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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.16 n.1 Lisboa mar. 1998

 

Os acidentes infantis: Factores socio-cognitivos do comportamento de prevenção dos pais face ao risco de intoxicação da criança no espaço doméstico (*)

 

Maria Da Graça Vinagre (**)

Maria Luísa Lima (***)

 

RESUMO

Enquanto os acidentes de viação são mais frequentes nos jovens, os acidentes domésticos predominam nas crianças, sobretudo no grupo etário do 1 aos 4 anos, constituindo uma das maiores ameaças à sua saúde. As intervenções educacionais junto dos pais no sentido da prevenção não têm revelado a eficácia desejada, a incidência mantém-se elevada, como é o caso das intoxicações infantis. Como são os pais que controlam o espaço doméstico e definem as regras de segurança em casa, a prevenção dos acidentes domésticos na criança depende sobretudo da importância que eles atribuem a esta questão. Abordando o comportamento preventivo dos pais numa perspectiva cognitivista (Peterson et al., 1990), pretende-se neste estudo compreender os factores socio-cognitivos que mediatizam os comportamentos de segurança das mães relativos à intoxicação doméstica nos seus filhos. O Modelo das Crenças de Saúde (Becker & Maiman, 1975) e a Teoria do Comportamento Planeado (Ajzen & Madden, 1986) orientaram as predições deste estudo, onde participaram 186 mães de crianças dos 9 aos 15 meses de idade. Os resultados fornecem sugestões importantes ao nível das estratégias de intervenção educacional a estabelecer pelos técnicos de saúde junto dos pais, como a elaboração de programas de prevenção mais ajustados às suas crenças, visando o seu maior envolvimento em práticas de segurança doméstica.

Palavras-chave: Acidentes domésticos, crianças, comportamentos de prevenção, pais.

 

ABSTRACT

Accidents are still an important cause of death among children and adolescents. While traffic accidents are more frequent for this late group, home injuries are still the more usual type life threat for children between 1 and 4 years old. The prevention of home injury has been approached through educational strategies, but they do not seem efficient to lower the incidency rate of some types of home accidents, such as non intentional poisoning. As the accidents occur mainly at home, the modification of hazardous household practices (specifically unproper storage of poisonous substances) may be seen as an important goal. In this study, preventive behaviour of caregivers was approached from a cognitive perspective (e.g. Petersen et al., 1990), to understand the factors underlying the intention of safe storing of poisonous substances. The Health Belief Model (Becker & Maiman, 1975) and the Theory of Planned Behaviour (Ajzen & Madden, 1986) were used to define the predictive variables used in this study. 186 mothers of children between 9 and 15 months were subjects in this study. Results show that the Theory of Planned Behaviour can account for a greater variance of the results than the Health Belief Model, but an integration of the two models significantly higher the levels of explained variance. Our results have also some practical consequences to the content and design of future intervention programmes to prevent unintentional poisoning at home.

Key words: Home injuries, children, preventive behaviours, parents.

 

 

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Full text only available in PDF format.

 

 

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(*) Artigo baseado numa dissertação de mestrado realizada pela primeira autora sob orientação da segunda autora.

Trabalho apresentado no 2.º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde, Universidade do Minho, Braga, 1997.

(**) Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian de Lisboa.

(***) Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Lisboa.

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