SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.31 número3Scaffolding verbal materno e coerência estrutural narrativa da criança em idade pré-escolarValidação do Inventário Feminino de Vivências do Processo de Separação e Divórcio (IFVPSD) índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

Compartilhar


Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica vol.31 no.3 Lisboa set. 2013

 

Delinquência juvenil no feminino: Um estudo comparativo de raparigas institucionalizadas

Pedro Pechorro*; Ana Paula Gama**; Maria Manuela Guerreiro***; João Marôco****; Rui Abrunhosa Gonçalves*****

* Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias;

** Centro de Investigação em Ciências da Saúde e Comportamentais, INUAF;

*** Direcção-Geral de Reinserção Social e Serviços Prisionais;

**** ISPA – Instituto Universitário;

***** Escola de Psicologia, Universidade do Minho

Correspondência

 

RESUMO

A presente investigação teve como objectivo analisar o papel desempenhado na delinquência juvenil feminina pelos constructos de traços psicopáticos, problemas de comportamento, comportamentos delinquentes e auto-estima. Recorrendo a 249 jovens do sexo feminino, subdivididas em grupo forense (n=93) e em grupo escolar (n=156), foram analisadas diferenças a nível de variáveis sócio-demográficas, traços psicopáticos, perturbação do comportamento, problemas de comportamento, comportamentos delituosos, auto-estima e desejabilidade social. Os resultados indicaram que as jovens do grupo forense apresentam valores significativamente mais elevados em traços psicopáticos, categoria psicopática, perturbação de comportamento, problemas de comportamento e comportamentos delituosos, mas não foram encontradas diferenças relativamente a auto-estima e desejabilidade social. Um modelo de regressão logística binária confirmou a importância dos traços psicopáticos e da categoria psicopática na predição de pertença das jovens aos grupos forense e escolar.

Palavras-chave: Auto-estima, Comportamentos delinquentes, Delinquência juvenil feminina, Desejabilidade social, Problemas de comportamento, Traços psicopáticos.

 

ABSTRACT

The objective of the present study was to analyze the role played by psychopathic traits, behavior problems, delinquent behaviors and self-esteem in female juvenile delinquency. With a total of 249 female participants, subdivided in forensic group (n=93) and school group (n=156), the results showed that youths from the forensic group scored higher on psychopathic traits, psychopathic taxon membership, conduct disorder, behavior problems and delinquent behaviors. No differences were found regarding self-esteem and social desirability. A binary logistic regression model confirmed the importance of psychopathic traits and psychopathy membership as predictor variables.

Key-words: Behavior problems, Delinquent behaviors, Female juvenile delinquency, Psychopathic traits, Self-esteem, Social desirability.

 

O estudo dos traços psicopáticos em crianças e adolescentes, que era um tópico quase ignorado até há alguns anos atrás (Verona & Vitale, 2006), tem levado a um interesse renovado pelo estudo do constructo da psicopatia. O trabalho dos investigadores neste campo, que têm vindo a modificar este constructo originalmente concebido tendo em mente adultos do sexo masculino, tem proporcionado o desenvolvimento de instrumentos de avaliação apropriados a outras populações, nas quais se inclui o sexo feminino. Acumulam-se evidências de que os traços psicopáticos em jovens estarão associados a uma maior estabilidade e frequência dos comportamentos anti-sociais, a comportamentos delinquentes mais graves e violentos, a um início precoce das actividades criminais, a detenções precoces pela polícia e a condenações precoces pelos tribunais (e.g., Forth & Book, 2010; Kruh, Frick, & Clements, 2005; Van Baardewijk, Vermeiren, Stegge, & Doreleijers, 2011). Todavia, a adaptação do constructo da psicopatia a menores de idade continua a ser um tema ainda bastante controverso (Seagrave & Grisso, 2002), especialmente no que concerne ao sexo feminino.

Geralmente a psicopatia é conceptualizada como uma síndrome que se mantém ao longo da vida e que engloba uma constelação categorial de traços extremos a nível interpessoal, afectivo, comportamental e de estilo de vida. Os sujeitos psicopáticos tendem a demonstrar comportamentos violentos proactivos com mais frequência, motivados por razões instrumentais como ganhos materiais e vingança (e.g., Serin, 1991). Os traços psicopáticos, que podem ser definidos desde o ponto de vista dimensional, referem-se a um padrão manipulador, enganador, insensível e sem remorsos que tem vindo a ser associado a um tipo de comportamento anti-social mais persistente, grave e de início precoce, com preferência por actividades excitantes e perigosas (e.g., Andershed, Gustafson, Kerr, & Stattin, 2002; Frick, Kimonis, Dandreaux, & Farrel, 2003; Vitacco, Neumann,Robertson, & Durrant, 2002).

