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GE-Portuguese Journal of Gastroenterology

versão impressa ISSN 2341-4545

Resumo

CAMPOS, Sara; AMARO, Pedro; PORTELA, Francisco  e  SOFIA, Carlos. Perfurações Iatrogénicas Durante a Colonoscopia Numa População Portuguesa: Um Estudo Incluindo Procedimentos Intra e Extra-Hospitalares. GE Port J Gastroenterol [online]. 2016, vol.23, n.4, pp.183-190. ISSN 2341-4545.  http://dx.doi.org/10.1016/j.jpge.2016.02.007.

Introdução: O risco de perfuração iatrogénica na colonoscopia não é negligenciável. A comercialização de dispositivos para o encerramento endoscópico de perfurações e a experiência para esse efeito têm aumentado, tornando a endoscopia uma opção terapêutica. Dados nacionais referentes a perfurações iatrogénicas escasseiam e o impacto das perfurações em colonoscopias realizadas em ambiente extra-hospital encontra-se mal caracterizado. Objetivo: Avaliação da taxa de perfurações ocorridas durante colonoscopia, características tratamento e prognóstico. Métodos: Estudo retrospetivo com todos os doentes com perfuração secundária a colonoscopia realizada intra/extra-hospital tratados num hospital terciário entre 01-janeiro-2006 e 01-outubro-2014. Análise dos dados demográficos, endoscópicos, radiológicos, terapêuticos. Resultados: Identificaram-se 53 perfurações, 20 em colonoscopias realizadas em ambiente extra-hospitalar (procedimentos terapêuticos associados em 45%) e 33 em exames intra-hospitalares (73% em colonoscopias terapêuticas; representando 0,12% de todas as colonoscopias realizadas em regime hospitalar). Doentes: sexo masculino em 56%, idade média 71 anos, cirurgia abdomino-pélvica prévia em 31% e diverticulose cólica em 10%. Colonoscopia: eletiva em 93%, sob sedação em 21%, com preparação intestinal inferior a excelente/boa em 56%. Um interno participou como executante em 10 casos. Perfurações: tamanho médio 21 mm (4-130 mm), detetadas durante o procedimento em 51%, localizadas na transição recto-sigmoide em 58,5%. Os doentes com perfurações ocorrendo em regime extra-hospitalar foram tratados cirurgicamente. Relativamente às opções terapêuticas dos doentes com perfurações ocorridas na nossa unidade: 2-conservadora, 12-endoscópica (10 com sucesso), 21-cirúrgica (incluindo os 2 casos com falência da abordagem endoscópica). Comparando a abordagem endoscópica (n = 10, G1) versus cirúrgica (n = 21, G2): tamanho da perfuração 9 mm (G1) versus 28 mm (G2); localização da perfuração-7/10 no recto-sigmóide (G1) versus 8/21 no recto-sigmóide e 10/21 no transverso/ângulo hepático/ascendente (G2). Morbilidade: 1 infeção (G1) e 13 complicações (G2) (infeção, hemorragia, fístula). Mortalidade: 0 mortes aos 30 dias em G1 e 2 em G2. Conclusão: As perfurações na colonoscopia são comprovadamente raras na nossa prática clínica. O encerramento endoscópico foi eficaz, embora limitado às perfurações detectadas durante o exame. A morbimortalidade foi relativamente baixa, não agravando com a abordagem endoscópica. Um esforço adicional é necessário para detetar perfurações durante a colonoscopia.

Palavras-chave : Doença Iatrogénica; Colonoscopia; Perfuração Intestinal.

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