal e profissional dos terapeutas” (p. 11).

Pode conceber-se, em psicoterapia, os constructos de mindfulness e PM como sucedendo ao longo de um continuum. O psicoterapeuta, enquanto observador (distanciado) e participante, oscilaria, idealmente, entre os estados de mindfulness e de PM. As características do terapeuta de “abertura à experiência, responsividade, flexibilidade, tolerância à incerteza e frustração, relacionadas com uma melhor capacidade de estabelecimento da aliança terapêutica e com melhores resultados de intervenção” (e.g., Lambert & Ogles, 2004, citado por Vasco, 2006, p.81), poderão constituir variáveis facilitadoras da capacidade de balanceamento do terapeuta entre uma postura mais mindful ou mais PMed.

A mindfulness e a psychological mindedness são constructos com potencial integrativo, na medida em que o seu significado conceptual e clínico parece ser transversal a todas as orientações teóricas, pela necessidade de estarem presentes, moderada a elevadamente, nos terapeutas – podendo manifestar-se tendencialmente como posturas, de actuação complementar, em terapia.

 

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CORRESPONDÊNCIA

A correspondência relativa a este artigo deverá ser enviada para: Dora Alice Coimbra, Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, Alameda da Universidade, 1649-013, Lisboa, Portugal. E-mail: doracoimbraa@hotmail.com

 

Submissão: 07/07/2015 Aceitação: 01/07/2016

 

NOTES

1 Referimos os constructos em inglês, por uma questão de uniformidade. Adoptamos as expressões mindfulness (substantivo) e mindful (adjectivo), psychological mindedness (substantivo) e psychologically minded (adjectivo). Empregamos a sigla PM, para referir o termo psychological mindedness, e PMed para psychologically minded, incluindo também verbalizações como “highly psychological minded psychotherapists” que traduzimos como “psicoterapeutas elevadamente PMed”.

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