SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.32 número4Pais e mães protegem, acarinham e brincam de formas diferentesPadrões de consumo de álcool em estudantes da Universidade de Aveiro: Relação com comportamentos de risco e stress índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

Compartilhar


Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica vol.32 no.4 Lisboa dez. 2014

http://dx.doi.org/1014417/ap.32.3.958 

Funcionamento familiar e delinquência juvenil: A mediação do autocontrolo

 

Hugo Miguel dos Santos Gomes*, Maria Gouveia Pereira*

* ISPA – Instituto Universitário

Correspondência

 

RESUMO

De acordo com a Teoria Geral do Crime as práticas parentais ineficazes são a principal causa do baixo autocontrolo e, por sua vez, o autocontrolo será o principal responsável pelo desenvolvimento de comportamentos delinquentes. No presente estudo temos como objetivo analisar empiricamente estas afirmações, ou seja, verificar a influência do funcionamento familiar no autocontrolo e seguidamente analisar se o autocontrolo é mediador na relação entre o funcionamento familiar e a delinquência juvenil. Neste estudo participaram 181 adolescentes, com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos de idade e a frequentar escolas da área da Grande Lisboa. Os instrumentos utilizados foram os seguintes: escala de coesão e flexibilidade familiar (FACES IV), escala de autocontrolo e escala de variedade de delinquência. Os resultados demonstraram uma relação positiva entre o funcionamento familiar e o autocontrolo e uma relação negativa entre o autocontrolo e os comportamentos de delinquência. Por sua vez, o autocontrolo mediou totalmente a relação entre o funcionamento familiar e a delinquência dos jovens. As implicações deste estudo são discutidas.

Palavras-chave: Coesão familiar, Flexibilidade familiar, Autocontrolo, Delinquência juvenil.

 

ABSTRACT

According to the General Theory of Crime ineffective parenting practices are the major cause of low self-control, which, in turn, will be the main responsible of the development of delinquent behaviors. On the present research we aim to analyze these claims, in other words, we will test the influence of family functioning on self-control, and analyze the mediating role of self-control in the relationship between family functioning and juvenile delinquency. 181 adolescents participated in this study, aged between 12 and 19 years old and attending schools in the Great Lisbon area. The instruments were the following: Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale (FACES IV), the Self-Control Scale, and the Delinquency Variety Scale. The results showed a positive relationship between family functioning and self-control and a negative relationship between self-control and delinquent behaviors. Furthermore, self-control fully mediated the relationship between family functioning and juvenile delinquency. Implications of this study are discussed.

Key-words: Family cohesion, Family flexibility, Self-control, Juvenile delinquency.

 

Teoria Geral do Crime e Funcionamento Familiar

A Teoria Geral do Crime de Gottfredson e Hirschi (1990) é certamente um dos modelos criminológicos mais testados empiricamente, provavelmente pelos pressupostos teóricos e explicativos de toda atividade criminosa e delinquente (Goode, 2008). Gottfredson e Hirschi (1990) defendem que o crime e comportamentos semelhantes são fonte de excitação e gratificação dos desejos e prazeres imediatos, requerendo poucas competências sociocognitivas. Deste modo, os comportamentos delinquentes parecem atrair os sujeitos com baixo autocontrolo, descritos pelo seu comportamento impulsivo e autocentrado, e simultaneamente insensíveis às necessidades e ao sofrimento dos outros (Gottfredson & Hirschi, 1990; Hirschi, 2004).

Desta forma, a Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990) posiciona claramente o autocontrolo como a principal causa do comportamento delinquente. Além disso, é vasta a literatura sobre a evidência empírica sobre o impacto determinante do baixo autocontrolo no comportamento delinquente (e.g., Arneklev, Elis, & Medlicott, 2006; Longshore, Turner, & Stein, 1996; Pauwels, Weerman, Bruinsma, & Bernasco, 2011; Pratt & Cullen, 2000; Vazsonyi & Huang, 2010). Contudo, os autores desta teoria defendem que a falta de autocontrolo não implica necessariamente a prática de comportamentos delinquentes, mas sim, que os sujeitos com baixo autocontrolo têm maior propensão para a prática transgressiva. Esta relação parece ser mediada pelo papel das oportunidades para delinquir (e.g., Cochran, Wood, Sellers, Wilkerson, & Chamlin, 1998; Desmond, Bruce, & Stacer, 2012; Fonseca & Simões, 2002).

Gottfredson e Hirschi (1990) apontam as práticas parentais ineficazes e desadequadas como a principal causa da falta de autocontrolo. Segundo estes autores, os cuidadores das crianças deveriam ser capazes de reconhecer e corrigir as demonstrações de falta de autocontrolo, suprimindo progressivamente o seu comportamento impulsivo. Os autores referem quatro condições que devem ser satisfeitas para promover as capacidades de autocontrolo nas crianças: (1) Vínculo dos pais à criança, na medida em que é este laço afetivo que faz com que o cuidador se preocupe com o seu desenvolvimento saudável; (2) Supervisão parental, através da qual os cuidadores previnem práticas desviantes da mesma forma que fazem a ponte entre o controlo externo e interno; (3) Reconhecimento do comportamento desviante, sem o qual, a monitorização não teria impacto no autocontrolo; e, por último, (4) Punição do comportamento desviante, não devendo ocorrer essa punição nem de forma demasiado rígida nem de forma demasiado branda.

