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Análise Psicológica

Print version ISSN 0870-8231On-line version ISSN 1646-6020

Aná. Psicológica vol.35 no.1 Lisboa Mar. 2017

http://dx.doi.org/10.14417/ap.1071 

Interface trabalho-família, vinculação romântica e parentalidade

Ana Virgínia Pereira1, Joana Marina Vieira1, Paula Mena Matos1

1Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto

Correspondência

 

RESUMO

Este estudo pretende (a) compreender as associações entre conciliação trabalho-família e a vivência satisfatória e/ou stressante da parentalidade, (b) analisar a variabilidade destas associações em função do sexo da figura parental, e (c) testar o papel moderador da vinculação romântica nestas associações. Recolheram-se, transversalmente, dados de 346 participantes (173 homens e 173 mulheres) que responderam a instrumentos de autorrelato, designadamente, a Work-Family Conflict Scale, a Work-Family Enrichment Scale, a Parental Stress Scale e a Experiences in Close Relationship Scale. Foram encontradas diferenças na satisfação parental, sendo significativamente mais elevada nas mulheres do que nos homens. Encontraram-se igualmente diferenças em função do sexo na predição dos efeitos do conflito e enriquecimento trabalho-família sobre as dimensões de satisfação e stress parentais. O papel moderador da vinculação romântica na relação entre enriquecimento/conflito e satisfação/stress parentais não se verificou, embora o evitamento prediga negativamente a satisfação parental nos homens.

Palavras-chave: Interface trabalho-família, Vinculação ao par romântico, Satisfação parental, Stress parental, Sexo, Género.

 

ABSTRACT

This study aims to (a) understand the associations between work and family and parenting stress/satisfaction, (b) analyze the variability of these associations by parental gender, and (c) test the moderator role of attachment on these associations. Data from 346 participants (173 men and 173 women), was cross-sectionally collected with the following self-report instruments: Work-Family Conflict Scale, Work-Family Enrichment Scale, Parental Stress Scale and the Experiences in Close Relationship Scale. We found differences on parenting satisfaction, significantly higher in women. We also found sex differences in the prediction of the effects of work and family conflict and enrichment on the dimensions of satisfaction and parental stress. There was no moderator role of romantic attachment in the relationship between enrichment/conflict and parenting satisfaction/stress, although avoidance was a negative predictor of parental satisfaction in men.

Key words: Work-family interface, Romantic attachment, Parenting satisfaction, Parenting stress, Sex, Gender.

 

Interface trabalho-família

Atualmente, assiste-se a um esbatimento das fronteiras entre trabalho e família (Voydanoff, 2004), fruto de mudanças económicas, sociais e demográficas, que resultaram no aumento da participação feminina no mercado de trabalho (INE, 2012; INE PORDATA, 2016), assim como no aumento da exigência e competitividade laborais (Lima & Neves, 2011). Em particular em Portugal, o subsequente aumento das famílias de duplo-emprego, especialmente as que têm filhos em idade pré-escolar (INE, 2012), tem posto em evidência a necessidade de se aumentar o conhecimento científico no âmbito da interface trabalho-família.

De um modo geral, a literatura tem-se centrado na forma como a coexistência de múltiplos papéis – especialmente o trabalho e a família – pode ser fonte de conflito (e.g., Goode, 1960; Greenhaus & Beutell, 1985) e/ou de enriquecimento (e.g., Greenhaus & Powell, 2006). A abordagem mais estudada tem sido a do conflito, definida como “uma forma de conflito inter-papel em que as pressões associadas aos papéis do domínio do trabalho e aos papéis do domínio da família são mutuamente incompatíveis” (Greenhaus & Beutell, 1985, p. 77), de tal forma que a participação num papel é percebida como mais difícil devido à participação no outro papel. De acordo com esta perspetiva os indivíduos dispõem de recursos psicológicos, energéticos e temporais limitados, que se revelam tanto mais insuficientes quantos mais forem os papéis desempenhados e a consequente acumulação de exigências e responsabilidades a eles associados (hipótese da escassez; Greenhaus & Beutell, 1985).

Por seu turno, a abordagem do enriquecimento refere-se à “extensão em que as experiências num papel aumentam a qualidade de vida noutro papel” (Greenhaus & Powell, 2006, p. 73) e encontra o seu fundamento na hipótese expansionista (Marks, 1977). Esta hipótese enfatiza os potenciais ganhos, recompensas e benefícios decorrentes do desempenho de múltiplos papéis, considerando que estes ultrapassam os custos a eles associados, revestindo-se de um efeito estimulante e potenciador do bem-estar e da saúde física e psicológica dos indivíduos ao traduzir-se numa expansão dos seus recursos (pessoais, sociais, financeiros, instrumentais, entre outros).

A evidência empírica sugere que os ganhos e os constrangimentos inerentes ao desempenho de múltiplos papéis são largamente independentes, devem ser considerados separadamente e podem coocorrer, não sendo pólos opostos de uma mesma dimensão (Grzywacz & Bass, 2003; Voydanoff, 2005). Assim, ainda que um indivíduo experiencie conflito entre dimensões, pode, concomitantemente, experienciar enriquecimento, e vice-versa. Diversos estudos mostram também que tanto o conflito como o enriquecimento são bidirecionais, podendo suceder do trabalho para a família como da família para o trabalho (Byron, 2005; Eby, Casper, Lockwood, Bordeaux, & Brinley, 2005). Porém, são raros os estudos que considerem simultaneamente as vertentes negativa e positiva da conciliação trabalho-família (i.e., conflito e enriquecimento), bem como a sua bidirecionalidade (i.e., efeitos do trabalho-para-a-família e da família-para-o-trabalho), tendendo a focalizar-se na vertente do conflito (Eby et al., 2005; Parasuraman & Greenhaus, 2002).

 

Interface trabalho-família e parentalidade (satisfação e stress)

O aumento das famílias de duplo-emprego trouxe uma série de questões de elevada relevância social e científica, nomeadamente os potenciais benefícios do envolvimento simultâneo nos papéis profissional e parental, mas também a sobrecarga e o stress com que se confrontam atualmente estas famílias (Abele & Volmer, 2001).

A parentalidade pode ser definida como o “conjunto de ações encetadas pelas figuras parentais (pais ou substitutos) junto dos seus filhos no sentido de promover o seu desenvolvimento de forma o mais plena possível, utilizando para tal os recursos de que dispõem dentro da família e, fora dela, na comunidade” (Cruz, 2013, p. 13). Na sua vivência, podem emergir e coocorrer sentimentos de satisfação – sentimento de “contentamento ou gratificação” decorrente do exercício das responsabilidades parentais (Mounton & Tuma, 1988, p. 218) – e de stress – dificuldades decorrentes do papel parental em tarefas várias, como a gestão comportamental e emocional das crianças, o estabelecimento e manutenção de rotinas e a prestação de cuidados (Dunning & Giallo, 2012).

A experiência de enriquecimento e/ou conflito, resultante da conjugação de múltiplos papéis, tem mostrado estar relacionada com a experiência de parentalidade, aumentando ou reduzindo o stress e a satisfação. Alguns estudos têm evidenciado uma associação negativa entre o conflito trabalho-família e o sentido de autoeficácia parental (Cinamon, Weisel, & Tzuk, 2007), a qualidade da relação com a criança (Cinamon et al., 2007; Cooklin et al., 2014) e a satisfação parental (Shreffler, Meadows, & Davis, 2011), bem como uma relação positiva com o stress parental (Shreffler et al., 2011; Vieira, Ávila, & Matos, 2012), e com a insatisfação com o trabalho e com a família (Frone, Barnes, & Farrell, 1994). Por seu turno, o enriquecimento tem sido associado com níveis inferiores de stress parental (Vieira et al., 2012), com menor irritabilidade e maior afetuosidade e consistência maternas (Cooklin et al., 2014), bem como com níveis mais elevados de satisfação com a vida e com o trabalho (Hill, 2005). Apesar dos estudos existentes, verifica-se uma notória escassez na literatura (Eby et al., 2005). Ademais, os estudos tendem a contemplar apenas a experiência das mães.

Ainda no que respeita ao estudo da interface trabalho-família e parentalidade, alguns estudos têm vindo a colocar a questão das diferenças de género na conciliação trabalho-família. Hill (2005) verificou que os homens despendem mais horas a trabalhar, do que a cuidar das crianças, revelando menos conflito (em ambas as direções) do que as mulheres. Outros autores falam de um fosso de género (Offer & Schneider, 2011), com os homens a despenderem mais horas no trabalho profissional e as mulheres no familiar (Miranda, 2011).

Efetivamente, apesar de o papel do pai ter sofrido alterações, dado o maior envolvimento e participação na esfera familiar, alguns autores defendem que, em termos práticos, estas alterações não têm um significado expressivo, já que as mulheres continuam a ser as principais responsáveis pelas tarefas de organização e cuidado das crianças, desempenhando os pais um papel secundário e de cariz maioritariamente lúdico (Calvo-Salguero, Martínez-de-Lecea, & Aguilar-Luzón, 2012). Assim, e apesar de as atitudes relativas aos papéis de género terem mudado no sentido de uma ideologia de género mais igualitária, permanece uma divisão assimétrica tanto das tarefas e responsabilidades domésticas, como dos cuidados parentais (Fontaine, Andrade, Matias, Gato, & Mendonça, 2007; Perista, 2007; Torres, 2004).

Outros autores salientam uma participação tradicional ao nível dos cuidados e uma participação igualitária nas atividades lúdicas e enfatizam que a menor participação paterna nos cuidados não é sinónimo de menor envolvimento emocional (Pimenta, Veríssimo, Monteiro, & Pessoa e Costa, 2010).

 

Vinculação, interface trabalho-família e parentalidade

Segundo a teoria da vinculação, o ser humano nasce com uma predisposição para estabelecer laços emocionais com o outro, sendo a qualidade desses laços dependente da natureza da relação estabelecida entre a criança e os cuidadores (Bowlby, 1969). Caraterísticas como sensibilidade às necessidades da criança, disponibilidade física e emocional, e consistência nas atitudes e comportamentos são fundamentais para o desenvolvimento de uma relação de vinculação segura (Bowlby, 1973).

Bowlby (1973) reconhece a influência das relações de vinculação ao longo do ciclo vital, nomeadamente através dos modelos internos dinâmicos. Com base nas interações com as figuras de vinculação, a criança desenvolve expectativas relativamente a si própria, aos outros e ao mundo.

Embora de uma maneira distinta daquela expressa na infância, as necessidades de vinculação permanecem ao longo da vida (Bowlby, 1973). Assim, a existência de uma figura de vinculação que sirva de base segura à exploração do meio, não é apenas fundamental na infância, como também na idade adulta, auxiliando o indivíduo nos mais diferentes contextos, de que são exemplo o trabalho e a parentalidade (Costa & Matos, 2006).

