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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica vol.29 no.4 Lisboa nov. 2011

 

Caracterização do uso do preservativo em jovens adultos portugueses

Alexandra Gomes* e Cristina Nunes**

* Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade do Algarve

Correspondência

 

RESUMO

O número de infecções de VIH tem aumentado entre os jovens adultos, em Portugal, como na Europa e Estados Unidos da América. Considerando este facto, este estudo tinha como objectivo caracterizar o uso do preservativo nos jovens adultos Portugueses. As respostas fornecidas por 1138 jovens adultos evidenciam uma utilização inconsistente, principalmente nos indivíduos mais velhos e que têm parceiro estável. Os comportamentos sexuais e uso do preservativo são idênticos entre homens e mulheres, ao contrário de outros estudos desenvolvidos. Apesar de se verificar que os jovens adultos têm uma intenção de uso elevada, o seu comportamento mostra-se discrepante. São necessários mais estudos para compreender a utilização do preservativo de forma a promover a saúde individual e colectiva, no que concerne a infecções sexualmente transmissíveis.

Palavras-chave: Jovens adultos, Uso do preservativo, VIH/SIDA.

 

ABSTRACT

HIV infection rates have increased among Portuguese young adults, as in Europe and United Stated of America. Considering the pertinence of this fact this study aimed to characterize condom use among Portuguese young adults. The 1138 young adults that answered to the questionnaire disclosed an inconsistent use, more usual among older individuals with a steady partner. Sexual behaviors and condom use are identical among men and women, despite other studies indicate otherwise. Although having a condom use high intention, there is a gap between intention and behavior. More studies are necessary to understand condom use in a way to promote individual as social health, in the scope of sexual transmitted infections.

Key-words: Condom use, HIV/AIDS, Young adults.

 

INTRODUÇÃO

Os jovens adultos são, neste momento, um dos maiores grupos de risco relativamente ao VIH e a outras infecções sexualmente transmissíveis. Tem-se verificado um aumento sistemático de infectados com VIH entre os indivíduos jovens adultos, devido a contactos sexuais desprotegidos (Instituto Nacional de Saúde [INS], 2009; UNAIDS, 2008).

Actualmente, em Portugal e de acordo com o último relatório do Instituto Nacional de Saúde (2009) conhecem-se 34 888 casos de infecção por VIH nos diferentes estádios, dos quais 40% se devem a infecção por contacto heterossexual. A maior parte dos casos está compreendida entre os 20 e os 39 anos de idade. Verifica-se que, desde 2004, a tendência para novos casos de infecção é relativa a jovens heterossexuais.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (2009), o uso do preservativo de forma consistente e correcta, será um dos meios primários para garantir a saúde individual e colectiva. No entanto, a sua utilização de forma consistente, continua aquém do necessário para prevenir o alastramento de infecções como o VIH.

Os diversos relatórios e estudos desenvolvidos em Portugal, nos últimos anos, evidenciam uma utilização inconsistente, por parte de toda a população. Parece existir uma prevalência da pílula face ao preservativo, pela sua vertente anti-concepcional que não interfere com o prazer durante a relação sexual.

O Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (2004) observou que cerca de 69% da população portuguesa utiliza o preservativo de forma inconsistente. No entanto, o relatório do estudo não permite observar diferenças estratificadas pelo grupo etário.

O Ministério da Saúde (2005), no relatório nacional sobre o estado do VIH/SIDA, verificou que os indivíduos com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos utilizam o preservativo de forma relativamente consistente (55%). No entanto, há uma percentagem semelhante de indivíduos que o fazem com inconsistência. Este mesmo relatório verifica uma redução no consumo de preservativos entre os anos de 2004 e 2005 na ordem do milhão e meio de unidades.

O Instituto Nacional de Estatística (2007) conduziu, nos anos de 2005 e 2006, o 4º Inquérito Nacional de Saúde. Este relatório permitiu observar que o preservativo não é a opção mais utilizada pelas mulheres. A frequência de não utilização nas idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos é cerca de 80%, e de 39% entre os 20 e os 24 anos. É de observar que este relatório apenas se preocupou com a medição da utilização, não focando a sua consistência.

Alguns estudos realizados em Portugal sugerem uma utilização inconsistente do preservativo (Amaro, Frazão, Pereira, & Teles, 2004; Muñoz-Silva, Sánchez-García, Martins, & Nunes, 2009; Muñoz-Silva, Sánchez-García, Nunes, & Martins, 2007).

O preservativo é o método mais utilizado entre as camadas mais jovens dos estudantes universitários, tendência que decresce com o aumento da idade e que é mais comum entre homens (Reis & Matos, 2008; Reis, Ramiro, & Matos, 2009). Porém, não foi realizada uma análise da consistência com que este é utilizado nas suas relações sexuais. Esta tendência observa-se igualmente no resto da Europa e nos Estados Unidos da América.

De acordo com o relatório global da UNAIDS (2008) Portugal é um dos países da Europa onde se verificam mais novos casos de infecção de VIH. Na Europa, como em Portugal, o contacto sexual desprotegido é, neste momento, uma das causas mais comuns de infecção pelo VIH.

Herida e colaboradores (2007) observaram que na Europa, em geral, o contacto heterossexual é agora a forma mais comum de infecção, sendo que 10% dos novos casos surgem nas idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos.

Os Estados Unidos da América são igualmente flagelados por um aumento anual de casos de VIH. Cerca de um terço destes novos casos devem-se a contactos heterossexuais desprotegidos, sendo a segunda causa de infecção, a seguir aos contactos homossexuais desprotegidos (UNAIDS, 2008). Observa-se, igualmente, que cerca de 40% dos jovens americanos não utilizaram o preservativo na última relação sexual (CDC, 2008). Para Collins, Ellickson, Orlando e Klein (2005), o aumento de infecções entre os jovens adultos poderá ser responsável por um aumento exponencial de infecções de VIH entre a população dos Estados Unidos da América.

Apesar destes dados, observa-se que em Portugal há poucos estudos que analisem de forma sistemática o uso do preservativo. A inclusão da necessidade de uso do preservativo nas medidas de protecção contra a pandemia do VIH/SIDA pela Organização Mundial de Saúde (2009) torna pertinente a existência de estudos que tenham como objectivo central a medição do uso do preservativo, mais precisamente entre os jovens adultos.

Como tal, foi nosso objectivo desenvolver um estudo que permitisse verificar qual o estado da utilização do preservativo pelos jovens adultos portugueses.

MÉTODO

Este estudo tinha como objectivo medir e descrever o uso do preservativo pelos jovens adultos portugueses. Para realizar este objectivo desenhou-se um estudo descritivo, transversal, em que se pretendeu abranger uma amostra representativa da população de jovens adultos.

Amostra

A amostra foi recolhida de forma não probabilística, recorrendo às universidades, escolas profis sionais e centros de formação profissional. Procurou-se abranger os jovens adultos portugueses de forma alargada. De forma a serem elegíveis para a amostra, os participantes deveriam ter entre 18 e 25 anos. Os participantes que não cumpriam este requisito foram excluídos das análises realizadas.

A amostra final, na qual se baseia este estudo, é de 1138 participantes, com uma média de idade de 20,93 anos (±2,110), dos quais 33% são homens e 67% são mulheres (ver Tabela 1). Cerca de 14,5% da amostra é trabalhador-estudante e 1,5% dos participantes são casados ou vivem em união de facto.

 

 

Medidas

Foram avaliados a história sexual e o comportamento de uso do preservativo dos participantes.

História sexual

Foi questionado aos participantes se já tinham tido relações sexuais completas (sim/não), com que idade tinha iniciado a sua vida sexual, a idade do primeiro parceiro sexual, o tipo de relações sexuais praticadas (vaginais, orais, e/ou anais), o número total de parceiros, o número de parceiros nos últimos três meses, e ainda se tinham um parceiro estável de momento (sim/não).

Uso do preservativo

Foi questionado aos participantes com que frequência costuma utilizar o preservativo nas suas relações sexuais e se utilizou o preservativo na última relação sexual. Foram pedidas estimativas quanto à não utilização do preservativo nos últimos 3 e 6 meses. Foram ainda utilizadas questões para verificar a intenção de uso no futuro (em que medida tem a certeza que vai utilizar preservativo na sua próxima relação sexual) e para avaliar o papel do participante na decisão de utilização do preservativo (em que medida toma parte na decisão de usar, ou não, um preservativo; e em que medida considera que a decisão de utilizar preservativo é tomada em conjunto com o seu parceiro).

Todas as questões utilizaram uma escala tipo Likert, de 7 pontos (1 – Nada; 7 – Totalmente), à excepção da utilização do preservativo na última relação sexual (dicotómica) e da não utilização nos últimos 3 e 6 meses (resposta aberta).

Procedimento

Foi obtida a autorização de recolha de dados junto dos Reitores da totalidade das Universidades públicas Portuguesas, bem como aos Directores das Escolas Profissionais e Centros de Formação Profissional, que realizassem cursos com jovens adultos, com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos. Para agilizar a recolha e reduzir os custos, foi criada uma página da internet com o respectivo questionário.

Após a aprovação dos Reitores e Directores dos referidos organismos, foi enviado um correio electrónico, por via institucional, que requeria a participação voluntária dos estudantes num estudo que visava a observação do comportamento sexual dos jovens adultos.

A primeira página do questionário pretendia que os participantes fornecessem o seu consenti mento informado, pelo que aqueles que pretendessem participar no estudo teriam que seleccionar a opção “pretendo participar”. Caso não pretendessem participar, existia uma opção análoga que fechava automaticamente a página.

Após o preenchimento do questionário, era oferecida a possibilidade de conhecerem os resultados do estudo. Para tal, era fornecido o correio electrónico do investigador responsável, que daria resposta a esta solicitação ou a esclarecimentos adicionais.

RESULTADOS

Os dados foram analisados estatisticamente através do software PASW (SPSS v.18). Foi observado o comportamento geral da amostra e as diferenças patentes entre sexos.

História sexual

A maioria dos participantes reportou já ter iniciado a sua vida sexual (72,9%). Relativamente ao tipo de relações sexuais, a prática mais comum refere-se às relações vaginais e orais (26,0%), seguido das exclusivamente vaginais (22,0%), e do conjunto de todas as práticas, vaginais, orais e anais (20,1%). A média da idade da primeira relação sexual situa-se nos 17,51±3,487 anos; a média de idade do parceiro da primeira relação sexual é de 19,44±5,635. Relativamente ao número total de parceiros a média da amostra geral é de 3,36±5,717, sendo que a média de parceiros nos últimos 3 meses situa-se nos 1,126±3,518. Ao momento do questionário 54,8% da amostra referia ter parceiro.

Observaram-se, igualmente, possíveis diferenças entre homens e mulheres relativamente à história sexual dos participantes (ver Tabela 2).

 

 

Os dados sugerem que os homens e as mulheres não diferem significativamente em nenhum dos aspectos da história sexual descrita.

Uso do preservativo

A média de utilização do preservativo, nesta amostra, foi de 4,86±2,207 com uma mediana de 6. Cerca de 57,66% dos participantes que já iniciaram a sua vida sexual, afirmaram ter utilizado preservativo na última relação sexual. Para além destas medidas, procurou-se ainda apurar quantas vezes não terá sido utilizado o preservativo, em dois espaços temporais: 6 meses e último mês. Em média, nos últimos 6 meses, os participantes não utilizaram o preservativo 10,29±22,077 vezes, e no último mês teria sido uma média de 3,31±11,100. Observa-se, portanto, alguma inconsistência ao nível da amostra geral.

Relativamente à intenção futura de uso do preservativo, observou-se uma média de 5,29±2,24. Este valor, superior à média de utilização do preservativo, indica uma intenção alta para a utilização do preservativo.

No que concerne à decisão de utilizar o preservativo, os participantes, em geral, consideraram ser uma decisão mais individual (5,18±1,523), mas também a classificaram como sendo uma decisão tomada em conjunto com o parceiro (6,13 ±1,591).

Na Tabela 3 apresentamos as diferenças encontradas entre homens e mulheres.

 

 

Como podemos observar, homens e mulheres não diferiram ao nível da utilização do preserva tivo, não apresentaram diferenças ao nível da intenção de uso, nem ao nível da tomada de decisão.

Análise de clusters por história sexual e comportamento de uso do preservativo

De forma a analisar a possibilidade de existirem grupos de indivíduos, que se diferenciam por padrões comportamentais distintos, foi realizada uma análise de clusters. Na análise foram considerados todas as questões da história sexual (à excepção do tipo de relações sexuais) como do comportamento do uso do preservativo.

Optou-se pela utilização do método hierárquico de clusters para definir o número de clusters, utilizando o R2 como critério de decisão do número de grupos a reter, de acordo com a sugestão de Maroco (2003). O método seleccionado para agregar os sujeitos foi o de Ward, com a medida do quadrado da distância euclidiana. Foram guardadas as soluções de 2 a 10 clusters. O critério do R2 mede, quão diferentes são os grupos formados em cada passo do algoritmo, entendendo-se como a razão entre a soma dos quadrados dos grupos e a soma dos quadrados totais para cada uma das variáveis usadas na análise (Maroco, 2003).

Neste caso procura-se um número de clusters que retenha uma percentagem significativa da variabilidade total das variáveis consideradas. Os cálculos foram efectuados, como sugerido pelo autor, através da ANOVA. O resultado está sumarizado na Figura 1.

 

 

Procurou-se um número de clusters que retivesse uma percentagem significativa da variabili dade das variáveis consideradas. A diferença entre a variabilidade retida entre a primeira solução (2 clusters) e a segunda solução (3 clusters) é evidente. A partir dessa solução a variabili dade aumenta, mas não de forma tão ostensiva. Considerámos a solução de 3 clusters como sendo satisfatória, dado que o aumento do número de clusters dividiria o grupo com menos elementos, dificultando a interpretação dos resultados.

O resultado final evidenciou 3 clusters, ou grupos de sujeitos, com médias significativamente diferentes ao nível do número de parceiros total, número de parceiros nos últimos 3 meses, ao nível da utilização do preservativo, do uso do preservativo na última relação sexual, do número de vezes que o preservativo não foi utilizado nos últimos 6 meses e 1 mês, da intenção de uso, e ainda ao nível da decisão individual no que concerne ao uso do preservativo (p<0,050). Não foram encon tradas diferenças significativas ao nível das idades da primeira relação sexual, quer do participante, quer do parceiro, nem ao nível da tomada de decisão em conjunto com o parceiro (p>0,050).

Para ilustrar melhor as diferenças entre os grupos, foi elaborado um gráfico de linhas, cujos pontos máximos representam as médias de cada variável, distribuídas pelos 3 clusters formados. Dada a natureza nominal da utilização do preservativo na última relação sexual e da existência de um parceiro ao momento do questionário, foi realizado um teste de independência, de forma a compreender a associação entre as respostas e os clusters. Nestes casos particulares, surge o valor a que o cluster está significativamente associado.

 

 

O primeiro grupo parece ser formado por indivíduos com menor número de parceiros, que não têm um parceiro actual e que mostram alguma constância de parceiros nos últimos 3 meses. A utilização do preservativo é a mais consistente dos 3 grupos, tendo utilizado preservativo na última relação sexual, tendo uma média muito inferior a qualquer um dos outros grupos relativamente à não utilização nos últimos 6 meses e no último mês. São também os indivíduos que têm a intenção de utilização mais elevada, e que consideram a utilização do preservativo como sendo uma decisão mais individual. Este cluster reúne o maior número de participantes, com um total de 631 sujeitos.

O segundo e terceiro clusters têm totais inferiores. O segundo cluster agrega 82 sujeitos, que se diferenciam do primeiro cluster pelo uso inconsistente do preservativo e por uma baixa intenção futura. Têm um maior número de relações sexuais sem preservativo nos últimos 6 meses e 1 mês. Têm um maior número de parceiros, têm parceiro actualmente e parecem ter cerca de 1 a 2 parceiros nos últimos 3 meses. Consideram o uso do preservativo como sendo uma decisão menos individual, quando comparado com o primeiro cluster.

O terceiro, e último, cluster resume 32 sujeitos com um comportamento quase exclusivo de não utilização do preservativo, que também evidenciam um maior número de parceiros, tanto no geral como nos últimos 3 meses. Revelam a menor intenção de utilização dos três grupos.

Análise multivariada entre clusters e variáveis demográficas

Para evidenciar possíveis diferenças entre os clusters ao nível das restantes variáveis demográficas, foi conduzida teste de independência para as variáveis nominais e uma análise discriminante para as variáveis intervalares.

As variáveis consideradas na análise referem-se à idade dos participantes, à religião (Não tem; Católico/Cristão, Budista, e Outras), à orientação política (Bloco de Esquerda, CDU, PS, PSD, PP, Não tem, Outra), ao grau de religiosidade, ao grau de actividade política, estado civil (Solteiro, Casado), ao agregado familiar (Vive só; Vive com Família Directa – Pais; Vive com Família Indirecta – Avós, tios, primos; Vive com Família Directa – cônjuge e filhos) e à actividade profissional (Estudante ou Trabalhador-estudante).

As variáveis nominais consideradas são independentes dos clusters, não existindo uma associação significativa entre ambas (Religião p=0,603; Orientação política p=0,067; Grau de Religiosidade p=0,601; Grau de Actividade Política p=0,709; Estado Civil p=0,400; Agregado Familiar p=0,743; Actividade Profissional p=0,162).

A análise discriminante classificou correctamente 79,7% dos casos originais, o que poderá ser indicador que as variáveis introduzidas têm algum poder discriminante. Relativamente à homogeneidade da matriz de variância-covariância, pode-se afirmar que não devemos rejeitar H0 [M de Box=6,688, F(12)=0,562, p=0,874], pelo que podemos supor que o pressuposto da homogeneidade das variâncias está cumprido neste caso. Contudo, o teste para igualdade das médias entre grupos apenas apresenta diferenças significativas ao nível da idade dos participantes [λ=0,990, F(727)=3,693, p=0,025], pelo que apenas esta variável tem poder discriminante entre grupos. A religiosidade e a actividade política dos participantes não apresentam um efeito significativo que permita considerar a existência de diferenças ao nível dos clusters (p>0,050). Da mesma forma, a primeira função discriminante apresenta uma correlação canónica de 0,105, e não está significativamente associada à segunda função (χ2=8,554, p=0,200). Como tal, é de notar que apesar de apenas a idade ter poder discriminante, esta não será muito relevante na diferenciação dos grupos. Não obstante, os indivíduos do 3º grupo apresentam uma idade superior aos restantes.

Comparação com estudos referentes ao uso do preservativo

De forma a contextualizar os dados na literatura actual, foi ainda realizada uma comparação entre diversos estudos que mediram a utilização do preservativo em amostras de jovens adultos. Para tal, foi realizada uma pesquisa, tendo como palavras base “uso preservativo” ou “condom use”, quando referenciadas no título e “jovem* adult*” ou “young adult*” referenciadas nos tópicos ou palavras-chave. Os anos de pesquisa centraram-se nos últimos 5, isto é, desde 2005 a 2010.

A pesquisa originou 6 artigos desenvolvidos em Portugal, através do motor de pesquisa ScholarGoogle, com permissão de acesso a todos, e 31 artigos através da base de dados da ISI – Web of Knowledge. Relativamente aos artigos Portugueses, 4 eram adequados à comparação a este estudo. Dos artigos retirados da Web of Knowledge apenas 8 artigos reuniam as condições de acessibilidade e de semelhança com este estudo.

 

TABELA 4

 

De forma a tornar mais ilustrativa as semelhanças entre os estudos, representaram-se em gráfico os estudos com medidas mais semelhantes. Os dados referentes ao uso do preservativo foram agrupados em três medidas: uso consistente (7 na escala de Likert), uso inconsistente (6-2 na escala de Likert) e não uso (1 na escala de Likert). Da mesma forma, dados como “algumas vezes”, “normalmente” ou “ocasionalmente” foram considerados como um uso inconsistente. Os dados são apresentados na Figura 3.

 

 

Como se pode observar, o uso do preservativo é inconsistente nas diversas amostras. Os dados mais semelhantes ao deste estudo são referentes ao estudo de Leigh e colaboradores (2008), que utilizaram uma amostra de jovens adultos norte-americanos e cujos dados parecem ser muito semelhantes aos obtidos com a nossa amostra portuguesa.

De forma semelhane, o estudo de Muñoz-Silva e colaboradores (2009) evidencia médias de utili zação do preservativo muito semelhantes às reportadas pelos homens e pelas mulheres neste estudo.

No entanto, parece existir uma grande dispersão de resultados, em parte devido às diferentes medidas utilizadas pelos diferentes estudos. Os estudos referentes à amostra brasileira e asiática revelam as maiores percentagens de não uso, quando comparadas com as outras amostras.

DISCUSSÃO

O aumento de casos de VIH entre jovens adultos tem evidenciado a relevância de estudos que se preocupam com a utilização do preservativo. Em Portugal, como na Europa e nos Estados Unidos da América, a prevalência de infecções em jovens adultos, por contacto heterossexual, cresceu nos últimos anos, tornando-se um risco considerável para a população em geral (Collins et al., 2005).

Este estudo tinha como principal objectivo caracterizar a utilização do preservativo nos jovens adultos portugueses. Foi conduzido um estudo transversal, que contou com a participação de 1134 jovens adultos, de ambos os sexos. Apesar de o objectivo contemplar a caracterização do comportamento de uso do preservativo dos jovens adultos portugueses, não podemos deixar de observar a existência de uma maioria expressiva de participantes universitários (apenas cerca de 11% não são universitários). A dificuldade em recolher uma amostra significativa de indivíduos que não façam parte do meio universitário poderá ter enviesado os resultados obtidos.

De uma forma em geral, é sugerido na literatura que os estudantes universitários utilizam mais o preservativo do que os estudantes não universitários (Bailey et al., 2008). Esta amostra é constituída maioritariamente por estudantes universitários, com um número muito reduzido de participantes externos ao sistema universitário. Simultaneamente, os indivíduos com uma escolaridade mais elevada têm uma maior probabilidade de utilizarem métodos contraceptivos (Martin, 2005). Como tal, de ora em diante deverá considerar-se que a denominação de jovens adultos pretende apenas designar jovens adultos universitários ou estudantes universitários.

Os resultados apontam para uma utilização inconsistente do preservativo, o que está de acordo com investigações anteriores (Amaro et al., 2004; Muñoz-Silva et al., 2009; Reis & Matos, 2008). No entanto, não se verificou que os homens utilizassem significativamente mais o preservativo do que as mulheres, como indicam alguns estudos realizados em Portugal (Reis & Matos, 2007; Reis, Ramiro, & Matos, 2009).

A utilização do preservativo parece obedecer a diferentes padrões. A análise de clusters realizada evidencia três grupos diferentes. O grupo mais comum representa os indivíduos que utilizam o preservativo de uma forma pouco inconsistente, mas que parecem estar predispostos a utilizar o preservativo. O segundo grupo parece diferenciar-se deste primeiro por ter um parceiro sexual no momento da resposta e por uma utilização mais inconsistente do preservativo. Finalmente, o terceiro grupo parece ser aquele que corre mais riscos, evidenciando uma clara não utilização do preservativo. Os grupos não apresentam diferenças ao nível das variáveis demográficas, à excepção da idade. O terceiro grupo apresenta uma média de idades superior ao primeiro grupo. Este dado parece sugerir que os indivíduos mais velhos têm menos probabilidade de utilizar o preservativo, o que se verifica em estudos com amostras portuguesas (Reis & Matos, 2008) como com amostras internacionais (Adefuye, Abiona, Balogun, & Lukobo-Durrell, 2009).

A presença de um parceiro estável parece ser, igualmente, um indicador da diminuição de utilização do uso do preservativo bem como da intenção da utilização do mesmo, já que aos grupos de indivíduos que está associada a existência de um parceiro está igualmente correlacionado uma utilização mais inconsistente do preservativo. Este resultado é semelhante a outros encontrados em estudos nacionais e internacionais (Bogart et al., 2005; Gomes & Nunes, 2008a,b). Os dados parecem validar o estudo de Muñoz-Silva e colaboradores (2009), dado que os resultados de utilização do preservativo são muito semelhantes, tanto para homens como para mulheres na amostra portuguesa.

Relativamente a outros aspectos da história sexual, homens e mulheres da amostra em estudo parecem não diferir. Estudos anteriores apontam para a existência de diferenças ao nível da idade em que se inicia a vida sexual, com os homens a terem a primeira relação sexual mais cedo do que as mulheres (Reis & Matos, 2008). Não obstante, o presente estudo indica um claro equilíbrio entre homens e mulheres, que indicam que a média da primeira relação sexual se situa entre os 17 e os 18 anos. Observa-se, igualmente uma média de parceiros semelhante para homens e para mulheres, evidenciando-se até uma ligeira superioridade para as mulheres. O número de homens e mulheres com parceiro, no momento de resposta ao questionário, foi igualmente, semelhante.

As diferenças entre homens e mulheres nesta área têm conduzido continuamente a resultados pouco consistentes. Enquanto alguns estudos sugerem a existência de diferenças ao nível cognitivo e comportamental (e.g., Parsons, Halkitis, Bimbi, & Borkowski, 2000), outros sugerem que homens e mulheres apresentam comportamentos semelhantes (Boileau, Zunzunegui, & Rashed, 2009). Neste estudo, vários factores podem ter interagido conduzindo a este resultado e a sua conjunção parece ser bastante particular, pelo que estes resultados devem ser interpretados com algumas reservas.

Seria de esperar que devido ao duplo padrão sexual que se considera activo nas sociedades ocidentais, como a portuguesa, que os homens apresentassem uma menor utilização do preservativo (Crawford & Popp, 2003; Saavedra, Magalhães, Soares, Ferreira, & Leitão, 2007). Contudo, nesta amostra os participantes parecem não se deixar afectar por este padrão sexual, aliás como se observa em outros estudos (Marks & Fraley, 2005). Este facto poderá ficar a deverse, não exclusivamente a uma aparente equidade entre homens e mulheres, mas sim a uma maioria de mulheres na amostra. É ainda de considerar que as condições de resposta ao questionário não foram controladas, devido à estratégia utilizada, podendo os participantes ter sentido alguma pressão para responderem de determinada maneira.

Parece também ser relevante que homens e mulheres descrevem comportamentos idênticos, quer ao nível da história sexual, quer ao nível da utilização do preservativo. A intenção de utilização do preservativo pode considerar-se elevada para a amostra, o que poderá indicar que os jovens adultos estão alertados para a necessidade de utilizarem protecção contra infecções sexualmente transmissíveis. Consideram, também, que a decisão de utilizar o preservativo é essencialmente pessoal. No entanto, o comportamento actual mostra uma discrepância entre a utilização e a intenção de uso do preservativo.

Deverá ser considerado que os motivos que caracterizam a não utilização do preservativo se devem maioritariamente à utilização de outros métodos contraceptivos (Ministério da Saúde, 2005). O preservativo parece rivalizar com a pílula, que surge como o método mais comum de contracepção entre mulheres jovens adultas, e cuja utilização aumenta com a idade (Reis & Matos, 2008). Apesar de os indivíduos reconhecerem a importância da SIDA, apenas uma parte desses indivíduos considera este um problema pessoal, revelando ainda algum desconhecimento face às formas de transmissão do VIH (ISCSP, 2004). Efectivamente, os indivíduos parecem reconhecer o risco, mas esta percepção diminui consideravelmente quando se considera o risco pessoal e as experiências individuais (Amaro et al., 2004).

Por outro lado, a utilização da pílula é bastante expressiva nas amostras portuguesas. O estudo de Muñoz-Silva e colaboradores (2009) revela que este método é mais comum entre os indivíduos que têm um parceiro estável. No entanto, este facto aumenta substancialmente o risco dos jovens adultos às infecções sexualmente transmissíveis.

A estabilidade do parceiro poderá, portanto, ser vista como uma situação de confiança, envolvendo heurísticas relativas ao VIH e à relação amorosa/sexual que conduzem a uma menor utilização do preservativo. Alguns estudos evidenciam que ideias relacionadas com a fidelidade, o amor e a confiança no parceiro conduzem a uma diminuição da utilização do preservativo e a um enviesamento do risco real de infecções sexualmente transmissíveis (Gebhardt, Kuyper, & Greunsven, 2003; Vizeu Camargo & Biousfield, 2009).

Quando comparamos os resultados da amostra portuguesa com amostras de outros países, observa-se que estes variam bastante de acordo com as culturas de origem. O estudo actual parece indicar que em Portugal há mais indivíduos a utilizar o preservativo do que em outros estudos com amostras da América do Sul, Ásia e África do Sul (Hendriksen, Pettitfor, Lee, Coates, & Rees, 2007; Juarez & Martín, 2006; Ma et al., 2009) apesar de esta utilização ser maioritariamente inconsistente. Os resultados mais semelhantes são às amostras americanas (Leigh et al., 2008) evidenciando que Portugal poderá estar a seguir a mesma tendência observada nos EUA, em que o risco de VIH está a deixar de ser característica de grupos de risco, para passar a ser mais generalizada. Efectivamente, a UNAIDS (2008) caracteriza o sexo desprotegido como sendo a maior ameaça à saúde colectiva, colocando o VIH/SIDA numa perspectiva pandémica também ao nível dos países desenvolvidos.

Como tal, os resultados deste estudo permitem concluir que os jovens adultos universitários poderão estar em risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis, dada a uma inconsistência ao nível da utilização do preservativo. Esta tendência parece ser comum a outros países, e permite validar estudos anteriores com amostras portuguesas.

A utilização do preservativo parece diminuir consideravelmente com a existência de um parceiro estável, tendência essa que aumenta com a idade do jovem adulto, colocando os indivíduos mais velhos num risco maior.

A amostra em causa não evidencia diferenças comportamentais entre homens e mulheres, que são muitas vezes focadas ao longo da literatura. A homogeneidade dos comportamentos poderá validar a metodologia da recolha de dados por computador, diminuindo o nível de desejabilidade social que é característico dos estudos de auto-resposta com a presença de um investigador. Deveremos sempre considerar que os estudos que utilizam esta metodologia de recolha de dados podem acarretar erros de memória ou enviesamentos, que não são passíveis de controlo, apesar de serem mais vantajosos (menos morosos e custosos) que as entrevistas (Gomes & Nunes, 2008a,b).

O não equilíbrio entre o número de homens e mulheres poderá sempre ser discutido como estando na origem dos dados verificados. Não obstante, os dados são semelhantes a outros estudos realizados com amostras portuguesas e com medidas idênticas de uso do preservativo (Muñoz-Silva et al., 2009), pelo que se considera que não terá tido um impacto significativo nos resultados obtidos.

São necessários mais estudos que explorem a utilização do preservativo de forma a aumentar a sua utilização, de forma consistente, em faixas etárias em que a prevalência do VIH parece aumentar de forma considerável, contornando aspectos como a idade e a existência de parceiros estáveis.

 

REFERÊNCIAS

Adefuye, A. S., Abiona, T. C., Balogun, J. A., & Lukobo-Durrell, M. (2009). HIV sexual risk behaviors and perception of risk among college students: Implications for planning interventions. BMC Public Health, 9(1), 281.         [ Links ]

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Trabalho financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH / BD / 36259 / 2007). Ambos os autores contribuíram de forma equitativa para a realização deste manuscrito.

Correspondência

A correspondência relativa a este artigo deverá ser enviada para: Alexandra Gomes, Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Edf. 1 – Campus de Gambelas, 8005 Gambelas, Faro, Algarve. E-mail: asgomes@ualg.pt

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