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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.18 n.1 Lisboa  2000

 

A força do pensamento deôntico: O vitimizador feliz na atribuição de emoções na criança (*)

 

Orlando Lourenço(**)

RESUMO

Este artigo tem dois objectivos centrais. Primeiro, analisar as emoções positivas e negativas que as crianças atribuem a transgressores de normas morais em duas condições distintas (i.e., factual e descritiva; deôntica e prescritiva). Segundo, relacionar estas emoções com uma medida de comportamento pró-social das crianças numa situação de altruísmo. Cinquenta e quatro crianças de dois níveis etários (i.e., 5-6 anos; 8-9 anos) foram (a) confrontadas com três exemplos de transgressões morais; (b) solicitadas a atribuir emoções positivas ou negativas ao transgressor em ambas as condições; e (c) colocadas depois numa situação onde podiam doar algumas das guloseimas recebidas pela sua participação na investigação. Os resultados mostram que (1) o número de vitimizadores felizes (i.e., crianças que pensam que o vitimizador se sentiu bem depois de ter cometido a transgressão) foi muito menor na condição deôntica que na factual; (2) esta diferença foi mais acentuada nas crianças mais velhas que nas mais jovens; e (3) não houve qualquer relação significativa entre o tipo de emoções atribuídas pelas crianças e o seu comportamento altruísta na situação de dádiva anónima. São ainda discutidas as implicações destes resultados para uma melhor compreensão das emoções morais na criança, de dados contraditórios neste tema de pesquisa e de teses relativamente opostas de teorias actuais de desenvolvimento moral no que à competência moral da criança diz respeito.

Palavras-chave: Emoções morais, vitimizadores felizes, desenvolvimento, crianças.

 

ABSTRACT

This study examines children's attributions of positive and negative emotions to victimizers in an «is» or factual, and in an «ought» or deontic condition, and relates such emotions with a measure of children's prosocial behavior in an opportunity-to-donate situation. Fifty-four children from two age levels (i.e., 5- to 6-year-olds, and 8- to 9-year-olds) were presented with three moral transgressions, and asked to attribute positive or negative emotions to the victimizer in such conditions. They were then given an opportunity-to-donate situation in which they might donate some of the goods they had received for their participation in the study. The results show that (1) the number of happy victimizers was much lower in the deontic than the factual condition; (2) this difference was greater among the older than the younger children; and (3) there was no significant relationship between children's pattern of emotion-attribution (i.e., positive or negative) and their prosocial behavior. These findings have important implications for a better understanding of (a) children's conceptions of moral emotions; (b) some of the contradictory findings in this area of research; and (c) the somehow different claims of pre-sent-day theories of development as far as the child's moral competence is concerned.

Key words: Moral emotions, happy victimizers, development, children.

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text only available in PDF format.

 

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(*) Expresso o meu agradecimento ao Colégio Moderno, em especial à sua directora e às crianças que participaram neste estudo. Sem a sua colaboração, esta investigação não teria sido possível.

Esta investigação foi efectuada no âmbito do Centro de Psicologia Clínica e Experimental: Desenvolvimento, Cognição e Personalidade (Unidade I & D, Fundação para a Ciência e Tecnologia).

Correspondência relativa a este artigo deve ser endereçada a Orlando Lourenço, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Lisboa, Alameda da Universidade, 1600 Lisboa (e-mail: Orlando@fc.ul.pt).

(**) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Lisboa. E-mail: Orlando@fc.ul.pt

 

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