Na idade adulta a vinculação tem sido concetualizada de diversos modos. No presente trabalho, a vinculação será considerada a partir da articulação entre duas dimensões consideradas essenciais enquanto estratégias de regulação emocional e de comportamento interpessoal: a ansiedade acerca do abandono e o evitamento. Os indivíduos mais ansiosos receiam poder vir a ser rejeitados ou abandonados, o que resulta em estratégias de hiperativação do sistema de vinculação, ao passo que os indivíduos mais evitantes tendem a evitar a intimidade nas relações e a utilizar estratégias de desativação do sistema de vinculação, procurando manter a independência comportamental e emocional do parceiro romântico (Mikulincer, 2006).

A atividade de trabalho é considerada por alguns autores como uma das maiores fontes de exploração na idade adulta, estando o funcionamento salutar do sistema de exploração relacionado com a segurança emocional experienciada na relação de vinculação romântica (Elliot & Reis, 2003; Hazan & Shaver, 1990; Matias, Vieira, & Matos, in press). A vinculação segura tem sido associada ao uso de estratégias construtivas perante situações stressantes (Pietromonaco, Greenwood, & Barret, 2004; Pines, 2004) e tem sido vista como facilitadora da exploração (Elliot & Reis, 2003). Em alguns estudos, a vinculação adulta tem sido avaliada a partir de modelos construídos na relação com as figuras parentais e em outros casos na relação com o par romântico. Estes últimos têm encontrado que uma vinculação segura ao par romântico pode ser facilitadora do envolvimento no trabalho (Hazan & Shaver, 1990; Elliot & Reis, 2003). Os indivíduos mais seguros tendem a experienciar mais transferência positiva (tanto da família para o trabalho, como do trabalho para a família) do que os indivíduos com as restantes orientações de vinculação, sendo a transferência negativa, em ambas as direções, mais comum nos indivíduos mais preocupados, do que nos seguros e desinvestidos (Sumer & Knight, 2001; Vieira et al., 2012).

No domínio da parentalidade, tem vindo a ser colocada a hipótese da existência de um padrão intergeracional da vinculação (Main, Kaplan, & Cassidy, 1985). Para o desenvolvimento desta hipótese muito contribuíram os estudos de Main e colaboradores, pioneiros no estudo da vinculação na idade adulta, que demonstraram que a vinculação é passível de ser analisada tendo em conta variáveis representacionais e não apenas variáveis comportamentais (Matos, 2002).

Os estudos que se debruçam sobre parentalidade e vinculação têm-se centrado na organização de modelos construídos na relação com as figuras parentais. Alguns deles têm demonstrado que os indivíduos inseguros, especialmente os evitantes, tendem a revelar níveis menores de proximidade aos filhos e a fornecer-lhes menos suporte (Rholes, Simpson, & Blakely, 1995). Cumulativamente, apresentam modelos internos da parentalidade mais negativos do que os indivíduos seguros (Rholes, Blakely, Simpson, Lanigan, & Allen, 1997). A perceção da qualidade da relação com o(a) parceiro(a) parece, no entanto, influenciar este resultado. Por exemplo, mães ambivalentes tendem a aumentar a sua proximidade aos filhos quando percecionam o seu casamento como negativo (Rholes et al., 1995); e uma relação conjugal positiva é capaz de aumentar o envolvimento paterno, do mesmo modo que esse envolvimento é capaz de melhorar a qualidade da relação conjugal (Bretherton, Lambert, & Golby, 2005). Ademais, uma pessoa insegura que tenha um(a) companheiro(a) seguro(a) tende a ter uma relação conjugal e parental mais rica e equivalente a um casal onde ambos os membros são seguros (Cohn, Silver, Cowan, Cowan, & Pearson, 1992).

Os estudos que se centram na vinculação romântica e na parentalidade são mais raros. Conquanto, os existentes têm demonstrado que a vinculação segura parece ser um fator protetor do stress e potenciador da satisfação parental (Vieira & Matos, 2011a).

Pouco exploradas têm sido também as diferenças individuais (nomeadamente, as diferenças na qualidade da vinculação romântica) e o seu impacto na ligação entre dinâmicas trabalho-família e indicadores individuais e familiares (Eby et al., 2005; Parasuraman & Greenhaus, 2002). Embora num sentido diferente ao deste trabalho, Vieira et al. (2012) observaram que os efeitos da vinculação romântica na parentalidade (experiência de satisfação e/ou de stress) são mediados pela forma como os indivíduos gerem as questões relativas à interface trabalho-família. Assim, elevados níveis de conflito trabalho-família e baixos níveis de transferência positiva mediaram a relação entre vinculação evitante e elevados níveis de stress parental; elevados níveis de conflito trabalho-família mediaram a relação entre elevados níveis de evitamento e baixos níveis de satisfação parental; e a relação entre vinculação ansiosa e elevados níveis de stress parental foi mediada pelo conflito trabalho-família.

Embora existam ainda poucos estudos que avaliem a relação entre as dimensões aqui exploradas, parecem existir evidências a favor da variabilidade interindividual na vivência da atividade de trabalho, das relações românticas e da parentalidade, em função dos estilos de vinculação (e.g., Elliot & Reis, 2003; Hazan & Shaver, 1990; Matias, Vieira, & Matos, in press; Simpson, Collins, & Salvatore, 2011; Sumer & Knight, 2001; Vieira et al., 2012).

