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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica vol.29 no.4 Lisboa nov. 2011

 

Ser adolescente e ser mãe: Investigação da gravidez adolescente em adolescentes brasileiras e portuguesas

Eva Diniz Bensaja dei Schirò* e Sílvia Helena Koller*

* Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Correspondência

 

RESUMO

O presente artigo teve como objectivo investigar qualitativamente as características associadas à gravidez durante a adolescência num grupo de adolescentes brasileiras (n=4) e portuguesas (n=4). Recorreu-se ao estudo de casos múltiplos (N=8) em que se utilizou uma entrevista semi-estruturada. A entrevista teve por objectivo investigar várias dimensões de vida da adolescente. No presente artigo foram seleccionadas as seguintes variáveis: contexto em que surgiu a gravidez, relação com o companheiro, vida actual, relação com a escola, perspectiva de planos futuros. As entrevistas foram submetidas a uma análise de conteúdo com acordo inter-juízes. A análise das respostas revelou que o aparecimento da gravidez, nas adolescentes entrevistadas, tende a associar-se ao contexto social de desenvolvimento, marcado pelo abando escolar e falta de perspectivas para o futuro. Relativamente à gravidez verificou-se que ocorre, predominantemente, em relações consideradas estáveis. Foram relatadas tentativas de mudança de vida decorrentes da gravidez, como o desejo de voltar a estudar, por exemplo. Não foram registadas diferenças nas falas das participantes dos dois países investigados. A fragilidade do contexto de desenvolvimento, marcado pelo insucesso escolar e pela falta de perspectivas de futuro, foi identificada como um elemento transcultural. A identificação das características psicossociais das adolescentes que engravidam foi considerada importante, permitindo o aprimoramento de programas de prevenção junto ao grupo de adolescentes.

Palavras-chave: Brasil, Contexto de desenvolvimento, Escolaridade, Gravidez adolescente, Portugal.

 

ABSTRACT

The present study aimed to investigate sociodemographic characteristics among pregnant adolescent in Brazil (n=4) and Portugal (n=4). It used a qualitative design with multiple-case study (N=8). In addition, it employed a semi-structured interview in order to explore some domains of adolescent’s life. The present study will present some of these results: context of pregnancy, couple’s relationship, current life, school attendance and plans for the future. The interviews were content analysed by an inter-judges agreement. According to the interviews, it was observed that in both countries pregnancy tends to appear on a specific social context which is characterized by school absence and few perspectives for the future. Besides, all the pregnancies occurred on established relationships. The pregnancy was also described as an event which allows some changes in life like the wish to come back to school. The participants of the study, either from Brazil or Portugal, had similar reports. Characterized by poor school attendance as well as by a lack of opportunities for the future, the precarious context of development was identified as transcultural. Although, we consider that the present research allow identify some of the characteristics of adolescents who become pregnant. By this means, public policies could be reinforced and improved.

Key-words: Adolescent pregnancy, Development context, Scholarship, Social relationships.

 

 

A investigação da gravidez durante a adolescência é pertinente porque, além de ocorrer num período de crise desenvolvimental (Steinberg & Morris, 2001), poderá condicionar o desenvol vimento da adolescente, tanto do ponto de vista pessoal, como profissional. Assim, a gravidez adolescente é encarada como um desafio altamente exigente para os elementos nela envolvidos (Levandowski & Piccinini, 2004; Soares, Marques, Martins, Figueiredo, Jongenelen, & Matos, 2002). Vive-se uma “dupla crise”: da adolescência e da gravidez (Soares et al., 2002), o que implica a conciliação de tarefas duplas: as desenvolvimentais associadas ao período de vida e as do exercício da maternidade. Por esse motivo, a gravidez adolescente seria encarada como um evento não-normativo, comprometedor da construção de identidade e de autonomia dos adoles centes que se tornam pais e do filho destes (Altman, 2007; Figueiredo et al., 2000).

A preocupação com as repercussões que a gravidez pode ter no desenvolvimento da adolescente, por ocorrer numa idade em que não seria esperada, tornaram-na um assunto alvo de atenção. Em 2002, essa temática foi um dos temas de especial realce no relatório da Comissão Europeia, preci samente pelos riscos psicossociais a ela associados. A Organização Mundial de Saúde (WHO, 2002) caracteriza a adolescência como o período situado entre os 12 e os 18 anos, embora a nomenclatura de gravidez adolescente abranja o período situado entre os 10 e os 19 anos de idade maternos (WHO, 2002).

Portugal, relativamente aos países da Comunidade Europeia, ocupa o segundo lugar no índice de gravidez adolescente (Instituto Nacional de Estatística [INE], 1998). Do total de 27 países que, actualmente compõem a União Europeia, Portugal ocupa o 8º lugar em taxa de fertilidade adoles cente (Organização das Nações Unidas [ONU], 2009). Apesar de o país apresentar índices elevados, ao longo dos anos, tem-se assistido ao decréscimo dos seus valores. Em 2000, 20% dos partos regis tados corresponderam a gravidezes adolescentes, porém em 2006 este número diminuiu para os 17% (INE, 2006) e para os 16,5% em 2007 (ONU, 2009). Também o Brasil tem assistido à queda dos índices de natalidade adolescente. Até 2003, o país registava o aumento do número de adolescentes que tinham filhos, enquanto, actualmemnte, se regista uma diminuição do número de partos para mães adolescentes (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios [PNAD], 2010). Dados do Minis tério da Saúde do Brasil (2006) revelam que 17.628 adolescentes (10-14 anos) e 490.716 adolescentes (15-19 anos) engravidaram em 1994. Enquanto em 2003, este valor aumentou, respectivamente, para 27.239 e 645.806 adolescentes. Os últimos dados sobre gravidez durante a adolescência no país a que se tem acesso são do IBGE e reportam a 2007. Segundo esses registos, 19,3% dos nascimentos registados foram de mães com idade compreendida entre os 15 e os 19 anos e 0,8% referiam-se a mães com menos de 14 anos (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], 2008).

A necessidade de estudar os contextos de desenvolvimento justifica-se pelas suas associações com gravidez durante a adolescência (Figueiredo, 2001; Pantoja, 2003). A investigação dos contextos de desenvolvimento permite identificar, não só o aparecimento da gravidez, mas também as reper cussões que pode tomar no trajecto de vida dos adolescentes. As consequências da gravidez adolescente, nomeadamente no percurso escolar, profissional e de projectos futuros, dependem de múltiplos factores, como: nível social de origem, suporte familiar e apoio geral recebido (Canavarro & Pereira, 2001; Heilborn et al., 2002). Neste sentido, entende-se que a gravidez durante a adoles cência resulta de vários factores que se relacionam entre si (Figueiredo, 2001; Galland, 1997).

Uma multiplicidade de cenários podem ser encontrados num episódio de gravidez durante a adolescência (Heilborn et al., 2002), já que não ocorre num grupo homogéneo de pessoas, com características comuns, dos quais se pretende estabelecer relações e tirar conclusões. Estas diferentes visões são corroboradas por estudos que utilizam delineamentos distintos (Duncan, 2007). Segundo o autor, os estudos quantitativos apresentam as grávidas adolescentes como um grupo social de risco, em particular pelo meio de vulnerabilidade social de onde provêm. Contudo, esta é uma concepção que não pode ser estabelecida a priori, porque cada uma das adolescentes que compõe esse grupo tem uma história pessoal, da qual emerge a sua gravidez. Portanto, uma análise contextual ecológica é imprescindível (Cerqueira-Santos, Paludo, Diniz, & Koller, 2010). Esta visão é frequentemente partilhada pelos estudos de delineamento qualitativo (Duncan, 2007). Assim, o desenvolvimento individual da adolescente é encarado como resultante da influência da comunidade, cultura e sociedade em que se está inserido. Desse modo, o desenvolvimento e a qualidade dos cuidados prestados ao bebé são influenciados pelas características das pessoas apoiantes da mãe e do contexto no qual esta relação se estabelece (Bigras & Paquette, 2007).

Face ao exposto, considera-se que a gravidez durante a adolescência não é homogénea e as suas repercussões dependem de diversos factores: história desenvolvimental; idade e recurso psico lógico dos pais; nível socioeconómico; rede de apoio social; contexto em que surgiu a gravidez; e as características do bebé (Esteves & Menandro, 2005; Figueiredo, Pacheco, & Magarinho, 2004). Ademais, quanto maior o número de recursos internos e externos presentes no contexto de desenvolvimento, maior o sucesso da unidade familiar (Figueiredo et al., 2000). Neste sentido, seria redutor encarar a gravidez adolescente numa perspectiva causal, já que pode surgir numa multiplicidade de situações. É um acontecimento que pode ser vivido de forma inesperada ou, pelo contrário, surgir num contexto de desejo e planeamento (Figueiredo et al., 2000). Assim, o presente estudo teve como objectivo investigar as configurações associadas ao aparecimento da gravidez durante a adolescência. Pretende-se, também, investigar o contexto associado à ocorrência da gravidez durante a adolescência, em dois países de diferente configuração social (Portugal e Brasil), assim como as suas repercussões na vida da adolescente. Optou-se por um delinamento qualitativo como meio de aceder à abrangência do fenómeno (Yin, 2001/2002). O estudo foi desenvolvido em dois contextos sócio-culturais distintos, já que ambos apresentam uma elevada incidência de gravidez adolescente, embora com distintas configurações sociais. Esse foi considerado um aspecto central no presente estudo, já que estão atestadas as influências do contexto de desenvolvimento tanto no aparecimento da gravidez adolescente, quanto nas suas repercussões no desenvolvimento individual (Figueiredo, 2001; Heilborn et al., 2002; Pantoja, 2003).

MÉTODO

Participantes

Oito adolescentes, de nível socio-económico baixo, cuja gravidez se situava entre o final do segundo/início do terceiro trimestre de gestação (ver Tabela 1). Foram contactadas quatro grávidas adolescente no Brasil, Porto Alegre e quatro em Portugal, Lisboa, com características equivalentes. Os critérios de inclusão da amostra foram definidos de acordo com os objectivos do estudo: idade dos participantes (14-19 anos), experiência de primeira gravidez, ausência de anomalias fetais ou de indicadores de risco na gestação; pertença a um nível sócio-económico baixo.

 

TABELA 1

Características Biosociodemográficas das Participantes (N=8)a

Nome Cidade Idade Escolaridade (ano)b Com quem mora
Maria Ana Lisboa 17 Bisavó
Cristina Lisboa 18 Pai e irmã
Paula Lisboa 16 Pais, irmãs e avó
Alexandra Lisboa 18 Namorado, mãe e padrasto
Bárbara Porto Alegre 15 2º, Ensino Médio Pais e irmão
Andressa Porto Alegre 16 6ª Série Pais, prima e namorado
Suellen Porto Alegre 18 1º, Ensino Médio Pais, irmã e namorado
Joana Porto Alegre 15 1º, Ensino Médio Sogra e namorado

Nota. a Os nomes das participantes foram alterados, de forma a manter a sua confidencialidade; b O 9º ano de escolaridade, em Portugal, correspondia aos nove anos de ensino obrigatório que, recentemente, aumentou para 12 anos. O Ensino Médio constitui-se por dois anos de estudo após o Ensino Fundamental, que vai até à oitava séria.

 

Instrumentos

Entrevista semi-estruturada: Foi elaborada1 uma entrevista semi-estruturada com base na a literatura e na Entrevista sobre gestação e as expectativas das gestantes (GIDEP). Com esta entre vista, procurou investigar-se o contexto de vida em que surgiu a gravidez, mudanças de vida decor rentes da gravidez e perspectivas de vida futuras. A entrevista constituiu-se por perguntas abertas, organizadas em sete eixos temáticos principais: dados socio-demográficos, vida sexual, gravidez, apoio familiar/social, percurso escolar, transformações no trajecto de vida e planos futuros. Neste artigo serão apresentados apenas os resultados de sobre a gravidez e reacções a esta, vida actual e perspectivas de futuro.

Procedimentos

No Brasil, as participantes foram convidadas a participar na pesquisa durante a consulta pré-natal de um hospital público. Antes do início da entrevista, era apresentado à participante o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, no qual se apresentava os objectivos da pesquisa, os procedimentos adoptados e, por fim, se convidava a participante. Esse procedimento foi adoptado em ambos os países, embora no Brasil, a pesquisa tenha sido aprovada em um Comité de Ética.

As entrevistas foram realizadas numa sala da própria instituição de saúde. Todas as entrevistas foram gravadas e, posteriormente, transcritas. Em Portugal, o procedimento adoptado foi seme lhante. Tomou-se o cuidado de escolher uma instituição com alguma afinidade com a população entrevistada em Porto Alegre. Por esse motivo optou-se por um centro de saúde público, no qual fossem realizadas consultas de pré-natal, situado num bairro popular da cidade de Lisboa. O convite para participação no estudo e realização das entrevistas foi realizado nas mesmas condições de setting, em ambos os países.

As entrevistas foram analisadas segundo o modelo de análise de conteúdo qualitativa, com o objectivo de aceder à descrição das participantes sobre a experiência de gravidez. Foram criadas categorias de análise com o objectivo de identificar as principais características associadas, foram definidas categorias de análise, como contexto de aparecimento da gravidez, mudanças decorrentes da gravidez, plano futuros. Cada uma dessas categorias será apresentada detalhadamente na secção dos Resultados e Discussão. Os dados foram analisados por meio da análise de conteúdo (Bardin, 1977), qualitativa (Laville & Dionne, 1999). As entrevistas foram transcritas e submetidas a repetidas leituras horizontais e verticais (Yin, 2001/2002), de modo a colocar as falas das participantes em cada uma das categorias definidas. No entanto, a partir das falas das participantes, novas categorias de análise foram criadas e outras removidas. Após a realização de todas as entrevistas, a autora e dois investigadores cotaram de modo independente as respostas das adolescentes, de forma a assegurar a qualidade da classificação. Calculou-se o índice Kappa, tradutor do nível de concordância entre juízes. O índice obtido foi 72,4%, que, segundo Robson (1993)2 é considerado bom. Esse índice foi calculado para o total de categorias e individualmente para cada uma das categorias e sub-categorias.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em seguida, apresentam-se as categorias de resposta integradas com a discussão, ilustrada pelas falas das participantes que a representam.

Gravidez

A categoria foi criada ao investigar-se o contexto em que surgiu a gravidez. Perante a pergunta “Como soube que estava grávida?” as participantes tenderam a descrever a confirmação da gravidez, ora como uma surpresa, ora como um evento previsível.

Não fui logo fazer o teste, porque de outras vezes, que tinha atrasos já tinha feito e dava negativo. Por isso, desta vez eu quis esperar mais para não me desapontar de novo e quando ficou uma semana sem vir, eu fiz o teste e deu logo positivo” (Cristina, 18 anos, Lisboa).

“No ano passado eu já tinha engravidado, mas tive um aborto e depois, desde aí, ficamos com vontade de engravidar de novo. Esta não foi como a outra, que foi uma surpresa, meio um acidente e esta não, planeamos” (Alexandra, 18 anos, Lisboa).

“Já foi tarde, só aos três meses e meio e foi só mesmo por causa dos vómitos que eu comecei a ver que se passava alguma coisa. Foi assim, eu ao início andava atenta, mas como me apareceu o período nunca mais liguei. Depois no outro já não apareceu e eu comecei a ficar mais assustada (...) depois a minha mãe levou-me ao hospital e pronto” (Paula, 16 anos, Lisboa). Logo no primeiro mês eu soube, mas aí eu não contei para a mãe, né. Até ao terceiro mês eu fiquei assim. Mas no terceiro mês a mãe me levou ao médico e aí tive que contar para ela” (Suellen, 18 anos, Porto Alegre).

As respostas obtidas nesta unidade temática revelaram múltiplos cenários face à gravidez. A diversidade de respostas estaria, possivelmente, associada às diversas realidades de vida de cada participante (Duncan, 2007; Figueiredo, 2001). Assistiu-se à formação de dois grupos naturais associados ao contexto em que surgiu a gravidez (inesperada vs. desejada), que foram transversais à nacionalidade de origem. Cada gravidez foi relatada como um evento específico, embora nenhuma delas tenha surgido de uma relação ocasional. Algumas participantes, de ambos os países, expressaram o desejo de engravidar. Nestes casos, a gravidez teria surgido num contexto de “plano”, encarada como uma tarefa desenvolvimental (Duncan, 2007). Desse modo, a gravidez poderia ser entendida como um indicador da própria realidade de vida das adolescentes. A gravidez seria geradora de um sentido que até aí não existia e, por isso, seria encarada como algo positivo (Figueiredo, 2001). O facto de algumas das adolescentes revelarem expressamente o desejo de engravidar revelaria a inexistência de uma adolescência convencional, mas a existência de múltiplas adolescências (Cerqueira-Santos et al., 2010). Esse é um aspecto que evidencia a importância do contexto no processo de desenvolvimento, já que os desejos de vida e de metas a alcançar são fortemente influenciadas pelo meio de desenvolvimento, os recursos nele existentes e as interacções estabelecidas (Bronfenbrenner, 1979/1996, 2001/2005).

Reacção à descoberta da gravidez

A reacção à descoberta da gravidez foi descrita como mobilizadora de vários sentimentos. Em alguns casos, a gravidez foi descrita como um acontecimento confuso, gerador de sentimentos contra ditórios, e perante o qual se faz o balanceamento entre a alegria e a felicidade, mas também o medo:

Quando descobri, dá assim aquela espécie de medo. Fiquei contente, mas de início não estava assim à espera que acontecesse, porque já tinha passado muito tempo” (Cristina, 18 anos, Lisboa). “Não sei muito bem, foi uma confusão de muitas coisas, nem sei dizer. Era uma coisa que eu queria, mas dá sempre aquela surpresa quando vimos que é verdade (...) fiquei muito contente, porque era uma coisa que queria muito” (Alexandra, 18 anos, Lisboa).

“Quando a mãe contou “tu estás grávida” eu fiquei assim sem reacção (...). Eu fiquei feliz, mas também assim, um pouco preocupada (...). Eu estou no segundo ano e tinha medo de ir parar de estudar, mas agora eu já sei que não vou parar, então é mais fácil” (Bárbara, 15 anos, Porto Alegre).

Existiu, também, em algumas participantes, a apreensão perante a gravidez, em particular pela implicação desse acontecimento na sua vida futura:

“Na altura entrei em pânico, super nova, a começar a minha carreira de pasteleira” (Maria Ana, 17 anos, Lisboa).

“Ah, no começo eu fiquei assustada, porque, “poh, grávida, agora?!”. Aí eu pensei na escola, nessas coisas como ia fazer. Mas depois fui-me acostumando e agora adoro a ideia e estou muito feliz” (Joana, 15 anos, Porto Alegre).

Ou pelo “medo” de contar a notícia a terceiros:

“Medo, medo mesmo, primeiro de como a minha família ia reagir, principalmente o meu pai” (Paula, 16 anos, Lisboa).

“Ah, fiquei com medo (Entrevistadora – Medo do quê?) De contar, vergonha assim dos outros, por ter feito uma asneira dessas” (Andressa, 16 anos, Porto Alegre).

Apesar de três participantes terem manifestado o desejo de ter um filho, apenas uma delas manifestou um sentimento de clara felicidade, aquando a descoberta: “Eu fiquei bem feliz, na verdade eu já queria um bebezinho” (Suellen, 18 anos, Porto Alegre).

As respostas das participantes revelam a diversidade de reacções perante um mesmo evento – gravidez. Em alguns casos, a confirmação da gravidez foi encarada como algo de positivo, enquanto em outros se assistiu à dificuldade de lidar com ela. Tal como descrito na literatura (Canavarro & Pereira, 2001; Moore & Brooks-Gunn, 2002), a descoberta da gravidez tendeu a gerar sentimentos contraditórios e confusos, nos quais se misturaram alegria, felicidade, com medo, angústia e incerteza em relação ao futuro. A presença dos sentimentos colidentes pode ser justificada pelas implicações que trazem para o futuro de vida da adolescente, os seus projectos, mas também a reacção dos outros e do grupo de pares. Este aspecto foi muito valorizado pelas participantes do estudo, que tenderam a descrever a reacção da família como negativa ao acontecimento.

As dificuldades da maternidade adolescente tendem a ser atribuídas à concomitância de dois momentos de vida, considerados muito exigentes: a adolescência e a maternidade (Esteves & Menandro, 2005; Levandowski & Piccinini, 2004; Soares et al., 2002). As falas das adolescentes também expressaram esse conflito: a necessidade de assegurar o seu futuro, nomeadamente, a permanência na escola e o cuidado do bebé. O receio quanto ao futuro foi também um aspecto evidenciado pelas adolescentes. Por um lado, esse receio poderia estar associado a incertezas. Por outro lado, o medo poderia estar associado a uma consciência de que teriam feito algo que não era esperado, não correspondente às expectativas familiares (Dias & Lopes, 2003). Uma das participantes mencionou mesmo o sentimento de vergonha por estar grávida, já que a sua gravidez era a prova de um comportamento errado que tinha tido, o que comprovaria esta tese.

As participantes revelaram-se cientes da exigência do papel de mãe. A gravidez pareceu ser utilizada como um momento no qual se procedeu a essa reflexão e planeamento para o futuro. Neste sentido, observou-se que o processo de gravidez nas adolescentes foi semelhante ao das mulheres adultas, uma vez que a gravidez foi encarada como um período de reflexão e manutenção do equilíbrio para receber o bebé (Brazelton & Cramer, 1989/2001). Acredita-se que é pela possibilidade de pensar, sentir e organizar o futuro que se constituiria a ligação ao bebé e assim preparar-se-ia o exercício da maternidade (Piccinini et al., 2004).

Reacção do pai do bebé

Investigou-se a reacção do pai do bebé à notícia de gravidez. Em certos casos esta reacção foi negativa, levando mesmo ao término da relação, enquanto em outros conduziu a uma nova etapa da relação existente. Três participantes descreveram a reacção do seu companheiro como negativa:

“Ele de início começou a fazer planos (...) ficou todo contente (...). Dizia a toda a gente que ia ter uma menina, mesmo sem saber se era ou não. Dizia aos amigos que ia atinar, ia organizar as coisas, arranjar trabalho certo. Ficou todo contente, na altura (...). Hoje ele diz que não quer saber do filho, que só em tribunal é que o assume” (Maria Ana, 17 anos, Lisboa).

O meu namorado dizia que também queria, mas afinal quando aconteceu, de início ele ficou contente, mas depois começou a dizer que não queria o bebé, que o filho não era dele e acabei por ficar sozinha (...). Quando, finalmente aconteceu, ele ficou arrependido e zangámo-nos(Cristina, 18 anos, Lisboa).

Já andava com ele há um ano e meio (...) aconteceu isto e ele pôs-me os patins (...). (Entrevistadora: Terminaram quando lhe contaste que estavas grávida?) Não, não foi logo que ele soube. Porque ele soube e ficou contente, só que depois começou a ver muitos problemas (...) começou a fugir ao assunto e agora não me diz nada” (Paula, 16 anos, Lisboa).

As outras participantes descreveram a reacção do seu companheiro como positiva, até porque em muitos dos casos este já era um desejo prévio do rapaz.

“Ele ficou muito contente, já com a outra tinha ficado e estávamos à espera desta. Ele está muito feliz, ainda para mais um rapaz, como todo o pai quer” (Alexandra, 18 anos, Lisboa). “Eu contei (para o namorado). Quando eu contei para ele, ele não acreditou de maneira nenhuma, não imaginou que isso fosse acontecer (...). Ele perguntou “Como?!”. Ele disse que não tinha como, mas eu disse que tinha que haver porque eu estava, né? Depois a minha mãe falou para ele. Agora ele está muito contente, todo feliz” (Bárbara, 15 anos, Porto Alegre).

“Ele ficou feliz, imagina, tudo o que ele queria” (Joana, 15 anos, Porto Alegre).

Todas as participantes revelaram manter relações de namoro estáveis antes de engravidar e, em todos os casos, o namoro tinha mais de um ano, o que está de acordo com outras pesquisas (Abeche, Murmann, Baptista, & Capp, 2007; Coleman & Carter, 2006; Gravad, 2006). Não obstante, a reacção do companheiro à gravidez foi variada nos oito casos investigados. Registou-se uma diferença de atitude perante a gravidez, relativamente aos companheiros dos dois países. Em Portugal, os parceiros tenderam a afastar-se perante a ocorrência de gravidez. No entanto, os companheiros brasileiros mantiveram-se junto à sua namorada, apoiando-a na sua decisão e expressando o desejo de cons truírem uma vida comum. Apesar da reduzida dimensão da amostra, que impossibilita generalizações, poderia-se discutir se as diferenças de atitude não derivariam das próprias características da adolescência nos países investigados. Em Portugal, um paíse europeu, a adolescência seria marcada pela liberdade individual, em que a autonomia se sobrepõe ao compromisso, já que a adolescência não é uma época considerada para exercer responsabilidades (Arnett, 2007). Assim, a paternidade não faria parte desta etapa, pela responsabilização e comprometimento que exigiria (Douglass, 2007). Pelo contrário, no Brasil, a maioria da população é constituída por uma classe social com menos poder aquisitivo, em que a passagem para a idade adulta não implicaria a liberdade individual, mas antes a construção de uma família e assumpção das responsabilidades da vida adulta, da qual a paternidade faria parte (Galambos & Martínez, 2007). Assim, os adolescentes brasileiros revelam um maior compromisso com as tarefas da adultice (Datafolha, 2008), em que assumir o papel de cuidadores e provedores da família seria uma forma de demonstrarem o seu papel de adultos (Abeche et al., 2007; Coleman & Carter, 2006; Gravad, 2006).

Vida actual a avaliação do futuro

Esta categoria foi delineada com o objectivo de identificar como se organizava a vida das adolescentes no momento em que engravidaram (trabalhar, estudar). Além disso, procurou identificar-se também a existência dos projectos existentes para o seu futuro e como a gravidez era inserida nesses projectos.

Principal ocupação

Nesta sub-categoria sistematizaram-se as ocupações das adolescentes aquando a gravidez:

“Estava a trabalhar (quando engravidou), já tinha terminado o estágio e estava a trabalhar num restaurante” (Maria Ana, 17 anos, Lisboa).

“Trabalhava numa loja de roupa, agora sou responsável de secção” (Cristina, 18 anos, Lisboa).

Trabalhava (quando engravidou) lá no salão” (como auxiliar de cabeleireira; Alexandra, 18 anos, Lisboa).

“Estava a trabalhar, fazia aplicação de “strass”” (Suellen, 18 anos, Porto Alegre).

Outras participantes mencionaram a frequência escolar:

“Estava a estudar, a fazer um curso profissional de práticas administrativas” (Paula, 16 anos, Lisboa).

“Estudo, no segundo ano do ensino médio” (Bárbara, 15 anos, Porto Alegre).

“Eu estava estudando, aí eu continuei estudando, depois que eu descobri que estava grávida” (Joana, 15 anos, Porto Alegre).

As respostas revelaram que quatro das participantes estavam a trabalhar no momento em que engravidaram: três eram portuguesas e uma brasileira. As restantes participantes estudavam. As adolescentes portuguesas apresentaram uma idade superior às brasileiras, o que poderia explicar a maior inserção no mercado de trabalho. Segundo dados do INE (2010) 65,7% dos jovens portugueses com idades compreendidas entre os 15-34 anos abandonam a escola após a conclusão do ensino obrigatório – média de idades de 19 anos. Desta forma constata-se que estas participantes estão inseridas no perfil médio da população da sua faixa etária, já que também todas elas completaram o ensino obrigatório, momento a partir do qual optaram por começar a trabalhar. Estes dados são semelhantes àqueles obtidos em outros estudos (Carvacho, Mello, Morais, & Silva, 2008; Figueiredo, 2003) nos quais se verifica que a baixa-escolaridade tende a ser um elemento comum nas adolescentes que engravidam o que condicionaria a sua própria perspectiva de vida.

As adolescentes que engravidaram tenderam a abandonar a escola num momento anterior à gravidez (Figueiredo, 2001; Figueiredo et al., 2004). Além disso, estavam inseridas num emprego precário (Breheny & Stephens, 2007; Moore & Brooks-Gunn, 2002). Esse facto indicaria que a gravidez poderia ter surgido pela pouca realização em determinadas áreas consideradas centrais nessa fase do desenvol vimento, nomeadamente o sucesso escolar (Canavarro & Pereira, 2001; Heilborn et al., 2002). A realização escolar é descrita como uma variável associada à prevenção da gravidez adolescente (Levandowski & Piccinini, 2004; Moore & Brooks-Gunn, 2002; Woodword, Horwood, & Fergusson, 2001). A relação entre sucesso escolar e gravidez parece estar associada, precisamente, à visão de vida que os adolescentes com bom desempenho académico constroem em que a gravidez passa a ser encarada como um obstáculo para a vida que pretendem ter (Almeida, Aquino, & Barros, 2006). Deste modo, é impossível dissociar a ocorrência da gravidez durante a adolescência com o contexto de desenvolvimento das adolescentes (Bronfenbrenner, 2001/2005; Figueiredo, 2001).

Projectos futuros

Investigou os projectos que as adolescentes tinham para o seu futuro e as modificações que esses projectos sofreram após o aparecimento da gravidez:

“Ah, vai mudar um pouco, né? Mas eu não vou parar de estudar, vou continuar. Assim, de manhã ela vai ficar um pouco com a minha mãe, de tarde fica com a minha avó e depois eu fico com ela” (Bárbara, 15 anos, Porto Alegre).

Uma participante descreveu projectos que surgiram a partir da gravidez, pela vontade de se autonomizar relativamente à sua família:

“Vou começar a tirar a carta e embora só possa começar a conduzir aos 18 isso já ajuda. Depois disso e terminando o estágio, os meus pais também me vão ajudar a encontrar uma casa. Porque a casa já não é muito grande, vivo eu, os meus pais, as minhas irmãs e a minha bisavó e lá está, acho que uma bebé precisa de um espaço com menos gente para crescer, de mais espaço. Não quero continuar na casa dos meus pais, quero ultrapassar isso e ser só eu e ela, num espaço nosso” (Paula, 16 anos, Lisboa).

Duas participantes mencionaram projectos futuros, que reflectiam a necessidade de conciliar o estudo com o trabalho:

“Eu vou voltar (para a escola) ano que vem. Mas eu vou ter que estudar de noite, né? (...). Aí euvou estudar à noite e a minha mãe fica com o nené. É que eu queria fazer o curso de secretariado (...). Pretendo estar trabalhando. Trabalhando e estudando” (Andressa, 16 anos, Porto Alegre).

“Voltar a estudar, arrumar um emprego (...). Quero continuar a estudar, para depois arranjar um emprego melhor. Vou ter que ter um emprego, estudo e o meu filho ali no meio, mas acho que apesar de ser muita coisa, tudo isso é importante para mim. Aí vou ver o jeito mais fácil de eu conseguir estudar, trabalhar e cuidar dele, é meio difícil, mas vou tentar” (Joana, 15 anos, Porto Alegre).

“Por exemplo a minha ideia de ir para a polícia também é por causa disso, de lhe querer darum futuro melhor. É diferente ela dizer que a mãe dela trabalha numa loja de roupa ou que é polícia. Não é só ter o gosto da profissão, mas ter um futuro, mais seguro, é outro estatuto” (Cristina, 18 anos, Lisboa).

As falas obtidas nesta sub-categoria revelam os projectos futuros, das adolescentes, associados ao aparecimento da gravidez. O aparecimento da gravidez foi descrito como motivador para o reingresso na escola. A valorização do estudo foi transversal a todas as participantes, mesmo para aquelas que já não frequentavam a escola (Dias, 2009; Seamark & Lings, 2004).

Também nesta sub-categoria não se registaram diferenças nas falas das participantes, em relação aos seus países de origem. A definição de projectos futuros, comumente, tendeu e a ser permeada por expectativas e definições individuais. Não obstante, a gravidez surge como um evento, a partir do qual se definem novos objectivos de vida para si e o seu filho. Nesse sentido, poder-se-á afirmar que a maternidade é um evento de vida transformador, também na adolescente, que se passa a conceptualizar como mãe, assim como pelas exigências desse papel (Brazelton & Cramer, 1989; Piccinini et al., 2004).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise das respostas obtidas revela o contexto de precariedade social, em que tende a surgir a gravidez durante a adolescência, marcado pelo insucesso escolar e ausência de especialização profissional, associado a relações de namoro com reltiva duração. Essa configuração contribuiria para o não evitamento da gravidez adolescente (Duncan, 2007). Um aspecto que sobressaiu, no presente estudo foi a similiridade das falas das participantes de ambos os países, assim como dos seus trajectos de vida. Considerou-se que esse seria um resultado central, resultante de um estudo qualitativo que permite conhecer em profundidade as características das adolescentes que engravidam (Duncan, 2007).

Verificou-se assim que, nos casos estudados, a gravidez durante a adolescência foi um evento de vida que foi além da configuração socio-económica do país no qual emergiu – macrossistema. Seria então um acontecimento influenciado pelas características pessoais de quem a vive e no meio com o qual se tem directamente contacto – microssistema (Bronfenbrenner, 2001/2005). Apesar das diferenças socioeconómicas dos dois países (Portugal e Brasil), as falas das participantes foram equivalentes: revelam vidas e trajectos comuns. Esse dado revelaria como a adolescência não seria um conceito universal (Cerqueira-Santos et al., 2010), mas específico ao contexto de desenvolvimento e suas oportunidades, conforme apontado por Arnett (2007), Douglass (2007) e Galambos e Martínez (2007). Nesse sentido, a gravidez adolescente impõemse como um evento, na falta de outras realizações possíveis. A gravidez durante a adolescência funcionaria como um indicador da fragilidade social e para que seja combatida, far-se-ia necessária a transformação do contexto social (Coley & Chase-Lansdale, 1998; Duncan 2007).

Apesar disso, surgiram preocupações relativamente a este grupo e aos seus filhos. Uma vez que os adolescentes provêm de um nível socioeconómico baixo, marcado pela falta de oportunidades, no qual se desenvolverão os seus filhos, poderá assistir-se a uma eternização do ciclo de pobreza. Para que tal não aconteça, seria necessária a transformação social, para que estes adolescentes pudessem passar a desenvolver um sentido de futuro. Uma vez que a maioria das gravidezes registadas ocorreu em adolescentes que apresentavam vulnerabilidades sociais, o que apontou a necessidade de se criarem programas de intervenção junto a este grupo e suas famílias, de forma a minimizar os riscos existentes. Dessa forma, estes adolescentes teriam capacidade de desenvolver uma parentalidade mais responsável e, assim, oferecer um contexto desenvolvimental aos seus filhos, no qual existissem menos constrangimentos.

A realização deste estudo permitiu, pela análise da fala das participantes, significar o contexto de vida em que muitas das gravidezes adolescentes tendem a ocorrer. Esse foi um aspecto considerado central, que pode ser incorporado em campanhas de prevenção, especialmente dirigidas a adolescentes identificadas como estando em situação de insucesso escolar e/ou com companheiro mais velho. Os resultados obtidos nesta pesquisa são considerados indicadores de um fenómeno complexo e multidimensional, como a gravidez durante a adolescência.

Não obstante, algumas limitações ao estudo podem ser apontadas, nomeadamente o recurso a uma amostra de reduzida dimensão e não representativa da população o que impede as genralizações dos resultados obtidos. Contudo, Duncan (2007) aponta a importância da realização de pesquisas qualitativas que permita a exploração de aspectos de vida da adolescente, prévios à sua gravidez, que acabam por ser negligenciados em pesquisas quantitativas. Outra limitação seria a ausência de triangulação dos dados obtidos com outras fontes de informação, como o relato de pais e professores. Inicialmente, pretendia-se entrevistar, também, os companheiros das adoles centes, mas devido às características amostrais (ausência do companheiro) tal não foi possível. Esse seria um aspecto importante a ser considerado em pesquisas futuras.

Contudo, considera-se a pertinência dos achados, em particular, por permitir aceder directa mente à vivência das adolescentes que engravidam, nomeadamente pela escuta do seu trajecto de vida, as suas fragilidades, mas também as suas expectativas. Esse é um factor que permite um entendimento mais profundo de um evento complexo (Laville & Dion, 1999; Robson, 1993), como é o caso da gravidez durante a adolescência, pela multiplicidade de variáveis envolvidas.

 

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Correspondência

A correspondência relativa a este artigo deverá ser enviada para: Eva Diniz Bensaja dei Schirò, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Instituto de Psicologia/CEP-RUA, Ramiro Barcelos, 2600, sala 104, 90035-003 Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: eva.diniz@gmail.com

 

NOTAS

1 Específica à gravidez adolescente.

2 O autor define o índice como Suficiente quando situado entre 0,40-0,60, Bom nos valores compreendidos entre 0,60-0,75 e Excelente quando superior a 0,75.

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