Recentemente tem-se vindo a modificar a rede nomológica da psicopatia e a adaptar os instrumentos de investigação existente sobre a psicopatia a menores de idade de ambos os sexos. Alguns autores (e.g., Frick, 1998; Lynam, 1996, 1997) defendem que os menores que exibem uma combinação de impulsividade, hiperactividade e défice de atenção, bem como de perturbação do comportamento, teriam uma variante especialmente nefasta de perturbação de comportamento que os tornava similares aos psicopatas adultos. Através de medidas de psicopatia, de comportamento anti-social e de tarefas laboratoriais construídas para avaliar a modulação de respostas (e.g., dificuldade em adiar a gratificação), estes menores poderiam ser identificados.

Até este momento, a investigação efectuada sugere que o constructo da psicopatia poderá ter uma estrutura factorial bi-dimensional ou tridimensional. A literatura tem salientado o papel dos traços calosos/não emocionais (também designados por insensibilidade ou frieza emocional), definidos como um estilo afectivo (e.g., ausência de culpa, restrição da emoção demonstrada) e interpessoal (e.g., falta de empatia) que emerge como uma dimensão distinta; este tipo de traços têm sido referenciados como tendo a capacidade de diferenciar um tipo de jovens delinquentes especialmente mais graves e agressivos (Caputo, Frick, & Brosky, 1999; Kruh, Frick, & Clements, 2005) de uma forma que outras facetas do constructo não conseguem.

Os traços psicopáticos e os comportamentos anti-sociais (Forth & Book, 2010) têm em comum a sua forte associação mútua e a sua grande estabilidade da infância à idade adulta (Farrington, 1989; Huesmann, Eron, Lefkowitz, & Walder, 1984; Moffitt, 1993). A co-morbilidade dos traços psicopáticos com outras perturbações é alta, podendo até ser considerada a regra (Frick, 1998). Cada vez mais se têm acumulado evidências de que os menores diagnosticados com combinações co-mórbidas das Perturbações Disruptivas do Comportamento e de Défice de Atenção (DSM-IVTR) exibem um tipo de comportamento anti-social particularmente grave e agressivo semelhante ao dos adultos com psicopatia (Barry, Frick, DeShazo, McCoy, Ellis, & Loney, 2000; Leistico, Salekin, DeCoster, & Rogers, 2008; Lynam, 1996, 1998).

Salekin, Leistico, Neumann, DiCicco e Duros (2004) analisaram a relação entre psicopatia juvenil e psicopatologia externalizante definida em termos de comportamentos disruptivos, tendo concluído pela existência de correlações moderadas altas (r=.36 – .49) entre as ambas. Sevecke e Kosson (2010) evidenciaram existência de uma ligação retrospectiva entre psicopatia no adulto e perturbações do comportamento na infância, tais como início precoce de comportamentos antisociais, violência crónica, delitos diversificados e impulsividade. Myers, Burket e Harris (1995) estudaram a relação entre psicopatia e certas formas de psicopatologia em adolescentes hospitalizados, tendo encontrado correlações positivas e estatisticamente significativas da psicopatia com Perturbação do Comportamento e com comportamentos anti-sociais. Frick, Barry e Bodin (2000) encontraram correlações fortes e significativas (R=.52 – .65; p ≤ .001) entre as dimensões do APSD (Impulsividade, Narcisismo e Traços Calosos/Não-emocionais) e a Perturbação do Comportamento.

A auto-estima é outro constructo associado frequentemente à delinquência juvenil. Desde há muito que psicólogos, sociólogos e criminologistas consideram que esta se correlaciona de forma importante com o comportamento anti-social (Caldwell, Beutler, Ross, & Silver, 2006; Mason, 2001). A baixa auto-estima pode levar o jovem a relacionar-se com outros jovens com comportamentos anti-sociais dado que estes satisfazem as necessidades afectivas em termos de amizade e de apoio afectivo. Barnow, Lucht e Freyberger (2005) demonstraram como os adolescentes com baixa auto-estima são mais frequentemente rejeitados pelos seus pares e como esta rejeição produz um ciclo vicioso que amplifica o comportamento violento. Outras evidências empíricas (e.g., Baumeister, Smart, & Boden, 1996; Toch, 1993) demonstram que os jovens com baixa auto-estima tendem a envolver-se em comportamentos anti-sociais com mais frequência e que a sua auto-estima sai aumentada como consequência desse envolvimento anti-social.

A presente investigação pretendeu contribuir para o estudo da delinquência juvenil feminina em Portugal, tema escassamente investigado na literatura da especialidade. Tendo em mente a revisão de literatura efectuada anteriormente colocámos duas hipóteses: (a) as jovens institucionalizadas em Centros Educativos apresentam valores significativamente mais elevados em traços psicopáticos, categoria psicopática, perturbação de comportamento, problemas de comportamento e comportamentos delituosos, além de valores mais baixos de auto-estima; (b) é possível predizer a pertença das jovens aos grupos forense e escolar a partir dos valores obtidos nas medidas de traços psicopáticos e categoria psicopática.