 

Objetivos e hipóteses do estudo

Este estudo pretende (a) compreender as associações entre conciliação trabalho-família e a vivência satisfatória e/ou stressante da parentalidade, (b) analisar a variabilidade destas associações, em função do sexo da figura parental e (c) testar se estas associações são afetadas pela vinculação romântica. Na medida em que a literatura aponta para a importância do número de horas dedicadas ao trabalho e à família, em atividades lúdicas e de cuidado da criança, nas variáveis consideradas, estas variáveis serão analisadas em função do sexo da figura parental e integradas nas equações. Finalmente, também serão analisadas as diferenças na satisfação e stress parentais em função do sexo dos participantes. Consideramos que o presente estudo vem dar um contributo válido para a investigação neste domínio: (a) primeiro, por considerar ambas as vertentes negativa e positiva da conciliação trabalho-família bem como a sua bidireccionalidade (b) segundo, por debruçar-se especificamente nos efeitos da conciliação trabalho-família na experiência da parentalidade, domínio que carece de estudos (Eby et al., 2005), e por contemplar a experiência de ambos pais e mães, e não apenas das mães; (c) e, finalmente, por dar resposta a uma das lacunas que têm sido apontadas à investigação nesta área: a insuficiente consideração de diferenças individuais na ligação entre dinâmicas trabalho-família e indicadores individuais e familiares (Eby et al., 2005; Parasuraman & Greenhaus, 2002).

Alguns estudos admitem a existência de mais similitudes do que diferenças de género na satisfação e stress parentais (e.g., Deater-Deckard & Scarr, 1996). Porém, outros realçam o fosso de género existente e comprovam diferenças (Offer & Schneider, 2011; Rogers & White, 1998; Scher & Scharabany, 2005). Efetivamente, tem-se verificado que as mulheres tendem a: dedicar um número de horas mais elevado ao trabalho não pago (e.g., cuidado das crianças) do que os homens (Eurostat, 2009; Miranda, 2011); apresentar níveis mais elevados de ansiedade, justificados por alguns autores com a importância díspar que a sociedade atribui à parentalidade em função do sexo (Cruz, 2013); responder mais eficazmente às necessidades da criança e a apresentar níveis mais elevados de parentalidade positiva (Know, Jeon, Lewsader, & Elicker, 2012). Deste modo, hipotetiza-se que (H1) existirão diferenças no stress e satisfação parentais de homens e mulheres, sendo maior, em ambos os casos, nas mulheres.

Com base nos resultados da investigação existente acerca do impacto da experiência de conflito e/ou enriquecimento na vivência da parentalidade (e.g., Cinamon et al., 2007; Cooklin et al., 2014; Hill, 2005; Shreffler et al., 2011) hipotetiza-se ainda que (H2) elevados níveis de conflito trabalho-família estão associados a maior stress e menor satisfação parentais e (H3) elevados níveis de enriquecimento trabalho-família estão associados a maior satisfação e menor stress parentais.

Por fim, e tendo em conta o papel da vinculação, a um nível mais lato, nos modelos de si e do outro (Bowlby, 1973) e, a um nível mais específico, na vivência das relações amorosas, da atividade de trabalho e da parentalidade (e.g., Bretherton, 1985; Elliot & Reis, 2003; Hazan & Shaver, 1990; Simpson et al., 2011; Waters & Waters, 2006) hipotetiza-se que (H4) a qualidade da vinculação ao par romântico modera a relação existente entre conflito/enriquecimento trabalho-família e satisfação/stress parentais.

 

Método

 

Participantes

A amostra é constituída por 346 participantes, distribuídos equitativamente pelo sexo (n=173 homens). Os participantes têm idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (M=36.09; DP=4.85). O número de filhos varia entre 1 e 5, correspondendo a moda a 1 filho. A maioria dos participantes são casados (92.2%); os restantes encontram-se em união de facto (7.5%), ou são solteiros (3%). Em termos de escolaridade, verifica-se que 38.6% dos participantes são licenciados, 10.1% possuem mestrado e 1.4% possui doutoramento. Por sua vez, 31.3% completaram o ensino secundário (12º ano), 13.6% o ensino básico (9º ano) e 4.9% o ensino primário. Todos os participantes estão empregados, sendo que a maioria trabalha a tempo inteiro (99.2%) – com uma média de 42.51 horas semanais (DP=8.01). Os pais foram escolhidos com base nos seguintes critérios: estarem envolvidos numa relação romântica em que ambos os elementos do casal trabalham e terem pelo menos um filho em idade pré-escolar a frequentar o jardim-de-infância. A idade das crianças varia entre 36 e 77 meses (M=55; DP=10.55). Do total das crianças, 53.2% são do sexo masculino.

 

Instrumentos

 

Questionário Sociodemográfico, através do qual foram recolhidos dados pessoais dos participantes (e.g., idade e escolaridade); dados relativos à criança (e.g., sexo e número de horas que os pais despendem em atividades lúdicas e de cuidado dos filhos, à semana e ao fim-de-semana); e dados relativos aos domínios do trabalho e da família (e.g., situação profissional e número de horas de trabalho semanais).

 

A Work-Family Conflict Scale (WFCS) (Carlson, Kacmar, & Williams, 2000; versão portuguesa de Vieira, Lopez, & Matos, 2014) é uma escala de autorrelato com 18 itens organizados em torno de duas dimensões que contemplam ambas as direções do conflito (trabalho-família e família-trabalho). Estas dimensões integram três componentes cada uma: tempo (“O meu trabalho faz com que não possa estar tanto com a minha família como gostaria”), tensão (“Devido ao stress em casa, estou muitas vezes preocupado(a) com assuntos familiares no trabalho”); e comportamento (“O tipo de comportamentos que são eficazes e necessários para mim em casa não resultariam no trabalho”). As respostas são avaliadas ao longo de uma escala de Likert de cinco pontos em que (1) corresponde a “discordo fortemente” e (5) a “concordo fortemente”. Os valores do alpha de Cronbach encontrados para a presente amostra são adequados: α=.86 conflito trabalho-família e α=.83 conflito família-trabalho. Estes valores aproximam-se dos encontrados pelos autores da ersão portuguesa da escala: α=.85 conflito trabalho-família e α=.84 conflito família-trabalho (Vieira, Lopez & Matos, 2014).

