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Análise Psicológica

versão impressa ISSN 0870-8231

Aná. Psicológica v.16 n.1 Lisboa mar. 1998

 

A psicologia pediátrica tem ao longo dos últimos dez anos ganho um estatuto de grande relevância dentro do campo coberto pela designação genérica de Psicologia da Saúde.

Embora a tradição da prática psicológica sempre tenha de algum modo privilegiado a criança, a existência de quadros teóricos diversos e o enfoque clássico da clínica psicológica na psicopatologia, acabou por implicar muitas «psicologias da criança».

Entre nós em particular, assistiu-se durante algumas décadas a uma completa separação entre técnicos e serviços da chamada «Saúde Mental» e técnicas e serviços que se ocupavam da saúde física, ou melhor das doenças expressas neste registo.

Nem os permanentes alertas a partir dos anos quarenta da Organização Mundial de Saúde sobre a necessidade de conceptualizar a saúde de forma mais holística, nem a falência anunciada e visível do modelo bio-médico nem mesmo a especificidade da infância que, paradigmaticamente, destaca em si mesma a necessidade de leituras bio-psico-sociais, apressou a implementação alargada da Psicologia Pediátrica nos Serviços de Saúde.

A urgência e a necessidade destes serviços não é nem uma construção dos psicólogos enquanto grupo profissional, nem a aplicação de um modelo de investigação saído do laboratório ou de mais uns tantos contributos teóricos. Antes se revela na proximidade e ligação a outros saberes que dentro do campo da saúde, tomam como objecto de conhecimento e intervenção a criança. A criança e o seu meio: a família, a mãe. A criança e a sua circunstância: ter sido desejada, tolerada ou indesejada, ter nascido prematuramente, apresentar sinais ou sintomas ao longo do seu desenvolvimento que exprimam mal-estar, perturbação, comprometimento desenvolvimental ou doença crónica ou aguda. A criança e o seu devir: na relação que estabelece e que lhe é permitida estabelecer com os outros que a cercam e a significam.

Foi possível reunir neste número de Análise Psicológica um conjunto de textos sobre temas actuais da psicologia pediátrica. António Pires resume a história da psicologia pediátrica nos Estados Unidos, para de seguida definir a Psicologia Pediátrica actual, o seu campo de actuação e formas de intervenção incluindo algumas considerações sobre a formação. Luísa Barros, a partir de uma análise da literatura sobre a hospitalização pediátrica, propõe um conjunto de estratégias com vista a prevenir e remediar as sequelas psicológicas e psicopatológicas desta experiência stressante, enfatizando o papel do psicólogo pediátrico. Victor Viana e J. Paulo Almeida definem psicologia pediátrica, focam os aspectos característicos da intervenção psicológica no âmbito da saúde da criança, incluindo também algumas notas sobre o enquadramento legal dos psicólogos na Saúde. Maria da Graça Vinagre e Maria Luísa Lima abordam os acidentes domésticos na criança e o comportamento preventivo dos pais numa perspectiva cognitivista. Júlia Serpa Pimentel compara a vivência maternal, a interacção mãe-criança e o desenvolvimento do bebé quando estes são prematuros e quando têm síndroma de Down. Salomé Viera Santos analisa a influência familiar no ajustamento da criança com doença crónica. Jan Wallander e Lise Becker abordam o ajustamento comportamental da criança com deficiência física. José Luís Pais Ribeiro, Rute Meneses e Isabel Meneses descrevem um estudo que visa construir um questionário sobre a Qualidade de Vida destinado a crianças que sofrem de diabetes. Annette La Greca e Kristen Thompson descrevem a maneira pela qual os pais e amigos podem apoiar o adolescente diabético. Françoise Weil-Halpern debruça-se sobre a situação das crianças não infectadas pelo VIH, únicas sobreviventes na sua família; como se faz ou não o trabalho de luto, quais as lembranças que guardam estas crianças dos seus pais, etc. Maria José Gonçalves e Eduarda Rodrigues descrevem as perturbações alimentares precoces (anorexia precoce) propondo a existência de duas formas clínicas com diferentes bases psicopatológicas e apresentam um modelo de avaliação clínica destas situações. Cristina Marques debruça-se sobre a abordagem terapêutica de crianças na primeira infância com diagnóstico de autismo. A dor na criança é abordada por Emílio Salgueiro. Como a criança comunica a dor e como a elabora em termos de angústia, depressão e culpabilidade. Eduardo Sá faz um pequeno ensaio sobre a história e os direitos da criança e da família. Isabel Trindade e José Carvalho Teixeira tecem algumas considerações sobre a Psicologia da Saúde Infantil. São incluídos dois textos de Maria Antónia Carreiras, um sobre adolescentes após um transplante renal e outro sobre o papel do psicólogo numa Unidade Pediátrica de Hemodiálise. Helena Seabra faz uma apresentação sucinta da Diabetes na criança. Maria João Mendes apresenta um caso de histeria numa criança de dez anos seguida num serviço hospitalar. Maria Teresa Fonseca aborda o papel do Psicólogo Pediátrico.

 

António Pires Isabel Pereira Leal

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