Além da teoria geral do crime (Gottfredson & Hirschi, 1990), outros autores (e.g., Hay, 2001; Meldrum, 2008; Meldrum, Young, & Hay, 2012; Pauwels & Svensson, 2009; Pratt, Turner, & Piquero, 2004) têm também vindo a demonstrar que práticas parentais eficazes (i.e., vinculação parental e supervisão parental) influenciam fortemente o autocontrolo dos sujeitos, uma relação que parece estar presente em diferentes culturas (Vazsonyi & Belliston, 2007) e em diferentes estratos socioeconómicos (Vazsonyi & Klanjsek, 2008).

A literatura não é consensual se a delinquência é mais influenciada pela vinculação ou pela supervisão parental. De facto, Cochran et al. (1998), Miller, Jennings, Alvarez-Rivera e Lanza-Kaduce (2009) evidenciaram através dos seus estudos que apenas o vínculo entre pais e filhos predizia a sua capacidade de autocontrolo e não a supervisão parental. Contudo, Rebellon, Straus e Medeiros (2008) encontraram uma relação negativa entre a negligência parental e o autocontrolo dos adolescentes.

Por outro lado ainda, outros investigadores focaram os seus trabalhos em características estruturais da família e encontraram que crianças pertencentes a famílias reconstituídas e a pais solteiros apresentavam níveis de autocontrolo significativamente mais baixos (e.g., Phythian, Keane, & Krull, 2008; Polakowski, 1994). No entanto, Boutwell e Beaver (2010) verificaram que, depois de controlar os efeitos de vários fatores parentais (e.g., autocontrolo dos pais, deficits neuro-psicológicos, depressão, etc.), a estrutura familiar não influenciava os níveis do autocontrolo dos adolescentes. Em concordância com estes dados Mandara e Murray (2000) demonstraram que características do funcionamento familiar, tais como a coesão familiar, autonomia, organização e controlo podem “abafar” os efeitos prejudiciais dos lares “desfeitos” na capacidade de autocontrolo dos adolescentes.

A progressiva compreensão do funcionamento familiar e da sua importância na forma como os membros da família estão ligados emocionalmente e se comportam levou vários autores a considerar modelos cada vez mais complexos e integrativos, nomeadamente a perspetiva sistémica. Dentro do modelo sistémico, terapeutas familiares tais como Minuchin (1988) e Ausloos (1996) salientaram a importância da coesão e da flexibilidade familiar no desenvolvimento da delinquência juvenil. Da mesma forma, evidência empírica demonstra consistentemente como níveis extremamente baixos de coesão familiar (i.e., famílias desagregadas) (e.g., Brook, Pahl, & Cohen, 2008; Gorman-Smith, Henry, & Tolan, 2004; Henry, Tolan, & Gorman-Smith, 2001; Kliewer et al., 2006; Tolan, Gorman-Smith, Huesmann, & Zelli, 1997), bem como níveis extremamente elevados de flexibilidade familiar (i.e., famílias caóticas) (e.g., Blaske, Bourduin, Henggeler, & Mann, 1989; McGaha & Leoni, 1995), estão relacionados com vários aspetos do comportamento delinquente juvenil.

Assim, parece-nos evidente a necessidade de mais investigação que nos permita compreender melhor como o funcionamento familiar afeta a capacidade de autocontrolo e a delinquência. No presente trabalho pretendemos analisar o impacto do funcionamento familiar (coesão e flexibilidade) tal como é descrito no Modelo Circumplexo dos Sistemas Familiares e Conjugais (Olson, 2011), quer no autocontrolo quer na delinquência.

 

Modelo Circumplexo: Coesão e flexibilidade familiar

Em resposta à necessidade de se explorarem múltiplas variáveis familiares, Olson (2000, 2011) desenvolveu o Modelo Circumplexo que integra uma perspetiva sistémica. Este modelo é considerado como particularmente útil no diagnóstico relacional dos sistemas conjugais e familiares, pois integra duas dimensões familiares que foram repetidamente apontadas como aspetos centrais na compreensão do funcionamento familiar – a coesão familiar e a flexibilidade familiar.

Em primeiro lugar, a coesão familiar é definida como o laço emocional que o casal ou os membros familiares estabelecem entre si (Olson & Gorall, 2003) e diz respeito à forma como as famílias se organizam entre os dois extremos desde a total separação até à união extrema. O Modelo Circumplexo de Olson (2011) descreve a coesão familiar num continuum de cinco níveis, desde as famílias desagregadas (níveis de coesão extremamente baixos), famílias algo ligadas (níveis baixos a moderados), famílias ligadas (níveis moderados), famílias muito ligadas (níveis moderados a elevados), até às famílias aglutinadas (níveis de coesão extremamente elevados).

Esta conceção do continuum da coesão familiar estabelece que os três níveis centrais correspondam a graus equilibrados de coesão familiar, hipoteticamente associados a funcionamentos familiares saudáveis. Os níveis extremos de coesão familiar (i.e., desagregado e aglutinado) correspondem a níveis desequilibrados, que tendem a ser problemáticos para o desenvolvimento dos elementos da família ao longo do tempo (Olson, 2011; Olson & Gorall, 2003).

Em segundo lugar, a flexibilidade familiar refere-se ao modo como os sistemas familiares se posicionam entre os extremos de estabilidade e mudança, sendo definida pela quantidade de mudança na liderança, nos papéis e nas regras relacionais (Olson & Gorall, 2003). Segundo a perspetiva sistémica, o funcionamento familiar necessita de ambas estabilidade e mudança, pois deve responder às necessidades individuais e, ao mesmo tempo, manter uma sensação de unidade/estabilidade (Sampaio & Gameiro, 2005).

