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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.27 n.3 Lisboa jul. 2009

 

As dimensões antedipianas das organizações limite na narrativa Rorschach (*)

Filipa Falcão Rosado (**)

Maria Emília Marques (***)

RESUMO

Propõe-se uma ampliação das possibilidades interpretativas da técnica Rorschach a partir dos desenvolvimentos teóricos de Racamier sobre o Antédipo. Esta teoria é apresentada e alargada de forma a ser aplicada às organizações limite da personalidade. São descritos os procedimentos de análise interpretativa da narrativa Rorschach no que diz respeito aos organizadores específicos do antédipo limite. Um protocolo serve de ilustração à técnica interpretativa utilizada.

Palavras chave: Antédipo, Organizações limite, Racamier, Rorschach.

ABSTRACT

An amplification of the interpretative possibilities of the Rorschach’s technique is proposed, based on the theorique developments of Racamier about the Antoedip. This theory is presented and widened so it can be applied to borderline personality organization. The utilization of borderline antoedipian organizers on the interpretative analysis of the Rorschach’s narrative is described and illustrated with a protocol.

Key words: Antœdip, Borderline organizations, Racamier, Rorschach.

 

INTRODUÇÃO

Com este trabalho procurámos traduzir em procedimentos de análise da narrativa Rorschach os principais organizadores do conflito antedipiano (Racamier, 1980, 1992, 1993, 2003), tal como estes se expressam nas organizações limite. Desta forma, pretendemos ampliar as possibilidades interpretativas da técnica Rorschach e assim enriquecer a análise fina e minuciosa dos processos psíquicos presentes nestas configurações estruturais.

ANTÉDIPO

O antédipo designa o processo de constituição psíquica precoce da individualidade e da objectalidade, vivido no seio da relação precoce, intersubjectiva, mãe-bebé. Organiza-se em torno do conflito originário, conflito entre a indiferenciação e a diferenciação, entre a estaticidade e o crescimento, entre o narcisismo e a objectalidade. Como o grafismo do termo deixa antever, este pode ser um percurso ante ou anti edipiano, conforme se resolva num ou noutro sentido o conflito originário, e se organizem, ou não, as estruturas intra e inter psíquicas que permitem a emergência do verdadeiro complexo edipiano.

Assim, desde o início, a relação de sedução narcísica entre a mãe e o bebé, que tem por função assegurar uma protecção face às forças de atracção objectal e de excitação pulsional, desorganizadoras se incontidas nesta fase tão precoce, pode ser vivida, na interacção e no fantasma, como um processo de gradual diferenciação dos dois elementos da díade, promovendo o crescimento e a autonomia, ou ao contrário, como uma forma de fortalecer e eternizar a indiferenciação e a estagnação. No primeiro caso, o conflito é abordado e elaborado, e a sedução narcísica desvanece-se gradualmente através de um trabalho de luto originário, que se fundirá nas bases do Eu1 emergente, possibilitando-lhe toda uma série de aquisições fundamentais. Ao contrário, no segundo caso, na sua versão extremada e patológica, a organização antedipiana imortaliza a sedução narcísica pela entrada em cena do domínio incestual e pela organiza ção de um sistema de recusa do real.

No percurso do desenvolvimento designado por Racamier como antédipo vitalizante, a sedução narcísica original não é nem exclusiva nem constante, dando lugar a esse luto originário que permite a progressiva diferenciação, descoberta e co-criação do Eu e do objecto. A perda da vivência de união narcísica com a mãe introduz, portanto, uma distinção fundamental, “o mundo dividiu-se em duas partes: o interno e o externo. Estas partes não estão clivadas, permanecem ligadas, mas distintas” (Racamier, 1992, p. 32). No ponto fronteiriço “organiza-se, em filigrana uma imago intermediária que não é exactamente a representação de si nem do objecto, embora participe de ambos, e que se constitui como uma representação fundamental do Humano” (Racamier, 1980, p. 115). A Ideia do Eu constitui-se como instância mediadora, que permite o comércio, a troca de investimentos, entre o Eu e o objecto, por instituir este sentimento de familiaridade, confiança e reconhecimento entre os dois. Neste percurso antedipiano, os instrumentos de interacção – pele, respiração e olhar – começam por assegurar um contacto contentor e passam gradualmente a trabalhar no sentido do reconhecimento e da qualificação mútua. Do ponto de vista fantasmático, dá-se uma gradual transformação de uma vivência omnipotente de englobamento mútuo, que evoca o retorno intra-uterino, para uma vivência co-criativa, que permite que o Eu se descubra como aquele que cria o objecto e que é por ele criado. A aliança entre narcisismo e objectalidade, a intricação pulsional, a criatividade e a capacidade de suportar perdas e desilusões são as marcas fundamentais da dinâmica psíquica que emerge a partir deste processo de luto original.

Num percurso antagónico, o do antédipo furioso, a sedução narcísica é não apenas exclusiva e constante, mas exacerbada e cristalizada pela entrada em cena de mecanismos incestuais2, como forma de “evitar o acontecimento psíquico da separação, da diferença e da excitação” (Racamier, 1992, p. 134). Trata-se da rigidificação de um universo estacionário e indefinido, através de uma relação de desqualificação narcísica que, pela negação “da diferença dos sexos, das gerações e dos seres” (op. cit, p. 134), impede o desejo e o conflito de se esboçarem, e assim o Eu de se diferenciar: “quem nada tem a desejar, nada é” (op. cit, p. 135). Este percurso antedipiano, marcado pela lógica incestual, leva à constituição de uma Ideia do Eu monstruosa e omnipotente, que recusa, ao mesmo tempo, a existência do Eu e do objecto. Os instrumentos de interacção, pele, respiração e olhar, trabalham aqui ao serviço dessa desqualificação psíquica que recusa a diferenciação; e a vivência fantasmática que subjaz a este universo indiferenciado é a do auto-engendramento omnipotente. Ao anular o desejo, o antédipo furioso anula o pensamento sobre as origens e, suprimindo os seus progenitores, o Eu declara-se mestre absoluto das suas origens e do mundo inteiro: “quem se criou, criou o mundo” (op. cit, p. 51). Complementar a este auto-engendramento megalomaníaco está o fantasma inverso, o do auto-desengendramento: “aquele que se criou pode também descriar-se, quem se fez, desfazer-se; e quem se engendrou, desengendrar-se” (op. cit, p. 69). Um ser que assim existe, como se não existisse e simultânea e paradoxalmente como se nada existisse além dele, despende todos os seus recursos num combate desenfreado com a realidade, numa expulsão permanente do conflito. O seu funcionamento psíquico caracteriza-se, então, por uma dinâmica assente na recusa, na clivagem, na projecção e na identificação projectiva.

O PERCURSO ANTEDIPIANO DAS ORGANIZAÇÕES LIMITE

Da literatura sobre as organizações limite (Bergeret, 1986, 1989, 1996/2000, 1972/2004; Chabert, Brusset, & Brelet-Foulard, 1999; Green, 1990, 1973/2004; Kernberg, 1986) destacamos uma configuração estrutural assente num défice narcísico primário, que inviabiliza o processo de constituição de espaços intra e inter psíquicos bem delimitados, comprometendo a organização de processos e espaços de ligação e comunicação (a intricação pulsional, a elaboração da posição depressiva, a constituição do pré-consciente, a operatividade do recalcamento, dos fenómenos transitivos e da simbolização), o que determina uma vivência relacional marcada por angústias de separação-intrusão face a um objecto vivido como perigoso mas narcisicamente imprescindível, que o recurso a defesas arcaicas baseadas na clivagem e no esvaziamento psíquico procura controlar.

Com base nestas características estruturais pensámos uma terceira possibilidade de percurso antedipiano, que designámos como antédipo esvaziado. Colocamos, então, como hipótese, a existência de uma falha na vivência e integração original da sedução narcísica, ditada pela imposição de um luto demasiado precoce e radical, e por isso não elaborável. Este luto institui uma clivagem entre o Eu e o objecto, sem que se constitua a função mediadora proporcionada pela Ideia do Eu: a ausência de uma união prévia, suficientemente boa, compromete a familiaridade e confiança entre o Eu o objecto, tornando o primeiro narcisicamente frágil e o último, simultaneamente, imprescindível e ameaçador, já que, quer o abandono, quer a aproximação implicam o desmoronamento das frágeis fronteiras do Eu. Face a uma vivência clivada perante um objecto narcisicamente indispensável, o incestual vai servir, não para perenizar a sedução narcísica (como vimos acontecer na construção antedipiana psicótica), mas para a fazer nascer. A relação com o objecto será vivida como perpétua tentativa de anular a distância, a diferença e a excitação, demasiado intensas e não transformáveis, provocada por esse objecto tão necessário quanto temido.

Neste quadro intra e inter psíquico os instrumentos de interacção trabalham de forma bastante precária e descontínua na manutenção das fronteiras do Eu e na aproximação incestual ao objecto, sustentados por uma fantasmática de não lugar na origem própria – se a sedução narcísica não foi vivida, o fantasma-não-fantasma de auto-engendramento não se estabeleceu, logo, também não o seu complementar, o fantasma-não-fantasma de auto-desengendramento. O que se vive é o terror da criação e destruição pelo outro, na qual o Eu não intervém, numa fantasmática primitiva, crua, sem simbolização.

