SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.19 número3Aspectos metodológicos de um estudo de caso de psicoseSobre a avaliação: o comportamento subjacente à «norma de referência» índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

  • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

Compartilhar


Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.19 n.3 Lisboa jul. 2001

 

Características motivacionais e opções curriculares no Ensino Básico: Educação tecnológica vs.2.a língua estrangeira

 

LUÍS SIMÕES (*)

LUÍSA FARIA (**)

 

RESUMO

O presente artigo pretende comparar as características motivacionais em alunos do 3.o ciclo (7.o e 9.o anos) com diferentes opções curriculares (2.a Língua Estrangeira vs. Educação Tecnológica). Deste modo, é nosso objectivo apresentar, a partir da legislação existente no nosso país, o papel que a disciplina de Educação Tecnológica tem no 3.o ciclo da escolaridade básica e o porquê de, em nossa opinião, existir, no que respeita a esta disciplina, uma carga eminentemente negativa.

Em seguida, procuramos caracterizar os alunos que optam pelas duas disciplinas consideradas, realçando algumas das características motivacionais e sociais que influenciam essa escolha e que acompanham e diferenciam claramente os alunos ao longo do 3.o ciclo.

Os resultados de estudos diferenciais indicam que os alunos de 2.a Língua Estrangeira apresentam maiores índices de auto-conceito académico e não académico, bem como concepções de inteligência mais dinâmicas e expectativas de auto-eficácia académica mais elevadas comparativamente com os alunos de Educação Tecnológica, quer no 7.o quer no 9.o ano de escolaridade.

Finalmente, é nosso objectivo colocar em evidência a importância do papel do grupo-turma no contexto escolar, no sentido de evidenciar as diferenças grupais que se estabelecem dentro da escola, local onde o direito à igualdade de oportunidades no sucesso escolar se encontra consagrado na Constituição, e onde a diferença se deve instituir como fonte de enriquecimento e desenvolvimento pessoal e colectivo.

Palavras-chave: Auto-conceito, auto-eficácia, concepções pessoais de inteligência, opções curriculares, educação tecnológica, língua estrangeira.

 

ABSTRACT

This article aims to compare the motivational characteristics of 3rd cycle students (7th and 9th grades) with different curricular options (Second Foreign Language vs. Technological Education). This way, our aim is to present the Technological Education role in the 3rd cycle of the compulsive Portuguese education system, taking in consideration the existing legislation, and try to explain the reasons for the generalized negative perceptions of this curricular option.

Next, our goal is to characterize the students who choose either one or the other curricular option and enhance some of the motivational and social characteristics that influence that choice and which clearly differentiate the 3rd cycle students.

The results of the differential studies indicate superiority of the Second Foreign Language students in academic and non-academic self-concepts, in personal conceptions of intelligence (more dynamic), and also in their self-efficacy expectations, in comparison with Technological Education students, for both 7th and 9th graders.

Finally, we try to emphasize the role of school class in the enhancement of group differences within school, institution where the right for equal opportunities in academic success is well established in the Portuguese Constitution, and where the difference should represent a way of enhancement and personal and collective development

Key words: Self-concept, self-efficacy, personal conceptions of intelligence, curricular options, Technological Education, Foreign Language.

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text only available in PDF format.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alves, N. (1998). Escola e trabalho: atitudes, projectos e trajectórias. In M. V. Cabral & J. M. Pais (orgs.), Jovens portugueses de hoje (pp. 53-133). Oeiras: Celta Editora.        [ Links ]

Assembleia da República (1989, 29 de Agosto). Decreto-Lei n.o 286/89. Diário da República, I Série.         [ Links ]

Azevedo, J. (1991). Educação Tecnológica. Anos 90. Rio Tinto: Edições Asa.         [ Links ]

Bandura, A. (1977). Self-efficacy: Toward a unifying theory of behavioral change. Psychological Review, 84, 191-205.         [ Links ]

Bandura, A. (1982). Self-efficacy mechanism in human agency. American Psychologist, 37, 122-147.         [ Links ]

Bandura, A. (1995). Exercice of personal and collective efficacy in changing societies. In A. Bandura (Ed.), Self-efficacy in changing societies. New York: Cambridge University Press.         [ Links ]

Bandura, A., Reese, L., & Adams, N. E. (1982). Microanalysis of action and fear arousal as a function of differential levels of perceived self-efficacy. Journal of Personality and Social Psychology, 43, 5-21.         [ Links ]

Bandura, A., & Schunk, D. H. (1981). Cultivating competence, self-efficacy, and intrinsic interest through proximal self-motivation. Journal of Personality and Social Psychology, 41, 586-598.         [ Links ]

Barreiros, J. C. (1996). A Turma como grupo e sistema de interacção. Porto: Porto Editora.         [ Links ]

Barros, A. M. (1996). Atribuições causais e expectativas de controlo do desempenho na Matemática. Braga: Edições Universidade do Minho.         [ Links ]

Barros, A. M., & Almeida, L. S. (1991). Dimensões sociocognitivas do desempenho escolar. In L. S. Almeida (Ed.), Cognição e aprendizagem escolar. Porto: Associação dos Psicólogos Portugueses.         [ Links ]

Betz, N. E., & Hackett, G. (1983). The relationship of mathematics self-efficacy expectations to the selection of science-based college majors. Journal of Vocational Behavior, 23, 329-345.         [ Links ]

Brown, D., & Brooks, L. (Eds.) (1996). Career choice and development. San Francisco: Jossey-Bass Publishers.         [ Links ]

Byrne, B. M., & Shavelson, R. J. (1986). On the structure of adolescent self-concept. Journal of Educational Psychology, 6, 474-481.         [ Links ]

Canotilho, J. J. G., & Moreira, V. (Org.) (1998). Constituição da República Portuguesa. Lei do Tribunal Constitucional (5.a ed. Rev.). Coimbra: Coimbra Editora.         [ Links ]

Dweck, C. S. (1986). Motivational processes affecting learning. American Psychologist, 4 (10), 1040-1048.         [ Links ]

Dweck, C. S. (1999). Self-theories: Their role in motivation, personality, and development. Philadelphia: Psychology Press.        [ Links ]

Faria, L. (1990). Concepções pessoais de inteligência. Provas de aptidão pedagógica e capacidade científica. Porto: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.         [ Links ]

Faria, L. (1996). Desenvolvimento intra-individual das concepções pessoais de inteligência durante a adolescência. Revista Portuguesa de Pedagogia, 1, 17-33.         [ Links ]

Faria, L. (1997). Processos de desenvolvimento diferencial das concepções pessoais de inteligência. Psychologica, 17, 75-83.         [ Links ]

Faria, L. (1998). Desenvolvimento diferencial das concepções pessoais de inteligência durante a adolescência. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian e Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica.         [ Links ]

Faria, L., & Fontaine, A. M. (1990). Avaliação do conceito de si próprio de adolescentes: Adaptação do SDQI de Marsh à população portuguesa. Cadernos de Consulta Psicológica, 6, 97-105.         [ Links ]

Faria, L., & Fontaine, A. M. (1993). Representações dos professores sobre a natureza e desenvolvimento da inteligência. Revista Portuguesa de Pedagogia, 3, 471-487.         [ Links ]

Fonseca, V. da. (1999). Insucesso escolar: abordagem psicopedagógica das dificuldades de aprendizagem (2.a edição). Lisboa: Âncora Editora.         [ Links ]

Fontaine, A. M. (1991). Desenvolvimento do conceito de si próprio e realização escolar na adolescência. Psychologica, 5, 13-31.         [ Links ]

Fontaine, A. M., & Faria, L. (1989). Teorias pessoais do sucesso. Cadernos de Consulta Psicológica, 5, 5-18.         [ Links ]

Gomes da Silva, C. (1999). Escolhas escolares, heranças sociais: origens, expectativas e aspirações dos jovens no ensino secundário. Oeiras: Celta Editora.         [ Links ]

Hattie, J. (1992). Self-concept. New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.        [ Links ]

Marsh, H. W. (1987). The Big-Fish-Little-Pond effect on academic self-concept. Journal of Educational Psychology, 79 (3), 280-295.         [ Links ]

Marsh, H. W. (1990). The structure of academic self-concept: The Marsh/Shavelson model. Journal of Educational Psychology, 82 (4), 623-636.         [ Links ]

Marsh, H. W., Barnes, J., Cairns, L., & Tidman, M. (1984). Self-Description Questionnaire: Age and sex effects in the structure and level of self-concept for preadolescent children. Journal of Educational Psychology, 76 (5), 940-956.         [ Links ]

Marsh, H. W., & Hattie, J. (1996). Theoretical perspectives on the structure of self-concept. In B. A. Bracken (Ed.), Handbook of self-concept: developmental, social and clinical considerations (pp. 38-90). New York: John Wiley & Sons, Inc.         [ Links ]

Ministério da Educação, Direcção Geral dos Ensinos Básico e Secundário (1991). Programa de Educação Tecnológica. Plano de organização do ensinoaprendizagem, vol. II. Lisboa: Edição M.E.         [ Links ]

Pajares, F. (1996). Self-efficacy beliefs in academic settings. Review of Educational Research, 66 (4), 543-578.         [ Links ]

Pires, E. L. (1987). Lei de Bases do Sistema Educativo. Apresentação e Comentários. Porto: Edições Asa.         [ Links ]

Ribeiro, J. L. (1990). Relação educativa. In B. P. Campos (Ed.), Psicologia da educação e do desenvolvimento de jovens. Lisboa: Universidade Aberta.         [ Links ]

Schunk, D. H. (1995). Self-efficacy and education and instruction. In E. Madux (Ed.), Self-Efficacy, adaptation, and adjustment. Theory, research and application (pp. 281-303). New York: Plenum Press.         [ Links ]

Silva, J. M. T. da (1999). As famílias e a orientação dos jovens. Texto da comunicação apresentada no Encontro Regional Cooperar para melhor orientar, Guarda, 24-25 de Novembro.         [ Links ]

Simões, L. (2000). Características motivacionais de alunos do 3.ociclo com diferentes opções curriculares. Tese de Mestrado em Psicologia. Porto: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (Edição do autor).         [ Links ]

Veiga, F. H. (1995). Transgressão e auto-conceito dos jovens na escola. Lisboa: Edições Fim de Século.         [ Links ]

 

(*) Psicólogo dos Serviços de Psicologia e Orientação da Escola E.B. 2,3/S Pedro da Fonseca de Proença-a-Nova. Mestre em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

(**) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons