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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.28 n.1 Lisboa jan. 2010

 

Sugestionabilidade interrogativa em crianças de 8 e 9 anos de idade

André Costa (*), Maria Salomé Pinho (*)

 

(*) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra

 

RESUMO

Para estudar a influência das variáveis idade, inteligência, memória, ansiedade geral e desejabilidade social na sugestionabilidade avaliaram-se crianças de 8 e 9 anos de idade com o Bonn Test of Statement Suggestibility (BTSS). Em 145 crianças averiguou-se o efeito das variáveis memória e inteligência não verbal e, numa subamostra de 74 crianças, para além das variáveis referidas, considerou-se também a inteligência verbal, ansiedade geral e desejabilidade social. As crianças de 8 anos são mais sugestionáveis do que as crianças mais velhas. No grupo dos 8 anos, aquelas com melhores desempenhos ao nível da inteligência não verbal (medida pelas Matrizes Progressivas Coloridas de Raven – MPCR), e na evocação da história do BTSS são menos sugestionáveis comparativamente às crianças com piores desempenhos nestas provas. De modo análogo, as crianças com 9 anos são tanto mais sugestionáveis quanto piores os desempenhos nas MPCR, evocação da história do BTSS e subtestes informação, vocabulário e aritmética da WISC–III. As crianças deste grupo etário que apresentam desejabilidade social elevada (avaliada pela RCMAS) são também mais sugestionáveis. Estes resultados são discutidos considerando a sua relevância para o âmbito forense.

Palavras-chave: Ansiedade geral, Desejabilidade social, Inteligência, Memória, Sugestionabilidade.

 

ABSTRACT

To study the influence of the variables age, intelligence, memory, general anxiety and social desirability in suggestibility, 8 and 9-year-old children were assessed using the Bonn Test of Statement Suggestibility (BTSS). The effect of the variables memory and non-verbal intelligence was studied in 145 children while, in a subsample of 74 children, the variables verbal intelligence, general anxiety and social desirability were also taken into account besides the ones previously referred to. Eight-year-old children are more suggestible than older children. In the eight-year-old group, those with better performances in non-verbal intelligence (measured by Raven’s Coloured Progressive Matrices – RCPM), and in the BTSS story recall are less suggestible compared to the children with worse performances in these tests. Similarly, the worse the performance achieved by nine-year-old children in RCPM, in the BTSS story recall and in the subtests of information, vocabulary and arithmetic of WISC-III are, the more suggestible they are. The children belonging to this age group who show high social desirability (evaluated by RCMAS) are also more suggestible. These results are discussed according to its relevance in the scope of the forensic field.

Key-words: General anxiety, Intelligence, Memory, Social desirability, Suggestibility.

 

 

INTRODUÇÃO

O estudo aprofundado da sugestionabilidade, que remonta a Binet (e.g., Melnyk, Crossman, & Scullin, 2007), reveste-se de grande preponderância no contexto forense, uma vez que neste a exactidão e a integridade dos depoimentos das testemunhas detêm, em muitos casos, uma importância crucial para o apuramento do sucedido. Deste modo, considera-se necessário perceber quais os efeitos que uma questão sugestiva pode surtir nas respostas das pessoas quando interrogadas sobre um acontecimento (Ceci, Bruck, & Battin, 2000). No que concerne às crianças, este tema é especialmente relevante, uma vez que sempre que estas são chamadas a participar em contexto judicial é, frequentemente, colocada em causa a precisão e fidedignidade do seu testemunho. É também de sublinhar que decorrem consequências importantes, nomeadamente para as crianças e para os suspeitos de transgressão, dos conhecimentos que possuímos acerca da capacidade das crianças para contar, em contexto forense, o que aconteceu (Pipe & Salmon, 2009).

A sugestionabilidade infantil refere-se à fidedignidade e precisão dos relatos das crianças face a acontecimentos experienciados ou por si testemunhados (Ceci & Friedman, 2000; Lyon, 1999; Newcombe & Siegal, 1996). Especificamente, Gudjonsson e Clark (1986, citado em Gudjonsson, 1997) definem a sugestionabilidade interrogativa nos seguintes termos: “até que ponto, numa interacção social fechada, as pessoas tendem a aceitar mensagens difundidas durante um interrogatório formal que afectam, consequentemente, a sua resposta comportamental” (p. 1). Nesta definição existem algumas características fundamentais que devem ser observadas, designadamente: (i) a existência de uma interacção social próxima entre o entrevistador e o entrevistado, (ii) um processo de colocação de perguntas, (iii) estímulos sugestivos, (iv) aquiescência à sugestão e (v) uma resposta comportamental face à sugestão.

Este modelo de sugestionabilidade interrogativa constitui uma abordagem psicossocial. Assim, os referidos autores partem da ideia segundo a qual este tipo de sugestionabilidade resulta da construção decorrente da relação estabelecida entre o sujeito, o meio e outros sujeitos significativos que pertencem ao mesmo meio (Gudjonsson, 1997). É defendida a existência de três pré-requisitos essenciais para a aquiescência à sugestão, nomeadamente, a incerteza, as expectativas e a confiança interpessoal (Conti, 1999; Gudjonsson, 1997; Schooler & Loftus, 1986). Desta forma, a sugestionabilidade está relaciononada com as estratégias de coping a que os sujeitos recorrem perante situações de incerteza e nas quais se confrontam com expectativas relativamente à situação de interrogatório (Conti, 1999; Trowbridge, 2003). À confiança interpessoal está subjacente a credibilidade da informação fornecida por outrem e que poderá levar à integração dessa informação pós-acontecimento na memória (Scullin & Ceci, 2001). Pelo exposto, de acordo com este referencial teórico, a sugestionabilidade será tanto mais elevada quanto maior for o grau de incerteza, a confiança inter-pessoal e as expectativas face à situação de interrogatório.

Um outro aspecto a ter em consideração no modelo de sugestionabilidade interrogativa remete para o feedback fornecido pelos entrevistadores (Gudjonsson, 1997; Nurmoja, 2005), ou seja, para a informação veiculada acerca das respostas do sujeito. Esta assume-se como um elemento crucial, na medida em que reforça ou conduz à modificação das respostas do entrevistado, podendo apresentar duas valências distintas: feedback positivo e feedback negativo. Gudjonsson (1989, 1997) e Nurmoja (2005) destacam a influência do feedback negativo que, tendencialmente, se encontra associado a um aumento da aquiescência à sugestão. Por exemplo, no Bonn Test Statement Suggestibility (BTSS) o feedback negativo está patente na repetição das questões já colocadas em que se recorre a expressões como ‘Ouve a pergunta com atenção’ ou ‘Tens a certeza?’.

Há ainda a acrescentar mais duas vertentes da sugestionabilidade relevantes no contexto forense e contempladas nas Gudjonsson Suggestibility Scales (GSS) (Gudjonsson, 1997), assim como no BTSS (Endres, 1997). A primeira remete para o impacto que uma questão sugestiva pode ter sobre a testemunha e, por seu turno, a segunda diz respeito ao limiar a partir do qual o feedback negativo ou a pressão social leva à mudança de uma resposta dada anteriormente (Gudjonsson, 1997).

Diferenças individuais na sugestionabilidade

As diferenças individuais das crianças relativamente à sugestionabilidade assumem especial relevância no contexto forense, conforme referido por Ornstein (citado em Chae & Ceci, 2006). Este autor afirma que a compreensão de tais diferenças é uma pedra basilar na estruturação de entrevistas. Assim, estas últimas devem contemplar a variabilidade das capacidades de cada criança, procurando favorecer a recuperação mnésica e minimizar o impacto negativo de perguntas sugestivas que possam conduzir a distorções da memória.

Em diversos estudos procurou-se compreender a preponderância de determinadas variáveis no que diz respeito aos testemunhos oculares infantis. Porém, os resultados obtidos têm sido frequentemente incongruentes, o que denuncia também o largo espectro de temáticas a explorar (Chae & Ceci, 2006; Cunha, Albuquerque, & Freire, 2007). No presente trabalho, será dado destaque à influência das variáveis género, idade, inteligência, memória, ansiedade geral e desejabilidade social na sugestionabilidade infantil.

Os investigadores têm averiguado as relações entre sugestionabilidade e idade existindo, a este nível, duas posições antagónicas. Alguns observaram que os níveis de sugestionabilidade são mais elevados em crianças de idade pré-escolar tendendo a diminuir com o avanço da idade. Deste modo, os adultos seriam menos sugestionáveis do que os adolescentes e estes menos sugestionáveis do que as crianças (Bruck & Ceci, 1999; Nurmoja, 2005). Porém, outros investigadores verificaram o oposto (e.g., Duncan, Whitney, & Kunen, 1982).

Descrevem-se, seguidamente, ainda que de uma forma breve, alguns destes estudos tornando patente diferenças entre eles, no que diz respeito às amostras e aos procedimentos.

Clarke-Stewart, Malloy, e Allhusen (2004) apontam a variável idade como um preditor fiável da sugestionabilidade, pelo menos no que concerne a crianças com idades compreendidas entre os três e os oito anos, no sentido em que maiores níveis de sugestionabilidade estariam associados às crianças mais novas. Resultados concordantes com estes foram encontrados nos estudos de Burgwyn-Bailes, Baker-Ward, Gordon, e Ornstein (2001) e Geddie, Fradin, e Beer (2000) também com crianças pertencentes à mesma faixa etária. Em crianças cujas idades se situavam entre os seis e os dezasseis anos (Ceci & Bruck, 1993) e entre os quatro e os doze anos (Bruck, Ceci, & Hembrooke, 1998) os resultados obtidos vão também no sentido de que a sugestionabilidade seria maior nas crianças mais novas. No estudo de Bruck, Ceci, e Hembrooke (1998) é sublinhado que o desempenho mnésico mais baixo nas crianças mais novas estaria associado à maior sugestionabilidade destas.

Resultados não concordantes com o acima descrito podem ser encontrados em estudos realizados por Duncan, Whitney, e Kunen (1982), Flin, Boon, Knox, e Bull (1992, citado em Baddeley, 1999) ou Finnila, Mahlberg, Santilla, Sandnabba, e Niemi (2003), entre outros. Nestes estudos, as faixas etárias abrangidas diferem, pois incluem a comparação com adultos (Duncan et al., 1982; Flin et al., 1992, citado em Baddeley, 1999) e apresentam descontinuidades etárias (comparação entre sete, nove, onze anos e adultos; seis, nove anos e adultos; quatro-cinco e sete-oito anos, respectivamente). Além disso, o intervalo de retenção varia (mais longo no caso do estudo de Flin et al., 1992, citado em Baddeley, 1999) e a avaliação da sugestionabilidade não se baseia nas mesmas medidas. Por exemplo, Finnila et al. (2003) usaram o BTSS tendo verificado que o grupo de crianças mais novas respondeu mais vezes “sim” nas questões Sim/Não, sendo, por isso, mais sugestionáveis nestas questões. Porém, nas questões repetidas verificou-se o inverso, ou seja, foram as crianças mais velhas que modificaram mais vezes as suas respostas.

Portanto, o potencial explicativo desta variável, quando considerada de modo isolado, é claramente insuficiente sempre que se procura estudar a vulnerabilidade das crianças a sugestões falaciosas (Crossman, Scullin, & Melnyk, 2004). As diferenças ao nível da sugestionabilidade não se cingem apenas a grupos etários diferentes, pois, mesmo em crianças com idade semelhante, o grau de precisão dos testemunhos acerca de um determinado acontecimento é bastante díspar, o que parece sugerir a importância das idiossincrasias de cada criança (Chae & Ceci, 2006; Nurmoja, 2005).