MÉTODO

Participantes

O grupo total final ficou constituído por 249 participantes do sexo feminino, sendo que desse total 93 participantes (M=15.78 anos; DP=1.30 anos; amplitude=13-18 anos) foram provenientes dos Centros Educativos do Ministério da Justiça e constituíram o grupo forense, e 156 participantes (M=15.87 anos; DP=1.45 anos; amplitude=13-20 anos) foram provenientes de estabelecimentos públicos de ensino da grande Lisboa e constituíram o grupo escolar.

Na tabela seguinte podem observar-se os dados relativos a proveniência, número e percentagem de participantes (ver Tabela 1).

 

 

Relativamente à caracterização de tipo criminal do grupo forense as participantes tiveram o seu primeiro envolvimento em actividades criminais aos 12 anos (M=12.38 anos; DP=1.71), o seu primeiro problema com a lei aos 13 anos (M=13.13 anos; DP=1.51), a sua primeira entrada em Centro Educativo aos 15 anos (M=15.09 anos; DP=1.2), haviam sido condenadas a 19 meses de internamento (M=19.15; DP=5.17), na sua maioria (85.7%) estavam internadas devido a crimes considerados graves e/ou violentos, haviam sido condenadas a medida de internamento (60.7%) e estavam em regime semi-aberto (67.9%).

Medidas

O Dispositivo de Despiste de Processo Anti-social versão de auto-resposta (Antisocial Process Screening Device – APSD-SR; Frick & Hare, 2001; Pechorro, Marôco, Poiares, & Vieira, 2011a) é uma medida psicométrica multi-dimensional de 20 itens projectada para avaliar traços psicopáticos em jovens. Originalmente chamado Psychopathy Screening Device (PSD), foi modelado a partir da Psychopathy Checklist – Revised (PCL-R; Hare, 2003). Cada item é cotado numa escala ordinal de 3 pontos (Nunca=0, Algumas vezes=1, Frequentemente=2), sendo que pontuações mais altas significam a elevação da presença dos traços em questão. A pontuação total e as pontuações de cada dimensão são obtidas somando os respectivos itens. Alguns estudos (e.g., Frick, O’Brien, Wootton, & McBurnett, 1994; Pechorro, 2011) evidenciam a existência de dois factores: traços calosos/não-emocionais (CU; que explora dimensões interpessoais e afectivas da psicopatia como a falta de culpa e a ausência de empatia) e impulsividade/problemas de comportamento (I-CP; que explora aspectos comportamentais a nível de problemas de comportamento e controlo de impulsos). Outros estudos (e.g., Frick, Barry, & Bodin, 2000) evidenciam a existência de três factores: traços calosos/não-emocionais (CU), narcisismo (Nar) e impulsividade (Imp). Pontuações mais elevadas indicam a presença das características associadas a cada factor. A consistência interna por alfa de Cronbach obtida no presente estudo foi: APSDSR total=.75; APSD-SR I-CP=.77, APSD-SR CU=.56.

A Escala Taxonómica para Crianças e Adolescentes (Child and Adolescent Taxon Scale – CATS; Pechorro, 2011; Quinsey, Harris, Rice, & Cormier, 2006) é uma rating scale actuarial desenvolvida a partir de oito variáveis relacionadas com conduta anti-social e agressiva na infância e adolescência que permitem discriminar os indivíduos pertencentes à categoria anti-social dos que não pertencem (psicopatas versus não-psicopatas). A escala tem 8 itens dicotómicos (Não=0; Sim=1). Devido a ser uma medida actuarial não foi calculada a consistência interna.

O Questionário de Capacidades e Dificuldades na versão de auto-resposta (Strengths and Difficulties Questionnaire – Self-report – SDQ-SR; Goodman, Meltzer & Bailey, 1998; Pechorro, Poiares e Vieira, 2011) é um questionário comportamental curto, dirigido a pré-adolescentes e adolescentes, composto por 25 itens em escala ordinal de 3 pontos (Nunca=0, Por vezes=1, Muitas vezes=2). O SDQ tem uma estrutura de cinco dimensões: Sintomas emocionais (ES), Problemas de comportamento (CP), Hiperactividade (H), Problemas com os pares (PP) e Comportamento pró-social (P). As consistências internas por alfa de Cronbach para o presente estudo foram: ES=.51; CP=.46; H .52; PP .43; P=.61. Estes resultados são baixos, mas mesmo assim aceitáveis para fins de investigação.

A Escala de Auto-Estima de Rosenberg (Rosenberg Self-Esteem Scale – RSES; Pechorro, Marôco, Poiares, & Vieira, 2011b; Rosenberg, 1979, 1989) é uma medida breve de auto-resposta que avalia a auto-estima em adolescentes e adultos. A RSES pode ser cotada simplesmente somando os dez itens em escala ordinal de 4 pontos (Discordo fortemente=0, Discordo=1, Concordo=2, Concordo fortemente=3), após se ter efectuado a reversão dos itens apropriados (nomeadamente os itens 2, 5, 6, 8 e 9). Pontuações mais altas indicam níveis de auto-estima mais altos. A consistência interna por alfa de Cronbach obtida no presente estudo foi de .79.

A Escala de Delinquência Auto-reportada Adaptada (Adapted Self-reported Delinquency Scale – ASRDS; Carroll, Durkin, Houghton, & Hattie, 1996; Pechorro et al., no prelo a) é uma medida de auto-resposta adaptada constituída por 38 itens que mede o envolvimento dos adolescentes em actividades ilegais e anti-sociais. A ASRDS pode ser cotada somando os itens em escala ordinal de 3 pontos (Nunca=0, Algumas vezes=1, Frequentemente=2), sendo que pontuações mais altas significam indicam maior envolvimento em actividade criminal. A consistência interna por alfa de Cronbach obtida no presente estudo foi de .96.

A Escala de Desejabilidade Social de Marlowe-Crowne (Marlowe-Crowne Social Desirability Scale – MCSDS; Crowne & Marlowe, 1960) na versão curta compósita foi desenvolvida por Ballard (1992) a partir da escala original de Marlowe-Crowne. Esta versão curta ficou conhecida como MCSDS-SF (Pechorro et al., no prelo b), sendo provavelmente a mais utilizada de todas as subescalas derivadas da original. A consistência interna por Kuder-Richardson obtida no presente estudo foi de .60.

Adicionalmente foi construído um questionário sócio-demográfico e criminal para descrever as características sócio-demográficas das participantes e analisar o efeito moderador dessas variáveis. Este questionário incluiu questões como a idade das participantes, a sua nacionalidade, grupo étnico, o sexo, a proveniência rural versus urbana, os anos de escolaridade completados, o nível sócio-económico dos pais e o estado civil dos pais. O questionário focou-se também na caracterização criminal do grupo forense, incluindo questões como idade do primeiro problema com a lei. Utilizou.se também o diagnóstico de Perturbação de Comportamento da DSM-IV-TR (American Psychiatric Association, 2002).

Procedimentos

O leque etário para participação das jovens na investigação foi previamente fixado entre os 12 anos e os 20 anos dado ser esse o intervalo etário abrangido pela Lei Tutelar-Educativa no sistema judicial português. Cada questionário aplicado foi precedido por um termo de consentimento informado, em que era dado conhecimento do carácter voluntário e confidencial de participação no estudo.

A recolha dos questionários em meio forense decorreu individualmente após se ter obtido autorização por parte da Direcção-Geral de Reinserção Social (DGRS), Ministério da Justiça. Foram feitas aplicações em todos os Centros Educativos existentes a nível nacional. Nem todos as jovens concordaram ou puderam participar, sendo que a não participação incluiu motivos como recusa em participar, impossibilidade de participar devido a não entendimento da língua portuguesa e impossibilidade de participar devido a questões de segurança. A taxa de participação foi de cerca de 90%. Todos os questionários dos jovens que participaram foram considerados válidos.

A recolha dos questionários em meio escolar decorreu após se ter obtido autorização por parte da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC), Ministério da Educação. Foram aleatoriamente seleccionadas doze escolas básicas/secundárias da região da grande Lisboa, das quais quatro concordaram em participar. Os motivos da não participação incluíram ausência sistemática de resposta ao pedido de colaboração efectuado pelo investigador, alegadas questões relativas à organização interna das escolas que impossibilitaram a colaboração, além de recusa em colaborar devido ao conteúdo forense do questionário. As escolas que aceitaram participar solicitaram que a participação de cada aluna fosse previamente autorizada através de um termo de consentimento assinado pelo encarregado de educação. No final, foram excluídos cerca de 13% das participantes devido a estarem fora do intervalo etário estabelecido ou a motivos como terem entregado questionários não preenchidos, incompletos ou ilegíveis.

Os dados relativos aos questionários considerados válidos foram inseridos e posteriormente tratados em SPSS v19 (IBM SPSS, 2010). Após a inserção dos dados ter sido feita foram aleatoriamente seleccionados 10% dos questionários inseridos, de forma a avaliar a qualidade de inserção dos mesmos. A qualidade foi considerada muito boa dada a quase ausência de erros de inserção.

