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Finisterra - Revista Portuguesa de Geografia

versão impressa ISSN 0430-5027

Finisterra  n.89 Lisboa  2010

 

Encontro anual da associação de geógrafos americanos 2009 (AAG ANNUAL MEETING 2009)

 

Luís Carvalho*

*European Institute for Comparative Urban Research. Erasmus University Rotterdam E:mail: decarvalho@ese.eur.nl

 

O encontro anual da Associação de Geógrafos Americanos (AAG) é uma das maiores plataformas mundiais para discussão do avanço científico, metodológico, do ensino e da prática em geografia física e humana. Reúne anualmente, durante uma semana, geógrafos e outros profissionais provenientes das mais diversas partes do mundo numa cidade americana, em carácter de rotatividade. durante essa semana, para além das sessões de conferências e painéis com oradores convidados, tem lugar uma grande diversidade de eventos, como por exemplo workshops temáticos, encontros de grupos de especialidade, sessões plenárias, apresentações de livros, visitas de estudo, exibição de livros, novo software, feira de emprego, exposição de posters, entre outros.

Durante uma semana, a AAG torna-se o epicentro mundial da geografia, um cluster temporário de produção e difusão de conhecimento. A edição de 2009 teve lugar em Las Vegas, Nevada, de 22 a 27 de Março. Contou com cerca de 7 000 participantes provenientes de 60 países, de entre os quais cerca de 4 000 apresentaram comunicações (artigos, comunicações em painel, posters), organizados em torno de centenas de sessões e painéis nos mais diversos campos de trabalho em geografia física e humana. Este ano, o plenário de abertura foi dedicado a um tema de geografia física: o futuro dos recursos hídricos no Oeste Americano. Seguiu-se uma recepção internacional de boas vindas. Durante a semana foram realizados diversos workshops com a duração de menos de um dia destinados a explorar ferramentas, software e métodos de trabalho em geografia, como por exemplo as mais recentes aplicações em Metadata, ArcGIS, suportes visuais de apoio, calibração de modelos espaciais, técnicas de gestão de tempo, metodologias de ensino da geografia, planeamento e técnicas de escrita e publicação, passando ainda por um concorrido workshop de provas de vinhos italianos. Tiveram ainda lugar diversas (16) visitas de estudo destinadas a explorar o património cultural e físico de Las Vegas e sua envolvente. Entre as mais populares estiveram This is Vegas! Or can I get a Deep Fried Twinkie with that?, organizada pelo departamento de Geografia e Planeamento da Indiana University of Pennsylvania e as visitas aos Parques Nacionais do Grand Canyon e Death Valley, onde foi abordada sua história, geologia e desafios de sustentabilidade.

A AAG ENQUANTO “BAZAR DE GEOGRAFIA”: VANTAGENS E DESVANTAGENS

A AAG dificilmente deixa alguém indiferente. Trata-se de uma conferência bastante intensa, uma concentração maciça de delegados das mais diversas idades, especializações e perfis académicos e profissionais, comparada por alguns a um grande “bazar”. Na minha opinião, tal como visitar e comprar num bazar tem vantagens e inconvenientes (independentemente dos custos de oportunidade temporais e financeiros associados), também a AAG tem pontos fortes e fracos que convém considerar ao planear uma participação.

Para além das evidentes vantagens associadas i) ao contacto e networking com colegas e profissionais com interesses comuns e ii) à possibilidade de visitar lugares no mínimo interessantes pessoal e profissionalmente, do lado dos pontos fortes pesa ainda claramente iii) a concentração num só local de alguns dos nomes mais importantes nos diferentes ramos da geografia a nível mundial. Esta concentração torna possível a participação em sessões de discussão do estado-da-arte ao mais alto nível e de trabalhos em curso na fronteira da(s) disciplina(s). A organização da AAG encoraja os participantes a organizar voluntariamente sessões temáticas, de comunicações ou painel, para a discussão de temas específicos – por exemplo, em 2009, surgiram temas como “Local Government Boundary Change”, “World Cities and Global Production Networks”, “The Experiences of Immigrants and Refugees in Urban Areas: Canada and Europe” ou “The institutional-evolutionary interface: challenges, contradictions and conflicts in economic geography”. O encontro da AAG permite ainda tomar parte em aulas patrocinadas por revistas científicas da especialidade e participar em reuniões de reflexão de alto nível nas diversas sub-disciplinas (por exemplo, em 2009, na sessão de discussão em torno dos desafios e respostas da geografia económica ao prémio Nobel da Economia de Paul Krugman).

Do lado dos pontos fracos, tal como num grande “bazar”, tende a pesar i) a elevada impessoalidade do evento e ii) as dificuldades logísticas inerentes a uma conferência da dimensão da AAG. A concentração de pessoas não é por si só garante de interacção e networking e pode até torná-los relativamente mais difíceis, dada a grande diversidade de especialidades e interesses académicos representados na AAG. Por outro lado, a dimensão da AAG tende a gerar dificuldades logísticas e aspectos organizacionais menos bem conseguidos. Na edição de 2009 é de salientar a fragmentação do espaço físico da conferência entre dois centros de congressos relativamente distantes entre si, implicando dificuldades de movimentação entre sessões, bem como a quase não disponibilização de internet e postos de acesso (5 computadores no total para 7 000 participantes). A divulgação durante a semana de 3 números da newsletter AAGeogram permitiu relembrar a realização e localização de alguns eventos e facilitou, dentro do possível, a comunicação entre a organização e os delegados. O envolvimento da organização é mantido ao mínimo durante toda a conferência. Após definido o programa e reservadas as salas, a conferência funciona praticamente em regime de “laissez-faire”.

COMO PREPARAR A PARTICIPAÇÃO NUMA AAG?

De seguida ficam algumas notas breves sobre questões a ter em conta na preparação de uma participação – apresentação de uma comunicação – na AAG(i).

Em primeiro lugar, é importante estabilizar o tópico com alguma antecedência e prestar atenção às datas chave no website. Não é necessário ter um artigo escrito, mas é importante procurar antecipadamente a sessão mais adequada. No momento de registo, a organização apenas requer a submissão de um pequeno resumo da comunicação, ao qual atribui um código. Após a submissão, existem três alternativas:

– Por defeito, deixar a organização encaminhar a comunicação para uma sessão em função das palavras-chave, com o risco de esta ser encaminhada de modo semialetório para uma sessão mais generalista ou de um tema apenas indirectamente relacionado. Por exemplo, quando submeti ao website uma comunicação para a discussão de “mecanismos evolucionistas na geografia económica” fui encaminhado para uma sessão sobre comércio internacional de commodities, dado que duas das palavras-chave da comunicação eram “Brasil” e “biofuels”.

– Procurar sessões específicas, individualmente organizadas, no website da conferência ou outros contactos. O organizador pode ser contactado sobre o interesse de incluir a comunicação na sessão. Estas sessões são geralmente melhores para todos: tendem a ser mais focadas, fomentam um networking mais orientado e por vezes dão origem a convites para números especiais de revistas científicas e outras publicações. Por exemplo, estando insatisfeito com a sessão e o tema para onde fui encaminhado, contactei o organizador de uma sessão sobre “geografia económica evolucionista”, no sentido de incluir a comunicação na sua sessão;

– Tomar a iniciativa de organizar uma sessão específica. A organização avaliará a relevância e adequação do tema (por exemplo, pelo potencial de mobilização e interesse dos participantes) e verificará se existem sobreposições com outras sessões, podendo sugerir uma eventual fusão. O organizador pode convidar participantes para a sessão. A organização de um painel ou de um workshop segue um procedimento semelhante.

Em segundo lugar, dada a dimensão deste “bazar”, convém fazer antes uma “lista de compras”. Se é verdade que podemos encontrar agradáveis surpresas pelo caminho, é conveniente definir a priori sessões a não perder a par de outras alternativas em segundo grau de prioridade. O programa deverá estar disponível no website cerca de um mês antes da conferência. Estes podem parecer os procedimentos óbvios das “boas práticas de participação numa conferência”, mas aqui ganham particular importância dada a dimensão da conferência e as múltiplas actividades paralelas. Importa também não esquecer que as comunicações duram cerca de 20-25 minutos incluindo discussão e que uma parte significativa da discussão e networking tenderá a tomar lugar fora da sala da conferência. Vale ainda a pena pensar na inscrição em workshops e visitas de estudo com alguma antecedência – as mais populares esgotam rapidamente, mas são importantes para respirar um pouco e desanuviar da agitação do “bazar”.

 

(i)As próximas AAG 2010 e AAG 2011 terão lugar em Washington e Seattle, respectivamente.

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