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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.24 n.2 Lisboa abr. 2006

 

Abordagem multidisciplinar no acompanhamento de uma criança com Traumatismo Crânio-Encefálico (*)

 

 

MARIA TERESA LOBATO DE FARIA (**)

 

 

RESUMO

Quer pela mortalidade, quer pelo número de indivíduos que resulta de alguma forma incapacitado, o Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE) constitui um dos maiores problemas de saúde pública nos EUA, Europa e outros países desenvolvidos. As alterações cognitivas, comportamentais e emocionais são, entre as consequências das lesões focais ou difusas do TCE, as que causam maior incapacidade na criança, maior destabilização nas suas famílias e maior dificuldade no seu meio social e escolar. Mais persistentes no tempo que os défices físicos, estas alterações interferem no desenvolvimento global, podendo condicionar a capacidade da criança na realização das suas aprendizagens escolares, limitar a prossecução de actividades prévias e constituir um obstáculo às relações interpessoais. Este quadro requer um longo processo de reabilitação e um acompanhamento profissional tão diversificado quanto necessário. Apresenta-se o caso A.M. com 8 anos de idade, frequentando o 2.º ano de escolaridade que, em Abril de 2002, aos 6 anos, após queda de cerca de 6 metros de altura, sofreu um Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE) moderado. Em consequência, apresentou alterações motoras, da linguagem, cognitivas, comportamentais e emocionais, que obrigaram a uma intervenção terapêutica multidisciplinar. Durante um ano e meio foram efectuadas várias avaliações neuropsicológicas e de desenvolvimento que nos permitiram descrever a progressão do quadro clínico, incluindo as repercussões ao nível da reintegração familiar, escolar e socio-emocional.

Palavras-chave: Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE), lobo frontal, alterações psico-sociais, défice de atenção por hiperactividade, perturbação de oposição, intervenção multi e interdisciplinar.

 

 

ABSTRACT

Traumatic Brain Injury (TBI) leads to death, long-term disabilities and constitutes a major public health problem in Europe, United States and other countries. Cognitive, behaviour and emotional changes as possible consequences of TBI are responsible for main impairments in children’s lives, including family disfunctions, social disabilities and school unachievement. These later problems are more persistent than physical incapacities and influence children’s development by conditioning their ability to learn, to perform behaviours previous to TBI and to develop socially adequate relationships. Thus, these TBI sequels require a long rehabilitation process, which has to include all the professional help needed. A.M. is an 8 years-old child attendind a 2nd grade class who in April 2002, aged 6 years old, suffered a moderate TBI following a 6 meters height fall. Consequently, A.M. presented motor, linguistic, cognitive, behavioural and emotional disabilities, which required a multi professional intervention. During one year and a half, numerous neuropsychological and developmental evaluations were performed allowing the description of the child’s clinical progression, including the effects in family functioning, school performance, social behaviour and emotional adaptation.

Key words: Traumatic Brain Injury (TBI), psychosocial effects of TBI, Attention Deficit and Hyperactivity Disorder (ADHD), Oppositional Defiant Disorder (ODD), multi professional team intervention.

 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text only available in PDF format.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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(*) Artigo baseado num trabalho realizado em colaboração com a Drª Alexandra Mendes, neuropsicóloga do Hospital de S. José (Lisboa), e a Drª Ana Isabel Dias, neuropediatra do Hospital de Dona Estefânia (Lisboa) e apresentado no III Congresso da Sociedade Portuguesa de Neuropediatria “Neurologia nas Perturbações do Desenvolvimento”, Lisboa, 2003.

Agradecimentos: A autora agradece à Doutora Isabel Sá, Investigadora Auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, assim como ao Doutor Serge Gulbenkian, os seus conselhos e dedicada disponibilidade colocados no acompanhamento deste trabalho.

(**) Psicóloga, Assistente Principal de Saúde – Consulta de Psicologia, Serviço 1 (Pediatria Médica), Hospital de Dona Estefânia, Lisboa.

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