Relativamente às comparações entre grupos utilizaram-se técnicas paramétricas quando se estava perante uma distribuição normal (assimetria e curtose entre -2 e 2), recorrendo-se à correcção de Welch em caso de ausência de homogeneidade de variâncias. Quando não se estava presente perante uma distribuição normal optou-se pelas técnicas não paramétricas, nomeadamente o teste U de Mann-Whitney. Foram calculadas a dimensão do efeito e a potência do teste (Marôco, 2010). Utilizou-se também regressão logística binária (codificação da variável dependente: grupo escolar=0; grupo forense =1).

RESULTADOS

Na fase inicial do tratamento de dados foram analisadas as variáveis moderadoras incluídas no questionário sócio-demográfico. Os resultados demonstraram que as participantes do grupo forense tinham menos anos de escolaridade completos (F=388.658, p≤.001), mais progenitores com baixo nível sócio-económico (U=3726.5, p≤.001), mais progenitores divorciados/separados ou falecidos (χ2=48.789, p≤.001), maior número de co-habitantes no agregado familiar (U=5435, p≤.05), maior quantidade de irmãos/meios-irmãos (U=3386.5, p≤.001), tinham proporcionalmente mais outras nacionalidades (χ2=14.356, p≤.01), tomavam mais medicamentos psiquiátricos (χ2=19.112, p≤.001) e eram proporcionalmente mais diagnosticadas com Perturbação do Comportamento (χ2=194.097, p≤.001). Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o grupo forense e o grupo escolar relativamente à idade dos participantes, à etnia e à proveniência rural versus urbana.

Relativamente aos instrumentos, na comparação dos grupos quanto ao APSD-SR e CATS foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (ver Tabela 2). No caso do APSD-SR I-CP a dimensão do efeito por Eta parcial ao quadrado (ηp2) foi de .71 e a potência de 1. Na dimensão APSD-SR CU o ηp2 foi de .75 e a potência de 1. Na CATS o ηp2 foi de .45 e a potência de 1.

 

 

Na comparação dos grupos quanto às escalas do SDQ-SR foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas escalas CP, H e PP (ver Tabela 3). No caso da escala ES o ηp2 foi de .83 e a potência de 1. Na escala CP o ηp2 foi de .69 e a potência de 1. Na escala H o ηp2 foi de .81 e a potência de 1. Na escala PP o r foi de -.20 e a potência de .95. Na escala PP o r foi de -.05 e a potência de .95.

 

 

Na comparação dos grupos quanto a ASRDS, RSES e MCSDS-SF foram encontradas diferenças estatisticamente significativas apenas na ASRDS (ver Tabela 4). Na ASRDS o ηp2 foi de .54 e a potência de 1. Na RSES o ηp2 foi de .95 e a potência 1. Na MCSDS-SF o ηp2 foi de .98 e a potência de 1.

 

 

Para avaliar a significância dos traços psicopáticos e da pertença à categoria psicopática na predição da pertença ao grupo forense ou ao grupo escolar recorreu-se à regressão logística binária pelo método Enter (Tabachnick & Fidell, 2007). Utilizou-se a Tolerância e o VIF para comprovar a inexistência de multicolinearidade (Leech, Barrett, & Morgan, 2008). As variáveis apresentadas na Tabela 5, quando consideradas em conjunto, prediziam de forma estatisticamente significativa ou marginalmente significativa a pertença aos grupos forense e escolar.

 

 

O modelo foi também utilizado para classificar os sujeitos que participaram no estudo, tendo-se observado uma percentagem de classificação geral correcta de 98.4%, o que demonstra a utilidade do modelo para classificar novas observações. O modelo obteve ainda uma excelente sensibilidade (97.8%) e especificidade (98.7%).

DISCUSSÃO

Na comparação dos participantes do sexo feminino do grupo forense com o grupo escolar relativamente às variáveis sócio-demográficas constatámos a existência de diferenças estatisticamente significativas em muitas das variáveis analisadas. Todavia, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas variáveis à idade dos participantes, à etnia e à proveniência rural versus urbana, que são geralmente consideradas importantes variáveis moderadoras a ter em conta.

Na comparação das participantes do grupo forense com o grupo escolar relativamente aos instrumentos foram encontradas diferenças estatisticamente significativas na maioria das escalas e respectivas dimensões analisadas. O grupo forense obteve valores mais altos no APSD-SR I-CP, APSD-SR CU e CATS. Estes resultados foram na sua maioria de encontro às hipóteses formuladas de que o grupo forense obteria valores mais elevados no constructo de psicopatia (e.g., Andershed et al., 2002; Frick et al., 2003; Vitacco et al., 2002). Encontrámos, portanto, evidências da utilidade da aplicação do constructo da psicopatia relativamente à população forense juvenil feminina.

No SDQ-SR o grupo forense obteve valores mais altos em Problemas de Comportamento (CP), em Hiperactividade (H) e em Problemas de Relacionamento com os Colegas (PP). Apenas relativamente a Sintomas Emocionais (ES) e a Comportamento Pró-social (P) não foram encontradas diferenças significativas. Estes resultados foram na sua maioria ao encontro das nossas hipóteses, dada a ligação que é sabido haver entre os comportamentos disruptivos / défice de atenção e os comportamentos anti-sociais que caracterizam o grupo forense (e.g., Barry et al., 2000; Lynam, 1996; Salekin et al., 2004).

Na ASRDS o grupo forense obteve valores mais altos em delinquência auto-relatada; estes resultados foram consonantes com o que era esperado, nomeadamente no maior envolvimento das jovens do grupo forense em actividades de tipo criminal (e.g., Thornberry & Krohn, 2000). Na RSES não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas; estes resultados não foram ao encontro do que era esperado, dada a ligação que é referida na literatura entre delinquência e auto-estima baixa (e.g., Donnellan, Trzesniewski, Robins, Moffitt, & Caspi, 2005; McCarthy & Hoge, 1984; Wooldredge, Harman, Latessa, & Holmes, 1994). É possível que estejamos perante uma variação relacionada com o sexo feminino. Na MCSDS-SF não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas a nível de desejabilidade social (i.e., não se encontraram diferenças na forma como os participantes se retratavam a si próprios em termos de exagerarem os seus aspectos positivos ou minimizarem os aspectos negativos), pelo que se assume que não houve enviesamentos relacionados com esta variável.

Podemos concluir que existe heterogeneidade na caracterização sócio-demográfica e criminal nas jovens pertencentes aos dois grupos, que também ocorre ao nível dos constructos medidos pelos instrumentos psicométricos. As variáveis estudadas, na sua maioria, permitem diferenciar entre os dois grupos a nível psicológico e relacional. Existem, portanto, evidências que permitem corroborar a hipótese inicialmente colocada de que as jovens do grupo forense apresentam valores significativamente mais elevados traços psicopáticos, pertença à categoria psicopática, perturbação do comportamento, problemas de comportamento e comportamentos delituosos. Relativamente à faceta da auto-estima, a essa parte da hipótese não foi confirmada.

No modelo de regressão logística binária da variável dependente grupos forense e escolar duas das variáveis independentes obtiveram valores estatisticamente significativos e a terceira foi marginalmente significativa. Os resultados obtidos no modelo de regressão reforçam a importância do constructo da psicopatia (e.g., Verona & Vitale, 2006) no estudo da população de delinquentes juvenis do sexo feminino. Também neste caso, portanto, existem evidências que permitem corroborar maioritariamente a hipótese colocada de que é possível predizer a pertença das jovens aos grupos forense e escolar a partir dos valores obtidos nas medidas de psicopatia.

Em termos de limitações da presente investigação devemos apontar alguns aspectos menos bem conseguidos. O grupo forense ficou constituído por menos participantes relativamente ao grupo escolar devido a que as institucionalizações de raparigas em Centro Educativo são relativamente pouco frequentes em Portugal, apesar de terem tendência a aumentar. Outra limitação está relacionada com a baixa consistência interna de algumas escalas utilizadas (e.g., APSD-SR Traços calosos/não-emocionais, MCSDS-SF), recomendando-se que em investigações futuras se utilizem medidas destes constructos que apresentem melhor fiabilidade.

 

REFERÊNCIAS

American Psychiatric Association. (2002). Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais (4ª ed., revisão de texto). Lisboa: Climepsi Editores.         [ Links ]

Andershed, H., Gustafson, S., Kerr, M., & Stattin, H. (2002). The usefulness of self-reported psychopathy-like traits in the study of antisocial behaviour among non-referred adolescents. European Journal of Personality, 16, 383-402.         [ Links ]

Ballard, R. (1992). Short forms of the Marlowe-Crowne Social Desirability Scale. Psychological Reports, 71, 1155-1160.         [ Links ]

Barnow, S., Lucht, M., & Freyberger, H. J. (2005). Correlates of aggressive and delinquent conduct problems in adolescence. Aggressive Behavior, 31, 24-39.         [ Links ]

Barry, C., Frick, P., DeShazo, T., McCoy, M., Ellis, M., & Loney, B. (2000). The importance of callous-unemotional traits for extending the concept of psychopathy to children. Journal of Abnormal Psychology, 109(2), 335-340.         [ Links ]

Baumeister, R., Smart, L., & Boden, J. (1996). Relation of threatened egotism to violence and aggression: The dark side of high self-esteem. Psychological Review, 103, 5-33.         [ Links ]

Caldwell, R., Beutler, L., Ross, S., & Silver, N. (2006). Brief report: An examination of the relationships between parental monitoring, self-esteem and delinquency among Mexican American male adolescents. Journal of Adolescence, 29(3), 459-464.         [ Links ]

Caputo, A., Frick, P., & Brosky, S. (1999). Family violence and juvenile sex offending: The potential role of psychopathic traits and negative attitudes toward women. Criminal Justice and Behavior, 26, 338-356.         [ Links ]

Carroll, A., Durkin, K., Houghton, S., & Hattie, J. (1996). An adaptation of Mak’s self-reported delinquency scale for western Australian adolescents. Australian Journal of Psychology, 48(1), 1-7.

Crowne, D., & Marlowe, D. (1960). A new scale of social desirability independent of psychopathology. Journal of Consulting Psychology, 24, 349-354.         [ Links ]

Donnellan, M., Trzesniewski, K., Robins, R., Moffitt, T., & Caspi, A. (2005). Low self-esteem is related to aggression, antisocial behavior, and delinquency. Psychological Science, 16, 328-335.         [ Links ]

Farrington, D. (1989). Early predictors of adolescent aggression and adult violence. Violence and Victims, 4, 79-100.         [ Links ]

Forth, A., & Book, A. (2010). Psychopathic traits in children and adolescents. In R. Salekin & D. Lynam (Eds.), Handbook of child and adolescent psychopathy (pp. 251-283). New York: The Guilford Press.         [ Links ]

Frick, P. (1998). Conduct disorders and severe antisocial behavior. New York: Plenum Publishing Corporation.         [ Links ]

Frick, P., & Hare, R. (2001). Antisocial Process Screening Device (APSD): Technical manual. Toronto: Multi-Health Systems.         [ Links ]

Frick, P., Barry, C., & Bodin, S. (2000). Applying the concept of psychopathy to children: Implications for the assessment of antisocial youth. In C. Gacono (Ed.), The clinical and forensic assessment of psychopathy: A practitioner´s guide (pp. 1-24). New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.         [ Links ]

Frick, P., Kimonis, E., Dandreaux, D., & Farrel, J. (2003). The 4 year stability of psychopathic traits in non-referred youth. Behavioral Sciences and the Law, 21, 713-736.         [ Links ]

Frick, P., O’Brien, B., Wootton, J., & McBurnett, K. (1994). Psychopathy and conduct problems in children. Journal of Abnormal Psychology, 103, 700-707.

Goodman, R., Meltzer, H., & Bailey, V. (1998). The Strengths and Difficulties Questionnaire: A pilot study on the validity of the self-report version. European Child and Adolescent Psychiatry, 7, 125-130.         [ Links ]

Hare, R. (2003). The Hare Psychopathy Checklist-Revised: Technical manual (2nd ed.). Toronto, Canada: Multi-Health Systems.         [ Links ]

Huesmann, L., Eron, L., Lefkowitz, M., & Walder, L. (1984). The stability of aggression over time and generations. Developmental Psychology, 20, 1120-1134.         [ Links ]

Kruh, I., Frick, P., & Clements, C. (2005). Historical and personality correlates to the violence patterns of juveniles tried as adults. Criminal Justice and Behavior, 32, 69-96.         [ Links ]

Leech, N., Barrett, K., & Morgan, G. (2008). SPSS for intermediate statistics: Use and interpretation (3rd ed.). New York: LEA.         [ Links ]

Leistico, A., Salekin, R., DeCoster, J., & Rogers, R. (2008). A large-scale meta-analysis relating the Hare measures of psychopathy to antisocial conduct. Law and Human Behavior, 32, 28-45.         [ Links ]

Lilienfeld, S., & Fowler, K. (2006). The self-report assessment of psychopathy: Problems, pitfalls, and promises. In C. Patrick (Ed.), Handbook of psychopathy (pp. 107-132). New York: The Guilford Press.         [ Links ]

Lipsey, M., & Derzon J. (1998). Predictors of violent or serious delinquency in adolescence and early adulthood: A synthesis of longitudinal research. In R. Loeber & D. Farrington (Eds.), Serious and violent juvenile offenders: Risk factors and successful interventions (pp. 84-105). Thousand Oaks, California: Sage Publications.         [ Links ]

Lynam, D. (1996). Early identification of chronic offenders: Who is the fledgling psychopath? Psychological Bulletin, 120, 209-243.         [ Links ]

Lynam, D. (1998). Early identification of the fledgling psychopath: Locating the psychopathic child in the current literature. Journal of Abnormal Psychology, 107, 566-575.         [ Links ]

Marôco, J. (2011). Análise estatística com o PASW Statistics (ex-SPSS). Pêro Pinheiro: ReportNumber.         [ Links ]

Mason, W. (2001). Self-esteem and delinquency revisited (again): A test of Kaplan’s Self-derogation theory of delinquent using latent growth curve modeling. Journal of Youth and Adolescence, 30(1), 83-102.

McCarthy, J., & Hoge, D. (1984). The dynamics of self-esteem and delinquency. American Journal of Sociology, 90, 396-410.         [ Links ]

Myers, W., Burket, R., & Harris, H. (1995). Adolescent psychopathy in relation to delinquent behaviors, conduct disorders, and personality disorders. Journal of Forensic Sciences, 40, 436-440.         [ Links ]

Moffitt, T. (1993). Adolescent-limited and life-persistent antisocial behaviour: A developmental taxonomy. Psychological Review, 100(4), 674-701.         [ Links ]

Pechorro, P. (2011). Delinquência juvenil: Estudo de algumas variáveis psicológicas e relacionais com ênfase nos traços psicopáticos. Dissertação de Doutoramento não publicada. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.         [ Links ]

Pechorro, P., Poiares, C., & Vieira, R. (2011). Propriedades psicométricas do Questionário de Capacidades e de Dificuldades na versão portuguesa de auto-resposta. Revista de Psiquiatria Consiliar e de Ligação, 16/19(1/2), 99-109.         [ Links ]

Pechorro, P., Marôco, J., Poiares, C., & Vieira, R. (2011a). Validation of the Portuguese version of the Antisocial Process Screening Device Self-Report with a focus on delinquent behavior and behavior problems. International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology. DOI: 10.1177/0306624X 11427174

        [ Links ]

Pechorro, P., Marôco, J., Poiares, C., & Vieira, R. (2011b). Validação da Escala de Auto-Estima de Rosenberg com adolescentes portugueses em contexto forense e escolar. Arquivos de Medicina, 25(5/6), 174-179.         [ Links ]

Pechorro, P., et al. (no prelo a). Validação duma versão da ASRDS com adolescentes portugueses. Arquivos de Medicina.         [ Links ]

Pechorro, P., et al. (no prelo b). Contributos para a validação duma versão curta da MCSDS com adolescentes portugueses. Arquivos de Medicina.         [ Links ]

Quinsey, V., Harris, V., Rice, M., & Cormier, C. (2006). Violent offenders: Appraising and managing risk (2nd ed.). Washington, DC: APA.         [ Links ]

Rosenberg, M. (1979). Conceiving the self. Malabar, FL: Krieger Publishing.         [ Links ]

Rosenberg, M. (1989). Society and the adolescent self-image. Revised edition. Middletown: Wesleyan University Press.         [ Links ]

Salekin, R., Leistico, A., Neumann, C., DiCicco, T., & Duros, R. (2004). Psychopathy and comorbidity in a young offender sample: Taking a closer look at psychopathy’s potential importance over disruptive behavior disorders. Journal of Abnormal Psychology, 113, 416-27.

Seagrave, D., & Grisso, T. (2002). Adolescent development and the measurement of juvenile psychopathy. Law and Human Behavior, 26, 219-239.         [ Links ]

Sevecke, K., & Kosson, D. (2010). Relationships of child and adolescent psychopaty to other forms of psychopathology. In R. Salekin & D. Lynam (Eds.), Handbook of child and adolescent psychopathy (pp. 284-314). New York: The Guilford Press.         [ Links ]

Serin, R. (1991). Psychopathy and violence in criminals. Journal of Interpersonal Violence, 6, 423-431.         [ Links ]

Tabachnick, B., & Fidell, L. (2007). Using multivariate statistics (5th ed.). New York: Pearson.         [ Links ]

Thornberry, T., & Krohn, M. (2000). The self-report method for measuring delinquency and crime. Criminal Justice, 4, 33-83.         [ Links ]

Toch, H. (1993). Good violence and bad violence: Through self-presentations of aggressors accounts and war stories. In R. Felson & J. Tedeschi (Eds.), Aggression and violence: Social interactionist perspectives (pp. 193-206). Washington, DC: American Psychological Association.         [ Links ]

Van Baardewijk, Y., Vermeiren, R., Stegge, H., & Doreleijers, T. (2011). Self-reported psychopathic traits in children: Their stability and concurrent and prospective association with conduct problems and aggression. Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment, 33(2), 236-245.         [ Links ]

Verona, E., & Vitale, J. (2006). Psychopathy in women. In C. Patrick (Ed.), Handbook of psychopathy (pp. 415-436). New York: The Guilford Press.         [ Links ]

Vitacco, M., Neumann, C., Robertson, A., & Durrant, S. (2002). Contributions of impulsivity and callousness in the assessment of adjudicated male adolescents: A prospective study. Journal of Personality Assessment, 78(1), 87-103.         [ Links ]

Wooldredge, J., Harman, J., Latessa, E., & Holmes, S. (1994). Effectiveness of culturally specific community treatment for African American juvenile felons. Crime and Delinquency, 40(4), 589-598.         [ Links ]

 

Correspondência

A correspondência relativa a este artigo deverá ser enviada para: Pedro Pechorro, Rua da Fraternidade, Lote 67, 2º Dto, 8500-311 Portimão. E-mail: ppechorro@gmail.com

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons