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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.26 n.2 Lisboa abr. 2008

 

Interrupção Voluntária da Gravidez: Intervenção psicológica nas consultas prévia e de controlo

 

Ivone Patrão (*)

Gwen King(**)

Miguel Almeida (***)

 

RESUMO

Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez é realizada desde 2007, após publicação da lei da Assembleia da Republica número 16/2007 de 17 de Abril. Não existem investigações portuguesas quanto à possível conduta psicopatológica da IVG, contudo, esta foi analisada em outros países. Apesar dos resultados serem pouco claros e não concordantes, é sabido que este é um momento delicado da vida de uma mulher podendo gerar nesta um variado leque de sentimentos.

Na legislação em vigor, o processo de uma IVG inclui a possibilidade de apoio psicológico à mulher, tanto na consulta prévia, como na consulta de controlo. Neste processo de apoio é essencial que haja empatia, ausência de preconceito e flexibilidade por parte do psicólogo. Tendo em conta a especificidade deste momento, é necessário que o psicólogo dê a conhecer à mulher todo o processo, assim como as possíveis consequências envolvidas. É importante que o psicólogo acompanhe a mulher na sua tomada de decisão assim como em eventuais sentimentos que esta pode desenvolver ao longo de todo o processo como o medo, a dúvida, a ansiedade, a culpa, o luto. É também imprescindível que a temática de contracepção e de planeamento familiar seja discutida com a paciente.

Esta consulta poderá ajudar a mulher a lidar com todo o processo de IVG, e com os seus sentimentos, assim como evitar consequências mais graves a nível psicológico.

Palavras-chave: Interrupção voluntária da gravidez, impacto emocional, intervenção psicológica.

 

ABSTRACT

Legal Abortion in Portugal is possible since 2007, after the 16/2007 law approval on April 17 by the Portuguese assembly.

There are no Portuguese investigations concerning to psychological consequences of an abortion, yet they where developed in other countries.

Despite the uncleared and inconsistence conclusions it’s known that this is a delicate moment in a woman’s life and it can generate a varied type of feelings.

In the present legislation, the abortion process includes the possibility of psychological support, both in the prior appointment as in the control appointment.

In these sessions, the psychologist has to be flexible, free of preconception and has to develop empathy. Duo to the specificity of this moment it is necessary that the psychologist informs the patient about the process and the possible consequences of it. It is important that the psychologist supports the woman in her decision making and in eventual feelings she may develop during this process like fear, doubt, anxiety, guilt, and mourning. It’s also vital that issues like contraception and family planning are discussed with the patient.

These sessions can help women to cope and deal with the procedure and her feelings and prevent psychological consequences.

Key words: Abortion, emotional impact, psychological intervention.

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text only available in PDF format.

 

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(*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa; Centro Saúde de Odivelas. E-mail: ivone_patrao@ispa.pt

(**) Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa. E-mail: gwenok@hotmail.com

(***) Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa. E-mail: miguel.mendes.almeida@gmail.com

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