O Modelo Circumplexo descreve a flexibilidade familiar num continuum de cinco níveis que vão desde as famílias rígidas (flexibilidade extremamente baixa), famílias algo flexíveis (flexibilidade baixa a moderada), famílias flexíveis (flexibilidade moderada), famílias muito flexíveis (flexibilidade moderada a alta), até às famílias caóticas (flexibilidade extremamente alta) (Olson, 2011; Olson & Gorall, 2003). À semelhança do que sucedia com a coesão familiar, também para esta dimensão não existe um nível absoluto de melhor flexibilidade familiar, uma vez que diferentes eventos do ciclo familiar podem requerer diferentes estilos de relacionamento entre elementos da família. Não obstante, a hipótese central deste modelo estabelece que níveis equilibrados de flexibilidade familiar estão mais associados com sistemas familiares funcionais, enquanto níveis extremos de flexibilidade (i.e., famílias rígidas e caóticas) representam sistemas familiares desequilibrados, potencialmente conducentes a comportamentos sintomáticos.

O funcionamento familiar, de acordo com o Modelo Circumplexo de Olson (2011), é explicado pelo entrosamento destas duas dimensões familiares centrais (coesão e flexibilidade), o que permite a compreensão do funcionamento familiar desde sistemas familiares desequilibrados aos equilibrados. A hipótese central do Modelo Circumplexo (Olson, 2011), designada por hipótese curvilínea, pressupõe que relacionamentos familiares equilibrados conduzem a um funcionamento familiar saudável, enquanto os relacionamentos familiares desequilibrados estão associados a funcionamentos familiares problemáticos e disfuncionais (Olson, 2011).

O Modelo Circumplexo tem demonstrado a sua versatilidade e relevância na intervenção familiar sistémica em múltiplos contextos, tais como na ideação suicida (e.g., Compton, Thompson, & Kaslow, 2005; Gouveia-Pereira, Abreu, & Martins, 2014), consumo de drogas (e.g., Natakusumah, Piercy, Robert, Sprenckle, & Trepper, 1992; Tafá & Baiocco, 2009) e comportamento delinquente (e.g., Blaske et al., 1989; Matherne & Thomas, 2001; McGaha & Leoni, 1995; Shields & Clark, 1995).

No entanto, tanto quanto sabemos são escassos os estudos que analisam simultaneamente o impacto da coesão e da flexibilidade, quer no autocontrolo quer nos comportamentos de delinquência.

 

Autocontrolo como mediador

Como temos vindo a referir, um elevado número de investigações tem relacionado diferentes fatores familiares ao comportamento delinquente juvenil, enquanto a Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990) assume que as características familiares afetam apenas indiretamente o comportamento delinquente através do autocontrolo dos jovens. Deste modo, colocamos a hipótese de que o autocontrolo poderá mediar a relação entre os fatores familiares e a conduta delinquente. Na verdade, alguns estudos apresentam evidência empírica de suporte às previsões da Teoria Geral do Crime, nomeadamente o papel mediador do autocontrolo na relação entre as práticas parentais ou monitorização parental e os comportamentos delinquentes (Feldman & Weinberger, 1994; McKee, 2012). Ou ainda, Miller et al. (2009) que obtiveram resultados no sentido de que o baixo autocontrolo apenas mediava parcialmente os efeitos da vinculação materna no comportamento desviante.

Todavia, a vasta maioria destes estudos focaram-se apenas em aspetos isolados da vida familiar, tais como a estrutura familiar, monitorização parental, vinculação, entre outros aspetos, mas não analisaram variáveis mais integradoras tais como o funcionamento familiar do Modelo Circumplexo, podendo possibilitar uma compreensão mais holística destas relações. Este é um dos objetivos principais deste estudo.

Uma ideia interessante é o facto de que as duas dimensões principais do Modelo Circumplexo (Olson, 2011) (coesão e flexibilidade familiar) parecerem corresponder às quatro condições descritas por Gottfredson e Hirschi (1990). Primeiro, o vínculo dos pais à criança descrito pelo laço emocional entre pais e filhos pode ser considerado como coesão familiar. Enquanto a Supervisão parental, Reconhecimento do comportamento desviante e Punição do comportamento desviante podem ser integradas na dimensão flexibilidade familiar através das características de disciplina, controlo e regras familiares. Desta forma, parece-nos que a Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990) possa ser melhor compreendida sob o paradigma do funcionamento familiar do Modelo Circumplexo de Olson (2011).

 

PRESENTE INVESTIGAÇÃO

Neste estudo pretendemos explorar duas das principais preposições da Teoria Geral do Crime. Primeiro iremos analisar a adequabilidade do Modelo Circumplexo (Olson, 2011) na preposição de Gottfredson e Hirschi (1990) quanto ao impacto do funcionamento familiar no autocontrolo. Segundo, iremos analisar se o autocontrolo dos adolescentes medeia totalmente a relação entre o funcionamento familiar, coesão e flexibilidade, e o comportamento delinquente juvenil.

Desta forma, numa primeira hipótese esperamos que jovens provenientes de sistemas familiares funcionais, por oposição aos jovens provenientes de sistemas disfuncionais de acordo com o Modelo Circumplexo, apresentem níveis de autocontrolo mais elevados. Assim, esperamos encontrar uma correlação positiva entre o funcionamento familiar e o autocontrolo, na medida em que quanto mais funcional for o sistema familiar, maior a capacidade de autocontrolo dos jovens.

