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Finisterra - Revista Portuguesa de Geografia

versão impressa ISSN 0430-5027

Finisterra  no.112 Lisboa dez. 2019

http://dx.doi.org/10.18055/Finis18268 

ATUALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA


 

“Trajetórias Geográficas, Trajetórias Pessoais”: um testemunho intelectual de Roberto Lobato Corrêai

 

 

Rafael Augusto Andrade Gomes1

1 Programa de Pós-Graduação em Geografia, Instituto de Geociências (IGeo), Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Avenida Athos da Silveira Ramos, 274, Bloco I, Cidade Universitária, Ilha do Fundão, CEP: 21941-972, Rio de Janeiro (RJ), Brasil. E-mail: rafagomesgeo@gmail.com

 

 

Há pouco mais de duas décadas, no prefácio do livro Trajetórias Geográficas (Corrêa, 1996), Milton Santos (Santos, 1996 [2011], p. 9) chamou a atenção para o fato de que os textos organizados por Roberto Lobato Corrêa (1939-presente) eram, ao mesmo tempo, “trajetórias geográficas e trajetórias pessoais entrelaçadas”. Àquela altura, Trajetórias Geográficas (Corrêa, 1996) apresentava ao público brasileiro uma seleção da produção geográfica de seu autor, entre 1959 e 1993, organizada em cinco partes: 1) as redes geográficas; 2) o espaço urbano; 3) a região; 4) espaço e empresa; 5) espaço, tempo e cultura.

Não há melhor descrição do propósito de Roberto Lobato Corrêa em seu novo livro, publicado em fins de 2018, do que aquela feita por Milton Santos (1926-2001) anos atrás sobre Trajetórias Geográficas, na qual sublinha a inseparabilidade entre o “gosto [do autor] pela renovação” (Santos, 1996, p. 9) e sua necessidade de rever os caminhos de pesquisa trilhados até então. Enquanto Trajetórias Geográficas (Corrêa, 1996) compreende o período entre 1959 e 1993, o livro Caminhos Paralelos e Entrecruzados (Corrêa, 2018) recobre a produção geográfica de Roberto Lobato Corrêa de 1997 a 2018 (além de um texto do final dos anos 1960), ordenada em quatro partes: 1) processo (tempo) e forma (espaço); 2) o urbano e sua espacialidade; 3) espaço e cultura; 4) notas e pequenos ensaios.

A partir desse ponto de vista, reconhece-se em Caminhos Paralelos e Entrecruzados, tal como em Trajetórias Geográficas, o esforço do autor em dar sentido à própria trajet ória intelectual, a partir da organização de suas reflexões e pesquisas no Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Instituto Brasileiro de Geografia e Estat ística (IBGE) e no Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço e Cultura (NEPEC) – criado em 1993 por Zeny Rosendahl, no Departamento de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ambos os livros de Corrêa (1996; 2018), se considerados em conjunto, incluem excertos de 60 anos de pesquisa e docência do autor, isto é, do período de estágio no Conselho Nacional de Geografia do IBGE, aos 20 anos de idade, até hoje, como docente colaborador do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ, aos 80 anos de idade.

A presença das teses de Milton Santos, relidas e ampliadas por Corrêa (2018), é uma constante ao longo de toda a primeira parte do livro ora resenhado – intitulada Processo (tempo) e forma (espa ço). Em um dos textos de Espaço e Método, Milton Santos (1985) define, de acordo com seu método geográfico, as categorias de análise do espaço: estrutura, processo, função e forma. Esse conjunto de categorias analíticas, bem como a relação dialética entre elas, é corroborado por Corrêa (2018); porém, no capítulo “ Processo, forma e significados”, a proposta do autor difere daquela de Santos (1985) ao incluir mais uma categoria de análise espacial: a dos “significados”.

A interpretação dos “significados” apresentada por Corrêa (2018) deriva da leitura filosófica de Ernst Cassirer (1874-1945) acerca das “formas simbólicas” e de princ ípios teóricos desenvolvidos por geógrafos culturais de língua inglesa após 1970, sobretudo Peter Jackson em seu Maps of Meaning (1989). Tal como em Santos (1985), para Corrêa (2018), grosso modo, a forma corresponde ao aspecto visível de algo, um ou mais objetos ordenados segundo um determinado padrão; o processo, por seu turno, implica a continuidade temporal de uma a ção. Segundo Corrêa (2018), além da espacialidade em si, o modo de dar sentido à organização espacial é algo construído e reconstruído pelos diversos grupos sociais. A linguagem, a arte e outras formas simbólicas, portanto, participam da criação de significados que qualificam o espaço.

Corrêa (2018, p. 289) considera a espacialidade, concebida como a análise e interpretação da ação diferenciada da humanidade sobre a superfície terrestre, o aspecto distintivo do olhar geográfico. A terminologia “diferenciação espacial”, utilizada pelo autor, aproxima-se da bastante difundida, ao menos na geografia estadunidense da primeira metade do século XX, “diferenciação de áreas” (Hartshorne, 1939; Sauer, 1925; Hartshorne, 1959). Sua proposta para a investigação da espacialidade é notável ao diferenciar três aspectos da análise geográfica de um fenômeno. Primeiro, em conjunto com os fluxos, Corrêa (2018) ressalta a importância da localização (dos fixos) como parte integrante de formas e processos espaciais. Em segundo lugar, reforça a diferenciação entre três noções de escala discutidas em profundidade por Castro (1995): 1) dimensional, que remete ao tamanho das formas e amplitude dos processos espaciais; 2) cartográfica, que estabelece uma relação numérica entre um objeto real e sua representação gráfica; 3) espacial, geralmente expressa numa hierarquia de níveis, tal como a local-regional-nacional-global. Um terceiro aspecto enfatizado é o que o autor chama de “arranjo espacial”, ou seja, a maneira como as formas espaciais estão dispostas em conjunto no espaço. A exemplo de Maurício de Almeida Abreu (1948-2011), seu colega de trabalho por mais de 30 anos no Departamento de Geografia da UFRJ, interessou a Corrêa (2018), no segundo e terceiro capítulos (“Espaço e tempo: um tributo a Maurício Abreu” e “O interesse do geógrafo pelo tempo”), discutir “como a geografia estabelece seu olhar sobre as rela ções entre espaço e tempo” (p. 25). Mais do que propriamente um interesse pela geografia histórica nos moldes desenvolvidos por Maurício de Abreu, que se questionava sobre o modo como o ge ógrafo investiga lugares do passado (Abreu, 2010), Roberto Lobato Corrêa tem como objetivo abordar modos possíveis a partir dos quais o “geógrafo pode estudar o passado sem perder sua identidade ” (Corrêa, 2018, p. 37).

Ainda que seja reconhecível na literatura a relevância do tempo na regulação dos ciclos biológicos e dos ritmos sociais (Thrift, 1977; Thrift, 1990; May & Thrift, 2001), o modo como Corr êa (2018) procede à definição do tempo é etimológica e, no limite, mitológica. De um lado, chronos, o tempo objetivo e mensurável das medidas, e, de outro, kair ós, o tempo intersubjetivo, imbuído de práticas e valores dos grupos sociais que o definem. Outro aspecto enfatizado por Corrêa (2018) sobre a incorporação do tempo na pesquisa geogr áfica é o reconhecimento da díade sincronia-diacronia. A análise sincrônica demanda, necessariamente, a reconstituição de um quadro simultâneo de fenômenos num dado per íodo da história. Em contraste com a sincronia, a diacronia remete à evolução no tempo de um ou mais fenômenos.

Para Corrêa (2018), a respeito do aspecto diacrônico, os geógrafos podem incorporar o tempo à análise espacial pelo menos de duas maneiras: 1) difusão; 2) periodização. Na primeira delas, a da difusão, ou seja, o espraiamento de um fenômeno no espaço ao longo do tempo, são reconhecidas as contribuições de Friedrich Ratzel (1844-1904), Franz Boas (1858-1942), Alfred Kroeber (1876-1960), Carl Sauer (1889-1975) e Torsten Hägerstrand (1916-2004). Na compreensão de periodização como concebida por Louis Althusser (1980), ou seja, reconhecida como uma constru ção intelectual, Corrêa (2018) a define como uma combinação desigual das instâncias da sociedade (econômica, jurídico-política e ideológica, segundo o autor) que delimita tempos históricos.

Ao definir a periodização com base em Althusser (1980), no entanto, Corrêa (2018) não discute – como fizeram Milton Santos (1978) e outros que se dedicaram à reflexão sobre o espa ço no materialismo histórico e dialético de Karl Marx (Harvey, 1973; Lefèbvre, 1974; Smith, 1984; Soja, 1989) – o papel do espaço como instância social. Admitir as instâncias sociais com base em Althusser (1980), apesar de criar uma noção operacional de período e de tempo histórico, reabre o questionamento feito por Milton Santos no final dos anos 1970: “Qual o lugar real que tem o espaço humano na sociedade, ou ainda melhor, na formação econômica e social” (Santos, 1978, p. 180). Os capítulos sobre a incorporação do tempo na pesquisa geogr áfica permanecem, contudo, essenciais para a crítica à incorporação da narrativa cronológica na geografia e para pontuar uma série de aspectos teórico-metodológicos fundamentais aos geógrafos históricos (Corrêa, 2018, p. 27).

Embora seja cuidadoso em justificar teoricamente suas proposições e frequentemente utilize exemplos empíricos para dar vida a elas, o texto de Corrêa (2018) se destaca por estar permeado de proposi ções operacionais valiosas àqueles que desejem iniciar ou repensar os limites de sua pesquisa nos marcos da ciência geográfica. O quarto capítulo, que versa sobre as redes geográ ficas, tema de interesse de Roberto Lobato Corrêa ao longo de grande parcela de sua trajetória acadêmica, apresenta inúmeras dimensões de análise. As redes geográficas, em sua perspectiva, são construídas socialmente e podem ser analisadas a partir do modo de organização (agentes sociais/tipos de fluxo/funções), espacialidade (forma/escala/arranjo/localiza ções) e temporalidade (ritmo/duração/velocidade/frequência).

Um dos principais tipos de rede pesquisados por Roberto Lobato Corrêa é a urbana – a teoria das localidades centrais (Christaller, 1966 [1933]), em particular, é relevante para Corrêa (2018). O realce à espacialidade do urbano por Corrêa é evidenciado na segunda parte do livro e em dois capítulos da última parte. Como o urbano pode ser analisado? Há, segundo o autor, duas escalas conceituais típicas para o estudo do urbano: 1) rede urbana, compreendida como um conjunto funcionalmente articulado de cidades; 2) espaço intraurbano. A depender da escala conceitual adotada pelo pesquisador, que alteraria os objetos geográficos e sua expressão espacial (distância, área, conexão, entre outros), os fenômenos urbanos e sua visibilidade também são transformados. Em outras palavras, por mais que existam conexões entre as cidades, sua organização interna e sua posição na hierarquia urbana, os estudos sobre organização interna e rede urbana não se confundem em propósito ou dimensões de análise.

O capítulo “Estudo comparativo sobre a rede urbana” é ilustrativo do intento do autor de investigar as articulações funcionais entre os centros da rede urbana brasileira: o grau de articulação entre os centros urbanos, sua orientação espacial, os graus de supremacia das metrópoles nacionais e as relações de dominação/subordinaçã o/complementaridade entre os centros urbanos são investigados a partir dos dados da Empresa Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL) para 1994. Com base em dados de ligações telefônicas entre centros urbanos no referido ano, foram obtidas uma imagem da estrutura urbana e uma medida das interações espaciais interurbanas brasileiras à época.

Parte substantiva da produção geográfica no Brasil sobre o urbano tem como objeto as grandes cidades e, mais recentemente, sobretudo sob a chancela da Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias (ReCiMe), as de médio porte. No sétimo capítulo, Corrêa (2018) conceitua a pequena cidade de acordo com sua inserção na rede urbana brasileira. Também está presente, como em diversos outros capítulos, a noção de “tipo ideal” – os tipos ideais weberianos (Weber, 1965 [1904-1917). No caso das pequenas cidades, os tipos ideais são os seguintes: lugares centrais; centros especializados; reservatórios da força de trabalho; centros dependentes de recursos externos; subúrbios-dormitórios.

Segundo Gerth e Mills (Weber, 1982), a concepção weberiana da pesquisa era marcada por uma dualidade fundamental: os cientistas sociais deveriam escolher entre o uso de concepções logicamente controladas – que, por esse motivo, seriam mais distantes da realidade histórica – ou o emprego de conceitos menos precisos e ambíguos, mais próximos ou derivados da realidade emp írica. A essência histórica residiria, para Max Weber (1864-1920), entre esses extremos de modelos puros (Weber, 1965; Weber, 1982).

Indo além de uma análise das formas atuais da paisagem urbana, Corrêa (2018) elenca, no oitavo capítulo (“Perspectivas da urbanização brasileira – uma visão geogr áfica para o futuro próximo”), um conjunto de possíveis tendências decorrentes da urbanização brasileira nos próximos anos. Entre algumas antevisões propostas pelo autor, na escala da rede urbana, ele associa a decadência de metrópoles nacionais, como o Rio de Janeiro, à afirmação das metrópoles regionais na hierarquia funcional das cidades brasileiras. Na escala intraurbana, o autor pressupõe a ampliação contínua de formas de segregação residencial estruturais à sociedade capitalista, como os condomínios fechados e as favelas – estas últimas, no capítulo intitulado “Paisagem urbana brasileira: tipos ideais”, são consideradas paisagens típicas da urbanização brasileira.

Depois de completar um importante estudo sobre Carl Sauer (Corrêa, 1989), Roberto Lobato Corrêa, em parceria com Zeny Rosendahl no NEPEC, contribuiu para mudar o rumo das pesquisas sobre geografia cultural no Brasil. A última parte de seu livro (Corrêa, 2018), que conta com quatro capítulos, contém uma agenda de pesquisas para a área. Para apresentar as abordagens culturais em geografia, Corrêa corrobora a existência de duas abordagens complementares da geografia cultural: a da Escola de Berkeley, referendada e desenvolvida por Carl Sauer (1889-1975) nos Estados Unidos, e a Nova Geografia Cultural, desenvolvida a partir dos anos 1970 com a crítica da visão de cultura adotada até então na geografia cultural (Duncan, 1980).

Enquanto os geógrafos culturais de Berkeley teriam como base a antropologia de Franz Boas e Alfred Kroeber, os geógrafos culturais “renovados” se serviriam, entre outras referências, principalmente da geografia social inglesa, do pós-estruturalismo e da antropologia interpretativa de Clifford Geertz (1926-2006). Esta oposição entre referências teóricas e concepçõ es de cultura, temas de pesquisa e focos de análise da geografia cultural de Berkeley e da Nova Geografia Cultural é descrita pelo autor também em um estudo comparativo entre as trajetórias intelectuais de Carl Sauer e Denis Cosgrove (1948-2008).

Ao invés de reconhecê-las como duas abordagens culturais contrapostas, Corrêa (2018) as apresenta como uma oposição complementar que amplia os limites analíticos da geografia. De um lado, o da geografia cultural de Berkeley, temos a ênfase na morfologia da paisagem e nas formas, funções e estruturas espaciais; de outro, o da geografia cultural pós-1970, o simbolismo e a cria ção de significados ampliam os sentidos possíveis da espacialidade humana. Em uma obra madura, com texto acessível aos iniciantes, mas relevante também aos iniciados, Roberto Lobato Corrêa se esforça para traçar um quadro coerente dos temas de pesquisa que dão vida aos caminhos trilhados em quase seis décadas de dedicação à ciência geográfica. Resta-nos, mais uma vez, concordar com Milton Santos:

“é tudo isso o seu livro. Na realidade, são trajetórias geográficas e trajetórias pessoais entrelaçadas. O gosto pela renovação permanente que o faz percorrer novamente os caminhos cada vez que se alteram as situações, esse entrecruzar de realidades e ideias em mudança é que constitui a garantia de rigor que caracteriza o labor de Roberto Lobato Corrêa e de que este livro é um exemplo.” (Santos, 1996 [2011], p. 9, grifos nossos).

 

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NOTAS

i Corrêa, R. L. (2018). Caminhos paralelos e entrecruzados [Parallel and intersecting paths]. São Paulo: Editora da UNESP.

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