Porque privada de um processo de individualização progressiva, em que Eu e objecto se descobrem e se criam mutuamente a partir do que os une e separa, esta organização não dispõe verdadeiramente de capacidades de ligação (intra-psíquicas de aliança pulsional e inter-psíquicas de aliança entre narcisismo e objectalidade), de criação, de desilusão e de separação. A sua dinâmica psíquica oscila, assim, entre a clivagem objectal, com suas concomitantes idealizações e desvalorizações, e que testemunham esse luto não superável, e a utilização de equivalentes incestuais, como a identificação projectiva e o esvaziamento psíquico (brancura fantasmática, actuações e somatizações) que procuram simular a sedução narcísica perdida.

UMA LEITURA ANTEDIPIANA DO RORSCHACH

Os trabalhos desenvolvidos pela Escola Francesa de Técnicas Projectivas sublinham a ideia de que a narrativa Rorschach se constrói a partir de uma dupla mobilização, perceptiva e projectiva, proporcionada quer pela instrução, quer pelas solicitações manifestas e latentes do material. Por esta razão, a narrativa Rorschach permite observar as capacidades e/ou dificuldades de encontro, reconhecimento, diferenciação e comunicação criativa face ao objecto, indicadores fundamentais do percurso antedipiano trilhado pelo psiquismo a partir da sedução narcísica original.

Nesse sentido, procurámos adaptar os procedimentos de análise interpretativa consagrados pela Escola Francesa (Anzieu, 1967; Anzieu & Chabert 1961/2004; Chabert, 1997/2003, 1998/2000; De Traubenberg, 1970, 1983a,b, 1996), de forma a aceder às diversas dimensões do funcionamento psíquico antedipiano. Assim, estabelecemos três organizadores de análise, (1) a geografia antedipiana (que avalia a diferenciação da tópica ternária antedipiana Eu/objecto/ /Ideia do Eu), (2) os fantasmas e seus instrumentos (que avalia o trabalho fantasmático e de interacção) e (3) as dinâmicas psíquicas antedipianas (que avalia os recursos psíquicos derivados do percurso antedipiano trilhado). Cada um destes organizadores apresenta uma configuração específica para cada um dos percursos antedipianos assinalados. Explicitaremos em seguida, recorrendo a exemplos de um protocolo de um sujeito limite, Daniel, 42 anos, os procedimentos de análise da narrativa Rorschach que permitem identificar uma configuração antedipiana esvaziada.

Geografia psíquica: A fragilidade da constituição do Eu e as dificuldades de separação e comunicação Eu/objecto

a) Eu

Se o primeiro sinal de uma sedução narcísica estruturante, fundida no tecido do Eu após a travessia completa do luto original, é a constituição de um espaço interior coeso, unificado e investido, inversamente, o sinal da ausência dessa vitalização narcísica primária, e de um luto imposto mas não elaborado, que caracteriza a constelação antedipiana das organizações limite, é precisamente a constituição de um espaço interior vazio, carente de coesão, em perigo permanente face a quaisquer movimentações que, a partir do interior ou do exterior, exijam contenção e elaboração. Esta carência narcísica é observável, no Rorschach, a partir das projecções da imagem de si, sobretudo nos cartões I, IV, V e VI, em G simples, sem espessura, sem vitalidade, acompanhadas de uma excessiva preocupação com a delimitação, que só é eficaz enquanto as dinâmicas do luto não forem contrariadas pelas dinâmicas incestuais.

O protocolo de Daniel inicia-se com a resposta “um insecto grande”, seguida do comentário subjectivo “Eu não gosto muito de insectos... Fazem-me uma certa impressão, a viscosidade deles...”. Trata-se de um animal pouco definido, pequeno e invertebrado, o que aponta desde logo para alguma falta de solidez e coesão interna, traída até pelo contraste com o adjectivo “grande” que indicia o carácter perturbador da imagem e pelo comentário que revela o investimento negativo. No inquérito Daniel procura de novo assegurar a coerência da imagem, assinalando o contorno, o aspecto mais formal, “o contorno todo, as asas”, mas procura manter o objecto coeso através de uma fórmula que trai o risco de desintegração, “as asas ligadas ao corpo”. No cartão IV, a resposta “Uma pele de animal qualquer, estendida no chão a fazer de tapete, ou pendurado numa parede”, revela novamente a projecção de uma representação frágil e desvitalizada, pouco definida, passiva e carente de um suporte que não encontra. No cartão V Daniel projecta a sua fragilidade através da seguinte sequência: “Pode ser um insecto. Pode ser uma máscara de carnaval (...); e no inquérito ‘a ideia mítica de vampiro, transformada em cinema. Também há aqui um bocadinho a ideia de vampiro”. A sequência de respostas é reveladora das dificuldades de constituição narcísica, numa alternância entre o indefinido (insecto) e o definido (máscara de carnaval, vampiro), entre a ausência de eixo central (a coluna) e a necessidade de reforçar a dureza da pele (a máscara), entre a vivência depressiva de uma desvitalização que só pode ser estancada pela parasitação do outro (o vampiro) e o engrandecimento espectacular e dramático desta sua condição, num movimento de omnipotência auto-engendradora (mítico, cinematográfico).

Ainda relativamente à constituição narcísica, devemos ter em atenção que a sensibilidade ao branco, as tentativas de agarrar os recortes perceptivos, ou o eixo mediano organizador da simetria, podem ser utilizadas como forma de configurar os limites e coordenadas de um espaço vazio e em risco de diluição.

No protocolo de Daniel observamos disso exemplos quando através do branco, e por vezes apelando ao eixo, são constituídos objectos rígidos, mas sempre esvaziados internamente: “máscara” no cartão II, “jarro” no cartão III, “coroa” no VIII e “candeeiro” no IX.

b) Ideia do Eu

Face a um luto imposto ao invés de lentamente elaborado, Eu e objecto são radicalmente separados, sem possibilidade de se constituir eficazmente esse elemento mediador que garante que a diferenciação não compromete o reconhecimento e a familiaridade, assegurando a pertença a um mundo humano comummente partilhado. A fragilidade da constituição da Ideia do Eu pode ser observada, no Rorschach, na estranheza, desconforto, desconfiança ou desvitalização que emana das imagens humanas ou animais produzidas, mas também dos outros objectos em geral, e das manchas em particular (provocando críticas objectivas ou subjectivas), bem como na dificuldade em sustentar representações relacionais que respeitem, simultaneamente, a diferenciação e a familiaridade.

No protocolo por nós estudado, um insecto viscoso, no cartão I, “dois elefantes do circo” imediatamente transformados em perigosos rinocerontes no cartão II, similar à transformação, no cartão IV, de “pele de um animal qualquer” em “pele de um lobo (...) um búfalo (...) um urso” e da máscara de carnaval em vampiro, no V, bem como a crítica à cor, “é a cor que é muito... embora goste de cinzento e preto, mas aqui... faz parte dessa viscosidade dos insectos” no cartão I, “deste cinzento que não me agrada muito, este contraste com o cinzento e o branco não gosto”, no cartão IV, revelam a dificuldade em construir imagens cuja familiaridade possa apaziguar o contacto com o objecto mancha. A escassez de representações humanas (apenas dois H em 18 respostas) e a existência de apenas um K que representa duas figuras humanas, mas indiferenciadas e sem verdadeiro investimento relacional, “duas pessoas sentadas a uma mesa” no cartão III, aponta igualmente para a não operacionalidade desta instancia mediadora.

Numa observação mais ampla, a ineficácia organizadora desta representação mediadora entre a interioridade e a exterioridade, entre o Eu e o outro, revela-se na atitude ao longo da prova, na dificuldade em tolerar esse objecto estranho que são as manchas Rorschach, que conduz à impossibilidade de projectar imagens que tornem familiar e seguro um objecto que, à partida, não o é. Nessa medida, a observação da dinâmica das respostas a um mesmo cartão, e ao protocolo como um todo, revelará a ausência ou escassez de movimentos organizadores, contentores, securizantes.

No protocolo de Daniel, apesar de algumas tentativas, não se observam movimentos verdadeiramente contentores ao longo das respostas, pelo contrário, as sequências tendem a esbater as fronteiras entre o Eu e o objecto, sobretudo a partir da invasão sensorial, em que a cor acaba por dominar conduzindo à indefinição dos limites, à confusão ou à brancura representacional: “é a cor que é muito... embora goste de cinzento e preto, mas aqui... (...) a cor tem sempre muita importância para mim”, no inquérito ao cartão I explicando a alusão à viscosidade com que termina a resposta espontânea; “A sensação de aguarela, e as cores muito bonitas, muito mediterrânicas... se estivéssemos nalguma cidade acho que pensaria em Paris”, explica no inquérito ao cartão IX; “E gosto do... do vermelho, gosto de vermelho”, referência com que termina o cartão II, similar à verbalização final do cartão VIII, que procura igualmente uma tranquilização sensorial mas que anula a possibilidade de representação, “Mas vem-me a priori a cor, não sei, por os outros serem escuros... É o rosa, é bonito”.

c) Objecto

A extrema fragilidade destas duas instâncias, do Eu enquanto espaço interior investido, e da Ideia do Eu enquanto elemento mediador, implica que a relação com o objecto seja vivida numa lógica de dependência e perigosidade: distância e proximidade, ambas podem comprometer a manutenção das ténues fronteiras psíquicas. Esta situação conduz a oscilações entre movimentos que, sentindo a perigosidade do objecto, procuram salvaguardar o luto vivido, permitindo a produção de representações que investem a delimitação perceptiva, como forma de assegurar a conservação dos limites, mas que são extremamente áridas, planas, sem intervenção de uma projecção capaz de enriquecer o objecto-mancha (e portanto de boa qualidade formal, mas sem qualquer movimento ou participação da cor e do esbatimento); ou inversamente, a movimentos de aproximação incestual, determinados pela carência, que visam refazer a união com o objecto, mas que terminam em invasão e desmoronamento das fronteiras (produções em F-, C, C’ ou E, ou com conteúdos fragmentados). A realização dos dois movimentos em simultâneo, sem possibilidade de organizar nenhuma das soluções, conduz à produção de imagens sem delimitação formal definida (F±, CF, C’F, EF), dando conta de uma tentativa de afastamento que falha, resultando no desabamento dos limites psíquicos, e reenviando para a ausência da função contentora da sedução narcísica primária.

A sequência dada por Daniel em reacção ao cartão VIII é ilustrativa das suas dificuldades face ao objecto: a produção relativa a este cartão inicia-se com um choque face à introdução das cores pastel, num movimento omnipotente que recusa o impacto brutal do objecto, mas que resvala na impossibilidade de representar: “Ah, logo à primeira é cor, que é uma coisa que me faz bem à saúde, tem rosas que eu gosto”. O movimento seguinte, que produz uma resposta distanciada, “pode parecer”, revela a necessidade de retirada narcísica, com constituição de um objecto sólido, valorizado e valorizante, “uma coroa real”, insistentemente empolgado: “de um reino bastante importante... coroa grande, consistente”. A acentuação das características imponentes continua, procurando unificar e estabilizar o objecto, “uma coroa com as armas reais e as bandeiras”, e no inquérito “Coroa de Inglaterra, com as bandeiras e os leões”, mas que começa a escorregar face a esta aproximação ao detalhe, revelando o risco de perda de coesão tão fortemente combatido, “leões ou leoas, uma coisa assim” a que se segue um silêncio marcando a ruptura do processo associativo.

Devemos estar atentos às sequências de respostas, às oscilações produzidas, de forma a destacar a força de cada uma das dinâmicas – a do luto e a do incesto; é igualmente importante relacionar cada um dos movimentos ou sequências de movimentos com as características perceptivas dos cartões e as suas solicitações latentes. Os cartões unitários e inteiros, pelo contraste brutal entre figura e fundo e pela coesão da mancha, solicitam a fragilidade e solidão desse Eu privado do contacto organizador e narcisante da relação de sedução original; os cartões bilaterais e com participação do vermelho, pela sua solicitação relacional e pulsional intensificam a perigosidade do objecto e as dificuldades de contenção e elaboração interior; finalmente, os cartões com lacunas intramaculares reenviam ao vazio narcísico deixado pela radicalidade desse luto imposto.

O protocolo como um todo pode dar conta de movimentos incestuais de procura incessante de aderir ao objecto, fragmentando-se a unidade pela excessiva sensibilidade às particularidades de cada cartão, ou à repetição incessante das mesmas formulações (numa rigidez de modos de apreensão e/ou determinantes, e/ou conteúdos), como forma de conservar a frágil unidade do Eu, evitando o apelo desorganizador do objecto.

Fantasmática antedipiana e seus instrumentos de interacção: O não lugar na origem própria e a fragilidade dos instrumentos antedipianos de contacto e contenção

a) Fantasmática

A ausência de um momento de omnipotência auto-engendradora vivido no seio da relação de sedução narcísica original, e a sua transformação em processo de co-criação de si, do outro e do mundo, inscreve, como assinalámos, uma fantasmática crua marcada pela impotência, pelo terror da criação e da destruição pelo outro, que como sabemos é combatida pelas duas vias antagónicas do luto e do incesto. Esta fantasmática, que compromete a capacidade criadora do Eu, é observável no Rorschach na impossibilidade de acrescentar significado, espessura, riqueza, às imagens produzidas, mantendo-se o controlo perceptivo mas secando a projecção criadora (numa separação radical entre o interior e o exterior), ou ao contrário, na perda das delimitações e na invasão sensorial ou projectiva a partir de uma ressonância extrema face às solicitações latentes dos cartões (numa invasão incestual do objecto).

A análise das respostas K dará igualmente conta destas dificuldades: ou são K de postura reenviando ao fechamento, ao abatimento ou ao desamparo (numa lógica de afastamento do objecto, num luto mal elaborado), ou se relacionais trazem a marca do perigo do encontro, e das dificuldades de diferenciação que daí advém (os movimentos incestuais actuando aqui em menor ou maior grau, pela colagem e indiferenciação dos dois elementos, ou pela perda do controlo perceptivo e formal).

A leitura da sequência do protocolo dará conta da dificuldade deste encontro com um objecto que solicita capacidades de comunicação, ligação, criação e transformação que este Eu não possui. As rupturas, as descontinuidades, a ausência de unidade e sentido estarão presentes como sinais do combate travado pelo narcisismo deficitário face à excitação desorganizadora do objecto.

No protocolo de Daniel em que abundam os cortes associativos e os silêncios, em que existem apenas dois K (de postura), encontramos imagens como a do cartão III que permite apreender a banalidade, “duas pessoas sentadas a uma mesa”, depois do necessário afastamento perceptivo “parecem”, mas em que nenhuma definição sexual é tentada, permanecendo, no inquérito, a expressão vaga “pessoas”, revelando ser impossível produzir um enriquecimento da imagem a partir de uma vitalização comunicante num K verdadeiramente relacional, mas encontramos igualmente, e com frequência no final das sequências como já assinalámos, invasões sensoriais que aniquilam as possibilidades representativas, como exemplifica o final da produção espontânea face ao cartão VI “e acho que isto deve ser aguarela, uma coisa assim, uma aguarela”.

b) Instrumentos de interacção

A ausência de uma proximidade qualificadora, organizadora, que vá auxiliando o Eu na constituição de limites próprios, suficientemente sólidos para que se distinga face ao exterior, mas simultaneamente suficientemente flexíveis para que o comércio seja possível, marca estas organizações esvaziadas. A pele, o olhar e a respiração, enquanto instrumentos de interacção e de delimitação, revelarão as marcas da ausência de um objecto capaz de suster, organizar e qualificar o Eu neste trabalho sobre os limites.

A produção de imagens demasiado rígidas, ou demasiado porosas, revelam a falha na função de delimitação flexível da pele. A dificuldade em olhar a mancha de forma a que Eu e objecto se constituam simultaneamente neste encontro, produzindo imagens que ou desqualificam o Eu pelo respeito exclusivo às características do objecto, ou desqualificam o objecto pelo excesso de projecção, indiciam as falhas da função comunicante do olhar.

Finalmente, no que diz respeito à respiração, as desregulações rítmicas dos tempos de latência e das respostas, acusam as dificuldades de circulação desintoxicada entre o espaço interior e o exterior. Mais uma vez, o que é necessário analisar em profundidade são os movimentos de radical dissociação e esvaziamento ou de aproximação incestual invasora.

No caso de Daniel observamos frequentemente construções a partir de uma pele dura e fria, que protege o interior através de uma rigidificação que impede a comunicação, mas que, paradoxalmente, não consegue conter e diferenciar eficazmente os objectos do seu fundo: “uma máscara chinesa” no cartão II, “um jarro bonito, com duas imagens a suster... o vaso lá...” no cartão III, ou o “contraste de um belíssimo candeeiro Art Deco, com as cores por detrás, do dia, do fim do dia” no cartão IX, objectos sempre construídos a partir da dificuldade em destacar a mancha do fundo branco. O olhar revela um excesso de projecção que oscila entre a desqualificação de si (insectos nos cartões I, V e VI, viscosidade no cartão I, vampiro no cartão V), e o engrandecimento excessivo do objecto (as referências ao espectáculo e à dramatização como no cartão I “uma imagem muito teatralizada”, ou no cartão VII “uma imagem completamente operática”), mais uma vez sem tal permitir uma verdadeira estabilização. Finalmente, chamam-nos à atenção as descontinuidades rítmicas (silêncios e rupturas associativas) que não tornam possível uma circulação respiratória desintoxicada, revelando as dificuldades de contacto e contenção.

Dinâmicas antedipianas: O combate permanente entre narcisismo e objectalidade, a sombra do luto (a clivagem objectal, as idealizações e desidealizações) e a sombra do incesto (a identificação projectiva e a brancura psíquica)

a) O combate entre narcisismo e objectalidade

A marca absolutamente característica deste antédipo esvaziado é o combate permanente entre narcisismo e objectalidade, marcado pela presença destes movimentos contrários que vimos assinalando, e que dão conta da ausência de uma diferenciação eficiente, porque carente de uma interioridade plena e de uma comunicação enriquecedora entre a interioridade e a exterioridade, que procura estancar a excitação do objecto sem nunca o poder recusar plenamente (como é feito pelo incesto primário, em oposição a estes movimentos incestuais secundários ao esvaziamento provocado pela crispação dos limites).

Face a este quadro, a integridade identitária está constantemente ameaçada, a representação relacional comprometida (ou ausente, ou sem diferenciação verdadeiramente conseguida entre os elementos), e as capacidades antedipianas vitalizantes de intricação pulsional, de criatividade e superação dos lutos não podem operar. A desintricação pulsional pode ser observada nos cartões II e III, na produção de imagens em CF, C’F, EF ou mesmo em C, C’ e E, e de representações K, kan ou kob desorganizadoras, demasiado intensas ou de má qualidade formal. As dificuldades em criar transparecem no excesso de submissão perceptiva ou, ao contrário, de invasão projectiva, sem possibilidades de enriquecimento mútuo do Eu e do objecto. A intolerância à perda é passível de ser observada através da contaminação das sequências que procura impedir a separação, mas também dos cortes associativos reveladores da dificuldade de manter uma unidade subjacente à diversidade; a marca dessa perda inicial não elaborada, porque sempre carente da vitalização narcísica que a deveria ter precedido, pode ser inferida a partir da preocupação extrema, mas nem sempre eficaz, com a distinção entre a figura e o fundo, bem como a partir da excessiva sensibilidade às lacunas intra-maculares.

No protocolo que nos tem servido de ilustração encontramos marcas claras deste combate entre narcisismo e objectalidade. Desde logo, e como já assinalámos, a integridade narcísica encontra-se permanentemente ameaçada (o que observámos através da projecção de uma representação de si fragilizada e das invasões sensoriais conducentes ao esvaziamento representativo), e as possibilidades relacionais encontram-se gravemente comprometidas (o que é revelado pelas tentativas de evitamento dos cartões relacionais, em que apesar de serem enunciados dois elementos nunca são realmente postos em relação como mostra a ausência de K relacionais). Relativamente aos processos de intricação pulsional observamos a sua inoperatividade através da construção de respostas com determinação primária da cor nos cartões II e III, a que se seguem respostas cinestésicas com integração de elementos perturbadores: no cartão II depois de uma máscara chinesa devido ao branco e vermelho são representados animais de grande porte, oscilando entre elefantes mais pacatos e rinocerontes mais perigosos, e no cartão III, depois do jarro construído a partir do “contorno todo” negro, as figuras humanas são reconhecidas à volta de uma fogueira, o que conduz à transformação do laço central, correctamente apreendido, em “fogo” no inquérito. As dificuldades em suster um processo verdadeiramente criativo transparecem na ausência de respostas organizadas e no excesso projectivo revelado pela escassez de imagens de boa qualidade formal (apenas um F+, dois FC e dois K de boa qualidade); e a dificuldade em suportar a perda é indiciada pela ausência de reorganizações significativas na sequência de rupturas associativas, na contaminação das sequências das respostas (com utilização dos mesmos movimentos e conteúdos em respostas diferentes, como nos cartões abertos e relacionais com construções de objectos duros no branco, na contaminação da imagem do insecto em três cartões, na extensão da aguarela do cartão VI a todos os cartões e na reutilização da representação mediterrânica no IX e X), na dificuldade em operar distinções eficazes entre figura e fundo (cartões II, III e IX), e na excessiva sensibilidade às lacunas intra-maculares.

b) A sombra do luto

A perigosidade do objecto, que incita movimentos mais próximos da lógica do luto mas sem essas suas capacidades organizadoras, é responsável pelas clivagens objectais, observadas na intermitência de processos de idealização que suportam o narcisismo deficitário, e de desidealização como combate à invasão temida. São visíveis no Rorschach na produção de conteúdos de qualidades antagónicas, e nos comentários e críticas que visam enaltecer o Eu ou atacar o objecto.

A presença destes mecanismos é observável, no protocolo de Daniel, na transformação dos animais no cartão II, na simultaneidade da passividade e da força no animal/tapete do cartão IV, na idealização do vampiro anteriormente desqualificado como insecto no cartão V, na transformação de “duas velhas” em personagens operáticas no cartão VII, na transformação do elemento masculino mas desvitalizado “torre” em mulher poderosa e mítica no cinzento superior do cartão X “alguma deusa mediterrânica”, e no permanente enaltecimento das cores dos cartões a par da óbvia desqualificação que elas produzem no psiquismo de Daniel.

c) A sombra do incesto

A dependência narcísica, pelo seu lado, organiza os processos incestuais que conduzem à confusão dos objectos anteriormente delimitados (a identificação projectiva, de que são exemplos, no protocolo que estamos a utilizar, a invasão do cinzento do cartão IV “fico tão cinzento como os cinzentos” ou a confusão entre a luz do candeeiro e a luz natural por detrás, no cartão IX), e no extremo à brancura psíquica que anula qualquer distância pela nadificação (conteúdos esvaziados e siderados, restrição, rupturas e recusas).

DISCUSSÃO

No final de uma análise pormenorizada do protocolo segundo os vários indicadores de cada organizador antedipiano, deve ser possível sintetizar a constituição antedipiana do sujeito em estudo. Relativamente ao protocolo por nós utilizado para ilustrar a técnica proposta pudemos concluir:

Do ponto de vista do diagnóstico psicológico, e referindo-nos aqui apenas ao universo antedipiano (e portanto deixando de fora uma área imensa desse diagnóstico), apesar das suas tentativas desesperadas (procura de limites perceptivos, constituição de objectos duros, protectores) Daniel apresenta uma profunda fragilidade na manutenção da diferenciação face ao objecto, com o qual o contacto é desnarcisante (viscoso), esvaziante, mas absolutamente imprescindível para a sua sobrevivência (vampiro). Mas é quando se aproxima mais da terra prometida, a relação narcísica original, que Daniel melhor se organiza, e mais consegue fixar limites e estabelecer diferenciações (na resposta VII, “a silhueta” de duas mulheres, enquanto contorno mesmo que ténue não se perde na sequência da resposta como sempre aconteceu com os objectos representados nos outros cartões, e na resposta X a organização de um espaço interno é possível a partir de uma figura feminina omnipotente, “como se fosse um lago e isto fosse um portão, a escadaria, a imagem da dona desse mundo aquático”).

Assim, do ponto de vista de uma intervenção terapêutica, cujo pedido motivou a avaliação, este dado permite-nos colocar a hipótese de que há alguma possibilidade de manutenção da integridade no seio de uma relação regressiva, bem como uma centelha de diferenciação interna; estas poderiam ser trabalhadas de forma a estabelecer, progressivamente, um pouco da vitalização narcísica de que carece, para que essas sementes de organização interna possam, muito lentamente, encontrar algum solo onde germinar. Esta intervenção teria de ser extraordinariamente cuidadosa, pois a necessidade do objecto/terapeuta impeliria Daniel às aproximações incestuais que conduzem ao seu esvaziamento, pelo que a contenção desses movimentos, de forma narcisante e securizante, teria de ser constantemente observada. A promoção de diferenciações sexuais e de identificações a funções masculinas, que desconhece quase radicalmente (cartões IV e VI), seriam imprescindíveis, para que algumas separações e construções psíquicas se pudessem realizar, bem como para a valorização narcísica da sua identidade sexual. Uma reconstrução, mesmo que pequena, desse tempo narcísico que ficou por viver, pode ser possível de forma a promover alguma solidificação das barreiras psíquicas, de maneira a diminuir as aproximações incestuais, e a promover diferenciações mais eficazes e menos empobrecedoras.

CONCLUSÃO

O estudo do complexo antedipiano através do Rorschach, que tem como objectivo avaliar em que medida este processo de transformação primária ocorreu ou não, que aquisições se realizaram, quais ficaram por fazer, permite ampliar a nossa compreensão clínica no cruzamento com todos os outros dados que o próprio Rorschach, outras provas projectivas e a observação psicológica facultam. E percorrer com o outro o caminho da descoberta, da compreensão e da criação, são afinal os propósitos do nosso encontro com o sujeito psicológico. No caso específico das organizações limite, parece-nos que estudar os movimentos antedipianos, na sua oscilação entre um luto radical que expõe o Eu em toda a sua fragilidade e solidão, e as aproximações incestuais ao objecto sempre narcísico, pode trazer à luz novos e importantes elementos sobre o sofrimento destes indivíduos, e a forma de, com eles, (re)construir esse tempo que ficou por integrar.

 

1Traduzimos “moi” por Eu e não por Ego, para conservar os vários sentidos da formulação de Racamier: espaço de investimento narcísico, interioridade por oposição à exterioridade do objecto e do mundo, e semente a partir da qual o ego, enquanto instância psíquica dotada de capacidades elaborativas, poderá florescer. Racamier utiliza por vezes as designações “moi”, “soi” e “je” numa mesma frase, como se de sinónimos se tratassem, precisamente porque essa distinção não é ainda operacional no momento de desenvolvimento que o antédipo engloba. Da mesma forma, a designação “Idée du Moi” foi traduzida por “Ideia do Eu”, já que “Ideia do Ego” deixaria cair a referência à inter-subjectividade que o conceito comporta.

2Racamier utiliza esta designação para se referir ao incesto propriamente dito ou aos seus equivalentes (que se descobrem em acções simultaneamente banais e secretas, excessivamente investidas no seio das famílias) que visam impedir a emergência do desejo, do conflito e da diferenciação, através de uma sedução não sexual mas narcísica, actuada e não fantasmada.

 

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(*) Artigo elaborado a partir da dissertação com o mesmo título apresentada e defendida no ISPA, em 2009, no âmbito do Mestrado Integrado em Psicologia Clínica.

(**) Psicóloga Clínica.

(***) Psicóloga Clínica, Professora Associada do Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

 

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