 

A Work-Family Enrichment Scale (WFES) (Carlson, Kacmar, Wayne, & Grzywacz, 2006; versão portuguesa de Vieira et al., 2014) é uma medida de autorrelato com 18 itens organizados em torno de duas dimensões (enriquecimento trabalho-família e família-trabalho) com três componentes cada. Na direção trabalho-família: (1) desenvolvimento (“O meu envolvimento no trabalho ajuda-me a compreender diferentes pontos de vista e isso ajuda-me a ser melhor na minha família”); (2) afeto (“O meu envolvimento no trabalho deixa-me de bom humor e isso ajuda-me a ser melhor na minha família”); e (3) capital (“O meu envolvimento no trabalho proporciona-me um sentimento de sucesso e isso ajuda-me a ser melhor na minha família”). Na direção família-trabalho: (1) desenvolvimento (“O meu envolvimento na minha família ajuda-me a desenvolver conhecimentos e isso ajuda-me a ser um(a) melhor trabalhador(a)”); (2) afeto (“O meu envolvimento na minha família dá-me alegria e isso ajuda-me a ser um(a) melhor trabalhador(a)”); (3) eficiência (“O meu envolvimento na minha família incentiva-me a rentabilizar o meu horário de trabalho e isso ajuda-me a ser um(a) melhor trabalhador(a)”). As respostas são avaliadas através de uma escala de Likert de cinco pontos, em que (1) corresponde a “discordo fortemente” e (5) a “concordo fortemente”. Nesta amostra a consistência interna das dimensões revelou-se adequada: α=.93 enriquecimento trabalho-família e α=.91 enriquecimento família-trabalho. Estes valores assemelham-se aos encontrados pelos autores da versão portuguesa da escala: α=.91 enriquecimento trabalho-família e α=.87 enriquecimento família-trabalho (Vieira et al., 2014).

 

A Parental Stress Scale (PSS) (Berry & Jones, 1995; versão portuguesa de Vieira & Matos, 2011b) é uma medida de autorrelato, composta por 18 itens, onde se integram componentes positivas (satisfação) e negativas (stress) da parentalidade: “Estou contente com o meu papel enquanto pai/mãe”; “O(a) meu(minha) filho(a) deixa pouco tempo e flexibilidade na minha vida”, respetivamente. As respostas são avaliadas através de uma escala Likert de cinco pontos, em que (1) corresponde a “discordo fortemente” e (5) a “concordo fortemente”. No presente estudo, foram encontrados valores de alpha de Cronbach adequados tanto para a dimensão da satisfação (α=.77), como para a do stress (α=.80), assemelhando-se aos resultados encontrados noutros estudos – e.g., Vieira et al. (2012) encontraram valores de alpha de .85 para a dimensão da satisfação e de .79 para a dimensão de stress.

 

A ECR-Short Form (Experiences in Close Relationship Scale) (Wei, Russell, Mallinckrodt, & Vogel, 2007; versão portuguesa de Oliveira & Costa, 2007) avalia a vinculação ao par romântico, tendo por base as dimensões do evitamento (6 itens; “Tento evitar ficar demasiado próximo(a), emocionalmente, do(a) meu/minha companheiro(a)”) e da ansiedade (6 itens; “O meu desejo de ser emocionalmente muito próximo(a) por vezes afasta as pessoas”). As respostas são avaliadas através de uma escala Likert de sete pontos, em que (1) corresponde a “discordo fortemente” e (7) a “concordo fortemente”. Os valores do alpha de Cronbach aproximaram-se de valores adequados, após a remissão de um item em cada dimensão (α=.75 evitamento; eliminação do item 11; α=.68 ansiedade; eliminação do item 7). Noutros estudos, como o de Paiva e Figueiredo (2010) foram encontrados valores de alpha de .86 para a dimensão ansiedade e de .88 para a dimensão evitamento, todavia com a versão alargada do instrumento (36 itens).

 

Procedimento

Os dados foram recolhidos em jardins-de-infância, no âmbito de um projeto mais alargado sobre o impacto das dinâmicas de trabalho e família na parentalidade e no desenvolvimento das crianças. Os pais foram convidados a preencher um protocolo, depois de preenchido o consentimento informado. Foi garantido o caráter voluntário da participação, assim como a confidencialidade das respostas. Instruiu-se os pais a preencherem os questionários separadamente e a devolverem-nos às educadoras num envelope devidamente selado. O projeto obteve o parecer favorável da Comissão de Ética da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

 

Resultados

 

Diferenças de sexo no número de horas dedicadas ao trabalho familiar e ao profissional

De modo a averiguarem-se possíveis diferenças entre os homens e mulheres no número de horas despendidas, à semana e ao fim-de-semana, em tarefas relativas ao cuidado da criança (e.g., dar banho, vestir...); no número de horas despendidas, à semana e ao fim-de-semana, em atividades lúdicas com a criança (e.g., brincar, ler histórias...); e no número de horas de trabalho por semana, recorreu-se ao Test-T para amostras independentes. Foram encontradas diferenças significativas no número de horas despendidas em tarefas relativas ao cuidado da criança, tanto à semana, como ao fim-de-semana. Verifica-se que as mulheres despendem mais horas no cuidado com as crianças, tanto à semana (M=2.42; DP=1.15), como ao fim-de-semana (M=3.80; DP=2.65), do que os homens (respetivamente, M=1.88; DP=1.52; M=2.98; DP=2.52). Por sua vez, verifica-se que os homens (M=44.29; DP=8.89) trabalham significativamente mais horas do que as mulheres (M=40.72; DP=8.89). Não se verificaram diferenças significativas no número de horas despendidas, à semana e ao fim-de-semana, em atividades lúdicas com a criança.

 

Diferenças de sexo nas dimensões do stress e da satisfação parentais

A partir de uma análise multivariada de variância (MANOVA), observaram-se diferenças significativas entre homens e mulheres para a variável satisfação parental F=(2,343)=8.51, p<.001; Traço de Pillai=.047; ƞ²=.047; utilizando um valor de alfa ajustado de .025 (para evitar erros de Tipo 1 foi aplicado o ajustamento de Bonferroni, dividindo 0.5 por 2 (número de análises efetuadas, Pallant, 2011), F(1,344)=11.09, p=.001, ƞ²=.031, sendo esta maior nas mulheres (M=4.78, DP=.03), do que nos homens (M=4.66, DP=.03).

 

As dimensões de conflito e de enriquecimento como preditoras das dimensões de satisfação e stress parentais e a vinculação ao par romântico como moderadora

De modo a testar o efeito preditor das dimensões de conflito e enriquecimento sobre as de satisfação e stress parentais, bem como o efeito moderador da vinculação ao par romântico recorreu-se à análise de regressão múltipla hierárquica (Tabela 1 e Tabela 2). Pretendeu-se (a) compreender o efeito das variáveis independentes (conflito trabalho-família, conflito família-trabalho, enriquecimento trabalho-família e enriquecimento família-trabalho) sobre as variáveis dependentes (satisfação e stress parentais), e (b) testar se esta relação é afetada pela presença da variável moderadora (vinculaçãoansiedade e evitamento). Na medida em que se observaram diferenças significativas no número de horas dedicadas ao cuidado da criança e ao trabalho, introduziram-se estas variáveis como variáveis de controlo no primeiro bloco. No segundo bloco, foram introduzidas as variáveis relativas ao conflito e ao enriquecimento em ambas as direções, no terceiro bloco foram introduzidas as variáveis relativas à ansiedade e ao evitamento e, finalmente, no quarto bloco, a interação entre as variáveis do segundo e do terceiro blocos. Os efeitos foram testados, separadamente, para homens e mulheres, e para a satisfação e o stress parental, tendo-se assim realizado quatro regressões múltiplas hierárquicas. Os valores de VIF (fatores de inflação da variância) e os de tolerância não indicaram a presença de multicolinearidade (os valores de VIF foram <10 e os de tolerância >10).

 

 

 

 

 

Dimensão da satisfação parental. Para a variável dependente satisfação, nos homens, verificou-se que a regressão múltipla hierárquica que incluiu os três primeiros blocos foi significativa, F(2,163)=.053, p<.01 e explica 28% da variância. O número de horas despendidas, à semana, em tarefas de cuidado da criança, o enriquecimento na direção família-trabalho e o evitamento mostraram-se preditores significativos da variável dependente. Como tal, quanto maior o enriquecimento família-trabalho e menor o número de horas despendidas no cuidado dos filhos à semana e os níveis de evitamento maior a satisfação parental nos homens (Tabela 1).

Nas mulheres, para a variável dependente satisfação, verificou-se que apenas o modelo que inclui os blocos um e dois se revelou significativo, F(4,165)=.127, p<.0001, explicando 10.9% da variância da variável dependente, tendo apenas o enriquecimento família-trabalho se revelado um preditor significativo da variável dependente. Assim, quanto maior o enriquecimento família-trabalho, maior a satisfação parental das mulheres (Tabela 1).

 

Dimensão do stress parental. Para a variável dependente stress, nos homens, o modelo que inclui os blocos um e dois revelou-se significativo F(4,165)=.166, p<.0001, explicando 14.1% da variância da variável dependente. Apenas o conflito família-trabalho se revelou um preditor significativo da variável dependente, embora o enriquecimento família-trabalho tenha apresentado resultados próximos da significância (p=.058). Deste modo, quanto maior o conflito família-trabalho nos homens, maior o stress parental experienciado (Tabela 2).

Nas mulheres, para a mesma variável dependente, verificou-se que, tal como nos homens, apenas o modelo que inclui os blocos um e dois se revelou significativo F(4,165)=.183, p<.0001, explicando 16.7% da variância da variável dependente. O número de horas de trabalho por semana e o conflito nas direções família-trabalho e trabalho-família revelaram-se preditores significativos da variável dependente. Assim, quanto menor é o número de horas de trabalho semanais e maior é o conflito em ambas as direções, maior é o stress com a parentalidade nas mulheres (Tabela 2).

De referir que, em nenhum dos casos, se verificaram efeitos de interação significativos – tantos nos homens, como nas mulheres, em ambas as dimensões (satisfação e stress), o bloco 4 apresentou valores não significativos (p>.01). Ou seja, a introdução das variáveis moderadoras (ansiedade e evitamento) não contribuiu para a explicação da relação entre o conflito/enriquecimento trabalho-família e a parentalidade (satisfação/stress).

 

Discussão

No presente estudo pretendeu-se aprofundar o conhecimento sobre as articulações entre a interface trabalho-família e a parentalidade numa amostra de homens e mulheres portugueses, com crianças em idade pré-escolar e a trabalhar a tempo inteiro.

Tal como esperado, observaram-se valores mais elevados de satisfação parental para as mulheres comparativamente com os homens. A perspetiva racional (Gutek, Searle, & Klepa,1991) advoga que mais tempo dedicado a um domínio será sinónimo de perceção de maior conflito nesse domínio. Porém, neste estudo, as mulheres dedicam significativamente mais tempo ao cuidado das crianças, do que os homens, mas sentem-se mais satisfeitas. Este resultado parece, assim, ir ao encontro da perspetiva dos papéis de género. O facto de estas mães serem as principais cuidadoras das crianças parece proporcionar-lhes a oportunidade de adquirirem mais competências e de se sentirem mais confiantes, respondendo mais eficazmente às necessidades dos seus filhos e sentindo-se mais satisfeitas com o papel parental (Know et al., 2012).

Contrariamente ao que era esperado, não houve diferenças significativas no stress parental de homens e mulheres, resultado que vai ao encontro de outros estudos (Deater-Deckard & Scarr, 1996), que encontraram mais similitudes do que diferenças em pais e mães. Pode acontecer que nesta amostra homens e mulheres percecionem a divisão de tarefas como justa (pese embora o maior número de horas que as mulheres dedicam ao cuidado dos filhos), o que amortecerá o stress sentido. Efetivamente, a sobrecarga subjetiva e a perceção de justiça tendem a ter um peso substancialmente maior no bem-estar e satisfação conjugal, do que a sobrecarga objetiva (Mikula, Riederer, & Bodi, 2008). Este resultado pode refletir também uma maior dificuldade das mulheres em admitir que sentem stress parental (Crnic & Low, 2002).

Quanto aos resultados obtidos na dimensão do conflito trabalho-família verifica-se que estes são consistentes com os de estudos anteriores que indicam que uma relação conflituante destas esferas parece interferir com a qualidade da relação com a criança, diminuir a satisfação com a família, e relacionar-se com distress psicológico e com o stress parental (Cinanon et al., 2007; Cooklin et al., 2014; Frone et al., 1994; Shreffler et al., 2011). Observa-se igualmente uma associação positiva entre enriquecimento família-trabalho e satisfação parental. A relação entre enriquecimento e stress parental não foi, no entanto, significativa. Assim, o facto de os domínios do trabalho e da família se influenciarem positivamente não parece amenizar o stress parental. Parece antes ser essencialmente a experiência de conflito a assumir um papel preponderante na experiência de stress parental. Um resultado que, de resto, é consistente com estudos que mostram que pais com filhos pequenos tendem a experienciar níveis mais elevados de conflito trabalho-família e família-trabalho, comparativamente a indivíduos sem filhos ou pais com crianças mais velhas (Eby et al., 2005). Do mesmo modo, a relação entre conflito e satisfação parental não foi significativa. Assim, elevados níveis de enriquecimento parecem desempenhar um papel mais relevante na satisfação parental, do que níveis baixos de conflito inter-papel.

Neste estudo pretendeu-se também compreender de que modo a associação entre as dinâmicas de conciliação trabalho-família e parentalidade varia consoante o sexo da figura parental. As análises de regressão múltipla hierárquica realizadas permitiram concluir que os preditores das dimensões de stress e satisfação parentais são distintos para homens e para mulheres. O stress parental foi predito, tanto nos homens como nas mulheres, apenas pela dimensão do conflito. Encontraram-se, no entanto, diferenças na direção do conflito, sendo nos homens na direção família-trabalho e nas mulheres em ambas as direções. Nos homens, este resultado parece ser consonante com a perspetiva dos papéis de género, uma vez que estudos sugerem que os homens parecem sentir maior stress com o papel parental, quando as demandas familiares entram em conflito com as do trabalho (Gutek et al., 1991). Este sentimento de stress, pode emergir de uma perceção de desajuste face às expectativas societais em torno da responsabilidade primária do homem enquanto “ganha-pão” da família, sustentadas por estudos que mostram que o género continua a ser visto como uma base legítima e ideologicamente aceitável para a distribuição dos direitos, poder e responsabilidades no exercício dos papéis profissionais e familiares (Fontaine et al., 2007; Perista, 2007; Torres, 2004). Assim, ao percecionar que as exigências familiares estão a entrar em conflito com as profissionais, o homem pode sentir que não está a ir ao encontro das expectativas que recaem sobre ele, permitindo que essa experiência de conflito de papéis se revista de um efeito de contaminação negativa sobre a sua experiência enquanto pai, traduzindo-se na experiência de maior stress no exercício da parentalidade.

Também no caso das mulheres, a predição do stress parental pelo conflito trabalho-família poderá relacionar-se com a perspetiva dos papéis de género – quando percecionam que as exigências do trabalho estão a entrar em conflito com as familiares, as mulheres podem sentir-se em falta com o papel parental, experienciando stress. Efetivamente, a sociedade atribui uma importância díspar à parentalidade, em função do sexo da figura parental, o que poderá resultar numa maior ansiedade na mulher (Cruz, 2013). Por outro lado, este resultado pode ser o reflexo da sociedade atual, onde continuam a prevalecer atitudes tradicionais (as mulheres como principais responsáveis pelo trabalho não pago), ainda que com uma maior participação feminina no mercado de trabalho (Matias, Andrade, & Fontaine, 2012). Ou seja, é exigido à mulher que seja uma boa mãe, mas também uma boa trabalhadora.

Em termos de satisfação parental, esta é predita, tanto nos homens como nas mulheres, pelo enriquecimento família-trabalho. Efetivamente, quando o domínio da família melhora a qualidade de vida no trabalho, os indivíduos podem percecionar o seu papel no domínio familiar como mais satisfatório (Matias, Andrade, Fontaine, Alves, & Martinez, 2008). Nos homens, a satisfação é também predita, negativamente, pelo número de horas despendidas, à semana, em tarefas de cuidado à criança. Tal pode dever-se a uma perceção de desajuste, perante as expectativas societais. De referir também que, apesar de se verificar uma distribuição tradicional ao nível dos cuidados, homens e mulheres não diferem na participação em atividades lúdicas, tal como já havia sido verificado em estudos transatos (e.g., Pimenta, Veríssimo, Monteiro, & Pessoa e Costa, 2010).

Relativamente à predição da satisfação parental pelo evitamento (níveis mais baixos de evitamento como preditores de maior satisfação parental) reafirma-se o papel negativo da insegurança na vinculação sobre a experiência de parentalidade (Vieira & Matos, 2011a), apresentando-se como um fator de risco (Mikulincer & Florian, 1998). As estratégias de desativação utilizadas pelos indivíduos evitantes como forma de lidar com a insegurança na vinculação (e.g., evitamento de interações que envolvam self-disclosure e envolvimento emocional, assim como interdependência) (Mikulincer & Shaver, 2007) parecem reduzir significativamente as oportunidades para sentirem satisfação.

Alguns estudos têm demonstrado a tendência dos homens para apresentarem níveis mais elevados de vinculação evitante do que as mulheres (e.g., Del Giudice, 2011). O que os resultados do presente artigo parecem indicar é que os efeitos do evitamento na satisfação parental são significativamente mais expressivos nos homens. Ou seja, o tipo de relação que mantêm com a companheira parece ter uma influência mais significativa na vivência da parentalidade nos homens, do que nas mulheres, tal como já havia sido documentado em estudos anteriores (Feldman, Nash, & Aschenbrenner, 1983; Parke, 1995).

Por fim, é de referir que não foi possível observar o papel moderador da vinculação romântica, na relação entre conflito/enriquecimento e stress/satisfação parentais.

O facto de não terem sido encontrados resultados significativos para a hipótese em questão, pode dever-se a um conjunto de fatores, nomeadamente: (a) razões de ordem estatística (nomeadamente o poder estatístico) e metodológica. Em relação a este último aspeto, a literatura defende que, na avaliação da vinculação, os instrumentos de autorrelato acedem principalmente a representações conscientes (como a perceção sobre comportamentos e estratégias de regulação emocional) (Matos, 2002). Posto isto, pode não se ter conseguido captar dimensões inconscientes relevantes e representativas da organização interna do sujeito; (b) a natureza transversal do estudo, impedindo uma compreensão tão profunda dos fenómenos como um estudo de natureza longitudinal permitiria; (c) influência de outras variáveis, como seja a existência de apoio de outras figuras significativas (e.g., avós) – alguns autores falam de uma rede de relações de vinculação (e.g., Howes & Spieker, 2008; Matos & Costa, 1996) e da importância de todas elas serem tidas em conta, dado que se influenciam mutuamente (Matos, 2002); (d) a perceção de conflito/enriquecimento trabalho-família poderá conduzir a stress/satisfação, independentemente dos estilos de vinculação ao par romântico. O padrão de vinculação do indivíduo poderá antes influenciar a forma como o indivíduo gere e perceciona a interface trabalho-família o que, por sua vez, poderá influenciar a vivência da parentalidade. Este resultado já havia sido encontrado no estudo de Vieira et al. (2012). Ademais, a literatura tem posto em evidência o papel de relevo da segurança vinculativa na gestão construtiva do stress (Mikulincer & Florian, 1998) e demonstrado que os indivíduos seguros tendem a experienciar mais transferência positiva do que os indivíduos inseguros (Sumer & Knight, 2001; Vieira et al., 2012).

Apesar da não confirmação da hipótese supramencionada, sublinha-se a importância de se continuar a investigar a vinculação romântica como um recurso emocional a ter em conta no estudo da articulação dos múltiplos papéis e de se replicar o estudo em questão em diferentes amostras da população.

 

Limitações e pistas para investigações futuras

Este estudo possui algumas limitações que devem ser tidas em conta na análise e discussão dos resultados. Em primeiro lugar, é de referir o uso exclusivo de instrumentos de autorrelato, sugerindo-se que, em futuras investigações, se tenham em conta, não apenas dados quantitativos, como também qualitativos que ajudem a aprofundar as dinâmicas de conciliação dos múltiplos papéis e o papel da vinculação (e.g., entrevistas). Ademais, apesar de ter em conta a bidirecionalidade do conflito e do enriquecimento, este estudo centra-se nas associações entre a interface trabalho-família e o domínio da parentalidade (especificamente, a satisfação e stress parentais), mas não contempla outras variáveis importantes do domínio profissional (e.g., satisfação profissional, saliência do papel profissional). Também a natureza transversal do estudo não permite a realização de inferências de causalidade. Por fim, um alerta para o facto de o poder estatístico apenas ter permitido a deteção de efeitos de média ou elevada magnitude, pelo que será desejável a utilização de amostras mais alargadas.

 

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CORRESPONDÊNCIA

A correspondência relativa a este artigo deverá ser enviada para: Ana Virgínia Pereira, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Rua Alfredo Allen. 4200-135 Porto, Portugal. E-mail: avcpereira1991@gmail.com

 

Este estudo integra-se no projeto PTDC/MHC-CED/5218/2012, financiado pelo FEDER, através do programa COMPETE e por fundos nacionais através da FCT.

 

Submissão: 03/06/2015 Aceitação: 22/03/2016

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