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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.26 n.3 Lisboa jul. 2008

 

Nota de Abertura

Este número especial da revista Análise Psicológica apresenta parte dos trabalhos de investigação desenvolvidos na Linha 1 – Psicologia do Desenvolvimento, da Unidade de Investigação em Psicologia Cognitiva do Desenvolvimento e da Educação (FCT-ID-332), do Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Esta linha de investigação, dedicada principalmente ao estudo do desenvolvimento social da criança, tem como principal objectivo integrar a contribuição relativa de dois contextos primordiais de socialização: a família e o grupo de pares. Os trabalhos desenvolvidos procuram documentar os múltiplos factores específicos que contribuem para o desenvolvimento sócio-emocional da criança. Duas perspectivas teóricas atravessam todos os trabalhos apresentados neste número especial, a teoria da vinculação e a etologia social.

A teoria da vinculação (Bowlby, 1973, 1980, 1982, 1988) é uma teoria desenvolvimental largamente utilizada e bem preparada para esta linha de inquérito, porque possui assumpções normativas sobre a organização do comportamento da criança para com os seus progenitores/cuidadores e assumpções sobre diferenças individuais baseadas na natureza e qualidade das relações parentais em contextos específicos. O aspecto mais contundente e desafiante da teoria da vinculação é talvez a asserção de Bowlby (1980, 1982) sobre a natureza da relação de vinculação mãe-criança ter implicações vastas e significativas para o desenvolvimento social e personalidade da criança ao longo do ciclo de vida. De acordo com esta perspectiva organizacional e relacional, as relações precoces pais-criança são definidas como sendo a base primária para a emergência e efectividade dos comportamentos, estratégias de interacção, compreensão emocional, e crenças sobre si mesmo e os outros significativos.

Logo após o impacto da teoria da vinculação, podemos distinguir a influência da etologia social nos trabalhos apresentados neste número da revista Análise Psicológica. A emergência da etologia social, no início dos anos 1970, reformulou a tradicional relação organismo-ambiente, passando a relação do indivíduo com o meio a ser mediada pela ecologia social do grupo, ou seja o desenvolvimento do indivíduo dependeria do seu nível de inserção e ajustamento à “ordem social prevalecente no grupo”.

Basicamente, e dentro desta perspectiva, os nossos trabalhos tentam defender que o estudo das diferenças qualitativas nas relações afiliativas e papéis sociais que as crianças co-constroem nos grupos estáveis em meio escolar, deve complementar a perspectiva tradicional psicométrica em psicologia do desenvolvimento que se baseia no estudo das diferenças individuais em termos de estatuto e competência social. Por outras palavras, estatutos e papéis sociais são características relacionais e não atributos individuais e físicos como a cor dos olhos.

Antes de terminar, gostaríamos de fazer referência que os múltiplos trabalhos realizados no seio da nossa equipa, durante estes últimos anos, não poderiam ter sido feitos sem a colaboração efectiva dos vários participantes nos nossos estudos, sem o suporte empenhado de alguns colegas, sem o entusiasmo declarado de todos os nossos alunos e sem o financiamento obtido junto de algumas entidades.

Assim, os autores agradecem a todas as crianças, mães, pais e educadoras que aceitaram participar nos vários estudos apresentados neste número especial, dedicando um reconhecimento muito especial àDirecção e funcionários do Externato Miguel Ângelo (Oeiras). Uma palavra de profundo apreço segue, igualmente, para os Professores Zilda Fidalgo, F. F. Strayer, Brian E. Vaughn, Everet Waters, Harriet Waters, Kelly K. Bost, German Posada, Marcel Trudel e Michael Chandler pelos seus apoio e partilha de conhecimentos e, muito particularmente, pela sua amizade.

Uma palavra de louvor muito especial deverá ser dirigida aos vários alunos que em diferentes fases do seu percurso académico contribuíram para o avançar dos vários projectos em que nós nos envolvemos, agradecendo, muito especialmente, a Ana Lopes, Ana Rebelo, Ana Zilda Silva, André Silva, Bruno Ferreira, Carla Fernandes, Carla Oliveira, Filipa Silva, Filipa Castro, Inês Peceguina, Iolanda Queiroz, Inês Pessoa e Costa, Joana Carreiras, Joana Maia, João Daniel, João Correia, Lígia Monteiro, Lisa Roque, Marília Fernandes, Mauro Pimenta, Miguel Freitas, Miguel Ramos, Mónica Guimarães, Nuno Torres, Orlando Santos, Paula Machado, Patrícia Borges, Rita Emíidio, Raquel Castro, Raquel Vieira da Silva, Sara Fragoso, Sofia Meneres, Tânia Boavida, Teresa Rolão e Vera Oliveira.

Por último, devemos sublinhar que os artigos apresentados neste número especial da revista Análise Psicológica não seriam possíveis de realização sem o apoio financeiro dado aos vários projectos por parte da FCT e do Centro de Investigação do ISPA (PTDC/PSI/64149/2006, PTDC/PSI/66172/2006, CII/ISPA/PI-05-005, CII/ISPA/PI-05-010, CII/ISPA/PI-04-011, POCTI/PSI/46739/2002, FCT/SAPIENS/36429).

Manuela Veríssimo / António J. Santos

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