Finalmente, tomando em consideração que Gottfredson e Hirschi (1990) estabelecem o autocontrolo como a componente fundamental do comportamento delinquente, colocamos a segunda hipótese de que o autocontrolo medeia a relação entre o funcionamento familiar (coesão e flexibilidade) e o comportamento delinquente. Esperamos, deste modo, que quanto mais funcional for o sistema familiar do jovem, maior será a sua capacidade de autocontrolo. E, por sua vez, quanto maior o seu autocontrolo, menos comportamentos delinquentes os jovens apresentarão.

 

MÉTODO

 

Participantes

A amostra é constituída por 181 adolescentes, 110 do sexo feminino e 71 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 12 e os 19 anos de idade (M=16.92, DP=1.55). Estes participantes eram alunos de quatro escolas da área de Lisboa, em que 71.8% pertenciam a 3 escolas regulares a frequentar entre o 7º e 12º ano e 28.2% pertenciam a uma escola profissional a frequentar o 10º ano. A maioria dos adolescentes é de nacionalidade portuguesa (86.5%).

 

Instrumentos

 

Funcionamento Familiar – A Escala de Coesão e Flexibilidade Familiar foi adaptada da Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scale (FACES IV) de acordo com o Modelo Circumplexo (Olson, 2011). Atualmente este instrumento encontra-se na sua quarta versão, FACES IV (Olson, 2011) e em processo de validação para a população portuguesa (Gouveia-Pereira, Gomes, Martins, Miranda, & Coutinho, 2014). O FACES IV é um instrumento de autorrelato com um total de 42 itens permitindo avaliar duas dimensões centrais: (a) a coesão familiar (i.e., o laço emocional que une os elementos familiares) e (b) a flexibilidade familiar (i.e., a capacidade de mudança relativamente à liderança e às regras familiares). Por sua vez, dividem-se em seis subescalas (7 itens cada), em que duas subescalas permitem aceder aos níveis equilibrados de coesão e flexibilidade familiar, ou seja, a subescala de Coesão Equilibrada (e.g., “Os membros da minha família estão envolvidos nas vidas uns dos outros”) e a subescala de Flexibilidade Equilibrada (e.g., “A nossa família tenta novas formas de lidar com os problemas”); e quatro subescalas acedem aos níveis desequilibradas, permitindo aceder aos níveis mais baixos e mais altos de coesão familiar, ou seja, Coesão Desagregada (e.g., “Nós damo-nos melhor com pessoas de fora da nossa família do que com as de dentro”) e Coesão Aglutinada (e.g., “Nós passamos ‘demasiado’ tempo juntos”), bem como os níveis mais baixos e mais altos de flexibilidade familiar, ou seja, Flexibilidade Rígida (e.g., “Na nossa família há uma regra para quase todas as situações”) e Flexibilidade Caótica (e.g., “Na nossa família, parece que nunca nos conseguimos organizar”). Estas últimas quatro subescalas não faziam parte das versões anteriores do FACES IV. As respostas foram dadas numa escala tipo Likert de 5 pontos (1=Discordo Fortemente e 5=Concordo Fortemente). Uma análise das propriedades psicométricas revelou níveis aceitáveis de consistência interna (Tabela 1).

 

 

Olson (2011) apresenta várias formas para codificar os dados obtidos através da escala FACES IV, sugerindo a transformação dos dados em valores de percentil ou rácios. Neste trabalho optámos pela análise através dos rácios. Assim, três rácios podem ser obtidos (i.e., Rácio de Coesão Familiar, Rácio de Flexibilidade Familiar e Rácio do Funcionamento Familiar), através das fórmulas apresentadas na Figura 1. A possibilidade de testar as hipóteses centrais do Modelo Circumplexo através destes rácios é uma das inovações introduzidas nesta nova versão do FACES IV.

 

 

Autocontrolo – A escala de autocontrolo foi originalmente desenvolvida no âmbito da Teoria Geral do Crime por (Gottfredson & Hirschi,1990; Grasmick, Tittle, Bursik, & Arneklev, 1993) e foi validada para a população portuguesa por Fonseca (2002) (α=.81). Esta escala é constituída por um total de 24 itens (e.g., “Faço coisas arriscadas só para me divertir”). Para a respetiva análise faz-se o somatório das respostas dos indivíduos, o que fornece um valor total que pode variar entre 0 e 72, sendo que valores globais mais elevados representam níveis de autocontrolo mais baixos. Contudo, decidimos inverter os valores, significando deste modo que altos valores na escala equivalem a altos valores no autocontrolo. Nesta escala obtiveram-se os seguintes valores: (M=47.41; DP=10.33; α=.84).

 

Delinquência Juvenil – A escala de variedade de delinquência, construída por Sanches, Gouveia-Pereira, Maroco, Gomes e Roncon (2014), foi adaptada de uma escala de Comportamentos Desviantes de Gouveia-Pereira (2009). Esta escala tem 19 itens e permite aceder aos comportamentos de delinquência, tais como comportamentos aditivos (e.g., “Fumo haxixe ou marijuana”) ou comportamentos relacionados com roubos (e.g., “Eu roubei, ou tentei roubar a um estranho, dinheiro ou objetos, tais como um relógio, telemóvel, MP3, etc.”). Era pedido aos participantes para dizerem se tinham cometido este tipo de comportamentos no último ano. As respostas são dadas numa escala de dois pontos (0=Não; 1=Sim). Assim, o valor das respostas varia entre 0 e 19. A escala obteve os seguintes valores: (M=4.80; DP=3.34; α=.81).

 

Procedimento

Como os participantes eram provenientes de contextos escolares, o projeto foi avaliado pela Direcção-Geral da Educação, através do serviço de Monitorização de Inquéritos em Meio Escolar, que autorizou a sua realização. De seguida, foram pedidas autorizações aos respetivos encarregados de educação dos adolescentes. Antes de distribuir as escalas, os participantes foram informados que as suas respostas eram anónimas, a sua participação era confidencial e voluntária e caso tivessem alguma dúvida seriam esclarecidos. Além do preenchimento das escalas os participantes respondiam também a alguns dados demográficos, como idade, sexo, ano escolar, etc. O preenchimento demorou aproximadamente 20 minutos.

 

RESULTADOS

 

Funcionamento familiar e autocontrolo

De forma a analisar a primeira hipótese, ou seja, se os sistemas familiares funcionais apresentavam jovens com maior capacidade de autocontrolo que os provenientes de sistemas disfuncionais, realizámos uma correlação de Pearson entre o Rácio do funcionamento familiar e os resultados na escala de autocontrolo (Tabela 2). Nesta análise verificámos que estas duas variáveis se relacionam positivamente (r=.19) o que significa que o autocontrolo dos jovens aumenta na mesma medida que melhora o funcionamento familiar.

 

 

Realizámos igualmente uma correlação entre o Rácio de coesão, o Rácio de flexibilidade e o autocontrolo dos adolescentes (Tabela 2). Primeiro, podemos notar que estes dois rácios familiares se encontram fortemente correlacionados (r=.64), significando que quanto mais funcional são estas famílias numa destas dimensões (e.g., coesão familiar), mais funcionais serão na outra dimensão (e.g., flexibilidade familiar). No que diz respeito ao autocontrolo, verificámos que o Rácio de coesão (r=.20) se encontra positivamente correlacionado com o autocontrolo, o mesmo não sucedeu com o Rácio de flexibilidade (r=.14, p=.063), que revela apenas uma tendência estatística.

 

Autocontrolo como mediador da relação entre o funcionamento familiar e a delinquência

Finalmente, na nossa segunda hipótese propúnhamos um modelo em que o autocontrolo seria o mediador da relação estabelecida entre o funcionamento familiar e comportamento delinquente. Por forma a analisar esta hipótese usámos o método proposto por Baron e Kenny (1986), onde estes autores apontam para a necessidade de se satisfazerem quatro condições essenciais por forma a concluir pela presença do modelo de mediação em análise.

A primeira condição diz respeito à necessidade de se verificar, numa primeira análise de regressão, um efeito significativo entre a variável independente e a variável mediadora. Assim, para testar esta primeira condição, desenvolvemos uma regressão linear entre o Rácio do funcionamento familiar e o autocontrolo. Assim, através deste teste verificámos como estas variáveis se relacionam de forma significativa (β=.19,), o que nos permite concluir a verificação da primeira condição.

A segunda condição apontada por estes autores diz respeito à realização de uma nova regressão linear entre a variável independente (Rácio do funcionamento familiar) e a variável dependente (Comportamento delinquente), em que observámos que efetivamente o funcionamento familiar tem impacto nos comportamentos de delinquência (β=-.19,). Realizámos uma outra análise de regressão linear em que observámos que o autocontrolo está fortemente associado com o comportamento delinquente (β=-.47).

Finalmente, conduzimos uma análise de regressão, desta vez com o método stepwise, onde introduzimos simultaneamente a variável independente (Rácio do funcionamento familiar) e variável mediadora (autocontrolo), e testámos os seus efeitos na variável dependente (comportamento delinquente juvenil). A terceira condição implica que a variável mediadora mantenha um efeito significativo na variável dependente, o que sucedeu (β=-.47, p=.000, R2a=.213), pelo que podemos garantir a terceira condição.

Por último, de acordo com Baron e Kenny (1986) o efeito da variável independente na variável dependente nesta últimaregressão linear deve diminuir quando comparada com a análise de regressão linear quando fora considerada como único fator. Assim, nesta última análise de regressão podemos observar que o efeito do funcionamento familiar sofreu uma redução substancial (β=-.104, p=.122) tornando-se não significativo e garantindo a última condição.

Mais ainda, conduzimos o teste Z de Sobel, através do qual podemos concluir que a diminuição do efeito do Rácio do funcionamento familiar no comportamento delinquente é estatisticamente significativo (Z=-2.426, p=.015). Desta forma, podemos concluir que a relação entre o funcionamento familiar e delinquência juvenil é totalmente mediada pelas capacidades de autocontrolo dos adolescentes (Figura 2). Confirma-se assim a nossa segunda hipótese.

 

 

 

DISCUSSÃO

Desde a apresentação da Teoria Geral do Crime de Gottfredson e Hirschi (1990), por vezes também designada por Teoria do Autocontrolo, muitos investigadores se dedicaram ao estudo das suas preposições. Ainda assim, através da evolução do conhecimento deste assunto em particular, vários problemas surgiram e muitas questões se mantêm por responder. O presente estudo teve por objetivo lançar alguma clarificação sobre duas preposições essenciais da Teoria Geral do Crime, nomeadamente a sua premissa acerca das origens familiares do autocontrolo, estudada neste trabalho sob o Modelo Circumplexo do funcionamento familiar sistémico de Olson (2011), bem como a sua premissa de que o autocontrolo é total mediador da relação entre o funcionamento familiar e a delinquência juvenil.