Uma outra variável que tem suscitado igualmente algumas divergências quanto ao seu impacto refere-se ao género (Clarke-Stewart et al., 2004). Alguns investigadores defendem que as raparigas são mais sugestionáveis do que os rapazes (McFarlane, Powell, & Dudgeon, 2002; Ordi & Miguel-Tobal, 1999). Porém, Gudjonsson (1997) e Rudy e Goodman (1991) verificaram a ausência de diferenças estatisticamente significativas na sugestionabilidade relativamente ao género. Young, Powell, e Dudgeon (2003) consideram que a discrepância destes resultados pode radicar no uso de diferentes medidas de sugestionabilidade e numa maior heterogeneidade das amostras utilizadas. Por outro lado, Tredoux, Meissner, Malpass, e Zimmerman (2004) apontam que as diferenças obtidas no que respeita ao género podem dever-se ao tipo de informação envolvida (e.g., descrever o vestuário, mais frequente entre o género feminino; descrever o tipo de arma, mais comum entre o género masculino). Ainda Young, Powell, e Dudgeon (2003) asseveraram que o género não se encontra correlacionado com a sugestionabilidade, pelo que, não constitui um bom preditor da aquiescência à sugestão.

Uma outra variável referida na literatura, como estando relacionada com a sugestionabilidade, é a inteligência. Esta tem sido indicada como um possível preditor da sugestionabilidade infantil considerando-se que as crianças tidas como mais inteligentes seriam mais resistentes à sugestão (Clarke-Stewart et al., 2004; Melnick, Crossman, & Scullin, 2007).

Vários resultados têm apontado a existência de uma relação negativa entre estas duas variáveis (Bruck, Ceci, & Melnyk, 1997; Chae & Ceci, 2005). Gudjonsson (2002) indica duas razões que justificam a natureza desta relação. Por um lado, considera-se que a sugestionabilidade se encontra associada à incerteza que, por sua vez, se encontra também relacionada com a memória (maior incerteza quando o traço mnésico se encontra enfraquecido), a qual se espera que se correlacione positiva e significativamente com a inteligência. Por outro lado, o modelo de sugestionabilidade interrogativa baseia-se na ideia de que as estratégias de coping para lidar com as expectativas e a incerteza são elementos fundamentais para a aquiescência/ /resistência à sugestão, daí que as crianças com níveis inferiores de inteligência possam recorrer a estratégias de coping mais rudimentares numa situação de interrogatório (situação não familiar), pelo que seriam mais sugestionáveis.

Neste contexto alguns autores recorrem a medidas verbais, enquanto outros utilizam medidas não verbais para avaliar a inteligência (Chae & Ceci, 2005, 2006). Relativamente à relação entre medidas de inteligência não verbal e sugestionabilidade, os resultados dos estudos também têm primado pela inconsistência (Chae & Ceci, 2005). No que concerne à inteligência verbal, alguns investigadores observaram que à medida que se assiste a uma diminuição das pontuações obtidas na escala total de QI, ou somente no QI verbal, maior será a aquiescência face a informações sugestivas (Geddie, Fradin, & Beer, 2000; Young, Powell, & Dudgeon, 2003). Eisen, Qin, Goodman, e Davies (2002) defendem que a inteligência verbal é, provavelmente, um melhor preditor da sugestionabilidade do que a inteligência não verbal. Esta ideia foi apoiada por Clarke-Stewart et al. (2004). Sublinhe-se ainda que uma maior heterogeneidade numa variável permite destacar o seu valor explicativo. Nos estudos em que foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre a sugestionabilidade e a inteligência, existe uma grande variação no nível intelectual dos sujeitos incluídos nas amostras (Burgwyn-Bailes et al., 2001).

Existem ainda outras variáveis relacionadas com as diferenças individuais que poderão influenciar a sugestionabilidade (Geddie, Fradin, & Beer, 2000). Uma delas é justamente a memória.

Foram estudadas modificações importantes no desenvolvimento que se repercutem na capacidade das crianças para recordar (Ornstein & Haden, 2001). Partindo da abordagem da sugestionabilidade baseada na robustez do traço mnésico, considera-se que as recordações mais robustas seriam resistentes perante informação falaciosa oriunda de fontes exteriores, informação essa proferida após a ocorrência de um dado acontecimento (Quas & Schaaf, 2002). Marche e Howe (1995), assim como Liebman, McKinley-Pace, Leonard, Sheesley, Gallant, Renkey, e Lehman (2002), partilham esta ideia ao defenderem a existência de uma correlação negativa entre a memória das crianças e a sugestionabilidade, isto é, as crianças que tendem a ter dificuldade em recordar com precisão um acontecimento são mais facilmente sugestionáveis. Acresce ainda que se a codificação mnésica de um dado acontecimento começar a sofrer um processo de desagregação e, por este motivo, se a sua retenção não for suficientemente preservada, a informação de conteúdo sugestionável pode concorrer com a representação da informação original, sendo favorecida a sua recuperação mnésica em detrimento desta última (Ceci & Bruck, 1993; Roebers & Schneider, 2005).

Supõe-se que a sugestionabilidade interrogativa seja significativamente mediada pelos processos de ansiedade (Gudjonsson, 2002). Assim, tendo em consideração os dois tipos de ansiedade – traço e estado – diversos investigadores observaram correlações mais elevadas entre a ansiedade-estado e a sugestionabilidade (Gudjonsson, 2002). Estes resultados são consonantes com um dos pressupostos da psicologia cognitiva, o qual refere que a ansiedade-estado afecta os processos cognitivos (Ridley & Clifford, 2004). Assim, indivíduos com níveis superiores de ansiedade-estado têm um desempenho mnésico inferior, uma vez que a preocupação com a possibilidade de falhar e com a apresentação de uma auto-imagem negativa consome alguns recursos cognitivos (e.g., atenção), comprometendo, deste modo, a codificação e a recuperação mnésicas (Eysenck, 2002).

Mas, Gudjonsson, Rutter, e Clare (1995 citados em Wolfradt & Meyer, 1998) encontraram correlações mais consistentes entre sugestionabilidade e ansiedade-traço do que entre sugestionabilidade e ansiedade-estado. Por seu turno, Wolfradt e Meyer (1998) e Ordi e Miguel-Tobal (1999) observaram correlações positivas e significativas com ambos os tipos de ansiedade. Sabe-se que os sujeitos mais sugestionáveis tendem a apresentar níveis superiores de ansiedade, percebendo, assim, as situações quotidianas como mais ameaçadoras, quando comparados com sujeitos classificados como menos sugestionáveis.

Também a desejabilidade social tem sido uma variável estudada como podendo estar relacionada com a sugestionabilidade. A desejabilidade social refere-se à tendência para as pessoas fornecerem respostas falaciosas com o intuito de darem uma imagem positiva e culturalmente aceite, evitando a crítica em situação de teste (Richman, Kiesler, Weisband, & Drasgow, 1999).

Warren, Hulse-Trotter, e Tubbles (1991) sublinharam a importância dos factores sociais na sugestionabilidade, referindo que a sua influência é mais premente na infância do que na adultez. Partindo deste pressuposto, Ceci e Bruck (1993) referem que as crianças, muitas vezes, tendem a emitir respostas concordantes com as expectativas que têm relativamente ao entrevistador. Assim, emitem a resposta que pensam que este espera e não aquela que é consistente com o seu conhecimento acerca de um dado acontecimento. Esta situação ocorre tanto em interrogatórios com questões indutoras, como em entrevistas repetidas (Bruck & Ceci, 1999). Quas, Goodman, Ghetti, Redlich, Edelstein, Alexander, et al. (2005, citados em Goodman & Quas, 2008) sublinham que, sob pressão social, as idiossincrasias de cada criança podem conduzir à modificação das suas respostas face a questões repetidas.

Com o presente estudo pretendeu-se analisar a influência das variáveis, idade, memória, ansiedade geral, inteligência e desejabilidade social na sugestionabilidade interrogativa avaliada com o BTSS. Foram colocadas as seguintes hipóteses: (i) observação de diferenças estatisticamente significativas relativamente à sugestionabilidade total em função da idade, sendo que as crianças mais novas seriam mais sugestionáveis quando comparadas com as crianças mais velhas; (ii) existência de uma relação positiva e significativa entre o valor da sugestionabilidade total e a variável ansiedade geral em ambas as idades, i.e., crianças mais ansiosas apresentariam valores mais elevados de sugestionabilidade total; (iii) observação de uma relação positiva e significativa entre o valor da sugestionabilidade total e a variável desejabilidade social em ambas as idades, i.e., crianças com maior desejabilidade social teriam valores mais elevados de sugestionabilidade total; e (iv) manifestação de uma relação negativa e significativa entre o valor da sugestionabilidade total e as variáveis inteligência e memória em ambas as idades, i.e., crianças com desempenhos mais baixos nestes domínios cognitivos apresentariam valores mais elevados de sugestionabilidade total.

MÉTODO

Participantes

O estudo da influência das variáveis memória e inteligência não verbal incidiu sobre 145 crianças, 74 do género masculino (51.0%) e 71 do género feminino (49.0%). Destas crianças, 68 tinham 8 anos e as restantes 77 tinham 9 anos. O estudo da influência das variáveis inteligência verbal, ansiedade geral e desejabilidade social na sugestionabilidade incluiu apenas 74 crianças das 145 já referidas, das quais 36 do sexo masculino (48.6%) e 38 do sexo feminino (51.4%). Nesta subamostra, 35 crianças tinham 8 anos e 39 crianças 9 anos.

Instrumentos

A recolha de dados foi efectuada com os instrumentos a seguir descritos.

O Bonn Test of Statement Suggestibility (BTSS; Endres, 1997; tradução, adaptação e validação de Costa, 2008) é um instrumento destinado a medir a sugestionabilidade interrogativa em crianças. Consta de uma história, dividida em cinquenta unidades de cotação, e de trinta e uma questões definidas de acordo com quatro classes: distractivas, sim/não, alternativas e repetidas. As questões distractivas não são contempladas na análise dos resultados, uma vez que servem, apenas, para que as crianças acreditem tratar-se de um teste de memória relativo à história apresentada. As questões sim/não apresentam factos erróneos podendo sugerir uma resposta afirmativa, quando na verdade a resposta correcta é negativa. As questões alternativas apresentam duas possibilidades de resposta, ambas erradas enquanto as questões repetidas, tal como o próprio nome indica, consistem na repetição de perguntas anteriormente formuladas (sim/não ou alternativas), mas a sua formulação inclui elementos que levam a sugerir que a resposta dada anteriormente estava errada. Inicialmente é dito à criança que lhe vai ser contada uma história e simultaneamente são-lhe mostradas figuras que surgem no momento adequado. Segue-se um intervalo de cerca de quinze minutos ocupado com outras tarefas não interferentes e, por último, são colocadas as trinta e uma questões sobre a história.

Este instrumento permite então avaliar a memória (evocação imediata da história cujo resultado máximo são cinquenta pontos) e a sugestionabilidade total (resultado que varia entre zero e vinte e cinco pontos). São ainda consideradas as pontuações nos componentes “Alternativas” (questões 6, 7, 13, 17, 20, 24 e 26; pontuação que varia entre zero e sete pontos), “Sim/Não” (questões 3, 9, 14, 19, 27, 29 e 30; resultado que varia entre zero e sete pontos) e “Repetidas” (questões 10, 12, 15, 18, 21 e 28; valor que varia entre zero e seis pontos). Os cinco itens que não saturam em nenhum dos componentes são incluídos no cálculo da sugestionabilidade total, dado serem considerados relevantes para avaliar a sugestionabilidade interrogativa em crianças.

As Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR; aferição portuguesa de Simões, 1994/2000) permitem avaliar a inteligência não verbal. Neste instrumento, constituído por três séries (A, AB e B), as crianças têm de seleccionar uma resposta, entre várias opções, de modo a completarem a sequência lógica dos padrões apresentados.

Para analisar a inteligência verbal, recorreu-se a quatro subtestes verbais da Escala de Inteligência de Wechsler para Crianças – 3ª edição (WISC-III; Wechsler, 1991/2003): informação, semelhanças, vocabulário e aritmética. Os três primeiros subtestes saturam no factor “Compreensão verbal”. A escolha do subteste Aritmética em detrimento da Compreensão radica no facto de ser considerado melhor indicador da inteligência.

A avaliação das variáveis ansiedade geral e desejabilidade social foi feita com a administração da Escala Revista de Ansiedade Manifesta para Crianças (RCMAS; Reynolds & Richmond, 1978; tradução e adaptação de Fonseca, 1992). Trata-se de um instrumento que visa avaliar a presença ou ausência de sintomatologia ansiosa. Contrariamente ao que acontece com a versão original, na qual foram identificadas três sub-escalas, no estudo efectuado por Fonseca (1992), a análise factorial revelou apenas dois factores: ansiedade global e mentira ou desejabilidade social. A RCMAS é constituída por trinta e sete itens e admite apenas duas possibilidades de resposta: sim e não.

Procedimento

Após o consentimento dos presidentes dos Conselhos Executivos dos Agrupamentos de Escolas onde se efectuou este estudo, foi explicado às professoras o procedimento e, posteriormente, foram solicitadas autorizações aos encarregados de educação das crianças para que estas integrassem a amostra. Todas as crianças foram avaliadas individualmente pelo primeiro autor.

Na amostra de 145 crianças em que apenas foi estudada a influência da memória e da inteligência não verbal na sugestionabilidade, administrou-se o BTSS e as MPCR de acordo com a seguinte sequência: apresentação da história do BTSS seguida imediatamente da sua evocação, MPCR e questões do BTSS. Aplicou-se ainda, no final, o subteste vocabulário da WISC-III. A 74 crianças desse grupo aplicaram-se também outros subtestes da WISC-III (vocabulário, aritmética, semelhanças e informação) e a RCMAS. A ordem de administração foi a seguinte: apresentação da história do BTSS seguida imediatamente da sua evocação, MPCR, questões do BTSS, vocabulário, aritmética, semelhanças, informação e RCMAS. No final, houve um espaço de diálogo com todas as crianças, a fim de se responder às perguntas por estas colocadas.

RESULTADOS

Apresentam-se, em seguida, os resultados das análises relativas ao género, idade, ansiedade geral, desejabilidade social, memória e inteligência no que diz respeito à sugestionabilidade.

Diferenças de género

Começou-se por analisar as diferenças relativamente à sugestionabilidade total tendo em conta o género (M=13.85, DP=3.92 e M=13.92, DP=3.97, raparigas e rapazes, respectivamente) tendo-se verificado que estas não eram significativas, t(143)=-.11, p=.91. O mesmo sucedeu considerando os três componentes do BTSS (componentes ‘Repetidas’, ‘Alternativas’ e ‘Sim/Não’).

Diferenças de idade

Os resultados obtidos com a sugestionabilidade total revelaram que, em comparação com as crianças de 8 anos de idade (M=14.99, DP=3.14), as com 9 anos (M=12.91, DP=4.31) obtiveram pontuações menos elevadas, t(143)=3.34, p=.001. Foram ainda encontradas diferenças de idade no que diz respeito aos componentes “Alternativas”, t(143)=2.20, p=.030 com M=5.37, DP=1.43 e M=4.79 e DP=1.69, respectivamente 8 e 9 anos, e “Sim/Não”, t(143)=3.63, p<.001 com M=4.38, DP=1.62 e M=3.31 e DP=1.90, respectivamente 8 e 9 anos.

A respeito de outras variáveis estudadas, verificou-se que as crianças com 9 anos obtiveram pontuações mais elevadas, sendo estas estatisticamente significativas, nas variáveis memória, t(143)=-3.08, p=.002 com M=19.93, DP=6.12 e M=23.04 e DP=6.03, respectivamente 8 e 9 anos, vocabulário t(143)=-4.45, p<.001 com M=13.46, DP=4.05 e M=16.81 e DP=4.90, respectivamente 8 e 9 anos, QI verbal t(72)=-3.07, p=.003 com M=85.66, DP=14.20 e M=96.03 e DP=14.80, respectivamente 8 e 9 anos, aritmética t(72)=-5.29, p<.001 com M=9.74, DP=2.63 e M=13.03 e DP=2.70, respectivamente, 8 e 9 anos, informação, t(72)=-4.52, p<.001 com M=8.86, DP=2.75 e M=11.82 e DP=2.87, respectivamente 8 e 9 anos, semelhanças t(72)=-6.27, p<.001 com M=5.37, DP=2.62 e M=9.95 e DP=3.53, respectivamente, 8 e 9 anos, e pontuações mais baixas na desejabilidade social t(72)=2.37, p=.021 com M=4.83, DP=1.44 e M=3.79 e DP=2.26, respectivamente 8 e 9 anos.

Com o intuito de se averiguar a existência de efeitos de interacção entre a idade e cada uma das variáveis em estudo (memória, inteligência, ansiedade geral e desejabilidade social) relativamente à sugestionabilidade, também se recorreu a MANOVAs, não se tendo obtido nenhum efeito de interacção significativo.

Diferenças de ansiedade geral e de desejabilidade social

Para analisar os resultados respeitantes à ansiedade gerale à desejabilidade social, cada grupo etário foi subdividido tomando-se como referência o valor da mediana. Passou-se então a considerar dois subgrupos participantes com ansiedade geral superior e inferior à mediana e participantes com desejabilidade social superior e inferior à mediana. Os desempenhos destes subgrupos são apresentados nos Quadros 1 e 2.

 

QUADRO 1

Diferenças relativas à sugestionabilidade total em função do nível de ansiedade geral de cada grupo etário

 

QUADRO 2

Diferenças relativas à sugestionabilidade total em função do nível de desejabilidade social de cada grupo etário

 

Conforme se pode verificar no Quadro 1, no que concerne aos resultados obtidos na sugestionabilidade total, estes não foram estatisticamente significativos (embora as crianças de 8 anos mais ansiosas tenham alcançado resultados superiores).

Pela análise do Quadro 2 constata-se que, contrariamente ao que aconteceu com as crianças de 8 anos, obtiveram-se diferenças estatisticamente significativas entre o nível de desejabilidade social na sugestionabilidade total nas crianças mais velhas. Assim, as crianças de 9 anos que apresentaram valores mais elevados de desejabilidade social foram também as mais sugestionáveis. Quanto aos componentes que constituem a escala total do BTSS, concluiu-se que apenas foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os níveis de desejabilidade social para “Alternativas”, t(37)=2.04, p=.048 com M=4.95, DP=1.69 e M=3.83 e DP=1.72, respectivamente, grupos desejabilidade social superior e inferior à mediana da amostra e para “Sim/Não”, t(28.881)=2.70, p=.012 com M=3.67, DP=2.29 e M=2.17 e DP=1.04, respectivamente, grupo de desejabilidade social superior e inferior à mediana.

Diferenças de memória e inteligência

À semelhança do referido para a análise da ansiedade e desejabilidade social, os resultados obtidos, por ambos os grupos etários, no que diz respeito à memória e à inteligência foram subdivididos considerando o valor da mediana. Exceptuou-se o caso da inteligência não verbal, em que foi considerado o valor do percentil 50, uma vez que as normas das MPCR são apresentadas em percentis. Nos Quadros 3 e 4 encontram-se os valores da sugestionabilidade total considerando a memória e a inteligência, respectivamente.

 

QUADRO 3

Diferenças relativas à sugestionabilidade total em função do nível de desempenho mnésico alcançado por grupo etário

 

QUADRO 4

Diferenças relativas à sugestionabilidade total em função do nível de desempenho obtido nos testes de inteligência por grupo etário

 

A partir do Quadro 3 conclui-se que as crianças de 8 e 9 anos com melhores desempenhos mnésicos foram significativamente menos sugestionadas quando comparadas com as crianças com desempenhos mnésicos inferiores. Fazendo uma análise por componentes do BTSS, verificou-se que nas crianças de 8 anos, apenas para o componente “Alternativas” foram encontradas diferenças com significância estatística entre os grupos [t(58.472)=-2.46, p=.017 com M=4.97, DP=1.64 e M=5.79, DP=1.05, respectivamente, grupos memória superior e inferior à mediana da amostra]. No que diz respeito às crianças com 9 anos, constatou-se a existência de diferenças estatisticamente significativas entre a memória e todos os componentes: “Repetidas” [t(75)=-3.23, p=.002 com M=2.74, DP=1.73 e M=4.03, DP=1.76, respectivamente, grupos memória superior e inferior à mediana da amostra], “Alternativas” [t(75)=-2.65, p=.010 com M=4.31, DP=1.67 e M=5.29, DP=1.58, respectivamente, grupos memória superior e inferior à mediana da amostra] e “Sim/Não” [t(75)=-4.44, p<.001 com M=2.46, DP=1.73 e M=4.18, DP=1.67, respectivamente, grupos memória superior e inferior à mediana da amostra].

Da análise do Quadro 4 verifica-se que as crianças de 8 anos com melhores desempenhos na prova de inteligência não verbal (MPCR), diferentemente do que sucedeu nos subtestes associados ao QI verbal, foram menos sugestionadas quando comparadas com as crianças com desempenhos inferiores. Quanto aos resultados obtidos para os diferentes componentes do BTSS, apenas para a inteligência não verbal e o componente “Alternativas” foi encontrada significância estatística: t(66)=-2.09, p=.041 (com M=5.05, DP=1.58 e M=5.77, DP=1.14, respectivamente grupo situado no percentil superior e grupo correspondente ao percentil inferior).

Ainda atendendo ao Quadro 4, as crianças de 9 anos de idade que obtiveram resultados mais elevados ao nível da sugestionabilidade foram aquelas com desempenhos inferiores relativamente à inteligência verbal e inteligência não verbal. No que concerne aos componentes do BTSS, verificou-se que para a inteligência não verbal apenas se encontrou significância estatística nos componentes “Repetidas” [t(75)=-2.60, p=.011 com M=2.91, DP=1.93 e M=3.97, DP=1.59, respectivamente, grupo situado no percentil superior e grupo correspondente ao percentil inferior] e “Sim/Não” [t(75)=-2.69, p=.009 com M=2.81, DP=1.68 e M=3.94, DP=2.00, respectivamente, grupo situado no percentil superior e grupo correspondente ao percentil inferior]. Por sua vez, diferenças no QI verbal manifestaram-se estatisticamente significativas somente para o componente “Repetidas” [t(37)=-2.99, p=.005 com M=3.95, DP=1.72 e M=2.30, DP=1.72, grupos QI verbal inferior e QI verbal superior, respectivamente].

Correlações entre as variáveis em estudo

Nos Quadros 5 (para os 8 anos) e 6 (para os 9 anos) apresentam-se apenas os valores de correlação estatisticamente significativos observados entre as medidas de sugestionabilidade entre si e destas com as restantes variáveis estudadas.

Conforme se pode verificar no Quadro 5, respeitante aos resultados das crianças com 8 anos de idade, foram encontrados valores de correlação negativos significativos e baixos da memória (evocação imediata da história do BTSS) com a sugestionabilidade total e com os componentes “Alternativas” e “Sim/Não” do BTSS. Relativamente à inteligência, os resultados obtidos nos subtestes verbais (vocabulário e arimética) e nas MPCR e o resultado sugestionabilidade total apresentaram-se correlacionados negativamente de forma significativa variando entre valores baixos a moderado. No que diz respeito aos componentes do BTSS, o mesmo tipo de relação foi observado entre os seguintes resultados: MPCR e componente “Repetidas”, vocabulário e componente “Alternativas”, QI verbal, vocabulário e informação e componente “Sim/Não” tendo os valores de correlação variado entre baixo e moderado.

A inspecção do Quadro 6, relativo aos resultados das crianças com 9 anos, confirma a existência de correlações positivas significativas e moderadas entre a desejabilidade social e a sugestionabilidade total e o componente “Sim/Não”. No que diz respeito à relação entre a sugestionabilidade total e os componentes do BTSS e a evocação da história, salienta-se que estas foram negativas e estatisticamente significativas, sendo moderada quando nos referimos ao total da sugestionabilidade e baixas no que diz respeito aos três componentes do BTSS.

 

QUADRO 5

Matriz de correlações para as crianças de oito anos

 

QUADRO 6

Matriz de correlações para as crianças de nove anos

 

No que concerne às crianças com 9 anos de idade, verificou-se que as correlações encontradas entre as variáveis QI verbal, subtestes vocabulário, aritmética, informação, inteligência não verbal e sugestionabilidade total foram todas negativas e significativas com valores classificados entre baixo e moderado. Revelou-se estatisticamente significativa a correlação da variável QI verbal, vocabulário e inteligência não verbal com o componente “Repetidas”; aritmética com o componente “Alternativas”; e vocabulário, aritmética e inteligência não verbal com o componente “Sim/Não”.

DISCUSSÃO

No presente estudo não foi encontrada significância estatística relativamente ao género no que diz respeito à sugestionabilidade avaliada pelo BTSS (quer no resultado total quer nos componentes desta prova).

No que se refere à idade das crianças, foi encontrada significância estatística na variável sugestionabilidade total (e componentes “Alternativas” e “Sim/Não”), corroborando-se, assim, a primeira hipótese de que a sugestionabilidade varia com a idade, i.e., as crianças mais novas (8 anos de idade) revelaram-se mais sugestionáveis. Este resultado é concordante com os estudos desenvolvidos por Bruck e Ceci (1999) Candel, Merckelbach, Jelicic, Limpeus, e Widdershoven (2004) e Nurmoja (2005). As diferenças encontradas podem ser devidas a aspectos desenvolvimentais. O facto das crianças de 9 anos apresentarem resultados inferiores nos componentes Sim/Não” e “Alternativas” e na sugestionabilidade total pode ser devido a um maior grau de desenvolvimento cognitivo, o qual aparece associado a um aumento da velocidade de processamento e a uma maior capacidade mnésica. Os resultados do presente estudo revelaram que as crianças mais velhas tinham pontuações superiores na memória e QI verbal. O aumento gradual da velocidade de processamento ao longo da idade possibilita a existência de mecanismos elaborados e complexos de cognição, bem como uma maior capacidade de reter, processar e recordar a informação (Flavell, Miller, & Miller, 1993; Papalia, Olds, & Feldman, 2001).

A não observação de diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos etários no componente “Repetidas” poderá ser devida a uma conjugação de factores, conforme preconizado pelo modelo proposto por Gudjonsson e Clark, em 1986. O efeito do processo de feedback negativo (Gudjonsson, 1989, 1997; Nurmoja, 2005) e factores como a incerteza, as expectativas e a confiança interpessoal (Conti, 1999; Gudjonsson, 1997; Schooler & Loftus, 1986) poderão ter levado as crianças de ambos os níveis etários a interpretar a colocação de questões repetidas como indicação de que anteriormente teriam dado respostas incorrectas. Se, por um lado, o processo de feedback negativo pode gerar incerteza que surge associada às expectativas e à confiança interpessoal, conduzindo, deste modo, à aquiescência face a sugestões, por outro, de acordo com as regras da conversação, a repetição de perguntas poderá sobretudo querer dizer, para estas crianças, que antes não tinham respondido correctamente.

Não se encontraram diferenças na sugestionabilidade total (nem em qualquer dos componentes do BTSS) que alcançassem significância estatística no que respeita ao nível de ansiedade geral, tanto para as crianças de 8 como de 9 anos de idade. Apesar de terem sido obtidas correlações positivas entre estas duas variáveis, tal como no estudo de Ordi e Miguel-Tobal (1999), os seus valores não se revelaram estatisticamente significativos. Os resultados da investigação de Gudjonsson, Rutter, e Clare (1995, citados em Wolfradt & Meyer, 1998) divergiram dos resultados obtidos no presente estudo. Uma possível explicação para esta discrepância poderá estar relacionada, por um lado, com o facto dos itens que compõem a RCMAS, dada a sua formulação, poderem afectar a sua compreensão pelas crianças e, por outro, com a natureza dicotómica da escala de resposta (sim e não), que impele as crianças a optar por uma alternativa em situações de eventual indecisão. Assim, a segunda hipótese colocada sobre a influência da ansiedade geral no grau de sugestionabilidade não foi corroborada neste estudo.

Da análise da influência do nível de desejabilidade social sobre a sugestionabilidade (valor total e nos três componentes do BTSS), averiguou-se que não foram encontradas quaisquer diferenças estatisticamente significativas nas crianças com 8 anos de idade. Para as crianças com 9 anos de idade, relativamente à desejabilidade social, deparámo-nos com diferenças significativas estatisticamente para a escala total, “Alternativas” e “Sim/Não”. Observaram-se ainda, com estas crianças, valores de correlação estatisticamente significativos entre desejabilidade social e sugestionabilidade (escala total e componente “Sim/Não”), indo ao encontro dos resultados obtidos por Warren, Hulse-Trotter, e Tubbles (1991). Uma vez que a terceira hipótese deste estudo se refere a ambas as idades, conclui-se que tal hipótese não foi corroborada. Se as questões do BTSS geram incerteza e os entrevistadores são vistos como fontes credíveis, as crianças de 9 anos poderão ter incorporado a sugestão contida nas questões se consideraram que é essa a resposta correcta perante as opções avançadas pelas questões “Alternativas” ou que a resposta perante as questões “Sim/Não” deveria ser afirmativa. Além disso, dado que a dimensão desejabilidade social foi avaliada a partir da RCMAS, reiteram-se as limitações já referidas acerca das opções de resposta e da complexidade da linguagem utilizada em alguns dos itens, podendo existir algum grau de inadaptação face a especificidades desenvolvimentais das crianças que participaram neste estudo. Há ainda a considerar o número reduzido de itens destinados a avaliar este construto, quando comparado com o número de itens que avaliam a ansiedade geral. Dever-se-á também ter em conta a possibilidade de ocorrerem enviesamentos nas respostas das crianças resultantes do modo de aplicação deste teste (Richman, Kiesler, Weisband, & Drasgow, 1999). A RCMAS é um instrumento de auto-resposta e no presente estudo não foi administrado como tal, uma vez que se detectou a existência de vários itens que as crianças não compreendiam sem ajuda.

Constatou-se a existência de diferenças significativas para a escala total do BTSS (e o seu componente “Alternativas”) quando se considerou, nas crianças de 8 anos, o seu desempenho mnésico. No que diz respeito às crianças com 9 anos, observou-se a existência de diferenças estatisticamente significativas entre a memória e a escala total (e todos os componentes) do BTSS. Estes resultados estão de acordo com o que era esperado a partir da quarta e última hipótese formulada: crianças com melhores desempenhos mnésicos foram significativamente menos sugestionadas quando comparadas com as crianças com desempenhos mnésicos inferiores. Verificou-se também a existência de correlações negativas e significativas entre a memória e a sugestionabilidade total para as crianças de ambas as idades. Estes resultados convergem com os do estudo de Candel, Merckelbach, e Muris (2004) e com algumas conclusões de Endres (1997) e de Finnila et al. (2003), designadamente no que se refere às correlações negativas encontradas entre a escala total e o desempenho mnésico. De modo análogo, foram encontrados coeficientes de correlação significativos para a escala total e todos os componentes do BTSS com a memória, nas crianças com 9 anos de idade, podendo afirmar-se que as crianças com melhores desempenhos mnésicos são mais resistentes à sugestão quando comparadas com as crianças com desempenhos mais fracos. Este resultado é apoiado pelo estudo de Marche e Howe (1995).

Reportando-nos à variável inteligência e ainda à quarta hipótese formulada, somente as crianças de 8 anos com melhores desempenhos na prova de inteligência não verbal (MPCR), diferentemente do que sucedeu nos subtestes associados ao QI verbal, foram menos sugestionadas quando comparadas com as crianças com desempenhos inferiores. Quanto aos resultados obtidos para os diferentes componentes do BTSS, unicamente para a inteligência não verbal e o componente “Alternativas” foi encontrada significância estatística. A preponderância da influência de diferenças na inteligência não verbal sobre a sugestionabilidade, em detrimento do QI verbal, é compatível com os resultados de Burgwyn-Bailes et al. (2001). Já as crianças de 9 anos de idade, que obtiveram resultados mais elevados ao nível da sugestionabilidade foram aquelas com desempenhos inferiores relativamente à inteligência verbal e inteligência não verbal. No que concerne aos componentes do BTSS, verificou-se que para a inteligência não verbal apenas se encontraram diferenças com significância estatística nos componentes “Repetidas” e “Sim/Não”. Obtiveram-se correlações negativas estatisticamente significativas entre o QI verbal e inteligência não verbal com a escala total do BTSS (e com o componente “Repetidas”) nas crianças com 9 anos. Por seu turno, para as crianças com 8 anos de idade foram observadas correlações semelhantes, mas apenas entre a inteligência não verbal e a referida escala (total e componente “Repetidas”), dado este que vai ao encontro dos resultados do estudo de Candel et al. (2000). Neste grupo etário, o QI verbal apresentou um valor de correlação estatisticamente significativo apenas com o componente “Sim/Não” do BTSS. Desta forma, os resultados obtidos vêm reforçar a dificuldade em se encontrar consenso relativamente à influência que as medidas inteligência poderão ter sobre a sugestionabilidade. Em suma, a quarta hipótese formulada neste estudo relativamente à influência da inteligência é genericamente corroborada, na medida em que os resultados revelaram que as crianças de 9 anos que apresentaram melhor desempenho nos testes de inteligência verbal e não verbal e de memória foram menos sugestionáveis, considerando a escala total do BTSS. Estes resultados não foram observados, na globalidade, para as crianças de 8 anos.

CONCLUSÕES

O estudo da temática da sugestionabilidade infantil revela-se valioso no âmbito da psicologia forense, nomeadamente para o treino de profissionais que têm com tarefa interrogar as crianças sobre a ocorrência de um acontecimento passado. Na literatura pode-se verificar uma panóplia de resultados relativos à influência de variáveis cognitivas e/ou psicossociais sobre a sugestionabilidade (e.g., Chae & Ceci, 2006; Cunha, Albuquerque, & Freire, 2007).

O presente estudo teve como principais objectivos averiguar a influência das variáveis, idade, memória, ansiedade geral, inteligência e desejabilidade social na sugestionabilidade interrogativa. As crianças mais novas (8 anos de idade) revelaram-se mais sugestionáveis no BTSS. Constatou-se a existência de relações negativas e significativas entre a sugestionabilidade e as variáveis inteligência não verbal e memória para as crianças de 8 anos. Neste grupo etário, as crianças com melhores desempenhos nas MPCR e na evocação da história do BTSS foram menos sugestionáveis do que as crianças com desempenhos inferiores nestas provas. No que diz respeito às crianças com 9 anos de idade, encontrou-se significância estatística entre a sugestionabilidade e as variáveis desejabilidade social (correlações positivas), inteligência verbal e não verbal e memória (correlações negativas). De modo análogo às crianças mais novas, as com 9 anos podiam ser consideradas tanto mais sugestionáveis quanto mais fracos fossem os seus desempenhos nas MPCR e na evocação da história do BTSS e ainda nos subtestes verbais da WISC-III (excepto no subteste semelhanças). Por seu turno, nas crianças mais velhas, acresce ainda referir que se apurou que aquelas que pontuaram mais na escala de mentira da RCMAS foram mais sugestionáveis em comparação com as que obtiveram inferiores pontuações nesta escala.

Em suma, neste estudo observou-se que as crianças de 8 anos são mais sugestionáveis do que as crianças com 9 anos. As diferenças na memória e na inteligência em crianças de 8 e 9 anos de idade são relevantes e, por isso, devem ser tidas em consideração, quando é avaliada a sua vulnerabilidade à sugestionabilidade interrogativa. Paralelamente, importa referir que a variável desejabilidade social deve ser igualmente tida em conta neste contexto, particularmente no que diz respeito a crianças de 9 anos. Assim, com crianças deste grupo etário que apresentem níveis de pontuação inferiores em termos de inteligência e memória e superiores no que se refere à desejabilidade social deverão ser tidos cuidados especiais ao interrogá-las sobre um acontecimento decorrido.

Em futuras investigações sobre a sugestionabilidade interrogativa em crianças, seria importante contemplar amostras mais vastas e representativas, bem como o uso de outros instrumentos de avaliação. Refira-se também a relevância do estudo de outras variáveis psicossociais, especificamente o tipo de vinculação e as auto-percepções. No que diz respeito ao BTSS, sugere-se a possibilidade de admissão da resposta “não sei” às questões colocadas, na eventualidade das crianças não terem a certeza da resposta correcta. Assim, poder-se-ia averiguar a existência de diferenças no que diz respeito à sugestionabilidade manifestada, não decorrentes de uma limitação inerente à forma como as questões são colocadas.

 

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(*) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra, Rua do Colégio Novo, Apartado 6153, 3001-802 Coimbra; E-mail: andre_dcosta@sapo.pt / salome@fpce.uc.pt

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