No que concerne ao nosso primeiro objetivo, os resultados mostram como o funcionamento familiar se relaciona positivamente com o autocontrolo dos adolescentes, sendo estes resultados consistentes com as preposições da Teoria Geral do Crime, bem como com os estudos empíricos que têm demonstrado o contexto familiar como crucial para o desenvolvimento do autocontrolo dos indivíduos. Como vimos, outros investigadores interessados no estudo da etiologia do autocontrolo têm-se focado em aspetos isolados do funcionamento familiar, tais como a supervisão parental e disciplina (e.g., Hay, 2001; Meldrum, 2008; Pratt, Turner, & Piquero, 2004), status socioeconómico da família, estrutura familiar, proximidade (e.g., Vazsonyi & Belliston, 2007; Vazsonyi & Klanjsek, 2008), ou mesmo vinculação maternal (e.g., Meldrum, Young, & Hay, 2012), mas surpreendentemente, o estudo das influências sistémicas familiares no desenvolvimento do autocontrolo encontra-se pouco explorado.

Assim, o presente trabalho é uma tentativa de ligar a Teoria Geral do Crime ao funcionamento familiar tal como é descrito pelo Modelo Circumplexo (Olson, 2011), uma vez que permite uma análise mais sistémica do funcionamento familiar, i.e., permite analisar em conjunto a coesão e a flexibilidade familiar através do Rácio do funcionamento familiar.

Como observámos o Rácio do funcionamento familiar revelou estar positivamente relacionado com autocontrolo dos adolescentes, por outras palavras, à medida que o funcionamento familiar melhora, aumenta a capacidade de autocontrolo dos adolescentes.

Os resultados deste estudo parecem vir reforçar os resultados encontrados por alguns investigadores que descrevem a importância de ambas as dimensões de vínculo parental e supervisão parental no desenvolvimento do autocontrolo dos adolescentes (e.g., Hay, 2001; Meldrum, 2008; Meldrum, Young, & Hay, 2012; Pauwels & Svensson, 2009; Pratt, Turner, & Piquero, 2004), tal como fora previsto na Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990). No entanto, parece-nos que o mérito deste trabalho é analisar o funcionamento familiar através do Modelo Circumplexo do Olson (2011), possibilitando uma análise conjunta da coesão e da flexibilidade familiar. Desta forma, os nossos resultados confirmam a preposição central do Modelo Circumplexo acerca da funcionalidade familiar, de forma que quanto mais equilibrado é o sistema familiar maior a capacidade de autocontrolo dos adolescentes.

Por outro lado, os nossos resultados levam-nos a concluir que a Teoria Geral do Crime pode ser compreendida sob o paradigma do funcionamento familiar apresentado no Modelo Circumplexo dos Sistemas Familiares e Conjugais (Olson, 2011), em que os sistemas familiares equilibrados, com níveis balanceados de coesão e flexibilidade familiar, são mais condutivos ao desenvolvimento individual saudável, em que os adolescentes apresentam níveis de autocontrolo mais elevados. Nestes contextos familiares, os adolescentes podem passar algum tempo separado mas também junto com as suas famílias, onde a tomada de decisões é partilhada, onde a liderança tende a ser democrática, onde existem papéis estáveis que podem ser partilhados, em que as regras familiares são consistentes e adequam melhor as necessidades do desenvolvimento dos seus elementos (Olson, 2011; Olson & Gorall, 2003).

Na segunda hipótese testámos o modelo proposto na Teoria Geral do Crime no qual o autocontrolo seria mediador da relação entre o funcionamento familiar e o comportamento delinquente juvenil. Por forma a testar este modelo de mediação desenvolvemos um conjunto de análises estatísticas que nos permitiram concluir que, consistentemente com a multiplicidade de estudos prévios (e.g., Arneklev, Elis, & Medlicott, 2006; Longshore, Turner, & Stein, 1996; Pauwels et al., 2011; Pratt & Cullen, 2000; Vazsonyi & Huang, 2010), o autocontrolo se relaciona fortemente com o comportamento delinquente, adicionando-se ao vasto suporte empírico para esta hipótese central da Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990).

Mais ainda, nesta análise de dados pudemos demonstrar como o Rácio do funcionamento familiar está significativamente associado com o comportamento delinquente juvenil, destacando a relevância e a adequação do Modelo Circumplexo (Olson, 2011) no estudo da conduta criminal e de comportamentos semelhantes.

Finalmente, o efeito direto do funcionamento familiar no comportamento delinquente dos adolescentes desapareceu depois de controlarmos para a mediação do autocontrolo. Assim, a análise dos resultados permite-nos concluir que o autocontrolo medeia totalmente a relação estabelecida entre o funcionamento familiar e a delinquência juvenil. Os resultados do presente trabalho coincidem com aqueles encontrados por Feldman e Weinberger (1994), e McKee (2012), que encontraram também o modelo de mediação total entre estas variáveis, contrariamente aos resultados de alguns autores que encontraram que o autocontrolo apenas mediava parcialmente este efeito (e.g., Hay, 2001; Miller et al., 2009; Vettenburg et al., 2013).

Estas descobertas suportam as preposições da Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990), em que o papel primário do contexto familiar no que concerne ao comportamento delinquente é desenrolado através da sua incapacidade de promover competências de autocontrolo nas crianças, que, por sua vez, é considerado como a premissa central da delinquência juvenil.

Concluindo, podemos referir que o Modelo Circumplexo de Olson (2011) se revelou uma mais-valia na compreensão do papel desenrolado pela família na Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990), bem como o modelo de mediação em que que a relação entre o funcionamento familiar e o comportamento delinquente adolescente é totalmente mediado pelo autocontrolo, como sugerem Gottfredson e Hirschi (1990).

Assim, parece-nos que investigação futura deve continuar a explorar mais preposições da Teoria Geral do Crime (Gottfredson & Hirschi, 1990) tendo em consideração o Modelo Circumplexo de Olson (2011), bem como outros modelos sistémicos. Além disso, seria importante explorar como diferentes estilos familiares se relacionam com o desenvolvimento do autocontrolo e comportamento delinquente.

 

REFERÊNCIAS

Arneklev, B., Elis, L., & Medlicott, S. (2006). Testing the general theory of crime: Comparing the effects of “imprudent behavior” and an attitudinal indicator of “low self-control”. Western Criminology Review, 7, 41-55.

Ausloos, G. (1996). A competência das famílias: Tempo, caos, processo. Lisboa: Climepsi.         [ Links ]

Baron, R., & Kenny, D. (1986). The moderator-mediator variable distinction in social psychological research: Conceptual, strategic, and statistical considerations. Journal of Personality and Social Psychology, 51, 1173-1182.         [ Links ]

Blaske, D., Bourduin, C., Henggeler, S., & Mann, B. (1989). Individual, family, and peer characteristics of adolescent sex offenders and assaultive offenders. Developmental Psychology, 25, 846-855.         [ Links ]

Boutwell, B., & Beaver, K. (2010). The role of broken homes in the development of self-control: A propensity score matching approach. Journal of Criminal Justice, 38, 489-495.         [ Links ]

Brook, J., Pahl, K., & Cohen, P. (2008). Associations between marijuana use during emerging adulthood and aspects of the significant other relationship in young adulthood. Journal of Child and Family Studies, 17, 1-12.         [ Links ]

Cochran, J., Wood, P., Sellers, C., Wilkerson, W., & Chamlin, M. (1998). Academic dishonesty and low self-control: An empirical test of a general theory of crime. Deviant Behavior, 19, 227-255.         [ Links ]

Compton, M., Thompson, N., & Kaslow, N. (2005). Social environment factors associated with suicide attempt among low-income African Americans: The protective role of family relationships and social support. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 40, 175-185.         [ Links ]

Desmond, S., Bruce, A., & Stacer, M. (2012). Self-control, opportunity, and substance use. Deviant Behavior, 33, 425-447.         [ Links ]

Feldman, S., & Weinberger, D. (1994). Self-restraint as a mediator of family influences on boys’ delinquent behavior: A longitudinal study. Child Development, 65, 195-211.

Fonseca, A. (2002). Uma escala de autocontrolo: Dados preliminares para a população portuguesa. Psychologica, 30, 193-202.         [ Links ]

Fonseca, A., & Simões, A. (2002). A teoria geral do crime de Gottfredson e Hirschi: O papel do autocontrolo, da família e das oportunidades. In A. Fonseca (Ed.), Comportamento anti-social e família (pp. 245-267). Coimbra: Almedina.         [ Links ]

Goode, E. (2008). Out of control: Assessing the general theory of crime. Stanford: Stanford University Press.         [ Links ]

Gorman-Smith, D., Henry, D., & Tolan, P. (2004). Exposure to community violence and violence perpetration: The protective effects of family functioning. Journal of Clinical Child and Adolescent Psychology, 33, 439-449.         [ Links ]

Gottfredson, M., & Hirschi, T. (1990). A general theory of crime. Stanford: Stanford University Press.         [ Links ]

Gouveia-Pereira, M. (2009). Percepções de justiça e comportamentos desviantes na adolescência – Que ética? Livro de Actas do III Colóquio Europeu de Psicologia e Ética. Lisboa: ISPA.

Gouveia-Pereira, M., Abreu, S., & Martins, C. (2014). How do families of adolescents with suicidal ideation function? Psicologia: Reflexão e Crítica, 27, 171-178.         [ Links ]

Gouveia-Pereira, M., Gomes, H., Martins, C., Miranda, M., & Coutinho, S. (2014). Validação e adaptação da Escala de Avaliação de Coesão e Flexibilidade Familiar para a população portuguesa (FACES IV). Manuscrito em preparação.         [ Links ]

Grasmick, H., Tittle, C., Bursik, R., & Arneklev, B. (1993). Testing the core empirical implications of Gottfredson and Hirschi’s general theory of crime. Journal of Research in Crime and Delinquency, 30, 5-29.

Hay, C. (2001). Parenting, self-control, and delinquency: A test of self-control theory. Criminology, 39, 707-736.         [ Links ]

Henry, D., Tolan, P., & Gorman-Smith, D. (2001). Longitudinal family and peer group effects on violence and nonviolent delinquency. Journal of clinical child psychology, 30, 172-186.         [ Links ]

Hirschi, T. (2004). Self-control and crime. In R. Baumeister & K. Vohs (Eds.), Handbook of self-regulation: Research, theory, and applications (pp. 537-552). New York: Guilford Press.         [ Links ]

Kliewer, W., Murrelle, L., Prom, E., Ramirez, M., Obando, P., Sandi, L., & Karenkeris, M. (2006). Violence exposure and drug use in Central American youth: Family cohesion and parental monitoring as protective factors. Journal of Research on Adolescence, 16, 455-478.         [ Links ]

Longshore, D., Turner, S., & Stein, J. (1996). Self-control in a criminal sample: An examination of construct validity. Criminology, 34, 209-228.         [ Links ]

Mandara, J., & Murray, C. (2000). Family functioning on African American adolescent self-esteem. Journal of Family Psychology, 14, 475-490.         [ Links ]

Matherne, M., & Thomas, A. (2001). Family environment as a predictor of adolescent delinquency. Adolescence, 36, 655-664.         [ Links ]

McGaha, J., & Leoni, E. (1995). Family violence, abuse, and related family issues of incarcerated delinquents with alcoholic parents compared to those with nonalcoholic parents. Adolescence, 30, 473-482.         [ Links ]

McKee, J. (2012). The moderation effects of family structure and low self-control. American Journal of Criminal Justice, 37, 356-377.         [ Links ]

Meldrum, R. (2008). Beyond parenting: An examination of the etiology of self-control. Journal of Criminal Justice, 36, 244-251.         [ Links ]

Meldrum, R., Young, J., & Hay, C. (2012). Does self-control influence maternal attachment? A reciprocal effects analysis from early childhood through middle adolescence. Journal of Quantitative Criminology, 28, 673-699.         [ Links ]

Miller, H., Jennings, W., Alvarez-Rivera, L., & Lanza-Kaduce, L. (2009). Self-control, attachment, and deviance among Hispanic adolescents. Journal of Criminal Justice, 37, 77-84.         [ Links ]

Minuchin, S. (1988). Famílias, Funcionamento e Tratamento. São Paulo: Artes Médicas.         [ Links ]

Natakusumah, A., Piercy, F., Robert, L., Sprenckle, D., & Trepper, T. (1992). Cohesion and adaptability in families of adolescent drug abusers in the United States and Indonesia. Journal of Comparative Family Studies, 23, 389-411.         [ Links ]

Olson, D. (2000). Circumplex model of marital and family systems. Journal of Family Therapy, 22, 144-167.         [ Links ]

Olson, D. (2011). FACES IV and the circumplex model: Validation study. Journal of Marital & Family Therapy, 3, 64-80.         [ Links ]

Olson, D., & Gorall, D. (2003). Circumplex codel of marital and family systems. In F. Walsh (Ed.), Normal family processes: Growing diversity and complexity (3rd ed., pp. 514-548). New York: Guilford Press.         [ Links ]

Pauwels, L., & Svensson, R. (2009). Adolescent lifestyle risk by gender and ethnic background: Findings from two urban samples. European Journal of Criminology, 6, 5-23.         [ Links ]

Pauwels, L., Weerman, F., Bruinsma, G., & Bernasco, W. (2011). Perceived sanction risk, individual propensity and adolescent offending: Assessing key findings from the deterrence literature in a Dutch sample. European Journal of Criminology, 8, 386-400.         [ Links ]

Phythian, K., Keane, C., & Krull, C. (2008). Family structure and parental behavior: Identifying the sources of adolescent self-control. Western Criminology Review, 9, 73-87.         [ Links ]

Polakowski, M. (1994). Linking self- and social control with deviance: Illuminating the structure underlying a general theory of crime and its relation to deviant activity. Journal of Quantitative Criminology, 10, 41-78.         [ Links ]

Pratt, T., & Cullen, F. (2000). The empirical status of Gottfredson and Hirschi’s general theory of crime: A meta-analysis. Criminology, 38, 931-964.

Pratt, T., Turner, M., & Piquero, A. (2004). Parental socialization and community context: A longitudinal analysis of the structural sources of low self-control. Journal of Research in Crime and Delinquency, 41, 219-243.         [ Links ]

Rebellon, C., Straus, M., & Medeiros, R. (2008). Self-control in global perspective: An empirical assessment of Gottfredson and Hirschi’s general theory within and across 32 national settings. European Journal of Criminology, 5, 331-362.

Sanches, C., Gouveia-Pereira, M., Maroco, J., Gomes, H., & Roncon, F. (2014). Development and validation of a Portuguese variety scale of youth delinquent behavior. Manuscript submitted for publication.         [ Links ]

Sampaio, D., & Gameiro, J. (2005). Terapia familiar (6th ed.). Porto: Afrontamento.         [ Links ]

Shields, G., & Clark, R. (1995). Family correlates of delinquency: Cohesion and adaptability. Journal of Sociology and Social Welfare, 22, 93-106.         [ Links ]

Tafá, M., & Baiocco, R. (2009). Addictive behavior and family functioning during adolescence. The American Journal of Family Therapy, 37, 388-395.         [ Links ]

Tolan, P., Gorman-Smith, D., Huesmann, L., & Zelli, A. (1997). Assessment of family relationship characteristics: A measure to explain risk for antisocial behavior and depression among urban youth. Psychological Assessment, 9, 212-223.         [ Links ]

Vazsonyi, A., & Belliston, L. (2007). The Family → Low Self-Control → Deviance: A cross-cultural and cross-national test of self-control theory. Criminal Justice and Behavior, 34, 505-530.

Vazsonyi, A., & Huang, L. (2010). Where self-control comes from: On the development of self-control and its relationship to deviance over time. Developmental Psychology, 46, 245-257.         [ Links ]

Vazsonyi, A., & Klanjsek, R. (2008). A test of self-control theory across different socioeconomic strata. Justice Quarterly, 25, 101-131.         [ Links ]

 

CORRESPONDÊNCIA

A correspondência relativa a este artigo deverá ser enviada para: Hugo Miguel dos Santos Gomes, ISPA – Instituto Universitário, Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa, Portugal; E-mail: hugo.santos.gomes.gmail.com

 

Submissão: 29/09/2014 Aceitação: 29/09/2014

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons